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8. O Revelação e o Jogo...


Fic: 79 Park Avenue Hhr - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A Revelação e o Jogo...


Subiu lentamente as escadas para o apartamento. Não estava se entendendo. Os rapazes eram todos iguais. Eram apenas um jogo com que ela se divertia. Eram instrumentos impessoais, como a bola com que se jogava vôlei. Divertiam-na e davam-lhe uma impressão de energia, de força, de superioridade. Com Harry, era diferente. E ela não sabia por quê. Ouviu o barulho de alguém que vomitava no quartinho do corredor. Olhou para a porta fechada, imaginando quem estaria se sentindo mal. Era uma das coisas que mais a revoltavam naquela casa. Não se podia nem passar mal particularmente, pois o banheiro ficava no corredor.


Nisso, a porta do banheiro se abriu e o padrasto apareceu. Viu-a na porta da cozinha e disse-lhe:


− Apanhe depressa um copo de água para sua mãe, ela não está passando bem!


Ela encheu rapidamente um copo de água na pia e voltou para o corredor. A porta do banheiro estava aberta e ela viu a mãe, encostando-se muito agoniada à parede, enquanto o padrasto a sustentava. Peter tomou o copo e levou-o à boca de Katti. Esta lavou a boca, cuspindo a água no vaso e, depois, bebeu devagar o resto da água.


− Que é que há, mamãe? − perguntou então Mione.


− Nada... Senti-me enjoada.


− Mas... − murmurou Mione, admirada.


A mãe tinha um estômago de ferro. Nunca enjoara, a não ser quando estivera esperando Peter. Não podia ser de novo isso. O médico havia dito que ela não podia.


− Está bem, mamãe?


Katti assentiu com a cabeça. Ia dizer alguma coisa, mas o marido falou por ela.


− É claro que está bem − disse ele, rudemente. − Não há nada demais em uma mulher grávida vomitar.


− Não, mamãe! − exclamou Mione, sem acreditar. − O médico disse que era muito perigoso.


− Nem sempre a gente deve acreditar nos médicos − disse Katti, tentando sorrir. − A profissão deles é assustar os outros.


− Vai ser outro menino - disse Peter, orgulhosamente. − Já calculei tudo.


− Calculou tudo, não foi? − disse Mione, friamente.


− Claro! − disse ele, sorrindo.


− Veja então se calcula também como é que vamos comer quando mamãe parar de trabalhar. E calcule também como é que vai conseguir a sua cerveja, porque não sou eu quem lhe vai dar.


− Hermione! − gritou Katti. Mas era muito tarde. Ela já havia desaparecido e estava descendo rapidamente as escadas.


Katti voltou para o apartamento, sentindo-se muito fraca. Queria deitar-se um pouco. Talvez depois se sentisse melhor e aquela depressão desaparecesse. O Padre Janowicz tinha razão. Devia ter tido a coragem de contar tudo a Mione. Talvez assim a filha tivesse compreendido.


—Snape está com uma casa de jogo no salão dos fundos − disse
Malfoy.


Harry levantou os olhos e viu no rosto do amigo o brilho de exaltação que já conhecia.


− E daí? − perguntou Harry.


− Acho que vou até lá, Harry.


− Já se esqueceu do que seu pai disse? Se por acaso se meter ainda em alguma encrenca, ele o mandará para o interior pelo resto do verão.


− Não vou me meter em encrenca nenhuma. Estou apenas com vontade de jogar um pouquinho.


− Foi o que você disse da outra vez, e seu pai ficou furioso quando teve de ir tirá-lo da cadeia.


− Ele não vai saber − disse Malfoy, lembrando-se da vez em que tinha sido preso com uma turma que estava jogando dados nos fundos de uma garagem. − Snape diz que está bem protegido.


− Então vá - disse Harry. − O que acontecer será por sua conta e risco.


− Queria que você fosse comigo, Harry.


− Para quê? Não tenho dinheiro.


− Vou levar Mione e não quero que aquela gente comece a assediá-la assim que virar as costas.


− Por que não a deixa em casa então? − perguntou Harry com novo interesse.


− Não. Acho que ela vai me dar sorte − disse Malfoy, com o fingido desdém do jogador pelas suas superstições. − Acho que vou ganhar muito com ela ao meu lado.


− Você está é louco − murmurou Harry.


− Tem coisa melhor para fazer?


Harry abanou a cabeça. Estava pensando em Mione. Fazia mais de uma semana desde que a vira no elevador. Ainda não tivera coragem para procurá-la de novo.


