Cap. 3 – Detenção Meteórica
Snape acordou cedo, pois sua primeira aula do dia começaria apenas às 10hs. Resolveu, então, ir à biblioteca estudar.
Mas ao sair do dormitório masculino deu de cara com ela, a francesa desconhecida de Durmstrang.
- Durmstrang agora se mudou pra cá?
- Não, eu me mudei pra cá. – ela se virou para as escadas. – E um bom dia pra você também.
“Metida.” – ele pensou, olhando-a sair do salão comunal, vazio àquela hora.
Ele foi à biblioteca.
Ela estava lá.
Florence viu quando ele entrou.
Viu ele ir para o meio das estantes, e ouviu resmungos, provavelmente ele não encontrara o que queria.
Madame Pince foi até ele.
- O que procura, Sr. Snape?
- Poções Avançadas, a última edição.
- Ah, a Srta. Dellacourt acabou de pegar o último exemplar. Por que não senta com ela, acredito que os dois estudam pelo mesmo objetivo.
Ele resmungou, bufou e se sentou noutra mesa.
Ele queria muito ignorar a presença dela. Mas depois de 2 minutos parado, com a pena na mão, olhando para ela, pensando, sem perceber, no quanto ela era linda com aquela expressão concentrada, ele se irritou consigo mesmo, jogando a pena na mesa, bufando.
Pode ouvir ela rindo.
“Srta. Dellacourt.” – desdenhou ele, em pensamento.
Havia algo nela que o irritava, muito, desde que a vira pela manhã.
“Que raios ela estava fazendo em Hogwarts?”
- Devia aprender a fechar sua mente, Sr. Snape. – ela sussurrou.
Ele a olhou, ódio em seus olhos.
- Não devia entrar na mente dos outros sem permissão, Srta. Dellacourt. – ele rosnou.
Ela ignorou completamente o comentário dele.
- Bem, respondendo sua pergunta, estou aqui para prestar os N.O.M.s, assim como você e outras centenas de alunos. Se quiser, pode sentar aqui comigo. Sou ótima em Poções, posso ajuda-lo.
- Não-preciso-de-ajuda. – ele falou entre dentes.
- Então, tá.
Florence voltou aos estudos, esquecendo-se completamente dele.
Snape bufou, levantando-se e indo sentar com ela.
- Poderíamos estudar juntos? – perguntou, polidamente.
- Claro, qual seu nome?
- Snape.
- Seu primeiro nome. – pediu ela.
- Severus Snape.
- Florence Dellacourt, prazer, Severus. – ela lhe sorriu.
Snape ficou vidrado por um minuto.
- Poderia não fazer mais... isso? – ele rosnou.
- Desculpe-me. Sem mais sorrisos. Vamos começar por Poções?
- Sim.
Dez minutos de discussões e eles não mais brigavam. Descobriram, ao invés, uma grande companhia.
As horas se passaram e eles não perceberam.
- Que horas temos aula, agora, Severus?
- As 10hs.
- Nossa! Então, já estamos atrasados!
E eles saíram correndo em direção a sala de Transfiguração.
McGonagall os olhou interrogativamente.
- Posso saber o motivo do atraso?
- Estávamos estudando na biblioteca, Prof McGonagall. – disse Snape.
- Certo. Sentem-se.
- Onde posso me sentar, professora? – perguntou Florence.
- Pode sentar comigo, Srta. Dellacourt. – disse um rapaz.
Ela o olhou: cabelos escuros, uniforme da grifinória, expressão conhecida, sabia quem ele era.
- Nem em um milhão de anos, Black.
Sirius sorriu, amuado.
- Srta. Dellacourt, sente-se ao lado do Sr. Snape, já que se conhecem.
E ela sentou.
***
A comida em Hogwarts era muito melhor que a de Durmstrang.
Almoçou ao lado de Snape.
Rumavam para a biblioteca, quando...
- Achou alguém para lhe aturar, Seboso?
Potter e Black apareceram por trás deles.
- E quem é você? - ela olhou Potter dos pés a cabeça, como se ele fosse algo nojento grudado no chão do corredor.
- James Potter, grifinório. – ele respondeu.
- E tem orgulho disso? – desdenhou ela.
- Você vai me pagar, novata!
- Diga quando, Potter.
- Perto do lago, em 15 minutos.
Ela olhou para Snape que concordou com a cabeça.
- Nos vemos em 15 minutos.
***
Os marotos já estavam no lago.
- Vocês não vão fazer isso, não é? – disse Lupin.
- Não enche, Remus. A novata não sabe com quem se meteu.
- Eu acho que vocês é que não sabem.
- Do que você está falando? – perguntou Black. – Eu conheço ela e...
- Ela é de Durmstrang. – interrompeu Lupin. - Uma escola conhecida por sua ênfase em magia negra.
- E daí? – perguntou Potter.
- Vocês pararam para pensar que Dumbledore a colocou para fazer os N.O.M.s com a gente, sem ela ter cursado nem 1 semana de aula aqui? – esclareceu Remus.
Potter e Black se olharam.
