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8. Confundindo Ruivos


Fic: WEASLEYs: por que ruivos também amam.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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 Capítulo Oito:

 Narração por Angelina Johnson

 Eu vinha da ala hospitalar com a mão enfaixada e a cabeça baixa. Depois de um jogo de quadribol proveitoso, eu estaria feliz pela nossa vitória e apontaria o dedo na cara de cada sonserino apenas para ter o prazer de dizer: 'Ei, nós ganhamos! Seu time de quadribol é tão merda quanto a própria Sonserina!' e me gabaria por ser eu quem treinava minha equipe, por eu ser a capitã. 

 Mas a verdade é que, mesmo depois de uma vitória sem pontuação adversária, eu estava com a moral tão baixa quanto a altura do professor Flitwick. Afinal, de que adiantava uma vitória excepcional, se no próximo jogo eu não teria meus batedores e meu apanhador? 

 Sim, Harry e Fred perderam a paciência com Malfoy e partiram para cima dele. Deram uma verdadeira surra nele e quando fiz questão de comentar o quanto desnecessário havia sido aquilo, eles esfregaram na minha cara a briga que tive com Emília. O que me fez calar a boca, já que eu nada poderia dizer nem fazer com relação ao argumento e à situação. 

 A questão é que, como consequencia, eles foram expulsos do time pela vaca da Umbrige, que fez o favor de expulsar Jorge também, que não tinha nada com aquilo. 

 Eu, Fred e Harry fomos para a ala hospitalar depois do jogo para cuidarmos de nossos ferimentos. Os meus eram bem menos sérios do que o deles, o que me fez poder sair primeiro de lá. Nada do que eu pudesse me gabar. Jorge havia seguido sem nós para o salão comunal, proibido por Minerva e Umbrige de fazer uma comemoração pela vitória do time. Embora ele não costumasse obedecer às ordens dadas, eu sabia que ele não faria nada pelo fato de Fred não estar ali. 

 Assim, quando cheguei ao quadro da Mulher Gorda, não havia som algum vindo da sala comunal. Eu sabia que era besteira, mas eu esperava ouvir algum tipo de comemoração, o que sempre fora tão comum. 

 - Jujuba Azul. - eu disse ao quadro. 

 A mulher sorriu amigavelmente para mim e girou para que me desse passagem. Eu entrei com os pés arrastando, minha cabeça ainda baixa. Meu ânimo caíra e me pareceu que ele levou minha energia junto dele para algum lugar voando de vassoura. 

 Pensar. O que eu faria? Certo, teria de montar um outro teste e escolher novas pessoas para os postos vagos. Pensar. Não me vinha ninguém à mente. Batedores e Apanhador. A primeira posição requeria duas pessoas e agilidade. A segunda posição exigia bons reflexos e habilidade. Eu não conhecia ninguém com tais qualidades e que ainda tivesse tempo para se equilibrar na vassoura. 

 Tudo por que ambas as posições também exigiam algo simples de tão raro: talento. E isso não se encontrava facilmente. 

 Andei devagar e desisti de pensar nisso. Estava exausta e minha mão ainda doía, embora eu pudesse sentir meus ossos se curando. Madame Pomfrey me garantiu que eu estaria melhor amanhã. Levantei meus olhos com a cara amuada. 

 O que vi foi um colírio. 

 Fred estava deitado no sofá, com o cabelo ruivo bagunçado e ainda molhado, o que indicava que tinha acabado de tomar um banho. Os olhos azuis estavam abertos e fixos em algum ponto da parede. Ele parecia devanear. Usava um suéter típico dos Weasley, que continha um J bordado em toda a extensão do peito. 

 Meu namorado. 

 Era estranho me referir à ele daquela maneira, afinal, só fazia alguns meses que estávamos ficando e Jorge ainda nem sabia. Sem falar que Fred ainda não havia mencionado nada sobre namoro. E eu não seria a primeira a perguntar. Mas isso foi apenas uma pequena consideração do meu subconsciente, pois minha atenção estava no fato de estarmos sozinhos na sala comunal e eu estar precisando de carinho o mais rápido possível. 

 Sem pensar mais no assunto, me joguei, ficando deitada em cima dele. 

 Parecia que eu o havia retirado de um devaneio, pois ele deu um pulo de susto e me olhou com confusão. 

