APENAS MOMENTOS
Rony estava desconfortável no blusão de lã que sua mãe lhe dera no ultimo Natal, e já ti tinha algumas semanas que vinha sentindo-se assim. Ele estava muito apertado, sobretudo na gola. Havia crescido novamente, e suas roupas já não tinham mais concerto. Não tinha para onde remendar.
Chateado, moveu o colarinho novamente, sentindo-se enforcado. Tentava prestar atenção a Prof.Velga a professora de aurores do ministério, a ministrante do curso que freqüentava a um ano desde que se formaram, e destruíram Voldemort. Eram aulas chatas quando não estavam na fase prática, como essa noite.
Depois de um dia puxado no trabalho, ao lado de Harry e Hermione no setor de aurores iniciantes e estagiários, ficar ali ouvindo uma mulher de pé falando sem parar era desgastante.
Não que pudesse reclamar. Se não houvessem vencido a guerra, não estariam ali.
-Preste atenção! -ele levou uma cotovelada nada discreta de sua colega de carteira, e sua voz rouca e brava, invés de chateá-lo, ou excitou.
-Estou prestando! -ele reclamou só pelo habito.
Hermione não prolongou seu discurso, pois o faria em casa. Ah, se faria!
Os três dividiam apartamento desde que saíram de Hogwarts e se fosse totalmente franca, diria que era Harry quem dividia apartamento com eles. Pois eram um casal desde que começaram a namorar ainda na Guerra contra Voldemort.
Amá-lo não a impedia de ver seus defeitos, como por exemplo, não prestar atenção nas aulas. Rony também era comilão, roncava, falava dormindo, muitas vezes acordando-a no meio da noite, era espaçoso e mal criado. E quando posto na parede, geralmente saia de fininho!
Era um cafajeste moderado. O tipo que as mães não querem de genro por que parecem perigosos e bobos demais. Mas ele não era. Só não tinha sua vitalidade e corretidão.
Eles eram o inverso um do outro, por isso dava certo. No trabalho era dedicado e bom profissional, já em casa...era uma negação.
A professora notando que seu discurso causava sono em alguns alunos, abreviou o assunto e dispenso-os com alguns exercícios para treinarem.
-ô, Rony – Harry chamou sem prestar muita atenção no que fazia – Me faz um favor?
-Depende -ele disse olhando para Hermione que conversava com prof.Velga sobre algum assunto chato.
Ele a amava, mas tinha que admitir que em cinqüenta por cento do tempo ela era chata. Tacanha. Certinha demais!
-Vou aproveitar que é sábado e dar um pulinho em Hogwarts, para ver Gina. – ele disse enquanto colocava a pasta embaixo do braço e olhava para o amigo com diversão – Pois é, terão o apartamento só para vocês dois!
Rony sorriu malicioso e Harry teve até medo de tentar adivinhar o que poderia estar passando em sua mente.
-Qual é o favor? -ele perguntou ainda olhando para Hermione que acabava de receber uma pilha de livros nos braços. Ótimo, perderiam a noite, pois ela enfiaria a cara nos livros e esqueceria dele!
-Leva essas poções para o segundo andar? Prometi ao Prof.Trevor que devolveria ainda hoje, mas não quero me atrasar. Você sabe, ver sua irmã uma vez por semana é difícil para mim e...
-Tá, ta, Harry, eu já sei disso, é da minha irmã que estamos falando! – ele aprovava o namoro, mas não queria saber o que eles faziam nesses raros dias em que se viam.
-Certo, até amanhã então – Harry despediu-se, acenando para Hermione antes de ir.
Sozinhos, pensou Rony. Ele adorava o amigo e era uma ótima companhia, mas esse lance de terem de dormir em quartos separados para manter aparência na frente de Harry era um saco. Ainda mais porque a única pessoa que parecia se importar com isso era a própria Hermione!
-Rony, eu vou ficar mais uns minutos, você pode ir se quiser. – ela apareceu rapidinho, apressada para despachá-lo – É sobre uma pesquisa...trabalho. Te vejo em casa.
Um casto beijo na bochecha e ela o abandonou.
Tudo bem, ele também a ignorava às vezes. Fazia parte da rotina, por serem tão diferentes. Nada que os deixassem brigados ou coisa assim.
