CAPITULO 71
Io-io
Hermione estava acordada depois de algumas horas dormindo. As poções para anular o efeito do veneno lhe davam muito sono e ela se mexeu na cama, confusa e perdida, sem saber imediatamente onde estava.
-Ei, calminha, moça – Rony ajudou-a a sentar na cama, e apoiou-a nos travesseiros, ignorando sua vontade de levantar – Não pode levantar ainda.
-Porque dói? – ela perguntou com a boca seca, os lábios descoloridos, esbranquiçados e rachados.
-Você foi envenenada -ele disse pesaroso – como imaginávamos foi uma quantidade mínima, que não causaria sua morte.
-Porque dói tanto? -ela perguntou ainda sem exagerar nas frases, mas sentindo casa ossinhos do corpo dolorido.
-Você caiu da escada, lembra? -ele perguntou ajeitando seus cabelos e fazendo carinho em seu rosto.
-Aquela vaca – Hermione deixou escapar monossilábica e irritada ao lembrar de Mary.
Era a parte mais difícil, penou Rony.
-Hermione, estávamos errados. Ela passou pelo teste da poção da verdade e estava completamente limpa de feitiços ou poções. Não poderia ter nos enganado. Não foi ela quem te envenenou.
-Como não? – por um segundo tentou entender a que ele se referia – E quem teria me envenenado senão ela? Se não fez, mandou fazer! – disse convicta, levando as mãos aos lábios ao sentir seus lábios doerem.
-Tome, passe neles, estão ressecados pelo tratamento contra o veneno – ele alcançou-lhe um copo com gelo. – Mary passou com louvor no teste. Ela não sabe quem fez.
-E agora? -ela perguntou sem saber onde isso acabaria – Rony...como ficamos? Contávamos com isso para ficarmos juntos!
-Vou esperar as meninas voltarem das férias e vou sair de casa. Hermione, eu já disse a ela que vou pedir o divorcio. E vou lutar pela guarda delas. Mesmo Mary não tende sido autora do envenenamento, ainda assim, haverá uma investigação completa. Não é normal que isso aconteça! Usarei isso para tentar ficar com a guarda das meninas.
-E se não conseguir? Vai agüentar a separação? – perguntou incerta.
-Não vou me separar das minhas filhas. Tenho direito a vê-las. Vai ser difícil no começo...mas elas vão entender – ele disse triste.
-Hermy me disse outro dia que achava que isso aconteceria. Eu não te contei, não queria fazer pressão. – contou.
-As vezes eu penso que Hermy gostaria de viver longe da mãe. Ela ama a mãe e a irmã, mas é sempre tratada como um patinho feio. Eu já vi isso acontecer e por mais que tentasse impedir, não posso estar com ela o tempo todo.
-Rony...eu não vou abrir mão de você, mas se tiver vontade de ficar com sua família, por favor, me diga agora. Não faça nada que possa te trazer infelicidade por se achar preso a mim. Por favor, eu não quero isso para sua vida!
Rony segurou sua mão e ela gemeu, pois tinha uma luxação no pulso. Ele colocou-a gentilmente no lençol e fez carinho delicadamente com a ponta dos dedos na pele de seu antebraço, olhando para ela com ternura.
-Estou certo da minha decisão – ele disse convicto – Vai demorar um período até o divorcio ser homologado, mas quando acontecer, gostaria de ser minha mulher, Hermione? Oficialmente?
-Está me pedindo em casamento? – ela perguntou sorrindo pouco, pois estava dolorida demais.
-Estou te pedido para ser minha. Pela lei dos homens e de Deus.
-Eu sou sua. – ela disse emocionada – Queria te beijar... – ela disse a beira das lágrimas.
-Já me sinto beijado -ele disse no mesmo tom.
-Eu te amo, Rony -ela disse em tom baixo, pois era uma das poucas vezes em que lhe dissera isso, senão primeira vez – Eu quero ser a melhor mulher do mundo para você, mas...não sou parecida com Mary. Não sei e não vou aprender a cuidar de uma casa. Não quero estar esperando-o chegar do trabalho, eu quero que cheguemos juntos. Entende? Não posso te oferecer uma casa perfeitinha...muito menos roupas passadinhas e perfumadas!
-Podemos ter um elfo, Hermione. Assalariado, claro – ele apressou-se a explicar antes que ela implicasse. – Além disso, eu não quero isso. eu já tenho uma mãe, não preciso de outra. O que Mary faz é cuidar de um filho de quase trinta anos! Além disso, detesto cheiro de amaciante floral -ele a viu sorrir e sorriu também – é claro que vai ser difícil para você se as meninas vieram morar conosco. Duas enteadas. Duas filhas caindo do céu no seu colo. Ao mesmo tempo que não posso pedir que aceite isso, não posso pedir que não aceite. Acha que pode abrir mão de algumas coisas na sua vida, Hermione, pelo conforto das minhas filhas?
-Se você me ajudar e cuidar delas e a saber fazer isso, eu poso me adaptar – foi sincera – Só não prometo com conto de fadas. Como deve ter notado as mocinhas tradicionais não querem ser envenenas pelas bruxas más!
-Eu sempre soube que não é mocinha tradicional. E nem eu sou o príncipe encantado, Hermione- ele disse achando engraçado seu rubor – mas acredite, eu te amo.
Hermione estava prestes a mandar a dor para o inferno e beijá-lo quando a enfermeira apareceu, pedindo que ele se retirasse, pois era hora do seu banho.
-Vou estar ali fora, esperando – ele sussurrou enquanto beijava sua bochecha e se afastava.
-Qualquer coisa eu grito -ela disse brincando e arrancando dele uma gargalhada.
Sozinha com a enfermeira, ela notou que a velha senhora sorria maliciosa e piscou para ela enquanto ajeitava seus lençóis e ajudava-a a levantar-se.