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33. Portas do passado


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


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CAPITULO 33

Portas do passado

Harry pigarreou antes de bater na porta. Ele não avisara Gina que viria. Para ser franco, seria uma total surpresa, para ele também.
Esperava que não fosse considerado uma afronta. Bateu uma segunda vez e esperou. Ouviu uma voz alta gritando que entrasse. Só poderia ser a sra.Wesley.
-Harry! -ela disse surpresa, enquanto mexia em suas panelas, preparando o almoço.
-Oi, sra.Wesley. eu...vim convidar Gina para ir a um lugar...ela está? – não deveria mas estava sem jeito.
-Sim, ela está deitada – ela disse séria, olhando para ele com curiosidade – Aonde vão?
-Estou começando a reconstruir a casa que foram dos meus pais, e gostaria que ela desse alguns palpites na planta, antes de aprová-la – ele informou olhando para a escada, na vã esperança de escapar do interrogatório.
-Que idéia maravilhosa! Harry, seus pais iriam ficar tão felizes com sua iniciativa -ela disse sorrindo mais amistosa – Lilian amava aquela casa, pois foi Tiago quem a construiu para ela. Um lindo presente para um amor ainda mais lindo!
-Quero morar naquela casa -ele disse feliz em falar do assunto – Construir uma família naquele lugar, como meus pais fizeram.
A expressão da sra.Wesley ameninou e ela sorriu.
-Porque não sobe e fala com Gina? -ela disse – Ela está indisposta hoje, mas sua visita deve alegrá-la.
-É algo sério? -ele perguntou preocupado.
-Ela garante que não – ela disse com rancor – Mas Gina nunca quer nos preocupar!
Entendendo a indireta ele concordou e subiu para o segundo andar.
Era uma sensação deliciosamente familiar andar por aqueles corredores sem ter que se esconder. Apesar de não ser o homem ideal para a filha do casal Wesley, ao menos eles o tinham aceito. E com o tempo Harry provaria que ainda era o garoto que eles aprovavam e sonhava para Gina. A vida o desviara do seu destino, mas ele estava de volta, pronto a retomar sua felicidade de onde parara!
A porta do quarto estava só encostada, e ele espiou, vendo-a sentada na cama. Sorrindo, pois seu dia acabara de se iluminar ele colocou a cabeça pela fresta:
-Oi!
-Harry! -ela exclamou assustada – Você me assustou! – reclamou.
-Desculpe, não resisti – ele riu, entrando e deixando a porta parcialmente aberta, pois não queria causar mais problemas com seus pais. – O que está fazendo? – ele perguntou curioso.
Havia álbuns e fotos espalhadas por toda a cama. Gina corou, desviando o olhar.
-Acordei indisposta e resolvi...arrumar umas fotos. É...um álbum para Felicity, com as fotos do pai – não deveria se sentir culpada pensou, olhando-o na expectativa.
-Eu posso ver as fotos? -Perguntou sério. Entendia e respeitava que ela tivesse tido uma vida depois dele, mas era difícil lembrar que outro homem ocupara seu lugar.
Ela concordou e ele sentou-se perto dela na cama. O álbum estava quase todo montado, e ela abriu desde a primeira pagina.
-Essas fotos são do curso de auror, quando nos conhecemos – ela mostrou.
Era uma seqüência de cinco fotos. A primeira mostrava uma Gina séria, ao lado de um grupo de rapazes, todos com sorrisos gigantescos. Era a primeira foto tirada em grupo, nos primeiros dias de aula. As fotos seguintes sempre mostravam jovens suados com suas varinhas nas mãos. Ele notou que ela nunca sorria nessas fotos e chamava atenção por ser um fato atípico.
Gina sempre sorria. Era seu estado natural. Observador ele notou a presença de um rapaz louro sempre ao seu lado. Ele era muito animado, deu para notar. Sorria e olhava para ela como se esperasse que ela fizesse o mesmo, mas ela olhava fixamente para a câmera.
-Nesse tempo eu não pensar em nada a não ser pegar meu diploma – ela contou notando sua atenção – Esse é Greg – ela apontou o mesmo rapaz louro que lhe chamara atenção – Ele era o mais animado do curso e me chamou para sair desde o primeiro dia. Eu só aceitei quando faltava uma semana para nos formarmos. Havia pensado muito e decidido ser mãe o quanto antes, e Greg me pareceu o pai ideal.
A ultima foto mostrava os dois de uniforme de auror, com diplomas nas mãos e abraçados. Ela ainda não sorria, mas a alegria na face do rapaz o desconcertou.
-Havíamos feito amor pela primeira vez nesse dia – ela contou, medindo sua expressão – Eu...estava um pouco triste, eu acho. Disse a ele que era por causa do curso estar acabando.... – baixou os olhos.
-Porque estava triste? -ele precisava saber.
-Porque minha vida estava seguindo outro rumo, Harry. Um rumo que me levava para longe de você e das minhas lembranças. Era bobo da minha parte, voce estava morto, e eu precisava começar a ter planos e viver minha vida, mesmo assim, doeu muito fazer isso.
-Ele...te tratou bem? – não conseguia articular a frase como deveria. Era difícil. Muito difícil!
-Quer saber se gostei de fazer amor com Greg? – perguntou docemente, entendendo que ele não pudesse olhar para ela naquele momento – As primeiras vezes eu não sei...me sentia tão culpada que não sentia muita coisa. Greg...ele estava sempre querendo! – sorriu daquela lembrança.
-É claro que ele estava sempre querendo – ele disse amargo, olhando com raiva para o rapaz sorridente.
