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4. Malfoy...


Fic: 79 Park Avenue Hhr - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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− Que parte de Coney Island é esta? − perguntou Mione, quando Malfoy parava o carro diante de um portão e tocava a buzina.


Ele a olhou com um sorriso.


− Chama-se Porta do Mar. Temos uma casa aqui.


− Casa? Uma barraca para trocar de roupa, não é?


− Não, uma casa mesmo. Este trecho aqui é particular.


Um porteiro espiou de trás da grade.


− Abra, Joe − disse Malfoy.


− Oh, é o Sr. Draco − disse o porteiro, abrindo o pesado portão de ferro.


− É uma casa de verão − explicou Malfoy, entrando com o carro.


− Passamos o verão aqui quando papai está tão cheio de trabalho que não pode abandonar o escritório.


Mione olhou em torno. Dos dois lados da estrada, havia belas casas por entre gramados e árvores.


− Que beleza! − exclamou ela. − Isso é o mesmo que viver dentro de um parque.


Malfoy não disse nada. Ela se virou para Gina, que ia ao banco de trás.


− Não acha, Gina?


Gina e Neville estavam também impressionados e olhavam as casas, boquiabertos.


− Acho que aqui só moram milionários − disse Gina.


− Ouviu isso? − perguntou Mione a Malfoy.


− Ouvi, sim.


− É verdade?


− Não.


− Seu pai deve ser rico.


Ele entrou com o carro por uma alameda e parou. Desligou o motor e voltou-se para ela, com os olhos frios.


− Que é que lhe interessa o que meu pai é? Quem trouxe você para cá fui eu.


Mione ficou a olhá-lo, sem saber ao certo o que dissera para enfurecê-lo tanto. Um instante depois, disse:


− De fato, não me interessa.


Tão depressa quanto aparecera, a frieza saiu dos olhos de Malfoy, e ele sorriu.


− Então ande e venha vestir um maiô. A água parece ótima hoje.


Ele saltou do carro e abriu a porta para ela. Mione desceu e olhou para a casa, cujos fundos davam diretamente para a praia e o mar. Era uma casa bem grande. Dois andares. De madeira, pintada de verde-escuro. Malfoy podia dizer o que quisesse, mas o pai dele devia ter muito dinheiro para possuir uma casa como aquela.


Ele os fez entrar pela varanda da frente e, tirando uma chave do bolso, abriu a porta.


− Venha comigo − disse ele, começando a subir pela escada.


Mione viu de relance uma sala de estar e uma sala de jantar, ambas muito bem mobiliadas. Um espesso tapete cobria os degraus da escada. Jamais conhecera gente que morasse assim, a não ser no cinema.


Malfoy parou diante de uma porta e abriu-a.


− Este aqui é o quarto de minha irmã. Entre e você encontrará algum maiô que lhe sirva.


Mione entrou no quarto. Ouviu às suas costas a exclamação de espanto de Gina. Compreendia-a perfeitamente. Nunca em sua vida vira um quarto igual àquele. Era todo decorado de cetim rosa e azul. As cortinas, a colcha da cama e até a cadeira comprida e esquisita ao lado da cama. O tapete era de um rosa bem vivo e a mobília, toda em cerejeira.


Malfoy abriu um armário.


− Os maiôs estão aqui dentro. O banheiro é ali. Vocês duas têm dez minutos para se aprontarem.


− Quem sabe se elas não vão precisar de alguma ajuda? − disse
Neville, rindo.


Gina riu também, mas Malfoy disse com impaciência:


− Vamos, Neville. Temos também de aprontar-nos.


Neville seguiu-o e fechou, antes de sair, a porta do quarto. As duas moças se olharam.


− Malfoy pode dizer o que quiser − murmurou Gina −, mas o pai dele é na certa milionário!


− Ou milionário ou gângster − disse Mione, num sussurro.


Gina arregalou os olhos.


− Você acha isso possível?


− Acho bom nós nos vestirmos logo, antes que eles voltem − disse Mione, sorrindo e abrindo a porta do armário. − Gina! Venha ver!


Gina olhou para o armário e soltou uma exclamação de assombro. Havia ali cerca de vinte maiôs dependurados. Gina tocou num deles e exclamou, voltando-se para a amiga:


− Veja, Mione! Lã de verdade!


Mas Mione já havia tirado a blusa e a saia e estava tratando de desabotoar o sutiã.