 - Mas o que...? - começou a perguntar, porém eu acabei com a confusão dele, colando seus lábios nos meus com certa pressa. 

 Sua reação me confundiu: ele pareceu paralisar de surpresa. Entretanto, eu não dei tempo à ele para pensar demais, embora criticasse a mim mesma internamente. Fred devia estar chateado com a expulsão do time e não devia querer uma coisa dessas agora. Mas eu precisava de consolo e ele também. 

 Por isso suguei de leve seu lábio inferior e, como era de se esperar pelo grau de safadeza existente naquela mente poluída, ele se rendeu com facilidade. Senti suas mãos envolverem minha cintura e apertar com força. Passei meus braços pelo seu pescoço e aprofundei o beijo, afundando minha língua naquela imensidão macia que era a boca dele. 

 Fred fez o mesmo, e eu pude sentir sua lingua deslizar por entre meus lábios. 

 Estremeci audivelmente ao sentir o contato entre nossas linguas. Minha pele se arrepiou ao toque dele embaixo de minha blusa, acariciando minhas costas. Entrelacei meus dedos nos seus cabelos, fazendo o mesmo com nossas pernas. Ele tinha um gosto explêndido. 

 Senti seus dentes mordiscarem meu lábio superior com certa devoção, o que me fez gemer de leve, mas eu fiquei com certa raiva, pois fazendo isso, ele interrompeu o contato entre nossas linguas, recolhendo a dele para dentro da boca. Eu estava desesperada para sentir seu gosto mais uma vez em tempo real. 

 Não sei exatamente quando foi que percebi que algo estava errado. 

 Talvez seja quando notei que hoje o beijo estava melhor. Ou quando me toquei que Fred deveria estar cheio de ferimentos, pois ele acabara de sair de uma briga. Ou quando percebi que 'Fred' começava com F e não com J - a letra bordada no suéter era um J. Ou quando eu me lembrei que havia acabado de deixar Fred na ala hospitalar, portanto ele não poderia estar na sala comunal da Grfinória. 

 Desgrudei meus lábios dos do ruivo embaixo de mim, levantando meu corpo, sentando-me. Minha mão voou para a boca, em sinal de susto e descrença. 

 Meu Merlin! Eu estava errada. Aquele era Fred. Sim, aquele era Fred. Meu namorado. O mesmo garoto que estava beijando havia dois meses. Eu tentava me convencer desesperadamente sobre essa realidade, mas não estava totalmente certa disso. 

 O ruivo embaixo de mim me encarou mordendo o lábio inferior e com uma sobrancelha erguida, em uma expressão maliciosa. Os olhos brilhavam marotamente. 

 Continuei o encarando com perplexibilidade, assustada demais para fazer qualquer coisa a respeito. Chocada demais para fazer meu corpo sair de cima do dele. Maravilhada demais com o beijo delicioso para me arrepender. Uma culpa quase trágica se apoderou de mim. Meu Merlin, eu havia beijado o irmão do meu namorado. Eu havia beijado o irmão do meu namorado! 

 Nós não somos namorados. Isso era uma tentativa fraca para me convencer de que eu não havia feito nada de tão errado assim. Mas nada me garantia que este era mesmo Jorge e não Fred. Jorge poderia estar na ala hospitalar e Fred era quem estava aqui. 

 Havia essa possibilidade, mesmo que pouca. 

 - Jorge? - perguntei, temendo a resposta. Se esse fosse Fred, ele ficaria irritado por eu tê-lo confundido com o irmão. Isso seria melhor do que se esse fosse Jorge. 

 Para meu desespero, ele respondeu:

 - Sim? 

 Meu estomago despencou. Minha respiração passou a ser um arfar desagradável, meus olhos se encheram de lágrimas e eu os fechei para dete-las. Por Merlin! E agora? Certo, primeiro saia de cima dele. Sim, era o correto a fazer. Passei minhas pernas para o lado e desci do sofá, automaticamente descendo de Jorge. 

 Sem forças para me manter em pé, me joguei na poltrona mais próxima e escondi o rosto nas mãos. As lágrimas de culpa caíram devagar pela minha face e eu não tentei impedi-las. Estava cansada de tentar coisa alguma. 

