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10. Explicações


Fic: WEASLEYs: por que ruivos também amam.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo Dez:

Narrado por Angelina Johnson

 Eu seguia pelos corredores da escola cegamente. Estava tudo escuro e eu não senti a necessidade de ascender a varinha. A escuridão acolhia minha culpa como uma velha amiga e por isso eu não queria quebrá-la. Deixaria meus erros a mostra. E essa era a última coisa que eu precisava. 

 Você deve estar pensando que eu sou uma adolescente em crise, com problemas pequenos. Você pode achar que uma pessoa com apenas dezesseis anos não se apaixona de verdade e que eu estava apenas confundindo meus sentimentos entre dois garotos. Alguns diriam que é apenas uma paixonite e que logo iria passar. Acredite ou não, eu também gostaria de pensar assim. Se for um pouco mais longe, que tudo fosse dessa maneira também. 

 Não culpo ninguém por pensar essas coisas. Muito pelo contrário. Acho que é apenas uma questão de perspectiva. 

 A minha perspectiva no momento não era das melhores. Eu era a protagonista dessa história. E isso definitivamente não era uma coisa boa. 

 Esse tempo todo Fred pensava que a culpa era dele. Que o motivo por eu estar me distanciando dos meus ruivos era ele. E eu pensando que se os deixasse em paz traria uma melhora considerável em tudo o que estava acontecendo e os privaria de meus problemas imbecis. Mas não. Eles estavam mais presentes do que eu poderia ter imaginado. E no final, todos sofriamos juntos, como sempre acontecia. 

 Eu pensando que estava tudo indo tão bem... Eu e Fred estávamos juntos, mesmo que escondendo dos outros. A Armada de Dumbledore estava nos dando a estranha sensação de movimento, o que amenizava a angustia de não poder fazer absolutamente nada.

 Mas eu tinha que estragar tudo. 

 Como foi que eu consegui beijar Jorge? Certo, isso esta longe de ter uma resposta coerente de qualquer garota que já o tenha beijado. Vou reformular a pergunta...

 Como foi que eu consegui beijar Jorge naquelas circunstâncias? Era tão infinitamente óbvio que aquele não era Fred. 

 Me lembrei de como tudo ocorrera. E me perguntei se eu por um acaso, no fundo, realmente não sabia quem era aquele ruivo no sofá. Acho que eu sempre soube. Só não queria admitir para mim mesma que havia feito aquilo de livre e espontanea vontade, magoando a pessoa que eu mais gostava no momento. 

 No momento. Naquele momento. Agora? Eu estava dividida entre um e outro. Pior. Não conseguia encontrar uma solução para aquilo. 

 Minto. Havia uma coclusão que eu podia considerar: eu amava a ambos. 

 Uma onda de auto-piedade se abateu sobre mim e de repente eu já não tinha mais forças para continuar a vagar sem rumo pelos corredores vazios de Hogwarts. A escuridão já não fazia mais efeito. A culpa não a temia mais. Ela conseguia vagar livremente, envergonhando-me ainda mais. 

 Lágrimas vieram aos meus olhos e eu as deixei cair sem misericórdia. Encostei na parede e fui caindo aos poucos, escorregando, até estar sentada no chão. Recolhi as pernas junto ao corpo, abraçando-as e escondendo meu rosto ali. Fechei meus olhos umidos para agravar a escuridão e deixei cair mais algumas lágrimas, que escorreram copiosas pelo meu rosto. 

 Aquele momento já havia se repetido tantas vezes quando eu estava sozinha no dormitório feminino: eu sentava e chorava minhas mágoas, até estar bem para poder andar novamente diante das pessoas sem deixar que novas lágrimas caissem. Não enquanto estivesse em público. Medo de sujar uma imagem? Nunca. Eu não ligava para o que os outros pensavam de mim; aquilo não era da conta deles. Mas eu tinha medo de que os boatos sobre me ver chorando chegassem ao ouvido de Fred e Jorge. Se acontecesse, eles fariam perguntas desnecessárias que eu não tinha vontade de responder.

 Voltei minha atenção aos quadros que dormiam à minha volta. Alguns roncavam. A tranquilidade daquilo me fez desejar poder ser um quadro. Viver apenas dentro das pinturas, sem ser afetado pelo que acontecia no mundo. Sem me preocupar, pois para eles pouco importava se existissem ou não. Eu queria ser assim. Viver sem medo do que acontecerá. Afinal, eu seria apenas o resultado da obra de algum pintor. 

 Ciente de que estava sozinha naquele corredor escuro e frio, deixei-me soluçar alto. 

