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52. Fugir não adianta


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 52



Fugir não adianta





Aurora suspirou aliviada ao ser dispensada da limpeza da sala de treino. Por ordem era sua vez da semana de arrumar tudo, depois dos treinos. Ter conseguido uma luxação no braço esquerdo lhe rendeu além de um sermão do insuportavelmente irritadiço treinador Ronald Wesley, uma ida a enfermaria do ministério, com isso pulando sua vez e indo diretamente para sua colega de equipe.
Hermione era muito dedicada e sempre ficava brilhante quando esse dia chegava, e se Aurora fosse sincera, diria já ter notado suspeitos olhares entre sua recente conhecida e colega e o treinador. Discreta, ela apenas se despediu dos colegas e foi embora.
Se fazendo de desinteressado, enquanto alguns poucos ainda se arrumavam e vestiam suas capas, Rony lançou um olhar na direção de Hermione.
Ela estava cansada e suada, os cabelos escorregando fora do rabo de cavalo e dando um aspecto desarrumado que o fez pensar se seria essa sua expressão ao fazer amor. Podia imaginá-la, descabelada, suada, arfante e entregue, gemendo em seus braços.
Essa imagem aliada às lembranças vividas de seu corpo nu, cheio de curvas contra o dele, mandaram uma mensagem bem obvia para seu corpo. Estava com muito tesão, e não era de se surpreender, pois desde que Sara saíra do hospital a quase um mês que o mais próximo de sexo que chegara, foi alguns amassos mais quentes com Hermione nas salas de treino, nos dias em que manobrava o sorteio para que ela ficasse após as aulas.
Não sentia tanta falta de sexo, pois ao longo dos anos com Mary, preferia viver sem a estar com ela, e apesar de ser uma escolha difícil, ainda assim eram esporádicas as vezes que sucumbia. Uma ou duas vezes por mês, quando muito.
E agora não era diferente. Com exceção do fato de fugir dela o tempo todo. Forçava-se a dormir ao se lado, deixando de lado as horas na sala, enrolando, e até deixava que ela o abraçasse entre as cobertas, tudo isso com o pensamento longe, em outra pessoa.
Nesse tempo, Sara estava quase recuperada, mas ainda estava em casa, afastada das aulas e Mary de licença do trabalho cuidando dela. Sua saúde melhorara, mas o tratamento era desgastante.
Nesse tempo Rony não vira nada de anormal, mas era de esperar, pois Mary parecia cada dia mais feliz. E Rony cada dia mais culpado.
Só que agora sua culpa era outra. Não se culpava por não fazê-la feliz como antes, se culpava por fazê-la feliz enquanto dava tão pouco de si para Hermione, a quem pretendia entregar tudo. Seu dia, seu corpo, sua mente, e seu coração.
A porta batendo o tirou de seu mundo de sonhos e ele notou que Hermione ainda estava arrumando seus pertences em uma mochila, parecendo tão concentrada em seus pensamentos quanto ele.
Ela havia soltado os cabelos, que ainda estava bagunçados, e vestido uma túnica vermelha sobre a blusa que usava nos treinos. A legging preta ainda estava lá, mas seus saltos baixos haviam sido substituídos por uma bota de salto muito alto e fino.
Estranhando tanta arrumação, ele aproximou-se, e abraçou-a por trás, depois de selar a porta discretamente.
-Estou com tanta saudade -ele disse beijando seu pescoço e sentindo-a amolecer em seus braços.
-Fazem três dias que não me beija -ela reclamou, fechando os olhos.
-Pois estive a ponto de fazer isso na frente de todo mundo quando estuporou Harry e venceu os outros agora a pouco. Tem idéia de como é excitante te ver em ação?
Seu hálito quente arrepiou-a da cabeça aos pés.
-Sempre soube que gostava de mulheres más – ela brincou, virando-se em seus braços para ver seus olhos azul e apaixonados.
-Queria ter mais tempo... – começou a se desculpar, mas ela pôs o dedo em seus lábios calando-o.