Saiu da água correndo, toda ofegante, com Malfoy atrás dela.


− Não! Não faça isso, Malfoy! Vou ficar com a cabeça toda cheia de areia!


− Depois você lava − disse ele, tentando agarrá-la pelo pé. Ela se esquivou e ele caiu de joelhos.


Ela olhou para trás e viu que Malfoy se levantara e continuava a correr atrás dela. Afinal, agarrou-a por um tornozelo e ela caiu na areia. Ele se jogou no chão, ao lado dela.


Ficaram ali parados, procurando recuperar o fôlego.


Mione podia ouvir o ritmo sibilante da respiração dele. Afinal, sua respiração se normalizou e ela virou o corpo, deitando-se de costas. O calor do sol lhe inundava o rosto. Fechou os olhos. Aquilo era um paraíso. A respiração de Malfoy já estava normal, mas ele continuava imóvel. Mione abriu os olhos. Ele estava meio sentado, com o corpo apoiado num cotovelo, olhando-a.


− Como é? Está gostando? − perguntou ele, sorrindo.


− É como se eu estivesse num baile − disse ela, sorrindo também.


− Fico muito satisfeito com isso. Gina e Neville não querem sair da água.


− Não é de admirar. A água está magnífica.


− Por que foi então que você saiu?


− Para mim, bastou. Não sou muito sôfrega pelas coisas. Além disso, posso ficar mal acostumada com tantas coisas boas e não quero sofrer depois.


− Gostaria tanto de acostumá-la mal − disse ele, com o rosto bem perto dela. − E garanto que não vai sofrer.


Os olhos dele estavam diretamente fixos nos dela. Ninguém jamais a olhara dessa maneira, com um olhar tão firme e penetrante que parecia pôr a nu as profundezas da alma.


− Como é que sabe? − perguntou ela com voz rouca. − Talvez nossos sangues não combinem.


− Eu sei − disse ele, pondo a mão no ombro dela. Os lábios de
Mione estavam já à espera dele. Ela passou a língua pelos cantos da boca do rapaz, acendendo pequenas fogueiras por onde passava. O sangue começou a latejar nas têmporas de Malfoy. Ele empurrou-lhe a cabeça para a areia, com o braço passado pelo pescoço dela. As mãos dela fizeram-lhe pressão sobre a nuca.


Ninguém jamais o havia beijado assim. Ela ainda tinha os olhos abertos e olhava-o. Um calor agradável lhe enchia o corpo. Era engraçado como todos os homens eram iguais quando beijavam, quando os rostos estavam tão próximos que as visões se confundiam quase numa só antes que os olhos se fechassem. Nisso ao menos ele não era diferente dos outros. Sentiu-lhe a mão pelo corpo e não foi desagradável. A mão dele era quente e um pouco delicada. Não era como os outros, que a machucavam. Deixou cair à alça do maiô para poder sentir-lhe a mão na pele nua. Percebeu que a respiração dele estava ficando entrecortada.


Ela correu os dedos de leve pelo maiô molhado dele, do estômago até a coxa. Ele era forte também. Sentiu por toda a parte uma musculatura firme. Fechou a mão delicadamente no centro do corpo dele. Depois, afastou o rosto e apertou a cabeça dele de encontro ao peito. Sentiu-lhe os dentes por baixo dos lábios. Ele tentou virar a cabeça, mas ela segurou-a com firmeza. Olhou-o, sorrindo para si mesma. Era aquilo que tornava tudo tão maravilhoso. O que eles faziam por ela, o que ela podia levá-los a fazer. Era por isso que ela gostava de ser mulher. No fim, ela era sempre a mais forte.


− Malfoy − murmurou ela, sentindo a ardente agonia dos olhos dele.


Ele estava quase chorando. Mione sentiu-o estremecer e o calor do corpo dele atingiu-a através do maiô molhado. Um calor se irradiou do corpo dela em resposta, e Mione prendeu a respiração. Por um momento, ela o segurou com toda a força. Depois, o calor desapareceu, e eles ficaram imóveis.


Ele afastou-se e deitou-se de bruços na areia, respirando forte.
Ela virou-se para ele e afagou-lhe delicadamente os cabelos.


− Malfoy, querido. Você é tão bom.


− Por que foi que fez isso, Mione? − perguntou ele asperamente e com uma curiosa nota de vergonha no olhar.