Para ser franco, tirando algumas briguinhas diárias, e bobas, eles nunca mais brigaram sério. Era a vantagem de terem se entendido e esclarecido seus sentimentos.
Resignado ele apanhou a caixa com poções, que era bem pequena, e desceu para o segundo andar. Prof. Trevor não tinha aula com eles, mas era um cara muito certinho, assim como Hermione. Os dois parecia almas gêmeas. Suas aulas eram irritantemente boas e por mais que tentassem quebrar sua crista, ele nunca errava.
Se Hermione fosse homem, e Deus sabe que ele não a namoraria nesse caso, seria igualzinha ao professor. Bem no inicio do curso isso rendera algumas brigas, pois o jovem professor era claramente apaixonado por ela, e mais claramente ainda, inconformado por ela namorar um cara ‘desalinhado’.
-Oi – ele bateu na porta que estava aberta – Harry -ele ergueu a caixa e o professor entendeu.
Não eram de conversar muito. Rony transava com a garota que o professor gostava. Isso os obrigava a manter distancia.
-Entre, eu já o atendo – ele disse arrogante e Rony entrou, encostando a porta.
O professor estava de pé, em frente a alguns potes e um pequeno caldeirão.
-O que está fazendo? – perguntou curioso.
-Finalizando Polissuco. – ele disse arrogante – O setor de aurores está precisando para um caso importante – enquanto falava ele colocava dentro de um potinho e fechava.
-Onde coloco? – perguntou querendo ir embora logo.
-Em qualquer lugar – o outro disse ficando de costas e mexendo em uma pilha de livros.
“em qualquer lugar mesmo?” se pegou pensando, com ciúmes. Sabia que Hermione não tinha nada com ele, mas não conseguia impedir o ciúme às vezes,.
Tanto que a tentação foi incontrolável, e ele colocou um dos vidrinhos no bolso antes que o professor notasse.
-então, era só isso? – Prof.Trevor perguntou desafiando-o a dizer mais alguma coisa.
-Sim, era só isso – Rony bateu de leve em seu ombro, indo embora.
-Babaca – disse quando saiu, fechando a porta e não ouviu o professor dizendo “troglodita” tão logo a porta se fechou.
Rony riu por dentro ao erguer a mão e encontrar um fio de cabelo sem graça entre os dedos. Tocar naquele homem só para um fim maior, disse a si mesmo, contente com a própria façanha.
Agora, só faltava arrumar um banheiro....
Hermione entrou no elevador cansada, porém satisfeita com o andamento das aulas. Tudo estava indo maravilhosamente bem e tudo que queria era ir para casa, aproveitar que Harry não estava, e ficar bem grudadinha em Rony.
Seu trasgo sonso preferido, pensou, sorrindo. Entretida com os pensamentos sobre como aproveitariam aquela noite todinha sem Harry em casa, ela sorriu para o professor que entrava no elevador.
Levou um segundo para notar uma coisa e sorrir. Um sorriso entre incrédulo e chocado, sorriso que foi mal interpretado por uma mente apaixonada.
-Olá, Hermione – ele disse com sua voz de professor ,aquele tom adulto de homem que sabe o que quer – Boas aulas?
-ótimas! Professora Velga é maravilhosa! – respondeu animada.
-Oh, sim, ela é ótima! – ele parecia eufórico por falar com ela a sós - Está sozinha hoje? Sem seus amigos?
-Harry foi embora mais cedo, e meu namorado também. – ela justificou olhando para ele como se estivesse hipnotizada.
-Seu namorado? O cara ruivo? -ele jogou verde.
-É, o cara ruivo – ela respondeu passando a língua nos lábios, maliciosa.
-quase não acredito que namore um rapaz tão...hum...pouco disciplinado – ele limpou a garganta clareando as palavras.
-Porquê não? -ela perguntou inocente, sem notar sua expressão.
-Porque são muito diferentes, merecia um homem mais centrado, mais adulto, mais responsável...essas coisas que as mulheres como você merecem.
-Mulheres como eu? – ela perguntou envaidecida, corando.
-Você sabe, mulheres diferentes das outras – disse galante.
Prof.Trevor era moreno, alto, e tinha um porte atlético. Usava óculos de lentes quadradas e aro tartaruga. Era um cara bonitão de olhos cor de chocolate e sorriso de dentes alinhados. O tipo bonito e inteligente. Irresistível.
