CAPITULO 69
Asas de borboleta
Normalmente os almoços e jantares com Mary eram torturantes, mas aquela noite em especial, após o flagrante, deveria ter sido um completo inferno. Mas não foi.
Dr.Taylor era um homem muito sorridente e espirituoso, com assuntos modernos e interessantes. Sabia conduzir uma conversa muito bem, e em determinado momento Hermione quase esqueceu o que houvera a uma hora atrás.
Rony continuava calado e tenso, possivelmente por não gostar do papo entrosado entre Hermione e o medico, ou penas tenso por causa das brigas que se sucederiam depois que o convidado fosse embora.
A principio Mary estivera calada, colocando a mesa metodicamente como sempre, porém de forma mecânica, sem vontade. Mas ao longo do jantar ela se permitira aproveitar a conversa do medico e até sorrira algumas vezes.
Quando o jantar terminou, Hermione mal podia respirar, pois seu estomago estava pesado. Mary poderia ser tudo na vida, mas com certeza era uma excelente cozinheira! O Assado estivera divino, a carne tenra e cozida no ponto certo, temperada com especiarias deliciosas e acompanhada por batatas e três molhos diferentes. Pena Mary não ter o mesmo talento para dirigir a própria vida.
Um pesado silêncio se instalou na mesa quando Dr.Taylor terminou de narrar uma de suas divertidas historias de ambulatório. Uma que contava as peripécias de mães de primeira viagem e possíveis engasgos de seus filhos pequenos ao colocar objetos pequenos na boca. Ele fazia um assunto extremamente rotineiro se tornar muito interessante, mas terminado de falar, ninguém mais tinha assunto.
Para ser fraco, assunto eles tinham, só faltava a coragem para discuti-lo!
-Preparei suflê de chocolate para a sobremesa – Mary anunciou bem feliz em ter achado algo para dizer – Tenho certeza que todos iremos adorá-lo!
Havia um traço de ironia em sua voz, e só Hermione e Rony poderiam entender, visto que Hermione comia sempre seu doce antes que ela pudesse ter chance de fazê-lo!
-Com certeza é minha sobremesa preferida! – Dr.Taylor concordou com aquele seu adorável sorriso de comercial de pasta de dente.
-Vou conferir minha correspondência, pode haver algo do ministério. É só um segundo – Rony disse levantando-se ansioso e dividindo um olhar cúmplice com Hermione.
Vendo-se sozinha com os dois, ela levantou-se, achando uma desculpa qualquer para sair dali e ir atrás de Rony.
-E agora? – ele disse assim que a viu aparecer na sala.
-Eu não sei! Ela vai ter que tomar uma posição! - Hermione cochichou de volta.
-Esperava poder evitar isso – ele confessou – Mary e eu fizemos uma bobagem tão grande nos casando! – concluiu exasperado.
-A culpa não é só sua, Rony – ela alertou – Não adianta reclamar! Achei que quisesse terminar logo com esse casamento! – ela começou a ficar insegura e antes que se afastasse ele segurou sua mão.
-Não tem a ver com nos dois, Hermione. Estou seguro da minha decisão! O problema é ter que envolver as minhas filhas nisso! O que acha que Mary vai contar para elas? Que o pai a traí dentro de sua própria casa! – ele argumentou – Só queria ter evitado chegar a esse extremo. – havia muito pesar em sua voz.
-Rony, sinto muito, deveria ter falado com você antes... –ela sentiu-se culpada na mesma hora, pois estivera egoístamente pensando apenas nela e em sua vontade de tê-lo ao seu lado.
-Fez o que tínhamos que fazer, Hermione. Agora é esperar e ver o que Mary vai fazer.
Os dois voltaram a cozinha pouco depois compelidos de desculpas pela demora. Uma mentirinha sobre responder a cartas do ministério. Mary sabia que era mentira, mas depois de tudo, já não tinha razão para usar mascaras.
Eles agüentaram firmemente mais uma hora até a visita sorridente decidir ir embora. Delicada e perfeita anfitriã, Mary o acompanhou até a porta.
-É melhor você subir. Eu falo com ela – Rony sugeriu e Hermione achou melhor deixar nas mãos dele agora. Sua parte estava feita.
Mary voltou a companhia dele no mesmo instante que Hermione começou a subir a escada. Segurando no corrimão, ela fitou a rival, que olhava para ela com amargura.
A expressão de Mary era de resignação e magoa. Hermione estreitou os olhos quanto à imagem ficou turva e seu pé quase perdeu o degrau. Apertou o corrimão, mas suas mãos estavam subitamente tremulas e não pode se firmar.
Levou menos de um segundo para sua vista escurecer totalmente e seu corpo amolecer até perder a capacidade de se manter de pé. Perdeu a consciência antes de escorregar.
Rony notou que havia algo errado com Hermione antes que ela caísse. De onde estava não houve tempo para sacar a varinha ou chegar a tempo de evitar a queda.
Mary manteve-se de pé, imóvel, enquanto observava o corpo rolar pela longa escada até parar desacordada aos pés da mesma, em uma posição pouco animadora. Parecia mais uma boneca de pano largada ao chão por uma criança levada.
Olhando para o desespero de seu marido, ela não se moveu. Um centímetro sequer, mesmo quando ele tentou passar por ela atrás da varinha que estava sobre a mesinha da sala, ela não saiu da frente e ele precisou empurrá-la para o lado nada gentil.
Agindo rapidamente ele estabilizou-a para que pudesse movê-la. Girou o corpo de Hermione e tocou seu rosto em busca de sinais vitais. Ela estava viva, porem mal podia notar que respirava.
Com a mulher da sua vida em seus braços, ele andou para a lareira, indo atrás de ajuda. Para trás, Mary se moveu quando ficou finalmente sozinha.
Como se nada houvesse acontecido, ela voltou à cozinha e começou a lavar a louça. Mais tarde, quem entrasse ali ouviria seu cantarolar.