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5. A Missão


Fic: Sr. e Sra. Malfoy


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A Missão






DRACO


 


Madrugada — a melhor parte do dia para mim. O mundo se equilibrando entre a noite e o dia. Escuridão e luz. Passado e futuro.


Durante esse breve instante, tudo parece possível.


Maleta na mão, assoviando uma melodia qualquer, atravessei o gramado dos fundos em direção ao anexo que funcionava como depó­sito de ferramentas. Como qualquer outro marido feliz se preparando para mais um dia de trabalho.


Uma vez dentro, tranquei a porta e parei de assoviar.


Aquele quartinho não passava de uma fachada para as verdadeiras ferramentas do meu negócio.


Como sempre, a bancada do torno deslizou facilmente para o lado, revelando uma tampa de metal sobre o chão. Ajustei os números do cadeado, soltei a lingüeta de metal e abri o alçapão.


Arrastando a maleta atrás de mim, desci uma escada, acendi a luz e avaliei as possibilidades. As pilhas de cédulas guardadas ali estavam criteriosamente organizadas segundo o país emissor. Minha coleção de armas era quase um arsenal: morteiros, granadas, uma mi­ríade de armas portáteis. Escolher uma delas era como fazer compras num hipermercado.


Eu precisava de algo leve e quase invisível, mas com alcance e poder de fogo razoáveis. Encontrei o que buscava, joguei na maleta e tranquei.


Uma vez fora do alçapão, voltei imediatamente ao papel de mari­do feliz. Assoviando, caminhei até a garagem, tranquei a maleta no porta-malas do carro e saí de ré em direção à rua, já inteiramente concentrado no trabalho.


Por puro condicionamento, olhei pelo retrovisor e me lembrei de que tinha negligenciado uma de minhas obrigações conjugais.


Apertei o controle remoto da garagem, e a porta se fechou len­tamente.


E fui embora para minha outra vida.


 


HERMIONE


 


Eu ainda estava na cama, mas meus olhos estavam abertos. E os ouvidos, alerta.


Por fim ouvi o carro saindo para a rua.


“Não se esqueça de fechar a porta da garagem, Draco.”


Ótimo. O barulho inconfundível da porta se fechando. Ele havia se lembrado, pelo menos dessa vez.


Saí da cama e fui direto para o banheiro. Não tinha tempo a perder.


Quatro minutos no banho, três me vestindo (sou uma profis­sional, ora bolas); depois desci correndo para a cozinha e acionei a função “limpar” do forno.


Não. Não sou dessas donas-de-casa obsessivas que não conse­guem sair de casa com os restos da lasanha da noite anterior gru­dados na grelha do forno. Era outra coisa que eu havia assado na minha cozinha.


O timer apitou, e com um gesto abrupto abri a portinhola do forno. Depois digitei vários números no painel de controle e...


Biiiiip! Uma advertência de dez segundos.


Assim que digitei o código de segurança, o bip parou. A base do meu forno se abriu.


E eu sorri.


Era ali que eu guardava meus utensílios de cozinha especiais: ar­mas de última geração, facas reluzentes. Limpas, lubrificadas, tudo muito organizado.


Logo que nos mudamos constatei que o melhor lugar para es­conder meus segredinhos era a cozinha, uma vez que Draco não sabe sequer ferver uma água.


Analisei as opções e depois guardei na perna direita minha faca predileta.


Luzes apagadas, cafeteira elétrica desligada, fui para a garagem e saí com o carro. No pára-choque, o adesivo: “Vizinhos vigilantes: mantendo nossas ruas em segurança.”


Era isso o que eu fazia todos os dias, mas não exatamente da maneira que os vizinhos imaginavam.


Pouco depois eu estava num dos arranha-céus da cidade, atra­vessando a porta giratória em direção ao átrio. Diante dos elevado­res, conferi minha aparência nas portas espelhadas: blazer preto e justo, saia acima dos joelhos, salto alto, maleta executiva.


“Perfeito”, constatei. Eu estava pronta para o trabalho.


