Era o aniversário de morte de Lílian Potter, mas pra ele ela sempre seria a Lily Evans. Como de costume ele pediu a penseira de Dumbledore emprestada e recolheu-se em sua sala com uma garrafa de whisky de fogo. Por mais que não costumasse embriagar-se, aquela era uma data especial, a data que marcava a mudança brutal de sua vida e o fim da sua esperança. A data da morte de seu único amor. Somente por ela ele quis lutar contra Voldemort, para que pelo menos o filho dela sobrevivesse. E ele sobreviveu, venceu a guerra, tornou-se famoso e nunca soube de nada. Recebeu apenas desafeto por parte do garoto que nunca soube que ele o protegia de longe e sempre.
Uma sonserina do terceiro ano batia freneticamente a porta de sua sala, aparentemente houve um grave acidente com um de seus alunos e o diretor da casa precisava comparecer à enfermaria e notificar os pais do aluno. A última coisa que Severo Snape precisava era de uma confusão pra atrapalhar seu ritual, todos os seus pensamentos sobre ela estavam na penseira e ele acabara de abrir o whisky. Resolveu que continuaria um pouco mais tarde, provavelmente esse acidente foi só mais uma besteira rápida.
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Hermione estava sozinha em seu quarto, tentava arduamente progredir na descoberta de novas curas através de poções, mas havia algo errado em seu trabalho que ela não podia identificar, foi assim que resolveu procurar o prof. Snape ou pelo menos deixar seu projeto em sua sala, assim talvez ele descobrisse o que há de errado.
Depois de bater na porta por algum tempo, ela acabou testando a maçaneta e entrando, pois não estava trancada. Logo percebeu que o professor fora chamado as pressas, pois o escritório não estava imaculadamente arrumado como de costume. Ela decidiu deixar os pergaminhos sobre a escrivaninha e falar com ele depois, foi ai que ela notou a penseira e a garrafa. Então até mesmo Snape tinha pensamentos que o faziam encher a cara? A curiosidade aumentou e ela sentiu-se novamente a estudante curiosa que fora em Hogwarts, esse era um sentimento que a abandonara a tanto tempo que ela não pode refreá-lo, simplesmente mergulhou nos pensamentos dele.
Foi assim que ela acabou passeando pela infância de Snape e por cenas de sua vida jovem. Foi assim que Hermione descobriu sobre ELA e tudo o que Ela representava, o grande amor de Snape era a mãe do Harry! Então tudo mudou de perspectiva. Ela via as conversar atormentadas dele e de Alvo, viu suas missões duplas na guerra, viu que ele protegeu Harry desde o começo e sacrificou-se até o fim, percebeu que ele se culpava pela morte de Lílian, pois ele ouvira a profecia. Hermione estava diante das fraquezas de Severo e tudo o que ela sentia era confusão.
Quando saiu da penseira, seu único impulso foi pegar seu trabalho e sair correndo, ele explodiria se a visse ali. Se suspeitasse que ela sabia de tudo. Trancou-se em seu quarto e refletiu sobre tudo o que vira. E repensou seus anos em Hogwarts, tentando perceber quantas vezes eles estavam errados sobre Snape, as acusações baseadas na simples antipatia, ignorando a confiança que Dumbledore tinha nele. Agora ela entendia, entendia tudo.
Sua simpatia pelo professor aumentou enormemente e ela resolveu que descobrir mais sobre ele era um ótimo modo de não pensar em sim mesma. No dia seguinte voltaria a auxiliá-lo nas aulas. Queria conhecer o lado humano de Snape, a parte boa de sua personalidade, a que ele escondia de todos.
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Quando voltou ao seu escritório, Snape sentiu que algo não estava certo, ele não tinha encostado a porta? Talvez com a pressa ela tenha ficado aberta. Ele precisava voltar pra ela e mostrar que ele nunca esqueceria. Que sua morte o castigaria para sempre com a culpa. Ele ainda a amava e seria assim pra sempre.
Ele fazia partes de sua lembrança pairarem sobre a penseira, enquanto assistia aquilo ele deixava que lágrimas silenciosas rolassem por seu rosto. Era o único dia do ano em que ele chorava. Todas as suas lágrimas tinham que ser para ela, todo o seu amor e toda a sua alma, apenas para lembrá-la em silêncio, para sofrer em silêncio e para culpar-se em silêncio.
Ninguém a não ser Dumbledore sabia de sua dor e desde o fim da guerra Snape resolvera não falar mais no assunto. Era doloroso demais colocar em palavras, bastava que ele sentisse e sofresse, sozinho como sempre fora. Desde criança até hoje, os únicos momentos em que não houve solidão eram os iluminados por ela. ele desmaiou sussurrando algo que nunca dissera pra ela: “eu te amo Lilian Evans.”
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n/a: eu sei que só quem lê é a natasha... mas nao é por isso que eu vou desistir né? ^^ proxima sexta tem capitulo! \o/ to tentando colocar a nc mas nao acho lugar, será que eu to enrolando ou ta bom a aproximação? se tiver sugestão diga! ah! e se você não é a natasha, POR FAVOR COMENTE! é importante saber que mais alguem lê essa besteira ;//
abraço o/ |