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2. Começando uma Encrenca


Fic: WEASLEYs: por que ruivos também amam.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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 Capítulo Dois:


 Narração por Fred Weasley


 


 O primeiro dia em Hogwarts nem sempre é o mais fácil. É aquele dia em que você quer acordar tarde, como nos dias de férias, mas não pode. É aquele dia em que todos os professores estão com um mau humor, pior do que Minerva em TPM, só pelo simples fato de ter de rever seus queridos alunos. Acredite, senhores professores, nós não estamos em melhor estado de espírito.


 


 Eu já estava acordado fazia um tempo, mas não fazia questão de abrir os olhos. O quarto ainda se encontrava silencioso, isto é, quase. Os roncos de Rony quebravam todo e qualquer silencio. Teria de lembrar a Jorge para colocar um abafiato no cortinado de Ronald, ou não conseguiríamos dormir.


 


 Mesmo com o cortinado fechado, eu podia sentir o calor do sol que já brilhava lá fora. A luz passava entre as cortinas sem muita cerimônia ou dificuldade. Tudo indicava que este seria um ótimo dia, embora eu nada pudesse confirmar.


 


 Ainda podia sentir as lembranças da noite anterior no meu corpo dolorido. Eu e Jorge havíamos dado uma pequena festinha de comemoração pela nossa volta à Hogwarts. Testamos algumas genialidades em alunos do primeiro ano, sob o olhar acusador e cuidadoso de Angelina. Ela não gostava muito de usar nossas invenções em novatos, mas nada dizia, apenas olhava e ajudava quando alguma delas dava errado.


 


 Havíamos conseguido um pouco de cerveja amanteigada e a música ficou por conta de Angelina. Tudo ia bem: havia gente se embebedando, ou tentando se embebedar, com cerveja amanteigada; havia pessoinhas do primeiro ano com os sintomas mais estranhos, por causa das genialidades; havia gente se agarrando pela sala comunal; havia Hermione se descabelando pelos nossos testes; havia Rony e Hermione brigando; havia um Harry sendo acusado de mentir. Uma loucura!


 


 Isso até Minerva aparecer dando um daqueles chiliques absurdos. Quando ela perguntou quem era causador daquela baderna, todos os bitolados do lugar apontaram para nós. Como se ninguém ali estivesse se divertindo nem um pouco!


 


 Conseqüência: várias pessoas do primeiro ano foram parar na ala hospitalar com mais um bando de alunos caindo de bêbados. Pobre madame Pomfrey! Deve ter passado a noite inteira fazendo antídotos para as nossas genialidades; deve ter feito muita poção anti-ressaca para aqueles que haviam exagerado na dose. Sem falar nos próprios elfos domésticos que tiveram de arrumar a bagunça na sala comunal da Grifinória. Quanto a mim e ao Jorge: uma semana de detenção na biblioteca limpando e reorganizando os livros por ordem alfabética.


 


 Angelina se safou, pois foi dormir antes da festa acabar, depois de nos implorar que encerrássemos a baderna naquele dia. Ela com certeza esfregará isso na nossa cara mais tarde, quando lhe contarmos da detenção.


 


 Um ronco de Ronald me tirou de meus devaneios. Meu Merlin, como ele ronca alto!


 


 Com um suspiro derrotado, abri meus olhos devagar e por um momento fiquei maravilhado com os pequeninos grãos de poeira que a luz do sol deixava visível. Eram interessantes e giravam conforme eu respirava, como pequenas marolas na água quando uma gota de chuva cai nela.


 


 Joguei minhas pernas para o lado da cama, sentando-me e abrindo o cortinado. Levantei-me e me espreguicei devagar. Olhei em volta e me deparei com um Jorge ainda apagado. Devia estar no quinto sono ainda.


 


 Não sei exatamente quando foi que me dei conta de que havia algo errado.


 


 - Droga! – exclamei. Mas é claro que estava silencioso! Só havia eu, Jorge e Rony no quarto. Todos já haviam decido e isso significava que estávamos atrasados.


 


 Agarrei um travesseiro e dei na cara de Jorge com toda a força que eu consegui. Depois, voltei-me para Rony e o sacudi com vontade.


