CAP-17 – O Mapinguari
CAP-32 – Dívida Vital
Xingu,
Tingué os instruiu nos preparativos para a partida. Emílio e Neville foram buscar Julião numa cabana do outro lado da clareira, Harry prendeu e imobilizou os Guarapakas. Lina cuidou de Maurício Souto, o Bruxo da primeira expedição que estava preso com eles na gaiola. Não que ela tivesse feito muita coisa por ele, pois o coitado ainda estava mudo e com os olhos arregalados, mas agora pelo menos tinha parado de tremer e já caminhava normalmente.
O vice Ministro cuidava do corpo de Roberto Vaques. Conjurou um lençol branco que envolveu o homem morto, dando um aspecto de mumificação ao cadáver.
Passou algum tempo e Emílio e Neville retornaram com Julião. Ele caminhava com dificuldade, mancando muito. Rapidamente explicaram a ele o que aconteceu desde a luta contra o Mapinguari.
Agora Tingué depositava rochas e cristais no solo formando um circulo. Harry estava muito incomodado com o sons de luta que vinham da floresta. O rapaz desejava ir até lá e ajudar os Curupiras, ele achava que tinham responsabilidade pelos problemas causados pelo Iaguara e disse isso tudo à Tingué.
O Vice Ministro simplesmente respondeu que os curupiras preferiam que eles não utilizassem magia dentro da floresta e que logo eles mesmos resolveriam o problema. E que a melhor maneira de deixar os curupiras satisfeitos era partirem o mais rápido possível.
Harry não ficou satisfeito com a resposta, mas resolveu que não iria agir sem o consentimento de Tingué. O rapaz se sentou recostado em uma arvore e começou a pensar em Rony, e se seu amigo havia chegado em tempo de salvar Hermione.
Derrepente Harry se deu conta que Lina havia sumido. Olhou rapidamente para o local onde estavam aprisionados os Guarapakas. E verificou que nenhum deles havia se libertado.
Ele decidiu então procurar Lina. Neville e Emílio, foram cada um para um lado da clareira e Harry foi em direção à margem do Lago. E foi lá que ele encontrou Lina.
Ela estava sentada sobre um tronco velho e cheio de musgo, Observando a superfície calma da água. O sol batia na parede de pedra e refletia sobre a água, criando uma luz estranha que dava uma sensação, quase mágica, de paz.
- Estávamos te procurando – Disse ele.
Ela não se moveu, nem tirou os olhos da água.
- Já estamos de partida? – Perguntou ela.
- Assim que os Curupiras voltarem. Mas não acho bom ficarmos sozinhos aqui. Pode ser perigoso.
- Você tem razão... – Ela fez uma longa pausa e depois voltou a falar - O Iaguara estava o tempo todo bem debaixo do meu nariz, me usando... Sabe, mesmo assim não consigo sentir raiva do Virgílio, acho que de alguma forma a Ma’enduara o possuiu.
- Já vi pessoas boas serem possuídas antes, Lina. Não sei até que ponto Virgílio desejava se tornar igual ao pai, ou se foi iludido por ele. Acho que nunca saberemos.
- Tem razão, novamente... Parece que nossa aventura chegou ao fim. Agora com Virgílio preso e você voltando para Londres... Eu perco os dois únicos amigos que tive na vida.
Harry não sabia direito o que dizer... Lina era decidida e habilidosa, mas só agora percebeu como ela era emocionalmente frágil.
- Mesmo longe, continuarei seu amigo – Disse ele, tentando anima-la – E essa viagem uniu todos nós, Emílio e Julião podem se tornar grandes amigos se você quiser.
Ela se virou para ele, tinha lágrimas nos olhos.
- Sei que meu avô vai morrer logo e ficarei sozinha no mundo... Só agora percebi isso, que nunca tive amizades verdadeiras e profundas.
Harry sentou-se ao lado dela, passou o braço pelo seu ombro, Ela deixou a cabeça cair no peito dele... Não disseram nada por minutos.