Subi até os andares superiores do prédio, onde ficava meu escri­tório. Saindo do elevador, passei pela câmara de segurança, onde feixes de luz ultravioleta banharam meu corpo, procurando por armas e verificando minha identidade.


A logomarca da minha empresa apareceu no monitor de segu­rança, ao lado de uma lista de dados a meu respeito: temperatura corporal, pressão arterial, armas, jóias. Se quisessem, saberiam até a marca do rímel que eu estava usando.


“Hermione Malfoy”, disse uma robotizada voz feminina. “Confirmado.”


Tentei abrir a porta da minha sala, mas a mesma voz de antes disse: “Aguardar contato.”


Fiquei surpresa. Aquilo não era comum. E então um rosto apa­receu na tela do monitor.


Um homem de aparência familiar e elegante, o Big Boss.


Papai.


— Desculpe a intromissão — ele disse com seu sofisticado sota­que britânico —, mas temos um... probleminha. E preciso que você cuide dele pessoalmente.


Fiquei intrigada. Aquilo não era o procedimento-padrão.


— Alvo? — perguntei.


A foto do meu novo alvo surgiu na tela.


— Dênis Creevey — informou Papai. — As especificações se­guem agora mesmo. O trabalho deve ser rápido, limpo e discreto. Assenti com a cabeça e disse:


— Entendido, senhor.


Tentei abrir a porta outra vez, mas a voz de Papai me inter­rompeu.


— Hermione...


Olhei para o monitor.


Ele hesitou um instante e depois disse apenas:


— Boa sorte.


Fiquei ainda mais intrigada. Isso era muito, muito incomum. Papai geralmente era sucinto e eficiente. E apesar de minha longa ligação com a empresa, ele raramente perdia tempo com amenida­des sociais.


Então o que mudara naquele dia? A expressão no rosto dele... Havia algo de estranho ali. Mas antes que eu pudesse analisá-la melhor, a imagem desapareceu da tela.


Balancei a cabeça. Provavelmente estava imaginando coisas.


Uma vez confirmada minha identidade, a porta ao fundo do corredor se abriu, e finalmente entrei na sede da Triple-Click — uma agência prestadora de serviços na área de informática. Mas tudo isso era apenas uma fachada.


Parei por um instante e olhei ao meu redor. Puxa, como eu ado­ro este lugar. Aquela sala de metal, ultra-segura, fervilhava com o que havia de mais moderno em termos de tecnologia: videoconferência, imagens em tempo real, tudo em warp speed e transbor­dando eficiência.


Porém o mais importante de tudo era a equipe que eu havia reunido. Num setor prioritariamente dominado pelos homens, fiz questão de contratar as mulheres mais inteligentes e competentes que consegui encontrar.


Cumprimentei Luna com um sorriso. É ela quem cuida de tudo na minha ausência.


— Bom dia, meninas, o que temos pra hoje?


Luna apertou uma tecla de seu computador, e uma enorme tela de plasma se acendeu com nossa logomarca e os dados relati­vos ao nosso novo alvo, enviados diretamente pela matriz.


Sim, Papai é rápido no gatilho.


— Muito bem, meninas — eu disse com entusiasmo —, ao tra­balho!


Os dados sobre nosso alvo estavam todos ali: foto, dados bio­gráficos, hábitos diários, tudo, menos a última vez que ele foi ao banheiro.


— Está sendo transferido hoje à noite, através da fronteira me­xicana até uma unidade do governo federal — informei minha equipe. Num mapa, apontei para o local que nos interessava. — O único ponto de vulnerabilidade é este aqui, ao norte da fronteira. Padma, preciso da posição GPS e fotos de satélite do cânion, bem como dos relatórios meteorológicos dos últimos três dias — pedi. Padma era a garota a quem eu recorria sempre que precisava de dados.


