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16. Café com Hooligans


Fic: O contrato - Cap 37


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Cap. XVI


 


 


Foi uma manhã estranha. Na verdade, foi uma manhã mais estranha do que já costumavam ser as manhãs daquela casa.


 


Desde que mudara para a casa principal, Hermione cultivava o hábito de fazer suas refeições na cozinha, separada de Harry e Lilian que o faziam na sala de jantar. Ela nunca se sentiu íntima o suficiente nem queria se expor ao ridículo para compartilhar um momento tão particular daquela gente que a via como uma oportunista suja.


 


E de fato lá estava novamente, a ponto de dar a primeira mordida em sua torrada coberta com geléia de morango, quando ouviu Harry e sua mãe discutindo no corredor:


 


_ Quantas vezes eu terei que te pedir que não faça isso? Se quer ter aventuras com essas mulheres mundanas, tenha! Mas não as convide para tomar o café da manhã na minha presença, isso ofende as tradições, ofende sua família e me ofende!


 


_ Mas o que você queria que eu fizesse? - questionou Harry – Desse um cartão de “volte sempre” e mandasse ela sair pelo portão dos empregados?


 


_ Não nego que seria muito mais apropriado.


 


_ Sinto muito mãe, mas isso eu não posso fazer. Me admiro que uma mulher como você seria capaz de uma grosseria dessas.


 


_ A única grosseria aqui é você dar uma ilusão para essa garota tola de que ela se encaixa nesse nosso mundo hostil ou que haja esperanças dela desenvolver algum tipo de relacionamento com você. A maior forma de boa-educação seria contar a verdade, avisá-la educadamente que ela não é a ocupante daquela cadeira por direito, e mandá-la em bora com um pedido de sinceras desculpas. Assim você não iria expor ninguém a essa situação desagradável.


 


_ Não existe nenhuma situação desagradável por aqui. A única coisa que existe é essa sua implicância com outras mulheres que entrem no seu território imaculado. Agora se você me der licença há uma mulher que está sozinha naquela sala à espera da minha companhia e eu preciso ir tomar meu café antes de ir trabalhar.


 


Hermione pode ouvir o eco dos passos de Harry se afastando. Mas somente os dele. Um silêncio se seguiu e ela tentava ouvir alguma coisa que Lilian pudesse ter falado. Mas nada.


 


Assustou-se e tentou fingir que não estivera escutando a conversa quando Lilian entrou pela porta da cozinha. Mas quando a mulher parou bem em sua frente e olhava diretamente para ela Hermione teve que lhe dar a devida atenção.


 


Ela ficou parada e calada em frente a Hermione como se estivesse pensando o que dizer. Enquanto isso Hermione estava calada e parada tentando adivinhar qual era sua intenção.


 


Finalmente Lilian se pronunciou, mas aparentava estar usando toda sua força de vontade para dizer aquilo:


 


_ Não gostaria de se junta à nós para o desjejum hoje, senhorita Granger?


 


_ O que?! - Hermione estava incrédula. Sua sogra nobre, refinada e que provavelmente nutria algum tipo de ódio declarado por ela, a estava convidado para se juntar a eles numa refeição? - Mas... porque isso hoje?


 


_ Por favor, não me faça dar explicações, só diga se aceita ou não.


 


Hermione estava achando aquilo muito estranho, não sabia se devia aceitar a proposta, mas a curiosidade sobre as intenções de Lilian foi maior e ela acabou por dizer que sim.


 


Seguiram para o lugar. No momento em que chegaram à sala o clima pareceu ficar mais tenso. Harry, que estava numa conversa alegre com sua convidada, ao ver sua mãe seguida por Hermione, contraiu o semblante e demostrou que aquela surpresa não o deixou muito feliz.


 


_ Já que hoje está um dia tão agradável para todos nós, chamei a senhorita Granger para partilhar essa refeição conosco, Harry querido – disse Lilian num sorriso de orgulho vingado.


 


Ao sentar-se ao lado da mulher Hermione finalmente entendeu o plano de Lilian: Harry havia a obrigado a ter que conviver com uma pessoa que ela definitivamente não gostava. Portanto, numa ação muito inteligente, devolveu na mesma moeda chamando Hermione para a mesa também. Ela percebeu que eles haviam brigado no dia anterior e estava usando isso a seu favor.