-Diferente como? – perguntou vaidosa.
-Inteligente, doce, meiga, bonita... –ele se fez mais próximo intimidando qualquer possibilidade de fuga com sua altura - ao seu lado um homem não pode ser infeliz.
-É mesmo? Você acha? – ela olhava para seus olhos fixamente sem mostrar surpresa pelo seu interesse ou repulsa por outro homem estar lhe dizendo essas coisas.
-Acho que seriamos perfeitos juntos, o que me diz? Quer sair comigo um dia desses?
-Sair com voce? Meu namorado não aprovaria... – ela disse pensativa, mordendo o lábio na dúvida.
-Ele não precisa saber, precisa? – piscou sedutor e ela sorriu.
-Tem razão, ele não precisa saber – ela disse afastando-se quando o elevador parou – Amanhã no almoço estarei sozinha, se voce quiser me levar a um lugar discreto...vou estar esperando na minha sala.
Hermione abriu a porta do elevador e foi embora, sorrindo.
Mesma na rua, indo em direção ao espaço reservado para aparatação, ela ainda sorria de orelha a orelha.
Rony demorou a voltar do ministério. Seu mundo havia ruído sobre sua cabeça e não sabia como agir. Sua namorada perfeita e fiel, o amor da sua vida, com quem tinha secretos planos de casamento, era uma garota fácil a pondo de traí-lo com o primeiro nerd que aparecia!
Arrasado, ele abriu a porta do apartamento e entrou. Ter usado polissuco e se passado por ele, era ao mesmo tempo a melhor idéia que tivera na vida, pois agora sabia que era traído, e também, a pior, pois agora sabia que tinha que terminar com a garota que amava.
-Oi, amor! -ela disse faceira, indo em sua direção e se dependurando em seu pescoço depois de um beijo molhado, que ele não pode deixar de corresponder – Achei que estaria em casa quando chegasse! Mas tudo bem, aproveitei para preparar um jantarzinho para nós dois!
Ele afastou-a tirando seus braços do seu pescoço e notando que seu sorriso só crescia. Por um segundo a raiva foi tanta que ele quis bater nela. Por outro lado a tristeza era maior e tudo que ele queria era acabar logo com isso e ir embora!
-Precisamos conversar, Hermione – ele disse seco – Conversar sobre nós dois!
-Conversar sobre nós dois? – ela perguntou surpresa. – Por quê? Não somos felizes juntos, Rony?
Sua voz mansa, sua nova tentativa de beijá-lo, tudo o incomodou.
-Somos... ou melhor achei que éramos até...! – desconsolado andou pela sala, olhando para ela acusador - Porque aceitou o convite de outro homem para sair, Hermione? – ele tinha veneno na voz
-Porque voce tomou polissuco para passar-se por outro homem e me convidar para sair, Ronald? – ela devolveu a pergunta no mesmo tom feroz, ponderando que tanta doçura na verdade escondia segundas intenções.
-O que? – ele ficou surpreso em ser pego no flagra – C-como sabe disso? – gaguejou.
-Da próxima vez que tomar uma poção polissuco confira no espelho se não esta com um olho castanho e outro azul! Ronald! Eu te reconheceria em qualquer lugar! Seu jeito, seu cheiro, seu modo de falar! Achou mesmo que eu não sabia que era voce?
-Porque não me disse que sabia?
-Porque estava em duvida se era uma brincadeira ou...se era sério. –ela ficou séria e resignada – Rony, voce estava me testando para saber se sou fiel? Porque se for isso...! – deixou a ameaça subentendida.
-Eu...não tive essa intenção, Hermione, eu sei que é fiel. Eu só...não sei o que pensei! A oportunidade apareceu, sempre tive ciúmes do professor Trevor e...enfiei os pés pelas mãos como sempre!
-Ronald, acha mesmo que eu te trairia com quem quer que seja?- havia impaciência e dor em sua voz – Sempre fui sua amiga, e não te machucaria dessa forma, independente de sermos namorados ou não! Te amar como homem me torna ainda mais próxima, Rony, mais dedicada a voce! Traí-lo seria além de amoral, completamente avesso a minha personalidade! Eu...!