Minha nossa, como aquilo me fazia bem. Trabalhar era tudo de que eu precisava. Só assim eu conseguiria esquecer os momentos de confusão e dúvida que tanto me haviam atormentado na noite anterior, primeiro na festa e depois em casa. O trabalho veio como o sol, dissipando a bruma da manhã. Eu tinha uma missão a cum­prir e sabia o que tinha de fazer para cumpri-la. Estava no meu elemento; aquele era o meu lar.


Tudo parece possível pela manhã.


Estudei o rosto do homem, reproduzido em várias fotos. “Bonitinho”, pensei.


Eu sabia que isto não deveria fazer a menor diferença. Alvo é alvo. Mas de alguma forma meu trabalho fica mais fácil quando o canalha é um ogro. Sei lá, talvez seja apenas uma coisa de mulher, mas para mim é sempre mais difícil assassinar um cara boa-pinta.


Mas ali não haveria problema. Afinal, não se tratava de nenhum Brad Pitt.


Estudei aquele rosto, observando cada ruga, cada cicatriz, o ta­manho dos cílios, o formato das orelhas — firmando a ferro e fogo a imagem do sujeito na minha memória.


Dênis Creevey.


“Bem, Sr. Creevey, seja bem-vindo ao último dia da sua vida.”


 


DRACO


 


Estacionei diante de um prédio sem nome, de frente para o rio, e depois me dirigi a um pequeno escritório no pavimento térreo — a placa do lado de fora informava: “Malfoy Engenharia.” Ali, pelo menos até onde sabiam as pessoas em geral, eu era apenas um cara como outro qualquer, no comando de uma empresa de engenharia com negócios no mundo inteiro.


— Bom dia, Minerva — eu disse à recepcionista. Ela e o marido, Alvo, comandavam o escritório-fachada. Formavam uma dupla sim­pática e afável, e eu quase os tinha como pai e mãe. Mas ficaria com muita pena do infeliz que subestimasse as habilidades do casal.


Eles faziam as vezes de secretários, mensageiros e guarda-costas, tudo no mesmo pacote, e eu os tratava a pão-de-ló. Além disso, Minerva fazia os melhores cookies de chocolate do planeta. Portanto eu preci­sava, a qualquer custo, ficar nas boas graças dela.


— Bom dia, Sr. Malfoy — ela respondeu. — Problemas em Atlanta?


— Foi o que me disseram.


Mini entregou-me um envelope e disse:


— Um pedaço de cartão de embarque, recibos de táxi, contas de hotel... e também temos as novas especificações para a barragem — acrescentou Minerva, entregando-me uma planta enrolada.


— Ótimo, ótimo. Vou dar uma olhada nisso tudo — eu disse enquanto atravessava o corredor que conduzia à minha sala.


Já estava a meio caminho quando Harry surgiu da sua toca e me alcançou. Cantarolava uma musiquinha qualquer e fazia as palhaça­das de costume.


— E aí, Harry, quais são as novidades? — perguntei, muito mais para fazê-lo parar de cantar do que para colher informações.


— Mesma coisa de sempre. Pessoas precisando morrer. — Ele deu de ombros e depois continuou: — Ah! Vou fazer uma reuniãozinha esse fim de semana. Churrasco lá em casa. Clube do Bolinha.


— Tudo bem, se Hermione não se importar... — eu disse, e depois segui para minha sala.


Harry balançava a cabeça enquanto me via atravessar o corredor.


— Ei, Draco! Quer meu celular emprestado? Caso você queira coçar a bunda, dar uma mijada, ou qualquer outra coisa, e precise consul­tar a Hermione antes...


Simplesmente revirei os olhos e fechei a porta sem responder. Não precisava de conselhos matrimoniais de um cara que ainda morava com a mãe.


Era ali, dentro da minha sala — o único lugar seguro da Malfoy Engenharia —, que as coisas aconteciam de verdade. A decoração vintage, simples e esparsa, me convinha perfeitamente. O lugar era confortável, desobstruído, eficiente. Parecia cenário de um filme de James Bond muito antigo. Ali eu conseguia me concentrar, ali eu conseguia pensar. Ali era a minha casa.


