- CAPÍTULO VII -
“O veredicto”
Elisa ficou aliviada quando Mablee protestou às perguntas pessoais que foram feitas por Gilda. A vida pessoal de Elisa – alegou ele – não era o foco deste julgamento. Gilda questionava-lhe detalhes e embora todos fossem devidamente respondidos a mulher não se satisfazia.
– Poderia dizer ao Wizengamot, srta. Sholkys, o que fazia tão longe de casa naquela noite.
– Estava indo ao castelo lutar contra os comensais da morte.
– Por isso estava hospedada a três dias no Cabeça de Javali? – disse ela em tom de deboche
– Não. Estava hospedada no Cabeça de Javali porque minha casa estava passando por um período de detetização, visto que faziam dois anos que não era habitada.
– Onde esteve durante os últimos dois anos, srta. Sholkys?
– Protesto Sr. Ministro. Minha testemunha está tendo sua vida pessoal exposta.
– Eu estava no curso de medibruxos. – Elisa respondeu antes que Kingsley proferisse resposta – E não, eu não terminei o curso, Sra. Burton. – respondeu prevendo a próxima pergunta, evitando que ela perguntasse seus motivos para a desistência. – E quanto minha estádia em Hogsmeade, eu já havia encerrado minha conta, e iria embora no outro dia.
– Como, quando e em que ocasião conheceu o Sr. Snape?
– Conheci o Sr. Snape - Elisa começou a responder sem hesitar – na noite em que ele foi ferido. Eu estava indo à Hogwarts pelo caminho indicado, quando avistei pela janela de meu quarto dois homens, o senhor Snape e sr. Malfoy.
- Reunião que a Srta. não compareceu.
- Certamente que não. Quando o senhor Snape foi ferido, minha determinação mudou. Voltei para minha casa, trazendo-o comigo para que pudesse salva-lo.
- Diga-me como srta. Sholkys, não foi vista pelos comensais?
- Quando os vi, escondi-me atrás de uma casa e fiquei observando eles passarem. O caminho que faziam, com já disse, seguia para Casa dos Gritos. Decidi segui-los a uma distância considerável para não ser vista, embora não fosse difícil já que não havia outros comensais no trajeto. A batalha em Hogwarts já havia começado e estavam todos lá. Tão logo o Sr. Snape entrou na casa, Malfoy aparatou. Estava desilusionada quando me aproximei da casa. Fiquei do lado de fora da porta, com o vento a meu favor para que a cobra não me detectasse. Assim como o Potter e Granger, o também escutei a conversa entre Voldemort e Snape. – Elisa fez as pessoas exclamarem surpresa pelo nome dito – me afastei quando ele e a cobre passaram pela porta voltando logo depois à posição em que estava. Dali pude ver o sr. Potter e a srta. Granger conversando com Snape. Tão logo eles saíram, eu me aproximei dele, para verificar se ainda estava vivo, aparatando para minha casa logo depois.
- Essa é a sua versão final srta. Elisa Sholkys?
– Sim – Elisa olhou diretamente para Snape sentado no centro da sala – esta é a minha única versão.
Snape não tinha dúvidas sobre a versão que a garota lhe contara. Ele havia lido exatamente o mesmo trecho no diário da garota. Elisa concluiu o depoimento contando a mesma versão dele sobre os outros dias.
Por fim, antes que Mablee terminasse seus questionamentos a Elisa, Gilda pediu uma última pergunta.
– Srta. Sholkys, uma última dúvida. – Ela disse beirando o cinismo.
– Sim.
– Porque, defendeu este homem, sendo ele um comensal da morte, responsável e cúmplice pela morte de muitos de seus amigos, - a mulher se aproximou da cadeira onde Elisa estava sentada - o homem que matou Dumbledore. – Gilda balançou as sobrancelhas enquanto seus lábios terminavam de dizes a frase furiosamente – Um homem desprezível que provavelmente este envolvido na morte de seus pais...
“Chega.” – a garota pensou.
–... e de seu avô. O homem responsável pela destruição de sua família...
– Minha família – Elisa olhou nos olhos de Gilda, respondendo de forma polida, quase imprudente – não tem relação com meus atos. – pausou buscando equilibrar-se novamente – Eu faço minhas próprias escolhas. – concluindo em seu tom de voz normal novamente.
– Certamente srta. Sholkys – a promotora disse sorrindo deliberadamente.