Os olhos escancarados e os lábios sorridentes encerravam o segredo de todas as mulheres.


− Porque gosto de você, querido, e queria dar-lhe prazer.


Malfoy tentou fazer os lábios pararem de tremer. Sentiu-se por um momento à beira das lágrimas. Sabia que era mais velho do que ela, mas naquele instante sentia-se como uma criança ao lado dela. Virou a cabeça para o lado e disse com voz entrecortada e rude:


− Nunca mais faça isso. Nunca mais.


− Não gosta, querido? − perguntou ela suavemente.


− Não.


− Então não farei mais.


Ele sentiu-a mover-se na areia ao lado dele e virou-se para olhá-la. Ela estava sentada, passando a mão pelos cabelos dourados. Uma intensa vitalidade animal parecia emanar dela.


Ela olhou-o e disse sorrindo:


− Bem que eu disse que meus cabelos iam ficar cheios de areia. Tenho de ir lavá-los. Venha comigo.


Levantou-se e estendeu as mãos para ele. Mas ele não se levantou:


− Vá indo, que eu irei daqui a pouco.


Viu-a correr para o mar e quase perder o equilíbrio ao embate da primeira onda. Só então se levantou e saiu correndo atrás dela.


As primeiras vermelhidões do crepúsculo espalhavam-se pelo céu. Para os lados do poente, o sol ainda lutava contra a noite, grande bola vermelha que voltava desesperadamente para a companhia de todos os ontens. O calor começou a atenuar-se.


Mione sentou-se na manta que Malfoy havia estendido para eles.


− Que horas serão? − perguntou ela.


Ele abriu os olhos, examinou o céu e respondeu:


− Seis e quinze mais ou menos.


− Como é que sabe?


− Já fui escoteiro − disse ele, rindo.


− Você é o primeiro escoteiro que eu conheço − disse ela, rindo também e pousando a mão no joelho dele.


O corpo de Malfoy reagiu instintivamente. Ela percebeu e tirou prontamente a mão.


− Desculpe, tinha me esquecido.


− Não é preciso pedir desculpas.


− Mas você não gosta de que eu toque em você.


− Não é que não goste. Acho que o que acontece é que não estou habituado.


− Gosta então de mim?


− Comecei a gostar desde o momento em que a vi da porta suja do bilhar.


− Palavra?


− Palavra. Vi você na calçada com Gina e não consegui mais tirar os olhos de você. Nem pude mais jogar. Harry ganhou a partida.


− Harry? É aquele rapaz que não quis vir conosco?


− Isso mesmo. Ele nem levantou os olhos da mesa de bilhar quando eu disse que havia na rua uma garota linda.


− Foi isso mesmo que você disse?


− Não. Disse: "Onde é que vendem aquilo, que eu quero comprar todo o estoque?"


− Atrevido − disse ela, rindo.


− Foi muito bom Neville estar no bilhar, senão eu talvez nunca a tivesse conhecido.


− É verdade. O seu outro amigo não o ajudaria em nada.


− Harry é um ótimo rapaz. Só que é sério demais. Não pensa em garotas. Estuda o tempo todo. Diz que vai ser advogado.


− Ele é da sua idade?


− Um ano mais moço. Mas estivemos na mesma turma na escola.


Mione estava com a vaidade ferida. Era para ela uma questão de honra que todos os rapazes gostassem dela.


− Aposto que ele não é tão simpático quanto você.


− Obrigado, Mione. Você é a primeira garota que conheço que pensa assim. Em geral, quando elas o vêem, eu passo para o segundo lugar.


− Ele deve ser tremendamente presunçoso − disse ela com desdém. − Não tolero gente presunçosa.


− Não. Ele é uma ótima pessoa. Acho que ele nem toma conhecimento do sucesso que faz.


Ela tremeu ligeiramente, sentindo o frio da tarde.


− Aliás, ele pouco me interessa. Mas onde está Gina?


− Foram para a casa há coisa de uma hora, quando você estava cochilando. Gina se queixou de que estava sentindo frio.


Ela se levantou e espreguiçou-se.


− Acho que é melhor entrarmos também. Estou começando a sentir frio.