− Vamos, então. Você precisa viver um pouco, Harry. Quer passar o resto da vida com o nariz metido dentro dos livros?


− Está bem, Malfoy.


Mione estava esperando no carro. Arregalou os olhos de surpresa quando viu Harry aproximar-se. Malfoy abriu a porta do carro.


− Há muito que espero reunir os dois − disse ele. − Mione, meu amigo Harry. Harry, esta é minha garota.


O rosto de Mione ficou vermelho, mas ela sorriu e estendeu a mão.


− Tenho ouvido falar muito em seu nome − disse ela.


Harry ficou um pouco embaraçado, mas seguiu a sugestão dela.


− Também eu tenho ouvido falar no seu − disse ele, apertando-lhe a mão, que vibrou visivelmente ao seu contato. Retirou prontamente a mão.


− Chegue mais para cá − disse Malfoy, entrando no carro. − Harry vai conosco.


Nem Mione, nem Harry falaram até chegarem à porta do dancing. Conseguiram uma mesa peno da pista de danças. Eram quase nove horas e o salão estava bem cheio. Malfoy pediu cerveja para si e Harry e um refrigerante para Mione. Correu a vista em torno, com os olhos cintilando.


− Vou cumprimentar Snape e saber a que horas o jogo começa.


− Com certeza, vai começar mais cedo do que devia − resmungou Harry. − Por que não dança antes com sua garota?


− Não. Dancem vocês dois. Vou ver primeiro como estão as coisas.
Mione levantou-se e Harry olhou-a, surpreso.


− Então? − disse ela, sorrindo.


Harry levantou-se e levou-a para a pista. A orquestra estava tocando um fox ligeiro. Sentiu-se estreitado, quando ela entrou no círculo dos seus braços. Tropeçou quase imediatamente, pisando-lhe o pé.


− Desculpe − murmurou ele com o rosto vermelho.


− Calma − disse ela, sorrindo. − Não vou comê-lo.


Dançaram durante algum tempo em silêncio e ela tornou a falar.


− Pensei que fosse procurar-me.


− Tenho andado muito ocupado. Além disso, você é a garota de Malfoy.


− Nunca lhe disse isso.


− Mas ele disse e você não contestou.


− Não posso impedi-lo de dizer o que quiser. E você não disse que me conhecia.


− De qualquer maneira, você não disse nada. E tenho a impressão de que não quis dizer.


A música parou, e ela se afastou dele. Harry seguiu-a até a mesa. Ela parou diante de Malfoy e disse:


− Quero cerveja.


− Está bem, menina, está bem − disse Malfoy, sem olhar para ela, voltando-se para uma porta nos fundos do salão. Harry puxou a cadeira para ela, e ela se sentou. Depois, empurrou o seu copo para ela.


− Beba este. Vou pedir outro copo para mim.


Ela pegou o copo e tomou um bom gole. Harry ficou pensando no que teria dito que a fizera zangar-se.


− Então? − perguntou ele a Malfoy.


− Estou esperando. O garçom ficou de vir avisar-me.


− Avisá-lo de quê? − perguntou Mione, admirada. − Pensei que tínhamos vindo dançar.


Malfoy olhou para ela quase como se fosse uma estranha.


− Explique-lhe, Harry − disse ele, com um gesto displicente.


Harry sentiu a raiva crescer-lhe dentro do peito. Malfoy não mudava.
Sempre deixava o desagradável para os outros fazerem.


− Explique você − disse ele.


Malfoy olhou para ele, com os olhos subitamente brilhantes.


− Que é que há com vocês dois? − perguntou ela.


Não responderam e ele disse a Mione:


− Vim para o jogo de que Snape me falou. É só isso.


Mione levantou-se num repelão.


− Para que me convidou então? Por que não disse logo?


Malfoy agarrou-a pelo braço e disse com um sorriso:


− Quis que você viesse para dar-me sorte. Tenho a impressão de que você vai dar certo comigo.


− E Harry? Você só o trouxe para tomar conta de mim?


− Foi, sim, Mione. Acha que eu iria facilitar com esse pessoal daqui? Harry, ao menos, é meu amigo e sei que posso confiar nele.


Harry olhou para ele e disse com um leve sorriso.− Não tenha muita certeza disso, Draco.


− Que quer dizer com isso? − perguntou Malfoy, fechando a cara.


− Você disse a verdade. Ela é mesmo formidável.


− Está bem, rapazes − disse Mione, sentando-se. − Podem começar a lutar por minha causa.