A porta se fechou. A sala estava segura.


Joguei a planta sobre uma pilha de outras plantas que nunca ha­viam sido abertas, jamais haviam sido lidas. Depois sentei à minha mesa e puxei o braço de um guindaste em miniatura.


Imediatamente, o painel que revestia uma das paredes retrocedeu para dar lugar a uma gigantesca tela de plasma, de ultimíssima gera­ção, exibindo a logomarca da empresa.


— Bom dia — eu disse.


— Confirmando a identidade vocal... — respondeu a voz, apenas a voz, de uma secretária. — Bom dia, Sr. Malfoy.


Em seguida surgiu um rosto: o de uma mulher elegante, de cabelos escuros, que trazia nos olhos a marca dos muitos anos de trabalho naquele ramo.


Era a grande kahuna. Minha chefe. Também conhecida como “Mamãe”.


Com um único olhar, era capaz de transformar o mais sanguinário dos seus agentes num garotinho chorão.


Empertiguei-me na cadeira, surpreso por vê-la na tela.


— Olá, Draco — Mamãe disse em sua voz aveludada e escura. — Muitas baixas esta semana!


“Vou tomar isso como um elogio”, pensei, mas não disse nada.


— Temos uma “Prioridade Um” — ela continuou —, e portanto preciso de suas habilidades especiais.


Os dados a respeito do alvo espocaram na tela: foto, biografia, tudo, menos a última vez que ele tinha ido ao banheiro para cagar.


Eles decerto tinham todas aquelas informações também, em al­gum lugar.


— O nome do alvo é Creevey — informou Mamãe. — Também conhe­cido como “o Tanque”.


— O Tanque... — quase não consegui conter o riso. — Ele parece um adolescente.


Opa! Mamãe contraiu os músculos da face. Não estava para brinca­deiras, e o assunto, fosse qual fosse, parecia muito importante para ela. Achei prudente me comportar.


— E uma ameaça direta à firma — ela continuou, um pouco mais incisiva. — Sob custódia da CIA. Vão entregá-lo para uma conexão via helicóptero, a uns vinte quilômetros ao norte da fronteira com o México. Quero você lá, de modo que nosso alvo não troque de mãos.


Inclinei-me um pouco para ler melhor os dados que atravessavam a tela. As pessoas podem mentir, trapacear, fingir que são aquilo que não são. Mas os olhos sempre as denunciam.


Bastou uma rápida conferida nos olhos do cara para saber que não passava de um panaca.


“Dênis Creevey” pensei, “bem-vindo ao último dia de sua vida”.


 


HERMIONE


 


Eu havia escolhido como base de operações o casebre de uma mineradora, velho e empoeirado, plantado no topo de uma colina rochosa em algum lugar do deserto.


Onde exatamente? Só Deus sabia — em algum lugar ao norte da fronteira entre o México e os Estados Unidos; isso era o máximo que eu podia dizer.


Vasculhei a área com um par de binóculos, mas não vi nada além de quilômetros e quilômetros de areia escaldante.


Mas aquela beleza árida de alguma forma me deixou comovida. O vazio, a solidão...


Ei, mas o que era aquilo?


Uma nuvem de poeira chamou minha atenção para um com­boio de utilitários que reluzia sob o sol do meio-dia enquanto avançava por uma estrada coberta de areia, quase invisível, serpenteando através do deserto.


— Alvo chegando — informei aos outros membros da minha equipe, que ouviam pelo rádio.


— Entendido — respondeu Luna.


Sorri. Era hora de entrar em ação.


Este era o plano: eu havia conectado um timer box relativamen­te simples a cabos de mineração que se estendiam até o chão do deserto.


Aquela área havia sido definida em meu laptop por meio de uma imagem tridimensional onde se viam vinte pontinhos brancos: uma ampla armadilha que logo seria atravessada pela caravana.


Uma espécie de ratoeira.


O comboio entraria nela e — “bum!” — jamais sairia de lá.


