CAPITULO 54
SOFRIMENTO
-O que está acontecendo? – Rony perguntou correndo pelo corredor.
Harry e Hermione estavam no corredor a uma duas horas, esperando.
-Gina entrou em trabalho de parto – Hermione comunicou, tocando-o no braço, mas se controlando pois logo apareceriam mais familiares - Chamamos todos da família.
-O parto está sendo induzido – Harry disse nervoso – Felicity não tem presa para nascer, mas Gina não agüenta mais e sua pressão estava subindo rapidamente, não houve outra alternativa.
Consternado, jogou o copo de plástico vazio na lixeira e passou as mãos nos cabelos, quase como se quisesse arrancá-los.
-Não podemos entrar e ficar com ela? – Rony perguntou.
-Estão preparando-a para o parto – Hermione avisou – Daqui a pouco nos chamaram para entrarmos novamente.
-Sempre soubemos que não seria um parto fácil – ele disse pensativo.
-Rony, o fato do parto estar sendo induzido não significa nenhuma complicação de fato – ela explicou – é comum em alguns casos.
-Não deveria ser uma Cesariana? -ele perguntou – Mary preferiu uma cesariana. É menos complicado!
-E menos natural, também – ela disse amarga – Será feito uma cesariana se for necessário. Harry, sente-se, por favor – ela pediu quando ele começou a andar pelo corredor.
-Mary ficou com as meninas e disse que não virá – Rony suspirou, cansado – Levei um susto quando me avisaram...achei que tivéssemos tempo ainda.
-Gina completou nove meses a dois dias, Rony. As contas não são precisas, mas...já está no tempo – ela acalmou-o.
Harry quase pulou quando Madame Albertina saída de uma sala, apareceu no corredor.
-Como ela está? -ele perguntou ansioso, olhos arregalados.
-Está ótima. Como era de esperar para uma mãe de primeira viagem, está histérica. – ela disse com experiência – apenas uma pessoa poderá entrar e acompanhar o parto – antes que eles se oferecessem ela continuou – Ginervra deu ordens expressas para Harry entrar.
Aliviado, ele praticamente correu arrastando a médica baixinha e roliça, que não acompanhava suas pernas longas.
Sozinhos, Hermione notou como era olhada. Com desejo e alegria. Sorriu, pois era bom vê-lo.
-Como foi seu jantar de negócios? -ele perguntou acariciando seus cabelos soltos, movendo as mexas entre os dedos num carinho intimo.
-Foi um sucesso – ela sorriu feliz em falar sobre isso – Em uma semana deixarei a loja dos gêmeos e assumirei uma coluna no Profeta Diário.
-É mesmo? – seus olhos brilharam de felicidade por ela – E sobre o que será?
-Basicamente é uma coluna informática sobre pesquisas. Informativos sobre feitiços e poções, debates sobre fatos acadêmicos...Rony, será muito intrusivo e educativo! E claro, precisarei de muitas fontes e provavelmente terei que viajar muito!
-Viajar? – ele pareceu incomodado.
-Bem, minha primeira coluna será sobre os efeitos da poção Calusa, uma poção recém-descoberta que contra ataca feitiços de memória. O responsável por ela mora no Egito e estou empolgada com a possibilidade de trazê-lo para Londres! Já imaginou, Rony? Quantas vitimas de cruciatus poderão ser medicadas? Quem sabe, até mesmo, curadas? – seu entusiasmo não o contagiou – O que foi? Pensei que ficaria feliz por mim...
-E estou feliz, é só...não achei que iria viajar e se afastar de mim novamente- disse sentindo-se culpado por ter pensamentos tão egoístas.
-Rony, são apenas dois dias, e isso será antes das férias das meninas. Não vai dar nem tempo de sentir falta de mim! – garantiu.
-Sempre sinto sua falta. Até quando está do meu lado – ele confessou, beijando-a de surpresa.
Hermione deixou-se beijar, saboreando o gosto dele, sentindo as imensas sensações que ele lhe despertava, e colando seu corpo ao dele. O som de passos apressados os separou e Hermione corou quando uma enfermeira passou olhando-os com olhos baixos.
Bem, não era novidade quem eram, e muito menos que Rony era casado. Sem jeito se afastou dele.
-Estou aliviado que deixara a loja e aquelas estúpidas entregas! – ele acariciou sua nuca quase arrancando dela um ronronar.
-Não se esqueça que foi em uma dessas entregas que me devolveu Bichento! – ela acusou. – Alias, não me contou como o achou depois de tantos anos!
-Eu o encontrei a seis anos atrás – ele confessou – Quando voltei e desisti de procurá-los, fui procurar sua tia, para dar condolências pela morte dos seus pais – notou a tristeza que a fez olhar além dele – seu gato estava lá e ela o daria para a caridade. Realmente, ninguém queria aquele gato folgado. Então...eu o coloquei em um lugar trouxa...um desses que cuidam de gatos e o mantive lá todo esse tempo.
-Rony – ela sentiu a garganta apertar – Sabia que não voltaria, porque o manteve?
-Sempre tive a esperança que pudesse voltar e se não acontecesse...ficaria feliz onde estivesse de vê-lo bem cuidado
Hermione sentiu o peito apertar e as lagrimas se formarem.
-É por isso que te amo tanto – sussurrou acariciando seu rosto, sentindo a barba que começava a despontar e que ele não se dera ao trabalho de fazer ao sair correndo de casa. Lhe dava um ar despojado e cafajeste, corando seu rosto num vermelho suave. Hermione desejou senti-la pinicando por todo seu corpo e corou se afastando.
-Gostaria de ir com você nessa viagem – ele pediu e ela sorriu.
-Não será apropriado. O responsável pelo profeta diário estará lá, junto com um fotografo e uma secretaria, e poderia estranhar sua presença.
-O cara das margaridas?- ele perguntou ao entender finalmente.
-É, Rony, o cara das margaridas. Conversei com ele, sabe que seremos apenas amigos – justificou.
-Sei – ele deu de ombros, por dentro pensando algo bem diferente. – Foi ele quem te ofereceu o trabalho?
-O que quer dizer? Que ele me quer trabalhado para...?- afastou-se indignada – Acha que não tenho capacidade de despertar interesse profissional, é isso?
-O que acho é que precisa ter cuidado com esse espertalhão! Ora, Hermione! Ele terá uma colunista impecável e estará pertinho de você o dia todo! O que quer que eu pense? Que não sinta ciúmes?
-Você dorme na mesma cama com Mary, então, não venha me falar em ciúmes! -ela disse entre dentes, apontando o dedo para ele – Não ouse fazer isso, Ronald! Não depois de tudo que tenho agüentado!
Ele pareceu querer insistir, mas segurou as palavras repressivas e olhou para outro lado, incapaz de olhar para ela. Era um assunto superado, mas tanto ele , quando Hermione sabiam que ainda traria muita dor de cabeça.
Pelas próximas horas, apesar de próximos, não trocaram quase nenhuma palavra, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
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