Andréa Pismel da Silva: é assim mesmo... eu msm tô toda atrapalhada... mas adorei saber que vc está gostando...
camila de sousa: eu tbém me acabei de rir com a torta e lo bastão... muito bom msm, né... tah ae..
**RE**: BRIGADAUM... nem sei como agradecer por ter postado... me salvou a pele... mas sabe como é, né... se der pra postar mais um no meio da semana, te mando... ashashashahsha... é como diz a minha mãe: "vc dá a mão, e qrem o braço inteiro..." mais uma vez... BRIGADAUM...
Bjus a tdas...
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Hermione abriu devagar os olhos e deu uma olhada no lugar vazio a seu lado. Aparentemente, Harry acordara cedo e logo saíra da cama. Não era usual. Ele geralmente era o primeiro a acordar e a provocá-la com beijos e carinhos. Não podia haver jeito mais gostoso de começar o dia.
A verdade, refletiu Hermione, era que naquela manhã específica ela não teria gostado tanto. Sentia-se esquisita, com a garganta e a barriga doendo por algum motivo. Esperava que não fosse nenhum problema. Soltando um suspiro, virou-se de costas na cama e quase gritou de susto ao ver um rosto enrugado curvado sobre ela.
— Kibble! — Ela agarrou as cobertas, levantando-as até o peito e arregalou os olhos para o mordomo. — O que...?
— Como está se sentindo, milady? — o mordomo a interrompeu, calmamente.
Hermione piscou os olhos. Sua mente agora estava completamente acesa e começava a funcionar. A última coisa de que se lembrava era ter se deitado para descansar no fim da tarde e agora a iluminação do quarto sugeria que ainda era início de tarde. Franzindo o cenho, ela explorou um pouco mais a mente, juntando algumas lembranças esparsas da Sra. Longbottom e Kibble segurando-a e acalmando-a enquanto vomitava.
— Eu estava doente — disse, baixinho.
— Estava — Kibble confirmou.
— O senhor e a Sra. Longbottom tomaram conta de mim.
— Assim como quase todo o pessoal da casa. Estávamos todos muito preocupados, milady.
— Nossa, o que aconteceu? Foi uma gripe forte?
— Do que a senhora se lembra? — o mordomo perguntou em vez de responder.
Hermione mordeu o lábio e procurou lembrar.
— Vim para o meu quarto para escapar de Lyd... digo, para ter um pouco de privacidade. — Embora a madrasta fosse um pesadelo, não gostava de falar mal dela com os criados.
Ficava muito contente que seu pai e seu marido se dessem tão bem; havia ficado feliz que tivessem saído para cavalgarem juntos. Infelizmente, Lydia ficara para atormentá-la com comentários maldosos sobre a provação que o leito nupcial significava e sobre como ela deveria estar horrorizada ao ver mais de perto o rosto do marido... se é que ele havia consentido que usasse óculos novamente. Seria melhor que permanecesse cega, a madrasta completara.
Controlando-se e não revelando que já tinha óculos, na primeira oportunidade Hermione fugira para o quarto para ler um pouco. Havia, como de costume, bloqueado as duas portas e recostara-se para ler.
Não comentou com Kibble, porém, nada sobre a leitura. Seus óculos continuavam sendo um segredo.
— Vim descansar um pouco no quarto — disse Hermione — e havia uma fatia de torta em minha mesa de cabeceira.
— Não foi a senhora quem a trouxe?
— Não, Kibble. Achei que Frederick a tivesse deixado para mim. Ele parece estar sempre me seguindo e fica me dando pequenas guloseimas. Embora não estivesse com fome, dei uma ou duas mordidas, para que ele não ficasse sentido.
— Graças a Deus, a senhora não estava com fome.
— Por quê?
— Nada, nada. Acabe de me contar o que aconteceu, por favor.
Hermione pensou em insistir para que ele explicasse seu comentário, mas desistiu. No momento oportuno ficaria sabendo.
— Foi só isso. Dei umas mordidas e, como meu estômago começou a doer um pouco, resolvi dormir. Uma boa cochilada às vezes resolve tudo.
Kibble ficou em silêncio por um momento, depois levantou alguma coisa. Hermione não conseguiu identificar de imediato, mas ele aproximou os óculos bem perto do nariz dela.
— Estavam entre as cobertas quando eu a levantei um pouco. Também encontrei um livro da biblioteca.
Hermione mordeu o lábio, sentindo-se desconcertada sob o olhar dele. Não que houvesse qualquer expressão de acusação ou de raiva no rosto do mordomo ao tecer o comentário.
— Era por isso então que a senhora estava bloqueando as portas. Lorde Gryffindor não sabe dos óculos.
Embora não fosse uma pergunta, Hermione respondeu:
— Não, ele não sabe...
— Há quanto tempo já os tem?
— Desde a véspera de meu casamento.
— Desconfiava disso toda vez que a via escapar para o quarto. Não fazia sentido para mim que a senhora tivesse seu próprio dinheiro e não o usasse para comprar seus óculos.
— Na verdade, não tive como obtê-lo. Lydia estava sempre comigo. Mas dei um jeito de ir até a ótica no dia em que lady Gryffindor e eu fomos provar nossos vestidos.
— Por que não contou a Harry?
Hermione notou a falta do devido título quando Kibble se referiu ao marido, mas sabia que os dois tinham um relacionamento especial, quase de pai e filho, por isso não se surpreendeu. Ela não estava nada propensa a responder.
— É porque o viu e o achou muito repulsivo? Prefere não ter de olhar para seu marido?
Uma vez mais não havia qualquer censura ou juízo de valor no tom de voz do mordomo, mas Hermione sentiu-se horrorizada à mera sugestão que fazia.