Esperei que minha presa se aproximasse mais e depois coloquei o plano em ação.


— Carga pronta — informei. — Detonação ao primeiro contato.


As imagens sobre a tela trouxeram a boa notícia: o comboio se­guia direto para a armadilha. Chegaria em um minuto. Perfeito.


— Bem na hora — murmurei, sorrindo.


Planejamento minucioso, posicionamento perfeito, trabalho de equipe impecável...


Achei que resolveríamos nosso assunto e cairíamos fora dali muito antes que nossos desodorantes vencessem sob o calor do deserto.


Uma sopa.


Foi então que uma mosca pousou em nossa sopa.


“Caramba!” pensei, “o que é aquilo?”.


Ajustei os binóculos. Nada além de areia.


E depois — lá estava ele de novo!


Agora eu podia ver: uma espécie de carrinho esporte, talvez um Baja Buggy. Ele voou sobre o topo de uma duna de areia, sumiu no horizonte e reapareceu na duna seguinte.


E depois sumiu outra vez.


E reapareceu. E sumiu.


— Que diabos é isso? — perguntou Luna em meu fone de ouvido. — Uma ameaça? Uma redundância?


Balancei a cabeça, irritada.


— Talvez seja apenas um maluco fazendo cross na areia. O deserto está cheio deles.


Quando o veículo se aproximou o suficiente, pude enxergar a figura do motorista. Ele usava um capacete e óculos de proteção, bem como um cachecol ridículo, tremulando ao vento. Parecia que nunca tinha se divertido tanto.


Filho-da-mãe.


Com tantos tanquinhos de areia no mundo ele tinha de vir brin­car justamente no meu!


Olhei para o laptop, preocupada. O buggy aparecia na tela como um pontinho intermitente, movendo-se da esquerda para a direita.


Seguia direto para a minha armadilha.


Mas que filho-da...


— Vai disparar as cargas! — continuei olhando, cada vez mais tensa. — Pare... pare... pare...


A poucos centímetros do laser-gatilho, o buggy parou. Soltei o ar dos pulmões sem me dar conta de que havia prendido a respi­ração.


O infeliz podia tanto dar o fora dali...


E então ele fez uma manobra radical, girando o buggy prati­camente no próprio eixo — e fazendo com que o pneu traseiro tocasse levemente o feixe de laser.


No entanto, como em diversas outras situações na vida, esse “le­vemente” rendeu o mesmo resultado de um “inteiramente”.


O laptop entrou em modo de alerta, as luzes verdes indicando que as cargas tinham sido ativadas e explodiriam em trinta segundos.


— Contagem regressiva iniciada — ouvi Luna exclamar. — Hermione, eles estão na zona de fogo? Estão?


—Não, não! As cargas vão explodir cedo demais! Preciso repro­gramá-las já!


O mais rápido que pude, peguei o timer box e comecei a traba­lhar, desconectando fios, tentando anular comandos que tinham sido programados para serem executados irremediavelmente. A ta­refa era árdua e complexa — nada que devesse ser feito com pressa.


Cabeça baixa, concentrada, comecei a suar copiosamente.


Por fim consegui interromper a explosão. As luzes ficaram bran­cas outra vez.


Levantei o rosto para ver onde estava o penetra.


Ele havia desligado o carro e pulado para fora. Olhava em torno de si. De repente, abriu uma maleta prateada. Um sistema de mís­seis, talvez?


Não... um lanche? Quem era aquela criatura, afinal? Um agente inimigo ou um feliz aventureiro?


— O que esse cara está fazendo? — resmunguei. Fiquei boquia­berta quando o homem tirou da maleta um sanduíche embrulhado e o que parecia ser uma fatia de torta.


Péssimo lugar para um piquenique, meu amigo! Fosse lá quem fosse, esqueceu o sanduíche e foi direto para a sobremesa.


 


DRACO


 


— Boa tarde, senhor Creevey — eu disse, observando o comboio que se aproximava. Com o auxilio dos binóculos, calculei que estaria a uns oitocentos metros de distância.