 Os passos que ouvi vindo em minha direção foram relacionados automaticamente por meu cérebro aos passos de Madame Nora, a gata do zelador. Em outros tempos, eu teria me levantado e me retirado com pressa para não ser pega vagando pelos corredores tão tarde. 

 Mas esse estava longe de ser um dia comum. E eu estava nervosa o suficiente para chegar a ter raiva de qualquer um. 

 Levantei a cabeça e tirei a varinha das vestes, pronta para estuporar aquela gata inútil. Porém, quando vi quem realmente vinha em minha direção, minha voz morreu na garganta e não pude murmurar o feitiço. 

 Jorge. 

 Mantive a varinha apontada para ele, o rosto visível apenas pela luz da lua que penetrava pela única janela do corredor. Seus olhos mantinham a fachada descontraída de sempre. Mas eu podia ver que ele estava preocupado. 

 - O que você esta fazendo aqui? - perguntei rudemente. 

 Ele fez uma cara que dizia: 'eu-sou-um-emocionante-sedutor-que-se-aproveita-das-garotas-em-situações-delicadas'. 

 - Vim conversar. - respondeu.  

 - Eu não quero conversar. 

 - E eu não me sinto à vontade com uma varinha apontada para mim. - retrucou. 

 Abaixei a varinha com um suspiro resignado. Estava frio. Meu pijama fino se resumia à uma calça vermelha de algodão e uma blusa de alças finas marrom. Em outras palavras, eu estava congelando. 

 - O que você está fazendo aqui, Jorge? - repeti a pergunta de um minuto atrás. 

 - Oi, prazer em vê-la também e, sim, eu gostaria de me sentar, muito obrigado. - ele disse e começou a se sentar ao meu lado, mas fui mais rápida e me levantei. 

 Ele me faria perguntas que eu não estava em condições de responder. Eu sabia que ele só tinha vindo até aqui para exigir explicações que eu não daria. 

 - Eu já estava de saída. - disse e comecei a andar pelo lado contrário pelo qual ele havia chegado. 

 Mal tinha dado dois passos e eu já senti que Jorge segurava meu pulso e me girava para ficar de frente para ele. 

 - Espere. - pediu com autoridade. - Eu não estava seguindo você. Juro. Mas Fred me pediu para vir ver se você estava bem. - continuou. 

 Uma vozinha na minha cabeça me disse que eu deveria ir embora imediatamente, pois aquela conversa tomaria rumos perigosos. Mas meu orgulho me disse que se saísse dali, daria a impressão de que estaria fugindo. Dei ouvidos à segunda voz e sabia que me arrependeria mais tarde, mas não me importei. 

 - Não me lembro de ter dito que devia satisfação à ele. - retruquei e tentei soltar meu pulso. Não obtive sucesso. 

 - Mas acho que se lembra de ter deixado meu irmão sem resposta na sala comunal. E também acho que se lembra de que ele se sentiu culpado pela sua distância. - ele deixou a frase pairar no ar por alguns segundos antes de continuar: - Ele tentou concertar, Angie, uma coisa pela qual ele não teve culpa alguma. Então acho que você deve uma explicação à ele. E a mim também.  

 Meus olhos voltaram a se encher de lágrimas e eu soube que ele tinha razão. E soube também que deveria ter dado ouvidos à primeira voz e ido embora dali. E senti raiva. Meu subconsciente precisava culpar alguém pelo que estava acontecendo e eu culpava a mim mesma. Mas não podia deixar de pensar que Fred e Jorge tinham sua parcela de culpa. Essa culpa se baseava em serem gêmeos extremamente carismáticos. Minha culpa era ser mais fácil do que eu imaginava. 

 - O que vocês querem de mim? - perguntei com a voz embargada. 

 Jorge me olhou com uma pitada de arrependimento pelo que havia dito. 

 - Eu quero que responda as minhas perguntas. Só isso. - respondeu. 

 - Depende. 

 - Depende do que? 

 - Do que for perguntar. 

 Ele me olhou por um momento e em seus olhos havia um misto de simplicidade e superioridade impressionantes. E eu soube que ele não iria me perguntar nada que não merecesse saber. 

 - Tudo se resume ao que acabou de acontecer. - ele me garantiu. 

 - Não tenho resposta para tudo. - choraminguei. 

 - Tenho certeza de que terá resposta para a maioria. - me garantiu novamente. 

 Suspirei derrotada. 

 - Certo. - permiti. 

 Jorge me soltou e eu me afastei alguns passos dele. Mas não corri. Eu sabia ler a palavra 'fim' quando a via escrita. 