— Não, claro que não. Harry é lindo. Pouco importa a cicatriz que tem no rosto. Ele tem os olhos castanhos mais lindos que já vi, lábios muito doces e...
Dando-se conta do que estava dizendo, Hermione parou, sentindo o rubor subir-lhe ao rosto.
— A senhora o ama — completou Kibble, visivelmente satisfeito.
— Sim, creio que sim — ela admitiu, acanhada.
Já de óculos, Hermione viu o largo sorriso que havia transformado o rosto do mordomo. Era óbvio que ele também amava Harry e estava feliz de saber o quanto era amado pela esposa.
Os dois trocaram sorrisos e então Kibble perguntou:
— Mas por que a senhora está escondendo os óculos dele?
Ao ver que Hermione evitava seu olhar, ele insistiu:
— É por causa dele?
— É — ela confirmou, embora na verdade fosse por causa dos dois. Hermione não queria que Harry a visse com aqueles óculos horrorosos. Mas também não desejava perder o pouco de afeição que ele já lhe tinha, caso a achasse feia de óculos.
— Mas a senhora não entende que ele ficaria mais tocado se soubesse que pode vê-lo e o ama do que pensar que não tem idéia de qual seja a aparência dele?
Hermione dirigiu um olhar confuso para o mordomo.
— Como?
Kibble reformulou o que havia dito:
— A senhora não está escondendo os óculos para que ele não se sinta desconfortável sob o seu olhar?
— Ele sentir-se desconfortável por causa do meu olhar? — ela perguntou, incrédula. — Não. Por que aconteceria isso? Eu o amo pelo que ele é. Ele é bonito, inteligente, doce...
— Mas então por que não usa os óculos e diz isso a ele?
Hermione achou que Kibble estava com o raciocínio meio lento, dada a dificuldade que demonstrava para entender. Com pena dele, ela confessou:
— Porque fico feia de óculos.
Kibble fez uma expressão de espanto, e ela resolveu esclarecer melhor.
— Lydia sempre disse que eu ficava feia com os óculos e, quando lady Gryffindor soube que meu par de óculos extra havia se quebrado, ela comentou que Harry ficaria aliviado. Fiquei preocupada que ele não me achasse nada atraente.
Kibble inclinou o corpo para trás, como se tivesse levado um golpe. Ele a encarou perplexo.
— É por isso que a senhora não está usando os óculos?
— É — Hermione confirmou, sentindo-se infeliz para, em seguida, surpreender-se com a gargalhada do mordomo.
— O que há de tão engraçado?
— Oh, milady, se ao menos a senhora soubesse — ele conseguiu dizer entre risadas. — Os dois são preciosos demais. Estão tão apaixonados e temerosos de rejeição um do outro.
Hermione olhou séria para o mordomo, não gostando nada de vê-lo divertir-se com o assunto.
— Oh, querida.
Hermione voltou-se para a porta e viu lady Gryffindor entrando com uma expressão exasperada no rosto. Sacudindo a cabeça ela caminhou pelo quarto até eles.
— Me perdoem, mas eu estava do outro lado da porta e não pude deixar de ouvir. Hermione, temo que você me entendeu mal.
— Lady Gryffindor! Quando chegou?
— Há mais ou menos uma hora, querida. Resolvi ver como você e meu filho estão se dando. Deveria ter chegado ontem à noite, mas quebrou uma das rodas da carruagem e tivemos de passar a noite em uma estalagem para que fosse consertada.
Aboletando-se em um lado vazio da cama, ela deu um tapinha na mão de Hermione.
— Se soubesse que você estava sofrendo, daria um jeito de alugar outra carruagem e chegar mais depressa até aqui.
— Não haveria necessidade. Estou bem — disse Hermione, tocada pelas palavras da sogra.
— Não, minha querida, é óbvio que você não está bem — contradisse-a lady Gryffindor. — Você está sofrendo por causa de um mal-entendido.
Hermione levantou as sobrancelhas.
— Que mal-entendido, milady?
Lady Gryffindor abriu a boca para dizer alguma coisa, mas hesitou. Quando finalmente falou, Hermione podia assegurar-se que não se tratava do que originalmente intencionava dizer.
— Ficaria muito contente se você me chamasse de mãe, Hermione. Sempre quis ter uma filha, mas, depois de Harry, não pude ter mais filhos. Dessa forma, também o vazio deixado para você com a morte de sua mãe seria preenchido. Entendo que Lydia... Bem, como ela nunca teve os próprios filhos, talvez não seja a pessoa mais indicada para esse papel.
Sorrindo, Hermione apertou a mão da sogra que segurava a dela e cochichou emocionada:
— Obrigada... mãe.
Lady Gryffindor mostrou-se radiante, embora seus olhos estivessem marejados de lágrimas.
Antes que as duas pudessem comentar qualquer outra coisa, Kibble pigarreou. Assim que captou a atenção delas, ele sugeriu:
— Talvez a senhora possa explicar esse mal-entendido, lady Gryffindor, para que lady Hermione de fato entenda, e não fique sofrendo pelo que não entendeu.
— Sim, claro. — Ela suspirou e, apertando a mão de Hermione, disse: — Minha querida menina, quando eu disse que Harry ficaria aliviado ao saber que seus óculos estavam quebrados, não foi porque ele não gostaria dos óculos, ou acharia você menos atraente com eles. Foi porque ele teme que, se você enxergar bem, talvez não se sinta mais atraída por ele.
— Nossa, como Harry pode pensar uma coisas dessas? — Hermione surpreendeu-se.
— Por causa da cicatriz, querida — lady Gryffindor respondeu com delicadeza.
— Imagine — Hermione murmurou, balançando a cabeça como quem acha um absurdo o que ouviu. — Ele é belo, mesmo com a cicatriz. Pelo amor de Deus, sem ela até doeria olhar para ele de tão lindo.