Ele a olhou, tentando calcular qual seria a idade dela. Mais ou menos dezessete. Não podia ter mais. Nunca vira uma garota que fosse tão mulher na idade dela. A pele clara, as maçãs do rosto salientes, a boca rasgada e sensual, a linha firme do queixo. Ela se espreguiçou de novo, levantando bem os braços acima da cabeça. Malfoy viu os tufos louros das axilas, seguiu com o olhar a curva dos seios cheios e jovens, a cintura fina e sólida, os quadris generosos e redondos, as coxas fortes e as pernas longas e bem-feitas. Ela percebeu o olhar e o exame. Sorriu para ele. Gostava que ele a olhasse.


A pergunta veio-lhe involuntariamente aos lábios.


− Quantos anos você tem, Mione?


− Adivinhe − respondeu ela, ainda sorrindo.


- Dezessete.


Ela ficou satisfeita de que ele a achasse mais velha.


− Quase isso − disse ela, com o justo grau de hesitação.


Ele abraçou-lhe as pernas e fê-la cair para junto dele. Ela deixou-se cair rindo, com o rosto bem próximo ao dele.


− Está disposta a beijar-me, beleza?


− Agora e sempre − disse ela com sua voz rouca, sem que os olhos mudassem de expressão.


As bocas se uniram e ele ficou vagamente surpreso de que ela realmente quisesse beijá-lo. Os lábios dela se moveram sobre os seus, abrindo caminho para a língua. Mas dessa vez, ele já sabia e não a deixaria tomá-lo de surpresa. Reagiu contra o ímpeto apaixonado que o invadia. Sentiu os dedos dela afagarem-lhe o rosto, um calor se alastrou por dentro dele e ele compreendeu que havia perdido. Desesperado, quase com raiva, afastou a boca.


− Acho que é melhor irmos.


− Está bem − disse ela, calmamente, levantando-se e esperando por ele.


Evitando-lhe o olhar, ele apanhou a manta, dobrou-a, colocou a no braço e levantou-se. Dirigiu-se para a casa, carregando a manta, sem olhar para ela. Ela caminhava ao lado dele. Em dado momento, estendeu a mão para a manta. Ele a olhou. Ela estava sorrindo e perguntou:


− Está escondendo alguma coisa, querido?


Ele ficou vermelho. Quis dar-lhe uma resposta malcriada, mas já estavam chegando a casa. Em vez de falar, ele abriu a porta para que ela passasse. Entraram pela porta que dava para a praia. Abriu-se num porão nos fundos, arrumado para quem vinha do mar preparar-se.
Mione parou logo que entrou. Voltou-se com o dedo nos lábios para recomendar silêncio a Malfoy.


− Veja − disse ela. − Os namorados.


Gina e Neville estavam deitados num divã nos braços um do outro, completamente nus. O primeiro impulso de Malfoy foi de choque, mas logo começou a rir. Era engraçado. Neville era muito magro e Gina era bem cheia de corpo.


− Vamos acordá-los? − perguntou em voz baixa.


− Não − disse Mione. − Parecem tão cansados, coitadinhos.
Passaram por eles na ponta dos pés e chegaram ao corredor. Mione perguntou então:


− Como é que se vai para o quarto? Quero vestir a roupa.


Subiram, e ele abriu a porta do quarto.


− Posso tomar um banho? - perguntou ela.


− Só se for de água fria. O aquecedor não está ligado.


− Não faz mal.


Apanhou as roupas em cima da cadeira e entrou no banheiro. Fechou a porta, passou o ferrolho e ficou esperando. Ouviu a porta do quarto bater quando ele saiu. Em seguida, sorrindo, entrou na banheira, puxou a cortina e abriu a torneira do chuveiro. Mesmo com água fria era maravilhoso. Ela adorava um banho de chuveiro. Em casa, havia apenas a tina na cozinha para tomar banho. O aparelho sanitário era no corredor. Mas assim, numa casa daquelas, é que se devia viver. Começou a cantar numa voz clara, mas meio desentoada. Já estava debaixo da água havia dez minutos quando relutantemente fechou o chuveiro. Correu a cortina do banheiro e já estava com um pé fora da banheira quando levantou os olhos. Levou a mão à boca para conter um grito de surpresa.


Malfoy estava diante dela, sorrindo, com uma grande toalha nas mãos estendidas.


− Achei que ia precisar disto − disse ele.


Ela não se moveu.


− Como foi que entrou aqui? − perguntou.