Os três começaram a rir, muito satisfeitos.


A testa de Malfoy estava visivelmente perolada de suor quando ele pegou os dados. Estendeu os dados para Mione na palma da mão e disse:


− Sopre para dar sorte, menina.


Mione soprou.


− Veja se ganha − disse ela, olhando para a pilha de dinheiro que diminuía diante de Malfoy. Ele não ia bem no jogo e ela calculou que já estivesse perdendo uns quarenta dólares.


− Sopre com mais força disse ele numa voz carregada de tensão, aproximando mais os dados dos lábios dela.


Mione tomou fôlego profundamente e soprou na mão dele. Notou como ele alisava os dados com os dedos. Abriu os dedos por um segundo e ela parou de soprar, olhando para ele, com os olhos arregalados. Por uma fração de segundo, os olhos dele ficaram frios e, em seguida, ele sorriu. Mas sabia o que ela havia visto.


− Obrigado, menina − disse ele, virando-se para a mesa.


Ela ficou imóvel, observando a mesa. Parecia impossível que ninguém tivesse visto. Compreendeu então. Malfoy tinha sido esperto. Os outros jogadores estavam com os olhos fitos nela.


− Vamos, dadinhos − exclamou Malfoy, com voz áspera.


Os cubos saíram rolando pelo pano verde, bateram na borda e voltaram. Rolaram, rolaram e afinal pararam. Era o maior ponto possível no jogo. Malfoy puxou o dinheiro com uma das mãos e com a outra pegou os dados. Começou a sacudir os dados na mão.


− Casem logo o dinheiro! − gritou ele. − Casem logo antes que minha sorte acabe!


Começou a fazer as apostas, e Mione se afastou da mesa, indo para onde estava Harry, que, encostado à parede, os observava. Sorriu quando ela chegou.


− Você dessa vez deu sorte.


Ela não teve qualquer expressão no rosto. Harry tampouco vira Malfoy trocar os dados.


− Para mim, chega. Quero ir embora − disse ela.


− Mas Malfoy ainda não acabou.


− Não faz mal. Quero ir.


− Vou dizer a Malfoy.


− Não. Deixe-o - disse ela, segurando-lhe o braço. Olhou para a mesa. Malfoy ganhara de novo e havia no seu rosto um ar de ardente exultação. − Ele já conseguiu o que veio procurar.


− Houve alguma coisa, Mione?


− Não. Apenas quero sair daqui.


− Está bem − disse ele, tomando-lhe o braço. Gritou então: − Já vamos, Malfoy.


O outro deu adeus displicentemente. Talvez nem tivesse compreendido o que Harry dissera. Estava sacudindo de novo os dados. A orquestra estava tocando quando chegaram ao salão de danças.


− Quer dançar? - perguntou Harry.


Ela sacudiu a cabeça e continuou a andar. Um homem bloqueou-lhe a passagem e disse:


− Alô, beleza.


Ela não o olhou. Virou-se para o lado para passar, mas o homem tornou a fechar-lhe o caminho.


− Está fugindo dos amigos? − perguntou ele.


Ela levantou os olhos e viu Severo Snape.


− Estou cansada e vou embora − disse ela secamente.


O sorriso desapareceu dos lábios de Snape. Ele olhou para Harry, e este encolheu os ombros. Snape deixou-a passar, mas estendeu a mão em frente dela.


Mione parou.


− Não sei o que é que há com você − disse Snape − Mas quando isso passar, tenho um lugar à sua espera aqui.


Pela primeira vez, ela mudou de expressão e disse:


− Obrigada, Sr. Severo. Olhe que posso aparecer e cobrar-lhe a promessa.


Em seguida, virou-se e começou a descer a escada.


− Obrigada por ter me trazido − disse a Harry, parando à porta de sua casa.


− Foi um prazer − disse Harry, sorrindo.


− Não tive a intenção de estragar sua noite.


Quando ela já ia entrando, Harry perguntou:


− Quando é que vou vê-la de novo?


− Não sei.


− Por quê? − perguntou ele, aproximando-se dela. − Porque é a garota de Malfoy?


− Não sou a garota de Malfoy, já lhe disse.


− Quando posso ver você?


− É difícil dizer. Termino o curso na semana que vem e tenho de procurar emprego.


Harry sentiu uma pontada de ciúme e disse sarcasticamente:


− Enquanto isso, irá procurar Malfoy. Ele tem dinheiro para gastar.


− E não vou procurar Malfoy. Ele pode pegar o dinheiro dele e fazer o que bem quiser. Pode dizer a ele que eu disse isso.