Harry sentia um aperto no peito, queria ampara-la de alguma forma, não estava suportando o sofrimento dela, aquilo estava ferindo-o Ele começou a acariciar o rosto da jovem e observara a delicada beleza daquele rosto coberto de sardas.
No momento em que ele se perguntava que tipo de sentimentos tinha por Lina.
Um som da água se agitando veio do lago, Os dois se levantaram, segurando as varinhas em posição de combate. Mas perceberam que eram apenas os botos que haviam sido aprisionados no lago, sem poder retornar ao igarapé.
Os dois se olharam novamente, mas o clima havia se desfeito. Retornaram para junto dos outros conversando sobre o castigo injusto dos botos.
Não demorou muito os curupiras retornaram, Tingué havia dito aos bruxos que ficassem dentro do círculo e pedras que ela havia feito. Os Guarapakas foram colocados no centro.
Logo os curupiras se aproximaram deles, uma pequena multidão de pessoas verdes e de cabelo ruivo se formou ao redor dos bruxos. Alguns tinham uma expressão irada no rosto, outros pareciam curiosos. Alguns apontavam para Harry e cochichavam em sua língua. Tingué ficou parado calado, esperando, com o rosto calmo e sereno.
Logo o líder abriu caminho em meio a multidão.
- Acho que vocês devem sair da floresta imediatamente e levar o causador da confusão embora. Não haverá perdão para um crime tão grave, Mas confio que você punirá os culpados com justiça. – Disse o líder curupira a Tingué.
O Vice Ministro apenas assentiu com a cabeça.
- Só temos uma questão a resolver, alguns de nós dizem possuir uma divida com Potter. Parece que você conjurou uma criatura de luz que salvou suas vidas. - Ele se referia ao patrono que Harry havia utilizado para ajudar um grupo de curupiras.
- Apesar de eu Ter dito à eles que já lhe concedi um grande favor, fornecendo uma poção cujos ingredientes, nunca deveriam Ter saído dessa floresta. Esse curupiras ainda insistem que devem suas vidas a você.
Harry ficou surpreso com a noticia.
- Você sabe o que significa à um curupira dever a vida à um humano? – Perguntou o líder.
Harry deu um passo a frente e disse:
- Não senhor, eu não posso imaginar esse tipo de coisa, pois em meu país não existem curupiras, mas posso imaginar pelo pouco que conheci de seu povo, que não deve ser algo muito agradável... É digo também que não me sinto nem um pouco satisfeito em ser credor de uma dívida desse tipo, pois quando os ajudei, não tinha nenhuma intenção de obter algum ganho com isso.
Lina traduziu tudo o que Harry disse.
- Mas a falta de intenção de deixa-los em dívida com você, não faz com que ela não exista. – Respondeu o Líder.
- Pois penso Ter uma solução que agradara à todos – Disse Harry.
O Vice Ministro e o líder curupira olharam para o jovem bruxo com curiosidade e um pouco de surpresa. Harry sustentou o olhar sério e decidido e voltou a falar:
- Pois deixem que os Botos retornem ao Igarapé em segurança e sua dívida comigo estará quitada, pois eu também tenho uma dívida de gratidão com eles.
Tingué sorriu para Harry e mais uma vez o Vice ministro fez com que ele se lembrasse de Dumbledore.
O Líder dos curupiras traduziu a proposta de Harry. E os outros concordaram.
Harry ficou feliz por Ter ajudado os botos.
Tingué disse a todos que dessem as mão e que alguém deveria estar tocando os Guarapakas. O vice Ministro retirou um pó acinzentado de sua sacola, o lançou no meio do circulo e gritou:
- M’bour.
Chamas verdes brotaram do centro do círculo e envolveu todos, logo as chamas se apagaram e não restava nada dentro do círculo, eles haviam deixado a floresta para nunca mais voltar.