Disclaimer: Os personagens, lugares e citações que forem reconhecidos como sendo da obra Harry Potter, são pertencentes a J.K Rowling, como vocês bem sabem.
XXX
- Rony... – Ela titubeou, sem saber realmente o que falar. O que diria afinal?
- Hermione... Uma chance. Apenas isso. A nós dois.
- Nós já demo-nos uma chance Rony, mas não deu certo. – Ela pausou um momento, olhando a face desconsolada do amigo. Não demorara muito para ela descobrir que o que sentira pelo ruivo assemelhava-se muito mais a atração e confusão de sentimentos que uma paixão verdadeira. Não. Apaixonara-se verdadeiramente por ele, sabia disso. No entanto não o suficiente para perdurar a relação. Opostos atraíam-se sim, era verdade. Mas em um relacionamento, duas pessoas tão opostas dificilmente dariam certo. Entre ela e Rony não dera. - E eu não acredito que um dia dará.
- Por que não daria? Por quê? – Perguntou ele; o embaraço inicial sendo substituído pela frustração. – Você nunca me amou realmente, Hermione.
- Eu o amo, Rony. – Enfatizou. – Mas nós somos amigos. E é desta forma que eu o amo. Como amigo. – As orelhas vermelhas e a veia alta no pescoço do bruxo eram um indicativo de que ele não aceitara aquela informação muito bem. – Eu estaria mentindo se dissesse que continuo apaixonada por você. Eu não quero enganá-lo. Não poderia ficar com você sabendo que não o corresponderia. Mas tampouco quero perder a sua amizade. – ela apertou as mãos nervosamente. - Eu sinto muito.
Ele travou a mandíbula, a tensão dele era palpável quando levantou-se da grama verde onde ela estivera estudando no intervalo entre aulas.
- Ok Hermione. Desculpe incomodá-la. Eu sou um idiota. – Disse secamente; parte do orgulho deteriorado.
- Rony...
- Não fale. - Ela fez menção de levantar-se, mas ele a impediu balançando a cabeça em negação virando-se para voltar ao castelo.
Merda. - Ela suspirou, recostando-se um no tronco da árvore sob a qual tinha parado para estudar.
Mas o que poderia fazer ou dizer realmente? – A resposta que lhe veio à mente não era animadora e, no entanto era a melhor que ela achava que poderia ter - Nada. E ela conhecia-o o suficiente para saber que não adiantaria ir atrás dele agora para evitar mais uma briga.
Ergueu a cabeça ouvindo alguém chamá-la e sorriu ao ver que era Elizabeth que o fazia. Levantando-se foi ao encontro da menina.
***
- Entre.
Ele entrou na sala da Diretora parando em frente a esta.
- Um momento Severus. – Disse a bruxa relanceando-o sobre as lentes quadradas enquanto pegava uma pena de dentro da gaveta.
- Onde está o Dumbledore? – Perguntou com uma sobrancelha levantada à moldura vazia.
- Em seu quadro no Ministério. Chamaram-no lá. – Disse, sem retirar os olhos das linhas do pergaminho em mãos.
Ele assentiu com um gesto de cabeça encaminhando-se para a janela no outro lado da sala e apoiando-se nesta.
Tanto melhor que Albus não estivesse. Seria mais fácil convencer apenas a Minerva. – Pensou, desviando os olhos ao longo do topo das árvores da Floresta Proibida. – Já vivera ali tempo suficiente, estava na hora de desvencilha-se. Não obstante, ele já pagara suas promessas a Dumbledore. Não tinha mais o que ver ali.
Ele fixou o olhar em um ponto abaixo, na figura da menina que se apressava cortando os jardins. Elizabeth Granger. Mas a frente viu Hermione Granger levantando-se do canto onde estivera e ir andando de encontro à menina, um sorriso perpassando os lábios enquanto a garota agitava as mãos mostrando-lhe algo que pela distância ele não conseguia distinguir.