Hermione parou o que dizia, olhando para ele sem saber se deveria deixar passar mais essa, ou se deveria realmente brigar.
-As vezes não sei se te trato como meu namorado, ou como meu filho! Fazer esse tipo de coisa, Rony, me assusta! Mostra imaturidade, mostra que ainda é um menino bobo! Eu...adoro isso em você, mas não nas coisas importantes! Rony! Eu levei na esportiva quando notei que era voce – ela quase sorriu – Achei que quando voltasse para casa, iríamos dar risada disso...! Mas não! Estava pronto para terminar não é?
-Eu não sei... – ele foi sincero – Parte de mim estava com raiva, mas outra parte estava destruído pela idéia de terminarmos – resolveu ser sincero.
-então porque fazer uma cosia dessas?! – ela perguntou indignada.
-Porque tenho medo de perdê-la! Por que...homens mais maduros e interessantes que eu poderiam aparecer e te levar de mim!
-Pra isso acontecer, Rony, terei que estar infeliz ao seu lado – ela disse madura – Terei que estar desiludida e triste. Não posso notar outro homem, quando sou feliz com o que tenho. Acreditando ou não eu mim, eu sou feliz com voce. Com o nosso namoro, com a nossa vida...não quero outra pessoa, nunca quis!
-Eu sei disso – ele afirmou – Sou inseguro, Hermione. Não consigo evitar.
-Certo, voce não consegue se livrar desse sentimento. – ela racionalizou – Tem que decidir, Rony, se vale a pena se esforçar, ou não, para que nossa relação dê certo. Porque não vou passar minha vida ao lado de um homem que acha que posso traí-lo! Ah, mas não vou mesmo!
-Eu não acho que vá me trair! -ele disse indignado – Eu sou um idiota mesmo!
-É claro que é! -ela afirmou – Se acha que posso te deixar assim tão fácil, então, sim, voce é um grande imbecil, Ronald!
Pesado silêncio caiu entre eles, e Rony sentou-se no sofá olhando para ela culpado.
Hermione mantinha-se do outro lado da sala irritada e olhando-o com raiva.
-Adianta o meu lado se disser que te amo? Amo muito? – perguntou tentando sorrir e dobrá-la com seu charme.
Ele descobrira que para Hermione ele era charmoso. Talvez outras também achassem, mas estava mais interessado no que ela achava!
-Não, não adianta o seu lado! – reclamou.
-E se te disser, que lá no fundo, eu não acreditei que estivesse flertando a sério e que esperava que houvesse uma explicação?
-Sério? - ela perguntou depois de um tempo olhando para ele – Pensou mesmo isso?
-Sim, pensei – concordou.
-Mesmo assim ia terminar comigo! -ela voltou a fechar a guarda.
-Não, não ia – ele disse levantando-se e se aproximando – Disse que precisávamos conversar, não que queria terminar. Lembra? – segurou seus pulsos para fazê-la descruzar os braços – Me perdoa, Hermione, eu prometo não agir mais como uma menino, mesmo quando estiver com ciúmes. Eu te adoro, e quero te ver feliz sempre....
-Eu sou sempre feliz, Rony... –ela confessou olhando no fundo azul de seus olhos - ...e para isso acontecer basta que esteja ao meu lado. Não preciso de mais nada para ser feliz!
-Nem dos seus livros? – ele provocou para vê-la sorrir e conseguiu.
-Bem... –ela achou melhor nem responder.
-Nem da sua aula de Ioga? – insistiu e ela quase riu com ele, se eximindo de responder – Nem dos meus beijos no seu pescocinho lindo...? Nem do meu...hã...voce sabe o meu “o que” no seu “o que”? – ele disse malicioso, beijando seu pescoço com beijos molhados e sedutores – O que me diz?
-Eu digo que voce é um debochado, Rony .
Hermione afastou-se e puxou-o pela mão em direção a pequena cozinha que o pequenino apartamento em Hogsmead, de frente para a rua principal, continha. A mesa estava posta para dois e havia até mesmo um candelabro com velas esperando para serem acessas.
-Infelizmente não cozinhei nada significativo – ela desculpou-se apontando a panela de sopa.
-Vale a intenção – ele disse sincero e ela o beijou rapidamente nos lábios antes de puxar uma garrafa de vinho.
