CAPITULO 49
Atrás da cobra
A expressão dos medibruxos que cuidavam de Sara não era nada agradável. Sérios e compenetrados, suas vozes eram baixas e pausadas, como se esperassem compreensão e perguntas sobre a situação de Sara, e não desespero e indignação por não serem capazes de responder as perguntas feitas pelos aflitos pais.
-Como assim não sabem o que Sara tem? – A voz de Rony soou por toda sala de espera, indignado e cortante. – Se estão tratando-a devem saber o que causou o problema!
-Sinto muito Sr.Wesley, mas estamos tratando as conseqüências e os sintomas. Por enquanto é só o que podemos fazer. Precisamos fazer exames antes de apontar a causa verdadeira, por enquanto temos apenas suposições. – Dr.Taylor disse com voz mansa.
-Como ela está? – Mary perguntou, encolhida nos braços de Rony, onde inconvenientemente insistia em ficar dependurada. – Minha filha, me diga alguma coisa!
-Sara está estável e respondendo bem ao tratamento – o outro medico, Dr.Burt disse olhando de esguelha para o o colega de trabalho e continuando – Continuaremos ministrando o tratamento pelos próximos três dias, e acredito amanhã ela já deve estar consciente e poderão vê-la.
-Amanhã? Eu quero vê-la agora! – Mary pareceu desconsolada.
-Sra.Wesley - Dr.Taylor resolveu acalmá-la – Sara está dormindo agora, e as poções tem efeito grande sobre seu metabolismo, ela sequer saberá que está no quarto. É melhor deixarem-na descansar essa noite e amanhã cedo, poderão vê-la.
Mary olhou para Rony na singela esperança dele insistir em vê-la.
-Se é melhor para Sara, não vamos forçar, Mary. – olhou agradecido para os médicos que se retiraram. – Vou passar a noite aqui, caso precisem de nós – ele avisou e viu Mary sorriu tranqüila.
-Vou para casa, então – ela disse aliviada – Venho amanhã cedinho, amor – ela beijou seu rosto e olhou em volta, até captar o olhar de Hermione e ficar obviamente contrariada. – Talvez fosse melhor ficar com você... – disse insegura ao lembrar-se do risco.
-Não precisa, Mary – Artur Wesley tocou seu ombro com mãos de ferro conduzindo-a. – Vamos para casa, todos nos precisamos descansar – fez sinal para Gina que levantou-se com dificuldade indo para o pai com um sorriso cansado, depois de um abraço no irmão – E Harry, onde está?
-Ele teve um trabalho a realizar – ela foi vaga e acenou para Hermione quando eles saíram da sala de espera em direção ao segundo andar, onde sairiam para a rua e poderiam aparatar sem burlar a segurança do local.
Rony sentou-se pesadamente, agradecendo intimamente a sala estar vazia e todos terem ido embora. Precisava de solidão para pensar. Pensar com clareza e absorver a culpa e a dor que sentia.
Quase perder sua filha havia sido um soco e tanto em sua cara. O destinou estava contra ele. Exausto cobriu o rosto com as mãos lembrando-se de mais cedo quando chegara a ser feliz novamente. Era uma sensação tão boa. Tão única. Ele olhou em volta procurando-a e encontrou Hermione de pé perto da porta esperando que ele precisasse dela.
Aliviado por tê-la por perto, ele estendeu a mão pedindo que se aproximasse.
-Tive medo que fosse embora – ele disse quando se sentou ao seu lado.
-Não é hora para falar disso, Rony... – maneou a cabeça olhando em volta.
-Estamos sozinhos e é hora sim, de falarmos disso. Não quero que isso nos separe. Minha filhas fazem parte da minha vida e não posso ficar sem elas.
-Nem precisa falar, eu sei – apertou forte seus dedos – Mary me abordou mais cedo – afastou os cabelos do rosto, e Rony acariciou suas madeixas macias, aproveitando que eles estavam soltos e eles sozinhos - Disse para me afastar de você. Ela já sabe, Rony, de nós dois.
-Seria muito estúpida se não soubesse. – ele afirmou, fazendo carinhos em seu rosto, em sua nuca – nunca escondi dela que não amava, que havia outra em meu pensamento. Mary se faz de desentendida quando lhe convém, mas sabe da verdade a muito tempo.
-Rony, não consigo confiar na índole de alguém que me sorri e é simpática enquanto sabe que sou sua...amiga – faltou-lhe a palavra certa – amiga tão intima...no lugar dela, eu...
-O que faria no lugar de Mary? – ele perguntou já conhecendo a resposta.
-Jamais chegaria ao ponto de obrigar alguém a casar-se comigo, mas se acontecesse um casamento, e viesse a ser traída, não seria preciso que me pedissem para desistir, eu mesma poria um fim no casamento. Se não por vontade, ao menos por respeito a mim mesma! A traição é a pior coisa que uma pessoa pode fazer a outra, Rony. Eu...jamais me envolveria com um homem capaz de trair. Só o estou fazendo porque temos uma historia que me faz acreditar em você. Se não fosse assim...não conseguiria.