— Realmente, ele era lindo como um deus grego, lindo como um anjo. E ainda é, em minha opinião. — Lady Gryffindor suspirou. — Mas as jovens da cidade exigem perfeição em tudo e olham para ele como se fosse um anjo caído.
Hermione percebeu que a sogra havia sofrido pela maneira como o filho havia sido tratado depois do ferimento.
— Naturalmente, no princípio o ferimento era muito pior. As feições dele ficaram completamente diferentes. O rosto ficou muito inchado e dolorido. Mas ele freqüentou a corte mesmo assim. Pobre do meu filho, muitas jovens, achando-se muito delicadas e finas, chegaram a desmaiar ao vê-lo. — Com o semblante agora anuviado, ela desabafou: — Começou com a jovem Louise Frampton. Ela teve uma queda por Harry durante anos e ficou, de fato, muito aborrecida ao desmaiar quando viu o que havia acontecido na batalha. Ninguém a tinha prevenido e foi um choque para ela. Além disso — lady Gryffindor acrescentou, — Louise estava um pouquinho obesa e, quando soube que Harry havia voltado, pediu à criada que apertasse bem seu espartilho. A pobre menina se sentiu uma idiota depois de desmaiar e ficou pior ainda quando soube que outras jovens começaram a fazer o mesmo ao vê-lo, para provar que eram tão delicadas quanto ela.
— Pobre Harry — Hermione murmurou.
Lady Gryffindor assentiu com a cabeça e, com a fisionomia triste, acrescentou:
— Sei que alguma coisa também aconteceu com Lady Chang, embora não saiba o quê, mas tudo isso contribuiu para que quisesse fugir de Londres. Ele imediatamente arrumou as malas, veio para Gryffindor e ficou por aqui.
Era mesmo notório que lady Gryffindor havia sofrido muito, pensou Hermione.
— Não sei quantas vezes eu e Ginny o visitamos depois disso e repetimos que a cicatriz estava muito melhor e que ele devia voltar ao convívio da sociedade. Harry não nos dava ouvidos. Finalmente, eu resolvi ser mais dura com ele, pois, do contrário, ele ficaria por aqui para sempre e nunca retornaria. Me tornei até impertinente.
Hermione mordeu o lábio para conter o sorriso que queria brincar em seus lábios. Lady Gryffindor fez o comentário com um estremecimento de horror que evidenciava como ela se sentia quanto a “ser impertinente”.
— E eu fui firme até que ele finalmente cedeu e volto a freqüentar a corte este ano.
— E eu só posso lhe agradecer por isso. De outro modo, eu nunca o teria conhecido.
Lady Gryffindor sorriu.
— É verdade. Se eu não o amolasse tanto para ir a Londres este ano, vocês dois não teriam se conhecido.
Hermione sentiu um arrepio. Nunca tê-lo conhecido; nunca ter dançado com ele; nunca tê-lo beijado, nunca... Nossa, ela poderia estar casada com Dursley naquela hora e provavelmente pronta para se atirar de um penhasco também. Ficava enojada só de pensar na mera possibilidade daquele velho enrugado tocá-la da maneira como Harry a tocava. Deus do Céu.
— Hermione — lady Gryffindor propôs, — deixe-me fazer mais uma coisa por você. Deixe Harry ver que você tem os óculos. Ele precisa saber que você consegue enxergá-lo e o ama do jeito que ele é. E você precisa ver que ele a amará com ou sem óculos.
A mãe de Harry deu mais um tapinha na mão de Hermione, depois se levantou.
— Agora devo ir para o meu quarto. E vamos manter esta visitinha só entre nós. Imagino que meu filho não ficaria muito contente de eu tê-la visto e conversado com você antes dele. Pelo que soube, ele ficou a noite toda preocupado, andando de um lado para o outro do salão.
O olhar de Hermione voou para o mordomo diante dessa notícia.
A expressão de Kibble mudou, forçando um sorriso.
— Não deixei o conde ficar aqui enquanto eu cuidava da senhora, lady Hermione. Ele, naturalmente, não queria sair, mas ficava questionando e se intrometendo em tudo o que eu fazia ou pedia. Tive que ser firme.
Hermione surpreendeu-se ao saber que havia alguém que conseguia que Harry fizesse alguma coisa que não queria fazer.
— Entretanto — Kibble prosseguiu, — prometi ir buscá-lo assim que houvesse qualquer mudança em seu estado. Vou procurá-lo agora, mas primeiro quero lhe dizer que lady Gryffindor está certa. A senhora deve realmente dizer a ele que já viu o rosto dele e o ama como ele é. Harry se preocupa tanto com a aparência dele, como a senhora com a sua de óculos.
Kibble acompanhou lady Gryffindor, deixando Hermione sentada sozinha, com um dilema. Seria verdade? Será que ela havia se privado dos óculos sem necessidade? Hermione pensou e repensou a respeito. Até então o fato de que Harry não havia demonstrado nenhuma intenção de que ela comprasse óculos novos a fizera pensar que ele não gostaria de vê-la de óculos. Sua sogra e Kibble, porém, haviam lhe mostrado um outro lado da questão. Talvez o marido realmente temesse que ela não o achasse mais atraente depois de ver bem sua cicatriz.
A mera idéia fez com que ela balançasse a cabeça. Com ou sem cicatriz, Harry era o homem mais charmoso da cidade. Era difícil de acreditar que ele não entendesse isso. Ele parecia tão confiante o tempo todo.
Os pensamentos de Hermione foram interrompidos quando a porta do quarto foi aberta. Já se tornara um hábito tirar os óculos e escondê-los sob o travesseiro.
— Hermione.
Ela imediatamente reconheceu a voz do marido que entrou e atravessou o quarto, visivelmente abatido de preocupação. Logo atrás dele, entrou um segundo e depois um terceiro homem. O segundo certamente era seu pai, pensou, mas não tinha idéia de quem pudesse ser o terceiro.