 Minhas atitudes funcionaram. Eles estavam sentados na cama, Rony com as orelhas vermelhas pela interrupção de seu sono e Jorge se preparando para me dar com um travesseiro.


 


 Recebi a primeira batida do travesseiro.


 


 - Estamos atrasados! – avisei. Não que isso me incomodasse. Agarrei um travesseiro e dei na cara de Rony, fazendo-o cair no chão.


 


 Jorge parou com o travesseiro no meio do caminho para a minha cabeça. Ele riu.


 


 - Droga! – ele fez menção de largar o travesseiro, mas pareceu mudar de idéia e deu com ele na cara vermelha de Rony.


 


 Comecei a rir, seguido por Jorge. Ronald soltou alguns muxoxos nada educados e seguiu para o banheiro.


 


....................................................................................................


 


 


 Descemos correndo as escadas do dormitório. Ronald já havia se retirado para se encontrar com Harry e Hermione. A sala comunal estava vazia, o que não me surpreendeu, nem a Jorge. Só serviu para nos dizer que, sim, nós estávamos muito atrasados!


 


 Quando chegamos ao final da escada, eu estava dando o nó na gravata e Jorge ainda tentava calçar o sapato.


 


 Sentada em uma poltrona, Angelina nos observava com um olhar acusador. Eu não esperava encontra-la ainda aqui. E me parecia que Jorge também pensava que ela estaria sentada no salão principal se deliciando com um café da manhã. Embora ela sempre guardasse comida para nós quando nos atrasávamos.


 


 - Existe um motivo concreto para terem se atrasado no primeiro dia de aula? – perguntou com as sobrancelhas levantadas.


 


 Meu Merlin, falando assim ela parecia nossa mãe. Mas eu poderia afirmar que nenhum de nós dois a visse dessa maneira. Longe disso! Tudo bem, ela era nossa amiga, quase irmã, mas eu não era assim tão tapado feito Rony! Eu tinha plena consciência de que nossa melhor amiga era uma garota. Diferente dele, que parecia não se dar conta de Hermione era uma garota, até que ela ficou com o Krum.


 


  - Hum... A festa de ontem? – tentei.


 


 Jorge apenas acenou com a cabeça, concordando com meus termos. Ele parecia mais focado em algum ponto perto da mesa de estudo, onde havia comida.


 


 Angelina bufou. Gestos de ironia estavam se tornando freqüentes nela. Não sabia se considerava isso uma boa coisa.


 


 - Não, Fred, por que vale lembrar que eu avisei vocês sobre a festa estar indo até longe demais e tarde também, diga-se de passagem. – ela disse, mas deu um sorrisinho, mostrando que não se importava. – Vocês perderam o café, mas eu trouxe comida. – ela apontou para a mesa de estudo com comida suficiente para dois.


 


 Ah, comida. Fiz uma nota mental de agradecer Angelina mais tarde, ou quando me desse na telha.


 


 - Obrigado, Angie. – Jorge não pareceu precisar de nota mental para agradecê-la: ele saiu andando, deu-lhe um estalado beijo na face e ainda usou o apelido que nós costumávamos usar anos atrás, quando ela nos fez parar, dizendo que parecia coisa de criança.


 


 Eu continuava adorando o apelido.


 


 - Já disse a você que detesto esse apelido. – ela reclamou, se levantando e agarrando minha mão, fazendo-me sentar na mesa de estudo para comer. Observei quando ela se sentou também, mas não encostou na comida.


 


 - Não vai comer? – perguntei.


 


 - Já comi. – ela afirmou e me empurrou torradas.


 


 Jorge nem respirava, de tanto que comia. E repetiu mais de uma vez, já que a comida era reposta. Tinha vezes que eu o perdia atrás da montanha de comida que havia à sua frente. Comi também, mas não tinha tanto apetite quanto Jorge, ou quem sabe Rony.


 


 - Resolveu nos esperar hoje, Angie? – Jorge perguntou enquanto tomava um gole de suco de abóbora.


 


 Angelina fez uma careta.


 


 - Sempre esperei vocês quando se atrasam.


 


 - Não nos esperou para pegarmos o trem ontem. – ele argumentou.


 


 - Espero apenas em Hogwarts, então. – ela se rendeu. – E já pedi para não me chamar de ‘Angie’. – ela continuou.


