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6. O Segredo da Mãe...


Fic: 79 Park Avenue Hhr - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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O Segredo da Mãe...


O telefone começou a tocar no momento em que Mione chegou aporta.


− Deixe, que eu atendo, Sr. Rannis − disse ela − É Para mim.


Ela fechou a porta da cabina e atendeu.


− Alô.


− Mione? — perguntou a voz de Malfoy.


− É, sim.


− Quem fala é Malfoy.


− Eu sei.


− Que é que está fazendo, Mione?


− Nada. O calor está demais.


− Quer dar um passeio? Desceremos a Riverside Drive. Lá é fresco.


− Está bem.


− Vou pegá-la aí. Espere por mim.


− Não − disse ela, hesitando. − Tenho de ir para casa antes trocar de roupa. Meu vestido está encharcado. Vamos marcar noutro lugar.


− Na garagem, então. Eighty-Third Street, entre a Park e a Lexington.Vai demorar?


− Meia hora. Até já.


− Até já.


Ouviu o ruído do receptor desligando. Saiu da cabina e encontrou o velho Rannis, que a esperava, olhando-a desconfiado.


− Quem era?


− Uma amiga − disse ela vagamente, encaminhando-se para a porta.


− Quer chocolate? − perguntou ele, estendendo a mão para fazê-la parar.


− Não, muito obrigada.


Continuou a andar, mas a mão dele fechou-se sobre seu braço.


− Estou lhe oferecendo de graça − disse ele.


− E só podia ser de graça mesmo, porque estou lisa − disse ela, puxando o braço. − Mas não posso mesmo demorar minha mãe está me esperando.


− Está bem. Mas não se esqueça, Mione. Se quiser alguma coisa, é só pedir.


− Obrigada, Sr. Rannis − disse ela, abrindo a porta. − Não me esquecerei.


Katti estava chegando à porta do prédio no momento em que Mione começou a subir a escada da frente. Ela ficou olhando os reflexos do sol nos cabelos da filha e, quando Mione chegou mais perto, disse:


− Alô, Mione.


− Alô, mamãe.


− Tudo bem na escola hoje?


− Claro − disse ela, olhando rapidamente para a mãe. − Que é que poderia ter acontecido?


Katti viu-se forçada à defensiva.


− Estou apenas perguntando.


Queria também pedir desculpas pelo que acontecera de manhã, mas as palavras não lhe saíram dos lábios.


− Aonde é que você vai? − perguntou Mione.


− Vou fazer compras − disse Katti. Era mentira, mas ela não queria que a filha soubesse que ia submeter-se a um exame na clínica. − E você? Que é que vai fazer hoje à tarde?


− Vou estudar em casa de uma amiga − respondeu Mione. − Só vim aqui para trocar de vestido. Este está todo encharcado.


− Não faça barulho, Mione. O menino está dormindo e não quero que você o acorde.


− Fique descansada, mamãe.


Subiu para o apartamento e abriu devagar a porta. Tudo estava em silêncio. Entrou e ficou no meio da cozinha, escutando. Nenhum som. Foi pelo corredor até o quarto da frente e olhou. O padrasto estava dormindo numa cadeira diante da janela aberta, com a cabeça caída para o lado e o jornal nos joelhos. Voltou na ponta dos pés pelo corredor, pela cozinha, e chegou ao quarto. O bebê estava dormindo no berço. Ela abriu com todo o cuidado a porta do armário e tirou uma blusa e uma saia limpas. Colocou-as em cima da cama e, ao lado delas, roupa de baixo limpa. Tirou prontamente a blusa e a saia suadas e voltou à cozinha. Abriu a torneira de leve para que caísse apenas um fio de água. Não queria fazer qualquer barulho que acordasse o padrasto. Tirou o sutiã e pendurou-o no espaldar de uma cadeira da cozinha. Num instante, ensaboou a parte superior do corpo. Em seguida, tirou o sabonete com um esfregão. Depois, lavou o rosto. Com os olhos fechados, para que o sabonete não lhe caísse nos olhos, estendeu a mão para pegar a toalha. O cabide mais perto dela estava vazio. Estendeu a mão tateante para o outro cabide. Pegou a toalha e esfregou vigorosamente o rosto, enxugando depois debaixo dos braços e o resto do corpo. Tornou a botar a toalha no lugar e voltou-se para pegar o sutiã em cima da cadeira. Mas não o viu.


