Capítulo Seis:
Narrado por Fred Weasley.
No momento em que nossos lábios se tocaram, senti um choque percorrer todo o meu corpo. Uma sensação única que eu havia sentido apenas uma vez em toda a minha vida. Era boa; era especial; era única; era diferente. E ao mesmo tempo, era a mesma.
Afinal, eu já havia beijado Angelina uma vez, no ano passado, no baile de inverno, mas nós havíamos reconsiderado a situação e desistido da idéia de tentar algo mais do que pura amizade. Isto é, ela havia decidido isso. O meu caso era bem diferente. Eu sempre quis algo mais depois daquele dia, coisa que ela não sabia.
Recordei, agora, o momento em que a beijei nos lábios enquanto o baile de inverno ainda rolava. Eu guardava aquele momento na minha mente, por que foi o único beijo que aconteceu entre nós e mais nenhum. E eu via este momento se repetindo.
A lembrança do ocorrido me fez querer que acontecesse novamente e, com isso, suguei os lábios dela com uma urgência desnecessária. Para minha surpresa, Angelina acompanhou meus avanços com empolgação. Senti meu lábio inferior ficar preso entre os dentes dela.
Aprofundei o beijo, deslizando minha língua pelos lábios macios dela. Ouvi-a arfar embaixo de mim e senti seus braços abraçarem minhas costas e me puxar para si. Eu não pude resistir a esse pedido para mais contato. Eu não queria resistir.
Podia imaginar o que alguém veria se entrasse no dormitório: uma garota no chão; um ruivo em cima dela; ambos se agarrando deliciosamente. Se fosse alguém com alguma coisa na cabeça, normalmente chamaria os monitores. Ou quem sabe Umbrige. Eu pouco me importava.
Se explodisse a Terceira Guerra Mundial, eu não me incomodaria. Minha atenção estava em outra parte.
Isso, é claro, no meu caso. Angelina era muito mais lúcida do que eu e certamente ouviria se soltassem uma bomba atômica em Hogwarts – seja lá o que for isso; Papai e seus artefatos trouxas -, mas nesse momento eu gostaria que ela fosse um pouco mais estúpida. Ou quem sabe surda.
Senti mãos, que não eram tão fortes para me retirar de cima dela, empurrarem meu peito.
Por um segundo de falta de vergonha na cara, pensei em ignorar sua recusa. Mas com relutância, desgrudei meus lábios dos dela, mal acreditando que havia acabado.
Abri meus olhos devagar e encarei os castanhos de Angelina.
- Pare. – ela pediu.
‘NÃO!’, eu queria gritar e agarrá-la novamente. O que ela achava? Que podia me beijar assim e tudo bem?
- Por quê? – perguntei, desconsolado.
Angelina não respondeu. Apenas fitou algum lugar acima da minha cabeça. Eu havia parado de beijá-la, mas ainda estava em cima dela e não pretendia sair com muita rapidez dali. Era ótimo sentir seu corpo contra o meu.
Observei seu rosto. Tinha os olhos castanhos impassíveis. A expressão era indiferente, ou tentava ser. A boca vermelha estava entreaberta. Ela arfava.
Meus olhos pararam nos lábios cheios e meio inchados da garota.
Voltei a encostar meus lábios nos dela, voltando a sugar, voltando a invadir sua boca quente e úmida com minha língua. Uma vontade tão grande, que chegava a ser insaciável, tomou conta de mim novamente.
Desta vez foi mais rápido. Suas mãos voltaram a empurrar meu peito. Eu não a deixaria manter a lucidez por tempo o suficiente para poder pensar.
Com esse pensamento, desgrudei meus lábios dos dela novamente, mas passei a beijar-lhe o pescoço e sugar de leve. A pele estava extremamente quente. Ouvi-a arfar mais uma vez. Ela mantinha as mãos no meu peito, mas já não me afastava de si, o que levei como sendo um bom sinal.
- Fred. – ela me advertiu, mas não lhe dei atenção.
- Hum? – perguntei, sem me afastar. Passei de leve a língua pelo lóbulo da orelha dela.
- Não podemos. – ela disse. Passei a beijar-lhe a clavícula retirando a alça da blusa dela do caminho para poder passear livremente com a boca por aquele local.
Senti-a estremecer e sorri por dentro.
- E por quê? – perguntei e dei-lhe um leve chupão.
- Por que... – ela começou com a respiração entrecortada. – Por que... – tentou de novo, enquanto eu depositava vários beijos suaves pelo seu rosto. – Por que eu já estou enrascada demais este ano para me arriscar a mais aventuras. – conseguiu completar.
- Hum. – murmurei, acariciando a cintura dela com as mãos. Senti a pele dela se arrepiar.