 - Angie? - ele me chamou e pude ouvir que estava ainda mais confuso. Eu não me admirava. Até eu ficaria assim se uma garota maluca se jogasse em mim, me beijasse ardentemente e parasse de repente, para depois começar a chorar. Pensar nisso me fez soltar um soluço. - O que foi? - senti ele se postar a minha frente, mas não levantei o rosto. 

 Era meio lógico o fato de eu dever explicações à ele, mas a coragem me faltava no momento. Preferia brigar com a Emília de novo a ter que passar por uma situação dessas. Eu não merecia estar na Grifinória. Eu não merecia Fred. Eu não merecia ser capitã do time de quadribol. Eu não merecia a vitória que a pouco tivemos. Eu não merecia a paciência que Jorge esta tendo comigo neste momento. Eu não merecia absolutamente nada. 

 Para piorar, eu estava tendo um daqueles ataques de auto-piedade. Não era hora para isso, mas não podia deixar de me sentir burra. Sim, burra. Como foi que não percebi que o suéter do ruivo tinha um J? Por que isso só podia significar que aquele era Jorge e não Fred. Pior, como não me lembrei que havia acabado de deixar Fred na enfermaria? Por que se ele estava na enfermaria, era lógico que não estava aqui! Não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. 

 - Droga! - praguegei. 

 Jorge riu.

 - Se arrependeu? - perguntou. 

 'Sim!', eu queria dizer. Mas eu estaria mentindo para ele e para mim mesma. E também não adiantava tentar. Eu não sabia mentir para aqueles ruivos. A verdade é que eu não conseguia me arrepender. Eu queria, mas não conseguia. 

 - Não. - sussurrei. Mas ele pode ouvir, pois ouvi-o rir mais uma vez. 

 - Se decepcionou comigo? - perguntou novamente. 

 Foi a minha vez de rir. Era meio irônico. Eu queria responder afirmativamente, porém seria mentira. 

 - Não. - sussurrei de novo. Ele ouviu mais uma vez. 

 Houve uma pausa longa, na qual me deu tempo para me recuperar. Sequei o rosto molhado com a manga da blusa, depois passei as mãos nos cabelos para tentar voltar a ser apresentável. Respirei fundo algumas vezes antes de finalmente encarar seus olhos. Para minha surpresa, havia preocupação perdido no azul, mas nenhuma pitada de arrependimento se misturava ali. 

 Jorge esticou a mão e tentou pegar a minha, mas eu não deixei, puxando minhas mãos para o colo. Ele não fez uma nova tentativa. 

 - Então, me diga o que foi que houve. - pediu, procurando meu olhar, mas eu novamente não deixei, desviando meus olhos dos dele. 

 Não pude responder, não pelo fato de não querer, mas pelo fato de que ouvimos passos vindo do quadro da Mulher Gorda. 

 Ambos olhamos em direção ao barulho e o que Jorge viu o fez abrir um sorriso. Mas o que eu vi, me fez voltar a esconder o rosto nas mãos. Nós dois estávamos vendo Fred e Harry, entrando na sala comunal, apenas com alguns traços da briga com Malfoy. 

 Ouvi Harry nos cumprimentar com desânimo, mas eu não respondi. Escutei passos de alguém que estava subindo para o dormitório e pedi intimamente para que fosse Fred. Como todas as coisas que eu pedia, esta não se realizou e fiquei sabendo disso assim que senti um par de braços me agarrarem por trás. Senti um beijo na bochecha. 

 - Oi, Angie. - cumprimentou Fred atrás de mim. 

 Ao ouvir sua voz, minha consciência pesou tanto que cheguei a soltar um gemido de desgosto. A culpa estava me assolando a alma. Isso não podia estar acontecendo! 

 - Como esta sua mão? - ele perguntou tocando de leve minha mão enfaixada. Afastei-a da dele. Não que eu me importasse com seu toque. Pelo contrário. Mas minha consciência me dizia para lhe dar o respeito. Eu havia beijado o irmão dele e isso significava que eu não podia ter os dois. E depois de beijar Jorge eu havia notado que gostava de tê-lo feito. Por isso era minha obrigação ficar longe de ambos os dois. Eu não teria nenhum deles. 