− Caiu, Mione − disse seu padrasto, entregando-lhe o sutiã. − Mas eu o apanhei para você.


Ela olhou por um momento, cheia de surpresa. Depois, pegou o sutiã, colocou-o em frente dela e disse sarcasticamente:


− Obrigada. Deve ter feito tanto barulho quando caiu, que o acordou.


Ele sorriu, sem dar atenção ao tom de voz dela.


− Sua mãe era assim como você, quando era moça.

− Como é que sabe disso? − perguntou ela. − Quando ela era moça nem sabia da sua existência.


Quis passar, mas ele lhe barrou a frente, agarrando-a pelo braço.


− Por que você é tão má comigo, Mione?


Ela o encarou, com os olhos indiferentes.


− Não é por minha vontade, tio Peter. O que acontece é que está acima das minhas forças vê-lo andar o dia todo dentro de casa.


− E se eu arranjar um emprego — disse ele ansiosamente −, você passará a ser boazinha para mim?


− Talvez − murmurou ela com um olhar calculista.


− Poderemos então ser amigos de novo? − disse ele, puxando-a e tentando desajeitadamente beijá-la.


Ela virou o rosto, de modo que os lábios apenas lhe roçaram a face. Em seguida, desvencilhou-se dele, foi até a porta, voltou-se e disse de novo:


− Talvez.


A porta se fechou. Peter sentia as têmporas latejarem. Que cadelinha! Algum dia ele havia de mostrar-lhe o que acontece a quem provoca um homem. Foi então até a geladeira para pegar outra cerveja.


Katti estava sentada num banco entre duas mulheres e esperava sua vez de ser chamada para o exame. Já não demoraria muito. Só havia uma mulher à sua frente. Num canto da sala, a jovem enfermeira sentada à sua mesa olhava as fichas à sua frente. Ao fim de algum tempo, todos aqueles nomes esquisitos lhe saíam tão facilmente da língua como se tratasse de Smith ou de Jones. Quando isso acontecia, a pessoa sabia que era uma veterana. Um interno parou junto à mesa e disse-lhe alguma coisa em voz baixa. Ela pegou as duas fichas que estavam em cima e disse:


− Sra. Martino, sala 4. Sra. Ritchik, sala 5.


Katti e a mulher sentada ao seu lado levantaram-se ao mesmo tempo e sorriram numa súbita simpatia mútua. Katti seguiu-a até a mesa da enfermeira. A mulher recebeu a ficha que a enfermeira lhe entregou, encaminhou-se para uma das salas de consulta e puxou a cortina. Katti deu o seu nome à enfermeira.


− Sra. Ritchik.(Ritchik é o sobrenome do atual marido dela que seria o Peter, sendo assim não tem nada a ver com a Mione... Ok? )


A enfermeira olhou-a sem curiosidade e entregou-lhe uma ficha.


− Primeira visita?


− Não. Já estive aqui. Quando meu filho Peter nasceu.


A enfermeira sacudiu a cabeça com impaciência. Como aquela gente era difícil!


− Quero dizer desta vez.


− Sim, é a primeira visita.


A enfermeira pegou um vidro de boca larga que estava sob a mesa e entregou-lhe.


− Ponha a urina para exame aqui e entregue ao médico quando ele chegar.


Katti pegou o vidro e se encaminhou por entre os bancos repletos de gente para a sala marcada com o número 5. Fechou a cortina. Tirou a roupa metodicamente e preparou-se para a chegada do médico. Quando terminou, tirou o roupão de algodão do cabide e vestiu-o. Sentou-se então num banquinho ao canto e ficou esperando. Alguns minutos depois, bateram do lado de fora e uma enfermeira estudante apareceu, com um bloco de papel na mão.


− Sra. Peter Ritchik?


