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42. Pega e solta


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 42


Pega e solta.


Contrariando sua vontade de gritar e esbravejar contra ele, Hermione optou por ignorara-lo.
-Pretende me ignorar para sempre? - Rony perguntou finalmente, depois de esperar que ela se fartasse da própria estratégia e falasse.
Cale a boca, pensou Hermione, mas não respondeu nada. Cale a boca e me deixe em paz!
-Pensei que depois de uma semana fugindo de mim teria ao menos a decência de me ouvir! -ele disse cruzando os braços e olhando-a enquanto continuava arrumando a sala sem prestar atenção nele.
Hermione mordeu a língua para não responder.
-Estive varias vezes na loja dos gêmeos – ele disse com magoa – Estive no apartamento da minha irmã. Deixei milhares de recados. Tentei de todas as formas explicar o que aconteceu! Porque não para de fugir e olha para mim?
Hermione parou o que fazia, porque terminou. Rezando para não fraquejar, ela olhou para ele fixamente.
-Terminei. Pode abrir a porta, por favor? – tentou ser educada.
Quem sabe ele não percebesse que não significava nada e a deixasse em paz?
-Não, eu não posso! Não colabora comigo, porque então, colaboraria com você? -ele aproximou-se e ela se afastou, cruzando os braços e olhando para outro lado.
Não iria responder, pensou, não iria deixá-lo saber que estava mexida e magoada, era melhor que desistisse e sentisse o sabor da rejeição!
-Você quem sabe – ela deu de ombros, olhando para o branco total a sua volta.
-Hermione, me escuta -ele abrandou o tom, percebendo que ficariam ali por horas. – Eu só quero te contar o que aconteceu!
-E por acaso estou lhe perguntando alguma coisa? – perguntou friamente.
-Não, não está! Isso, porque já me condenou! – ele esbravejou, dando alguns passos para frente e ela recuando – Não pode fugir de mim aqui! Para onde vai se esconder? Heim, me diz? Olha o que me faz fazer, Hermione!
-Eu não te fiz fazer nada! – não conseguia ficar imparcial. – Você só faz o que bem entende, Ronald – havia ironia e veneno em sua voz.
- E você acha que dormi com Mary? -ele colocou o dedo na ferida – Que depois de jurar que não faria isso, eu fiz, que tudo que lhe disse era mentira? É isso em que acredita? Que tentei enganá-la para ficar com as duas?
-Não seria o primeiro homem a fazer isso – ela quase mordeu a própria língua de tão tensa. Fechou os olhos, rezando para que isso acabasse logo.
-Tem razão, Hermione, não seria o primeiro muito menos o último homem a fazer isso – ele disse derrotado – por que afinal, eu sou como qualquer outro homem, não é? Igualzinho a todos os outros.
Ela quis ignorar seu tom ferido, mas não conseguiu.
-O que espera que eu pense? Que foi parar naquela cama por acidente? – nem percebeu quando sua voz se alterou – que tirou toda a roupa, sem querer? Que Mary fez o mesmo por engano? Que fizeram sexo sem notar? Tropeçaram um no outro e não puderam evitar, como o choque de dois trasgos cegos? – gritou descruzando os braços e espontando o dedo para ele, furiosa – Eu não pedi quer fosse só meu! Eu disse que tentaria entender! Passei por cima de tudo que sinto para tentar entender a sua situação e tudo isso para que? Para que em enchesse de ilusões? Para que me enganasse enquanto vivia seu casamento como se eu não existisse? Colocou-me dentro da sua casa, Rony, só para brincar comigo! Da mesma forma que faz com sua mulher!
-Eu nunca faria isso, Hermione! –ele estava do mesmo modo que ela, vermelho de indignação, e quando tentou tocá-la Hermione empurrou sua mão para longe.
-Não tente me tocar! – gritou – nunca mais na sua vida, ouse me tocar! Ouviu bem? Eu não quero mais saber de você, e das suas falsas promessas! Acabou, Ronald! Esqueça que eu existo!
-Hermione, eu não fiz nada! Eu não dormi com Mary!Será que você não entende? Será que não pode sequer me ouvir uma vez na sua maldita vida?!!!! – contrariando sua ordem, ele segurou seus braços, pelos pulsos, e ela se debateu.
-Me larga! – gritou – Eu juro que vou me queixar com o ministro! Não pode atacar uma aluna desse modo! Me solta, agora, Ronald!
Seu grito agudo quase furou seus tímpanos e Rony decidiu calá-la. Com toda sua pratica de auror, girou-a, até estar de costas para ele, e conseguir tapar sua boca e imobilizá-la com o outro braço em frente ao seu tronco, mantendo seus braços trancados, e na posição que precisava.
Hermione arregalou os olhos e tentou morde-lo e soltar-se, mas foi em vão.
-Quieta, Hermione, não vou te soltar até ouvir o que tenho a dizer!
Decidida a escapar, tentou chutá-lo, mas serviu apenas para Rony apertá-la mais próxima. Sem querer ela gemeu pelo desconforto e pela sensação louca que a passou ao sentir-se tão perto, tão agarrada e tão frágil.