-Surrupiei da adega do meu pai fim de semana passado – ela disse sorrindo, matreira – ele jamais me daria uma garrafa para te agradar!
-Poderia dizer que estávamos comemorando o fim do namoro. Aí, ele te daria um engradado! -ele disse com um tom magoado.
-Rony, sabe que meu pai gosta de voce! Ele apenas não gosta da idéia de me ver namorando! Ainda mais, que ele suspeita que moramos juntos como casal e não apenas colegas de apartamento! – explicou.
-Se voce aceitasse assumir, ele não teria duvidas – ele ariscou e ela sorriu, enquanto servia as taças.
-Se assumirmos que moramos juntos como casal, teremos que arrumar outro apartamento – ela informou – gosto de morar com Harry. Ele é tão solitário...
-Porque Harry não pode morar com o casal de amigos que tem? – perguntou irônico.
-Por que eu tenho vergonha que ele saiba que ...bem, que ele saiba que fazemos! – disse corada.
-E você acha que ele não sabe? – perguntou incrédulo.
-Somos discretos, não somos? – perguntou só para checar.
-Talvez eu não soubesse que era para ser discreto – ele disse sério.
Hermione colocou a garrafa de vinho sobre a mesa olhando para ele incrédula.
-Voce contou? – sua expressão era tão culpada que ela quase gritou – Voce contou! Ronald! Eu não acredito que falou da nossa intimidade para o Harry!
-Não falei de intimidades! Apenas disse que tínhamos feito!
-Só isso? – ela satirizou – Nossa, fico aliviada! Rony! Eu não quero que saibam quando estou...Merlin, meu quarto é ao lado do quarto do Harry! Ele deve ficar achando que ficamos juntos todas as noites!
-E não ficamos? – ele deu de ombros, achando graça de seu desespero – Hermione, qual é o verdadeiro problema?
Ela olhou para ele, e então para os lados, um pouco envergonhada.
-Nós demoramos a fazer – ela disse baixo – Mas falando assim, parece que sou fácil.
-Fácil? Um ano de namoro platônico! Voce, com certeza não é fácil! Hermione – ele se aproximou e tomou seu rosto em suas mãos – Harry sabe como nos sentimos, e sabe também como penei nas suas mãos até conseguir algum carinho mais íntimos, e não, eu não contei os detalhes. Só achei que ele deveria saber que não precisava se preocupar por nossos quartos estarem lacrados, ou se não o atendêssemos caso nos chamasse. Sabe que Harry não lida bem com pressão, depois de tudo que passamos na guerra.
-Quando decidimos dividir o apartamento sabia que aconteceria, Rony – ela confessou – Nós dois, morando juntos, mesmo com Harry, ainda assim, estávamos sozinhos...confesso que fiquei feliz que fosse assim. Mas não sei se quero que as pessoas saibam que dormimos juntos sem um compromisso. – confessou.
-Bem, então, iremos chamar as famílias e anunciar – ele disse sorrindo enquanto beijava seu rosto.
-Anunciar? – ela não entendeu.
-Que estamos noivos, ou não, não sei se é preciso noivar antes de casar. – ele disse como quem fala do tempo, com tanta naturalidade, que a fez congelar.
-Está...esta me pedindo em casamento? – ele concordou com a cabeça e ela ficou sem ar – Sério?
-Se voce quiser casar de brincadeirinha, por mim tudo bem também – ele brincou e ela ficou vermelha sem saber se ele falava sério ou não.
-Ronald, esse assunto é seriíssimo! – empurrou-o ficando enfurecida.
-Não, não é. Eu te amo, e voce me ama. Queremos viver juntos, coisa que alias, já fazemos a vários meses. Agora, iremos formalizar isso. é serio, mas na medida certa. Não faça disso um drama, Hermione! – exigiu.
-E por acaso voce sabe as responsabilidades que um casamento trás? – ela cruzou os braços com raiva pela chamada de atenção – Uma lar e filhos são muita responsabilidade! E isso é serio sim, senhor!
