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4. Um Dia Perfeito


Fic: Mil Pedaços


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 4 – Um dia perfeito


Quando Gina entrou na Sala Comunal, quase duas horas depois, esperava ver o local cheio de gente comentando o que havia acabado de acontecer, mas para sua surpresa, só havia alguns garotos mais novos e Hermione, que estava perdida em seus pensamentos e com o olhar vidrado no fogo da lareira. Já tinham consertado os estragos nas janelas e sofás. Se não fossem os comentários e gritinhos excitados do garotos, poderiam dizer que nenhum ataque havia ocorrido ali havia pouco tempo.


Gina não queria parar e conversar, queria subir as escadas, tomar um banho e dormir, o que ela sabia que seria impossível. A noite seria longa em pensamentos, medo, insegurança e culpa.  Por mais que estivesse totalmente sem vontade de conversar, não teria como passar por Hermione e ignorá-la. Foi andando e sentou-se ao lado dela quando ela pediu.


- Ei, Gina – ela sorriu, como se não soubesse como começar a falar o que parecia querer falar.


- Ei...


- Você sabe que não poderia ter feito nada, não é? Quero dizer, foi melhor que você ficasse no castelo.


Gina sentiu a raiva aflorando de novo. Então o Harry tinha ido correndo contar sua fraqueza para os outros? E Hermione, o que tinha a ver com isso? Respirou lentamente.


- Eu sei – respondeu meio rude. Hermione corou.


- Olha, não quero que fique brava comigo. É só que, todos temos medo, Gin.


- É – disse de volto raivosamente. Saiu pisando duro para o dormitório.


Lá encontrou Mandy, sentada em sua cama, olhando para o nada. Tinha até esquecido da amiga de novo. Sentiu uma pontada de dor na consciência por isso. Mandy saiu de seu devaneio e olhou para a amiga. Lágrima brotaram de seus olhos e ela pulou da cama para abraçar a amiga logo em seguida.


- Ahhhh Gin, eu achei que ia morrer! – disse ela chorando nos braços de Gina, que abraçou-a com força.


- Não fale isso – disse Gina, começando a chorar junto com Mandy – eu sinto muito, muito mesmo! Eu não quero controlar sua vida, só queria saber o que fazia, por curiosidade.


- Eu que peço desculpas, Gin – disse Mandy olhando-a nos olhos. Só então percebeu que a garota chorava copiosamente – ah há quanto tempo eu não te via chorando, Gina Weasley, eu devo significar muito para você!


Mandy riu. Não podia deixar passar uma piada mesmo.


- Não seja boba – disse Gina, enxugando as lágrimas – é claro que você significa.


Sorriu e abraçou Mandy novamente. Foram deitar na cama de Gina, o que era um hábito que tinham há muito tempo. Nessas vezes em que deitavam juntas, sem malícia, conversavam até altas horas sobre tudo, enquanto Gina tentava vencer sua insônia. Nessa noite, a ruivinha contou para Mandy tudo o que ela estava sentindo. Sobre o medo, a paralisia que teve quando soube que ela havia sido levada, a vergonha de ser covarde que ela tinha. Só deixou de lado o que acontecia entre ela e Bianca. Ainda não era hora de contar para Mandy. Esta, por sua vez, tratou de tentar confortar Gina o máximo que podia. Estava surpresa com esse repentino desabafo da amiga, não estava acostumada a ouvir Gina contando sobre o que acontecia por dentro, mas ficou feliz em saber que tinha a confiança da amiga. Foi por isso que resolveu contar onde esteve aquele dia em que elas brigaram.


- Gin...aquele dia, em que nós brigamos, eu estava com o Harry.


- E por que não me contou? – Gina disse, inocentemente. Mandy ficou vermelha.


- Nós ficamos.


Abaixou a cabeça esperando uma reação dura por parte da amiga. Gina arregalou os olhos. Bem debaixo do seu nariz sua amiga e o amor da sua vida? Sentiu-se com um punhal nas costas. Olhou para a amiga com surpresa.


- Como assim, Mandy? Você sabe, e sempre soube que eu amei....amo ele! – disse ela. Bianca apareceu em seus pensamentos.


- Você só o deixava de lado! Ele desistiu!


- E você foi correndo consolá-lo, não é? Como a bela amiga que é - sibilou Gina, raivosa. Os olhos de Mandy encheram-se de lágrimas.