Estávamos em algum lugar do deserto, não muito longe da fron­teira com o México.


Estacionado no topo de uma duna alta, eu tinha uma excelente visão da estrada. O comboio estava distante o suficiente para que eu pudesse fazer um pequeno lanche. Abri a maleta e retirei um sanduíche e um pedaço de torta de limão. Ambos estavam tão hermeticamente embalados em papel-filme que pareciam sufocar.


Essa é a minha Hermione, perfeita até nos detalhes mais banais.


Puxa, quando foi que ela ficou assim, tão obcecada?


O sanduíche trazia um bilhetinho colado na embalagem: "beijinho, Hermione." Tudo bem, eu reconhecia o trabalho dela, o carinho. Acontece que... Eram milhares e milhares de bilhetinhos nos milha­res de sanduíches que ela já havia feito para mim — e todos diziam exatamente a mesma coisa. Cheguei a desconfiar que tinham sido impressos numa gráfica.


Desembalei a torta primeiro. Afinal, era deliciosa, e eu não queria correr o risco de comê-la com pressa caso o comboio chegasse antes do previsto.


O calor ali era pior que o próprio inferno. Minha boca salivava por uma marguerita. Sem despregar os olhos da carreata, busquei o meu cantil de prata, dei um trago no Red Label e tentei imaginar que tragava uma tequila bem geladinha.


Depois dei uma bela mordida na torta e quase gemi de prazer.


Que delícia de torta! Das coisas que Hermione cozinhava, essa era uma das poucas de que eu realmente gostava. Tinha um gostinho de noi­tes quentes em lugares distantes. Como o Caribe. Ou Bogotá. O sabor forte do limão combinava perfeitamente com o uísque.


Mas era melhor que eu voltasse ao trabalho. A missão não era das mais difíceis, sobretudo em comparação com outras. Tudo muito bem planejado, tempo de sobra. Mesmo assim eu precisava me concentrar.


Eu me orgulhava de fazer tudo com perfeição, mesmo os trabalhos mais simples.


Mas não havia motivo algum para que não me divertisse um pou­quinho.


— Então — eu disse, imitando a voz de um locutor esportivo — nosso belo comboio já está em campo. A atração principal é um Navegador fortemente armado, bem no centro da fila. Osso duro de roer. Diz aí, Draco, o que você sugere?


Joguei sobre o ombro um morteiro Javelin CLU de 76 mm e respon­di a mim mesmo:


— Bem, Bob, acho que vou tentar a sorte com o Javelin. — Ativei a mira a laser e, procurando pelo alvo, prossegui com a encenação.


— Não há nada de mais moderno. Aquisição de alvos passivos, vi­sor de termografia infravermelha... Todos os recursos de um sistema automatizado, mas é portátil, não pesa mais que sete quilos.


O comboio já estava suficientemente próximo. Os minutos de Dênis Creevey estavam contados. Dei uma última mordida na torta de limão.


 


HERMIONE


 


Todas as minhas dúvidas se dissiparam quando vi o lobo soli­tário das dunas alojar um morteiro sobre o ombro. O cara estava caçando — mas não exatamente tatus. Merda! Ele estava atrás da minha presa!


Não gostei nada disso. Nem um pouquinho. Ponho de pé um plano perfeito e esse James Bond do subúrbio invade minha festa e esfrega um morteiro bem no meu nariz!


Merda! Merda! Merda!


Controlando a irritação, alertei minha equipe:


— Não se trata de um maluco. Temos outro jogador em campo.


Um momento de silêncio. Eu sabia que Luna examinava as imagens transmitidas ao vivo. E também sabia o que se passava na cabeça dela. Afinal, nós duas tínhamos estudado na mesma carti­lha para assassinos profissionais.


Naquelas circunstâncias, a cartilha recomendava: abortar.


Merda! Merda! Merda!


Eu podia ouvir os segundos se esvaindo. Podia ouvir Luna mordendo a própria língua, privando-se de dar qualquer palpite.