-Por favor, Hermione, não quero te machucar, só quero que me ouça. Então, pare de dificultar tudo!
Pelo visto a paciência dele também havia se acabado.
Sentindo-se pequena e frágil por não poder soltar-se, ela parou de se mover, respirando forte, e tentando se acalmar o suficiente para escapar e pensar com clareza. Mas não dava.
Estava chorando e se odiava por isso. Rony encostou o rosto contra o dela, encostando o queixo em seu pescoço, falando baixo, talvez para não sobressaltá-la novamente.
-Mary e eu discutimos naquela noite. Falei coisas que estavam engasgadas a tempo na minha garganta, e sai. Voltei era tarde e voltamos a conversar. Lembro-me de ter comigo alguma coisa, ter me deitado e dormido a noite toda. Quando acordei todos tinham ido embora. Havia só um bilhete de Mary dizendo que dormi demais. Quando passou a me ignorar tive certeza que me viu naquele estado. Mas, Hermione, eu não fiz nada. Eu juro, e nunca minto nos meus juramentos! – ele rosou a pele de sua bochecha na dela e Hermione esqueceu todo o desconforto de estar presa. – Perguntei a Mary como fui parar na cama daquele jeito, ela me disse que tivemos uma linda noite de amor, e ainda não acredito nisso! Não lembro de nada! Como da primeira vez, eu não lembro de nada, Hermione.
Como ela não se moveu nem para indicar que entendera, nem para xingá-lo, Rony descobriu seus lábios com receio dos gritos que viriam, e uniu seu braço ao outro, mas não mais para apertar, e sim para abraçar.
-Diga, Hermione, que acredita em mim.
Ela fungou, mas não respondeu nada. Era tão bom ficar nos seus braços. Acolhida, confortada. Toda a solidão daquela última semana parecia ter ido embora.
-Eu... eu acho que ela envenena a comida das suas filhas – ela disse baixo. Sentiu os braços dele afrouxarem ao seu redor, mas não a soltou. Estava surpreso demais para qualquer reação – eu...acho que ela envenenou o doce e por isso passei mal e ...deve fazer isso com você também, se faz com as filhas, porque não faria com você? Eu...fiquei com muito ódio de vê-lo naquela cama, e saber que... – engoliu em seco, segurando a vontade de chorar de novo -...não quero mais isso, Rony. –sentia-se fraca, e deixou o corpo recostado contra o dele – descobri que não posso viver assim, não posso...
-Hermione, não diga isso -ele soltou-a, girando-a delicadamente para si. Ela não fez nenhum movimento para se aproximar e Rony tocou seu rosto, acariciando suas faces como que acaricia uma boneca de porcelana. – Eu vou pedir o divorcio e...
-Não – ela se afastou tirando as mãos dele do seu rosto – Não vai conseguir provar que ela faz essas coisas, nem tenho certeza,se faz mesmo. E se ela fizer, ficando sozinha com as meninas... – deixou a hipótese no ar – não quero ser culpada por uma desgraça. Eu...fique com sua família, Rony, e me deixe em paz.
-Eu não posso te deixar – ele falou chocado, pois apesar de tristeza ele também via decisão em seu olhar – Hermione, eu te amo. Não te esqueci em dez anos, longe, sem te ver, como acha que posso te esquecer agora?
-Para começar, pare de tentar me ver. Não me procure, não mande recados. Eu...pensei em desistir do curso de auror, mas não vou fazer isso. Não posso deixar minha vida de lado por sua causa – tentou não parecer tão deprimida quanto se sentia. – Podemos nos ver todos os dias, mas não precisamos ter esse tipo de conversa.
-É isso mesmo que você quer?
-Não – foi sincera – Eu acredito em você, Rony – ela disse com a sombra de um sorriso – Fiquei com raiva por ter estado com ela, mas lá no fundo, sabia que não era sua culpa, que não mentiria para mim...mas, temos que ser práticos. Não temos mais dezesseis anos e temos nossas responsabilidades.
-Por não ter mais dezesseis anos é que não vou perder minha chance de ser feliz – ele disse convicto – Vou respeitar sua decisão de não se envolver comigo. – sua boca dizia uma coisa e seus olhos diziam outra – Porém, não vou desistir de te fazer mudar de idéia.
Hermione nem percebeu que ele se aproximou. Seu coração estava acelerado com essa perspectiva. Ele não iria desistir. Mas e ela, teria força de vontade suficiente para não voltar atrás e sucumbir?
-É melhor ir embora, está tarde, e como disse, não relevo fraqueza. Durma, Hermione, amanhã teremos treino puxado.
As portas do amplo salão de duelos foram abertas por magia e ela ficou desconcertada.
Em um segundo ele lhe fazia a proposta mais obscena do mundo, que é saber que será assediada e ter que resistir, e no segundo seguinte a deixava livre para fugir dele.
Sem se despedir ela foi embora, as pernas tremulas e por mais que detestasse admitir, o coração cheio de esperanças novamente!


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