Ele virou-se para a sala novamente enquanto as Grangers seguiam para o castelo.
- Eu não sabia que Hogwarts agora estava abrigando os familiares dos estudantes. – Disse encostando-se no espaldar da janela, os braços cruzados sobre as vestes.
Minerva ergueu o olhar do pergaminho que estava trabalhando pra olhá-lo.
– Foi sobre isso que você veio... O que você disse a menina, Severus? – Perguntou a bruxa, olhando-o por cima das lentes quadradas de uma maneira desconfiada.
Ele levantou as sobrancelhas.
- Nada. – Falou, sarcástico, encaminhando-se para a cadeira à mesa da diretora e sentando-se.
- Bom. – Disse a bruxa ainda desconfiada, os lábios apertados. – Não é a política normal da escola, deixar que familiares de estudantes fiquem aqui. A Senhorita Elizabeth encaixa-se em um caso à parte.
- Suponho que sim. – Replicou, ainda com ironia.
- A menina é uma bruxa e não possui pais, Severus. A mãe era solteira quando morreu. Elizabeth Granger vivia com os tios, e estes, como você bem sabe, morreram. A protetora da menina agora é a Senhorita Granger, que não pode abdicar dos estudos, então optei como melhor opção trazê-la para cá – Prosseguiu. – E faça-me um favor, Severus, não implique com a menina antes mesmo de esta ter a chance de se acomodar no castelo.
- Como queira, Minerva. – Disse, com uma mesura sarcástica. – No entanto, se a menina não tem ninguém além da Granger, era de se esperar que ela tivesse vindo no mesmo dia que a Granger, e não depois.
McGonagall balançou a cabeça em concordância. – Sim, deveria. Entretanto, no dia em que ocorreu o ataque a casa dos Grangers, a menina Elizabeth foi atingida e levada ao Santo Mungos, onde esteve até ontem. Graças a Deus a menina está bem. – Disse, liberando um suspiro cansado. – Mas não acredito que o motivo que o trouxe aqui foi esse realmente. – Completou a bruxa, entrelaçando os dedos sobre a mesa.
- Não. Não foi. – Concordou. – Eu estou trabalhando em projetos que estavam estacionados há algum tempo e acho que está na hora de continuá-los. – Ele pausou um momento antes de continuar. – Eu não irei lecionar mais na escola, Minerva.
McGonagall lançou-o uma olhar exasperado. – Creio que já conversamos sobre isso, Severus e...
- Sim. E eu lembro vagamente de ter dito algo sobre você conseguir sobreviver sem a minha presença. – Interrompeu sarcástico. – Você encontrará alguém competente o suficiente para lidar com um bando de cabeças-ocas, McGonagall. Minha promessa a Dumbledore já foi cumprida. Eu não tenho mais nada a fazer aqui. – Disse suavemente, em ironia.
- Sim, Severus, você já cumpriu seus afazeres. – Ele olhou para o quadro acima, na parede, e quase rodou os olhos à visão do homem nele. Dumbledore, claro. O homem velho tinha que aparecer. - Muito mais do que gostaria de pedi-lo que fizesse. E eu o agradeço novamente por isso.
- Comovente. E, no entanto, inútil. Lamentavelmente isso não me fará mudar de idéia, Dumbledore. – Ironizou, cruzando os braços sobre as vestes. – Nem você, Minerva. – Acrescentou quando viu que a mulher abria a boca para argumentar.
McGonagall exalou um suspiro consternado – Eu não posso obrigá-lo a ficar, Severus.
- Não. Não podemos. – Acrescentou o Dumbledore da moldura, apoiando os cotovelos no espaldar da cadeira onde fora retratado e juntando a ponta dos dedos. – Todavia, os alunos ainda precisam de você.
Ele soltou uma risada irônica, descrente com o que acabara de ouvir. Era isso que o velho iria dizer para convencê-lo a ficar?