– O que quero dizer, é que a morte não é a melhor forma de as pessoas pagarem por suas escolhas e erros. Em nenhum segundo sequer, pensei neste homem como um comensal, mas sim uma pessoa que naquele instante necessitava de cuidados. – Elisa olhou à mesa dos júris – Naquele momento não havia escolhas certas ou erradas. Questionar-me o motivo por eu ter permitido que este homem continuasse sua vida é infundável, uma vez que esta seja uma questão óbvia. Pergunto-me, que se eu tivesse o deixado lá para morrer se estariam me questionando o motivo de eu não ter o ajudado. Garanto-lhes que dizer que sentia raiva, ressentimento ou ódio por ele ter sido um comensal da morte, não justificaria, minha escolha, quando este homem também foi o responsável por nossa vitória contra Voldemort, lutando ao nosso lado, arriscando-se e dedicando sua vida para evitar que mais pessoas morressem. Como você mesma disse sra. Burton, - voltando-se novamente à promotora – eu tenho bons motivos para querer a prisão de todos os comensais, mas eu acredito em Severus Snape, caso contrário, não estaria aqui.
– Sem mais perguntas sr. Ministro. – Gilda disse à Kingsley.
Mablee sabia que os jurados só poderiam mudar de opinião a partir da confirmação de depoimento segundo Harry Potter e, por isso o deixou por último. Mablee focou-se no equívoco cometido por ele ao dizer que Snape estava morto quando na verdade estava apenas desmaiado, enquanto Gilda perguntava o porquê, sabendo que ele ainda estava vivo tinha o deixado ali. Harry contornou dizendo que esteve realmente enganado. Ao fim do testemunho, o Wizengamot juntamente com o Ministro se retiraram para uma sala reservada para discutirem o veredicto.
Em menos de uma hora, eles retornaram com a sentença. Quando todos os bruxos voltaram a seus lugares, Kingsley proferiu a sentença final.
– Este tribunal chega à sentença de Severus Snape. No primeiro quesito de acusação, onde o réu é acusado de conspiração, traição e espionagem este tribunal o considera inocente. – Kingsley teve de esperar o alvoroço diminuir para seguir falando – Quanto à segunda acusação, onde o réu é acusado de ser cúmplice de assassinatos, este tribunal o considera inocente – novamente vozes preencheram o lugar, algumas contentes enquanto outras clamavam por justiça – Silêncio, por favor. Quanto à terceira acusação, este tribunal reconhece o réu como inocente, porém, - Kingsley observou algumas pessoas pararem de sorrir abruptamente – o Wizengamot é incapaz de aceitar sua contribuição ao crime, demonstrado de forma brutal. Dessa forma, a Suprema Corte sentencia o réu a seis anos de reclusão em Azkaban.
Houve um silêncio mortal. Apesar de muitas pessoas ali estarem contra a absolvição de Snape ninguém ousou falar naquele momento. Era visível que a pena havia sido reduzida devido às influências de Kingsley. Mablee olhou de relance para Lauren e pode ler de seus lábios a resposta pela qual esperava. Ele não ficara surpreso com a condenação. A morte de Dumbledore não era tão fácil de aceitar quanto as outras acusações. Kingsley já havia lhe alertado e, por isso criaram um plano. Ao procurar Lauren ele explicou a condenação iminente de Snape, disse as alternativas, fez-lhe uma proposta. Quando a olhou, era por isso que esperava, a decisão dela era seu único recurso.
– “Faça” – Ela disse apenas mexendo os lábios
– Senhores membros do Wizengamot, Senhor Ministro, eu gostaria de trazer para depor de acordo com o Decreto de 1566, Cláusula 406, parágrafo 9, a Srta. Lauren McKinnon.
Aqueles que procuravam no livro de lei mágica o local indicado por Mablee, pararam abobalhados. A sala foi tomada por assombros e comentários. Nem mesmo Kingsley estava preparado para tal proposta. Snape nada sabia sobre as cláusulas, mas foi surpreendido com as palavras de Mablee.
Quando Lauren levantou e começou a caminhar em direção á cadeira das testemunhas, sentiu-se reprimida, o ar pareceu faltar, e seus pulmões comprimiam-se. Sentia o coração pulsar dolorosamente, enquanto seus músculos protestavam cada movimento perante a contração em que se encontravam. Sentou encarando o chão. Sabia que todos ali a olhavam surpresos.
– Srta. McKinnon. Poderia contar o que aconteceu a senhorita dezessete anos atrás?
