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31. Sufoco


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 31

SUFOCO



Rony saiu do banho cansado. Sua estafa era emocional e física. Viver uma vida de aparências exigia muito dele. Mary parecia cada vez mais feliz em sua bolha cor de rosa, onde tinha um casamento perfeito, e uma vida imensamente satisfatória.
Deixando o boxe, enrolou-se em uma toalha e olhou-se no espelho. Estava embaçado pelo vapor e ele olhou sua barba por fazer em duvida.
Quando namoravam, escondido nos acampamentos improvisados, Hermione sempre dizia que gostava quando ele não tinha tempo para fazer a barba. Que pinicava e ela gostava da sensação, que o deixava com um ar perigoso. Mary por outro lado vivia reclamando que lhe dava uma aparecia desleixada e amoral, que um pai de família não devia passar essa imagem aos filhos.
Sorriu para a imagem no espelho e chegou à conclusão que esse cara jovem, bonito e cansado não era ele. Por dentro, sentia-se um homem velho. Velho, enrugado e triste. Era infeliz, as meninas eram infelizes, Mary era infeliz.
Porque ainda eram casados afinal? Porque ele era um covarde e tinha medo de perder o amor das filhas.
Desanimado decidiu livrar-se da barba antes que Mary visse e começasse seu discurso.
Olhou novamente para o espelho e lembrou-se de Hermione. Ela estava no quarto ao lado, talvez tomando banho também. Seu corpo esbelto, quente e acolhedor embaixo do chuveiro, lavando o cansaço do dia e deixando sua pele perfumada para mais tarde quando ele se aproximasse e pudesse aspirar seu perfume e ter com o que sonhar quando o sono viesse.
Era uma tentação sem fim, pensou. Inebriado pela imagem que seu cérebro criava naquele momento, dela embaixo da água, nua e perfeitamente pronta para ele, achou perfeito sentir o toque em seu ombro. Abrindo os olhos ele mirou o rosto de Mary com espanto.
Era uma invasora em seu sonho. Afastou-se nada gentil e ela sorriu como se não tivesse notado.
-Posso me juntar a você? -ela perguntou sedutora, abrindo o robe e deixando o corpo a mostra. Ela estava nua e linda, mas não o atraiu como devia.
-Eu já terminei – disse seco – Mas fique a vontade – afastou-se em direção ao quarto. Mary não disse nada, mas acompanhou-o.
Ele sentiu vontade de pedir que ela saísse. Não gostava que ficasse ali olhando cada movimento seu. Queria privacidade. Era estranho, mas dividir o mesmo quarto com Mary era igual a dividir seu quarto com um desconhecido. Alguém que lhe desperta desconforto.
-Rony -ela disse meiga – Eu tenho pensando sobre a gente -ela voltou a se aproximar, passando a Mao pelos seus ombros. Ele tinha sentado na beira da cama, e ela ajoelhou-se atrás dele, tirando o robe e grudando o corpo contra o dele. Ele tentou se afastar, mas ela o segurou, massageando a região tensa do seu pescoço – Sobre o que está acontecendo entre nós...
-E o que está acontecendo entre nós? – ele perguntou um tanto irônico.
-Querido, eu te amo – ela disse mansa, a voz rouca rente ao seu ouvido – e sou plenamente feliz ao seu lado. Mas...mas sinto falta de você – sua voz falhou um tom, como se ela estivesse em dúvida sobre tocar nesse assunto – Alguns dias é normal, todo casal tem momentos de distanciamento...mas estamos indo para um mês sem intimidade e eu sinto falta. Muito falta do seu toque, - ela passou a mãos largamente por suas costas – de seus beijos... – Mary salpicou beijos em seu cangote -...do seu corpo sobre o meu...me possuindo...
Se era para ser sexy, ela estava conseguindo. Poucos homens resistiriam a uma tentação com ela, pensou, assim como ele não resistira anos atrás, bêbado e triste. Essa lembrança, independente de Hermione, sempre o afastaria dela.
-Eu estou cansado, Mary. –ele se afastou levantando-se e evitando olhar para ela. Havia um olhar de choque e magoa, e ela levantou-se também, tentando esconder isso, indo atrás dele, e colocando as mãos em volta da sua cintura, tentando abrir a toalha.
-Rony, por favor, não me deixe desse jeito, cheia de desejo por você...eu te quero tanto – ela beijou seu peito e ele fechou os olhos, gostando e ao mesmo tempo não curtindo.
Antes, ele até se deixaria levar, pois não havia outro jeito, outra vida, mas agora, com Hermione no quarto ao lado, oferecendo uma chance de ser feliz, ele não podia se deixar levar.