-Bem, nos vamos ter filhos, quando for a hora certa, coisa que tínhamos decidido que seria daqui a alguns anos, e isso não muda por nos casarmos. Continua tudo igual, Hermione. Nossos planos não mudam por termos um contrato assinado! Terminamos nosso curso, voce deixa os estagio nas pesquisas e assume o cargo de auror Junior. Eu termino meu curso,e largo o estagio no departamento de relações humanas e assumo também o cargo de auror Junior. Em dois anos, seremos sênior. Então, financiaremos uma casa, e iremos começar a pensar em filhos. Não era isso que planejamos quando decidiu começar a usar pílulas?
Ele falava com tanta naturalidade que a deixava desconsertada.
-Quer mesmo se casar comigo? – perguntou.
-E por acaso não somos casados? – ele perguntou.
-Somos? – ela desconfiou de onde ele havia tirado aquela conclusão.
-Bem, para começar moramos juntos. Nos vemos todos os dias quando acordamos, e a noite quando estamos em casa, como qualquer casal que trabalha fora. Temos planos para o futuro juntos, dividimos nossos problemas, nos preocupamos com o que o outro está fazendo, ou onde está. Dividimos as contas, fazemos orçamentos juntos....Somos apaixonados e sexo é fantástico. Somos um casal que tem um hospede. Não é assim que eu deveria ver nossa relação?
Hermione tentou ocultar o sorriso, ironizando:
-Sabe que metade dos homens da sua idade fogem da palavra casamento, não sabem?
-Sim, a exata metade que não achou o amor da sua vida – ele disse falsamente romântico.
-Esta mesmo achando que vamos aproveitar a saída do Harry para transar, não é? – ela disse sacando sua estratégia.
Ele deu de ombros, sabendo que no fim era isso que aconteceria.
-Eu posso pensar no seu caso – ela deu o braço a torcer como ele sabia que faria. – E posso pensar também nessa historia de noivado...
-Só não demore muito pensando, tem uma fila de garotas esperando uma oportunidade... – ele fez troça, e ela deu um tapinha em seu ombro.
-Sabe que não preciso pensar para responder – ela disse ficando séria – Só acho que não é o melhor momento para casar. Não ainda.
-Hermione, não vou ser um moleque. Se tem medo que esteja te pedindo em casamento sem saber das conseqüências, saiba que está errada. Eu tenho atitudes imbecis as vezes, mas no resto do tempo, eu sou um homem sério!
-Não é por isso que estou pedindo para esperarmos – ela disse como se fosse obvio – Primeiro, Ronald Wesley, não quero me casar no inverno. Então, o noivado tem que ser na primavera. E estávamos começando o inverno, esqueceu? Segundo, quero terminar esses últimos meses do curso, o que vai nos ocupar e muito com as provas finais e não daria para conciliar os preparativos. E terceiro e mais importante. Gina virá morar aqui quando sair de Hogwarts no final do ano. Vai ficar meio esquisito, recém casados morando com tanta gente, não acha?
-A pior parte de ser pobre é ter que agüentar os irmãos – ele disse com falso deboche. – é claro que está certa, Hermione. Mas o pedido fica valendo desde já.
-Então, eu aceito desde já – ela garantiu.
Rony mediu a menina, ou melhor, a mulher de olhos brilhantes que o esperava em expectativa. Casamento era um assunto bem discutido entre eles, então, o pedido não fora lá tão surpreendente ou anormal como em outros casos poderiam ser.
Rony segurou suas duas mãos, entrelaçando seus dedos e mantendo as mãos unidas, naquele acordo. Selando um acordo decidido por dois corações que amadureciam juntos.
-Então...vai me contar o que disse exatamente ao Harry? – ela perguntou curiosa e ele sorriu sem vergonha.
-Disse a verdade: que é uma ninfomaníaca e que adora me morder!
-Ronald! – ela ficou chocada, tentando puxar as mãos, mas ele a puxou para seu corpo, enlaçado sua cintura intimo e sedutor.
-Brincadeira... – ele disse cheirando seu pescoço – Não sou um cafajeste, Mione, nunca contaria detalhes! Apenas disse que não se preocupasse se não o atendêssemos no meio da noite. Que poderíamos estar juntos em um dos quartos. O resto, Harry deve ter deduzido sozinho!
-Será? – ela fez graça beijando o nariz dele – Gina contou que Harry é bem lentinho para essas coisas...
-Harry não é lento, Hermione, ele é um cara muito bem avisado, isso sim! Somos amigos, por isso cabe a Harry segurar o facho da minha irmã!