− Pelo meu quarto. O banheiro é comum aos dois quartos. É melhor pegar logo a toalha. Ou pode acabar pegando um resfriado.


Ela pegou a toalha e enrolou-se nela.


− Muito obrigada − disse secamente.


− Espere aí, Mione. Não está zangada comigo, está?


− Não, mas não gosto de gente que faz o que você fez. É só.


− Ora, foi uma simples brincadeira, Mione − disse ele, tentando beijá-la.


Ela afastou o rosto.


− Pois não achei graça nenhuma. E tenha a bondade de sair, que eu quero me vestir.


Malfoy podia sentir-lhe o calor através da toalha felpuda. Passou-lhe pela cabeça a imagem dos dois que tinham visto lá embaixo, nus, nos braços um do outro, e cingiu-a com os braços.


− Você não me vai deixar assim − disse ele com uma voz cheia de tensão e o coração a bater-lhe violentamente.


Ela o olhou com os olhos mais gelados que ele já havia visto e nem respondeu. Ele se sentiu dominado por violenta cólera. Tentou beijá-la à força, mas ela se desvencilhou dele em silêncio. Ele não podia segurá-la. Afinal, empregando todo o seu peso, empurrou-a contra a parede. Agora, ela não podia fugir. Olhou-a firmemente, arfante de esforço. Ela lhe sustentava o olhar sem sombra de medo.


− Vamos deixar dessa tolice, Mione − disse ele, rudemente. − Para que acha que a trouxe para cá?


Ela não respondeu. Continuou a olhá-lo.


Ele tentou arrancar a toalha, mas ela segurou-a com firmeza.
Mione se descontrolou. Havia um prazer intenso na violência. Deu-lhe uma bofetada com as costas da mão.


− Vamos, cachorra! Pare com isso! Gina disse que você fazia tudo!


Viu que ela se abrandava e relaxava o corpo de encontro à parede. A marca de seus dedos ainda era visível na pele queimada pelo sol. Um sorriso se esboçou nos lábios dela, e as pálpebras baixaram.


− Malfoy, querido − murmurou ela, suavemente.


Ele sorriu confiantemente. Aquelas vagabundas eram todas iguais. Às vezes, precisavam ser um pouco sacudidas para saber quem mandava. Aproximou-se dela cheio de segurança. Não viu o joelho dela levantar-se impetuosamente até sentir a explosão de dor nas virilhas. Ficou um momento diante dela, vacilante, sem poder acreditar.


− Mione! − exclamou com voz trêmula e lábios brancos. − Mione...


Sentiu então novo acesso de dor e caiu no chão diante dela. Podia vê-la olhando-o friamente, enquanto se torcia todo com as violentas dores que sentia. Viu-a passar por cima dele e apanhar as roupas em cima da cadeira. Sentiu o vento encanado no rosto quando ela abriu a porta e procurou levantar a cabeça para olhá-la. Ela estava na porta, olhando para ele, e disse com voz fria:


− Se era isso que você queria, por que não escolheu Gina?


A dor já estava passando. Já podia respirar, mas ainda não tinha coragem de mover-se com medo de que ela voltasse.


− Porque era você que eu queria, Mione − conseguiu dizer.


− Bem, há algumas coisas que eu faço e outras que não faço − disse ela, como se estivesse explicando alguma coisa a uma criança. − Que espécie de garota você acha que eu sou, Malfoy?


A porta se fechou, e ele ficou sozinho, estendido ali no chão. Encostou o rosto que queimava no ladrilho frio do banheiro e fechou os olhos. Viu-a no momento em que saía do quarto, e a dor voltou.


− Mione, Mione − murmurou ele, sozinho −, que espécie de garota é você?


Abriu cansadamente os olhos. Estava tudo escuro e a noite era silenciosa do lado de fora das janelas. Virou o corpo sobre o colchão macio e sentiu os braços sob o cobertor. Como teria ido parar ali? Sentiu uma pontada de dor e começou a lembrar. Viera cambaleante do banheiro e se jogara na cama. Lembrava-se de haver caído na sua agradável maciez, mas era só. Não podia lembrar-se de haver se coberto.


− Está se sentindo melhor, Malfoy?


Virou a cabeça para o ponto de onde partira a voz de Mione. Uma brasa de cigarro brilhava perto de uma cadeira num canto do quarto. Sentou-se na cama e se lembrou de tudo. Ela entrara no quarto e o cobrira quando ele estava começando a fechar os olhos.