- Me desculpe. Mas eu não posso controlar o que sinto.


- Mas pode controlar o que faz – Gina disse e levantou-se.


Foi para a cama de Mandy, fechou as cortinas e deitou, fazendo muito barulho. Escutou um soluço e em seguida o barulho de Mandy fechando as cortinas de sua cama.


Só conseguiu pensar na traição da amiga. Sua melhor amiga. Por mais que estivesse inclinada a ficar com Bianca, Harry ainda era seu grande amor, e o ver ficar com sua amiga, doía ainda mais. E não sabia o que fazer em relação à Bianca. Sentia atração por ela ou algo mais? E o que Luna dissera, seria verdade? Seria ela só mais uma peça nos jogos que a menina fazia? Não sabia o que sentia, mas sabia que não queria ser magoada.


Acordou no dia seguinte com uma cara péssima. Dormira tarde e suas olheiras estavam piores do que sempre. Passou quase toda a noite pensando na sua vida miserável. Lembrou-se que hoje tinha aula de transfiguração com a Corvinal. Sentiu um arrepio só de pensar em ver Bianca lá. Tentou se confortar pensando que a garota dificilmente assistia as aulas dessa matéria, ou quando estava lá, dormia. Mas não deu outra, depois de descer de sua aula de Adivinhação, Gina encontrou Bianca na sala de Transfiguração, junto com a garota que ela vira com Bianca no Salão Principal várias vezes. Quando passou para se sentar com Luna logo atrás dela, Bianca sorriu, enquanto a outra se limitara a lançar um olhar feio para ela. Gina sorriu de volta. Luna parecia avoada como sempre, e olhava de forma estranha para Gina.


- Ontem foi estranho – disse ela.


- Muito.


- Pra onde você e a Bianca foram depois?


- Pra lugar nenhum.


- Ah sim.


 


Gina olhou para a amiga. Parecia que ela estava com ciúmes, mas isso não era muito do feitio da garota. Quando se virou de volta, Bianca estendia um bilhete para ela. Gina pegou tentando não encostar-se à garota, mas ela não perdoou e fez questão de passar os dedos na mão de Gina enquanto levava a mão de volta para a carteira.


“Aconteceu alguma coisa?”


Gina olhou para Luna, que olhava sem piscar para Bianca. Achou estranhou, mas voltou-se ao bilhete.


“Depois te explico”


“Eu preciso de algumas outras explicações também”


Gina foi perto da carteira dela e sussurrou:


- Depois nos falamos.


A aula seguiu, e o sino não tardou a bater. Enquanto saíam, Gina viu a amiga de Bianca puxando Luna consigo, deixando as duas sozinhas para trás.


- E então, Gina. Qual o problema?


- A Mandy. Ela está saindo com o Harry – respondeu ela triste. Deu-se conta que era isso que o menino queria falar para ele aquele dia em que tentou conversar com ele sobre os dois. Sentiu-se mal de repente, e então se lembrou que Bianca também sabia que Harry estava com alguém.


- E o que tem? – ela perguntou de volta, parecendo chateada.


- O que tem é que eu gosto dele! – respondeu Gina, sem se importar com o que Bianca pensaria ou sentiria. Continuava com raiva dos dois, e agora da garota, por saber e não ter contado para ela.


- Isso quer dizer que você pensou sobre ontem, e que não chegou a uma conclusão boa para mim – disse ela, chateada.


- Eu não pensei sobre isso ontem – mentiu Gina.


- Pensou nele, não é? Pensou em quem não te quer – disse Bianca – mas tudo bem. Você é quem sabe.


A garota apressou o passo e alcançou Luna e a amiga. Gina sentiu-se mal por ter sido chata com a garota. Queria ela, mas queria Harry também, e tudo estava confuso.


Mais tarde Harry veio falar com ela sobre o ataque da noite anterior. Nenhuma palavra sobre Mandy. Gina começou a achá-lo um perfeito covarde em assuntos amorosos. Tratou-o friamente, como deveria ser.


Tentou evitar Bianca pelo resto da semana, estando quase sempre sozinha ou com Luna, porque ainda estava brigada com Mandy. Luna agora parecia sempre estar com Bianca à tira colo. Chegou a imaginar se a garota estava se aproximando de Luna só pra conseguir informações sobre ela ou para poder ficar mais perto dela. O fato é que ela sempre estava por perto, deixando Gina calada e nervosa cada vez que a via. Bianca por sua vez, parecia se divertir muito nesses momentos constrangedores, mas não tentou mais nada com Gina por um bom tempo.