Harry sentou-se ao lado dela na cama e a abraçou.
— Graças a Deus você está bem — disse baixinho, aninhando-a junto ao peito e acarinhando o cabelo dela. — Ficamos doentes de preocupação.
— Ficamos mesmo — o pai confirmou, acariciando-lhe as costas. — Permanecemos a noite toda na expectativa de que você acordasse.
— Me perdoem por ter causado tanta preocupação. — Hermione abraçou o marido com uma das mãos e com a outra apertou a mão do pai.
— Você não teve culpa alguma — os dois falaram ao mesmo tempo e todos riram.
Harry então afastou-se de Hermione e a fitou comovido. Ele estava tão perto que ela pôde ver as linhas de preocupação em volta de seus olhos avermelhados pela falta de sono.
— Ficamos sabendo que você sobreviveria por voltada meia-noite, mas Kibble não podia dizer se você recuperaria todas as suas faculdades ou ficaria com alguma seqüela.
Hermione esboçou um sorriso.
— Acho que minhas faculdades estão em ordem.
Harry riu e a beijou carinhosamente no nariz.
— Estamos satisfeitos que a senhora esteja bem — disse o terceiro homem.
Hermione pensou ter reconhecido a voz, mas não conseguiu no primeiro momento lembrar de quem era.
— Você acha que pode nos contar o que aconteceu? — o homem acrescentou, e ela arregalou os olhos.
— Sr. Hadley! — exclamou surpresa quando o nome dele repentinamente lhe veio à mente. — O que está fazendo aqui?
— Eu o chamei — Harry explicou. — Faz uma hora que ele chegou. Você acha que pode responder à pergunta dele?
— Claro, estou bem — ela assegurou, apertando o braço do marido.
Sem entender direito o que o Sr. Hadley fazia ali, Hermione resolveu responder a pergunta dele porque os três homens estavam aguardando de maneira impaciente. Depois faria suas próprias perguntas.
Hermione então repetiu rapidamente tudo o que havia dito a Kibble: o fato de desejar um pouco de privacidade e ter ido para o quarto, de ter comido um pedacinho de torta e ter sentido dor de estômago, e ter dormido.
O quarto permaneceu por um momento em silêncio, que foi quebrado por Harry ao comentar:
— Kibble comentou que ter comido só um pequeno pedaço da torta foi o que a salvou.
— Que bom que eu não estava com fome — ela brincou.
— Você poderia ter morrido — o pai falou aparentemente aborrecido por ela não estar levando o caso muito a sério.
— Esse era, sem dúvida, o plano — Hadley assegurou,
— Kibble não acredita que o veneno fosse suficiente para matá-la — disse Harry, amenizando a situação. — Segundo ele, mesmo que tivesse comido o pedaço inteiro, seu estado seria só um pouco pior.
— Tinha veneno na torta? — Hermione assustou-se. — Vocês estão me dizendo que tentaram me envenenar?
Os três homens entreolharam-se e mantiveram-se novamente calados por alguns instantes. Finalmente, dando um suspiro, Harry perguntou:
— Hermione, já lhe perguntei isso antes: você tem certeza de que não há ninguém querendo prejudicá-la?
Sim, ela se lembrava de ele ter perguntado se ela teria inimigos. A pergunta surgira tão naturalmente na conversação depois de terem feito amor que ela não dera maior importância. Entendia agora que ele já estava preocupado que alguém quisesse lhe fazer algum mal. Mas por quê?
— Não, claro que não. Por que haveria de ter? Nunca fiz mal a ninguém em toda a minha vida. Talvez estivessem tentando envenenar você e eu comi por engano.
— Envenenar a mim. Por que alguém iria querer me matar?
— Bem, milorde, por que acha que tentariam me matar? — Hermione rebateu um pouco irritada.
— Bem, algum motivo deve haver. Eu nem estava em casa. Não sou eu que descanso à tarde e, principalmente, porque a torta estava em seu quarto.
Hermione sorriu sem-graça diante da lógica do marido e então comentou:
— Então já faz algum tempo que você está desconfiado disso. O que o faz pensar assim?
— Hermione, você sofreu inúmeros acidentes depois que chegou a Londres.
— Ora, todos foram por causa da falta de meus óculos — ela argumentou de pronto.
Hermione teve a impressão de que Harry não concordava com sua justificativa, mas ele não contestou. Na realidade, não disse uma palavra. E antes que Hermione pudesse dizer qualquer coisa, Harry a beijou na testa e se levantou.
— Preciso trocar uma palavra com Hadley. Volto logo.
Os dois homens deixaram o quarto, e o pai tomou o lugar no lado da cama onde Harry estava sentado. Sua atenção, porém, estava voltada para o outro lado da porta; tentava ouvir a conversa que os homens estavam tendo ali.
Conhecendo o pai, Hermione sabia que a vontade dele era participar daquela conversa, qualquer que fosse, mas estava relutante de abandoná-la. Ela então tratou de liberá-lo.
— Pode ir, papai, vá se juntar a eles. Quero mesmo me levantar. Talvez o senhor possa pedir para minha criada subir e providenciar um banho.
— Sim, sim, querida. — Lorde Granger imediatamente escapou, aliviado.
Hermione percebeu que houve uma pequena pausa na conversa quando ele se aproximou. Logo o assunto foi retomado, mas o som das vozes foi se tornando mais distante à medida que os três foram se afastando do hall.
Balançando a cabeça, ela sentou-se na cama, com os pé para fora. Havia tirado o vestido e colocado um penhoar antes que lhe ocorresse que não tinha nada para ler no banho. Tudo o que desejava era um bom banho depois do que havia acontecido, mas também queria um livro para se distrair e aprender enquanto estava na banheira.