 Não respondi a pergunta de Fred imediatamente, pelo fato de estar preparando minha voz para parecer impassível, como se não tivesse feito nada de errado. 

 - Está melhor. - respondi em um murmurio baixo e minha voz tremeu de leve, o que não passou despercebido à nenhum dos gêmeos. 

 - O que foi? - perguntaram juntos, alheios à minha situação. 

 - Nada. - respondi decidida. Se eles não sabiam, era melhor deixá-los sem saber. 

 Meus ruivos bufaram juntos, em um jesto de uníssomo perfeito. Era quase divertido. 

 - Certo. - disseram juntos, a voz impregnada de sarcasmo. 

 - Não falem em coro. - pedi, tentando mudar de assunto. Não adiantou. 

 - Não mude de assunto. - pediu Jorge como se tivesse lido meus pensamentos. 

 - Nós não somos idiotas ou insensíveis o suficiente para ignorar o fato de que você esta triste. - disse Fred. 

 Triste. Se fosse apenas isso, eu estaría no paraiso. Mas nunca foi apenas isso. Era tristeza por ter traído meu namorado, era culpa por ter beijado o irmão dele, era medo de que Jorge contasse à Fred e eu perdesse a amizade de ambos, era confusão por gostar dos dois ao mesmo tempo, era auto-piedade por estar sentindo tudo isso de uma vez. Meu Merlin, eu estava ficando pior do que a Cho Chang. E precisava parar de mencionar Merlin tanto hoje, afinal, ele nada tinha a ver com isso.

 - Eu vou subir. Estou cansada. - avisei e antes que eles pudessem protestar, eu já estava subindo as escadas.  

 Soltei um suspiro derrotado, admitindo que precisa de um momento que envolvia muitas lágrimas no dormitório feminino. 

.....................................................................................................................................................................

 N/A: não tenho a mínima idéia do tamanho desse capítulo e se fosses acharem muito pequeno, eu prometo dar mais de mim no next. Meu Microsoft Office não esta funcionando, o que esta me fazendo usar o Bloco de Notas. Um tormento. Deste modo, não dá para saber a quantidade de páginas que eu estou escrevendo. De qualquer modo, desculpem pela demora e pelos erros que talvez vocês encontrem durante a leitura.

 Comentem! 

 Capítulo Oito:



 Narração por Angelina Johnson



 Eu vinha da ala hospitalar com a mão enfaixada e a cabeça baixa. Depois de um jogo de quadribol proveitoso, eu estaria feliz pela nossa vitória e apontaria o dedo na cara de cada sonserino apenas para ter o prazer de dizer: 'Ei, nós ganhamos! Seu time de quadribol é tão merda quanto a própria Sonserina!' e me gabaria por ser eu quem treinava minha equipe, por eu ser a capitã. 



 Mas a verdade é que, mesmo depois de uma vitória sem pontuação adversária, eu estava com a moral tão baixa quanto a altura do professor Flitwick. Afinal, de que adiantava uma vitória excepcional, se no próximo jogo eu não teria meus batedores e meu apanhador? 



 Sim, Harry e Fred perderam a paciência com Malfoy e partiram para cima dele. Deram uma verdadeira surra nele e quando fiz questão de comentar o quanto desnecessário havia sido aquilo, eles esfregaram na minha cara a briga que tive com Emília. O que me fez calar a boca, já que eu nada poderia dizer nem fazer com relação ao argumento e à situação. 



 A questão é que, como consequencia, eles foram expulsos do time pela vaca da Umbrige, que fez o favor de expulsar Jorge também, que não tinha nada com aquilo. 



 Eu, Fred e Harry fomos para a ala hospitalar depois do jogo para cuidarmos de nossos ferimentos. Os meus eram bem menos sérios do que o deles, o que me fez poder sair primeiro de lá. Nada do que eu pudesse me gabar. Jorge havia seguido sem nós para o salão comunal, proibido por Minerva e Umbrige de fazer uma comemoração pela vitória do time. Embora ele não costumasse obedecer às ordens dadas, eu sabia que ele não faria nada pelo fato de Fred não estar ali. 



 Assim, quando cheguei ao quadro da Mulher Gorda, não havia som algum vindo da sala comunal. Eu sabia que era besteira, mas eu esperava ouvir algum tipo de comemoração, o que sempre fora tão comum. 