Já Mandy sempre que podia tentava puxar assunto com Gina, comentando o quanto ela estava estranha nos últimos tempos. Vivia avoada, calada e sempre com as meninas da Corvinal.


Em um dia gelado de meados de outubro, Gina se aquecia em frente à lareira quando Mandy veio conversar com ela.


- Parece apaixonada, Gin – brincou ela, sentando-se ao seu lado.


- Minha paixão foi para outra, parece – retrucou ela mal-humorada.


- Pare de fazer birra, menina. Você só está ligando pra ele agora porque ele está comigo!


- Você sempre soube! Sempre. E olha o que você faz.


- Até parece que eu posso controlar meus sentimentos! Você também não pode.


Gina enrubesceu ao pensar no beijo de Bianca.


- Você podia ter me contado, Mandy – disse ela tristemente – eu sou sua amiga.


- Achei que você ia dizer que eu era sua amiga – respondeu Mandy num tom amargo.


A ruiva olhou para as labaredas amarelas á sua frente. Pra que sofrer por alguém que nunca gostou de você de verdade? Por que não dar uma chance para quem aparentemente só quer seu bem? E Mandy no fim tinha razão. Só se importava com Harry não estar com ela porque agora ele estava com outra, mas mesmo assim sentia raiva da amiga.


- Você deveria pensar em outros caras, Gin. Um que goste de você de verdade, ao invés de ficar amargurada por causa de alguém que nunca percebeu o quanto você é especial – disse Mandy. Gina assustou em ouvir a amiga falando daquele jeito sobre o próprio “rolo”. A menina levantou e abraçou-a.


- Eu vou pensar – disse Gina.


Pegou seus livros e mochila do chão e partiu para a biblioteca pensando em estudar, e se achasse Bianca pelo caminho, conversaria sério com ela. Mas quem ela achou foi Luna, perdida em pensamentos com um exemplar do Pasquim nas mãos. Gina viu na capa a manchete “Amor Bruxo” em letras rosas, com um coração cravado por uma varinha. Gina não pôde deixar de rir e se juntar á Luna, que ia em direção à torre de sua casa. 


- Encontrou um amor, Luna? – perguntou sorrindo. Luna riu.


- Não sei o que é amor. Estou tentando aprender.


Gina não agüentou e riu junto com a amiga.


- Amor é...um sentimento bom em relação a alguém. Um sentimento de carinho, ternura, de querer estar sempre perto. Entende?


- Hum...então eu acho que amo alguém! – disse ela, como se fosse uma constatação muito fácil de realizar.


- E quem seria esse sortudo?


- Seu irmão.


Gina fez uma careta.


- Que horror! - riu ela. Luna ficou com cara de surpresa, mas não perguntou nada.


- Amor deve ser um horror mesmo – disse ela sem emoção.


- Ah, o amor não é horroroso, Luna, meu irmão que é – disse Gina rindo.


- Eu vi a Bianca chorando no dormitório ontem - continuou Luna sem nem reparar no que Gina acabara de falar. Esta por sua vez fechou o sorriso na hora e sentiu o coração disparar.


- Por quê? – perguntou, tentando não parecer curiosa.


- Ela disse que era por falta de amor. Por isso imagino que o amor não seja tão bom – respondeu ela sorrindo. Gina ficou branca momentaneamente. Lembrou-se de quanto chorara por Harry, e só de pensar em estar causando isso à outra pessoa sentiu um aperto no estômago.


- E o que mais ela disse?


- Nada, ela saiu do dormitório.


- E você sabe onde ela está agora? – perguntou Gina com urgência na voz.


- Acho que ela foi lá pra fora com a Carrie – respondeu Luna voltando a ficar entretida com sua revista.


- Ok, até mais Luna.


Gina mudou de direção e foi atrás da garota nos jardins. Quem sairia num frio desse lá fora? Só podia ser louca. O vento batia nas costas de Gina e ela se encolheu no casaco. Não demorou para achar as duas. Os únicos dois pontos pretos no vasto jardim verde. Ficou pensando em como mandar a amiga antipática embora sem ser chata. Queria falar sozinha com Bianca. As duas pareceram não vê-la chegando, pois não mostraram reação alguma. Carrie estava encostada em uma árvore e Bianca estava em seu colo, com uma aparência cansada e triste. Seus cabelos curtos eram acariciados pela amiga. Quando Gina estava quase na frente das duas é que elas perceberam a presença da garota. Bianca pareceu surpresa e Carrie fechou a cara.