 Ele permaneceu em silêncio por alguns minutos, creio que medindo a situação. Eu não tinha pressa. Quando ele finalmente falou, o som me pegou desprevenida e levei um breve susto que logo foi substituido pela incredulidade:

 - Você e meu irmão tinham algo. - disse. Apenas isso e mais nada. 

 A simplicidade da afirmação me fez pensar que ele já sabia que minha resposta seria afirmativa. Sua voz saiu sem dúvida, o que me fez pensar que Fred havia dito à ele; que Jorge sabia de tudo; ele sempre soube. Que a cena anterior não fora o momento da descoberta dele. 

 - Fred te contou. - declarei. 

 - Contou. - confirmou.

 - Tudo? 

 - Sim. Você e ele se encontravam escondidos. 

 Suspirei aliviada. Aquilo com certeza não era tudo. Fred havia omitido os detalhes mais importantes: onde aconteciam os encontros; em quais dias e o mais importante... O que faziamos lá. Sim, porque se Jorge soubesse o que acontecia entre mim e Fred, isto é, nossos amassos nada inocentes, minha carreira social estaria perdida antes de começar. Ou talvez Jorge soubesse, mas quisesse me poupar de algo tão vergonhoso quando comentado em voz alta. Agradeci mentalmente pelo seu desconhecimento dos fatos. 

 Respirei fundo. Fred prometeu que não contaria nada à ele. E se Jorge sabia sobre mim e Fred porque diabos foi que ele me deixou beijá-lo? Por Merlin, como ele pode?

 - Então porque você me beijou? - perguntei indignada. 

 - Eu?! - ele exclamou com sua melhor cara de santo. - Não fui eu que te beijei. Muito pelo contrário: você que se jogou em mim! 

 Bufei. 

 - Então por que me deixou fazer isso?! - perguntei novamente. 

 - Como é que eu podia imaginar que você tinha encontros amorosos com meu irmão?! 

 - Mas não acabou de dizer que Fred te contou tudo?! - perguntei confusa. 

 Um quadro acordou com nossa conversa e pediu silêncio colocando um dedo sobre os lábios. Jorge abaixou o tom de voz para quase um sussurro e disse:

 - Do que esta falando? 

 - Há quanto tempo sabe sobre mim e seu irmão? - perguntei. 

 - Desde hoje. Estávamos voltando da detenção quando ele me contou. - explicou-se. 

 - Então, quando eu te beijei, você não sabia? - perguntei para ter certeza. 

 Jorge pareceu ficar ofendido. 

 - É claro que não! - disse elevando o tom de voz. - Acha mesmo que se eu soubesse que você estava de rolo com ele, eu teria deixado que me beijasse?! 

 - Fale baixo! - pedi. Havia quatro quadros que nos olhavam com cara de poucos amigos, o que devia ser verdade, levando em conta que viviam em um quadro. Foco!

 Jorge arregalou os olhos de repente e me olhou com uma expressão aterrorizada. 

 - Espere. - ele apontou um dedo para mim. - Eu não sabia que vocês estavam juntos, mas você com certeza sabia! - acusou. 

 - É claro que eu sabia! - isso era meio óbvio. 

 - Então porque me beijou? - perguntou. 

 - Eu não te beijei...

 - Ah! O que será que foi aquilo? - ele fez uma cara de dissimulado que verdadeiramente me assustou.

 - Eu pensei que fosse o Fred! - declarei. 

 - Ah, ela pensou que eu fosse o Fred e... - Jorge deixou a frase morrer e me encarou com perplexibilidade. - Sério? 

 - O que?

 - Pensou que eu fosse o Fred? 

 - Pensei. - afirmei. 

 - Mas... não foi esse o dia do jogo em que vocês estavam na ala hospitalar e você voltou mais cedo por que seus ferimentos eram leves? - perguntou. 

 Suspirei impaciente. Já era muito dificil falar de meus erros platônicos, mas ele ainda precisava dar uma de confuso para eu ter que explicar?

 - Sim. - confirmei. 

 - E se você tinha deixado ele na enfermaria e voltado para a sala comunal onde se encontrou comigo... - ele pareceu calcular a situação - Como... como conseguiu nos confundir? 

 - Eu sei que foi idiotice minha, mas o que você queria que eu fizesse? - perguntei cruzando os braços. 

 - Raciocinasse? - perguntou com um sorriso maroto. - E eu ainda estava com o suéter que a Mamãe fez para mim, com o J bordado para te ajudar nessa tarefa de identificação. 

 - Por Merlin, você não consegue levar nada a sério?! - perguntei me irritando. Não era hora para brincadeiras. 