 - Jujuba Azul. - eu disse ao quadro. 



 A mulher sorriu amigavelmente para mim e girou para que me desse passagem. Eu entrei com os pés arrastando, minha cabeça ainda baixa. Meu ânimo caíra e me pareceu que ele levou minha energia junto dele para algum lugar voando de vassoura. 



 Pensar. O que eu faria? Certo, teria de montar um outro teste e escolher novas pessoas para os postos vagos. Pensar. Não me vinha ninguém à mente. Batedores e Apanhador. A primeira posição requeria duas pessoas e agilidade. A segunda posição exigia bons reflexos e habilidade. Eu não conhecia ninguém com tais qualidades e que ainda tivesse tempo para se equilibrar na vassoura. 



 Tudo por que ambas as posições também exigiam algo simples de tão raro: talento. E isso não se encontrava facilmente. 



 Andei devagar e desisti de pensar nisso. Estava exausta e minha mão ainda doía, embora eu pudesse sentir meus ossos se curando. Madame Pomfrey me garantiu que eu estaria melhor amanhã. Levantei meus olhos com a cara amuada. 



 O que vi foi um colírio. 



 Fred estava deitado no sofá, com o cabelo ruivo bagunçado e ainda molhado, o que indicava que tinha acabado de tomar um banho. Os olhos azuis estavam abertos e fixos em algum ponto da parede. Ele parecia devanear. Usava um suéter típico dos Weasley, que continha um J bordado em toda a extensão do peito. 



 Meu namorado. 



 Era estranho me referir à ele daquela maneira, afinal, só fazia alguns meses que estávamos ficando e Jorge ainda nem sabia. Sem falar que Fred ainda não havia mencionado nada sobre namoro. E eu não seria a primeira a perguntar. Mas isso foi apenas uma pequena consideração do meu subconsciente, pois minha atenção estava no fato de estarmos sozinhos na sala comunal e eu estar precisando de carinho o mais rápido possível. 



 Sem pensar mais no assunto, me joguei, ficando deitada em cima dele. 



 Parecia que eu o havia retirado de um devaneio, pois ele deu um pulo de susto e me olhou com confusão. 



 - Mas o que...? - começou a perguntar, porém eu acabei com a confusão dele, colando seus lábios nos meus com certa pressa. 



 Sua reação me confundiu: ele pareceu paralisar de surpresa. Entretanto, eu não dei tempo à ele para pensar demais, embora criticasse a mim mesma internamente. Fred devia estar chateado com a expulsão do time e não devia querer uma coisa dessas agora. Mas eu precisava de consolo e ele também. 



 Por isso suguei de leve seu lábio inferior e, como era de se esperar pelo grau de safadeza existente naquela mente poluída, ele se rendeu com facilidade. Senti suas mãos envolverem minha cintura e apertar com força. Passei meus braços pelo seu pescoço e aprofundei o beijo, afundando minha língua naquela imensidão macia que era a boca dele. 



 Fred fez o mesmo, e eu pude sentir sua lingua deslizar por entre meus lábios. 



 Estremeci audivelmente ao sentir o contato entre nossas linguas. Minha pele se arrepiou ao toque dele embaixo de minha blusa, acariciando minhas costas. Entrelacei meus dedos nos seus cabelos, fazendo o mesmo com nossas pernas. Ele tinha um gosto explêndido. 



 Senti seus dentes mordiscarem meu lábio superior com certa devoção, o que me fez gemer de leve, mas eu fiquei com certa raiva, pois fazendo isso, ele interrompeu o contato entre nossas linguas, recolhendo a dele para dentro da boca. Eu estava desesperada para sentir seu gosto mais uma vez em tempo real. 



 Não sei exatamente quando foi que percebi que algo estava errado. 



 Talvez seja quando notei que hoje o beijo estava melhor. Ou quando me toquei que Fred deveria estar cheio de ferimentos, pois ele acabara de sair de uma briga. Ou quando percebi que 'Fred' começava com F e não com J - a letra bordada no suéter era um J. Ou quando eu me lembrei que havia acabado de deixar Fred na ala hospitalar, portanto ele não poderia estar na sala comunal da Grfinória. 



 Desgrudei meus lábios dos do ruivo embaixo de mim, levantando meu corpo, sentando-me. Minha mão voou para a boca, em sinal de susto e descrença. 