Antes disso, tremia de frio.


− Estou, sim − respondeu ele.


A brasa do cigarro descreveu um arco para cima, avivou-se e tornou a esmaecer.


− Quer uma tragada?


− Quero, sim, obrigado.


Ouviu-a mover-se na escuridão, e sua silhueta passou pela janela. A cama baixou com o peso dela. O cigarro estava diante dele. Pegou-o, satisfeito, e levou-o à boca. A fumaça chegou-lhe ao fundo dos pulmões. Começou a sentir-se melhor.


− Que horas são?


− Quase nove − respondeu ela.


Levou de novo o cigarro à boca e deixou a fumaça sair pelo nariz.


− Onde estão os outros? − perguntou ele, procurando sem resultado vê-la à luz do cigarro. − Ainda estão lá embaixo?


− Não. Gina ficou assustada quando subiu e viu você na cama. Quis ir para casa e Neville foi com ela.


Belos amigos pensou ele amargamente. Abandonavam-no quando ele precisava de ajuda. Mas não se podia esperar outra coisa de Neville. Harry nunca faria uma coisa assim. Nesse momento, ocorreu-lhe uma idéia.


− Contou-lhes o que aconteceu?


− Não. Contar para quê? Foi uma coisa que aconteceu entre nós.


− Que foi então que eles pensaram?


− Disse que você de repente se sentira mal. E parecia mesmo, porque seu corpo estava tremendo todo.


Isso o aborreceu ainda mais. Se pensassem que ele estava realmente doente, o ato deles tinha sido ainda mais covarde, pois ele podia precisar deles. Tentou vê-la, mas estava escuro. Estendeu a mão e acendeu o abajur da mesinha-de-cabeceira. Por um momento, a luz feriu-lhe os olhos, fazendo-o piscá-los. Depois, voltou- se para ela e perguntou:


− Por que não foi com eles?


Ela não respondeu.


− Você sabia o que havia acontecido e não precisava ter ficado.Eu me arrumaria de qualquer maneira.

Os olhos dela brilhavam a luz da lâmpada. Os cabelos castanhos estavam puxados para a nuca e amarrados com uma fita. A boca estava muito pintada. Ela continuava diante dele imóvel e calada.


− Que foi que houve? Perdeu a língua?


− Vim com você e vou voltar com você − disse ela calmamente.


Ele então disse impulsivamente:


− Pensou que eu ia levá-la depois do que aconteceu? Achou que eu ia fazer isso?


Ela o olhou em silêncio com as pupilas dilatando-se tanto que as íris pareciam quase desaparecer. Era o que havia de mais estranho nela. Os olhos pareciam sempre estar falando, mas não era possível entender o que diziam.


− Pensou isso? − tornou ele a perguntar.


Ela deu um suspiro e levantou-se. Foi até a cadeira no canto, apanhou a bolsinha e dirigiu-se para a porta sem olhar para ele. Ele esperou para falar até que ela pusesse a mão na porta.


− Mione!


Ela parou e olhou-o em silêncio.


− Aonde é que vai?


− Para casa − respondeu ela numa voz sem qualquer emoção. − Você agora já está bem.


− Tem dinheiro para a condução?


− Eu me arrumo.


Ele se moveu rapidamente e arrancou-lhe a bolsinha da mão.


− Onde conseguiu dinheiro? Gina me disse que vocês duas não tinham um centavo.


− Não lhe disse que me arrumo? − murmurou ela na mesma voz sem expressão.


Malfoy abriu a bolsa. Havia dentro apenas um batom, dois cigarros um pouco amassados, alguns fósforos e um pente.


− A sua carteira está embaixo do seu travesseiro, onde a coloquei − disse ela calmamente.


Ele pegou imediatamente a carteira e abriu-a. As notas estavam todas lá. Sentiu uma imensa vergonha de sua desconfiança.


− Pode devolver-me agora minha bolsa? − perguntou ela. − Vou-me embora que já é tarde.


Malfoy tirou uma nota de dez dólares da carteira e meteu-a na bolsinha.


− Tome um táxi − disse ele, devolvendo a bolsa.


A nota de dez dólares foi jogada em cima da cama.


− Não, muito obrigada − disse ela secamente. − Não quero nada de você.


