Dizer que Lilly Potter tem a língua grande e a lábia suficiente para conseguir tudo o que queria não era exageiro, ela afinal tinha conseguido depois de uma árdua batalha de palavras e expressões com minha mãe que eu pudesse passar os últimos dias de férias em sua casa alegando que eu precisava de companhia e que um termino de namoro era uma situação muito delicada para uma adolescente e que só ela e a mãe dela sabiam disso – já que a minha mãe quando finalmente se atracou com o meu pai não largou nunca mais.
Além disso, ela tinha finalmente me convencido de ir à maldita festa, e lá estávamos nós...
Havíamos chegado graças a uma chave de portal a velha e familiar estradinha reta que dava para o enorme e oponente portão da Mansão, de ferro forjado com as grades em formatos circulares que me lembravam serpentes disfarçadas, então as grades se moviam formando um rosto assustador – eu nunca conseguira me acostumar àquele portão maldito – que diferente do habitual, não perguntou o que desejávamos.
- Bem vindas senhoritas, o Sr. Malfoy as espera na Sala de Estar.
- Que portão indecente, nunca vou me acostumar a isso! – Lilly resmungou rabugenta – É a única coisa que me incomoda nesse lugar.
- AHH, isso é porque ainda não conhece Whitie. – resmunguei olhando de esgueira para os lados enquanto seguia o caminho estreito cercado de pedras douradas e sebes em volta, procurando uma sombra branca entre elas.
- Whitie quem? – Lilly perguntou curiosa, foi então que aconteceu.
Whitie veio em minha direção correndo feito uma galinha, eu pude o ver de longe, estava perto do lago escuro do outro lado dos jardins imensos, eu sabia que quando ele corria, era pra ter impulso para voar, e seu vôo era extremamente barulhento, Lilly virou sua cabeça vermelha procurando o motivo do barulho engraçado, quando Whitie começou a grasnar, ele era bom em reconhecer pessoas, e por alguma razão ele me reconhecia...
- O QUE É...?
E então o grito. Aquele grito irritante e estridente de medo que ela dava quando se assustava, suas mãos me puxavam para perto dela, me apertando, gritando e tentando se esconder atrás de mim.
- QUE DIABOS É ESSA COISA?
- Esse, é o Whitie. – respondi tentando segurar o riso – O pavão albino dos Malfoy.
- Que graça eles veem em coisas albinas? Pelo amor de Merlim alguém tira esse bicho horrendo da minha frente! – ela berrava dando pulinhos a medida que Whitie se aproximava abrindo sua calda sem cor para nós.
- Vamos lá Whitie, volte para o seu canto e pare de atormentar a Lills... – eu pedi me abaixando para olhar o bicho, estendi a mão e dei dois tapinhas delicados em sua cabeça o fazendo se afastar para o lado – Bom garoto!
- Você acha que isso é um cachorro ou é impressão minha? – sua face estava pálida, ela parecia horrorizada com toda a situação.
- Eu não acho que seja um cachorro, pare de ser fresca, você queria tanto vir a festa, e devia estar esperando pelo menos coisas bizarras quando topou vir aqui.
- Eu duvido que a sua primeira reação ao topar com essa coisa não foi essa!
- Não, não foi. Eu e Whitie fomos apresentados devidamente. – dei uns tapinhas no ombro dela enquanto caminhávamos. – E não venha com essa cara irritante para mim, Whitie apesar de ser um tantinho bizarro é um animal muito bonito.
- Claro, obviamente, principalmente quando parece um fantasma no meio das Sebes. Como se essa casa não fosse assustadora o suficiente.
- Eu pensei que você adorasse esse lugar... – provoquei.
- Até conhecer esse...
- Whitie, o pavão. Por favor, não tente me deixar mais nervosa do que eu já estou!