Após alguma hesitação, Hermione se encaminhou para a porta do quarto. Com sorte, atravessaria o hall sem ser vista e daria uma escapadela até a biblioteca para pegar um livro. Sabia que tinha muito em que pensar, mas não seria naquele momento. Depois que tivesse relaxado no banho, estaria em melhores condições de refletir sobre os temores do marido e sobre tudo o que lady Gryffindor e Kibble lhe haviam dito.
— Não consigo entender — disse lorde Granger, seguindo Harry até o escritório. — Você está dizendo que há algum tempo sabe que estão tentando matar Hermione e não me disse uma palavra a respeito? Ou a ela?
Harry deu a volta na escrivaninha e deixou-se cair na poltrona. Tinha o cenho franzido. Dito daquela maneira, parecia estranho mesmo.
— O conde não queria preocupá-lo, nem aborrecer sua filha, lorde Granger — justificou-o Hadley uma vez que Harry manteve-se em silêncio. — Ele considerou que lady Hermione já estava sob bastante estresse com os preparativos para o casamento e se empenhou de que ela fosse bem vigiada.
— Evidentemente não foi tão bem assim — retorquiu lorde Granger, voltando-se para Harry: — Embora até entenda seu desejo de proteger Hermione, não há desculpa para não ter me contado. Eu deveria ter sabido.
— É verdade, deveria — Harry admitiu com um suspiro, passando a mão pelos cabelos. Havia conseguido estragar tudo. Mais uma vez. — Peço desculpas. Parece que estou sempre fazendo a coisa errada no que diz respeito a Hermione. Receio que minhas faculdades não funcionem direito quando ela está envolvida.
Ouvir o genro admitir que errara fez com que a raiva que lorde Granger sentia esmorecesse. Ele relaxou um pouco e sentou-se em uma das poltronas na frente de Harry.
— Você citou vários acidentes com minha filha, mas Lydia não mencionou nenhum deles nas cartas que me enviou. Por favor, me conte em detalhes. Que diabo está acontecendo com minha filha?
Harry inclinou-se para a frente, pousou os braços no tampo da escrivaninha e começou a explicar tudo o que havia acontecido desde que conhecera Hermione, inclusive o que ela lhe contara que havia acontecido antes de se conhecerem.
Hadley dirigiu-se à mesa que ficava ao lado da parede oposta e serviu três copos de brandy. Depois de levar um copo para cada um, foi buscar o seu e sentou-se na outra poltrona, mantendo-se calado enquanto Harry colocava sogro a par sobre tudo o que havia acontecido.
— Bom Deus — lorde Granger murmurou quando Harry terminou de contar. — Quem pode estar por trás disso tudo?
— Não sei — disse Harry, com ar preocupado. — Hermione está convencida de que foram meros acidentes, mas...
— Não foram — John Granger afirmou, balançando a cabeça. — Se não tivesse ocorrido o incidente na fonte, talvez até pudéssemos pensar... O bilhete que foi forjado como se fosse enviado por você não deixa dúvidas de que foi algo planejado.
Harry concordou com a cabeça.
— O que vamos fazer agora, filho?
Harry soltou um suspiro profundo e olhou para Hadley. Como ele tivesse chegado no exato momento em que Kibble descera para avisar que Hermione havia acordado, Harry só pôde lhe dar uma rápida explicação sobre o ocorrido e os dois subiram rapidamente. Não tivera tempo de contar ao sogro a razão da presença dele ali.
— Eu contratei o Sr. Hadley, lorde Granger. Ele me ajudou em várias situações no passado, e eu espero que ele possa nos ser útil agora — Harry explicou. Depois, dirigindo-se ao outro homem, perguntou: — Pedi que viesse porque entendo que tem notícias para mim.
— Tenho, sim — confirmou Hadley, — mas temo que não serão do seu agrado.
Harry franziu a testa. Recostando-se novamente na poltrona, ele fez um gesto para que o homem continuasse.
— Investiguei cada incidente e fiz buscas em todos os lugares que me passaram pela cabeça, milorde. Há muito lobo disfarçado de cordeiro, milorde, então julguei que entre eles descobriria quem está causando todos esses acidentes.
— E?... — Harry impacientou-se.
— E todas as pistas não levaram a nada — admitiu Hadley. — Não há nada no passado de sua esposa que faria com que alguém pudesse desejar prejudicá-la.
— E Lydia? — Harry perguntou, lançando um olhar constrangido ao sogro.
— Pois é... — Foi a vez de Hadley olhar para lorde Granger, meio intimidado. — Ela parece não gostar muito de lady Hermione, mas não creio que chegaria a ponto tentar assassiná-la. Posso ficar de olho nela, se quiser, mas...
— Eu ficarei de olho em minha esposa — disse lorde Granger, decidido. — E, se ela estiver por trás disso, eu mesmo torço o pescoço dela.
Harry olhou para o sogro com simpatia e então perguntou a Hadley:
— E aquela história com o capitão?
— Com o capitão Malfoy? — Hadley endireitou o corpo na poltrona. — Também investiguei, afinal foi o único episódio na vida de lady Hermione que poderia ter lhe criado um inimigo. Entretanto, o homem morreu enquanto cumpria pena na prisão, assim não pode ser o culpado. E, pelas minhas investigações naquela região, fiquei sabendo que a única família que ele tinha era a mãe e uma irmã. A mãe teve um ataque cardíaco e morreu na primeira vez em que ele foi preso; e a irmã, pouco depois em um incêndio, na casa em que alugava um quarto.
— Que história — Harry comentou. — Mas nada do que você nos disse ajuda. Alguém está tentando matar minha mulher, mas até agora não apareceu ninguém que aparentemente tentasse fazê-lo.