- Ei – começou Gina – posso falar com você? A sós?


Bianca olhou para a amiga e levantou-se. A outra se pôs de pé carrancuda.


- Te vejo depois – ela disse sem olhar para Gina.


O olhar de Bianca recaiu sobre Gina e ela pôde ver os olhos vermelhos da menina, que aparentavam um quê de curiosidade. Tomando coragem, pegou-a pela mão puxou-a em direção à Floresta Proibida, contornando a orla da floresta. Um ar gelado vinha de lá. Pararam embaixo de um salgueiro, onde sem falar nada, Bianca deu um abraço apertado em Gina, que fechou os olhos sentindo seu perfume doce. Abaixou a cabeça até encaixar no ombro da morena, que tremia levemente. O frio estava intenso, mas Gina não sabia se a outra tremia de frio ou de emoção.


- Eu pensei em você – disse Gina no ouvido da morena – aquele dia. Eu pensei em você o tempo todo, mas eu não soube o que fazer com isso que eu estou sentindo, entenda.


- O que você sente Gina?- perguntou Bianca, suspirando.


- Eu sinto algo por você. Eu não sei explicar o que é. Se é atração, paixão, sei lá, mas é bom – respondeu ela envergonhada. Falar sobre sentimentos, ainda mais sobre os seus próprios, não era algo ao qual Gina estava acostumada a fazer.


Bianca permaneceu em silêncio.


- E o amor não é horrível, escutou Galuppo? – disse a ruiva, tentando acabar com o silêncio que as envolvia. A garota olhou para ela e Gina pôde ver que ela ficou avermelhada nas bochechas.


- Err...então te contaram...


- É.


- Hum. Ok.


 


Silêncio constrangedor novamente. Gina deu o primeiro passo para o que seria o começo de uma relação entre as duas garotas. Prensou Bianca na árvore pela cintura e beijou-a do mesmo modo que fez no dia posterior ao ataque. Sua língua explorava calmamente cada pedaço da boca da agora não só amiga. Um beijo doce, cheio de ânsia por mais. Era muito melhor do que beijar um garoto com certeza, muito mais delicado, sem o toque meio bruto que os homens que Gina ficara tinham. Desejou ter dado asas á suas fantasias mais cedo. Quando seus lábios se separaram do de Bianca, sentiu-se tão feliz quanto no dia em que viu Harry Potter pela primeira vez na estação King’s Cross, anos atrás.


- Você sabe que agora não pode mais voltar atrás, não é? Sem me magoar, e sem se magoar tambén – disse Bianca.


- Sei.


- Então tudo bem – ela sorriu docemente. Gina sentiu o coração querendo sair pela boca. Beijaram-se de novo e se sentaram nas raízes da árvore abraçadas – me conte sobre sua vida.


- Você quer saber o que? –perguntou Gina achando graça da pergunta super abrangente.


- Me conte sobre sua infância – respondeu Bianca rindo – a primeira coisa que vier na sua cabeça.


- A única coisa que eu consigo me lembrar agora é dos meus irmãos me enchendo o saco. Conta?


Bianca riu.


- Na verdade eu queria alguma história mais concreta. Mas tudo bem, deixa pra lá. Meu irmão também enche bastante o saco.


- Não sabia que você tinha irmãos.


- Eu tenho ele. Só ele pra falar a verdade. Meus pais estão mortos, minha irmã, meus tios e tias, ah, e alguns primos também – disse Bianca triste. Gina ficou surpresa com a informação, e não soube o que falar para a morena.


- E esse seu irmão, cuida de você então?


- Ele tenta. Mas de um modo errado – Bianca fez uma cara de nojo – cuidava direito até descobrir meu gosto nada tradicional por meninas.


Ela deu um sorriso amarelo.


- Ah... – Gina disse surpresa novamente - então você já teve outras garotas...


- Sim – confirmou Bianca.


- Essa é minha primeira vez.


- Segunda!


As duas riram e foram andando pela orla da floresta.


