CAPITULO 60
Sem importância
Gina tinha a luz do abajur ligada e isso permitia que pudesse ver sua filha, adormecida dentro do berço. Era um anjinho, deitadinha de lado pois havia mamado a pouco tempo, Felicity ressonava em paz, sem saber o quão triste sua mãe estava.
Sentindo o peso do mundo nos ombros, ela limpou a face das lágrimas e olhou para Harry quando ele entrou no quarto, encostando a porta.
-Gina, seu irmão e suas sobrinhas estão aqui –ele sentou-se na cama, acariciando seus cabelos e beijando sua testa – As meninas querem conhecer a priminha.
Gina não respondeu nada e Harry sentiu o coração apertado. Havia tido seu momento de choque quando o medibruxo contara a verdade, mas depois de um período de turbulência, ele aceitara o fato e entendera que não mudava em nada com sentia-se sobre a menina. Mas para a mãe deveria ser mais difícil.
-Ginny, isso não importa, meu amor – disse novamente – Felicity é sua filha e é uma criança linda e meiga. Será uma mulher muito feliz independente de qualquer coisa.
-O mundo é tão cruel, Harry... – ela sentiu as lágrimas correrem novamente, sentindo aquela dor que era quase física – o mundo maltrata tanto aqueles que são diferentes. Não posso pensar na minha filha sofrendo, Harry, não posso permitir que ela sofra!
-Felicity vai sofrer, Ginervra. Sabe disso, e sabe também, que de uma forma ou de outra, todos nós sofremos um dia. E pode ter certeza, que não é privando-a de ser uma menina que tem uma vida normal, que vai ajudá-la.
Gina virou-se na cama, tirando os olhos da filha e olhando para ele. Seu tom enérgico a fez olhar sem entender.
-Felicity ser feliz depende da forma como ela for criada. E das escolhas que ela fizer a partir disso. Por isso é importante que dentro de sua casa, as pessoas saibam entender e aceita-la. Não é vendo sua mãe chorar, ou ficar trancada em um quarto escuro, que vai ajudá-la!
-Mas Harry, sinto uma dor tão grande por ela!
-Eu também sinto. Posso não ser seu pai biológico, mas sinto do mesmo modo que você, só com o agravante de vê-la sofrer junto com Felicity – ele tentou fazê-la entender – mas tem muitas coisas que precisamos fazer, Gina. Especialistas a procurar. Temos que nos informar como agir com ela, como entendê-la. Ginervra, você tem que contar para sua família, eles precisam saber e precisam entender o mesmo, como agir com Felicity.
-Estou com medo, Harry, medo de ser uma péssima mãe! – cobriu o rosto com as mãos.
-Impossível, Gina. Péssimas mães não sofrem por seus filhos - ele acalmou-a num abraço apertado.
Deixou-a ficar em seus braços todo o tempo que achou necessário e quando ela se afastou ele soube que a Ginervra forte de sempre estava de volta.
-Vou trocar de roupa e já vamos para a sala; - ela visou, notando que Felicity havia acordado e se torcia no berço.
-Pode deixar, eu troco a frauda – Harry ofereceu, empurrando-a para o banheiro.
Gina beijou-o agradecida e foi se cuidar enquanto Harry apanhava a menina no berço com uma pratica de uma semana cuidando de mãe e filha.
-Hum, está ansiosa para conhecer suas priminhas, Felicity? – ele perguntou enquanto brincava com ela e trocava suas fraudas sujas. A pequena tinha o olhar atento nele e Harry sorriu, sentindo um grande sentimento de proteção por ela. Era tão pequenina e frágil, tão sensível. Dava meda pensar que poderia ser ferida por quem quer que fosse.
Terminado o trabalho com as fraudas, ele apanhou-a no colo, embalando-a enquanto Gina saia do lavabo, penteada e arrumada.
Ele não a viu de imediato, brincando com Felicity e não viu a grande emoção que passava na face de Gina vendo-os tão juntos e apaixonados um pelo outro. Havia muito amor ali. Tanto de Harry para Felicity, quanto dela para Harry.
-Cuidado para segura-la direitinho – Rony alertou Hermy, que estava sentada no sofá entre milhares de almofadas ansiosa para receber o bebê no colo. – Assim, com carinho. – Rony ajeitou Felicity nos braços da filha que estava encantada com a menina.
Sara não parava de fazer carinhos na neném e falar com ela.
Rony abraçou a irmã pelos ombros, sentido por ela, mas feliz por não estar sozinha, tendo Harry para ajudá-la a vencer aquele momento. Seria horrível passar por tudo isso sem um companheiro, alguém que pudesse lhe dar um apoio maior que a família poderia.
-Ela é lindinha, pai! – Sara disse empolgada.
-Sim, ela é – Gina disse sentando-se do outro lado, olhando para as sobrinhas com um aperto na garganta – Queridas, Felicity vai precisar muito que sejam pacientes com ela e a amem muito. Ela...ela é especial – começou a explicar, e as duas olhavam para ela atentamente – Não é diferente, ou estranha, apenas não é igual.
-Como assim, Tia? – Hermy olhou dela para o bebê em seu colo.
-Daqui a um tempo vai ser diferente brincar com ela – tentou falar de uma forma menos específica – Felicity vai entendê-las, mas não vai poder se expressar da mesma forma que vocês duas fazem. Ela...ela pode ouvi-las, mas não pode responder.
-Ela é muda, tia?
A pergunta direta e crua de Hermy a fez arfar. Não importava quantas palavras usasse, tudo se resumia aceitação.
-Sim, Hermy. Felicity é muda.
AUTORA: Espero ter compensado a demora. Bjs!