− Por que eu? Diga você mesma.


− Sabe muito bem por quê − disse ela friamente. − Vocês dois me levaram para lá, e você certamente sabia o que Malfoy ia fazer.


− Você também sabia que ele ia jogar dados. Por que vem com isso agora?


− Eu sabia que ele ia jogar, mas não que ia ser um jogo roubado. Não sabia que ele ia trocar os dados.


− Trocar os dados?


− Sim, quando ele me pediu que soprasse, sabia que todos estavam olhando para mim e que não prestariam atenção. Não me agrada ser cúmplice dessas coisas.


Harry deu um suspiro, compreendendo afinal por que ela saíra de repente.


− Você pode não acreditar, mas eu também não sabia.


Ela o olhou cheia de dúvidas.


− Não gosto disso também, Mione.


− Não sei. Eu poderia compreender se você jogasse assim porque precisa de dinheiro, mas Malfoy não precisa de nada.


− Não sabia disso, Mione, acredite − disse ele.


− Está bem − disse ela. − Acredito. Boa noite.


− Boa noite.


Viu-a entrar, e então tomou o caminho de casa.


Entrou na travessa que levava ao apartamento de sua família, no porão do grande edifício. Malfoy surgiu de repente da escuridão.


− Harry!


− Que é, Draco? − perguntou Harry, parando.


− Onde vocês se meteram? Ganhei mais de cento e vinte dólares!


− Mione quis ir para casa.


Malfoy não deu muita atenção ao que ele disse. Tirou uma maço de dinheiro do bolso.


− Quero dar a sua parte. Vinte dólares são seus.


Harry olhou para a mão estendida de Malfoy, mas não fez qualquer menção de pegar o dinheiro.


− Que é que há com você? Pegue.


− Não, muito obrigado. Não quero esse dinheiro. É todo seu.


− Não seja bobo. Pegue o dinheiro. Acha que tem veneno?


− Fique com ele, Malfoy. É todo seu. Foi você que o ganhou.


− Ah! Já sei! − exclamou Malfoy. − Mione deu com a língua nos dentes.


Harry nada disse, e Malfoy continuou, rindo:


- Foi muito fácil. Foi quase como tirar um bombom das mãos de uma criança, enquanto eles estavam olhando para Mione debruçando-se sobre a mesa, foi genial!


Harry continuou calado, e Malfoy bateu-lhe no ombro.


− Ora, rapaz, tome o dinheiro. Amanhã de manhã, você já estará vendo as coisas de maneira diferente.


− Não quero esse dinheiro! − exclamou Harry, fazendo um gesto brusco. Bateu na mão de Malfoy e o dinheiro caiu no chão.


− Que é que há com você?


− Nada. Apenas não gostei do que você fez. Enganou a pobre moça. Se você fosse surpreendido, todos nós teríamos de pagar, inclusive ela. Não seria tão agradável assim, não acha?


− Mas ninguém me pegou. Por que toda essa zanga?


Harry não respondeu. Malfoy se abaixou para pegar o dinheiro.


− Não compreendo por que você ficou assim. Espere aí − disse ele, levantando-se de repente. − Para onde foi que você a levou?


− Para a casa dela, já lhe disse.


− Demorou muito. Estou esperando você aqui há mais de uma hora.


− Fomos a pé. Meu pai nunca me deu um Buick.


− Não passou um instante pelo parque e não a levou para um canto escuro, para fazer uma porção de coisas com ela? A taradinha gosta disso, sabe?


Harry sentiu a cabeça estalar. Agarrou Malfoy e apertou-o de encontro à parede.


− Não fale dela assim!


− Então eu tinha razão! − exclamou Malfoy, triunfante-mente. −
Você ficou caído por ela! A garota é formidável, rapaz! Mas não se deixe enganar por ela. Aquela lá é de todo mundo.


Harry bateu com toda a força da sua raiva. A cabeça de Malfoy virou para trás e ele começou a cambalear, a boca sangrando. Harry recuou um pouco e disse-lhe:


− Da outra vez, aprenda a calar a boca.


Malfoy levantou-se e sentou-se no chão. Depois, levou a mão lentamente até a boca. Olhou para Harry, com os olhos fuzilando de raiva, apesar da dor que sentia.


− Você me paga, Potter − disse ele. − E vai me pagar dobrado.


− Quando você quiser!


− Sua hora chegará. Não se preocupe.


− Não estou preocupado − disse Harry, dando-lhe as costas e seguindo para casa.

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