Cap. 2 – Contando a Verdade
Ela enviara um patrono na direção do castelo e agora aguardava alguém vir buscá-la nos portões da propriedade.
McGonagall veio ao se encontro.
- Preciso ir até o diretor... – a menina arfava.
- Mas, o que a senhorita está fazendo aqui? Você acabou de pedir para usar a lareira para ir embora! Qual seu nome?
- Florence, Florence... Dellacourt.
- Ok, Srta. Dellacourt. O que você tem pra falar com diretor Dumbledore?
- Eu... gostaria de falar apenas com o diretor, por favor.
McGonagall respirou fundo, olhando para a garota, em desagrado.
- Me siga.
E a levou até a sala do Diretor.
- O Diretor ainda não retornou do jantar, peço que o aguarde. Há bala de limão neste pote, se quiser.
- Obrigada, professora.
McGonagall saiu.
E Florence não conseguia parar de pensar, não sabia o que diria ao diretor... e se dissesse que era filha de Voldemort e ele simplesmente a atacasse e matasse sem dar chance de ela se explicar?
Um pavor começou a surgir.
Não havia pensado em como seria daqui pra frente, como viveria com tal segredo? Não teria como esconder isso do diretor, provavelmente ele descobriria por legilimens. Ela era boa em oclumência, mas duvidava muito que seria melhor que Dumbledore.
E assim passou-se o tempo, sua cabeça num turbilhão e nada do diretor chegar.
Ela adormeceu na cadeira, cansada de esperar.
***
Dumbledore entrou em sua sala e deparou-se com a menina ali, adormecida. E, novamente, ele se pegou tentando lembrar aonde já havia visto aquela expressão. Ela estudava em Durmstrang, provavelmente seus pais estudaram lá também, ou talvez apenas seu pai, pois o diretor tinha certeza de que a menina era parte veela, por conta da estranha beleza que ele notara se desprender dela e afetar todos à sua volta, e, portanto, sua mãe deve ter estudado em Beauxbottons.
Foi devagar até ela e a acordou.
- Bem... boa noite, Srta. Dellacourt. E eu não quero soar rude, senhorita, mas são 3hs da manhã e eu tive a impressão de que você havia ido pra casa pela rede de Floo da minha lareira mais cedo, estou errado?
- Perdoe-me, Diretor, é que... eu não sei por onde começar... eu... eu preciso muito falar com o senhor mas não sei por onde começar! – ela estava nitidamente perturbada.
- Vejo que você não está nada bem... faremos o seguinte: eu lhe faço as perguntas e você as vai respondendo enquanto tomamos um chá, aceita?
- Sim, obrigada.
- Bem, vamos começar. Quem são seus pais?
Ela sorriu, triste.
- Essa é justamente a pergunta que será mais difícil de lhe responder... vou começar lhe contando quem foi minha mãe, pode ser?
- Como quiser.
- Minha mãe se chamava Franci Dellacourt. Ela se apaixonou por um homem e eles... bem, eles se descobriram vítimas do Encantamento.
- Abençoados pelo Encantamento, você quer dizer. – e ele a olhou por cima dos oclinhos meia-lua.
- Que seja. Eles passaram a morar juntos, na casa que minha mãe herdara dos pais. Ela, quando descobriu que estava grávida, não quis contar à ele de imediato pois sabia que meu pai não era dos que amava crianças, então manteve a gravidez em segredo, até que não pôde mais e contou. Meu pai, contrariando as expectativas dela, aceitou de bom grado. Depois de um tempo ele foi viajar a negócios e ficou muito tempo fora, mandava dinheiro pra minha mãe todos os meses. Veio para me ver nascer e ficou por um tempo, mas depois que fiz um ano raramente ele vinha nos visitar. Quando eu tinha 5 anos minha mãe descobriu que estava doente, Síndrome Draconiana. Ela morreu 2 anos depois.
- E desde então você mora apenas com seu pai, que se chama...?
- Veja bem... Sr.Dumbledore, ele sempre me tratou muito bem, sempre tive tudo do bom e do melhor! Ele não é dos mais carinhosos, mas sempre disse ter muito orgulho de mim. Me ensinou tudo desde pequena e quando fui expulsa de Beauxbottons ele compreendeu e me pôs em Durmstrang de imediato...
- Quem é o seu pai?
- Tom Riddle. – ela fechara os olhos, temerosa, e ao abri-los, Dumbledore não mais sorria. Ele estava sério, quase amedrontador. Ela adiantou-se a explicar antes que fosse tarde demais: - Eu sei, eu sei o que você está pensando, mas não foi ele quem me mandou aqui! Aliás, eu nem sabia quem ele realmente era até algumas horas atrás em que fui até em casa contar pra ele que pediria minha transferência de Durmstrang para cá e vi uma coisa horrível... – ela começou a chorar – Eu vi ele torturando Tio Avery, vi a esposa dele, Sophie, grávida, morta. Foi horrível! Eu fugi! A primeira pessoa em que pensei em pedir auxílio foi o senhor, eu não sei o que fazer! Meu pai sempre disse que você era poderoso e que, apesar de não simpatizar com suas idéias, respeitava o senhor...
- Bem... acalme-se criança. – Dumbledore voltara a sorrir. – Faremos o seguinte. Já que você está fugida, não poderemos pedir sua transferência, pois aí seu pai descobriria que você veio pra cá... você fará, depois de amanhã os exames que os alunos do quinto ano fazem, que chamamos de N.O.M.’s, se você passar, ficará no sexto ano, se não passar, fará o quinto. Combinado?
- Claro que sim, mas durante esses dois dias que ficarei hospedada aqui, onde me alojarei?
Ao terminar a frase Dumbledore já havia colocado o Chapéu Seletor em sua cabeça.
- É o que veremos agora.
“Incrível! Mas que mente! Muito inteligente, tremendamente perigosa! Garota, se houvessem mais cabeças como a sua eu tenho certeza de que o mundo seria uma catástrofe!... sede imensurável de poder, de ser a melhor! Sem sombra de dúvida: Sonserina!”
- Bem, - sorriu o diretor, - sinto dizer que eu já imaginava... foi só por descargo de consciência mesmo. Agora vou guiá-la até a Sala Comunal da Sonserina, onde será a sua casa. E você poderá ter acesso aos livros da Biblioteca, caso queira estudar para os exames. Qualquer dúvida pode perguntar aos professores.
- Muito obrigada, Prof. Dumbledore. Ninguém nunca fez por mim o que o senhor está fazendo, acredite.
- Eu acredito, criança.
***
Nota da autora:
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