Ao longe vinham Florence e Snape.
- Tarde demais, mas obrigado pelo aviso, Remus. – disse Potter.
- Vamos atacar antes, James. – disse Black.
***
Eles estavam a menos de dez metros quando Florence percebeu a intenção de Potter.
- Prepare-se, Severus. Eles não vão esperar a gente chegar mais perto. Consegue acertar eles dessa distância?
- Talvez.
- Então, tente. Agora! Expulso! – e Potter voou longe.
- Expelliarmus! – gritaram Black e Snape ao mesmo tempo, mas ambos erraram.
- Mobiliarbus! – falou Florence.
E uma árvore se chocou contra Black, que ficou desacordado sob ela.
Potter levantara, mas não por muito tempo.
- Locomotor Mortis. – disse Snape.
E Potter foi ao chão, as pernas se debatendo.
- Mas o que significa isso?! – gritou McGonagall, que vinha correndo até onde eles estavam.
- Finite Incantatem. – disse ela, apontando para Potter, e olhou para os três. - Detenção, a todos! Snape e Dellacourt, levarei vocês dois ao Prof. Slughorn. E Potter, enfrentar dois sonserinos sozinho...!
- Eu não estou sozinho, professora. Ela – e ele apontou Florence. – ... jogou uma árvore contra Sirius!
- Mas, o quê?! Onde ele está? – exclamou McGonagall.
E Potter mostrou a árvore caída em que Sirius estava debaixo.
- Srta. Dellacourt, em um único dia aqui conseguiu armar uma confusão dessas! Vou ser obrigada a relatar isso ao Diretor. – disse McGonagall, brava.
- Me desculpe, Prof. McGonagall, mas, acredite, foram eles quem começaram. – disse Florence, com a cara mais inocente do mundo.
- Não interessa! Vão agora ao seu diretor. Sr. Snape, você sabe onde fica a sala dele. E espero que expliquem a ele o que aconteceu aqui.
- Sim, Prof. McGonagall. – concordou Snape.
***
Bateram na porta da sala do Prof. Slughorn.
- Já sabe o que vai dizer a ele? – perguntou Florence.
- A verdade, não é?
- Não. Deixa que eu explico o que aconteceu.
- Certo.
Slughorn abriu a porta.
- Sr. Snape, - e olhou para ela – E a senhorita deve ser Florence Dellacourt, certo?
- Sim, senhor.
- Mas o que os traz à minha porta? – perguntou Slughorn.
- Nós fomos mandados aqui pela Prof. McGonagall. – começou Florence, inocentemente.
- Por quê?
- Porque estamos em detenção. – disse ela.
- Por que motivo? A senhorita chegou aqui ontem. – ele a olhou estranhando.
- Porque Black e Potter nos atacaram no lago e revidamos. – disse Snape.
Slughorn respirou fundo.
- Certo, vejo que vocês se tornaram amigos. A Srta. Dellacourt, em menos de 24hs, já tomou para si as suas inimizades, Severus. – e ele olhou de um para o outro, que pareceram ligeiramente envergonhados. – Entrem. Vocês vão cumprir uma noite de detenção na sala de Poções, limpando caldeirões.
- Quando, senhor? – perguntou Snape.
- Hoje à noite, estejam as 20hs na sala de Poções.
***
Voltavam da sala de Slughorn quando encontraram McGonagall num corredor.
- Espero que tenham contado a verdade ao Prof. Slughorn. – disse a professora.
- Sim, senhora. Teremos uma detenção hoje à noite, limpando caldeirões com as unhas. Lhe parece satisfatório? – perguntou Florence, irônica.
- Não, Srta. Dellacourt. E mantenha esse tom e serei obrigada a informar ao Diretor.
- E ele faria o quê? Me colocaria em detenção? – retrucou Florence.
- Não, ele comunicaria aos seus pais sua malcriação.
E ela olhou para a cara vermelha de raiva de McGonagall e sorriu.
***
Eram 19hs.
Eles estavam na sala de Transfiguração, estudando.
- Acho melhor irmos jantar, Severus. Daqui à uma hora temos de cumprir uma detenção.
- Humpf, nem me lembre disso. – rosnou ele.
E ela sorriu olhando pra cara emburrada dele.
Snape empacou por dois segundos inteiros.
- Eu já te pedi... – grunhiu ele.
- Ok, mas não entendo como isso te afeta tanto. Eu to sempre me controlando perto de você! – exclamou ela.
- Vamos jantar duma vez. – disse ele, emburrado.
***
20hs.
Estavam à porta da sala de Poções.
- Pronto para a detenção mais rápida da sua vida, Severus?
- O que você quer dizer? – perguntou ele, estranhando.
- Você verá!
Bateram.
- Boa noite. Deixem suas varinhas aqui sobre a minha mesa, nas bancadas estão os caldeirões a serem limpos esta noite. – disse Slughorn.
Eles fizeram como o professor pedira, pegaram as luvas e panos e produtos sobre a mesa dele após deixarem as varinhas e se encaminharam aos primeiros dois caldeirões.
