CAPITULO 62
Sossegando o facho (Jogando água fria!)
Mary tirou o assado do forno e sorriu deliciada ao contemplar o excelente trabalho que fizera. Era um frango assado com ervas aromáticas e pêssegos. Uma receita que Rony amava! A mesa estava posta para dois, e toda prataria mais fina que ganhara em seu casamento, estava sobre ela.
Velas coloridas e perfumadas esperavam para serem acesas. Copos de cristal adornavam, enquanto guardanapos chiques decoravam sobre a toalha de renda importada. Somente o melhor para aquela noite especial!
Sorrindo de orelha a orelha ela ouviu os passos de Rony na sala e seu coração saltou dentro do peito.
Estavam sozinhos e era a primeira noite de duas semanas sem suas filhas, que Rony levara para passar as férias com seus tios na França. Pela primeira vez na vida conjugal deles estariam totalmente sozinhos!
Ansiosa, com as mãos geladas de antecipação da incrível noite que teriam, ela colocou o assado de volta no forno, para que não esfriasse enquanto conversassem.
Por certo, Rony apreciaria seu trabalho no jantar e sua dedicação em se arrumar. Usava seu melhor vestido, um com saia godê e babados ao redor do decote. Era verde claro e realçava seus cabelos louros, feitos com gel para ficarem lisos e curvados nas pontas, como se o ar da primavera os tocasse e os tornasse leves. Maquiagem suave, lábios rosas.
Os sapatos de bailarina, brancos e com salto médio a tornavam uma imagem perfeita de esposa dedicada. E era assim que sentia-se. A mais dedicada das esposas!
Seria hoje, pensou, hoje que voltariam a ser um casal! Ou melhor, pela primeira vez seriam um casal!
Fechando os olhos com força ela lembrou-se mentalmente se havia passado perfume atrás das orelhas, dos joelhos e na curva da virilha. Sim, fizera isso. Tentou também lembrar-se se havia deixado sua melhor camisola separada na cama, para usar mais tarde para ele, e sim ela estava passada e limpinha esperando por ela!
Quando abriu os olhos, viu Rony diante dela, olhando-a com um olhar de expectativa.
Mary sentiu vontade de chorar. Era o primeiro dia do resto de suas vidas!
-Preparei o jantar – ela disse com voz emocionada, seu coração saltando em seus olhos. – Fiz seu prato preferido, amor.
-Mary... – ele tentou dizer algo, mas Mary negou a cabeça.
-Não diga nada, Rony. Não diga nada, meu amor...
Rony se afastou da porta e ela quase saltou para trás, olhando com verdadeiro horror para a pessoa atrás dele.
Hermione sorriu acenando para ela.
-O que ela está fazendo aqui? – a voz de Mary não deixava duvidas do que estava pensando.
Por um segundo, Hermione teve medo de ser enxotada a vassouradas. Merlin, a amante era ela, mas que aquilo estava divertido, há, estava! Quer dizer, amante ela não era ainda, mas também não era a santinha da história! Pois pela primeira vez, em uma clássica historia de triangulo amoroso, o único inocente, era o homem! Enganado e levado a uma armadilha, Rony era o peão sendo levado pela vontade de duas mulheres.
Uma usava as filhas e a culpa para levá-lo onde desejava, e outra agia por amor e paixão levando-o a desejar a vida que deveria ter tido!
-Gina está precisando do apartamnto por uns dias então... – deu de ombros – Rony me deixou ficar aqui!
-Eu...como...Rony? – ela olhou para ele magoada, chocada e com algo mais que nascia em seu olhar. – Rony, você concordou com isso?
-Hermione é minha amiga, não poderia deixá-la na rua – ele defendeu-se tentando não parecer contente com a expressão dela.
Era mais ou menos a mesma expressão que ele tivera ao ser informado pelo seu pai, numa tarde chuvosa, que seria pai de gêmeas e que teria que se casar com Mary.
Não fora obrigado, pois ambos eram maiores de idade, mas o olhar de desapontamento do seu pai foi o bastante para tomar a decisão certa naquele momento.
Agora, era a vez de Mary provar o gosto amargo da traição.
-São só algumas noites. – ele deu de ombros.
-Você não trabalha, não pode pagar um hotel? Rony! Pague um hotel para ela! – sua postura elegante estava no chão, embaixo dos pés de Hermione.
Notando que Rony não faria isso, ela olhou bem para Hermione, medindo que as duas eram água e vinha e tentando entender o que ele vira nessa mulher sem graça!
Calças jeans escuras, blusa cinca, com um dos ombros de fora e botas de salto altíssimos; cabelos longos, numa transa grega que caia displicentemente sobre um dos seios. Nada de jóias, com exceção de um anel solitário de pedra negra, sóbrio e cru.
Maquiagem em volta dos olhos era a única maquiagem. Seu perfume era áspero. Era amargo. Ela era áspera. Não precisava de mentiras ou adornos para dizer quem era.
Usá-los-ia apenas como forma de agregar beleza ao seu corpo, e não como um escudo, mentindo aos olhos desavisados!
-Mary, não me faça mandar embora da minha própria casa uma amiga de tantos anos e tantos momentos difíceis – ele alertou e ela entendeu.
Olhando para Hermione ela entendeu tudinho. Essa mulherzinha não pudera aceitar o fato deles estarem juntos e ter sido rejeitada! Ao saber que os dois tentariam uma reaproximação, ela tinha que se meter!
-O jantar vai esfriar -ela disse seca, tirando o frango do forno e ficando de costas para os dois.
Eles se entreolharam, e Hermione sorriu, pois era exatamente isso que desejava, levar Mary ao limite.
Arrastando uma das cadeiras, propositalmente ao lado de Rony, e arrastando-a com força, ela viu o momento em que Mary parou o que fazia e fitou a parede atrás da pia, olhando fixamente para um ponto qualquer, talvez para recuperar o controle.
Ela sabia, pensou Hermione, que aquele puxão deixaria uma marca no chão lustroso.
Satisfeita, ela sentou-se e Rony maneou a cabeça, sabendo o que ela fazia. Hermione ergueu uma sobrancelha, como quem diz: “o que você esperava?”.
Com o auto controle renovado, ela trouxe o assado para a mesa e Hermione invejou seu controle, em seu lugar já teria distribuído milhares de maldiçoes sobre eles. Na verdade, se fosse com ela, Rony jamais chegaria tão longe! Ah, não chegaria mesmo!
Mary era uma lady e como tal serviu o marido e a convidada e levou aquele jantar com toda a pompa que levaria um jantar de gala!
E talvez para dar o troco, Mary deixou a mão sobre o antebraço de Rony acariciando a pele com as unhas bem feitas para desgosto de Hermione...
AUTORA: simplesmente amei esse cap! Eu sou meio assim, quando quero irritar alguém na vida real sempre consigo, e Hermione é mestra em fazer isso! Será uma batalha e tanto ver quem vencera! Quem vai suportar mais tempo: Hermione ou Mary?
Posso atrasar capítulos até a semana que vem, por conta de fatos maiores que eu.
A besta aqui conseguiu o feito de cair de bunda em cima da própria mão e deslocar o dedo do meio! (é aquele mesmo, gente, que mostramos por aí qd estamos com raiva...). Por precaução estou com uma tala até sexta feira.
Podem adivinhar como me sinto idiota com esse dedo para cima o tempo todo...por favor, não riam de mim! Deve ser vingança de todas as Marys incubadas que lêem a fic e me rogaram pragas... (brincadeirinha!!!!!!!!)
Bjos!
P.S: Mi, vc sabe que nas minhas fics nada é por acaso, certo?