 Meu Merlin! Eu estava errada. Aquele era Fred. Sim, aquele era Fred. Meu namorado. O mesmo garoto que estava beijando havia dois meses. Eu tentava me convencer desesperadamente sobre essa realidade, mas não estava totalmente certa disso. 



 O ruivo embaixo de mim me encarou mordendo o lábio inferior e com uma sobrancelha erguida, em uma expressão maliciosa. Os olhos brilhavam marotamente. 



 Continuei o encarando com perplexibilidade, assustada demais para fazer qualquer coisa a respeito. Chocada demais para fazer meu corpo sair de cima do dele. Maravilhada demais com o beijo delicioso para me arrepender. Uma culpa quase trágica se apoderou de mim. Meu Merlin, eu havia beijado o irmão do meu namorado. Eu havia beijado o irmão do meu namorado! 



 Nós não somos namorados. Isso era uma tentativa fraca para me convencer de que eu não havia feito nada de tão errado assim. Mas nada me garantia que este era mesmo Jorge e não Fred. Jorge poderia estar na ala hospitalar e Fred era quem estava aqui. 



 Havia essa possibilidade, mesmo que pouca. 



 - Jorge? - perguntei, temendo a resposta. Se esse fosse Fred, ele ficaria irritado por eu tê-lo confundido com o irmão. Isso seria melhor do que se esse fosse Jorge. 



 Para meu desespero, ele respondeu:



 - Sim? 



 Meu estomago despencou. Minha respiração passou a ser um arfar desagradável, meus olhos se encheram de lágrimas e eu os fechei para dete-las. Por Merlin! E agora? Certo, primeiro saia de cima dele. Sim, era o correto a fazer. Passei minhas pernas para o lado e desci do sofá, automaticamente descendo de Jorge. 



 Sem forças para me manter em pé, me joguei na poltrona mais próxima e escondi o rosto nas mãos. As lágrimas de culpa caíram devagar pela minha face e eu não tentei impedi-las. Estava cansada de tentar coisa alguma. 



 - Angie? - ele me chamou e pude ouvir que estava ainda mais confuso. Eu não me admirava. Até eu ficaria assim se uma garota maluca se jogasse em mim, me beijasse ardentemente e parasse de repente, para depois começar a chorar. Pensar nisso me fez soltar um soluço. - O que foi? - senti ele se postar a minha frente, mas não levantei o rosto. 



 Era meio lógico o fato de eu dever explicações à ele, mas a coragem me faltava no momento. Preferia brigar com a Emília de novo a ter que passar por uma situação dessas. Eu não merecia estar na Grifinória. Eu não merecia Fred. Eu não merecia ser capitã do time de quadribol. Eu não merecia a vitória que a pouco tivemos. Eu não merecia a paciência que Jorge esta tendo comigo neste momento. Eu não merecia absolutamente nada. 



 Para piorar, eu estava tendo um daqueles ataques de auto-piedade. Não era hora para isso, mas não podia deixar de me sentir burra. Sim, burra. Como foi que não percebi que o suéter do ruivo tinha um J? Por que isso só podia significar que aquele era Jorge e não Fred. Pior, como não me lembrei que havia acabado de deixar Fred na enfermaria? Por que se ele estava na enfermaria, era lógico que não estava aqui! Não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. 



 - Droga! - praguegei. 



 Jorge riu.



 - Se arrependeu? - perguntou. 



 'Sim!', eu queria dizer. Mas eu estaria mentindo para ele e para mim mesma. E também não adiantava tentar. Eu não sabia mentir para aqueles ruivos. A verdade é que eu não conseguia me arrepender. Eu queria, mas não conseguia. 



 - Não. - sussurrei. Mas ele pode ouvir, pois ouvi-o rir mais uma vez. 



 - Se decepcionou comigo? - perguntou novamente. 



 Foi a minha vez de rir. Era meio irônico. Eu queria responder afirmativamente, porém seria mentira. 



 - Não. - sussurrei de novo. Ele ouviu mais uma vez. 