-Eu preciso te contar uma coisa, Hermione -ele ajeitou-se no sofá desconfortável, puxando-a mais perto, com o braço em volta dela, como dois namorados. – Traí Mary varias vezes antes do casamento. – notou seus olhos se arregalarem e apressou-se a explicar – Isso foi antes do casamento. Sei que não justifica nada, mas ela apareceu grávida, concordei com o casamento para agradar meus pais que estavam fazendo pressão e nos meses seguintes, antes da cerimônia, eu tomei a decisão que iria aproveitar tudo que pudesse antes de amarrar minha vida a dela. Saia todas as noites e ia para bares conhecer mulheres que desejavam o mesmo que eu. Dormi com varias mulheres que sequer lembro do rosto – Hermione parecia tão chocada que ele sentiu o peso dessa decisão errado incomodando hoje, tanto tempo passado – Depois da cerimônia de casamento, eu nunca mais estive com outra mulher. Prometi ser fiel, e dessa vez a escolha era minha, pois eu disse sim no altar. Só por isso nunca a traí. Seis anos odiando cada minuto ao lado dela. Mas nunca coloquei outra mulher nas nossas vidas. E jamais faria isso a menos que estivesse apaixonado. E como sabia que jamais voltaria a me apaixonar pois ainda te carregava no meu coração embrenhada em mim, eu não tive duvidas que morreríamos casados e infelizes. Até te ver de novo.
-Estou tentando não pensar que tudo isso é minha culpa –ela disse - Estaria vivendo bem se eu não houvesse aparecido.
-Não diga isso, Hermione! As meninas sempre estiveram doentes, e isso desde muito pequenas! Lembro que a primeira vez que Sara esteve aqui, no hospital, tinha apenas duas semanas de vida. Mary e eu tivemos uma discussão sobre uma investigação, ela queria que deixasse o ministério e trabalhasse para o seu pai. Nos discordamos e Sara acabou no hospital. Por semanas eu me senti culpado achando que negligenciava as meninas e concordei em mudar para o setor de treinamentos, que era menos perigoso. Não época não liguei uma coisa a outra, mas depois de Hermy ter me contato que as vezes Mary se descontrola fisicamente, começo a pensar que tem mais aí do que estamos vendo!
-Harry está investigando isso – ela garantiu – Tem certeza, que estamos fazendo o certo?
-Tenho certeza que estamos fazendo o certo para nossos corações. –ele garantiu – Vou pedir o divorcio assim que Sara sair do hospital. Vou entrar com um pedido de tutela e rezar que me atendam. Não há outra alternativa, Hermione, e isso não tem nada a ver com você. Tem a ver com a decisão que deveria ter tomado anos atrás.
-Eu fico pensando, Rony, se não seria melhor esperarmos um tempo –ela notou o momento exato em que ele ficou tenso e curioso – Se Mary está fazendo isso, e tenho quase certeza que sim, quanto mais cedo se separarem mais difícil será provar. Como pai terá muitos direitos se provar isso, alem disso, para Mary seria melhor ser pega e punida, talvez tratada...não é normal uma mãe fazer isso com as próprias filhas!
-Hermione...está pedindo que continue casado?
-Parece estranho não é? -ela sorriu apesar dos pesares – Fique casado mais um tempo, e dê corda a Mary. Faça a crer que não nos vemos mais. Ela sentira que está livre de mim, ficara confiante.
-Nesse caso, ela irá parar de machucar as meninas -ele disse sem entender onde ela queria chegar.
-É aí que você deixa que saiba que ainda estamos juntos. Ela vai ficar louca!
-É, vai. Mas isso tem que ser muito bem planejado, para as meninas não correrem perigo.
-Elas estudam numa escola trouxa, não é? – perguntou maquinando algo – Mais algumas semanas e será férias. Elas podem passar um tempo com os avos, ou algum tio...Gui e Fler ainda moram na Franca? – como ele concordou ela sorriu ainda mais – Uns dias na França e Mary não poderá fazer nada contra elas. Sobrara apenas você. E eu.
-Só que nesse caso, quem correra perigo será você - ele não gostou nada desse plano.
-Só que eu estarei preparada para o que ela planejar.
Ele ficou em silencio um tempo, ponderando as possibilidades. Hermione tinha razão, como sempre.
-Não posso ficar tanto tempo sem você -ele confessou aumentando a pressão de seus braços em volta dela.
-E não ficará. Apenas seremos mais cuidadosos.
Essa era a Hermione que tinha vivo em sua mente. Esperta, as vezes cruel em sua forma de ver a vida, mas certeira como um feitiço preciso.sentira falta de sua força. De sua atitude.
Decidido a dedicar a vida a amar aquela mulher, Rony a beijou. Um beijo de reconhecimento, que diz que sente saudades mesmo tendo ficado pouco tempo longe.
Rony passou a noite no hospital, esperando pela melhora de Sara e Hermione ficou ao seu lado, suas mãos entrelaçadas enquanto conversavam, e esperavam o dia amanhecer...
AUTORA: Gente, eu tenho que parar sempre na melhor parte sim! Ou vocês acham que é fácil competir com a internet, com a novela das oito da Globo, com o Jornal, com a escola, com os namorados e tantas outras coisas? Competir com milhares de coisas e ainda fazê-los voltarem todos os dias aqui, só para lerem o que escrevo? Só fazendo muito suspense! Assim, eu solto e prendo. Dou e pego de volta.
É a magia da escrita.
E eu amo isso!!!!
Quanto a Mi G. Souza, bem ela não me odeia de verdade. É só da boca para fora, certo?
Certo? .....hum....Será? Heim? Mi G. Souza pronuncie-se, que agora fiquei em duvida!!!!!
(HEHEHEHEHEHEHEHEHE...)
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