Capítulo 3
Foi o sonho mais delicioso que ela já teve. Harry estava lá, seu cabelo escuro bagunçado como se tivesse acabado de acordar, aquele sério meio-sorriso em seu rosto que de alguma forma parecia dolorosamente familiar. Ele se debruçou sobre ela, colocando cada um de seus grandes braços ao lado da cabeça dela, seus dedos longos se entrelaçando no cabelo dela. Ele estava nu, seu corpo tenso com paixão contida, a cabeça enorme de seu pênis mal pressionando entre as pernas dela, arreliando ela, e precipitando-se sobre os cachos castanhos dela.
Ele praticamente vibrou contra ela e ela o sentiu bem no fundo.
Impossível. Sua porta estava trancada e o homem em sua cama era fantasia pura.
Se contorcendo contra sua cama desarrumada, Mione sentiu seu clímax chegando, sentiu as vibrações fundas contra seu útero, o baixo trepidar da paixão crescendo, um terremoto, a mente nublada, o formigamento nos dedos dos pés…
Nada.
As vibrações pararam. Mione permaneceu lá, suspensa entre a luxúria e a incredulidade.
O ovo! O maldito ovo ainda estava dentro dela!
Mas aquilo significava…
Um golpe experimental na porta do seu quarto a colocou completamente acordada.
- Mione? Você já está acordada?
Harry!
- Hum, sim. Eu estou acordada. - Tirando seu cabelo atrapalhado de seus olhos, Mione agarrou seu roupão de banho do chão. - Só um minuto.
Ela abriu a porta só o suficiente para espiar pela brecha. Harry esperava do outro lado, cabelo ligeiramente bagunçado, seus olhos escuros parecendo quentes e sedutores, as calças aveludadas vermelhas de Noel montando baixas em seus quadris. Seu tórax estava nu, os pêlos escuros cobrindo músculos tensos e seguindo para baixo numa trilha estreita até desaparecer em baixo do cós de suas calças. Ele segurava uma xícara fervente de café em uma mão, o maldito controle do ovo vibratório na outra.
- Feliz Natal e bom dia, dorminhoca. Eu estava me perguntando quando você iria acordar. - Ele riu, o som fundo e tão sedutor quanto o aroma de café recentemente preparado. - Eu espero que você não se importe pela minha bisbilhotice ao redor de sua cozinha, mas eu vi o moedor de café na bancada e pensei que você gostaria de sua xícara de café de manhã tanto quanto eu gostaria. Aqui. - Ele segurou a xícara emitindo fumaça para ela. - Eu espero que você goste dele preto.
Mione abriu a porta só o suficiente para pegar o café. Ela não podia tirar os olhos do pequeno controle que ele segurava em sua mão esquerda.
- O que você está fazendo com isto?
Harry olhou para baixo para o controle.
- Oh, eu estava tentando fazer a TV funcionar. A bateria deve estar fraca. - Ele indiferentemente ligou o interruptor.
O ovo voltou a vibrar contra o útero já sensível de Mione. Ela friccionou seus dentes e agarrou tão forte a asa de sua xícara de café que suas juntas ficaram brancas.
- Uh, Harry... na verdade, este não é o controle remoto da TV.
Harry continuou a mexer com os controles por um momento. As vibrações aceleraram um pouco. Mione sentiu a primeira onda de seu clímax adiado, os calafrios e os espasmos rítmicos se espalhando por ela. Ela fitou desoladamente as grandes mãos de Harry, os dedos longos brincando com os botões do controle. O ovo vibrou mais rápido.
Harry voltou sua atenção do controle em sua mão para sorrir diretamente para Mione.
- Eu sei que não é o controle da TV. - ele disse, sorrindo diabolicamente. - Esta é uma de minhas criações. Nós fazemos destes na Brinquedos Rudolph. - Ele tirou uma mecha de cabelo da testa de Mione. Sua voz era baixa, conspirativa. - Eles são muito populares em nossa seção de brinquedos para adultos. Um de nossas produtos mais vendidos. - Ele levantou o controle para ela inspecionar. - Vê este pequeno botão? O vermelho? Calor.
Ele apertou o botão com seu dedo polegar. Dentro de segundos, o ovo vibratório começou a ficar mais morno dentro de Mione. Sem saber o que fazer, ela assistiu ele mover os dedos através dos botões, como se ele jogasse um jogo de computador.
- Este aqui aumenta as vibrações…
O ovo praticamente zumbiu dentro dela. Ela sentiu seus dentes começarem a vibrar.
- Mas esta é a característica mais popular. - Sorrindo ainda mais amplamente, Harry apertou outro pequeno botão.