Eu media freneticamente todas as opções. E de repente vi o in­truso se preparar para atirar!


— Vai eliminar o alvo antes de ele chegar à zona de fogo! — Luna exclamou.


Isso é o que ela achava.


— Não vai, não — falei. Não se eu pudesse evitar. Fim das discussões. Hora de agir. Agora!


Eu trazia nas costas um rifle com silenciador; passei a bandolei­ra sobre a cabeça e me preparei para atirar.


O lobo solitário mirava em seu alvo; e eu mirava no meu: ELE. Obrigada, amigão, por ficar assim, paradinho... Apertei o gatilho.


 


DRACO


 


Mais fácil, impossível.


A mira do Javelin seguia o alvo sem dar a menor trégua. Eu estava empolgado, mas não nervoso. E via o comboio marchar direto para as minhas mãos.


Se quisesse, poderia até descansar um minuto.


Tudo deveria transcorrer às mil maravilhas.


Falando em maravilha, lembrei-me da torta de limão de Hermione.


Alguns pratos que Hermione cozinha são indiscutivelmente péssimos — não que eu fale isso pra ela. Já corro riscos demais no meu tra­balho, não preciso fazer loucuras desse tipo em casa. Além disso, viajando pelo mundo, já comi coisas muito piores.


Mas essa torta é demais.


Analisei o quadro geral. Eu teria tempo suficiente para mais uma mordidela.


Mas quando olhei para a torta... Merda! Tinha areia caindo nela! Então me abaixei para cobri-la melhor. Fzzzzzzzzzt!


— Mas que p...


Felizmente, meu corpo bem treinado estava sempre à frente do meu cérebro. Minha boca se encheu de areia quando me joguei no chão. E fiquei ali por um instante, com medo de me levantar, medo de levar a mão à cabeça e não encontrá-la sobre o pescoço.


Mas aos poucos percebi que a bala tinha passado de raspão. Minha orelha direita parecia em chamas. Tinha sido rasgada pela bala. San­grava, mas não muito.


Então fiquei puto.


Havia mais alguém ali.


Alguém que queria me ver pelas costas.


 


HERMIONE


 


— Intruso eliminado — informei minha equipe. — Estamos de volta ao jogo.


Nada mal. Um único tiro, e o cara já não oferecia mais nenhum obstáculo.


Gosto de pensar que, na maioria dos casos, sou suficientemente aberta a negociações. Mas quando o assunto é trabalho...


“Ninguém se mete no caminho de Hermione Malfoy!”


Pena que o lobinho faminto não soubesse disso antes.


Aliás, trabalhar no deserto tem uma grande vantagem: não é preciso limpar a sujeira depois. Os abutres cuidam disso para nós.


Estalei os nós dos dedos e voltei minha atenção para o comboio que se aproximava.


 


DRACO


 


Examinei a área de onde supostamente tinha vindo a bala. Não vi nada além de um casebre abandonado.


Mas... Espera aí, alguém se movimentou lá dentro! Um vulto esguio passou do outro lado da porta aberta.


Alguém estava lá, e certamente por um bom motivo. Parecia um homem baixinho. Fossem quais fossem seus planos, não queria me ver bisbilhotando o lugar.


Ali no deserto eu não tinha para onde correr, muito menos um lugar onde pudesse me esconder.


Única opção possível: eliminar a ameaça.


Limpei a areia do morteiro e mirei no casebre.


Por fim disparei e vi a boca de fogo cuspir uma ogiva sedenta de calor. Dez metros adiante a coisa tomou vida, deitando uma esteira de chamas e rugindo deserto afora em busca do infeliz que se escon­dia naquele casebre.


— Vamos lá, belezura. Pega o panaca.


 


HERMIONE


 


Na sexta série, eu tive uma professora que sempre criticava mi­nha incapacidade de concentração.


Ah, se ela pudesse me ver agora.


Cada fibra do meu corpo estava concentrada no comboio. Eu era capaz de visualizar Dênis Creevey empertigado naquele utili­tário como um príncipe.