 Os quadros começaram a reclamar conosco por causa do barulho que estávamos causando, mas eu já não me importava mais com nada. Estava irritada demais para me importar. 

 - Tem razão. - disse Jorge passando o braço pelos meus ombros. - Desculpe. 

 Tirei o braço dele de cima de mim e perguntei de rompante, como uma coisa que acaba de me ocorrer:

 - Acha que ele sabe? - perguntei. - Isto é... que nós... - deixei a frase pairar significativamente. 

 - Não. Eu não disse nada à ele. 

 - Eu também não disse nada. Mas quando ele disse que sabia o porque de eu estar assim, entrei em pânico. - desabafei. 

 - Ele não sabe, mas eu tenho quase certeza de que sei. - ele disse. 

 Olhei para Jorge curiosamente, esperando que ele me entendesse como estava dizendo. Embora o desejo ter alguém com quem pudesse conversar a respeito de tudo fosse forte, eu não era ingênua o bastante para achar que o Jorge - uma das pessoas que estava no meio da confusão - fosse essa pessoa. 

 - E eu posso assegurar que não sabe. - disse. - Certo, digamos que você saiba. O que acha que é? - perguntei, sugerindo que ele fizesse uma tentativa. 

 - Culpa. - ele disse simplesmente. 

 - Sim. - confirmei. 

 - Você estava com uma pessoa, mas beijou o irmão dele. Então você fica distante para que não o magoe. E ele acha que a culpa da sua distancia é dele. E tenta concertar isso. - Jorge recitou. - Está se sentindo culpada. - afirmou apontando o dedo para mim. 

 Afastei o dedo dele de mim com um gesto rápido, antes de encostar meu dedo incador no peito dele, como uma acusação.

 - Você pode até saber o porque de eu estar assim. - afirmei . - Mas não consegue entender meus sentimentos. Você não consegue entender, Jorge. 

 Jorge deu um passo para frente, me fazendo recuar um. 

 - Sabe que o esta machucando. - ele voltou a me acusar. 

 - Sim, eu sei. 

 Ele deu outro passo. Eu recuei. 

 - Esta magoando a si mesma. 

 - Também sei disso. 

 Ele deu mais um passo. Eu recuei dois. 

 - Esta me magoando também. - ele afirmou. 

 Não respondi. Havia sido apenas um beijo. Não podia ter significado nada para ele. Significou para você, Angelina. Mas é diferente. Eu sempre gostei dele, só não sabia disso. Já pensou que talvez tenha acontecido a mesma coisa com ele? 

 - Estou? - perguntei. 

 - Não finja que não sabe. 

 Jorge voltou a avançar. A cada passo dele, eu recuava um. Senti a parede chegar atrás de mim e percebi que me colocar contra a parede havia sido o objetivo dele. 

 - Esta me encurralando. - ralhei. 

 - Sei disso. 

 Percebi que ele havia tomado uma decisão assim que apoiou os dois braços na parede, um de cada lado de mim, impedindo minhas opções de saída. Observei que um sorriso malicioso se formou nos lábios de Jorge e me lembrei de quando ele me dizia que seu desejo era prenssar uma garota na parede. Mas ele já fizera isso com outras garotas em Hogwarts. Ou talvez aquilo tenha sido uma indireta que eu não entendi. 

 - Jorge... - ameacei. 

 - O que? - ele perguntou inocentemente. 

 - Pare. - pedi com autoridade. 

 - Só se você disser que não quer me beijar. 

 Jorge chegou um pouco mais perto de mim, encostando sua testa na minha. 

 Ele começou a beijar os cantos da minha boca. Uma vez. Duas. Uma terceira vez, antes de se mudar para meu lábio inferior e morde-lo de leve, dando um puxãozinho em seguida. 

 - Eu. Não. Quero. Beijar. Você. - eu disse uma palavra de cada vez para que a frase saísse convicta, mas não menos mentirosa. 

 Jorge riu sedutoramente em meu ouvido e sussurrou, me causando arrepios:

 - Você é uma péssima mentirosa. 

 E me beijou. Assim que nossos lábios de encontraram, ele aprofundou o beijo. Não tive tempo para negar. Suas mãos deixaram a parede e envolveram minha cintura. Entrelacei meus dedos em seus cabelos ruivos. 

 Assim como aconteceu rápido, com maior rapidez acabou assim que escutei uma voz assustadoramente conhecida:

 - O que está havendo aqui?!

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N/A: eu sei que demorei um pouco, mas fiz tudo o que podia para terminar o mais rápido possível. Posso adiantar que essa fic não passará do cap. quinze. Talvez tenha até menos caps. do que isso. (trágico).

 Desculpem se tiver muitos erros de português.