 


Hermione não sabia exatamente o que estava sentindo naquele momento. Ela ainda estava irritada com Harry por causa da discussão sem fundamento que tiveram no dia de ontem, mas ao mesmo tempo estava intrigada com a atitude dele ao levá-la para o quarto. Se ele ainda estava bravo com ela, vide seu comportamento naquele momento, porque ele a carregou no colo na noite anterior? Quer dizer, aquilo era muito estranho, pessoas furiosas não zelam por seus inimigos. Será que se ela estivesse acordada quando ele chegou teria agido de forma diferente?


 


Essas, entre outras perguntas, estavam às voltas na cabeça de Hermione assim como estiveram durante toda a madrugada. Mas pelo menos uma delas ela já havia conseguido responder sozinha. O porque dela ter reagido daquela forma ao ser tocada por ele: depois de muito pensar chegou a conclusão de que ela estava muito só, fazia tempo desde que ela recebera um gesto de afeto vindo de qualquer pessoa e aquilo que Harry fizera despertara lembranças do passado e da época em que vivia protegida, lembranças de seu pai, por isso, e somente por isso, acabou se sentindo daquele jeito.


 


O café prosseguiu.


 


Lilian parecia ter retomado toda a alegria pois havia botado Harry de “castigo” por sua malcriação e ele parecia muito arrependido de te-la obrigado a passar por aquilo - Dessa vez eu acho que ele entende - pensou ainda lamentando o talento que seu filho tinha para fazer escolhas erradas. Ela queria muito protege-lo de qualquer sofrimento que sua experiência de vida lhe ensinara que ele encontraria, mas ele nunca se contentava em permanecer debaixo de suas asas de mãe protetora. Sempre foi assim  - O traço mais marcante da genética Potteriana


 


Harry e Hermione estavam calados. Não produziam nenhum ruído mais significativo do que o de comida sendo triturada e chá sendo sorvido.


 


A acompanhante de Harry, coitada, sem perceber que o clima tinha se tornado mais pesado tentava ganhar simpatia puxando assunto:


 


_ Sabe, eu sempre sonhei em morar em uma casa como essa, grande, espaçosa. Deve ser muito boa para crianças, não é verdade, Harry? - perguntou, e recebendo um “huhum” em resposta se sentiu segura para continuar – É claro que eu mudaria algumas coisas... tinha que ter minha personalidade entende, er... por exemplo, acho que nesta sala eu tiraria essas cortinas imensas feitas com esse pano grosso, faria ela toda de vidro, isso, uma casa transparente, muito mais moderno.


 


Hermione podia jurar que estava vendo uma veia saltada na têmpora de Lilian.


 


Para a total surpresa de Harry e Hermione Lilian começou a conversar com a convidada:


 


_ Sério? O que mais a senhorita mudaria?


 


A mulher, crente que estava conseguindo algum avanço, se empolgou:


 


_ Acho que eu transformaria algum comodo em uma academia super equipada. Todo mundo precisa de uma academia nos dias de hoje, não é verdade? Ah! E também faria uma mini boite, sabe, uma coisa mais vip. É o máximo poder ter um espaço só pra isso dentro de casa, eu vi um lugar, vindo pra cá, que tem as dimensões perfeitas é uma sala com uma vista para o campo maravilhosa.


 


_ Acho que você está falando do salão de chá. Tem certeza que gostaria de transformar um lugar como aquele? Aquela tapeçaria tem 700 anos.


 


_ O que é tapeçaria mesmo?


 


Hermione foi obrigada a olhar para seu prato tamanha foi sua vontade de rir. Começou a pensar no holocausto, na bomba atômica, assassinatos em série... qualquer lembrança mórbida estava valendo para ajudá-la a se conter.


 


Lilian havia ficado tão estupefata com a pergunta da mulher que se esqueceu de responder. Percebendo que havia ficado num vácuo gigantesco ela tentou conversar com Hermione.


 


_ Er.. qual o seu nome mesmo?


 


_ Hermione Granger... Potter! ... WEASLEY! - Porque diabos eu tenho que ter tantos sobrenomes diferentes?  - pensou furiosa consigo mesma após se confundir e acabar falando mais do que devia.