Tinha feito meu dever de casa e estava pronta para tirar de letra aquela prova.


Mas de repente um barulho quebrou minha concentração. Algo parecido com wuuumpf.


O que significava...


PODER DE FOGO FENOMENAL!


Numa rápida olhada pude constatar que o destino de tanto fogo era meu endereço atual: o casebre.


“Merda!”


Um bólide reluzente vinha direto na minha direção. E eu estava prestes a recebê-lo na cara!


Por mero instinto, joguei-me nas rochas da colina.


 


DRACO


 


Bum! O velho casebre se desmanchou em um milhão de pedaci­nhos.


Engoli a seco e, admirado, olhei para o objeto que ainda fumegava em minhas mãos.


“Isto aqui nas mãos erradas...”, pensei.


O intruso havia sido eliminado com sucesso. Infelizmente, o estron­do da explosão havia denunciado minha presença ali.


O comboio parou, receoso. E agora manobrava para...


“Não, ninguém vai embora daqui.”


Eu ainda tinha uma chance de cumprir minha missão.


Sem pestanejar, recoloquei no ombro meu confiável morteiro e mirei novamente.


 


HERMIONE


 


A força da explosão levantou-me no ar. Quando me esborrachei no chão, meu rifle já não estava mais comigo.


“O laptop”, pensei, afastando-me tropegamente do casebre em chamas.


Sim, o computador também estava perdido. Se eu pudesse en­contrá-lo, talvez ainda houvesse uma chance de sucesso. Ou teria sido destruído com a explosão?


 


DRACO


 


Antes que eu pudesse atirar, o deserto tremeu com uma súbita ex­plosão.


Eu nunca havia passado pela experiência de um terremoto antes, mas se fosse qualquer coisa parecida com aquilo, ainda que remota­mente, eu faria de tudo para evitá-los no futuro.


O impacto me jogou ao chão. Nuvens de poeira eclipsavam o sol.


Permaneci deitado e esperei.


Quando o céu finalmente clareou, fiquei de pé, ainda meio zonzo e coberto de areia. Olhei para ambos os lados, tentando entender o que tinha acontecido.


Meu rival decerto havia plantado uma espécie de campo minado no deserto, preparado para explodir quando o comboio passasse por ele. Um artifício elementar — um truque que eu mesmo já havia usado dezenas de vezes.


A despeito do meu ataque, o sistema dele aparentemente estava programado para operar no automático.


O único problema era que...


O comboio — alertado por nossa contenda — já ia longe na direção oposta.


“Merda”, fiquei furioso. Meu dia estava arruinado.


Eu não fazia a menor idéia de quem aparecera ali para estragar meus planos. Sequer sabia se o agente inimigo estava vivo ou morto.


Fosse como fosse, eu estava determinado a descobrir o nome do sujeito. Jurei que, quando o encontrasse, faria o cara se arrepender amargamente do dia em que tinha nascido — isto é, se ele já não estivesse morto.


Então me preparei para sair dali. Mas depois avistei algo: uma luz piscando nos escombros da explosão do casebre.


Um laptop. Inacreditável. E ainda funcionava.


Contente com a descoberta, corri para buscá-lo.


 


HERMIONE


 


Aquele maldito!


Eu não esperava uma missão difícil. E muito menos com concorrentes desconhecidos. Minha equipe era criteriosa, organizada, e estava sempre muito bem preparada. Teríamos tirado tudo aqui­lo de letra. Mas aquele pulha comedor de torta nos fez passar por amadores.


Eu não queria sequer pensar no que Papai diria diante do nosso retumbante fracasso.


Mas uma coisa prometi a mim mesma quando me juntei aos outros: custasse o que custasse, eu descobriria o nome daquele su­jeito.


E faria com que ele se arrependesse amargamente de ter me conhecido.


 


***


 


Comentem Bastante!!!


E é só...


 



Ass.: Lady G.M.


25/05/2011.


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