O pequeno ovo quente começou devagar a se mover de um lado para outro, vibrando e rolando dentro do canal de Mione como uma coisa viva.
Os pulmões dela se expandiram, mas ela não podia obter ar suficiente. Ela agarrou a porta enquanto luzes dançavam atrás de seus olhos, seu campo de visão se estreitou para os olhos de Harry, os lábios dele, não mais sorridentes agora, mas ligeiramente separados como se ele, também, compartilhasse do clímax que se construía em Mione.
A xícara de café quente teria caído dos seus dedos, mas Harry pegou a xícara e primorosamente a colocou sobre uma mesa no corredor. Mione gritou, seus joelhos cederam e Harry a pegou no seu abraço forte, sua boca encontrando a dela, sua língua empurrando fundo entre os lábios dela enquanto ela estremecia e pulsava com as vibrações rítmicas bem em seu âmago.
Harry mexeu no controle e o ovo diminuiu a velocidade para uma vibração suave, só o suficiente para aliviar Mione de um orgasmo entorpecente. Ele a beijou mais uma vez, suavemente, então a carregou para o quarto dela, a deitando na cama. Ele se debruçou sobre ela e tirou os cabelos dela de cima de seus olhos e a beijou mais uma vez na boca.
Ondas de puro prazer retiraram-se para dar lugar a um banho quente e frio de humilhação absoluta. Desviando do sorriso doce de Harry, Mione tentou decidir a melhor saída do que tinha sido a coisa mais vergonhosa que já acontecera para ela na vida.
Ela não tinha controle sobre as lágrimas que deslizavam por baixo de suas pálpebras firmemente fechadas. Apenas vá embora, ela implorou silenciosamente. Apenas vá embora assim eu posso fingir que isto nunca aconteceu.
- Meu Deus. Esta foi a coisa mais bonita que eu já vi em minha vida.
A voz de Harry soou reverente, quase impressionada.
Mione abriu seus olhos só o suficiente para ver através de pestanas molhadas de lágrimas. O rosto dele estava a meras polegadas do seu. Ela realmente não notara a cor dos olhos dele ontem à noite. Agora ela viu que eles eram de um cinza profundo, perdido em algum lugar entre verdes e azuis.
- O que?
- Seu clímax. - A voz dele era apenas um sussurro, meio embargado, sentimental. - Esta foi a coisa mais surpreendente que… eu quero dizer, quando eu criei o ovo, eu pensei nele como uma ótima coisa para os casais brincarem em festas e outras ocasiões especiais. Eu nunca pensei além dos aspectos sociais dele como um brinquedo tolo de sexo. Assistindo você sentir prazer agora mesmo, sabendo que eu tinha controle sobre você, sabendo o que estava acontecendo dentro de você com cada botão que eu pressionava… Nós não conhecemos um ao outro, Mione, mas eu nunca, na minha vida inteira, senti tal conexão com outra pessoa. Eu acho que nunca quis uma mulher tanto como eu quero você agora mesmo.
Ele se sentou e levantou sua mão.
- Não. Por favor. Não fique assustada. Eu nunca faria qualquer coisa que você não quisesse. - Ele balançou sua cabeça, em apologia. - Bem, além de apertar seus botões. - Ele brincando tentou alcançar o controle.
Mione deu uma risadinha e golpeou a mão dele para longe.
- Eu provavelmente deveria chamar um táxi. - ele disse, se girando para sentar na beira da cama. - Eu duvido que exista alguém no escritório esta manhã, e eu me impus a você mais do que o suficiente.
- É dia de Natal. - Mione sentou e se apoiou contra a cabeceira de sua cama. - O que você fará?
- Voltar a trabalhar. De certa forma, eu estou contente que o processo de seleção de Noel para esta geração esteja terminado. Isso quer dizer que eu posso me concentrar no que eu faço melhor.
- Inventar brinquedos sexuais? - Ela deu uma risadinha novamente, ciente em um nível visceral do pequeno ovo, parado agora, ainda descansando dentro de seu canal.
- Entre outras coisas. - Ele sorriu, tocou o lado do rosto dela. - Quais são seus planos?
Mione suspirou.
- Eu não sei. Como eu disse a você ontem à noite, eu esperava estar planejando meu casamento. Eu não sei o que eu vou fazer hoje.
- Gostaria de fazer, qualquer coisa que seja, junto comigo?
Harry olhava para ela lateralmente com olhos encobertos. Seu olhar evocava todos os tipos de pensamentos em Mione, a maior parte deles do tipo carnal.
Ela não o conhecia. Não acreditava em metade do que ele disse.
Ela queria conhecê-lo. Queria acreditar.
- Sim. - ela disse, colocando seu coração nas mãos dele. - Vamos fazer juntos.
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