— Não é bem assim. Eu não disse que não encontrei nenhum possível culpado, só que o senhor não vai gostar nada de saber o que eu descobri.
Harry fez uma expressão surpresa, comprimindo os lábios.
— Vamos, diga.
— Bem, como eu disse, investiguei não somente as possibilidades que o senhor sugeriu, mas algumas outras também. Pela minha experiência, milorde, a motivação da maioria dos assassinatos geralmente é a ganância. Por isso imaginei que essa poderia ser a do nosso caso aqui... e estava certo.
— Por que alguém mataria Hermione por ganância? A única pessoa que se beneficiaria nesse momento seria eu. Pelo que sei, sou o único herdeiro dela... — Ele piscou algumas vezes. — Você não está sugerindo que...
— Não, não, claro que não — Hadley o interrompeu prontamente. — O senhor dificilmente me contrataria se tivesse intenção de matá-la. Bom Deus, todos estavam encarando tudo como meros acidentes. O senhor foi o único que desconfiou e se preocupou com ela. — Então quem, homem? — lorde Granger intercedeu impaciente. — Quem foi o objeto de suas investigações?
— Lorde Weasley.
Harry franziu o cenho. Não deveria ter ouvido bem.
— Quem?
— Lorde Weasley — Hadley repetiu, com convicção.
— Ronald? O que o faz pensar que meu primo poderia querer fazer mal a Hermione?
— Atualmente ele é o seu herdeiro — Hadley argumentou.
— Não é, não. Hermione é minha herdeira desde que nos casamos — Harry o corrigiu.
— Se estiver viva — Hadley concordou. — Ele me parece ser o único com um provável motivo.
— Motivo que o levaria à forca. Não pode ser ele. Primeiro, porque os acidentes já estavam acontecendo antes eu ter conhecido Hermione. E ele não teria motivo algum antes disso. Depois, Ronald é meu amigo, além de meu primo. Ele me ajudou no namoro com Hermione. Além disso, por que ele teria interesse em minha herança, se ele está tão bem de vida quanto eu?
Lorde Granger assentia com a cabeça a cada ponto que Harry levantava.
Hadley simplesmente sacudiu a cabeça.
— E se aqueles primeiros acidentes fossem apenas isso? Acidentes. O incidente com a carruagem e a queda das escadas, por exemplo. Não temos nada que prove que não tenham sido. Ele pode ter se aproveitado dessas histórias para provocar o incêndio e o acidente na fonte.
A explicação era plausível, mas Harry não queria nem considerar essa possibilidade.
— Por que então ele não tentou me matar?
— Se o matasse primeiro, Hermione seria sua herdeira. Se a matasse primeiro e depois o senhor, o herdeiro seria ele.
Harry sacudiu a cabeça.
— Ele é rico, não precisa do meu dinheiro.
— Ah, essa é a novidade que fiquei sabendo. Parece que lorde Weasley já não está tão bem de vida como ele gosta de aparentar. Na realidade, está praticamente falido. Os credores vão solicitar sua prisão por dívidas não pagas se ele não tomar alguma providência logo. Entretanto, se sua esposa e o senhor vierem a morrer de maneira inesperada, todos os problemas financeiros dele estarão resolvidos.
Harry foi pego de surpresa e ficou abatido com a notícia, mas ainda assim abriu a boca para protestar. Foi impedido por Hadley que levantou a mão.
— Ele também aproveitou as oportunidades. Quando o incêndio e o incidente na fonte ocorreram, ele estava exatamente lá, não em Londres, mas na residência dos Granger.
Harry relaxou.
— Mas ele não está aqui, portanto não poderia ter envenenado Hermione. — Ele sacudiu a cabeça, de maneira convicta. — Não pode ter sido Weasley.
— Receio que ele esteja aqui — Hadley contra-argumentou.
Harry levantou-se da poltrona.
— Como assim?
— Quando o senhor retornou ao campo, Weasley também retornou. Ele está hospedado na propriedade vizinha, Wyndham, desde o dia seguinte à sua chegada. Ou seja, ele está a apenas trinta minutos daqui. Segundo o que andei investigando, ele passa a maior parte do tempo fora, de dia e às vezes à noite, “caçando”.
Harry deixou-se cair sentado novamente, emitindo um urro. Estava visivelmente transtornado com as notícias, ficando com as feições absolutamente pálidas.
Hadley o encarou com pena.
— Acho que temos o culpado, milorde. Aposto minha vida nisso.
— Você está apostando a vida de Hermione, isso sim — lorde Granger interveio preocupado.
Harry balançou a cabeça, tentando absorver a notícia. Ronald e ele haviam sido íntimos como irmãos e, embora tivessem se afastado por dez anos, aparentemente haviam retomado a amizade do ponto exato em que havia parado. Harry contara com a ajuda dele para namorar com Hermione; escutara seus conselhos e aceitara seu apoio. Não poderia ser ele.
— Sei que é difícil de aceitar, milorde — disse Hadley solidário. — Sei que foram muito chegados. Mas isso se deu há mais de dez anos. Quase doze. O senhor foi para a guerra aos vinte anos e voltou ferido aos vinte e dois. Doze anos é muito tempo. As pessoas mudam. As afeições mudam. As circunstâncias mudam. As prioridades mudam. — Depois de uma pausa, ele completou: — Creio que seu primo mudou.
Harry não conseguia acreditar.
— Não, eu conheço Ronald. Não é ele quem está por trás disso tudo. Ele jamais faria algum mal a Hermione ou a mim. Estivemos realmente separados por um tempo, mas nossa amizade permaneceu intacta.
A expressão de Hadley não deixava dúvida.
— Seu primo é um velhaco, milorde. Ele fez mais do que arruinar algumas donzelas virtuosas. Pelo que ouvi, ele nunca teve muito bons sentimentos.