-Nossa, que coisa mais machista! – ela disse incrédula e enojada.
-Ah, mas você me adora, não adora? – ele provocou e ela não teve como esconder a verdade quando ele agarrou-a e puxou para seu colo, as pernas enroladas em sua cintura – Me diz, vai, se voce não me adora...
-Eu te adoro – ela disse segurando seu rosto para um beijo – mas só quanto não se passa por outros homens para me seduzir! – disse em tom de alerta, mas sem estar brava.
-Hum...voce é tão gostosa que me faz agir como um imbecil - ele confessou carregando-a diretamente para o sofá.
-Rony, o jantar! – ela protestou sem veemência alguma, pois queria tanto quanto ele.
-Está enfeitiçado para ficar quente, não está? -ele questionou colocando-a deitada no sofá, jogando a manta que cobria o estofado para o lado, para não atrapalhá-los.
-Está... –ela disse sentindo-se frágil enquanto ele tirava a camisa.
Era sempre o mesmo, Rony a confundia com seus olhos azuis profundos e hipnotizantes, a fazia esquecer porquê estava brava com ele, de quebra confundia-a inteira despertando enormes sentimentos de medo e proteção, e para quebrá-la de vez, a fazia rir de suas brincadeira e depois gemer de seus carinhos.
Esse homem tinha as rédeas de sua vida em suas mãos e nem sabia, pensou. Lá no fundo Hermione sabia que poderia até gritar mais alto, mas no fim, sempre cedia.
Cedia para se perder naquele mar de emoções que despertava cada vez que sentia aqueles lábios quentes sobre os seus, como agora. Um beijo para durar a vida toda...
Uma hora depois, Hermione despencou sobre o peito do namorado, cansada, e satisfeita, depois de um ato de amor que lhe tirou o fôlego. Eles faziam amor com a mesma vontade com que brigavam, e geralmente isso os deixava exaustos e felizes por muitas horas. Arriscando um mordidinha no peito dele, ela ouviu-o rir baixo, mas não dizer nada. Salpicou um beijo nele, que estava quase dormindo.
-Eu te amo, Rony – disse convicta.
-Eu também te amo... – ele disse sonolento.
Achando que ele havia adormecido, se assustou quando falou novamente.
-Hermione, podemos noivar no inverno e esperar até o verão para casar? –ele perguntou sonolento, quase adormecido.
Ela riu suavemente passando a mão pelo seu peito e rosto com todo seu carinho.
-Podemos sim, Rony. Podemos tudo que quiser... – sussurrou repousando a face em seu peito, e adormecendo junto dele, depois de puxar a manta sobre eles e cobri-los protegendo-os do frio noturno.
Eram duas da manhã quando Harry destrancou a porta do apartamento e entrou. Havia brigado com Gina e voltado mais cedo para a cidade. Chateado ficara um tempo no Cifre Enrugado afogando suas magoas em cerveja amanteigada.
Rony o fizera jurar que não dormiria com sua irmã enquanto não se casassem e agora, num descuido deixara escapar e ela finalmente sabia a razão de suas recusas. Pronto. Gina o odiava.
Pelo menos por alguns dias até a raiva baixar. Antes de ascender à luz ele se pegou sorrindo ao pensar em sua pimentinha ardida. Gina tinha uma língua deliciosa que sabia também ser ferina e venenosa!
Mas ele a amava, e amava também seus ataques! E tinha algo nela que não amava? Definitivamente não. Ele ascendeu à luz da sala e levou um princípio de susto.
Então, fingindo não ter visto nada, ele apagou a luz e saiu rapidamente dali.
A luz da cozinha ainda estava acessa e a fumaça saindo da panela enfeitiçada para manter a comida aquecida o fez voltar seus passos, e entrar. Olhando dentro dela, achou que era relativamente comestível.
Sem remorso ele apanhou uma colher, um prato e sentou-se na cadeira, desfrutando do jantar dos amigos.
Alias, não parecia que os dois fossem querer jantar, pensou irônico e sorridente.
Não mesmo!!!!!!!
AUTORA: Consegui terminar essa baby fic!!! Era para ser gostosinha de ler e doce!
Espero que tenha curtido esse momento Rony e Mione.
Beijos!!!!