Assim, o depoimento de Lauren estendeu o julgamento, captando a atenção de todos os presentes, enquanto estes oscilavam entre a raiva e a compaixão. Contou como Snape salvou sua vida na noite em que seus pais foram mortos, bem como quando ele a salvou dos Lestranges. A lei pela qual seu testemunho fora submetido, proibia interrogações, logo, Lauren não foi questionada. Raramente pedido nas últimas décadas, o decreto de 1566 só poderia ser aceito em casos especiais, quando o caráter do réu é conhecido e seus crimes altamente justificados. A testemunha deveria ter forte ligação ao réu, tendo dívidas de sangue, ou dependerem do réu para sobreviver. Ainda assim cabia ao Wizengamot a decisão, escolhendo o sim ou o não.
Se aceito, o réu e a testemunha cumpririam a sentença juntos, diminuindo o tempo de cárcere. Somado a isso, ambos ficariam em um cárcere domiciliar, podendo exercer atividades normais dentro da área delimitada pela Suprema Corte.
As mulheres mais sensíveis secavam levemente o canto dos olhos quando Lauren terminou de falar. Até mesmo alguns homens mexiam-se desconfortavelmente na cadeira. Era visível o efeito das palavras dela sobre as pessoas, fazendo com que elas avalizassem Snape sob outro ponto de vista.
– Levantem a mão aqueles que são a favor do sim. – Kingsley observou o grande número de mãos erguidas – Levantem a mão, os que são a favor do não. – ele falou já sabendo que seria a minoria.
– Dessa forma, a Srta. McKinnon e o Sr. Snape cumprirão juntos, de acordo com o decreto de 1566 a pena reduzida a três anos, no local que será decidido pelos promotores Gilda Burton e Izzy Mablee. Senhoras e senhores, chegamos ao fim do julgamento de Severus Snape. Boa tarde a todos.
Mablee conduziu Lauren e Snape a uma sala, antes que os repórteres pudessem sair de seus lugares. Esperariam por Gilda para combinarem os pormenores do acordo.
– 32 votos contra 18 McKinnon! Eu realmente não esperava por esse resultado!
– Esperava o contrário sr. Mablee?
– Oh, não. Só não pensei que pudesse conseguir tantos “sim”.
– Será que pode me dizer que idéia idiota é essa? Porque você foi envolver ela? – Snape perguntou irado
– Veja bem Snape, essa era a única maneira de diminuir a pena e...
– Dane-se o tamanho da sentença! Não era para envolver ninguém!
– entenda Snape, você tinha uma oportunidade, vai precisar cumprir apenas três anos e vai estar em liberdade condicional.
– Será que você ainda não entendeu Mablee? Eu não preciso de ninguém para diminuir a minha sentença, - ele olhou furiosamente para Lauren - não preciso de nenhuma mulher me ajudando a...
– Então é por isso? Porque eu sou mulher? Ora o que é isso, está com o seu orgulho ferido? – Lauren rebateu ofendida – Estou aqui, tentando ajuda-lo e é assim que você agradece? Francamente.
– eu não preciso da sua ajuda. – Ele disse aproximando-se dela.
– Tarde demais, senhor Snape.
– Exijo que desconsidere. – ele ordenou
– Não. – ela olhou diretamente nos olhos dele – Eu não vou desconsiderar. - contraindo as bochechas para imitar um sorriso.
– Por Favor! – Mablee ergueu as mãos entre eles, apartando-os – Não vamos brigar agora!
– Eu não aceito que ela faça isso!
– Senhor Snape, esta não é uma decisão que cabe ao senhor. É uma escolha da Srta. McKinnon, e somente ela pode decidir.
A discussão foi interrompida pela chegada de Gilda. Snape ficou em silêncio observando Mablee e Gilda conversarem, enquanto Lauren estava encostada na parede oposta. Quando os advogados chegaram a uma conclusão voltaram-se aos dois.
Entre as muitas palavras que Mablee falou em alta velocidade, Lauren e Snape conseguiram compreender “Hogwarts” e “Hogsmeade”.
Snape aparatou em Hogwarts junto a um auror, enquanto Lauren voltou para casa acompanhada por Elisa que a esperava na porta do Tribunal. Ela teria dois dias para arrumar suas coisas e partir à Hogwarts.
Mablee suspirou profundamente quando Gilda deixou a sala. Agradeceu a Merlin novamente por ter ido a Hogwarts informar-se sobre Snape com o quadro de Dumbledore semanas antes do julgamento. Ao saber da situação delicada, dumbledore conversou seus contatos, e lembrou a Mablee sobre lei e juntamente com Mcgonagall arquitetaram, caso a maioria dos votos fosse sim, a chegada de Lauren à Hogwarts. Mas este seria um segredo que ele guardaria sempre, afinal estava sendo prestigiado por seu excelente conhecimento.