 Comentem.

  

Capítulo Dez:



Narrado por Angelina Johnson



 Eu seguia pelos corredores da escola cegamente. Estava tudo escuro e eu não senti a necessidade de ascender a varinha. A escuridão acolhia minha culpa como uma velha amiga e por isso eu não queria quebrá-la. Deixaria meus erros a mostra. E essa era a última coisa que eu precisava. 



 Você deve estar pensando que eu sou uma adolescente em crise, com problemas pequenos. Você pode achar que uma pessoa com apenas dezesseis anos não se apaixona de verdade e que eu estava apenas confundindo meus sentimentos entre dois garotos. Alguns diriam que é apenas uma paixonite e que logo iria passar. Acredite ou não, eu também gostaria de pensar assim. Se for um pouco mais longe, que tudo fosse dessa maneira também. 



 Não culpo ninguém por pensar essas coisas. Muito pelo contrário. Acho que é apenas uma questão de perspectiva. 



 A minha perspectiva no momento não era das melhores. Eu era a protagonista dessa história. E isso definitivamente não era uma coisa boa. 



 Esse tempo todo Fred pensava que a culpa era dele. Que o motivo por eu estar me distanciando dos meus ruivos era ele. E eu pensando que se os deixasse em paz traria uma melhora considerável em tudo o que estava acontecendo e os privaria de meus problemas imbecis. Mas não. Eles estavam mais presentes do que eu poderia ter imaginado. E no final, todos sofriamos juntos, como sempre acontecia. 



 Eu pensando que estava tudo indo tão bem... Eu e Fred estávamos juntos, mesmo que escondendo dos outros. A Armada de Dumbledore estava nos dando a estranha sensação de movimento, o que amenizava a angustia de não poder fazer absolutamente nada.



 Mas eu tinha que estragar tudo. 



 Como foi que eu consegui beijar Jorge? Certo, isso esta longe de ter uma resposta coerente de qualquer garota que já o tenha beijado. Vou reformular a pergunta...



 Como foi que eu consegui beijar Jorge naquelas circunstâncias? Era tão infinitamente óbvio que aquele não era Fred. 



 Me lembrei de como tudo ocorrera. E me perguntei se eu por um acaso, no fundo, realmente não sabia quem era aquele ruivo no sofá. Acho que eu sempre soube. Só não queria admitir para mim mesma que havia feito aquilo de livre e espontanea vontade, magoando a pessoa que eu mais gostava no momento. 



 No momento. Naquele momento. Agora? Eu estava dividida entre um e outro. Pior. Não conseguia encontrar uma solução para aquilo. 



 Minto. Havia uma coclusão que eu podia considerar: eu amava a ambos. 



 Uma onda de auto-piedade se abateu sobre mim e de repente eu já não tinha mais forças para continuar a vagar sem rumo pelos corredores vazios de Hogwarts. A escuridão já não fazia mais efeito. A culpa não a temia mais. Ela conseguia vagar livremente, envergonhando-me ainda mais. 



 Lágrimas vieram aos meus olhos e eu as deixei cair sem misericórdia. Encostei na parede e fui caindo aos poucos, escorregando, até estar sentada no chão. Recolhi as pernas junto ao corpo, abraçando-as e escondendo meu rosto ali. Fechei meus olhos umidos para agravar a escuridão e deixei cair mais algumas lágrimas, que escorreram copiosas pelo meu rosto. 



 Aquele momento já havia se repetido tantas vezes quando eu estava sozinha no dormitório feminino: eu sentava e chorava minhas mágoas, até estar bem para poder andar novamente diante das pessoas sem deixar que novas lágrimas caissem. Não enquanto estivesse em público. Medo de sujar uma imagem? Nunca. Eu não ligava para o que os outros pensavam de mim; aquilo não era da conta deles. Mas eu tinha medo de que os boatos sobre me ver chorando chegassem ao ouvido de Fred e Jorge. Se acontecesse, eles fariam perguntas desnecessárias que eu não tinha vontade de responder.



 Voltei minha atenção aos quadros que dormiam à minha volta. Alguns roncavam. A tranquilidade daquilo me fez desejar poder ser um quadro. Viver apenas dentro das pinturas, sem ser afetado pelo que acontecia no mundo. Sem me preocupar, pois para eles pouco importava se existissem ou não. Eu queria ser assim. Viver sem medo do que acontecerá. Afinal, eu seria apenas o resultado da obra de algum pintor. 



 Ciente de que estava sozinha naquele corredor escuro e frio, deixei-me soluçar alto. 