Seguiu-se então a lista de perguntas sem as quais a clínica não podia funcionar. A enfermeira só gastou com isso cinco minutos porque Katti tinha todas as respostas prontas, pois ainda se lembrava de tudo desde a última vez em que ali estivera. A enfermeira tirou do bloco a folha em que escrevera e prendeu-a num gancho logo ao lado da porta. Saiu, mas voltou com outra folha de papel que colocou no gancho junto da primeira. Depois, sorriu para Katti e disse:


− O médico já vem.


− Obrigada − disse Katti e ficou de novo sentada à espera. Em geral, o médico levava mais de quinze minutos para aparecer. Dessa vez, quase meia hora se passou até que a cortina fosse aberta e um médico aparecesse seguido de dois internos. Tirou os papéis do gancho, examinou-os rapidamente e perguntou:


− Sra. Ritchik?


− Sim, doutor.


− Sou o Dr. Block. Há quanto tempo está grávida?


− Um mês, talvez dois.


Ele não pôde conter uma expressão de aborrecimento. Aquela gente era tão negligente.


− Deite-se aí na mesa e vamos ver.


Ela subiu na pequena mesa e colocou as pernas nos dois suportes próprios. A luz da lâmpada amarela do teto lhe incidia nos olhos, e ela piscou. A voz do médico parecia flutuar acima dela.


− Aspire o ar com força.


Ela encheu os pulmões de ar e manteve-se perfeitamente imóvel diante da intrusão dos dedos pesquisadores do médico. O toque foi leve, eficiente e não demorou muito. Ela quis levantar-se, mas a pressão da mão do médico no seu ombro fê-la permanecer deitada. Ficou tranqüilamente à espera. O médico levantou o lençol até que os olhos dela ficaram protegidos da luz. Falou calmamente com um dos internos.


− Cesariana no último parto. Trompas de Falópio obstruídas. Será necessário de novo.


O lençol desceu e ela se sentou, olhando para o médico cheia de curiosidade.


− Por que ficou grávida, Sra. Ritchik? − perguntou ele. − De acordo com a ficha, foi-lhe recomendado que tivesse cuidado, pois outro filho poderia pôr em perigo a sua vida.


Ela encolheu os ombros. Aqueles homens nunca compreendiam essas coisas. Para eles, tudo era muito simples. O médico saiu de junto dela e começou a lavar as mãos, ao mesmo tempo em que falava, dizendo coisas que para ele eram de simples rotina e que sabia perfeitamente que não seriam observadas.


− Procure ter o máximo de sol, de ar puro e de descanso. Abstenha-se de qualquer relação durante dois meses pelo menos. Faça uma alimentação substancial com leite e suco de laranja. Vou lhe passar uma receita. Tome o remédio e venha de novo aqui no mês que vem.


− E quando é que a criança vai nascer, doutor?


− A criança não vai nascer de parto natural. Teremos de tirá-la.


O rosto dela continuou impassível. Sabia disso antes dele.


− Quando, doutor?


− Em novembro ou dezembro. Não poderemos deixá-la assim durante os nove meses.


− Obrigada, doutor − disse ela, calmamente.


O médico saiu então, seguido pelos dois internos em silêncio. Katti levantou-se lentamente e pegou as roupas. Não era tão ruim assim. Poderia trabalhar até outubro. Abriram de repente a cortina e ela se cobriu com o vestido. Era um dos internos. Sorriu, pedindo desculpas, e disse:


− Desculpe, Sra. Ritchik. Esqueci-me disto − disse ele, sorrindo e pegando o vidro com urina.


Depois, olhou-a e tornou a sorrir timidamente.


− Não se preocupe, Sra. Ritchik. Tudo vai correr bem.


− Obrigada, doutor − disse ela, sorrindo também.


O interno saiu e ela acabou de vestir-se. Depois, saiu e pagou à enfermeira os cinqüenta cents da consulta cobrados pela clínica. Desceu o corredor até o dispensário e entregou a receita que o médico lhe dera.


Enquanto esperava que enviassem a receita, ficou pensando no que diria a Mione. Ela certamente não compreenderia. Tomaria isso como outra afronta e ficaria magoada. Chamaram-lhe então o nome e ela recebeu o remédio. Comprimidos. Teria de tomar três por dia. Guardou-os na bolsa e saiu. Na rua avistou as torres da St. Augus-tine. Resolveu ir falar com o Padre Janowicz. Era um homem muito perspicaz e lhe diria o que devia fazer.