Mostrei a ela minha mão, estava gélida como a de um cadáver, tremia tanto que eu não seria capaz de segurar um copo sem que ele se espatifasse no chão, e era incontrolável, quanto mais nos aproximávamos da porta, mais eu ficava nervosa, mais eu tremia, e mais vermelha eu ficava. Eu ainda não havia parado para raciocínar como entraríamos – e se a porta estivesse trancada? E foi assim que procurava resposta para essa pergunta que a porta se abriu sozinha, dando espaço à uma garota de pele alva, cabelos castanho claros em cachos desalinhados, um vestido apertadinho, colado no corpo, listrado de preto e branco, um sapato scarpin alto e de salto finíssimo e aquele sorriso desdém no rosto – minha prima Dominique era tão sonserina quanto era deslumbrante.
- Bienvenue à notre parti cher! – então nos abraçou dando beijos nos dois lados de nossas bochechas, eu odiava quando ela falava francês. – Eu realmente pensei que não viria Ros...
- E você realmente pensou que eu iria deixá-la perder essa festa? – Lilly cutucou Nique com a ponta dos dedos – Onde estão nossos garotos bonitos?
- O seu está na minha casa Lilly Potter, se quer namorar o meu irmão entre na linha! – dei um cutucão em Lills.
- Na verdade Ros, seu irmão está ali, logo ali na frente. A última vez que eu o vi estava tomando alguns copos cheios de Firewhiskey, e Claire Finnegan estava de papo com ele, Lills.
- Então acho que essa é a minha hora de dizer tchau! – ela gritou indo correndo na direção que Dominique apontou.
- Ciúmes é genético e não me afetou!
- Cabelo vermelho é ordem na família, e eu não tenho, não sinta-se desigual, Nique... – sorri dando tapinhas no ombro dela.
- Ah é, somos as ovelhas negras da família, esqueci completamente... Sonserina, e adoradora de Sonserinos... Acho que deveriam criar uma nova classe de bruxos, traídores de suas casas, você se encaixaria perfeitamente prima!
- Ou não. – mordi o lábio ao ver que Scorpius estava descendo a escadaria, com um sorriso escancarado no rosto.
Parecia estar se divertindo como nunca, seu cabelo estava um tanto mais bagunçado do que o habitual, ele coçava a nuca enquanto descia os degraus os pulando, de dois em dois... Sua blusa vermelha estava um tanto amassada, e ele acenava com a mão livre para alguns companheiros de casa que gritavam coisas que eu preferia não entender, Nique continuava tagarelando em minha cabeça coisas que eu não consigo me lembrar, porque a única coisa que manteve minha mente presa foi o fato de ver Leslie Nott descendo as escadas logo atrás dele, alguns metros. Seu sorriso parecia estar atropelando as orelhas, ela vinha abotoando os botões de cima de sua blusa preta, sua saia estava torta, uma de suas meias ¾ estava nas canelas enquanto a outra estava em sua altura normal, seu cabelo estava solto, e ela parecia tão bêbada...
Scorpius continuou descendo a escada aos pulos, indo em direção aos amigos, batendo em suas mãos e sorrindo como se tirasse vantagem de alguma coisa – e eu já tinha uma vaga idéia do que fosse – enquanto Leslie se direcionou para o lado oposto, onde eu estava. Seu sorriso satisfeito se curvou um pouco para o lado quando ela passou por mim.
- Foi uma das melhores noites da minha vida – ela sussurrou – E você realmente achava que ele gostava de você não é mesmo?
- Não seja absurda Leslie! – Nique berrou com ela dando um tapa no topo de sua cabeça – Deixe minha prima em paz, qual é o seu problema?
- Nenhum... – ela respondeu acenando – Vá em frente Weasley, pegue os meus restos...
Abri a boca para responder, porém Dominique colou sua mão em minha boca, segurando firme para que eu não disesse nenhum absurdo, ou sequer cedesse às provocações dela, a verdade é que eu queria chamá-la de prostituta barata, sem vergonha, safada e qualquer outra palavra relacionada que viesse a minha mente, e eu só fazia isso para reprimir minha vontade de enfiar a mão em sua cara de hipogrifo!
- Ei, ei o que está acontecendo aqui? – Hugo perguntou puxando a mão de Nique dos meus lábios, eu me joguei nele o abraçando forte.