- Por que... – começou de novo. A respiração dela era um arfar ininterrupto. – Por que alguém pode entrar aqui e nos ver. – disse.
Desci um pouco, nunca saindo de cima dela, e substitui as mãos pela boca e acariciei, assim, a cintura dela, levantando devagar a blusa e fazendo o mesmo na barriga. Pensei comigo mesmo que não passaria disso.
- Todos estão em Hogsmead. – retruquei, voltando a beijar sua barriga.
- Por que... – sua voz morreu. – Por que... – tentou de novo, mas perdeu o fio da meada quando sentiu minha língua roçando sua pele na altura do quadril. – Por que acabamos de chegar a Hogwarts e eu não quero compromissos ainda. – disse.
Parei. Certo, isso não era nem de longe um bom argumento. Mas tive que voltar a fazer o que eu estava fazendo antes que ela tivesse outro ataque de lucidez. O que não foi nenhum incômodo.
- Posso apostar que não foi isso que disse ao Michael. – retruquei mais uma vez. Voltei a beijar seu quadril, passando logo em seguida para o pescoço.
- Você é difícil. – reclamou. Sorri contra a sua pele. – Pare. – pediu novamente.
- Me convença. – respondi.
- Por que já temos muitos problemas. – tentou.
Levantei-me de cima dela em um rompante e ela suspirou, mas não parecia agradecida.
- E esse problema. – apontei para Angelina. – Particularmente me incomoda. – resmunguei.
Angelina suspirou mais uma vez. Cruzei os braços, esperando a próxima desculpa.
- Por que... – começou. – Eu... – tentou. – Eu...
Mas não terminou. Eu a encarei, esperando o próximo argumento. Uma confusão, pouco típica de Angelina, despontou em seu olhar e ela me encarou com a mesma seriedade.
- Eu não tenho mais desculpas. – declarou, derrotada.
Dei um sorriso de lado.
- Finalmente. – murmurei e voltei a me postar em cima dela.
Passando os braços ao meu redor, Angelina voltou a me beijar.
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Estávamos descendo as escadas do dormitório masculino depois de chegarmos à conclusão de que as pessoas estavam começando a chegar de Hogsmead. Sim, nós descíamos as escadas, mas eu tinha que deixar claro, pelo menos em pensamento que fazíamos isso CONTRA A MINHA VONTADE.
Sim, por que se dependesse de mim, eu ficaria com Angelina naquele dormitório deserto permanentemente. E trancaria a porta.
Mas, como ela uma pessoa completamente prudente, nós estávamos descendo para a sala comunal, ainda de pijamas. O que podia ser considerado um verdadeiro vexame.
E quem disse que ela não pretendia se trocar antes que o fizéssemos? É claro que ela pretendia. Pagar mico não era com a Angelina.
- Vou passar no dormitório para trocar de roupa. – avisou-me.
Dei um sorriso malicioso.
- Posso ir com você? – perguntei e enlacei-a pela cintura.
Ela tentou reprimir um sorriso.
- Não. – disse e se virou para entrar pela porta do quarto.
Pensando bem, não seria uma má idéia trocar de roupa.
Com esse pensamento, segui de volta para o dormitório masculino, entrando e batendo a porta, logo depois já me postando em frente ao malão e começando a procurar uma maldita peça de roupa. Nada muito chamativo.
Enquanto fazia isso, ficava repassando o beijo, ou melhor, a pegada, que havia trocado com Angelina. Fora uma ótima distração, muito melhor do que xadrez de bruxo e bem melhor do que um passeio em Hogsmead. Era o exemplo de como se passa uma manhã em Hogwarts.
Pensar em beijo, me fez lembrar, alegremente, que devia estar em um estado deplorável. Por esses, e outros motivos, fui até o banheiro para tentar melhorar a aparência de modo a não chamar atenção. Ao entrar pela porta e me postar em frente ao espelho, notei o que já esperava: cabelos ruivos mais bagunçados do que os de Harry; lábios mais inchados do que os de Angelina estavam; e na base do pescoço... bem... ali estava o resultado de um chupão delicioso dado pela minha colega.
Nada bom. Como eu iria esconder aquilo? Eu havia dado alguns chupões leves na Angelina, mas a maioria havia sido na parte do quadril, ou na barriga. Seria bem mais fácil de esconder.
Ah, quer saber? Que se dane!
Dei uma arrumada rápida no cabelo, para disfarçar, e tentei dar um jeito nos lábios, mas não obtive muito sucesso. Se o pessoal reparasse, eu diria que não era da conta deles. Embora minha vontade fosse gritar para todo o mundo que eu havia beijado Angelina.
Suspirei.
Saí do banheiro e encontrei alguns garotos no dormitório. Murmurei um oi e desci as escadas para a sala comunal.
