CAPITULO 44
MARGARIDAS E TRAMOIAS
A semana correu no calendário e o sábado veio como um alento. Hermione estava exausta fisicamente, mentalmente e emocionalmente.
O curso de auror era maravilhoso mas era desgastante. Basicamente, passava seus dias de pé atendendo na loja, no setor de livros e paparicando os clientes curiosos dos gêmeos que faziam questão de conhecê-la pessoalmente e vê-la sorrir para eles. E quando finalmente se livrava desse tormento, ela tinha três horas de tortura em uma sala fechada com Ronald.
Claro, haviam mais onze pessoas com eles, mas ela não via, ouvia ou percebia nada a sua volta quando estava com ele!
Sentia seu perfume, via seu sorriso, ouvia sua voz rouca. E tudo em que podia pensar é que não ficariam juntos.
Rony não cumprira sua promessa de tentar fazê-la mudar de idéia, e estava decepcionada. Muito decepcionada, pois todas as aulas ela ficava ansiosa e na expectativa de outro momento em seus braços, nem que fosse para brigarem.
Mas nada, ele a esquecera.
Deitada no sofá, eram quase seis horas da noite e ela não sentia fome, ou vontade de fazer qualquer coisa que exigisse o mínimo esforço. Tinha um livro aberto nas mãos, lendo sobre o conteúdo teórico do curso, mas sua mente divagava a todo momento, e não conseguia gravar nada em sua mente.
Seu olhar recaiu sobre um lindo vaso de margaridas que adornava a mesinha no meio da sala. Eram lindas flores recebidas ainda cedo, naquele mesmo dia. Elas faziam companhia a todos os outros buques recebidos ao longo daquela semana.
Aparentemente Antenor, o dono do Profeta Diário estava muito interessado nela.
Estava em uma viagem a negócios, mas tomara todas as providencias para que Hermione recebesse no mínimo cinco buques de flores por dia até sua volta.
No íntimo, apesar de um ato romântico, era exagerado. Bastavam algumas flores e um convite para sair, pensou. Não pretendia aceitar, mas se o fizesse, não seria por causa de todas aquelas flores!
Claro, era uma massagem no ego ter um homem bonito, disponível e bem sucedido atrás dela. Por outro lado, não se sentia pronta a se envolver com outro homem que não fosse Rony.
Primeiro porque era uma mulher apaixonada e lá no fundo nutria esperanças, e segundo porque não acreditava em romance sem envolvimento amoroso real. Desanimada, Hermione abandonou o livro no chão, e fechou os olhos tentando esquecer do mundo.
Tentando fugir da sua própria vontade que a mandava correr atrás de Rony.
-Mamãe fez bolo, papai - Hermy avisou parada na porta do quarto do casal, observando o pai abotoar a camisa.
Ele sorriu para ela e piscou.
-Pegue um pedaço pro papai sim?- pediu vendo a filha correr para o andar de baixo.
A uma semana ele guardava um pedaço de tudo que era comido naquela casa e mandava analisar. Por enquanto não encontrara nada suspeito, e começava a desconfiar que ele e Hermione estavam tentando achar desculpas para se justificarem pela relação adultera que queriam ter.
-Vai sair, amor? – Mary perguntou aparecendo no quarto com um pratinho e o bolo.
-Harry me convidou para um jantar -ele informou notando sua expressão mudar.
-Que indelicadeza Harry não ter me convidado – ela disse, pois fazia uma semana que Harry também achara uma desculpara para ir embora.
-Eu disse a ele que com as meninas em casa, alguém precisava ficar -ele deu de ombros.
-Eu chamo uma babá, amor -ela disse meiga – Faz tempo que não saímos juntos. Porque não esquecemos Harry e vamos dançar? Heim, o que me diz?
Seu sorriso iluminava o quarto e seus olhos brilhavam. Era assustador, mas Mary o amava. E isso fazia com que ele nunca fosse se livrar dela!
-Eu já marquei, Mary, não vou dar o cano no meu amigo – desculpou-se vestindo a jaqueta.
-Podemos ter um encontro a quatro! Harry chama Gina e vamos os quatro dançar! – ela barganhou.
-Minha irmã não pode sair para dançar, ela pode entrar em trabalho de parto a qualquer momento!
-Mas faltam algumas semanas ainda! – ela insistiu.
-Mesmo assim, está quietinha em casa, para não agravar os problemas que já tem.
-Rony, amor, Harry pode chamar Hermione e todos irmos dançar. Tenho certeza que ela aceitaria! – disse passando as unhas bem feitas, clarinhas e longas, pela lapela da sua jaqueta informal -Ela é jovem, bonita, pode chamar um namorado e todos nós nos divertiríamos muito! Tenho certeza!
-Não, não é uma boa idéia – ele afastou-se, tirando suas mãos de sobre ele. – é uma noite de homem, Mary. – mentiu – Vamos jogar conversa fora, beber e assistir o jogo na TV.
-Podem fazer isso aqui em casa – ela protestou, tentando a todo custo mantê-lo em casa.
-E que graça teria? -ele sorriu – Mary, não me espere acordada, eu volto tarde. – avisou passando por ela e saindo.
Mary ficou no quarto, ouvindo o som das vozes no primeiro andar. Ele se despedia das filhas e então o silêncio reinou.
Hermione acordou assustada quando ouviu batidas na porta. Havia cochilado no sofá e pulou quando novas batidas soaram pelo apartamento.
