CAPITULO 58
Arrumando as malas
-São apenas dois dias – ela tornou a falar, enquanto dobrava algumas roupas na mala.
De pé, na porta do quarto, Rony concordou com a cabeça olhando para ela contrariado. Não era segredo para ninguém que não queria que fosse. Fazendo de conta que não percebia sua expressão fechada, fechou seu malão e olhou para ele finalmente.
-Não é muita coisa para apenas dois dias? – ele estava definitivamente irritado.
-A maior parte são livros – defende-se – Vou precisar de alguma leitura para fazer as perguntas certas e saber conduzir a entrevista e pretendo estruturar a primeira matéria da minha coluna lá mesmo, na presença da fonte! – sorriu empolgada.
-E vai deixar Gina sozinha aqui com o bebê?
Era infantilidade, ele sabia. Merlin, o que fora essa frase? Hermione ergueu a sobrancelha como se estivesse em duvida se ele merecia ou não uma resposta para essa criancice.
-Para seu governo, Gina saiu da casa dos pais porque achou que estava bem o suficiente para recomeçar sua vida. Eram seus planos desde o começo! Felicity esta com quase uma semana e as duas estão indo muito bem juntas! Gina é uma mãe natralmente talentosa! E você acha mesmo que Harry vai deixá-la sozinha? É claro que não! Ele praticamente está morando no sofá da sala!
Hermione estava tentando a todo custo dar um ar natural e desconversar Rony. Não queria que aquele ataque de ciúmes dele acabasse resultando em uma briga feia.
-Por acaso disse a ele que não está a fim? – ele perguntou finalmente!
Hermione esperava por essa pergunta a bastante tempo.
-Rony, agradeci as margaridas, agradeci a atenção, mas deixei claro que não vou me envolver com homem algum no momento.
-Mas não disse que não ficaria com ele – acusou, emburrado.
-E pra que deveria magoar uma pessoa que está sendo tão gentil comigo? – ela desafiou.
-Quer saber, faz o que quiser, Hermione – ele deu de ombros.
-Oh, não, Rony, eu não quero viajar de mal com você! – ela lamentou - É o meu trabalho agora! Estou feliz com ele! E isso não inclui trocar de namorado!
-Esse cara vai ficar dando em cima de você – ele concluiu e Hermione se aproximou tocando seus braços que estavam fortemente cruzados.
-É, ele vai fazer isso. E qual o problema se não estou a fim? – perguntou querendo entende-lo.
-Não sei...ele está disponível. – deixou escapar.
Então era isso, pensou.
-E por mim, continuará assim – ela respondeu tentando não sorrir e parecer que ria dele – Rony, eu entrei em uma enrascada ao seu lado, esperando que tenhamos uma chance. Sendo assim, ninguém pode me conquistar, porque já estou conquistada.
Dando o braço a torcer, ele descruzou os braços e abraçou-a com força. Eles trocaram um beijo doce, e ela riu quando ele desceu para seu pescoço como se quisesse dobrá-la e convencê-la a uma rapidinha que sabiam que não aconteceria ali, muito menos agora. Estavam rindo, quando Gina apareceu no corredor, embalando Felicity.
Ela tinha o rosto aflito. Muito aflito.
-Harry não chegou ainda – ela disse com a voz insegura.
-Coitado do Harry, deixe-o dormir um pouco – Rony brincou – Até os escravos tem direito a tomar um pouco de sol e dormir algumas horas por dia...
-Rony, isso é serio! Ele...ficou de me levar ao médico – ela disse com voz baixa.
-Gina, não disse que tinha consulta com Madame Albertina. Teria adiado a viagem! – Hermione disse, fazendo carinhos na afiliada.
O batizado seria no domingo, e estaria de volta a tempo.
-Não é uma consulta com Madame Albertina – ela disse tensa – Vou levar Felicity em um especialista...
-Porque? – Rony perguntou estranhando, e preocupado.
-Quantos bebês você conhece Rony, que não choram? Nem uma única vez em uma semana! – finalmente havia medo em sua volta – Cansei de dizer a mim mesma que está tudo bem, porque não está! – sua voz subiu um tom e ela conteve o nervoso, oferecendo Felicity para os braços de Hermione.
-Achei que Felicity fosse quietinha... – Hermione disse olhando para a afilhada com carinho. Ela estava acordada e olhava com olhos claros, como os da mãe, atenta e tão bonitinha que a fazia sempre sorrir como uma boba.
-Pode ser apenas isso, mas tenho que ter a certeza! – Gina passou a mão em seus cabelos, nervosa – Não houve um resmungo, um chorinho...nada!
-Lembro que Hermy era muito quieta, mas tinha horas que chorava, como qualquer bebê – Rony disse - Faz bem levá-la ao medico. Pode ser algo que precise de tratamento.
-Eu não sabia, Rony. Não me contaram que era assim – ela disse emocionada – Que era um medo tão grande pensar que ela possa estar doente. Eu... – Ela fechou os olhos com força e Rony abraçou-a.
-Felicity é saudável, Gina – consolou-a – Não fique tão preocupada.
-Como não ficar preocupada? Ela é minha vida.
Rony achou melhor não insistir pois ela tinha toda razão em sentir medo. Os filhos são a maior dádiva da vida, mas também são a maior fonte de medos e preocupações.
O som da porta da frente abrindo fez Gina correr para a sala, imaginando que era Harry.Hermione olhou para Rony e sorriu. Felicity estava entre eles, mas quase podiam fingir que o mundo havia parado, e só existiam os dos em outra vida, em outro momento, onde já fossem um casal e aquele bebê fosse dos dois, e não de Gina.
Mas era apenas uma fantasia. Os dois voltaram a realidade ouvindo as vozes de Gina e Harry.
O mundo real os chamava.