 


_ Nossa, é um nome bem grande. Então... quer dizer que você é Potter também?


 


_ Er... já fui – disse tentando desesperadamente arranjar uma desculpa que fosse cabível para contornar aquela burrada.


 


_ Como assim “já foi”?


 


_ É... eu já fui casada com um Potter, mas já não sou mais.


 


_ Qual deles?


 


_ Um primo distante, você com certeza não conhece. - Hermione achou que estava se saindo bem.


 


_ Oh, que pena, se separaram então... na certa ele devia ser o oposto de Harry, não é?


 


_ Com certeza – disse começando a se empolgar – Impossível duas pessoas mais diferentes. Meu marido era muito amável, sempre perguntava minha opinião para decisões importantes, carinhoso ao extremo, adorava me fazer surpresas, era incondicionalmente fiel e seus pés cheiravam incrivelmente bem. - enquanto Hermione ia falando a expressão da mulher ia migrando de alegre para chocada em degradê. - E as jóias então! Era praticamente um tesouro novo por semana! Como era generoso... - disse num tom de lamentação extremamente fingido.


 


_ Porque se separaram então? - Perguntou a mulher numa expressão que misturava um profundo interesse e choque.


 


_ Ele morreu! - disse com tanta veemência que a outra afundou na cadeira. - Uma pena, homens como aquele só nascem de mil e mil anos... Dois em uma família seria impossível.


 


_ Mas vejo que você ainda usa a aliança.


 


_ Oh, isso? - disse olhando para a mão como se nunca a tivesse visto antes – Bem, eu me casei de novo. Não com outro Potter, é claro. Estou casada com Ronald Weasley. Apesar de ter sofrido muito com a perda de meu antigo marido estou muito feliz com o Ron, finalmente consegui realizar meu sonho de engravidar...


 


_ Oh... sério? Meus parabéns! Demorou muito para conseguir, foi?


 


_ Na verdade eu só consegui depois que me tornei uma senhora Weasley, sabe. Dizem as más línguas que por causa de uma aposta não paga rogaram uma maldição nessa geração dos Potter que causou um sério problema de esterilidade masculin...


 


_ Acho que já chega – disse Harry se levantando e jogando o guardanapo na mesa impaciente – Estou atrasado para ir trabalhar. Vamos, Lia?


 


_ Oh, er... é claro. Com licença senhora Potter e Weasley. Foi um prazer conhece-las.


 


_ O mesmo digo eu! - respondeu Hermione sorridente


 


_ Adeus então – e seguiram Harry e a tal Lia para a saída da casa. Ele parecia envolto numa aura negra de fúria e o casal demonstrava bem menos intimidade do que no começo daquela manhã.


 


Hermione não conseguiu conter um sorriso depois que os dois se retiraram - Droga, acho que hoje eu não vou ter carona para o trabalho... - pensou ainda admirada consigo mesma por aquela performance maquiavélica.


 


_ Devo admitir senhorita Granger... - Hermione ficou séria novamente. Havia se esquecido que ainda não estava só. Olhou para Lilian e ela estava... - ...você acabou de subir drasticamente no meu conceito. - ...sorrindo.


 


_ Bom, eu fui obrigada a fazer aquilo pra me reparar erro de ter dito todos os meus 3 sobrenomes.


 


_ Eu estava planejando alguma forma de distanciar essa outra garota vazia do meu filho mas você o fez de uma forma sutil e espantosamente eficaz. Mas não se esqueça – disse tomando um tom de severidade – Não é por causa de alguma atitude ou outra que você poderá se considerar como parte dessa família. Nunca se esqueça de quem você é, ou de porque está aqui.


 


E dizendo isso saiu, fina, elegante e inabalável, como se não tivesse acabado de acontecer nada fora do comum em seu cotidiano.


 


 


***


 


 


O dia transcorreu como ela havia previsto que seria desde o momento que acordara.


 


A briga do dia anterior causada pelo encontro com o Malfoy, a discussão com a mãe de manhã, a vergonha pela descrição que Hermione fizera dele e a ressaca da noitada anterior tinham deixado Harry nas profundezas abissais do mau humor.