-Hoje não – ele disse firme, segurando suas mãos e afastando-a de si,enquanto apanhava as roupas e abria a porta do quarto.
-Ronald! – Mary gritou, furiosa.
-Quer baixar o tom? – ele falou, sem perceber que gritava também – Temos hospedes que não precisam ouvir nossos gritos!
-Hospedes? – ela riu irônica – Seus hospedes! Porque eles não podem saber que voe não cumpre suas obrigações?
-Fala baixo, estou mandando! – ele fechou a porta, encarando-a com raiva.
Eram poucas as vezes que Mary saia do controle. Pouquíssimas vezes, e quando acontecia, ele rezava para ser realmente definitivo.
-Se você me rejeitar de novo eu juro, Ronald, vou tomar uma providencia! – ela ameaçou.
-Vai pedir o divorcio? – ele perguntou com raiva, apesar de torcer por isso.
-Não! -ela gritou, a beira das lágrimas – vou procurar seus pais e implorar ao seu pai que te leve a uma medico! Está com problemas Rony! Só pode estar com problemas para me rejeitar dessa forma!
-O que está dizendo?!!! – ódio o fez segura-la pelo braço.
-Não é vergonha admitir que está doente, Rony! -ela disse chorando.
-Não estou doente! – ele a soltou sentindo um pouco de nojo. Nojo pelo que a convivência ao lado dela fizera com ele.
-Então porque não fazemos amor? - ela soltou um guincho(*) choroso que doeu em seus ouvidos. Como nada obteve de resposta ela voltou a gritar – Se não fala comigo, vai ter que falar para os seus pais! Eu não agüento mais essa situação Ronald! Não agüento mais!
Ele olhou bem para ela. Era uma mulher jovem e bonita. Era ridículo fugir dela.
Derrotado, ele abriu novamente a porta e saiu. Ouviu seu choro, mas não voltou. Aquela hora da noite, as meninas estavam dormindo, o que era bom, pois não ouviriam a briga ou o veriam descer para a sala.
Com raiva ele jogou as roupas no sofá e olhou em volta perdido. Não era justo. Ele mantinha aquela casa com seu trabalho e era um verdadeiro estranho ali dentro. Derrotado ele apanhou novamente as roupas e entrou no banheiro das visitas embaixo da escada, trocando-se sem animo algum.
Vestido, ele observou que por baixo da porta da cozinha vinha uma pálida luz.
Hermione nem acreditou quando avistou a mesma taça de sempre com chocolate e os inacreditáveis bilhetes. Será que Mary era sádica ou apenas testava sua audácia para ver até onde iria sua ousadia?
Descera quando ouvira as vozes altas vindas do quarto do casal. Não queria ouvir suas discussões, tinha medo de ser sobre ela. Dessa vez não esperava por ele, esperava por alguma coisa que pudesse tirar sua vida daquela eterna espera. Amanhã começaria a trabalhar efetivamente e em uma semana começava seu curso de auror.
Suspirou pensando em Harry. Ele ao menos estava se acertando com Gina.
Depois de algumas colheradas ela notou que era observada. Estava tão concentrada em seus pensamentos que não notou Rony.
-Mary está me pressionando – ele disse como se estivesse se justificando.
-Porque? -ela perguntou deixando o doce de lado, sobre a mesa e ficando séria.
-Ela reclama que não fazemos amor -ele contou, talvez se justificando.
Foi para Hermione como levar um tapa. É claro que uma hora ela reclamaria!
-Por isso estavam brigando? – perguntou triste – Desci para não ouvir o que diziam...
-Ela diz que não é normal, que tenho que procurar um médico – sorriu incrédulo – que vai falar com meu pai sobre isso. – ele engoliu em seco com raiva – Sabe o que isso quer dizer, Hermione? Que todos os meus irmãos e todos os familiares vão pensar que não sou um homem de verdade. Pode parecer machismo, mas é isso que vão pensar de mim! – seu maxilar estava tenso e ela sentiu as lágrimas virem, ao entender onde ele queria chegar.
-Poderia se separar se quisesse – não era uma acusação, era apenas uma triste constatação.
-É, eu poderia -ele concordou – mas não tenho coragem de ariscar a perder as meninas.
Hermione sentiu um gosto amargo na boca e afastou o olhar.
-Então diga a ela – ela falou numa última tentativa de negar a verdade – Diga que não a ama e que é difícil para você essa mentira. Rony, se você não a quer, então diga a verdade!
-Você não conhece Mary. Ela vai tirar as meninas de mim, e vai colocá-las contra mim. Eu...eu não posso passar por isso, Hermione, ficar sem elas. E não posso encarar meus irmãos, se eles souberem que não transo com minha mulher! Eles não vão dizer nada, mas vão pensar que eu...