E saiu, fechando a porta. Malfoy ficou um momento parado, tomado de surpresa, e então deu um pulo. Nesse momento, percebeu que lhe haviam tirado o maiô molhado. Puxando o cobertor para cobrir sua nudez, saiu correndo atrás dela.


− Mione! Espere, Mione!


Tropeçou no cobertor que se arrastava pelo chão e teve de agarrar-se no corrimão para não rolar pela escada. Ela já estava lá embaixo quando se voltou para olhar para ele. Um sorriso apareceu em seu rosto e, logo em seguida, ela começou a dar gargalhada. Malfoy pensou que fosse zombaria e se irritou.


− De que é que está rindo?


− É que você não pode ver-se, Malfoy − disse ela com a voz entrecortada pelo riso. − Parece um fantasma!


Ele se voltou para um espelho que havia na parede perto dele. Pálido, desgrenhado, envolto no cobertor branco, parecia de fato um fantasma. Sorriu então e voltou-se para ela, dizendo:


− Espere um pouco até eu me vestir, Mione. Vou levá-la para casa.


− É melhor parar o carro e me deixar saltar aqui −disse ela, quando chegaram à esquina da rua onde morava. − Meu padrasto pode estar na janela.


Malfoy encostou o carro junto ao meio-fio. Saltou e deu a volta para abrir à porta do lado dela, dando-lhe a mão para ajudá-la a saltar. Ficaram um momento meio sem jeito, parados no passeio, mas ela afinal estendeu a mão.


− Obrigada pela tarde agradável, Malfoy.


Procurou ver se havia nos olhos dela algum traço de sarcasmo, mas nada viu. Ele apertou-lhe a mão e perguntou:


− Ainda nos veremos, Mione?


− Se quiser.


Colocou o pé no estribo do carro e teve uma contração de dor. Ela notou e disse:


− Não tinha a intenção de machucá-lo tanto, Malfoy.


− Foi bem feito para mim. Eu devia ter sabido.


− Bem, já vou, senão o velho ficará ainda mais zangado.


− Qual é o número do seu telefone, para quando eu quiser falar com você?


− Não temos telefone em casa.


− Como é então que eu faço quando quiser falar com você?


− Quase sempre passo às três horas pela loja de bombons do velho Rannis. É aqui nesta rua mesmo, um pouco mais abaixo.


− Irei vê-la amanhã lá, às três horas.


− Está bem. Boa noite, Malfoy.


− Boa noite, Mione.


Ele ficou a olhá-la enquanto ela subia a rua, com os saltos batendo no passeio. Gostava do andar dela, com a cabeça erguida, o passo firme, o corpo a balançar-se levemente como se fosse a dona da Terra. Esperou que subisse a escada e entrasse no prédio para então voltar para o carro. Entrou com o carro na rua dela. As luzes do bilhar ainda estavam acesas. Num impulso, parou o carro e saltou. Como esperava, Neville estava lá, de taco na mão, no meio de um grupo de rapazes.
Ouviu a voz de Neville ao aproximar-se. Era baixa, no tom confidencial com que se contam coisas imorais.


− ... parecia uma pele de marta − dizia ele. − Quando subimos, Malfoy estava estendido na cama como se tivesse levado uma surra. Minha garota achou que era melhor darmos o fora antes que a polícia chegasse. A Morena disse que alguém tinha de ficar com ele. Nós então saímos e o deixamos lá com ela...


Algum sexto sentido o fez levantar a vista. Deu um sorriso amarelo e mudou o tom de voz.


− Malfoy! Como está passando, amigo velho? Puxa! Que tarde notável a nossa!


− Covarde miserável! − exclamou Malfoy. − Por que fugiu?


− Gina ficou muito assustada, Malfoy. Alguém tinha de levá-la para casa. Além disso, Mione ia ficar com você. Ela disse que ficaria.


Malfoy deu a volta pela mesa de bilhar deliberadamente na direção dele. Os outros se afastaram.


− E se eu estivesse mesmo doente, Neville? − perguntou ele com voz enganosamente macia. − Se eu precisasse realmente de ajuda e só tivesse uma garota para socorrer-me?


Neville ainda sorria, mas havia pavor em seus olhos.


− Ora, Malfoy! É claro que ela podia tomar as providências que fossem necessárias.


O soco de Malfoy atingiu-o na boca e ele caiu para trás em cima de uma mesa. Firmou-se ali por um momento e então, virando o taco, investiu com ele contra o rosto de Malfoy.


