Cap. 6 - N.O.M.s
Snape estava sentado sob uma árvore, lendo.
Florence caminhava na direção dele, observando-o de longe.
- Hey, Severus. - ela sentou ao lado dele.
- Voltou a falar comigo? - ele nem levantou os olhos do livro para falar com ela.
Ela bufou.
- O que há de errado com você? – irritou-se ela.
- O que você me disse ontem... parecia até que você sabia do que falava.
- E eu sei, Sev...
- Sev? – ele olhou pra ela, uma sobrancelha arqueada, interrogativamente.
- Não gostou? – sorriu ela.
- Pode ser... mas como assim, você sabe?
- Meu pai... – ela suspirou, triste.
- Ele é partidário?
- Podemos dizer que sim.
- E ele maltratava você? – tentou Snape.
- Não exatamente...
- Eu sei como é isso. – disse ele. - Meu pai era trouxa e ele abominava a magia.
- Por isso você quer se aliar a você-sabe-quem?
- Em parte.
- Não faça isso, Severus. Eu falei sério ontem à noite. Não haverá apenas detenções, mas sim Cruciatus e Imperius... - ele não respondeu. - Não há nada que eu possa fazer pra que você mude de idéia?
Ele continuou calado, sem olhar pra ela.
Florence levantou e ia sair quando ele segurou sua mão.
- Você vai ir no baile... amanhã?
- Ainda não sei. Não tenho par. – disse ela.
Ele sorriu por dentro.
- Quer ir comigo?
- Com duas condições. - ela se ajoelhou ao lado dele, sorrindo travessa, Snape a olhou.
- Quais?
- A primeira, você me promete pensar no que te pedi. – disse ela.
- Em não me tornar um deles?
- Exatamente.
- Certo. E a segunda? – perguntou ele.
- Eu posso te chamar de Sev.
Ele fez uma careta quanto à isso, e respondeu depois de um tempo:
- Mas não na frente dos outros.
- Combinado! - ela deu beijo no rosto dele. - Então, Sev, temos uma prova de Feitiços dentro de 20 minutos, vamos?
E eles seguiram juntos até o castelo.
***
As provas prática e teórica de Feitiços transcorreram tranquilamente.
Florence saiu antes de Snape e ficou no corredor esperando por ele.
Rosmerta saiu logo depois dela e também ficou no corredor.
- Florence, estou correta? - perguntou a corvinal.
- Sim. E você é Rosmerta. – disse Florence.
- Sim. O que você pretende?
- Como assim? Estou aqui para estudar, como todo mundo. – Florence não entendeu.
- Com Severus. O que você quer com ele? – perguntou Rosmerta, brava.
- Ele é meu amigo. A mãe dele é minha madrinha. - Florence segurou-se para não rir. - Eu soube que você é afim dele, verdade?
Rosmerta ficou roxa de raiva e vergonha.
- Sim, é verdade...
- Quer ajuda para conquistar ele? – perguntou Florence, segurando-se para não rir.
- Você faria isso? - os olhos da corvinal se iluminaram.
- E por que não? Se ele gostar de você, eu ajudarei.
- Muito obrigada, Florence! Eu vou indo, então. Tchau.
- Tchau.
Snape ia saindo da sala de provas. Florence ria no corredor.
- Qual é a graça?
- Rosmerta.
- O que tem ela? – perguntou ele, em desagrado.
- Ela estava parada aqui no corredor, esperando você sair. – começaram a caminhar para as masmorras. - Ela ainda tem esperança de que você a convide para o baile.
- Que absurdo!
- É. E eu disse que iria ajudá-la a conquistar você. – ria Florence.
- Você o quê? - Snape parou de andar.
- Foi apenas para conter as perguntas dela, e antes que eu apanhasse. Não fique bravo. – ela disse, segurando no braço dele.
E eles estavam tão próximos. Snape sentiu o coração saltar. Voltaram a caminhar.
- Não estou bravo. É só... absurdo. – resmungou ele.
- Mas ela é bonita. – disse Florence.
- Mas eu não tenho nenhum interesse nela. Ela é burra.
- Nunca imaginei que preferisse as inteligentes, Sev. – brincou ela.
Ele nada disse.
Seguiram para a prova de Poções.
***
Snape saiu primeiro da prova de Poções, indo em direção ao pátio externo.
Mas Rosmerta estava esperando por ele no corredor. Pouco antes da prova ela ouvira comentários de que Snape teria convidado Florence para o baile e precisava tirar isso a limpo.
- Snape? - chamou Rosmerta no corredor, correndo para alcançá-lo.
Ele fez que não a ouviu e continuou pelo corredor, até que ela o puxou pelas vestes.
- Snape?
Ele se virou para ela, com um olhar frio.
- O que você quer, Rosmerta?
- É verdade que você convidou a Dellacourt para ir ao baile com você?
Snape se virou, voltando a andar pelo corredor, sem responder.
Rosmerta o alcançou, parando em frente à ele.
- É verdade? - ela perguntou, chorosa.
- Sim, é verdade. - afirmou ele, mordaz, de uma maneira que a corvinal se encolheu. - Por que? Não me diga que esperava que eu lhe convidasse. - ele deu uma gargalhada fria. - Me deixe em paz.
Ele se virou, deixando Rosmerta para trás com lágrimas nos olhos.
- Você está apaixonado por ela, não está? - ela perguntou, baixo.
- Não lhe parece óbvio? - respondeu ele, um sorriso nos lábios. - Me deixa em paz, já estou farto das suas estórias.
E ele seguiu pelo corredor, pensando nas próprias palavras.
Rosmerta deixou, enfim, as lágrimas caírem.