 


 Eu ri do jeito bravo dela e sendo por um motivo tão simples.


 


 - Por que não? – perguntei.


 


 - Por que este é um apelido de criança. – ela esbravejou. – E apelidos são só para íntimos. – acrescentou.


 


 Levantei uma sobrancelha, incrédulo. Jorge tossiu, engasgando com o suco. A tossida se transformou em risada assim que ele se recuperou.


 


 - Tipo, aquele cara com quem você estava se agarrando ontem na festa? – comentou rindo.


 


 Angelina ficou escarlate e eu olhei para ela de olhos arregalados. Não sabia exatamente o sentido da minha alteração pela notícia, muito menos o porquê de ela me incomodar.


 


 - E-eu n-n-não... – ela tossiu para recuperar a voz, imaginei. – Eu não fiquei me agarrando com ninguém na festa ontem. Fiquei ajudando os pobres coitados que vocês envenenavam com as genialidades. – se defendeu.


 


 Jorge gargalhou alto. Eu não ri. Aquilo normalmente me faria rir, mas parecia ter perdido a graça. Eu não entendia o porquê.


 


 - Ah, sim. Ele com certeza precisava de muita ajuda! – Jorge disse ironicamente. Angelina começou a mordiscar o lábio inferior. Sinal de nervosismo.


 


 - Pare com isso, Jorge! – pediu ela. – Eu não me deixo influenciar pela convivência com vocês.


 


 Isso fez meu irmão parar de rir e olhar para ela confuso.


 


 - O que quer dizer?


 


 - O que quer dizer? – perguntei também. Eu havia estado quieto quando o assunto começou a percorrer caminhos meio tortuosos e rumos perigosos, mas agora o papo envolvia a minha pessoa.


 


 Ela sorriu sarcasticamente para nós dois.


 


 - Todos sabem que vocês são vistos aos amassos com várias garotas pelos corredores de Hogwarts. À noite. – sublinhou. – Aposto que nem lembram os nomes delas no dia seguinte.


 


 Fiz a melhor cara de cachorro abandonado que consegui formular.


 


 - Jorge, talvez, mas eu não faço essas coisas e você sabe muito bem disso, Srta. Johnson. – me defendi.


 


 - Eu não escondo. Beijo toda Hogwarts pelos corredores! – ele parecia orgulhoso de si mesmo.


 


 - Ninguém duvida disso, maninho. – pisquei para ele, em um olhar cúmplice. Eu também não era nada inocente.


 


 Quanto à Angelina, ela nos encarava com perplexibilidade estampada no rosto. Com um floreio de varinha, ela limpou toda a mesa. Logo depois, ela se levantou e andou até a poltrona, onde sua bolsa ainda se encontrava. Jorge suspirou.


 


 - Ei, Angie! – ele chamou.


 


 Angelina se virou para ele impaciente. Cruzou os braços.


 


 - Se não andarem logo, vamos nos atrasar para a aula. – ela reclamou.


 


 Jorge se manifestou:


 


 - Olha, Angie, não me olhe assim, você sabe muito bem que é verdade. – ele me abraçou com apenas um braço enquanto se levantava e com o outro apontava para nós dois. – Somos dois galinhas. – ele afirmou.


 


 Eu ri.


 


 - E isso é algo com o que você convive todos os dias desde que entrou nesta escola e resolveu ser nossa futura noiva. – brinquei.


 


 Angelina sorriu de leve.


 


 - E nós também sabemos que você é uma garota.


 


 - Não cometemos o mesmo erro que Rony, que até ano passado não tinha se tocado que Hermione é uma garota. – completei por ele.


 


 - E o que isso nos diz exatamente? – perguntou ela, olhando para nós.


 


 Eu parei para pensar. O que significava nós sabermos que ela era uma garota? Jorge já tinha a resposta na ponta da língua:


 


 - Significa que você é linda, gostosa e pega o cara que quiser. – ele disse sorrindo maliciosamente para ela. – Safada. – acrescentou, me fazendo arregalar os olhos. – E significa também que não julgaremos você por isso. Não se esqueça que nossa relação é aberta.


 


 - Fale por você. – grunhi.


 


 Angelina riu alto.