Harry descartou o argumento.
— Isso não passa de boatos e mexericos. Ronald nunca arruinou ninguém. Ele foi para a cama só com mulheres experientes. As poucas que se diziam “donzelas virtuosas” estavam tentando ser pegas sozinhas em um quarto com ele para chantageá-lo. Achavam que uma ameaça de escândalo faria com que ele se casasse com elas. Infelizmente para elas, Ronald não viu razão para estragar a própria vida por causa de uma interesseira caçadora de dotes.
— Devo dizer que concordo com Harry — aparteou John Granger de repente. — Matar Hermione parece uma coisa extrema demais. Não seria mais fácil tentar afastá-los de início? Fazer com que Harry se voltasse contra Hermione, ou ela contra ele? Parece que... — As palavras do sogro morreram ao ver que a expressão do rosto de Harry mudou. Ele então perguntou rispidamente: — Ele fez isso? Ele tentou voltar vocês um contra o outro?
— Sim. Não. Não sei — Harry franziu a testa. — Ronald tentou, sim, me prevenir contra Hermione no baile em que a vi pela primeira vez. Ele me contou que ela era desastrada, me falou de alguns incidentes e que eu estaria arriscando a vida, se saísse com ela. Mas depois me ajudou a vê-la algumas vezes, inclusive tentou contribuir para que ela me encontrasse na fonte.
Os três homens mantiveram-se em silêncio por alguns minutos. Hadley então se levantou.
— Bem, vou continuar investigando o assunto, milorde. Mas vou investigar por aqui, uma vez que foi aqui que aconteceu o envenenamento. Creio que não há mais nada que eu possa descobrir na cidade. Entretanto — ele acrescentou, pensativo, — acho mesmo que foi Weasley. Ele estava lá e aqui. E, como ele sabia sobre vocês dois, pode ter escrito e assinado o bilhete e, muito sabidamente, imaginou que lady Hermione correria a seu encontro.
— E quanto a Dursley? — Harry perguntou. — Ele também sabia sobre nós.
Hadley negou com a cabeça.
— Dursley está muito feliz, perseguindo mulheres casadas em Londres. Ele não poderia ter envenenado a torta. Agora preciso me concentrar em gente que antes estava em Londres e agora está aqui. Isto é, se o senhor ainda quer que eu continue com as investigações.
— Sim, é claro que quero. Pedi a Kibble que providenciasse um quarto para você quando ele veio me avisar que Hermione estava acordada.
Hadley agradeceu e deixou o escritório.
Lorde Granger e Harry ficaram calados por vários minutos, cada um perdido nos próprios pensamentos. Finalmente, o pai de Hermione quebrou o silêncio.
— Ele está certo em uma coisa.
Aliviado que seus pensamentos sombrios fossem interrompidos, Harry dirigiu um olhar ao sogro.
— Em quê?
— O assassino é alguém que estava em Londres e agora está aqui.
Harry concordou.
— Vamos fazer uma relação? — propôs o pai de Hermione.
Harry deu um suspiro profundo.
— Ronald estaria nela, é claro.
— E Lydia também — disse John Granger. — Além de estar tanto lá como aqui, foi ela quem tirou os óculos de Hermione, tornando-a suscetível a acidentes.
— O senhor sabia? — Harry perguntou, surpreso.
Hermione lhe havia dito que Lydia a acusara de tê-los quebrado.
— Lydia afirmou que Hermione os havia quebrado, e minha filha ficou quieta, mas há muito sei que Lydia não gosta de Hermione e tenho servidores bastante leais que me mantêm informado do que acontece.
Harry não se surpreendeu com a resposta, pois sabia que o pai de Hermione era um homem inteligente. Soltando um suspiro, ele comentou:
— Creio que devamos acrescentar os nomes dos criados à nossa lista. Ambos Joan e Dobby estavam em Londres e aqui.
— Dobby não é seu criado pessoal?
— Como eu, ele tampouco fazia parte da vida de Hermione, mas se só os primeiros acidentes foram...
— Infelizmente acho que nenhum criado teria motivo. Lydia tem, porque odeia Hermione.
— E Ronald precisa do dinheiro, se é que Hadley está certo.
— Você desconfia dele? — Granger perguntou.
— Não. Ele é um homem muito íntegro.
Granger levantou-se da poltrona.
— Acho que preciso ter uma conversa com minha esposa.
Harry observou a porta se fechar atrás do pai de Hermione e então se voltou para a janela e deixou que seu olhar vagasse para as colinas e campos verdejantes de sua propriedade. Sua mente estava em um turbilhão. Achava difícil acreditar que Ronald pudesse prejudicar alguém.
Seus pensamentos foram interrompidos ao sentir um movimento na porta que ligava seu escritório à biblioteca. Ele girou a poltrona e deu com Hermione parada junto à porta aberta. Bastou olhar para o rosto da esposa para saber que ela ouvira toda a conversa.
— O que você ouviu? — Harry perguntou, levantando-se e dando a volta na escrivaninha para se aproximar esposa.
— Acho que quase tudo — ela admitiu. — Desci até a biblioteca para trazer um livro pouco depois que meu pai saiu do quarto. Não tive a intenção de ouvir, mas a porta do escritório estava meio aberta e acabei ouvindo tudo.
— Não posso acreditar que Ronald faria uma maldade comigo — ela disse quando Harry parou junto dela e a pegou pela cintura.
Ele deu um suspiro e a puxou para junto do próprio corpo. Abaixou então a cabeça, e pousou o rosto no alto da cabeça dela.
— Eu também não acredito.
— Mas por quê é o que me pergunto? — ela comentou ar triste, e Harry a abraçou um pouco mais, com pena de que ela tivesse ficado sabendo.