 


Foi difícil disfarçar e mentir para Luna quando esta perguntou para Gina onde ela havia estado e por que ela estava toda amassada, mas pior ainda foi ter que explicar para Mandy, que continuava em frente à lareira, mesmo duas horas depois de ter conversado com Gina, o porquê de ela ter voltado com a expressão de quem aprontou alguma coisa.


- Parece que você seguiu meus conselhos – disse Mandy rindo.


- Não fiz nada – desmentiu Gina, fingindo desinteresse.


- Sei!


Harry passou pelo buraco da Mulher-Gorda e veio em direção às duas. Quando o viu, Guna fez menção de levantar para subir para o dormitório, mas Harry foi mais rápido ao chamá-la para ficar junto com eles. O garoto parecia cansado e triste.


- Anda cada vez mais difícil lá fora – disse ele deitando no colo de Mandy. Gina sentiu nojo de ver aquela cena. Tudo bem eles namorarem, mas não precisava ser na frente dela – teve algumas baixas na Ordem.


- Alguém que conhecêssemos Harry? – perguntou Gina.


- Um casal de enviados irlandeses – respondeu o garoto suspirando – e agora tem tantos outros problemas para resolver. Como se já não fosse difícil sem ter que procurá-las e tentar destruí-las.


- Encontrar? Destruir? – perguntou Gina curiosa. Ele percebeu que falara demais e de repente se calou.


- Nada não – disse ele nervoso – não comente isso com ninguém, não repita uma palavra sobre isso. Esqueça, ok?


- Tudo bem – disse Gina surpresa.


Eles começaram a se beijar no sofá. Gina se perguntou se eles não tinham desconfiômetro. Com ela bem ali na frente, sem vergonha ou constrangimento algum, diziam juras de amor.


Enojada, Gina subiu para o dormitório e tomou um banho. Ainda era cedo para dormir, então depois do banho a garota deitou em sua cama e fez uma das coisas que ela mais fazia: pensar. Antes estava relaxada, até feliz, mas depois das notícias de Harry ficou tensa. Mortes, cada vez mais perto dela. Ontem foi um desconhecido, amanhã pode ser os pais dela ou até mesmo o próprio Harry. Sentiu um arrepio só de pensar nisso. Podia ter sido a Mandy há algumas semanas atrás, poderia ter sido ela mesma se Luna não tivesse acertado o feitiço contra o Malfoy. Era triste pensar que seus próximos anos iriam ser de dor e sofrimento. Com toda a vontade que pôde arranjar, Gina virou seus pensamentos para a garota de cabelos curtos com quem havia passado a tarde. Aquele cheiro estonteante parecia não querer desgrudar de Gina. Aquelas mãos ágeis, a língua macia na sua, tudo vinha na mente de Gina como se tivesse sido há minutos atrás. Depois de pouco tempo pegou no sono. Fazia muito tempo que não dormia sossegada e rapidamente. Sempre passava horas e horas acordada, para depois no outro dia andar como um zumbi pela escola. Hoje sua alma estava leve, e por que não dizer feliz. Há muito tempo não se sentia feliz, e agora estava feliz por estar feliz.


Acordou no dia seguinte super disposta. Estava frio, é verdade, mas se sentia quente por dentro. Desceu para tomar seu café, sem ao menos acordar ou esperar Mandy. Passou por Harry no caminho mas não deu muita atenção ao menino, que seguiu-a até à mesa da Grifinória, onde sentou ao lado de Hermione. Esta, por sua vez, parecia triste e distante. Não estava com um costumeiro livro apoiado na mesa enquanto comia, e parecia perdida em seus pensamentos. Rony pra variar estava com cara de bobo contemplando a mesa da Corvinal.


- Essa Luna Lovegood é mesmo muito estranha – comentou ele com metade de uma torrada na boca. Hermione nem ao menos se virou. Harry levantou a cabeça, pouco interessado nas esquisitices de Luna. Estava mais ocupado vigiando a porta de entrada esperando por Mandy. Hoje era dia de ir para Hogsmeade, provavelmente iam arranjar algum lugar para se comerem por lá, pensou Gina maldosamente.


- Você que é esquisito, Weasley – disse uma voz doce que fez o coração de Gina disparar. Andara procurando a menina pelo salão, mas não a achara ao lado de Luna nem em qualquer outra parte da mesa da Corvinal.


- Err..eu...eu – balbuciou Rony com a boca cheia de comida ainda. Gina riu. Bianca sorriu para ela e foi para a sua mesa – sou um idiota, isso sim.