Hugo era insuportável, mas ainda sim era o meu melhor amigo. Apesar de seus conselhos imundos, eu ainda não conseguia evitar em situações extremas de abraçá-lo e me sentir uma criancinha indefesa sendo defendida pelo irmão mais velho, mesmo sendo ao contrário. O tamanho exagerado de Hugo - e isso incluia seus braços enormes que faziam uma volta em torno do meu corpo carinhosamente - me fazia sentir protegida.
- O que aconteceu? – agora ele perguntou para Dominique, seus olhos azuis a encaravam. – Porque ela ficou assim?
- Você conhece a Leslie, ela disse algumas coisas desagradáveis e ai está Rose cedendo à sua pressão. – ela respondeu pedindo ajuda com os olhos para Lilly.
- O que exatamente ela disse? – Lilly perguntou com a mão no ombro do namorado.
- Que teve a melhor noite da sua vida, e enfim, o resto eu não preciso dizer, preciso? – minha voz saiu em um fiapo. – Olhe só pra ele! Como está amassado, e ela desceu as escadas abotoando a blusa, o que vocês esperavam que eu viesse fazer aqui?
- Não estou tomando partidos, mas existem dezenas de quartos ali em cima, e mais outra dezenas de banheiros, como a senhorita sabe. Scorpius ainda não tinha descido, eu estava recebendo os convidados pra ele, e Leslie subiu com Jason Avery assim que chegou.
- Pare de defender ele por favor Dominique? – reclamei com as mãos na cintura.
- Porque ele te chamaria aqui se fosse pegar a Leslie, por favor, alguém me explica? – Lilly tomou partido de Dominique – Não seja ridícula Ros, levante sua cabeça, dance e espere que ele venha até você. Mostre a Leslie quem é que manda no Escorpião Albino.
- Ah, me apresente a pessoa e eu ficarei completamente satisfeita! – retruquei cruzando os braços.
- Então Leslie insinuou que estava transando com Malfoy? – Hugo finalmente se pronunciou – E vocês ainda querem que a minha irmã fique com esse cara?
- HUGO! Não seja ridículo! Scorpius nunca quis nada com Leslie, não é possível que...
- Por acaso esse cara tem mel? Vocês ficam aí pagando pau pra ele e o defendendo quando ele faz coisas que não são tão legais quanto vocês imaginam e...
- Não seja superprotetor Guinho – Nique deu uns tapinhas no ombro dele – Malfoy e eu nos conhecemos desde que nascemos, ele passou o dia me perguntando se Ros viria aqui, do jeito esquisito dele, mas ele estava ansioso, porque ele estragaria tudo?
- PORQUE É UM IMBECIL, POR ISSO?
Eu não queria mais discutir se Scorpius Malfoy era ou não um safado sem vergonha, eu estava focando toda a minha atenção na música que começava, estendi a mão para pegar um Firewhiskey em uma das bandejas flutuantes, fui até o meio da sala e deixei que a música me levasse. Eu não me importava se as pessoas que dançavam ali eram conhecidas ou não, Sonserinas ou não, amigas ou não. Eu só queria dançar, quem sabe assim eu iria desviar minha atenção? Uma festa afinal de contas não era feita só para se pegar a pessoa que tinha interesse, claro que não, uma festa antes de tudo era sinônimo de diversão e onde estava a minha? Eu não ia perdê-la em uma discussão famíliar com o tema “O nós achamos melhor para Rose Weasley”, não mesmo.
“Shake your tambourine go and get yourself a whistlin'… E.V.E. come through in da Mazarati, doin it big like I live in da Taj Mahal, talk shit, and I don't get in that bla that bla ha, that’s why they love me, ahh… That’s real, when that chick that they talk about, goddamn is that words that come out their mouth. She look good always, without a doubt, ask for her, she back and cakin’ out.”
Eu dançava no ritmo da música, o corpo mexendo pra lá e pra cá, indo e voltando para os lados, levando uma das mãos aos cabelos enquanto dançava, tendo os olhos fechados, as pessoas dançavam junto em volta, se divertindo tanto quanto eu. Dançando eu não me sentia mais vulnerável, eu não me sentia pequena. Dançando eu era igual, senão pior que todos eles, minha mão descia deslizando em meu rosto, passando pelo pescoço, ombros, enquanto eu dançava, mordendo um dos lábios. Meus olhos permaneciam fechados, eu preferia não perceber a expressão das pessoas ao verem que Rose Weasley não era assim tão previsível quanto as pessoas imaginavam.
