O próximo jogo de Quadribol seria entre Grifinória e Lufa-Lufa. Os alunos estavam em polvorosa e as torcidas começaram a se animar uma semana antes da realização do evento.
A tradução da enciclopédia de poções agora andava a passos mais lentos pois todos os esforços eram dedicados à tarefa de descobrir o último ingrediente da fórmula da “visão elementar”. Depois de ser informado pelo Dr. Gentili sobre a real finalidade desta poção e constatando que faltavam apenas 10 volumes da enciclopédia a serem traduzidos, Severus conversou com Maria sobre o assunto e ambos acharam por bem que seria primordial passarem mais tempo focando-se apenas no trabalho de tentar juntar as duas partes do enigma cuja solução os levaria ao ingrediente que faltava.
Os dois passavam quase todas as suas horas livres, ou no laboratório de poções ou na biblioteca. Porém, nada acharam que desse um sentido ao quebra-cabeças que tinham em mãos. O próprio Dr. Gentili, com o intuito de facilitar o trabalho, enviou para a filha vários livros sobre a cultura Celta-Élfica. Maria leu e releu todos eles, mas nada encontrou.
O sábado amanheceu com um sol radioso e uma brisa leve e fresca. Os alunos tomaram o café da manhã em clima eufórico e depois rumaram a seus dormitórios a fim de preparar-se para o jogo.
“- Acho melhor descansarmos um pouco hoje.”, disse Maria, quando sentou-se à mesa ao lado de Severus para fazer a refeição matinal. “- Estamos trabalhando há muito tempo na mesma coisa, nossos cérebros já não funcionam como deveriam. Creio que um fim-de-semana de descanso nos fará bem.”
“- Concordo com você.”, respondeu Severus em voz baixa. “- O que você gostaria de fazer ? Quer dar um passeio pela floresta proibida ?”
“- Eu pensei que nós fôssemos assistir ao jogo de Quadribol. Minerva me chamou e eu aceitei o convite.”
“- Eu preferia fazer coisa mais agradável, mas se você vai ao jogo eu a acompanharei.”
“- Está bem. Combinado.”
“- Espero por você aqui no salão principal meia hora antes do início do jogo.”, disse ele.
“- Ótimo ! Não me atrasarei.”
Severus retirou-se em direção às masmorras. Maria permaneceu no salão principal e entabulou animada conversa com a professora de transfiguração.
A assunto estava tão interessante e envolvente que as duas perderam a noção do tempo.
“- Por Merlin !”, exclamou Minerva. “- Preciso apressar-me. Tenho que me preparar para o jogo. Quero chegar ao estádio com bastante antecedência.”
“- Vá Minerva. Nos encontraremos depois.”, respondeu Maria.
As duas professoras saíram imediatamente e seguiram para escadas opostas que as levariam ao seu destino.
Assim que saiu do salão principal e começou a subir as escadas a fim de dirigir-se aos seus aposentos, Maria ouviu uma voz que a fez arrepiar-se dos pés à cabeça ...
“- Matar desta vez ... me deixe cortar ... estraçalhar ...”
Ela ficou por alguns segundos totalmente imóvel. Não conseguia tomar ação alguma. Sabia que o monstro atacaria em breve e precisava urgentemente falar com Severus.
Desceu as escadas o mais rápido que pode, causando estranhamento a alguns alunos que passavam e rumou em direção às masmorras. Bateu à porta do laboratório de poções, mas não obteve resposta. Foi até o quarto dele, mas ele também não estava lá. “- Talvez esteja no salão comunal ...”, pensou ela, já dirigindo-se para o local. Quando chegou próximo ao salão, encontrou Draco Malfoy e seus inseparáveis companheiros Crabbe e Goyle.
“- Meninos, vocês viram o professor Snape ?”, perguntou ela.
“- Ele está no salão comunal.”, respondeu o menino louro medindo-a dos pés à cabeça. “- O que a senhora quer com ele ?”, perguntou, de maneira arrogante.
“- É um assunto que só interessa aos professores, Draco. Você poderia chamar o professor Snape para mim ?”
“- Talvez sim, talvez não.”, retrucou Malfoy.
“- O que é que nós ganhamos se o chamarmos para a senhora ?”, perguntou Crabbe.
“- Quem sabe uma melhora em nossas notas.”, sugeriu Goyle.
Maria então perdeu a paciência: “- Vão chamar o professor Snape agora ou tirarei 10 pontos de Sonserina por conta de sua insolência.”
“- A senhora não teria coragem de fazer isso.”, disse Malfoy, sorrindo maliciosamente. “- O professor Snape não permitiria.”
Quando Maria ia retrucar, a porta do salão comunal se abriu e Severus apareceu.
“- O que está acontecendo aqui ?”, perguntou ele.
“- Professor Snape, eu gostaria de falar com o senhor mas os alunos de sua casa estavam impedindo-me do fazê-lo.”
“- Malfoy, Crabbe e Goyle, quando a professora Gentili quiser falar comigo é porque trata-se de assunto sério. Peçam desculpas a ela imediatamente !”
“- Mas professor Snape, ela ameaçou tirar 10 pontos de nossa casa.”, choramingou Drago.
“- Provavelmente porque vocês lhe deram motivos o suficiente para fazê-lo. Agora vamos, peçam desculpas antes que eu mesmo me veja obrigado a penalizar a nobre casa de Sonserina pelos maus modos de seus alunos.”
“- Desculpe-nos professora Gentili.”, disse Draco em voz tão baixa que mal pode ser ouvida.
“- Sr. Malfoy, eu não escutei o que o senhor disse. Poderia repeti-lo de maneira que seja audível para ouvidos humanos ?”, falou Severus.