Rony afundou no banco segurando outra torrada bambamente na mão.


- Parece que alguém achou a Galuppo bonita – brincou Harry rindo.


- É uma graça - disse Rony observando a mesa vizinha, sonhador.


Gina revirou os olhos. Hermione se mexeu no banco, incomodada.


- Sonha, Rony.


Ele abriu bem os olhos numa expressão de quem parecia ter compreendido a cura para a pior doença do mundo.


- Gina! Você é amiga dela! Podia dar uma ajuda, não é?


- Não, não é – respondeu ela invocada. Harry riu.


- Melhor investir na Padma Patil – disse ele.


- Acho melhor investir em outra pessoa – disse Hermione com bastante ênfase no “outra pessoa”, abrindo a boca pela primeira vez desde que Harry e Gina chegaram para tomar café.


- Ela é única, Hermione – disse Rony meio bobo – olhe bem.


- Me poupe, Ronald, argh – Hermione levantou-se irritada e saiu do salão.


- Que doida – disse Rony, continuando a observar Bianca. Pobre Rony, riu Gina consigo mesma. Só se ele nascesse de novo para ter alguma chance com a menina.


Quando Gina saiu do Salão Principal, Mandy vinha descendo as escadas de mármore, com cara de sono.


- A noite deve ter sido boa – comentou Gina, maldosamente. A outra corou.


- Mais ou menos – respondeu ela, olhando para baixo.


- O Harry está te esperando pra tomar café já faz um tempo – informou Gina.


Não esperou Mandy falar algo em resposta e saiu do castelo. Estava frio, e uma grande fila de alunos esperava para poder embarcar para Hogsmeade. Gina entrou no fim da fila, e por pura infelicidade era Malfoy e seus comparsas quem estavam na frente dela. Suspirou, já esperando por algum tipo de provocação, que não tardou a acontecer.


- Olha só quem está aqui – começou Malfoy – achei que não ia sobrar um fio de cabelo ruivo esses dias atrás.


- Sobrou, porque quem me atacou foi um Comensal burro – respondeu Gina irritada. O loiro abriu a boca para responder, mas olhou por cima do ombro de Gina, corou e calou-se.


- Vamos, Crabbe, Goyle – disse ele e saiu da fila, irritado.


Quem vinha vindo, para surpresa de Gina, era Bianca, que sorriu para ela. Suas bochechas estavam rosadas e ela estava sozinha.


- Esse idiota estava te incomodando?


- Um pouco. Você o espantou.


- Todo mundo gela só de me ver – brincou Bianca.


- Eu não gelo - disse Gina sorrindo – ao contrário.


- Bom saber disso!


Depois de pouco esperar, conseguiram uma vaga no fim de uma das charretes levadas por trestálios. Gina não conseguia vê-los, mas Luna vivia falando sobre eles. Se eram reais ou não, não fazia menor idéia.


- Você consegue vê-los, Gina? – disse Bianca séria.


- Não – admitiu ela – você consegue?


- Consigo – responde ela olhando para frente, onde Gina imaginava que estavam os trestálios.


- Nunca tinha acreditado muito nessa história.


- Ela é verdadeira – disse Bianca com um sorriso amarelo. Sua mão gelada encostou na mão de Gina e logo depois seus dedos se entrelaçaram. Gina tentou tirar a mão.


- Alguém pode ver...


- Isso não significa nada, relaxa – disse ela – me deixa sentir sua mão.


- A sua está gelada – disse Gina sorrindo.


- Hum... – ela respondeu suspirando – quero te beijar agora.


- Não faça isso aqui – disse Gina temendo que ela realmente a beijasse ali na frente de todos. Bianca riu da cara de medo da ruivinha.


- Você é muito nervosa, pequena. E está desprezando meu carinho – ela disse fazendo beiço.


- Depois eu valorizo teu carinho, ok? – respondeu Gina apertando a mão da outra fortemente.


- Promessa é dívida hein.


Logo chegaram ao vilarejo, que parecia sempre o mesmo. Quando começasse a nevar ficaria linda a paisagem, as montanhas cobertas de branco, as ruas lotadas de neve. Bianca parecia saber para onde ia e Gina somente a acompanhou.


- Cadê tua amiga? – perguntou Gina, referindo-se a garota mal-humorada que estava sempre com Bianca.


- Preferiu ficar no castelo – respondeu Bianca – ela tem ciúmes de você.