— Não sei, Hermione. Mas vou descobrir — ele lhe assegurou, afastando-a para olhá-la de frente. — Enquanto isso, você não deve sair da cama.
— Não estou cansada e me sinto bem.
— Hermione, eu quase a perdi ontem à noite. Quero que você fique na cama pelo menos mais um dia para se recuperar — ele recomendou com firmeza. Quando a esposa ia abrir a boca para protestar, ele acrescentou em tom de súplica. — Se não o fizer por você, faça-o por mim. Juro que quase enlouqueci quando a vi tão pálida e imóvel. Não quero perder você.
Harry estava próximo o bastante para que Hermione pudesse ver as linhas de preocupação em volta dos olhos dele. Ela sentiu um aperto no peito. Talvez o marido já se importasse mesmo com ela. Talvez nem se importaria muito que ela usasse óculos. Talvez a desejasse mesmo assim. Mas esse era um assunto que teria de considerar em um outro momento.
Hermione calou a boca e o abraçou apertado, piscando para remover as lágrimas que embaçavam ainda mais sua visão.
— Hum, como é bom abraçá-la. Tive medo de nunca mais tê-la assim juntinho de mim.
Hermione esfregou o rosto no peito dele, achando uma delícia sentir as mãos fortes deslizarem por suas costas sobre a seda de seu penhoar. Era uma carícia delicada e sem segundas intenções.
Harry pareceu nem notar o que fazia quando, movimentando-se, as mãos roçaram a lateral dos seios de Hermione. Ela, porém, estava bastante consciente e, como sempre, seu corpo imediatamente respondeu ao toque.
Sorrindo, Hermione afastou-se um pouco e disse:
— Tenho um trato à fazer com você, marido. Volto para a cama se você for comigo.
Harry sorriu à proposta e seus olhos detiveram-se nos olhos de Hermione.
— Embora eu esteja tentado, você não está bem o suficiente para certas coisas ainda.
Hermione levantou as sobrancelhas. Harry estava mais do que tentado. Ela podia sentir a ereção dele pressionando seu corpo e sabia que, como sempre, ele estava apenas demonstrando consideração por ela. Naquele momento, porém, não era consideração o que queria.
— Não estou bem o suficiente? — ela perguntou baixinho. Depois, sorrindo maliciosa, deu um passo para trás, entrando na biblioteca, e desamarrou o laço que prendia penhoar. Enquanto Harry a observava, ela abriu o penhoar, deixando os seios à mostra, e permitiu que ele contemplasse seu corpo por um instante. Pegou então as mãos dele e as colocou sobre os seios para que ele pudesse sentir como seus mamilos estavam intumescidos e cheios de desejo.
— Meu corpo não concorda com você, marido. Ele diz que eu estou bem demais.
— Hermione — Harry sussurrou, — não.
— Sua boca diz não, mas seu corpo diz sim — foi a vez de ela sussurrar, abaixando a mão e deslizando um dedo por toda a extensão da rigidez sob as calças de Harry.
Uma chama iluminou os olhos de Harry ao contato essa carícia. Sua voz tornou-se rouca:
— Você se tornou ousada desde a noite de nosso casamento, esposa.
Hermione mordeu o lábio e o afagou. Levantando então cabeça, perguntou:
— Você se importa?
— Não — ele respondeu quase gemendo e se aproximou mais dela.
Sorrindo, Hermione foi vagarosamente retrocedendo, conduzindo-o em direção ao sofá da biblioteca.
— Que bom, porque quero fazê-lo tão feliz quanto você me faz.
— E como você planeja fazer isso? — Harry perguntou, divertindo-se e deixando-se conduzir por ela.
— Tenho consultado livros, milorde, em busca de aprender as maneiras com que a mulher pode dar prazer ao homem.
— Sem os óculos? — Harry espantou-se e comentou: — Você vai forçar demais os olhos.
— Você vale o esforço, milorde — murmurou Hermione, sem mencionar que já tinha os óculos. Não era hora de falar sobre eles agora que o marido estava preocupado com Ronald ou com quem quer que estivesse querendo lhe fazer uma maldade.
— E o que foi que os livros lhe ensinaram? — ele perguntou, enfiando as mãos dentro do penhoar para enlaçá-la pela cintura quando ela trombou com o sofá e parou subitamente.
— Aprendi que posso lhe dar tanto prazer quanto você me dá.
— Verdade? — ele perguntou, interessado.
— Verdade. — Ela sorriu e acariciou-o no peito enquanto as mãos de Harry deslizavam por suas costas. — Adoro sua masculinidade — ela sussurrou, esfregando a boca no queixo do marido. — Amo seu corpo, amo sua mente, amo o prazer que você me proporciona. Deixe eu lhe dar prazer.
Harry soltou um gemido profundo e cobriu a boca da esposa com a sua, num beijo quente e vibrante. Hermione passou os braços pelo pescoço dele, gemendo sob a pressão das mãos fortes. Podia sentir a rigidez da ereção do marido contra seu corpo e a exigência dos lábios e da língua em sua boca.
— Precisamos subir — Harry balbuciou, interrompendo o beijo.
— Ainda querendo me mandar para a cama? — ela perguntou, tentando se equilibrar quando ele a soltou.
Sem hesitar, Hermione se ajoelhou diante de Harry e suas mãos apalparam as calças dele.
— Hermione — Harry sussurrou, tentando pegar as mãos dela, mas ela foi mais rápida e já havia lhe abaixado as calças, mantendo as mãos fora do alcance dele.
— Sim, milorde? — ela perguntou de maneira inocente, observando a ereção projetar-se para fora e segurando-a com mão firme.
Harry respirou fundo. Todo o seu corpo respondeu ao toque.
— Deus, você vai acabar comigo...
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tah acabando... e ae, suspeitos pra quem é o culpado dos acidentes???
Continua...
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