-Está tentando me dizer que...? – afastou o olhar novamente, entendendo o quanto fora tola. – A decisão é sua, Rony -ela tentou sufocar a vontade de bater nele – Só não peça minha permissão para fazer amor com outra mulher!
-Amor não, Hermione, nunca fiz amor com Mary – ele aproximou-se e ela se afastou, mas ele segurou seu braço com firmeza, olhando em seus olhos – Eu não quero fazer isso, mas não posso abrir mão das minhas filhas sem prepará-las antes!
-Como assim? -ela perguntou olhando para aquele mar de azul que a desconcertava e vencia.
-Preciso preparar as meninas. Hermy é frágil emocionalmente e uma separação brusca vai arrasá-la. E Sara...você já deve ter notado o estrago que Mary fez com a cabecinha dela!
-Com o seu consentimento! – ela acusou.
-Sim, tem razão, com o meu consentimento – ele concordou sentindo essa acusação. –entende o mal que nos dois fizemos a essas meninas com nosso casamento? Não quero que sofram ainda mais.
Hermione não tentou afastá-lo,ele tinha razão. Sendo apenas uma amiga, ela sentia carinho pelas meninas e um pouco de pena, então, ele sendo o pai tinha um sentimento de culpa muito grande para com elas. E quem era ela, afinal, para pedir o que fosse a ele? Ele era casado. Ponto. Ca.sa.do.
-Eu...vou ficar morrendo de ódio –ela disse baixo, tocando o pescoço dele. Sua voz estava presa na garganta – vou estar no quarto ao lado, Ronald, e se ouvir um gemido seu, eu juro, que nunca mais falarei com você! – raiva a fez avermelhar – eu sei que é infantilidade! – disse mais alto, antes que ele pudesse argumentar – E só Merlin sabe o que me custa concordar com isso! Mas saiba, vou estar no quarto ao lado, querendo arrancar os seus olhos! Seus e daquela...! por isso, pense bem antes de se divertir! Porque se eu suspeitar que está brincando com os meus sentimentos, Ronald, eu juro, nunca mais olho para você! E tem mais! – completou – Não fale comigo amanha e por um bom tempo, pois não sei se posso suportar isso!
-Hermione... –ele parecia prestes a desistir de tudo.
-Eu só estou fazendo isso porque já estava casado quando apareci. Só porque não tenho direito de exigir nada – lágrimas correram em seu rosto, e ela quis muito que tudo fosse diferente.
-Todos esses anos eu sempre pensei em você - ele disse limpando suas lágrimas -não será diferente dessa vez.
Hermione pretendia dizer algo, mas teve impressão de ter ouvido passos. Olhou além dele, e não viu ninguém pela porta da cozinha aberta.
-Não pense em mim, Rony -ela disse acalmando-se – Porque quando formos nos dois,será muito melhor do que jamais será com ela – não era para soar como uma promessa, mas soou. Baixou os olhos um pouco sem jeito, por estar lhe fazendo promessas sensuais. – Vou subir e fingir que não sei o que fará. Mas não esqueça, essa situação não pode durar para sempre!
-Mary vai se aquietar por um tempo – ele disse triste – é sempre igual.
Sentindo-se a pior das criaturas, ela o deixou sozinho na cozinha, indo para seu quarto.
Rony sentia-se igual e fitou a solidão a sua frente como um condenado indo para a forca. Não podia adiar para sempre...


AUTORA:
O capitulo com o barraco vai ter que esperar pq fiquei inspirada para escrever uma seqüência diferente. Às vezes acontece, a fic foge de mim, a Mary decidiu agir diferente e não pude fazer nada! Parece piegas, mas os personagens realmente mandam no autor. Não é brincadeira ou metáfora. É a mais pura verdade. Muitas vezes meu roteiro está prontinho e quando eu vejo os personagens já foram para outra estrada e não posso fazer nada além de ir atrás deles,correndo apavorada, implorando que voltem...
Que pena da Hermione, afinal, o Harry se acertando e ela nessa enrascada.
Estou tentando decidir se vai ter NC no próximo capitulo ou não.
Ele virá no domingo a noite, ok?
Beijos!
Ah, estou bem melhor da gripe, só não me livrei ainda da dor de garganta e da coriza.
Beijos
(*) me criei em uma cidadezinha de interior Venâncio Aires, e lá a palavra Guincho também é usada para dizer que alguém está falando muito alto e arranhado. Acho que em todos os estados é assim, mas pelo sim e pelo não, vai aí à explicação.


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