- Por que? – disse Gina sem graça -  ela sabe?


- Sabe – respondeu Bianca. Gina não pôde deixar de reparar no quanto a morena era despreocupada com o que as pessoas poderiam achar sobre as duas.


- E o que ela acha?


- Ela não acha nada. Nem tem que achar. Ela acha que você não é boa o suficiente para mim – respondeu Bianca fazendo uma careta – e sua amiga, onde está? Continua brigada com ela?


- Digamos que sim.


- Mas e o Potter? Ainda sente algo por ele? – perguntou Bianca, tentando parecer despreocupada.


- Não vou mentir pra você, então é melhor deixarmos o Harry de lado – respondeu a ruiva, tentando não ser grossa com a outra.


- Tudo bem - disse Bianca parecendo magoada – vamos esquecer o Potter.


- Para onde estamos indo? – perguntou Gina, tentando mudar de assunto.


- Para um lugar perfeito – respondeu ela animada – num dia perfeito.


Gina riu e continuou seguindo a garota. Foram se afastando do vilarejo e logo estavam perto de um conjunto de colina em pedra nua. Em meio a duas dessas, havia uma caverna. Ao redor havia árvores e flores, e um pequeno lago de margens cheias de flores, dando ao plano todo um aspecto muito bonito. Era mesmo perfeito. Bianca puxou a ruivinha para dentro da caverna, que estava muito bem iluminada por uma fogueira de chamas azuis.


- Eu descobri esse lugar um dia quando estava fugindo da Carrie – comentou ela.


- É lindo, Bianca – disse Gina olhando para fora novamente. Era realmente muito bonito. O restante do vilarejo não passava de um monte de área verde e pastos.


- Bia. Me chame de Bia – disse Bianca abraçando Gina pela cintura.


- Tá legal, Bia. Por que você fugia da Carrie? – disse a ruivinha, curiosa. Bianca riu.


- Nós tínhamos brigado.


Tomando a iniciativa, Gina beijou-a, tentando exprimir tudo que andara sentindo esse tempo todo por ela. De novo pôde sentir aquele beijo maravilhoso que só dela Gina recebera na vida. Como era diferente beijar uma garota, pensava Gina. Com os lábios colados encostaram-se na parede rochosa da caverna, a ruiva pressionado-a com o corpo. Seus lábios se separaram e Gina viu a morena sorrir docemente para ela.


- Olha, eu arranjei algumas almofadas para nós, pequena – disse ela apontando para algumas almofadas de cor escura no chão, por cima de um tapete bonito e de aparência cara.


As duas se sentaram nas almofadas e continuaram a se beijar carinhosamente. Cada parte do corpo de Gina arrepiava ao toque das mãos delicadas, mas experientes de Bianca, que subiam em desciam pela barriga e pelas costas de Gina. Em um momento atreveu-se a descer para suas coxas, mas logo Bianca puxou-as de volta para seu rosto e sua nuca. Era bom demais para ser verdade.


Alguns trovões soaram fora da caverna, anunciando uma chuva que vinha logo mais. Seria um caminho molhado de volta para o centro do vilarejo, mas as duas não se importavam nem um pouco com isso naquele momento.


- Odeio trovões – disse Gina se encolhendo.


- Tem medo? – zombou Bianca.


- Tenho – admitiu a outra, corando.


- Eu estou aqui pra te proteger, pequena. Não se preocupe – riu Bianca.


- Como se você pudesse fazer alguma coisa contra um raio – disse Gina se encolhendo ainda mais nos braços de Bianca, que a abraçou fortemente.


- Contra o raio talvez eu não possa, mas contra seu medo eu posso lutar – respondeu Bianca. Deu um selinho carinhoso nela.


- Essa chuva maldita vai estragar nosso dia – disse Gina olhando para os raios lá fora.


- É tão bom estarmos juntas – cantarolou Bianca – e tão simples...


­- Um dia perfeito – completou Gina, beijando-a como se estivessem dentro da canção.


Quando a chuva resolveu amenizar, as duas foram em direção ao vilarejo. De fato, quando chegaram lá estavam ensopadas, mas nada que um feitiço não pudesse resolver rapidamente.  A manhã havia sido tão boa que isso não fazia mesmo diferença. Gina voltou feliz para o castelo, tão bem quanto quando acordara cedo para tomar café.


Era tão bom ter alguém finalmente...

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