 


Os papéis haviam se invertido. Se ontem era Hermione quem estava carrancuda e respondona hoje Harry o estava em dobro. Não falava nada diretamente com ela, o que dificultava muito seu trabalho, ignorava perguntas, fechava portas sem espera-la, essas e entre outras atitudes típicas de quem está muito irritado.


 


Ela tentou ignorar e dar um tempo a ele. Sabia que tinha uma parcela de culpa, mas essa parcela se restringia a parte de provavelmente ter espantado para sempre aquela moça da lista de mulheres de Harry. O encontro com Malfoy havia sido inteiramente casual, ele não tinha motivos para ficar tão ríspido com ela sendo que ela não sabia de quem se tratava e, portanto, era completamente inocente. Aliás... inocente de quê? Desde quando conversar com pessoas acarretava culpa de algum crime?


 


Também sentia vontade de agir assim com ele, mas o enigma de porque ele a carregara no colo a atordoava e impedia de sentir raiva, por assim dizer. Por que ele fez aquilo?


 


Hermione pensava tudo isso enquanto estava sentada num banco gelado do metrô londrino a caminho de casa. Harry também não lhe deu mais carona.


 


Àquela hora da noite já não tinha mais tanto movimento, principalmente para a direção que ela estava indo. Estava sozinha no vagão quando entrou uma mulher com uma criança que tinha por volta dos 4 anos. Chamaram sua atenção.


 


Era uma mulher negra de meia idade e que trazia a expressão cansada de quem havia trabalhado duro durante todo o dia e que estava louca por um descanso. A criança, um menino, levava nas costas uma mochilinha ilustrada com a figura de um personagem infantil. Ao que parecia a mulher era a mãe dele e o mesmo ainda se encontrava cheio de energia depois da escola  e louco pra brincar e matar as saudades da mãe. Ficava batendo as palminhas nas pernas da mulher tentando chamar sua atenção e a mesma ignorava, entregue ao cansaço.


 


_ Mãe! Mãe! Mãe! - falava repetidamente o menino enquanto batia as mãos nas pernas dela. A mulher parecia estar se irritando.


 


_ William! Pare com isso! Meus pés estão muito doloridos, deixa a mamãe descansar um pouco, deixa.


 


Mas Willian continuou até que a mulher se irritou de verdade.


 


_ William! PÁRA! Eu vou ficar brava com você! - disse ela ferozmente.


 


O menino sucumbiu à vontade da mãe e se sentou silencioso ao lado dela com os pés balançando na cadeira grande demais para suas pernas infantes. Estava muito quieto e parecia magoado com a rejeição que acabara de sofrer, desolado, mexia nos cordões da bermuda. A mãe se compadeceu da criança e acabou por abraça-lo.


 


_ Você sabe que eu te amo não sabe? - perguntou ela, o menino respondeu com um aceno entusiasmado de cabeça – então vem cá me dar um abraço! - e o puxou para o seu colo de forma que ali ficaram na mesma posição até que ambos acabaram por ceder ao sono.


 


Aquela cena mexeu com Hermione. Pela primeira vez desde que começara aquela novela em sua vida ela parou para pensar e se deu conta de que seria mãe. Isso mesmo... mãe... naquele momento havia uma pessoinha se desenvolvendo dentro dela e que não tinha culpa nenhuma por qualquer coisa ridícula que acontece no mundo exterior entre as pessoas adultas e que acham que têm o poder de controlar algo. Alguém que estaria eternamente ligado a ela e, pelo menos pelos próximos anos, totalmente dependente.


 


Um sentimento estranho tomou conta dela. Ao mesmo tempo em que se sentia angustiada por não saber se conseguiria cumprir bem seu papel de protetora se sentia também um nervosismo, uma ansiedade por algo que ela não sabia o que era.


 


O trem parou mais uma vez e novamente a porta se abriu e por ela entrou um casal jovem. O homem entrou primeiro e vinha de mãos dadas com a mulher que, por uma inusitada ironia do destino, estava grávida e exibia uma bela barriga de no mínimo 7 meses de gestação.


 


Só pode ser conspiração, primeiro uma mãe com seu filho e agora um casal apaixonado. Parece até que tem alguém querendo acabar comigo hoje... - pensou Hermione deprimida.


 


Os dois começaram a conversar e, devido à falta de ocupantes e o silêncio que pairava naquele vagão, ouvir todo o diálogo foi inevitável.