 Os passos que ouvi vindo em minha direção foram relacionados automaticamente por meu cérebro aos passos de Madame Nora, a gata do zelador. Em outros tempos, eu teria me levantado e me retirado com pressa para não ser pega vagando pelos corredores tão tarde. 



 Mas esse estava longe de ser um dia comum. E eu estava nervosa o suficiente para chegar a ter raiva de qualquer um. 



 Levantei a cabeça e tirei a varinha das vestes, pronta para estuporar aquela gata inútil. Porém, quando vi quem realmente vinha em minha direção, minha voz morreu na garganta e não pude murmurar o feitiço. 



 Jorge. 



 Mantive a varinha apontada para ele, o rosto visível apenas pela luz da lua que penetrava pela única janela do corredor. Seus olhos mantinham a fachada descontraída de sempre. Mas eu podia ver que ele estava preocupado. 



 - O que você esta fazendo aqui? - perguntei rudemente. 



 Ele fez uma cara que dizia: 'eu-sou-um-emocionante-sedutor-que-se-aproveita-das-garotas-em-situações-delicadas'. 



 - Vim conversar. - respondeu.  



 - Eu não quero conversar. 



 - E eu não me sinto à vontade com uma varinha apontada para mim. - retrucou. 



 Abaixei a varinha com um suspiro resignado. Estava frio. Meu pijama fino se resumia à uma calça vermelha de algodão e uma blusa de alças finas marrom. Em outras palavras, eu estava congelando. 



 - O que você está fazendo aqui, Jorge? - repeti a pergunta de um minuto atrás. 



 - Oi, prazer em vê-la também e, sim, eu gostaria de me sentar, muito obrigado. - ele disse e começou a se sentar ao meu lado, mas fui mais rápida e me levantei. 



 Ele me faria perguntas que eu não estava em condições de responder. Eu sabia que ele só tinha vindo até aqui para exigir explicações que eu não daria. 



 - Eu já estava de saída. - disse e comecei a andar pelo lado contrário pelo qual ele havia chegado. 



 Mal tinha dado dois passos e eu já senti que Jorge segurava meu pulso e me girava para ficar de frente para ele. 



 - Espere. - pediu com autoridade. - Eu não estava seguindo você. Juro. Mas Fred me pediu para vir ver se você estava bem. - continuou. 



 Uma vozinha na minha cabeça me disse que eu deveria ir embora imediatamente, pois aquela conversa tomaria rumos perigosos. Mas meu orgulho me disse que se saísse dali, daria a impressão de que estaria fugindo. Dei ouvidos à segunda voz e sabia que me arrependeria mais tarde, mas não me importei. 



 - Não me lembro de ter dito que devia satisfação à ele. - retruquei e tentei soltar meu pulso. Não obtive sucesso. 



 - Mas acho que se lembra de ter deixado meu irmão sem resposta na sala comunal. E também acho que se lembra de que ele se sentiu culpado pela sua distância. - ele deixou a frase pairar no ar por alguns segundos antes de continuar: - Ele tentou concertar, Angie, uma coisa pela qual ele não teve culpa alguma. Então acho que você deve uma explicação à ele. E a mim também.  



 Meus olhos voltaram a se encher de lágrimas e eu soube que ele tinha razão. E soube também que deveria ter dado ouvidos à primeira voz e ido embora dali. E senti raiva. Meu subconsciente precisava culpar alguém pelo que estava acontecendo e eu culpava a mim mesma. Mas não podia deixar de pensar que Fred e Jorge tinham sua parcela de culpa. Essa culpa se baseava em serem gêmeos extremamente carismáticos. Minha culpa era ser mais fácil do que eu imaginava. 



 - O que vocês querem de mim? - perguntei com a voz embargada. 



 Jorge me olhou com uma pitada de arrependimento pelo que havia dito. 



 - Eu quero que responda as minhas perguntas. Só isso. - respondeu. 



 - Depende. 



 - Depende do que? 



 - Do que for perguntar. 



 Ele me olhou por um momento e em seus olhos havia um misto de simplicidade e superioridade impressionantes. E eu soube que ele não iria me perguntar nada que não merecesse saber. 



 - Tudo se resume ao que acabou de acontecer. - ele me garantiu. 



 - Não tenho resposta para tudo. - choraminguei. 



 - Tenho certeza de que terá resposta para a maioria. - me garantiu novamente. 



 Suspirei derrotada. 



 - Certo. - permiti. 



 Jorge me soltou e eu me afastei alguns passos dele. Mas não corri. Eu sabia ler a palavra 'fim' quando a via escrita. 