”Shake your tambourine go and get yourself a whistlin'… So they be watchin’ while we wiggle around, look at them droolin, any girls ain’t used to this sound, I keep ‘em movin’, all my ladies put ya hands in the air, it's all right now we gonna keep you on your feet the whole night now. Pop them bottles, yeah drink that up man! Got you feelin’ crazy yeah that was the plan. Waitin’ for me wasn't ready for this, he got the game sewn up, know I'm talkin’ bout Swizz. Yeah I know you wanna fight it but why would you try? We got them shakin’ everything from that hood to Dubai, yeah we do it big man why would we lie?”
Abri os olhos, finalmente, para perceber que vários garotos estavam dançando um tanto mais próximos, alguns haviam se apoximado, olhando dos cantos, enquanto algumas garotas também se aproximaram dançando de forma parecida com a minha, algumas sorriam, algumas me encaravam, e eu continuava mexendo o corpo no ritmo, rebolando até embaixo e subindo com um sorriso no rosto, girava em minha própria órbita deslizando a mão pelo corpo, Lilly e Nique batiam palmas no ritmo da música de onde estavam, Hugo me olhava como se estivesse vendo o próprio Voldemort ressurgir das cinzas, eu pude ver próxima a eles Leslie me olhar indignada e cochichar com algumas amigas, eu continuava sorrindo e dançando, o mais sexy que eu descobria ser capaz.
”Shake your tambourine go and get yourself a whistlin'… Get low, get low then pick up, pick up. Get your hands in the air it's a stick-up, stick-up. Shake your tambourines move it quicker, quicker… Shake it down in town get the pitch up, pitch up. Shake it shake it to the floor, gotta love that! How she keep it goin' on? You know you love that! Shake it shake it to the floor you gotta love that! Get your ass on the dance floor… Move them out the way if they ain't doin’ it how you want y'all… You ain't gotta ask me, c'mon, don't need my permission! Y'all heard, what you waitin’ for?
Shake your tambourine go and get yourself a whistlin'!”
Um garoto de cabelos negros, pele extremamente branca e olhos tão azuis quanto o céu se aproximou de mim com um sorriso, eu o conhecia, Thomas foi um dos caras que eu namorei, há alguns anos atrás – eu me lembrava de vê-lo com muito mais espinhas no rosto, porém nunca havia me esquecido de seus lábios cheios e bochechas rosadas. Ele passou a mão nos cabelos, corando um pouco quando finalmente parou na minha frente, mexendo o corpo discretamente no ritmo da música para um lado e para o outro, enquanto eu continuava a dançar.
- Ros? Será que a gente pode conversar?
- Oh Tom! Já faz um tempo não? – sorri sem parar de dançar, fechando os olhos e girando novamente – Claro que podemos, manda aí!
- Acho que não Bonnes.
A voz rouca invadiu todo o meu corpo como um tsunami, eu podia sentir o seu efeito em cada canto do meu corpo. E eu também podia sentir seu corpo atrás do meu, acompanhando os meus movimentos de uma forma mais seca, como se sua intenção fosse me desacelerar, seu braço estava me segurando, passando pela minha barriga com sua mão firme em minha cintura, eu senti seu corpo se aproximar mais, e então o cheiro de seus cabelos invadiu minhas narinas, seu rosto estava a milímetros do meu, estávamos olhando para a mesma direção ao lado, ele se inclinou um pouco e sussurrou em meu ouvido.
- Eu nunca soube que você dançava assim.
- Tem muita coisa que você não sabe sobre mim. – retruquei tentando acelerar o passo contra os impulsos do corpo dele. – Como por exemplo o fato de que não sou tão estúpida quanto aparento. – exalei novamente o cheiro dele, aquele perfume amadeirado, misturado ao cheiro de cigarro e ao cheiro de perfume barato.