 


_ Sente-se querida – disse o homem já sentado numa das cadeiras e indicando outra vazia que estava do seu lado.


 


_ Acho que vou ficar em pé mesmo, acabei de passar muito tempo sentada, vai ser bom pras minhas pernas.


 


O homem deu de ombros e lançou um olhar afetuoso para o colo distendido da esposa antes de dar-lhe um beijo.


 


_ Quando será que nós veremos nossa garotinha hein?


 


_ Ainda vai demorar alguns meses papai apressado – disse sorrindo e afagando-lhe os cabelos enquanto o homem pousava a mão em cima da barriga dela com a expressão mais abobada da face da terra.


 


_ O médico disse que o dia pode adiantar até duas semanas da previsão – disse a mulher finalmente sentando-se ao lado dele.


 


_ Eu te amo – disse ele após beijar a testa dela e acolhe-la num abraço


 


Hermione estava se sentindo a escória da humanidade. Agradeceu aos deuses por ter chegado logo à sua estação e ter a oportunidade de sair da presença daquela gente que irradiava a felicidade que ela não podia usufruir.


 


Primeiro a desconhecida com o menino que a fizeram se dar conta de algo tão importante, mas que até então havia passado desapercebido: sua nova função de mãe, agora ela era mais uma a cumprir o papel que a natureza reserva a todas do seu sexo, a maldição de Eva. A dádiva de Eva. O poder de gerar uma nova vida e o dever de cuidar, educar e preparar aquele ser que inconscientemente, e agora ciente disso, já amava e sempre amaria independente de qualquer intemperismo da vida.


 


E o casal causara nela um transtorno dolorido. Ao vê-los teve a torturante noção do quão só ela estava naquela jornada. Diferente daqueles dois que provavelmente tinham uma família numerosa e, principalmente, tinham um ao outro ela só tinha a si mesma e ao filho que ainda iria chegar mas que por um bom tempo ainda seria incapaz de representar o tipo de apoio que ela precisaria. E pra piorar sabia que estava entre pessoas que não gostavam dela num país onde estavam todas suas raízes mas nenhum de seus laços. Seus pais estavam mortos, não tinha amigos, e o pai de seu filho não via a hora de livrar-se dela.


 


Foi nessa onda depressiva que Hermione vencia à pé a distância entre a estação do bairro e a casa dos Potter. Isso mesmo, casa dos Potter, porque aquele só era o lugar onde ela dormia, não se sentia capaz de dizer que era seu lar nem de chamar de minha casa.


 


O caminho estava tomado pela escuridão e Hermione perdida em pensamentos não percebeu a movimentação anormal. Numa rua transversal à que ela seguia naquele momento vinham um grupo de pessoas que faziam um barulho esquisito.


 


Foram chegando perto.


 


Devido a diminuição da distância Hermione finalmente notou a presença deles. Conseguiu distinguir que se tratava de um grupo de homens baderneiros que destruíam as coisas em seu caminho.


 


Ela apertou o passo, mas eles eram mais rápidos e acabaram se aproximando numa velocidade maior do que ela conseguia andar.


 


Um calafrio de pavor percorreu-lhe a espinha, eram hooligans. Um tipo de trocida organizada e extremamente violenta que causava muitos transtornos na Inglaterra. Hermione se lembrou que naquele dia havia tido um jogo importante entre Manchester e Liverpool eles provavelmente estavam bêbados e moravam por ali. O que era um péssimo sinal, pois aquele era um bairro nobre tradicionalmente elitista, pela idade dos rapazes mal tinham acabado de sair da adolescência e hooligans jovens, ricos, inconseqüentes e dentro da própria área não costumam respeitar transeuntes noturnos.


 


Pressentindo o perigo ela apertou tanto o passo que praticamente corria. Mas era tarde demais, eles a viram.


 


_ Ora, ora! O que nós temos aqui! - gritou um deles. Hermione não sabia se parava ou se corria, resolveu manter o passo apressado mas eles a cercaram na calçada. Todos tinham as cabeças rapadas e vestiam uniformes de um mesmo time, alguns traziam tacos e pés-de-cabra nas mãos.