 


 - Certo, certo. Mas se não sairmos agora levaremos detenção. – ela nos avisou.


 


 - Já estamos de detenção. – contei.


 


 - Por causa da festa. – completou Jorge.


 


 - Ah! – ela exclamou, assustando a mim e a Jorge.


 


 - O que?


 


 - Eu disse, eu avisei que não daria certo. Falei que deveríamos ter acabado com aquela festa cedo, antes de alguma coisa acontecer. Como foi que eu não vi a Minerva levarem vocês para a sala dela? – ela meditou.


 


 Jorge sorriu malicioso.


 


 - Você estava ocupada demais dando um beijo estilo desentupidor de pia naquele cara da Corvinal que invadiu nossa festa. – ele brincou.


 


 Observei Angelina recobrar a cor carmim no rosto e voltar a mordiscar o lábio inferior. Não estava gostando da conversa.


 


 - Brincadeira. – confortei-a, que sorriu agradecida. – Quando Minerva chegou, você já tinha subido para o dormitório. – informei.


 


 Ela suspirou aliviada e sorriu para mim.


 


 Andamos o resto do caminho para a aula de feitiços em silencio e quando chegamos lá, Flitwick já havia começado a aula. E tivemos que escutar um sermãozinho de cada dia que não surtia efeito na voz fininha do professor. 


 


 Mas Jorge tinha razão: Angelina era linda mesmo.


 


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  O resto do dia decorreu como esperado: correndo de uma aula para a outra, levando broncas de professores mal-humorados, tendo idéias para a criação de novas genialidades.


 


 Conversávamos com muita gente, afinal, não éramos nada comuns, levando em conta nossa fama. Nada que não pudesse ser controlado.


 


 A nova professora de DCAT não era nada amistosa, mas eu não esperava nada melhor que isso. A aula dela era de base teórica, fazendo uma das melhoras matérias de Hogwarts virar uma das piores. Não que isso me incomodasse pessoalmente. Eu não ligava muito para matérias.


 


 Mas eu não podia negar que a sapa velha era realmente irritante. Isso ficou claro quando ela separou um casal aos amassos no corredor. Aquilo sim era uma coisa um tanto trágica. Queria que ela tivesse aparecido para separar Angelina daquele corvinal, cujo nome eu não sabia.


 


 Já era hora do almoço quando eu e Jorge encontramos com Angelina novamente. Ela conversava animadamente com um garoto loiro, com olhos cor de caramelo e covinhas espalhadas pelo rosto. Era o tal corvinal que Jorge mencionara.


 


 Graças a uma sorte, eles estavam separados pelo espaço que uma pessoa ocuparia. Ponto para mim.


 


 Dando uma piscadinha marota para meu irmão, sentei-me entre os dois.


 


 - Oi. – cumprimentei o garoto.


 


 Virei-me e dei um beijo estalado na bochecha de Angelina. Ela me olhou com os olhos brilhando de fúria. Sorri de lado para ela.


 


 Jorge, não conseguindo esconder o sorriso, se sentou de frente para nós e cumprimentou o garoto com um aceno de cabeça e um sorriso malicioso.


 


 - Olá, Michael. – disse ele. – Se divertindo? – perguntou apontando para Angelina com a cabeça.


 


 O garoto corou de leve, mas sorriu também e balançou a cabeça afirmativamente, fazendo Angelina revirar os olhos.


 


 - Estava. – respondeu o tal Michael. – Mas não se pode permanecer na mesa da Grifinória, se você não pertence à essa casa. – sorriu para Angelina, nos cumprimentou e se levantou, andando em direção à mesa da Corvinal.


 


 Bufei depois que ele se afastou, seguido por Jorge.


 


 - Babaca. – murmuramos juntos.


 


 Angelina não respondeu. Apenas voltou sua atenção para a comida e ignorou nossa presença por um tempo, mas como sempre, ela não conseguia nos ignorar por mais de dois minutos.


 


 - Conseguiram a cópia do mapa do maroto? – ela nos perguntou depois de um tempo.


 


 Eu e Jorge trocamos um sorriso.


 


 - Ainda não, mas falta muito pouco. – contei a ela.


 


 - E quando pretendem finalizar?


 


 - Hoje. – informou Jorge. – Onze horas, biblioteca. – finalizou.