Malfoy afastou o taco com o braço e avançou de novo para
Neville, desfechando-lhe uma saraivada de socos. Neville deixou cair o taco. Um momento depois, Malfoy largou-o. Sentiu as têmporas latejarem enquanto via Neville escorregar lentamente para o chão, sangrando pela boca e pelo nariz. A dor era a única maneira de ajustar contas. Neville estava estendido no chão, com os olhos quase vidrados. Moveu os lábios, mas não conseguiu articular uma palavra.
Malfoy apanhou o taco do chão e avançou para o homem prostrado. Empurrou o taco nas calças de Neville e fez pressão, torcendo-o, com toda a força que tinha.


− Cachorro, covarde!


Neville deu um grito de dor antes que os outros afastassem
Malfoy, em cujas mãos o taco se quebrou.


− Pare com isso, Malfoy! − gritou um deles. − Quer matá-lo?


Malfoy olhou para a ponta fina do taco quebrado em sua mão. A raiva ainda o dominava.


− É uma boa idéia! − exclamou ele.


Desvencilhou-se dos que o agarravam e avançou sobre Neville com o taco quebrado na mão. Mas, antes que pudesse chegar ao inimigo caído, sentiu-se agarrado por alguém que lhe prendia fortemente os braços. Debateu-se desesperadamente para livrar-se.


− Solte-me! Solte-me! − gritava ele. − Vou matá-lo!


Mas os dois braços prenderam-no com mais força.


− Calma, Malfoy − disse-lhe ao ouvido uma voz conhecida. − Chega de confusão.


A voz profunda e calma foi como uma ducha de água fria. Malfoy sentiu dissipar-se a agitação que o dominava e a sensatez voltar. Ficou imóvel, mas ainda com a respiração arfante. Por fim, recuperou-se por completo e conseguiu falar.


− Está bem, Harry − disse ele, sem se voltar. − Pode soltar-me que já estou calmo.


Os fortes braços o largaram. Malfoy, no mesmo momento, dirigiu- se para a porta. Ao passar pela caixa, tirou uma nota da carteira e deixou-a em cima do balcão.


− Para pagar a confusão que eu armei − disse ele.


O velho da caixa, muito pálido, nada disse. Malfoy foi até o carro, sentou-se e ficou esperando. Alguns segundos depois, ouviu passos que se aproximavam.


− Quer fazer o favor de pegar o volante e me levar para casa,
Harry? − perguntou ele, sem levantar a vista. −Estou cansadíssimo.


O amigo abriu a porta e entrou no carro. Logo depois, acendeu um cigarro e entregou-o a Malfoy. Este deu uma tragada forte e encostou a cabeça nas almofadas, fechando os olhos.


− Foi muito bom eu ter chegado naquele momento − disse Harry. − Alguma coisa me dizia que você estava precisando de mim.


− Ainda fazendo o bloqueio para mim, hem, Harry? − disse Malfoy, com um leve sorriso. Quando jogavam futebol americano na mesma equipe, Harry fazia o bloqueio dos adversários enquanto ele carregava a bola.


− Por que não? Somos amigos, não somos? Mas que foi que houve afinal? Você poderia tê-lo matado se eu não o agarrasse.


− Foi por causa da garota... — disse Malfoy, começando a explicar. − A Morena que você viu hoje à tarde?


− Isso mesmo. Ela...


Harry interrompeu-o de novo, com um tom de zombaria na voz.


− Pensei que você tivesse mais juízo, Malfoy.


− Juízo, como?


− Não posso compreender você, Malfoy. Não há mulher nenhuma que mereça um aborrecimento desses.


Malfoy pensou que o amigo só tinha razão numa coisa: não compreendia. Fechou os olhos e tornou a recostar-se no banco, enquanto Harry dava partida no carro. Harry não compreendia. Naquele momento mesmo, estava dirigindo cuidadosamente, inteiramente concentrado no que estava fazendo. Fazia tudo assim, com o maior cuidado. Não permitia a menor margem de erro. Era o que havia de errado com Harry. Era por isso que ele fazia bloqueio em vez de carregar a bola. Não gostava de arriscar-se. Não porque tivesse medo. Ele era assim mesmo. Harry não compreendia. E não podia mesmo compreender. Afinal de contas, ele não conhecia Mione.

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Ate a Proxima....

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