-Harry – ela chamou, mesmo assim ele não olhou para ela. Precisava ser totalmente sincera com ele, ou não iria chegar a lugar algum naquela relação – Depois de uns meses eu passei a gostar do sexo. Não era igual, porque eu não o amava. Não havia a cumplicidade, ou o carinho, mas sim, eu tive satisfação física com ele. Nunca era eu quem procurava, Harry, mas quando acontecia eu gostava.
-Vocês faziam tudo ou...? - ainda era difícil, pensou, se perguntando porque estava se martirizando fazendo essas perguntas.
-Greg era uma amante bom, ele sempre queria fazer carinhos e me deixar feliz. Eu fiz tudo que pude, Harry, para que ele não notasse que não o amava. Fui uma boa amante. Fui uma boa esposa, nunca olhei para outro homem, cuidei da casa, e não sou adepta a trabalhos domésticos, mas fui a melhor das donas de casa – sentiu a garganta apertar por lembrar-se de como era difícil aquela época da sua vida – fiz tudo que pude para fazê-lo feliz...
-Eu sei – ele disse baixo, sentindo uma coisa muito ruim ao ouvi-la falar desse tempo – Eu só preciso digerir isso. É mais fácil pensar que nada disso aconteceu – ele folheou o álbum e olhou para as fotos com um aperto cada vez maior.
Eram fotos em família, na Toca, fotos na casa de Rony, fotos em vários lugares. Uma em especial chamou sua atenção.
Greg abraçava-a por trás, sorrindo imensamente feliz, e nessa foto, nessa única foto, a ultima onde Greg aparecia, Gina tinha um sorriso imenso na face. Vê-la feliz com ele foi pior do que tudo.
-Harry -ela disse baixo, passando a mão na foto com carinho – Nesse dia eu tive a confirmação que esperava uma bebê. – lágrimas inundaram seus olhos a essa lembrança – foi o dia mais feliz da minha vida. Contei a ele vários dias depois, eu queria curtir aquela novidade, antes de dizer a ele. Era o meu sonho se realizando....
-O que ele achou de ser pai? – ele perguntou se refazendo daquela sensação ruim.
-Greg gostou. Eu planejei, Harry. Ele não sabia que não me cuidava. Ele não tinha nem idéia! Para ser franca, acho que ele preferia esperar mais um tempo antes de ter filhos, mas eu queria tanto que não pude esperar! Levei quase quatro anos para engravidar. Foi uma tortura a espera! – foi sincera. – Harry...eu preciso saber como se sente sabendo disso tudo. Como se sente conhecendo Greg sabendo da nossa historia...
-Sinto... – ele olhou para ela com dor no olhar -...raiva. raiva por não ter estado aqui e ter vivido tudo isso com você. Raiva por ter perdido tanto tempo da minha vida longe de você! Sinto ciúmes por ele ter tocado. Ciúmes por ter te conhecido como eu conhecia. Por ter sido ele a ter a oportunidade de ter vivido ao seu lado.
Gina fechou os olhos, sentindo as lagrimas correrem em seu rosto. Era tão triste saber que seu passado podia estragar sua felicidade!
-Harry... – tentou achar algo para dizer, mas não havia nada quer pudesse ser dito.
-Gina – ele segurou sua mão, e ela o olhou emocionada demais para falar - O que sinto de ruim não vai atrapalhar o que sinto de bom. Não seria humano se não sentisse dor por ter te perdido. Não sentia verdadeiro se dissesse que não faz diferença. Porquê faz. E deve fazer! Existem diferenças entre a minha vida, há dez anos trás e a minha vida agora. Meu corpo mudou, meus pensamentos mudaram, o mesmo aconteceu com você. E com todas as pessoas que eu amava. É algo que tenho que aprender a conviver. Você teve um novo amor, e não posso culpá-la por isso, eu faria o mesmo na sua situação, e sentir ciúmes não muda o quanto te amo. O quanto podemos ser felizes. Nos três. Você, Felicity e eu. Sei separar meu ciúme de Greg da existência da sua filha. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Posso amá-la como se fosse minha basta você deixar.
-Eu quero isso tanto quanto você, Harry -ela disse contendo a vontade de chorar – Mas não consigo evitar sentir medo.
-Medo do que? -ele perguntou segurando sua mão como se sua vida dependesse disso.
-Medo de ser demais para você. Uma criança trás problemas e complicações que um homem sem filhos não tem porque agüentar! Eu não poderia ser toda sua, como espera, pois Felicity precisara muito de mim, e será assim sempre!
-Não será assim, pois eu não serei um homem sem filhos, Ginervra! -ele disse chateado, profundamente irritado com seu comportando – Estarei assumindo você e Felicity! Os problemas que ela trouxer farão parte da vida que eu escolhi! Dividir você com ela fará partir da vida que eu escolhi! Ninguém está me impondo nada! Vou tentar entender se não quiser partilhar sua vida comigo, mas por sua vontade e não por medos!
Sua veemência a fez ficar calada. Não conseguia entender como podia ser tão fácil para ele aceitar isso. Ela não aceitaria que ele tivesse um filho. Aceitaria?
-Me aceite ao seu lado, Gina, por amor, e tudo ficará bem -ele pediu cansado de tentar sempre se defender e provar que o que sentia era verdadeiro.
Emocionada ela concordou, sorrindo mais leve ao ver seus olhos brilhando de alegria. Harry beijou sua mão e ela quis mandar tudo para o inferno e fazer amor com ele ali e agora!
-Não me olhe assim – ele pediu sorrindo malicioso, - ou faço uma besteira!
-Voce foi, e sempre será o homem da minha vida, Harry. – ela confessou – o amor da minha vida.
-E você é o meu – ele disse sorrindo – agora me prometa que não pensara mais nisso? Que se for demais para mim, iremos conversar, “se” isso acontecer?
-Prometo -ela concordou sentindo pela primeira vez que isso era algo superado.

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