 


 - Genialidades?


 


 - Estamos desenvolvendo o Kit Mata-Aula. – comecei.


 


 - Baseado nos resultados dos testes de ontem. – terminou Jorge.


 


 Angelina ergueu as sobrancelhas.


 


 - Houve resultados descentes? – perguntou.


 


 - Mas é claro. – respondeu Jorge, indignado.


 


 - Eu e Jorge chegamos à conclusão, durante a aula de História da Magia, de que nossas genialidades não precisam de antídotos. – disse.


 


 - Como não? – perguntou Angelina.


 


 Jorge revirou os olhos.


 


 - Angie, me diga, para quê as genialidades precisam de antídoto, se servem para levar o aluno até a ala hospitalar e retirá-lo da aula? – perguntou ele.


 


 Ela pareceu meditar sobre o assunto. Pela expressão dela, cheguei a conclusão de que ela não havia encontrado resposta.


 


 - E a Umbrige? – ela mudou de assunto.


 


 - Maldita sapa velha. – exclamei.


 


 - Um verdadeiro pesadelo. – continuou Jorge.


 


 - Não nos deixa usar magia nas aulas.


 


 - Sem falar que ataca os alunos no meio de uma ficada pelos corredores. – reclamou Jorge.


 


 - Trágico. – murmurei.


 


 - E aquela risadinha infantilmente fininha que ela usa?


 


 - Horrível. – opinei.


 


 Angelina riu de leve.


 


 - Harry? – perguntou ela.


 


 Suspirei.


 


 - Péssimo.


 


 - Vimos Simas Finnigan discutindo com ele sobre isso.


 


 Angelina fez uma careta.


 


 - Nunca gostei do Finnigan. – murmurou.


 


 - Somos três. – dissemos juntos.


 


 - Ele até é legal, mas fica seguindo o que ouve e não tem opinião própria. – continuou ela.


 


 - Assim como toda Hogwarts. – comentei.


 


 - Não podemos culpá-los. Eles apenas seguem o ministério. – disse Jorge.


 


 Observei Angelina bufar em desgosto.


 


 - Eles não seguem o Ministério, apenas tem medo de enfrentar Você-Sabe-Quem. São um bando de covardes que acreditam no mais fácil. – ela disse raivosa.


 


 Eu e Jorge nos entreolhamos.


 


 - Ela é diabólica. – riu Jorge.


 


 Ri também.


 


 - Essa não é a questão, Jorge. – ela rugiu para ele, que me olhou assustado. – Apenas não gosto de ficar procurando justificativas para as crenças erradas das pessoas. – continuou.


 


 Era claro que ela não estava nem um pouco feliz com os acontecimentos. Dementadores entre trouxas; Ministério contra Dumbledore; Ministério intervindo em Hogwarts; magia adolescente de Harry Potter sendo posta em pauta dentro de um tribunal. Nada disso a agradava.


 


 - As coisas vão melhorar, Angie. – prometi, acariciando de leve a mão dela.


 


 Ela sorriu.


 


 - Não vejo como. – respondeu. – E não me chame de ‘Angie’. – pediu, mas sorriu.


 


....................................................................................................


 


 


 Andávamos pelo corredor depois do almoço. Eu e Angelina discutíamos sobre os possíveis resultados de uma bomba de bosta na sala de Filtch. Ela ia contra e eu, claro, à favor.


 


 Jorge mantinha-se quieto, opinando de vez em quando sobre o assunto. Ambos discordávamos de Angelina, que mantinha sua opinião firme sobre as consequências daquele ato. E era exatamente por isso que eu insistia no assunto.


 


 Não foi o que havíamos planejado, afinal, encontrar Umbrige no corredor. Poderíamos tê-la confundido com um sapo velho e doente, muito mais para lá do que para cá. Mas isso nos teria causado uma boa confusão.


 


 - Hein, hein. – ela nos interrompeu bruscamente. (N/A: odeio aquele barulhinho que a Umbrige fazia).


 


 Nós três interrompemos a conversa no meio, bem no momento em que Angelina nos daria uma dura por pensar em jogar bombas de bosta extra nos banheiros dos monitores. Olhamos para Umbrige com a mesma cara de idiotas. Paramos no mesmo lugar. O que teria me feito rir, pois a situação era meio irônica.