Mione sentou-se na grama e levantou as pernas, passando os braços em torno dos joelhos. Ficou olhando para o rio Hudson. Já estava escurecendo e as luzes se acendiam como vaga-lumes na margem de Nova Jersey. Um doce vento tépido lhe agitava os cabelos.


− Tenho de conseguir um emprego no verão − disse ela de repente.


− Por quê? − perguntou Malfoy, olhando para ela.


− Porque estamos precisando muito de dinheiro. O velho lá de casa gosta tanto de cerveja que nem pensa em trabalhar. Minha mãe trabalha à noite. O que temos não dá para viver.


− Que é que sabe fazer? − perguntou Malfoy, com curiosidade. − Que espécie de emprego você quer?


− Não sei − respondeu ela com franqueza. − Nunca pensei nisso. Talvez me empregue como balconista em alguma loja.


Ele riu.


− Qual foi a graça?


− Pagam muito pouco. No máximo, oito dólares por semana.


− Oito dólares são oito dólares. Muito melhor do que nada.


Malfoy olhou-a. A irmã dele vivia falando em trabalhar, mas nunca se decidia.


− Está falando sério?


− Claro que estou.


Malfoy tirou do chão um talo de grama e começou a mordê-lo, pensativo. Ela às vezes lhe lembrava Harry. Eram ambos tão sérios a respeito de dinheiro. Teve uma idéia.


− Você sabe dançar?


− Sei, sim.


− Mas sabe dançar bem?


− Muito bem.


Ele se levantou e limpou as calças. Estendeu as mãos para ela e ajudou-a a levantar-se.


− Venha comigo e vamos ver. − disse ele, dirigindo-se para o carro.


O som levemente desafinado de uma orquestra enchia a estreita entrada. As paredes estavam cobertas de fotografias de mulheres, todas elas com o mesmo sorriso sedutor nos lábios. Debaixo das fotografias havia uma legenda:


"VENHA DANÇAR COMIGO. DEZ CENTS APENAS".


O som da música aumentou quando Mione seguiu Malfoy pela escada acima. No alto da escada, havia uma pequena bilheteria, em frente à qual Malfoy parou.


− Duas − disse ele, colocando uma nota de um dólar em cima da pequena prancha do guichê.


Malfoy pegou as duas entradas e levou Mione para o salão de danças. Era comprido e estreito, com as paredes pintadas de um azul encardido. A iluminação era fraca. A orquestra que ficava nos fundos havia terminado um número. Alguns pares, que tinham ficado no meio do salão, retiravam-se para junto das paredes. Algumas mulheres estavam sentadas às mesas perto da porta. Tinham olhado prontamente quando Malfoy entrara, mostrando automaticamente no rosto sorrisos que logo se apagaram quando viram que ele não estava sozinho.


À direita, havia um balcão comprido e estreito e várias filas de mesas. Malfoy levou-a para uma delas e os dois se sentaram. Um garçom apareceu imediatamente.


− Cerveja − disse Malfoy sem levantar a vista. − E você?


− Coca.


O garçom saiu e nesse momento a orquestra recomeçou a tocar. Era um foxtrote lento.


− Está disposta? − perguntou Malfoy.


− Estou sempre disposta − respondeu ela, com seu estranho sorriso.


− Vamos dançar então.


Malfoy tinha o rosto quente e vermelho quando a levou de volta à mesa. Não tinha mais dúvida alguma de que ela soubesse dançar e muito bem. Seguia-o como se fosse parte dele. Seu ritmo era bom e, embora outras garotas dançassem mais coladas e o apertassem mais, nenhuma ainda lhe dera aquela impressão de estarem flutuando dentro da música que os unia.


− Então? − perguntou ela quando ele pegou o copo de cerveja e tomou um bom gole.


− Sabe dançar de fato. Onde foi que aprendeu?


− Ninguém nunca me ensinou − disse ela, sorrindo.


Houve silêncio durante algum tempo. Ela estava esperando que ele falasse.


− As garotas aqui fazem entre vinte e cinqüenta dólares por semana.