 Houve uma pausa longa, na qual me deu tempo para me recuperar. Sequei o rosto molhado com a manga da blusa, depois passei as mãos nos cabelos para tentar voltar a ser apresentável. Respirei fundo algumas vezes antes de finalmente encarar seus olhos. Para minha surpresa, havia preocupação perdido no azul, mas nenhuma pitada de arrependimento se misturava ali. 



 Jorge esticou a mão e tentou pegar a minha, mas eu não deixei, puxando minhas mãos para o colo. Ele não fez uma nova tentativa. 



 - Então, me diga o que foi que houve. - pediu, procurando meu olhar, mas eu novamente não deixei, desviando meus olhos dos dele. 



 Não pude responder, não pelo fato de não querer, mas pelo fato de que ouvimos passos vindo do quadro da Mulher Gorda. 



 Ambos olhamos em direção ao barulho e o que Jorge viu o fez abrir um sorriso. Mas o que eu vi, me fez voltar a esconder o rosto nas mãos. Nós dois estávamos vendo Fred e Harry, entrando na sala comunal, apenas com alguns traços da briga com Malfoy. 



 Ouvi Harry nos cumprimentar com desânimo, mas eu não respondi. Escutei passos de alguém que estava subindo para o dormitório e pedi intimamente para que fosse Fred. Como todas as coisas que eu pedia, esta não se realizou e fiquei sabendo disso assim que senti um par de braços me agarrarem por trás. Senti um beijo na bochecha. 



 - Oi, Angie. - cumprimentou Fred atrás de mim. 



 Ao ouvir sua voz, minha consciência pesou tanto que cheguei a soltar um gemido de desgosto. A culpa estava me assolando a alma. Isso não podia estar acontecendo! 



 - Como esta sua mão? - ele perguntou tocando de leve minha mão enfaixada. Afastei-a da dele. Não que eu me importasse com seu toque. Pelo contrário. Mas minha consciência me dizia para lhe dar o respeito. Eu havia beijado o irmão dele e isso significava que eu não podia ter os dois. E depois de beijar Jorge eu havia notado que gostava de tê-lo feito. Por isso era minha obrigação ficar longe de ambos os dois. Eu não teria nenhum deles. 



 Não respondi a pergunta de Fred imediatamente, pelo fato de estar preparando minha voz para parecer impassível, como se não tivesse feito nada de errado. 



 - Está melhor. - respondi em um murmurio baixo e minha voz tremeu de leve, o que não passou despercebido à nenhum dos gêmeos. 



 - O que foi? - perguntaram juntos, alheios à minha situação. 



 - Nada. - respondi decidida. Se eles não sabiam, era melhor deixá-los sem saber. 



 Meus ruivos bufaram juntos, em um jesto de uníssomo perfeito. Era quase divertido. 



 - Certo. - disseram juntos, a voz impregnada de sarcasmo. 



 - Não falem em coro. - pedi, tentando mudar de assunto. Não adiantou. 



 - Não mude de assunto. - pediu Jorge como se tivesse lido meus pensamentos. 



 - Nós não somos idiotas ou insensíveis o suficiente para ignorar o fato de que você esta triste. - disse Fred. 



 Triste. Se fosse apenas isso, eu estaría no paraiso. Mas nunca foi apenas isso. Era tristeza por ter traído meu namorado, era culpa por ter beijado o irmão dele, era medo de que Jorge contasse à Fred e eu perdesse a amizade de ambos, era confusão por gostar dos dois ao mesmo tempo, era auto-piedade por estar sentindo tudo isso de uma vez. Meu Merlin, eu estava ficando pior do que a Cho Chang. E precisava parar de mencionar Merlin tanto hoje, afinal, ele nada tinha a ver com isso.



 - Eu vou subir. Estou cansada. - avisei e antes que eles pudessem protestar, eu já estava subindo as escadas.  



 Soltei um suspiro derrotado, admitindo que precisa de um momento que envolvia muitas lágrimas no dormitório feminino. 



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 N/A: não tenho a mínima idéia do tamanho desse capítulo e se fosses acharem muito pequeno, eu prometo dar mais de mim no next. Meu Microsoft Office não esta funcionando, o que esta me fazendo usar o Bloco de Notas. Um tormento. Deste modo, não dá para saber a quantidade de páginas que eu estou escrevendo. De qualquer modo, desculpem pela demora e pelos erros que talvez vocês encontrem durante a leitura.



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