-Como está Sara? – perguntou, algo que fazia muito.
-Está bem. Dr.Taylor garantiu que poderá viajar em uma semana. Eu pensei em cancelar a viagem das meninas, mas Mary está decidida há ter esse tempo.
-É claro que ela está! – disse ciumenta, mas se recriminando por isso continuou – Ainda vamos fazer isso? Provocá-la?
-Sim, nos vamos. As meninas estarão seguras e temos que pega-la no flagra!
-Ok. Eu sei o que vamos fazer – ela disse sorrindo maquiavélica – Pensei muito e cheguei à conclusão: quando estive na sua casa, ela se voltou contra mim. Sabia que comeria aquele doce e era destinado única e exclusivamente para mim. Por isso, vamos arrumar uma desculpa qualquer para que eu volte para sua casa.
-Hermione, não me leve a mal, mas Mary não vai concordar- ele negou, já prevendo que não daria certo.
-Deixe comigo, Rony – ela disse naquele tom sério que sempre o deixava ansiosa por ver até onde ela era capaz de ir – Vou pega-la de uma forma, que não poderá me vencer!
-Hum, tenho medo quando fala assim – ele gemeu, o corpo quente, ansioso por tomá-la.
A conversa entre eles era sempre muito fluente e sempre tinham assunto, mas naquele momento tudo que queria era que ela calasse a boca e deixasse as palavras de lado. Mas seria muita cafajestagem da sua parte dizer isso,então, foi Hermione quem segurou seu queixo arrogantemente, e colou os lábios nos dele.
Um beijo quente, molhado e cheio de saudade. Exigente e longo o bastante para roubar o ar. Seus beijos geralmente eram famintos e ela se perguntou se isso mudaria quando houvessem feito amor, se a vontade descontrolada iria embora e eles cairiam na monotonia. Era possível, pois acontece com muitos casais.
Rony aprofundou o beijo, tentando levá-la consigo para o sofá no canto da sala. Hermione riu entre seus beijos fugindo dele e relutando em se deixar sucumbir os ataques ferozes dele. Quando eles começavam, ficava difícil parar e Hermione não queria que sua primeira noite com Rony fosse numa sala de treinamento, num sofá velho e empoeirado. Talvez para uma segunda, ou terceira vez, mas não na primeira!
-Rony, não – ela pediu, mas ele continuou insistindo -Eu não posso ficar, Rony...
-Como assim? -ele se afastou imediatamente, notando o porquê de ter se arrumado tanto.
-Tenho um compromisso – sabia que ele ficaria chateado.
-Um compromisso no nosso único dia juntos?
-Não pude evitar. É o único tempo livre que tenho depois dos treinos! – disse indignada – Ou acha que é fácil manter as aulas e o trabalho? Mal tenho tempo para comer e dormir!
-E que compromisso é esse? – afastou-se cruzando os braços.
-Uma proposta de trabalho – sorriu e tentou fazê-lo descruzar os braços e quanto conseguiu ela abraçou-o pela cintura – Se tudo sair como quero, estarei saindo da loja dos gêmeos. Não era isso que queria?
-Sim, era isso -ele concordou beijando-a delicadamente – Posso te levar?
-Não, não pode – ela negou – É uma proposta do Profeta diário. Não quero aparecer na primeira pagina de amanhã com um carimbo de amante no rosto!
-Hermione, não gosto quando fala assim, não é minha amante! É você quem eu amo...
-Tá, eu sei disso, o resto do mundo é que não sabe – não queria magoá-lo – É só um jantar de negócios. Vamos conversar um pouco, comer alguma coisa e vou para casa rolar na cama enquanto penso em você... – provocou, beijando seu pescoço e Rony fechou os olhos com força, apagando essa imagem tentadora da sua fértil mente.
Se soltado de seus braços, ele sentiu um súbito frio e ela sentiu o mesmo.
-Rony - chamou antes de sair da sala e deixá-lo para trás com vontade de ficar. – Não seja muito carinhoso com ela hoje, sim?
-Eu nunca sou carinhoso com Mary – confessou.
Hermione abriu seu melhor sorriso antes de ir embora.