- Tente algo melhor, Albus, porque isso foi deprimente.
Ele viu Minerva apertar os lábios, enquanto o velho optara por ignorar o comentário cáustico, provido por ele momentos antes, quando prosseguiu falando:
- O término da Guerra está recente. E, assim como sou confiante em dizer que o Tom realmente se foi, sou receoso em afirmar o mesmo para os seus seguidores. É demasiado cedo para afirmar que estes não continuarão a seguir os passos de seu mestre e, enquanto isso, atenção e cautela são imprescindíveis. É necessário que se mantenham os olhos atentos aos seus Sonserinos, Severus.
- E claro, eu descobrirei muitas coisas. Porque os filhos dos Comensais confiam totalmente no traidor de seu Lord, e eu certamente terei uma fila de estudantes em minha porta que sentarão para conversar comigo exclusivamente sobre suas atividades extracurriculares. – Zombou ácido.
- Não, mas você os conhece. Melhor que qualquer outro, ao menos. Além de manter um olho sobre eles, faz-se necessário resgatar aqueles que desejam fazê-lo. Sim, há aqueles que não estão muito conte com você – Nãomuito contente. Snape bufou satírico ao eufemismo que era aquilo, o que não pareceu incomodar o diretor, já que este prosseguiu com a ladinha, ignorando-o. – mas há um número maior que o respeita e que irá ao seu encontro caso julguem necessário, o que não fariam com outro professor.
Isso foi tocante, Albus. Talvez você queira me conceder um lenço, Minerva. – Disse com escárnio.
McGonagall soltou um suspiro exasperado e cansado ao mesmo tempo.
- Eu não posso obrigá-lo a ficar, Severus. Mas eu gostaria de pedir que reconsiderasse o seu afastamento imediato para o término do ano letivo, ao menos.
Ele levantou-se, caminhando até a porta.
- Você não respondeu Snape.
Ele colocou a mão na maçaneta da porta, olhando para Dumbledore e em seguida para McGonagall, antes de responder.
- Suponho conseguir sobreviver a mais um ano aqui. – Disse por fim, e retirou-se.
***
Não sabia exatamente porque pedir para sair agora, quando ainda estava no início do ano. Sim, era verdade que possuía projetos pendentes nos quais queria e pretendia trabalhar, e que além do fato de ter suas habituais tarefas como professor e mestre de poções de Hogwarts, ter de ajudar na preparação de poções também para o Santo Mungos, visto que a demanda de vítimas da Guerra que ainda permaneciam no hospital bruxo era demasiadamente grande e eles estavam precisando de todas ajuda que podiam conseguir, tomava uma boa parte do seu tempo livre.
Mas certamente seus projetos poderiam esperar mais um ano, não? O que era mais um ano para quem tinha esperado todo aquele tempo? – Pensou sarcástico, pondo-se a caminhar em direção armário de ingredientes.
XXX
N/A:
1º O nome da fic foi modificado. Eu sou péssima com títulos, eu sei. mas é que é tão complicado .-.
Sim, demorou (piada dizer que "demorou", visto que o tanto que DEMOROU deu para Noé contruir outra Arca). Sim, o capítulo é pequeno e sem nada emocionante, mas tenham esperança! Mas realmente me desculpem pela demora.
Só para variar um pouco foram feitas mais modificações nos capítulos anteriores (Na conversa da Lizy e Hermione no cap. anterior, por exemplo ^^) ~semata
Aguardando a opinião de vocês ^.~
Claudiomir José Canan e Thais Lupim, obrigada pelo review de apoio. Quando bloqueio criativo mistura-se a falta de tempo torna-se quase uma Missão Impossível sair algo, e saber tem pessoas que estão lendo tua fic ainda assim e que te compreendem é motivador. ^^
Próximo capítulo: Conversa entre Lupin e Hermione, e Severus recebe uma visita em sua sala... e mais.
Reviews são bem vindos queridos, estão aguardando eles =)