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38. Remember


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


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CAPITULO 38


REMEMBER


O dia correu bem para Hermione. Para ser franca a semana estava correndo bem. Fugia dos problemas e eles pareciam não existir.
Estava confortavelmente instalada no apartamento de Gina, e evoluindo rapidamente no trabalho. Bastava se manter longe de Rony, disse a si mesma, e sua vida andava nos trilhos certos.
Mas era uma tarefa árdua. Ele não lhe dava trégua. Desde o dia em que o pegara na cama de Mary eles não se falavam, mas ela o via. Sempre que aparecia de surpresa na loja atrás dela, se escondia e saia de fininho antes que pudesse ser abordada. O mesmo acontecia nas suas visitas diárias após o trabalho. Ela olhava pelo olho mágico e não atendia. E quando tentava usar a lareira, ela bloqueava.
Muito simples, pensou amarga. Varrer os problemas para baixo do tapete e esperar que eles sumam magicamente.
Suspirando, ela ponderou que aquela semana estava sendo um inferno. Sozinha de verdade, pela primeira vez na vida, tinha a consciência exata do que era a solidão.
Era algo feio, escuro e mórbido e doía em seu coração. Sentia falta de Hogwarts quando fora tão feliz.sentia falta dos anos anteriores a Hogwarts quando tinha seus pais e seu mundo era o mundo de brincadeiras e livros.
Sentia falta de ser alguém amado novamente.
Claro, tinha a amizade de Harry e Gina, mas eles estava construindo uma vida juntos, e não era fácil depois de tudo, então como poderia colocar sobre eles suas frustrações?
-Hermione – Fred chamou pela segunda vez e ela sorriu envergonhada por estar tão dispersa.
-Sim? – era só balconista, mas fazia seu trabalho com a mesma dedicação com a qual pretendia ser auror.
-Preciso que leve esse embrulho para um cliente – ele disse estendendo um pacote e um cartão. – Sei que não fazemos entregas, mas ele pagou comissão para que fosse você a entregadora.
-Ah, Fred... – ela apanhou o pacote chateada. Isso vinha acontecendo muito. Todo mundo queria ter a oportunidade de ver Hermione Granger de perto e em suas casas – Você me paga por isso!
Sabia que os gêmeos vinham vendendo sua participação e tentava achar graça. Tentava ver a parte boa nisso.
-E pago mesmo! Rony esta tentando me obrigar a te demitir, sabia? -ele falou como quem conta um segredo, enquanto ela tirava o avental e olhava para ele com olhos assustados.
-E porque ele faria isso? – perguntou indignada.
-Porque balconista é um trabalho banal demais para você. Sem emprego seria forçada a aceitar a proposta do ministro e teria um cargo a sua altura -ele justificou achando graça da forma como ela ficou corada de raiva.
-Seria bom se ele começasse a cuidar da própria vida – ela rosnou – Espero que não ouçam as besteiras que ele diz! Estou muito satisfeita com meu trabalho!
-Tenho que concordar em partes com meu irmão -ele disse pensativo - Tem um potencial maior.
-Posso ter um potencial maior, mas também tenho metas -ela disse fervendo – E minhas metas são evoluir sozinha,sem o seu irmão achando que pode fazer isso por mim!
-Ok -Fred ergueu as mãos na defensiva – Apenas leve o embrulho no endereço de entrega e pode tirar o resto da tarde de folga, afinal,sabemos que esse não é seu trabalho.
-É sabemos -ela disse sorrindo de sua ganância – Não vai mesmo me contar quando eles pagam para me ver de perto? – tentou uma última vez.
-Não, mas você ficaria orgulhosa de si mesma se contasse.
Revirando os olhos ela saiu da livraria com o tal embrulho. O endereço era na rua de baixo, a umas duas quadras e era também um hotel. Olhando desconfiada se perguntou se não seria nenhum tarado ou coisa parecida.
Fred e George não a mandariam para um lugar perigoso ou injuriante. Forçando seu mais simpático sorriso, ela falou com o rapaz atrás do balcão que não pareceu muito surpreso em vê-la. Talvez houvesse sido avisado da sua chegada.
Terceiro andar, pelas escadas. Maravilha.
Quarto 302. Era o último daquele corredor e isso a irritou. Ouviu um miado e virou-se automaticamente, procurando o dono daquele som. Seu coração se apertou na mesma hora.
A lembrança do seu Bichento pipocou em sua mente e ela sentiu uma dor forte no peito ao lembrar que nunca lhe dissera adeus. Já era um gato velho quando o comprara e talvez nunca mais o visse.
Bateu naquela porta com todo o peso da saudade em suas mãos.
Queria ao menos saber como ele terminara sua vida de felino, se fora bem cuidado. Se ele sentira metade da saudade que ela sentia agora, se lamentara sua falta.
Era infantil, mas hostilizava a idéia de pensar que nunca mais veria seu gato.
A porta abriu na segunda batida e ela olhou para dentro, notando que alguém usava magia. Uma luz vermelha piscou em sua mente, avisando para deixar o embrulho no chão e ir embora.
Mas a curiosidade foi mais forte e ela entrou:
-Olá -ela disse fechando a porta atrás de si.
O quarto estava aparentemente vazio.
Curiosidade aumentou e Hermione andou pelo quarto observando que não havia ninguém mesmo. Estranho levar alguém até um quarto de hotel, obviamente alugado, e simplesmente não dar as caras. Estranho ou não, não perderia mais tempo ali.
Hermione parou ao ouvir outro miado. Talvez o quarto não estivesse vazio como pensara.
Com a respiração suspensa, ela aproximou-se da cama, estendeu a mão para puxar a colcha para cima. Embaixo da cama, esse sempre foi o lugar favorito de Bichento.
Se ajoelhando no chão ela olhou para baixo da cama, soltando um gemido de satisfação ao avistá-lo.
-Bichento! –gritou, puxando-o para fora do seu recanto, como fizera tantas vezes no passado – Bichento -ela o pegou nos braços e ele miou mais alto, arranhando seu braço preguiçosamente.
Ele se lembrava dela, pois era sempre assim que a saudava.
-Achei que nunca mais o veria, meu amigo – ela disse chorando sem perceber.
Apertou-o em seus braços rindo entre lágrimas quando ele se contorceu e fugiu para baixo da cama, novamente. Ele sempre fazia isso pensou, rindo enquanto se esforçava para tirar o grande, gordo e preguiçoso gato de baixo da cama.
Com ele nos braços ela se perguntou quem teria feito isso, devolver-lhe seu fiel amigo. Não importava, pensou beijando seu pêlo alaranjado.
Não estava mais tão sozinha no mundo, pensou, contendo as lágrimas.
Agora tinha ao seu lado uma companhia. Deixando aquele apartamento com seu amigo no colo, ela sentiu-se mais leve e o dia pareceu-lhe mais bonito.
Mais feliz.

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