-Papai – Hermy desceu as escadas abraçada a um livro grosso de capa marrom escuro – Lê para mim?
Rony estava na sala, lendo alguns memorandos e estranhou a filha fora da cama aquela hora. Era quase meia noite!
-Não deveria estar acordada, Hermy. –ele reclamou, acolhendo a filha no colo – Porquê não está dormindo?
-Não consegui, papai. Estou sem sono – seu bocejo a desmentiu e ele sorriu beijando o topo de sua cabeça. – Lê para mim, papai?
-E o que é isso? Um livro novo? -abriu o livro. Era uma historia que não conhecia e não era bruxa. “Alice no país das maravilhas.” – Onde conseguiu?
-O Dr.Taylor trouxe - ela disse inocente olhando as figuras coloridas, porem imóveis – Mamãe disse que está muito ocupada para ler para mim....
-Dr.Taylor esteve aqui? Sua irmã piorou? – ficou preocupada, pois Mary não lhe dissera nada desde que chegara.
-Não, papai. O dr.Taylor vem todos os dias ver Sara. Papai, lê para mim?
Ela insistiu, mas Rony notou que estava quase dormindo em seus braços. Abraçou-a mais forte, e fez um leve balanço com a perna, acalmando-a como quando era apenas um bebezinho e embalava em seus braços para dormir. Antes que terminasse a primeira pagina, Hermy dormia em seu peito.
Fechando o livro, ele a levou para o quarto, depositando-a na cama. Sara se mexeu em sua cama, e ele fez um carinho na filha antes de encostar a porta e deixá-las dormirem.
Mary estava no quarto e ele entrou, indo para o banheiro ao ver a luz acesa. Abriu a porta, e notou que ela estava embaixo do chuveiro. Quando o notou, ela abriu um grande sorriso, ficando de frente, com a água escorrendo em suas curvas volumosas e bem feitas.
-Rony... – ela sussurrou em um sorriso deliciosamente erótico e que seria um convite irrecusável para qualquer homem.
-Porque o medico tem vindo todos os dias ver Sara? – perguntou direto, notando sua bela face ficar pensativa. Talvez somente não lembrasse do que se referia.
-Ele não vem todos os dias – apagou o chuveiro, e saiu do Box, o corpo pingando no tapete sob o piso. – quem te disse isso?
-Isso não importa. – deu de ombros, evitando olhar muito para ela. Notando que ele não se deixaria levar por seus encantos, Mary cobriu-se com a toalha felpuda, alisando os cabelos curtos que grudaram em sua cabeça.
-Rony, querido, o Dr.Taylor vem uma vez a cada três dias como o combinado ver como anda o tratamento. E ontem, eu pedi que viesse pois Sara teve um pouco de febre – disse meiga – Claro, um pouco de febre é de esperar de uma menina que está doente, não é? Eu que me apavorei a toa!
-Ele é um bom medico? – perguntou incerto – Não deveríamos chamar outro?
-Sara está curada, meu amor – ela abraçou-o molhando suas roupas – Logo, logo, estará correndo pela casa e poderá viajar!
Seu súbito entusiasmo era tocante, pois era claro o quanto queria ter um tempo com ele. A sós para conquistá-lo.
-Espero que isso aconteça – disse sem tanto entusiasmo – Vou tirar uma licença no trabalho quando as meninas estiverem viajando – anunciou e sentiu o exato momento em que ficou tensa.
-É mesmo?
Era impressão dele, ou havia um toque de pânico em sua voz falsamente calma? Decidindo pressionar um pouco mais ele disse:
-Vamos ficar juntos, Mary. Para conversarmos e nos entendermos.
Mary olhou para ele, e deixou a toalha cair pressionando o corpo nu contra o dele. Ô, tentação, pensou. Em outros tempos seria esse seu limite antes de ceder. Sentir-se-ia usado na manhã seguinte, mas se deixaria levar.
-Estou cansado, Mary – afastou-a gentilmente e notou seu olhar decepcionado.
-Você...- ela olhou para as próprias mãos insegura -...tem visto Hermione?
-Está no meu curso, esqueceu? – ele respondeu não gostando do assunto - Nós vemos brevemente. Só isso.
-Mesmo? – havia duvida em sua voz, ou apenas medo.
-Mary, estou afastado dela, para que essa loucura passe, mas não vou me afastar para sempre. Hermione é minha amiga desde os onze aos, e faz parte da minha vida. Nunca vou virar minhas costas para ela. Quando essa bobagem tiver saído da nossa cabeça, então, voltaremos a ser amigos como sempre fomes e se quer que nosso casamento tenha salvação, terá que aceitar isso.
-Rony, eu aceito o que for, para não te perder – ela sorriu seu sorriso de sempre, aquele que mentia que era feliz e que tudo estava bem entre eles. Aquele sorriso que ele odiava!
-Vou dormir, termine seu banho – tentou ser gentil, antes de sair, fechar a porta e voltar a se exilar dela.

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