Em menos de 1 minuto, Snape ainda esfregava, Florence já havia terminado.
- Mas... como você fez isso? – ele a olhou espantado.
- Segredo... mas me deixe ajuda-lo...
Ela pôs a mão desenluvada dentro do caldeirão, espalmou-a, fechou os olhos se concentrando e...
- Foi assim que eu fiz... – disse ela.
O caldeirão estava limpo, limpíssimo!
Passaram aos outros caldeirões, limpando tudo em menos de 20 minutos.
E foram até a mesa de Slughorn que corrigia alguns trabalhos.
- Professor, nós já acabamos. – disse Florence.
- Como? – ele os olhou, confuso.
- Já terminamos de limpar os caldeirões, como o senhor pediu. – disse ela.
Slughorn levantou de sua cadeira, aparvalhado, e andou pela sala.
- As varinhas de vocês...?
- Estavam o tempo todo sobre sua mesa, senhor. – disse Snape.
- E vocês terminaram em menos de meia hora... – murmurou Slughorn, sem entender. – Certo. – ele voltou à mesa e lhes devolveu as varinhas. – Acredito que estão dispensados.
E os dois saíram.
Snape estava espantado com as habilidades da novata.
Da bela e inteligente novata, diga-se de passagem.
- Como você fez aquilo? – perguntou ele.
- Mágica sem varinha.
- Mas... – ele respirou fundo. – Eu já tinha ouvido falar, mas nunca tinha visto.
- Pois eu faço. Mas não espalhe, do contrário seremos obrigados a cumprir detenções pelas férias adentro. – pediu ela.
Entraram no Salão Comunal da Sonserina.
- Boa noite... – disse Florence, e deu um beijo no rosto dele.
Snape levou um minuto inteiro para se recompor.
Ela esperou que ele “voltasse ao normal”, ficou parada na frente dele.
- Boa noite, Florence. – murmurou Snape.
E, então, ela subiu ao dormitório feminino.
Ele ainda ficou parado ali um tempo, sentindo o perfume dela no ar.
***
Florence tomou um banho, vestiu-se e agora estava deitada.
Provavelmente não dormiria.
Pensamentos interessantes, altos, de cabelos e olhos negros invadiam sua mente.
***
Algum tempo depois, Snape foi para o dormitório masculino, tomou um banho e agora estava deitado, olhando pela janela.
“Amanhã, não vou deixar passar de amanhã.”
Convidaria ela para o baile de final de ano, nem que isso lhe custasse a vida.
Ninguém além dele levaria Florence ao baile.
“Nem por cima do meu cadáver!”
***
1 dia antes dos N.O.M.s.
2 dias para o Baile de Final de Ano.
Snape acordara decidido.
Rapidamente desceu as escadas e chegou ao salão comunal. Era muito cedo, havia apenas uma pessoa lá. Ela lia concentrada uma espécie de guia. Ele se aproximou.
- Aparentemente, gosta de acordar cedo, não? - perguntou ele irônico.
- Que susto, Severus! – reclamou Florence.
- Desculpe. Mas o que você tanto procura aí?
- Uma pessoa. – disse ela.
- Decerto você deve pensar que eu sou um idiota. - retrucou ele, com frieza. Ela levantou a cabeça o olhando, surpresa. - Naturalmente, se você está olhando um guia de endereços bruxo é porque está à procura de alguém.
- É minha madrinha, quem eu procuro. – ela disse, chateada.
- E não a encontrou?
- Não.
- E ela mora aqui na Inglaterra? – perguntou ele.
- Sim. Ficou amiga da minha mãe quando ela veio estudar inglês aqui. – disse Florence, ainda olhando para o guia.
- Sabe o nome completo dela?
- Sim. Mas só o de solteira. Não sei dizer se ela casou ou teve filhos ou mesmo se já morreu.
- E o nome dela é...? – perguntou ele, impaciente.
- Eileen, Eileen Prince.
Snape ficou parado olhando para ela com cara de quem não acreditava.
- Sua mãe se chama Francì Dellacourt? – perguntou ele.
Florence o olhou, entre espantada e temerosa, perguntando:
- Sim! Como você sabe?
- Porque a sua madrinha, Eileen Prince, se casou e teve um filho. Portanto, você não vai encontrá-la no guia pelo sobrenome Prince.
- E eu a encontrarei como? – quis saber ela.
- Snape. - e ele lhe sorriu de canto.
- Ela é sua... mãe?
- Até antes de eu vir pra cá, sim. – brincou ele.
- Mas... o que mais você sabe sobre minha mãe? – ela precisava saber até onde ele conhecia a história.
- Nada, apenas que elas se conheceram aqui, enquanto sua mãe fazia um curso. Francì engravidou, minha mãe foi a madrinha. Seu pai proíbe você de entrar em contato com ela, desde os seus... dez anos?
- Sete. Mas isso é incrível! É o que podemos chamar de coincidência...
- Quer escrever à ela? – perguntou ele.
- Sim! Agora!
- Vamos até o corujal. Ela vai ter um ataque quando ler sua carta.