− Só para dançar? − perguntou ela, com um tom de ceticismo na voz.


Ele hesitou e murmurou:


− A maior parte.


− Devem fazer com dança uma média de vinte dólares − calculou ela.


Ele assentiu com a cabeça, observando-a atentamente.


Ela tomou um gole do refrigerante e disse:


− Não é preciso ir a outro lugar? Só para dançar?


Ele meneou a cabeça afirmativamente.


− É muito dinheiro − murmurou ela.


De repente, ficou revoltado consigo mesmo. Jogou uma nota em cima da mesa e levantou-se, dizendo:


− Vamo-nos embora.


Mione levantou-se em silêncio. Nisso, uma voz de homem ressoou às suas costas.


− Há tempo não o vejo, Malfoy! Por onde tem andado?


Ela se voltou, assustada. Atrás dela, estava um homem alto, cabelos muito escuros, e olhos num preto muito profundo, que sorria. O homem olhou para ela e tornou a falar antes que Malfoy tivesse tempo de responder-lhe.


− Não é preciso explicar nada. Sei agora por que é que você não liga mais para as minhas garotas.


Mione sorriu e olhou para Malfoy, cujos olhos estavam frios.


− Alô, Snape − disse ele. Hesitou um instante e então fez as apresentações.


− Severo Snape. Hermione Granger.


− Venha até o bar, Malfoy. Quero oferecer-lhe um drinque.


− Não, Snape, muito obrigado. Temos de ir saindo.


− Há quatro meses que não vejo este camarada − disse Severo, pegando no braço se Malfoy e olhando para Mione −, e quando aparece é com essa pressa toda. Diga-lhe que não faz mal tomar um gole rápido comigo.


Mione sorriu. Era lisonjeiro aquele homem pensar que ela podia mandar em Malfoy. Era quase como se pensasse que ela era a garota dele.


− Está bem, Snape − disse Malfoy. − Um só e rápido.


Os homens quiseram cerveja e Mione pediu outro refrigerante. Snape voltou-se para ela e disse:


− Devia zangar-me com você, moça, Malfoy sempre foi um dos meus melhores fregueses e não me conformo com o desaparecimento dele. Mas, depois de vê-la, não posso censurá-lo.


− Snape é o dono disto aqui, Mione − explicou Malfoy. − Vive pensando em dinheiro.


− E quem não é assim? - perguntou Mione, levantando os olhos para o homem do cabelo muito negro.


Snape riu e disse, batendo-lhe no ombro:


− Menina inteligente. Nem todo mundo pode ser rico como o nosso amigo aqui. − Pela primeira vez, Mione notou-lhe os olhos vivos e observadores. − Está procurando emprego, menina?


Antes que ela dissesse alguma coisa, Malfoy atalhou a conversa.


− Não, Severo. Ela ainda está na escola.


Mione ficou em silêncio, bebendo o seu refrigerante.


− Foi bom você ter aparecido − disse Snape. − Temos algumas novidades agora.


− Por exemplo?


− Dados e roleta na sala atrás do meu escritório. Fiz alguns contatos e isso agora é permanente. Tudo muito bom e correto.


A voz de Malfoy era calma, mas havia nos seus olhos um brilho diferente.


− Talvez eu apareça por aqui alguma noite para dar uma espiada.


− Venha. E traga a moça para dar-lhe sorte. Será sempre bem recebida aqui.


− Muito obrigada, Sr. Severo − disse ela, sorrindo para ele.


Acabaram os drinques, e Snape levou-os até a porta. Sua voz forte ressoou na estreita entrada.


− Tive muito prazer em vê-lo, Malfoy. Veja se não some de novo.


A música da orquestra ainda os seguia pela rua até perder-se no rumor do tráfego.


− Para onde vamos agora? − perguntou Malfoy, saindo com o carro.


− Não sei, Malfoy. Quem está dirigindo é você.


Ele a olhou rapidamente pelo canto dos olhos. Gostaria de saber em que ela estava pensando.


− Quer ir até minha casa para comermos alguma coisa? − perguntou ele.


− E sua família? Não vai ficar aborrecida?


− Foram todos passar o fim de semana fora.


− OK − disse ela.