Já no final da escada, avistei Angelina conversando com Jorge. Perguntei-me onde estava a garota que ele levara para Hogsmead, mas não expressei o pensamento.
Sentei-me ao lado de Angelina, fazendo-a ficar no meio de mim e de Jorge, como era de costume.
- E aí? – perguntei.
- Bem, fique sabendo que seu irmãozinho aqui deu uns pegas muito bons hoje. – ele se gabou. Ah, se ele soubesse!
- Acho ótimo que pelo menos um de nós continua na atividade. – retruquei, tentando parecer indiferente.
Angelina nada disse, mas corou furiosamente e me deu uma cotovelada discreta nas costelas. AI! Agora eu tinha uma boa noção do que Emília tinha passado na mão da minha colega.
- O que fizeram? – Jorge perguntou, não notando nossa troca de carinhos.
Eu encarei os olhos castanhos de Angelina. Entreolhamo-nos por alguns segundos em um olhar cúmplice que decidia se contaríamos ou não ao Jorge. Balançamos a cabeça negativamente ao mesmo tempo, dando, assim, o veredicto.
- Jogamos xadrez de bruxo. – respondi.
Jorge fez uma careta.
- Que desperdício de tempo. – murmurou. Ele não notou nossa conversa silenciosa. E eu achei melhor assim. Pelo menos por enquanto.
Antes que eu ou Angelina pudéssemos responder, Harry, Rony e Hermione se aproximaram de nós. A garota trazia um pedaço de pergaminho novo nas mãos.
Ambos os três sentaram na nossa frente.
- Sabem guardar um segredo? – perguntou Hermione.
Eu podia ter imagina nossa reação tripla: Angelina erguera uma sobrancelha; eu e Jorge bufamos juntos.
Depois, Angelina e Jorge se entreolharam; eu e Angelina nos entreolhamos; eu e Jorge nos entreolhamos. Tudo isso em alguns segundos.
- O que quer dizer? – perguntamos eu e Jorge juntos.
Angelina revirou os olhos para nós dois.
- Não falem em coro. – pediu, irritada. Depois se virou para Hermione. - O que quer dizer, Mione? – perguntou Angelina, emburrada com a falta de consideração. Eu também não estava muito feliz. Jorge mantinha uma carranca estressada.
- Bem... – ela começou meio na dúvida e olhando de um lado para o outro, como se tivesse medo que alguém indesejado ouvisse. – Estamos formando uma Armada contra a Umbrige. – ela informou.
Os olhos de Angelina brilharam de excitação. Eu e Jorge nos inclinamos para frente, curiosos. Éramos todos totalmente contra Umbrige.
- E como funcionará? – perguntou Jorge, esfregando as mãos, como se tramasse alguma coisa.
Hermione se inclinou para frente também, se acomodando para começar uma narração que parecia ser comprida.
Ela sussurrou:
- Desde que a Umbrige chegou aqui, eu sabia de imediato que o Ministério começaria a intervir em Hogwarts. – ela começou. – Mas não sabia o porquê disso acontecer; não entendia o motivo. E era completamente contra tudo o que ela estava fazendo. Tomando a escola daquele jeito, desafiando a autoridade de Dumbledore...
Angelina se empertigou com esse comentário.
- Isso é o que mais me deixa louca. – comentou. – O jeito que Dumbledore passou a obedecer ao Ministério. Se não fosse McGonnagal, eu estaria expulsa por causa daquele confronto com a Emília. – terminou.
Hermione olhou para ela, chocada com este comentário.
- Eu não me oporia se fosse assim. – disse. – Você viu o estado em que deixou a coitada da Emília? – perguntou, indignada.
Eu deixei que um sorriso orgulhoso se espalhasse pela minha face. Angelina tinha sido incrível.
Minha colega bufou.
- Ela mereceu. – comentou e ao ver que Hermione estava prestes a retrucar, continuou: - Do que estávamos falando mesmo? Ah, sim... Armada.
A garota de cabelos cheios pareceu voltar a si.
- Claro. – disse, tentando retomar a ordem dos pensamentos, imaginei. – Tudo isso acabou sendo demais para mim, principalmente depois que fiquei sabendo dos medos do Ministro. Um verdadeiro absurdo.
- O que o Ministro acha que estamos fazendo? – perguntei.
- Ele acha que Dumbledore esta usando os alunos de Hogwarts para travar uma batalha com o Ministério. – informou Ronald.
Nós três nos entreolhamos de novo, na mesma ordem. O que me pareceu meio irônico.
- Que absurdo. – comentou Jorge. – Devia ser internado no St. Mungus. – acrescentou.