- Eu nunca pensei que fosse estúpida – ele sussurrava, seus lábios roçavam minha orelha, sua outra mão deslizava no meu pescoço e pelo ombro. – Tava com saudades.
- Creio que Leslie deve ter resolvido o seu problema – retruquei tentando me desvencilhar do corpo dele.
- De onde você tirou isso? – seu tom de voz ficou ligeiramente preocupado, mas ele manteve o corpo abraçado ao meu.
- Do que ela me disse assim que me viu? Do seu sorriso descarado se gabando, ou talvez... do perfume barato que ela usa saindo da sua roupa.
Finalmente conseguindo me desvencilhar dele, estiquei o braço para uma nova bandeja e um novo copo de Firewhiskey. Scorpius me encarava, suas bochechas estavam coradas, suas mãos postas no bolso, ele me olhava como uma criança culpada que não queria o castigo dos pais. Eu continuei sorrindo e dançando, agora menos extravagante, meus olhos encaravam os dele firmes.
- Não vai se dar ao trabalho de mentir? – perguntei.
- Você não acreditaria nem se eu me desse o trabalho de dizer a verdade. – ele deu de ombros. – É uma pena, enquanto eu estou sempre tentando provar a mim mesmo que vale a pena quebrar esse tabu ridículo de famílias pra ficar com você porque você compensa o esforço, você parece estar o tempo todo tentando me provar de que você não passa de uma...
- Vamos lá, fale, de uma? – cruzei os braços, eu podia sentir meus olhos faíscarem.
- Uma Weasley, traidora do sangue, uma ninguém. – ele falou baixo, como se tivesse se arrependido assim que se atreveu a pensar.
- Então me dê licensa, Malfoy, a Weasley traidora de sangue pretende ir dar uns bons flashbacks com seu ex namorado de infancia, se é que você não se importa! – eu forcei o sorriso a permanecer nos meus lábios, ele segurou minha mão firme me impedindo de seguir em frente.
- Você não faria isso, não aqui.
- Ah, eu faria sim... – retruquei – É isso que ninguén’s fazem Malfoy, procuram pessoas para torná-las alguém não é mesmo? Afinal de contas, quem não precisa de um tantinho de status?
- Rose, não seja absurda – ele sussurrou.
- Não sabia que Malfoys se dirigiam a Weasleys pelo primeiro nome, novidade medonha – retruquei, sem encarar seus olhos.
- Não somos sobrenomes, somos pessoas. Para de tentar estragar tudo o tempo todo! Qual é o seu problema? Tem medo de assumir pro seu papai que um Malfoy te faz muito mais feliz do que um Potter?
”Na verdade eu tenho medo de cair na lábia de um Malfoy mentiroso, porque eu gosto mais dele do que sou capaz de imaginar. E olha, eu tenho a imaginação fértil!” foi o que eu pensei automáticamente para a resposta, mas eu não podia ceder. Não depois das coisas que eu vi e das coisas que ele disse.
- Você estava ou não com a Leslie?
- Estava. – ele respondeu automáticamente. A resposta doeu como um tapa, ele sequer havia se dado ao trabalho de mentir. – Eu pensei que você não viria, e eu não... – ele procurou a voz para continuar, e parecia estar um tanto interessado em seus tênis – Eu não podia deixar as pessoas pensarem que eu passaria de liso em minha própria festa.
- É, você realmente é um Malfoy, então fique com a sua popularidade. Ela é mais importante não é mesmo? Porque da mesma forma que você me julga por achar que eu tenho medo de mostrar aos meus pais que eu sou feliz com o Malfoy, você tem medo e vergonha de mostrar para os seus amigos sonserinos imundos que você prefere passar de liso a ficar com uma pessoa que não seja a que você diz gostar, uma Weasley, Grifinória, e mestiça.
- Eu errei, eu assumo.
- E você me perdeu aí. De vez.
Reprimi a lágrima que teimava em querer escorrer dos meus olhos, Scorpius afrouxou a mão do meu braço, seus olhos pareciam inundados. Nossos olhos se encontraram uma última vez, ele abaixou a cabeça e eu virei as costas me perguntando porque eu havia sequer as desvirado em primeiro lugar.
|