 Ele permaneceu em silêncio por alguns minutos, creio que medindo a situação. Eu não tinha pressa. Quando ele finalmente falou, o som me pegou desprevenida e levei um breve susto que logo foi substituido pela incredulidade:



 - Você e meu irmão tinham algo. - disse. Apenas isso e mais nada. 



 A simplicidade da afirmação me fez pensar que ele já sabia que minha resposta seria afirmativa. Sua voz saiu sem dúvida, o que me fez pensar que Fred havia dito à ele; que Jorge sabia de tudo; ele sempre soube. Que a cena anterior não fora o momento da descoberta dele. 



 - Fred te contou. - declarei. 



 - Contou. - confirmou.



 - Tudo? 



 - Sim. Você e ele se encontravam escondidos. 



 Suspirei aliviada. Aquilo com certeza não era tudo. Fred havia omitido os detalhes mais importantes: onde aconteciam os encontros; em quais dias e o mais importante... O que faziamos lá. Sim, porque se Jorge soubesse o que acontecia entre mim e Fred, isto é, nossos amassos nada inocentes, minha carreira social estaria perdida antes de começar. Ou talvez Jorge soubesse, mas quisesse me poupar de algo tão vergonhoso quando comentado em voz alta. Agradeci mentalmente pelo seu desconhecimento dos fatos. 



 Respirei fundo. Fred prometeu que não contaria nada à ele. E se Jorge sabia sobre mim e Fred porque diabos foi que ele me deixou beijá-lo? Por Merlin, como ele pode?



 - Então porque você me beijou? - perguntei indignada. 



 - Eu?! - ele exclamou com sua melhor cara de santo. - Não fui eu que te beijei. Muito pelo contrário: você que se jogou em mim! 



 Bufei. 



 - Então por que me deixou fazer isso?! - perguntei novamente. 



 - Como é que eu podia imaginar que você tinha encontros amorosos com meu irmão?! 



 - Mas não acabou de dizer que Fred te contou tudo?! - perguntei confusa. 



 Um quadro acordou com nossa conversa e pediu silêncio colocando um dedo sobre os lábios. Jorge abaixou o tom de voz para quase um sussurro e disse:



 - Do que esta falando? 



 - Há quanto tempo sabe sobre mim e seu irmão? - perguntei. 



 - Desde hoje. Estávamos voltando da detenção quando ele me contou. - explicou-se. 



 - Então, quando eu te beijei, você não sabia? - perguntei para ter certeza. 



 Jorge pareceu ficar ofendido. 



 - É claro que não! - disse elevando o tom de voz. - Acha mesmo que se eu soubesse que você estava de rolo com ele, eu teria deixado que me beijasse?! 



 - Fale baixo! - pedi. Havia quatro quadros que nos olhavam com cara de poucos amigos, o que devia ser verdade, levando em conta que viviam em um quadro. Foco!



 Jorge arregalou os olhos de repente e me olhou com uma expressão aterrorizada. 



 - Espere. - ele apontou um dedo para mim. - Eu não sabia que vocês estavam juntos, mas você com certeza sabia! - acusou. 



 - É claro que eu sabia! - isso era meio óbvio. 



 - Então porque me beijou? - perguntou. 



 - Eu não te beijei...



 - Ah! O que será que foi aquilo? - ele fez uma cara de dissimulado que verdadeiramente me assustou.



 - Eu pensei que fosse o Fred! - declarei. 



 - Ah, ela pensou que eu fosse o Fred e... - Jorge deixou a frase morrer e me encarou com perplexibilidade. - Sério? 



 - O que?



 - Pensou que eu fosse o Fred? 



 - Pensei. - afirmei. 



 - Mas... não foi esse o dia do jogo em que vocês estavam na ala hospitalar e você voltou mais cedo por que seus ferimentos eram leves? - perguntou. 



 Suspirei impaciente. Já era muito dificil falar de meus erros platônicos, mas ele ainda precisava dar uma de confuso para eu ter que explicar?



 - Sim. - confirmei. 



 - E se você tinha deixado ele na enfermaria e voltado para a sala comunal onde se encontrou comigo... - ele pareceu calcular a situação - Como... como conseguiu nos confundir? 



 - Eu sei que foi idiotice minha, mas o que você queria que eu fizesse? - perguntei cruzando os braços. 



 - Raciocinasse? - perguntou com um sorriso maroto. - E eu ainda estava com o suéter que a Mamãe fez para mim, com o J bordado para te ajudar nessa tarefa de identificação. 



 - Por Merlin, você não consegue levar nada a sério?! - perguntei me irritando. Não era hora para brincadeiras. 



 Os quadros começaram a reclamar conosco por causa do barulho que estávamos causando, mas eu já não me importava mais com nada. Estava irritada demais para me importar. 