O menino louro repetiu, agora em tom bem mais alto, o seu pedido de desculpas.
“- Desculpas aceitas, Draco.”, disse Maria.
“- E os outros dois ... ainda não os ouvi se desculparem.”
Crabbe e Goyle se entreolharam como que não acreditando que aquelas palavras vinham do chefe de sua casa. Entretanto, mesmo dois idiotas como eles tinham a noção do perigo e viram que Snape falava muito sério. Virando-se para Maria, rapidamente pediram desculpas e saíram dali correndo, acompanhados de perto por Draco.
“- Aconteceu alguma coisa ?”, perguntou Severus, em tom preocupado, assim que os meninos se distanciaram o bastante a ponto de não mais poder escutá-lo.
“- Ouvi aquela voz novamente. O monstro saiu da Câmara Secreta e vai atacar em breve. Severus, temo pelos alunos que têm ascendência trouxa. O perigo para eles é iminente.”
“- Onde você escutou a voz ?”
“- Eu ia em direção a meus aposentos quando a ouvi. Estava carregada de raiva e falava em matar, em estraçalhar. Foi horrível !”
“- Em que andar você estava ?”
“- Já havia subido uns 3 lances de escada.”
Severus olhou para ela bastante preocupado. “- Vamos falar com o diretor.”, disse ele, após alguns segundos.
“- Sim, é o melhor que podemos fazer neste momento.”
Os dois professores rumaram sem demoras para a sala de Dumbledore e quando chegaram ao salão principal foram interceptados por Minerva:
“- Vocês irão ao jogo, não é ?”, perguntou ela com um sorriso.
“- Vamos sim, Minerva."
"- Que ótimo ! Estou animadíssima !"
"- Você viu Albus por aí ?”, perguntou Maria, tentando manter um tom casual.
“- Ele deve estar na sala dele preparando-se para o jogo. Albus adora Quadribol !”
“- É o que pensávamos. Obrigada Minerva.”, disse Maria.
“- O que foi que aconteceu ?”, perguntou a professora de transfiguração. O sorriso que antes lhe enfeitava o rosto rapidamente feneceu.
“- Não queria deixá-la preocupada, ainda mais hoje que é dia de jogo, mas ... mas ... acho que teremos um novo ataque. Eu ... bem ... er ... ouvi a voz do monstro quando subia para meus aposentos.”, falou Maria com relutância.
“- Por Merlin, você tem certeza ? Não pode ser apenas uma impressão ?”
“- Eu tenho certeza.”, respondeu Maria, desta vez de maneira firme. “- Já ouvi esta voz antes e infelizmente temos um ataque do monstro sempre que a escuto.”
“- Albus me contou sobre isso. Mas há tanto tempo que o monstro não ataca que preferi iludir-me e pensar que estávamos livres dele. De qualquer maneira, é bom que você e Severus vão falar com Albus. Eu vou procurar os alunos que estejam pelos corredores e pedir-lhes para dirigirem-se todos ao campo de Quadribol. Lá estarão bem mais seguros.”
“- Faça isso, Minerva. Iremos falar com Albus imediatamente.”
Enquanto Severus e Maria foram sem demora falar com Dumbledore, Minerva correu na direção contrária a fim de achar alunos desgarrados e enviá-los para o estádio.
Ao entrarem na sala do diretor, os dois encontraram o velho bruxo munido de espírito bastante festivo. Era mais do que notório que ele adorava jogos de Quadribol, principalmente quando Grifinória estava no páreo. Entretanto, assim que entraram, Dumbledore pareceu aperceber-se de que tinham urgência para lhe falar e deu-lhes imediata atenção.
Maria então lhe contou sobre a voz que ouvira. Albus ficou alarmado. “- É melhor mandarmos todos os alunos para fora. Eles ficarão mais seguros se estiverem reunidos no estádio.”, disse ele.
“- Minerva já está se encarregando disso.”, respondeu Maria.
“- Ainda bem, assim fico mais tranqüilo.”
Mal falou isso e a porta novamente se abriu. Dessa vez era Minerva quem entrara e seu semblante estava carregado, seus olhos azuis denotavam grande preocupação.
“- Minerva, o que foi que aconteceu ?”, perguntou imediatamente o velho bruxo assim que a viu entrar.
“- Albus, um novo ataque ... um ataque duplo !”
“- Quem foram a vítimas ?”, perguntou Maria, em tom alarmado.
“- A monitora Penélope Clearwater, aluna de Corvinal do quinto ano e Hermione Granger, aluna de Grifinória do segundo ano foram encontradas próximo à biblioteca ! Ambas estão petrificadas !”
“- Minerva, vá imediatamente ao estádio e cancele o jogo. Peça que os alunos dirijam-se sem demora aos salões comunais e diga que fiquem lá até que recebam as instruções que serão dadas pelos diretores de cada casa. Severus e Maria, venham comigo. Precisamos falar com Filius e Pomona. Como chefes das casas de Lufa-Lufa e Corvinal, eles devem saber de todos os detalhes sobre este novo ataque para que possam dar mais informações aos seus alunos.”
“- Mas Albus, o que acontecerá com Hogwarts ?”, questionou Maria, enquanto os três procuravam por pelo professor Flitwick e pela professora Sprout, a fim de colocá-los a par da situação.
“- Não sei minha querida.”, respondeu o velho bruxo, seu cenho tão carregado como ela jamais havia visto antes. “- Talvez esse seja o fim de Hogwarts, talvez o monstro libertado pelo herdeiro de Sonserina seja o maior algoz que já enfrentamos. Infelizmente, temos que nos preparar para o pior.”