− Boa noite, Sr. Draco − disse o porteiro.


− Boa noite, Sr. Draco − disse o ascensorista que os levou para cima.


Pouco se disseram até saírem do elevador. A porta do apartamento ficava bem em frente, e Malfoy tirou a chave do bolso. Abriu a porta e segurou-a para Mione passar. Em seguida, fechou a porta e estendeu a mão para acender a luz. Ela segurou-lhe a mão e disse:


− Passamos a tarde toda juntos, você ainda não me beijou uma só vez.


Ele a olhou na penumbra, tentando ver-lhe a expressão do rosto. Mas nada disse.


− Está zangado comigo, Malfoy? Por quê? Fiz alguma coisa errada?
Disse alguma coisa?


Ele abanou a cabeça em silêncio. Não podia dizer-lhe que estava zangado consigo mesmo por tê-la levado àquele dancing. Com aquela turma ela não teria a menor oportunidade. Fariam dela uma prostituta em menos de uma semana. E isso ele não queria, por mais que ela precisasse de dinheiro. Ela estava muito junto dele e beijou-o de leve no rosto.


− Não fique zangado comigo, querido − sussurrou ela.


Malfoy encostou-se na porta, segurou-a pelos ombros e puxou-a. Ela veio sem resistência e ele a beijou. Ela fez sanduíches e café. Levou tudo para a sala de estar e ali comeram sentados no sofá com o rádio ligado e a sala iluminada apenas por um pequeno abajur num canto. Quando acabaram, ela se recostou nas almofadas e deu um suspiro de contentamento.


− Estava com fome − murmurou.


Ele sorriu e acendeu um cigarro.


− Dê esse para mim, sim? − disse ela, estendendo a mão.


Ele passou-lhe o cigarro e ela começou a fumar, com os olhos fechados e deixando a fumaça sair-lhe lentamente pelos lábios.


− Você nem sabe a sorte que tem − murmurou ela.


− Por quê?


− Você devia ver onde é que eu moro. Compreenderia então o que quero dizer. Tudo aqui é muito tranqüilo. Não se ouve o barulho da rua. Não há mal cheiro do pátio. Não há a algazarra dos vizinhos. Malfoy não respondeu. Não sabia o que responder. Pegou a bandeja dos sanduíches e levou-a para a cozinha. Quando voltou, Mione estava estendida no sofá, com os olhos de novo fechados.


− Mione − murmurou ele.


Ela não respondeu. Seu peito subia e descia com sua respiração calma. Malfoy sentou-se no sofá e então ela abriu os olhos.


− Estava dormindo − disse ela.


− Eu sei.


− Que horas são?


− Quase dez horas.


Ela se levantou de súbito e disse:


− Acho que é melhor eu ir andando.


Malfoy pegou-a pelos ombros e disse:


− Sabe que estou louco por você, Mione?


Ela moveu a cabeça, fitando-o bem nos olhos.


− Gosta de mim, Mione?


Ela lhe viu o rosto pálido e suplicante e disse:


− Você é a pessoa mais simpática que eu conheço. Claro que gosto de você!


− Não é isso que eu quero dizer! − exclamou ele, agarrando-a e beijando-a violentamente. − Quero você, entende? Você sabe disso, você sente isso. Quero saber é se você me deseja também do mesmo jeito.


Ela o olhou durante algum tempo e afinal disse com voz bem calma:


− Ainda que o queira, Malfoy, nada posso fazer. Sou virgem e, se eu ceder, ficarei em dificuldades e isso não quero.


− Mas há meios...


− Nem sempre dão resultado. Farei tudo o que você quiser para que fique feliz, Malfoy, mas isso não posso fazer.


− Tudo? − perguntou ele, arregalando os olhos.


− Tudo.


Ele tomou-a nos braços e os dois caíram juntos no sofá. Malfoy fechou os olhos. Ouviu o farfalhar das roupas de Mione e, depois, um seio quente e firme em sua mão. O desejo dentro dele era intenso e cruciante. Encostou a cabeça no peito dela e murmurou, quase chorando:


− Ajude-me, Mione! Por favor, me ajude!


− Vou ajudá-lo, sim, Malfoy querido. Fique quieto.

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