 - Tem razão. - disse Jorge passando o braço pelos meus ombros. - Desculpe. 



 Tirei o braço dele de cima de mim e perguntei de rompante, como uma coisa que acaba de me ocorrer:



 - Acha que ele sabe? - perguntei. - Isto é... que nós... - deixei a frase pairar significativamente. 



 - Não. Eu não disse nada à ele. 



 - Eu também não disse nada. Mas quando ele disse que sabia o porque de eu estar assim, entrei em pânico. - desabafei. 



 - Ele não sabe, mas eu tenho quase certeza de que sei. - ele disse. 



 Olhei para Jorge curiosamente, esperando que ele me entendesse como estava dizendo. Embora o desejo ter alguém com quem pudesse conversar a respeito de tudo fosse forte, eu não era ingênua o bastante para achar que o Jorge - uma das pessoas que estava no meio da confusão - fosse essa pessoa. 



 - E eu posso assegurar que não sabe. - disse. - Certo, digamos que você saiba. O que acha que é? - perguntei, sugerindo que ele fizesse uma tentativa. 



 - Culpa. - ele disse simplesmente. 



 - Sim. - confirmei. 



 - Você estava com uma pessoa, mas beijou o irmão dele. Então você fica distante para que não o magoe. E ele acha que a culpa da sua distancia é dele. E tenta concertar isso. - Jorge recitou. - Está se sentindo culpada. - afirmou apontando o dedo para mim. 



 Afastei o dedo dele de mim com um gesto rápido, antes de encostar meu dedo incador no peito dele, como uma acusação.



 - Você pode até saber o porque de eu estar assim. - afirmei . - Mas não consegue entender meus sentimentos. Você não consegue entender, Jorge. 



 Jorge deu um passo para frente, me fazendo recuar um. 



 - Sabe que o esta machucando. - ele voltou a me acusar. 



 - Sim, eu sei. 



 Ele deu outro passo. Eu recuei. 



 - Esta magoando a si mesma. 



 - Também sei disso. 



 Ele deu mais um passo. Eu recuei dois. 



 - Esta me magoando também. - ele afirmou. 



 Não respondi. Havia sido apenas um beijo. Não podia ter significado nada para ele. Significou para você, Angelina. Mas é diferente. Eu sempre gostei dele, só não sabia disso. Já pensou que talvez tenha acontecido a mesma coisa com ele? 



 - Estou? - perguntei. 



 - Não finja que não sabe. 



 Jorge voltou a avançar. A cada passo dele, eu recuava um. Senti a parede chegar atrás de mim e percebi que me colocar contra a parede havia sido o objetivo dele. 



 - Esta me encurralando. - ralhei. 



 - Sei disso. 



 Percebi que ele havia tomado uma decisão assim que apoiou os dois braços na parede, um de cada lado de mim, impedindo minhas opções de saída. Observei que um sorriso malicioso se formou nos lábios de Jorge e me lembrei de quando ele me dizia que seu desejo era prenssar uma garota na parede. Mas ele já fizera isso com outras garotas em Hogwarts. Ou talvez aquilo tenha sido uma indireta que eu não entendi. 



 - Jorge... - ameacei. 



 - O que? - ele perguntou inocentemente. 



 - Pare. - pedi com autoridade. 



 - Só se você disser que não quer me beijar. 



 Jorge chegou um pouco mais perto de mim, encostando sua testa na minha. 



 Ele começou a beijar os cantos da minha boca. Uma vez. Duas. Uma terceira vez, antes de se mudar para meu lábio inferior e morde-lo de leve, dando um puxãozinho em seguida. 



 - Eu. Não. Quero. Beijar. Você. - eu disse uma palavra de cada vez para que a frase saísse convicta, mas não menos mentirosa. 



 Jorge riu sedutoramente em meu ouvido e sussurrou, me causando arrepios:



 - Você é uma péssima mentirosa. 



 E me beijou. Assim que nossos lábios de encontraram, ele aprofundou o beijo. Não tive tempo para negar. Suas mãos deixaram a parede e envolveram minha cintura. Entrelacei meus dedos em seus cabelos ruivos. 



 Assim como aconteceu rápido, com maior rapidez acabou assim que escutei uma voz assustadoramente conhecida:



 - O que está havendo aqui?!



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N/A: eu sei que demorei um pouco, mas fiz tudo o que podia para terminar o mais rápido possível. Posso adiantar que essa fic não passará do cap. quinze. Talvez tenha até menos caps. do que isso. (trágico).



 Desculpem se tiver muitos erros de português.



 Comentem.



  

 

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