 


_ Uma princesinha como você não deveria andar na rua sozinha na calada da noite, devia JD? - disse aquele que a havia visto primeiro perguntando para o mais alto e troncudo deles que parecia ser o líder


 


_ É claro que não... mas opa! O que eu estou vendo? Nossa princesinha está grávida ou foi só excesso de comida?


 


_ Acho que não foi comida demais não JD... se tivesse sido ela deveria ser gorda, mas ela é gostosa. Acho que alguém deu um trato bem dado nela, isso sim – disse um terceiro que arrancou gargalhadas do grupo. Hermione estava calada e arfava, sentia a adrenalina disparando a baixa temperatura fazia com que se formasse uma nuvem branca cada vez que ela expirava.


 


_ Então está aí mais um mistério. O que uma belezinha dessas, grávida, faz andando por  essas ruas a essa hora? - continuou JD


 


_ Acho que ela não deve ser daqui. Quem andaria por essas bandas a noite e sem carro?


 


_ Deve ser pobre então


 


_ Ou imigrante


 


_ Ou pobre e imigrante – novamente todos riram


 


_ Então porque a gente não faz o seguinte – se pronunciou JD mais uma vez – vamos fazer um favor a ela. A gente dá uns tapinhas nessa barriga, livra ela de alguns problemas futuros e ainda poupa o mundo de mais um desgraçado. - para o horror de Hermione todos concordaram e começaram a se aproximar dela de todas as direções, não deixando brechas para ela poder fugir. JD pegou no seu cotovelo e deu um puxão. Ela já estava sentindo o gosto da dor quando algo inesperado aconteceu.


 


Um barulho de carro acelerando depressa chamou a atenção dos rapazes. Hermione sentiu a luz dos faróis vindo em sua direção e se virou. Será que ia ser espancada e atropelada em uma noite só? Cega pela claridade do farol não conseguiu distinguir que carro era, só percebeu que ele havia avançado contra o grupo o que causou uma dispersão que ela enxergou como a oportunidade perfeita para fugir.


 


Empurrou um cara que tinha praticamente o dobro do seu tamanho com todas as suas forças e correu desembestada feito uma louca. Percebeu que eles começaram a persegui-la e correu mais ainda. - Droga, eles vão me alcançar! - pensou infeliz, achando que ia morrer e, pior, que a vida de seu protegido estava em perigo quando novamente ouviu o barulho de motor.


 


O carro acelerava e vinha pra cima dela. Ela continuava correndo. Ouviu um clique de porta sendo aberta e em seguida sentiu um puxão em volta de sua cintura e já não conseguia ver mais nada.


 


Estava dentro do carro com os olhos cerrados de pânico e as mãos protegendo o rosto.


 


_ Hermione, você está bem?


 


Ao ouvir seu nome abriu os olhos para se deparar com um olhar acizentado que ela já havia visto uma vez.


 


 


 


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N/A: Desculpem a demora pessoal! Eu tive uma certa dificuldade pra escrever esse capítulo, mas permitam-me explicar porquê.


 


Não sei se já disse em alguma N/A, mas eu não tenho essa fic completamente pronta na cabeça. Tenho a trama principal idealizada, especialmente começo e final (na verdade essa fic "nasceu" de trás pra frente e existe em função de um único capítulo que, no futuro, direi qual é), os pormenores, que são o "recheio" da história, se posso chamar assim, eu invento no momento em que estou escrevendo e sempre que termino um cap mando crua pra vocês, sem betagem nem nada .


 


É aí que começa a minha dificuldade. Como parte do enredo é feita praticamente de improviso surgem milhões de possibilidade de furos. E como nós chegamos numa parte delicada da história (lê-se parte que eu ainda não montei direito) eu tenho o dobro de cuidado pra nenhuma idéia minha acabe em uma ponta solta e sem conclusão no fim da fic.


 


Bom, acho melhor eu parar por aqui porque eu acho que N/A's longas demais são uma poluição desnecessária pra uma fanfic. E se servir de consolo, não sei se vocês perceberam, mas esse cap tem o dobro de páginas do que eu faço normalmente, portanto, capítulo duplo! =]


 


Acho que é isso... não se esqueçam dos comentários e nem de votar na fic! Beijos e até o 17!


 


N/A 2: Me esqueci de uma coisa..... Uhuuuuuul! 200 leitores! =] ..... ;]


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