- Não. – discordei. – Lá tem gente lúcida demais para conviver com aquele merda do Cornélio Fudge. – resmunguei.
Hermione revirou os olhos.
- A questão é que Voldemort esta a solta. – ela interrompeu. – Precisamos saber o que fazer. Precisamos saber nos defender. Por isso tive a idéia de formarmos uma Armada para podermos usar a magia que não usamos na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. – terminou.
Pensei sobre o assunto. Jorge pareceu fazer o mesmo, pois um silencio perturbador tomou conta de nós dois. Mas, é obvio, Angelina pareceu ter entendido o que Hermione tinha dito.
- Aprender magia? – perguntou, com um sorriso enorme.
- Sim. – confirmou Ronald.
O sorriso da minha colega se alargou ainda mais e seus olhos caíram sobre Harry que não havia aberto a boca para dizer nada durante toda a conversa.
Meus olhos se arregalaram, meu queixo caiu assim que compreendi.
- Harry vai nos ensinar? – perguntei chocado.
Jorge pareceu entender também, pois sua reação foi a mesma que a minha.
- Sim. – disse Hermione, feliz pela idéia ter sido dela e talvez por orgulho do amigo.
Certo, eu tinha que admitir que Harry era uma verdadeiro gênio quando se tratava de Defesa Contra as Artes da Trevas. Por que ele era mesmo ótimo. Havia lutado com Voldemort em pessoa o que nos dava uma visão quase completa de como era fazê-lo. E ele sabia conjurar um Patrono, o que cairia bem, afinal, os dementadores estavam sob o controle de Voldemort. Mas me parecia um tanto arriscado demais, para ele e para Dumbledore.
- Mas, Hermione, você concorda comigo que se montarmos uma Armada sem a permissão da Umbrige ou de Dumbledore, as suspeitas do Ministério vão se confirmar? – perguntei. Era primeira vez que eu me preocupava em quebrar as regras.
- Dumbledore não esta envolvido em nada. – contrariou Harry, finalmente se revelando uma presença viva na conversa.
- E quem vai acreditar em nós se dissermos isso? – retruquei.
Ninguém acreditaria e eles sabiam disso tão quanto eu sabia.
Senti uma mão apertando a minha. Era Angelina.
- Fred, não podemos ficar sem fazer nada. – ela disse. – Será pior se ficarmos calados. Temos que mostrar a eles que estamos do lado de Dumbledore. Não somos a maioria, mas aqueles que estão em maior número, estão separados. – ela pausou. – É arriscado, mas temos que fazer alguma coisa. Permanecer fiel a Dumbledore até o fim.
As palavras me pareceram meio confusas, mas eu já estava acostumado ao ponto de vista diferenciado dela e por isso entendi o que ela queria dizer.
Angelina tomou a mão de Jorge também e nós três sorrimos para o trio à nossa frente.
- Onde assinamos? – perguntou Jorge.
Hermione sorriu abertamente, enquanto abria o pergaminho que segurava e nos dava uma pena.
No pergaminho havia o seguinte nome no cabeçalho:
Armada de Dumbledore
E logo após uma lista de nomes se seguia.
Anotamos cada um nossos nomes.
- Aqui. – do bolso, Ronald retirou algumas moedas. – Quando marcarmos as datas dos encontros com a Armada, aparecerá a moeda. – avisou.
- Chamem de AD, para abreviar e disfarçar, por que a Umbrige esta na nossa cola. – avisou Harry.
- Certo. – dissemos eu e Jorge juntos e Angelina bufou de desgosto.
- Não falem... – nós a interrompemos:
-... em coro. – completamos, ainda falando juntos. Ela desistiu de argumentar.
Hermione sorriu, satisfeita, e se levantou, seguida de Harry e Rony.
Ficamos mais uma tempo ali. Apenas nós três, olhando para o nada, falando nada e fazendo nada.
Você, leitor, deve pensar que depois de sabermos de uma rebelião estudantil contra o Ministério, precisássemos começar a planejar. Mas eu acho que o próprio Ministro já faria isso por nós: contra estudantes revoltados, aquele babaca do Cornélio fazia um escarcéu. Mas contra Voldemort, ele preferia fazer a mesma coisa que nós estávamos nos dando o privilégio de fazer... absolutamente nada.
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N/A: demorei uma semana para desenvolver este capítulo, mas mesmo assim, não saiu grande coisa. Fiz o melhor que pude arrancar de mim.
Mas eu tenho que me justificar: infelizmente, eu estou investindo com seriedade em garoto (eu sei, que coisa mais clichê!) e por isso, toda a minha atenção esta concentrada em outra parte.
De qualquer modo, espero que entendam meu pequeno drama, e prometo que o próximo vai ser melhor. (eu acho)
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