 


 Depois ela soltou aquela risadinha infantil que arrepiou todos os pelos do meu braço. Angelina estremeceu ao meu lado.


 


 - Posso saber o que os três estão fazendo pelos corredores? – perguntou.


 


 - É nosso horário livre. – Angelina se pronunciou.


 


 Umbrige sorriu falsamente para ela.


 


 - Mas é claro. – ela pegou uma prancheta e começou a escrever. – Uma coisa que teremos de ajeitar nessa escola são os horários livres. O cancelamento deles. – ela soltou uma risadinha.


 


 A velha começou a nos observar com olhos atentos. Parecia uma louca psicopata.


 


 Seus olhos pararam nas nossas mochilas e se concentraram ali, como se quisesse ver dentro das bolsas. Ela levantou os olhos e sorriu.


 


 - Soube que os senhores recebem detenções com frequência, estou enganada? – começou.


 


 Troquei um olhar com Jorge.


 


 - Tecnicamente... Não, não esta enganada. – respondi, cordialmente.


 


 - Posso dar uma olhada nas mochilas de vocês? – pediu.


 


 Angelina sussurrou um rápido ‘Umbrige pode fazer isso?’ para nós. Eu e Jorge nos entreolhamos, mas demos de ombros para ela. Eu não fazia a menor idéia se a sapa velha podia ou não nos revistar.


 


 Questioná-la estava fora de questão. E não atender à essa ordem também não dava. Assim, Angelina estendeu a mochila dela.


 


 Umbrige se empenhou em uma busca cuidadosa dentro da mochila da garota, que a olhava com os olhos brilhando de fúria e o rosto vermelho.


 


 Não encontrando nada, Umbrige devolveu a mochila de Angelina e estendeu a mão para a minha. Entreguei-a de má vontade.


 


 Agradeci mentalmente à nós mesmos por termos acordado atrasados e sem tempo para pegar as genialidades nos malões.


 


 Ela também não encontrou nada na mochila de Jorge.


 


 - Ótimo. Se eu encontrasse alguma irregularidade na mochila de vocês, perderiam pontos e ganhariam detenções. – comentou, cedendo de má vontade o fato de não estarmos aprontando nada.


 


 - Mas não há irregularidade. – Angelina disse, o rosto bonito se fechando em uma carranca de raiva.


 


 Umbrige sorriu para ela.


 


 - Não, não há. – confirmou. – Aumente o tom de voz para falar comigo mais uma vez, e ganhará uma detenção. – ameaçou.


 


 Observei Angelina sorrir ironicamente para a velha. Olhei para Jorge e ele tinha a curiosidade estampada no rosto. Ambos sabíamos que nossa colega não ficava com raiva com muita frequência. Apenas conosco, mas isso era um caso aparte.


 


 - Não há nada mais justo. – disse Angelina e colocou a mochila nas costas, agarrando minha mão e a de Jorge e nos carregando para longe da sapa velha.


 


 Viramos no corredor. Mas, ao contrário do que eu imaginava, ela nos carregou até uma sala vazia, entrando com nós dois no encalço e fechando a porta atrás de si.


 


 Fechou os olhos e respirou fundo, em uma tentativa de se acalmar, pensei. Jorge a observava com a mesma cara que eu: confusão e delicado interesse. Afinal, por que ela havia nos trancafiado dentro dessa sala?


 


 Mais alguns minutos se passaram e houve um momento em que tive que perguntar:


 


 - O que foi?


 


 Angelina ergueu os olhos e sorriu marotamente para nós dois, levantando uma sobrancelha, dando a ela uma expressão travessa no rosto. Isso era algo que não se via todos os dias. Ela chegou perto de nós e apoiou as duas mãos na cintura, próximas ao quadril, antes de dizer:


 


 


 - Acho que devemos transportar um pouco do nosso estoque de bombas de bosta para a sala da nossa querida Umbrige. 


 


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 N/A: esse capítulo demorou a ficar pronto. Minha imaginação recebeu um bloqueio, mas finalmente consegui.


 


 Não tenho muito a dizer, por isso não vou ficar tagarelando. De qualquer modo, comentem!

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