Abriu a porta correndo, pois ainda estava meio dormindo.
-Gina! – acordou definitivamente, deliciada – Harry! Vocês vieram me ver!
-Demorou, mas viemos – ela disse sorrindo e pedindo passagem – Meus pés estão me matando – praticamente se atirou no sofá.
Sabiamente, Harry tirou as almofadas, pois precisava de todo espaço disponível para se acomodar.
Harry olhou em volta um pouco incomodado, pois era ali que Gina havia morado com o marido, o homem que ocupara seu espaço e desfrutara de sua companhia durante quatro anos!
-Mudei algumas coisas no seu apartamento, espero que não se importe – Hermione informou sentando-se ao seu lado feliz pela visita.
Gina saia pouco desde que entrara no oitavo mês. Sem resguardava a mando de sua médica.
-Não se preocupe – Gina deu de ombros – Trouxemos o jantar!
Harry usou a varinha para conjurar o jantar e Hermione apanhou o embrulho cheiroso, levando para a cozinha.
-Nossa! Trouxeram comida para umas cem pessoas! – brincou, abrindo o embrulho e retirando as travessas.
-Cinco pessoas – Gina disse lá da sala – Convidei uma pessoa, Hermione, já deve estar chegando. E não podemos esquecer de Felicity. Ela me obriga a comer como uma louca!
-Isso explica a sobremesa – Harry disse entre dentes, para Gina não ouvir.
-Eu ouvi isso, Harry! – ela gritou da sala, e os dois riram, enquanto arrumavam a cozinha.
Mesa arrumada, Harry voltou a sala, enquanto Hermione procurava uma garrafa de qualquer liquido que pudesse servir. Não havia sucos, ou bebidas. Era sem dúvidas a pior dona de casa! Em um concurso ela sequer teria a inscrição aceita! Lembrou-se de Mary e sentiu-se uma fracassada.
Ouviu novas batidas na porta e ouviu Harry abrindo a porta.
-Trouxe o vinho!
Ela parou estática ao ouvir a voz animada. Droga! É claro que ele não desistiria! Sem querer sorriu. Uma tramóia muito bem armada, tinha que admitir. Pega-la frágil e em publico. Como poderia mandá-lo embora de um jantar organizado pela própria irmão, a mesma que a acolhia?
Bem, Hermione, tinha uma novidade para ele: esse jogo também sabia jogar!
-E a Hermione?
Ouviu quando ele perguntou a voz grave soando acima das vozes animadas de Gina e Harry que discutiam porque ela não poderia beber o vinho mesmo sendo sem álcool. Algo sobre Harry não acreditar nos rótulos trouxas.
-Está na cozinha arrumando a mesa para nós – Gina disse, a voz risonha e poderia jurar que havia um sorriso em sua face – Deixe-a em paz, Rony, ela precisa respirar um pouco!
-E por acaso eu não a deixo respirar? – ele perguntou a voz ficando mais brava e Gina riu, um riso cristalino que fez Hermione sorrir, apesar de saber que Gina era cúmplice desse plano para seduzi-la. – Nossa, que cheiro de flores! – ele reclamou olhando em volta e notando os vasos – Hermione comprou toda uma floricultura ou é impressão minha?
Bem, essa não perderia por nada do mundo.
-É claro que não! – saiu da cozinha dizendo e encarnando-o como se nunca antes houvessem sido apaixonados – Recebi de uma pessoa muito especial.
-Um pretendente? – Gina olhou para o irmão, descartando-o, pois ele não era tão romântico assim, era do tipo direto.
-Não diria que é um pretendente – ela fez mistério – Um conhecido.
-E sabemos quem é esse conhecido? – Harry perguntou notando que Rony estava sem palavras, ou continha as palavras impróprias, mas o fato é que se mantinha calado.
-Isso importa? – ela fez ar de mistério – A comida está na mesa! Não vamos deixá-la esfriar não é?
Gina foi a primeira a se movimentar, obrigado todos a rirem, pois era incapaz de sair sozinha do sofá baixo e mole. Ela afundara no estofado macio, e com aquela barriga gigante jamais sairia dali sozinha. Harry disfarçava o sorriso, lhe dando todo apoio e não querendo ofende-la, mas ela ficou vermelha assim mesmo:
-Um dia, Hermione, ficara o dobro de mim aí eu quero ver você rir!
Isso apagou o sorriso dela, não pela praga em si, mas por pensar que talvez nunca tivesse filhos. Quem sabe viesse a se apaixonar, mas não o suficiente para ser mãe.
Rony não pareceu se importar muito, e talvez não se importasse mesmo, afinal, ele já tinha seus filhos e não tinha nada a ver com seus problemas.
-Duvido -ele disse baixo, quando Harry e Gina foram para a cozinha, pertinho dela – Duvido que fique maior que Gina. –era uma graça – e se ficar, eu te carrego.
-E quem disse que te deixarei fazer isso? -ela desafiou entendendo a insinuação.
-E quem disse que pedirei permissão? -ele desafiou de volta.
-Talvez o pai do bebê reclame – disse irônica.
-O Sr.Margaridas? -ele satirizou, com os olhos soltando chispas de raiva.
-Porque não?
Deixando-o para trás, ela foi para a cozinha, entrando numa conversa com Gina e Harry, que não permitiria que ele tentasse voltar ao assunto anterior.
Sentados em volta da pequena mesa, os quatro se olharam, dividindo pensamentos que levavam para uma única direção: aquele jantar ia ser looooogo....
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