Era afinal um amanhecer ensurdecedor, parecia um campo mal iluminado, com archotes de luz por toda a volta... havia orquídeas plantadas e emanavam um gostoso cheiro adocicado que invadia meus pulmões... eu sorri e quis me deleitar em todas as lindas flores.
Me deitei na grama, de certo estava envolvida por todo aquele emaranhado, um perfume delirante...
Pequena Gerpet... - eu ouvia sua voz ao longe...
Pequena Gerpet... - eu sentia um aroma... Um vapor inconfundível, um hálito de menta batia em meu rosto.
Ao abrir os olhos, notei que Melissa me encarava. Ela estava deitada ao meu lado, arfava levemente.
Observei um pequeno sorriso se expandir em seu rosto.
- Espero que tenha dormido bem... – ela indagou.
- Aroma de menta com perfume de orquídeas... eu sonhei com você esta noite... – a cortei – certamente sonhei. – Terminei me virando mais para o seu lado.
O pequeno sorriso dela pareceu aumentar.
- Que bom, sinal de que o que eu lhe desejo acontece.
- E você deseja muitas coisas boas?
- Oh sim... muitas coisas boas... – Ela continuava com aquele singelo sorriso, eu até mesmo me atreveria a dizer que naquele momento ele parecia eterno.
Pausa. Nos encaramos por alguns segundos.
- Já são nove e meia... eu acho melhor irmos tomar café...
- Já? – perguntei surpresa.
- É... eu acordei há uns minutos, mas não me contive em ficar te olhando.
Senti minhas bochechas arderem levemente.
Mais uma pausa.
- Ok... então vamos. – Estava envergonhada, logo sai daquela cama e me dirigi ao banheiro.
Após passar uma água no rosto e escovar os dentes, fomos tomar nosso café da manhã.
Brigitte e Corinne estavam sentadas em uma mesa do salão razoavelmente cheio. Fomos direto a elas, apesar da revirada que meu estômago me proporcionou ao encarar Corinne.
Brigitte foi a única a desejar bom dia quando nos juntamos a elas, eu não sabia bem se era a minha pré-indisposição com Corinne que fazia isso, mas ela parecia mais carrancuda que nunca.
Após uns minutos de silêncio onde só se ouvia o ruído dos garfos de nós quatro, Brigitte falou mais uma vez.
- Então... como foi ontem à noite?
Não desviei meu olhar do prato, mas, observei a sombra de Melissa se curvar para a prima.
- Vocês sabem... a saída, como foi? Tudo ocorreu bem?
- Tudo sim – Melissa respondeu.
Pausa. Por algum motivo além dos que pairavam em meu pensamento, eu sentia um clima estranho ali.
- Ok. Desculpem primeiramente... mas... – Brigitte começou a falar novamente e desta vez eu também levantei minha cabeça para olhá-la. – Nós fomos hoje mais cedo, assim que acordamos... por volta das oito horas na barraca de vocês, juro que foi sem querer, mas quando vimos, bom, vocês sabem, estavam na mesma cama... então... vocês estão juntas?
A pergunta me pegou de surpresa, eu notei Melissa se escandalizar, Brigitte corar e Corinne se tornar mais carrancuda que dez segundos antes.
- Oras... não... não estamos juntas Brigitte, só... – Melissa começou a falar sorrindo.
- Não precisa mentir Melissa – a cortei e ela me olhou. Certamente havia uma nota de curiosidade e surpresa em sua face. – Nós estamos juntas sim gente. Desde antes de ontem, desde o dia em que fomos no bar.
Brigitte sorriu amplamente.
- Eu sabia! Naquele dia eu notei que vocês duas ficariam juntas!
- Mesmo? – indaguei sorrindo e Melissa também sorrindo se virou novamente para a prima.
- Juro! Até comentei com Corinne, não é linda? – Ela deu um leve cutucão em Corinne e esta apenas balançou a cabeça. – Não me pergunte, mas eu realmente sabia.
Melissa e eu apenas voltamos a comer, uns segundos se passaram e Corinne falou algo no ouvido de Brigitte, se levantou e se retirou.
- Parece que ela não vai muito com a minha cara não é mesmo? – automaticamente indaguei, não consegui segurar a pergunta irônica.
- Ah... ela é assim mesmo, está passando um pouco mal... foi se deitar. Vocês sabem, depois do almoço temos uma ida às cachoeiras da cidade... Ela quer estar melhor até lá.
- Sei... Vai ser bem legal hoje, você vai gostar muito – disse Melissa olhando novamente para mim.
- E o que vocês vão fazer até o almoço? – Brigitte perguntou.
- Estava pensando em levar Gina para almoçar naquele restaurante Francês aqui na cidade – disse Melissa encarando a prima e eu instantaneamente a olhei.
- Ah sim, vocês ainda não estavam aqui quando Senhorita Spencer deu o recado...
- Que recado? – Melissa indagou.
- Não podemos mais sair nem mesmo durante o dia... apenas com ela para os passeios. Parece que ontem à noite depois da partida de Quadribol em Rye, um dos guardiões do estádio foi estuporado. – Pausa. Eu e Melissa nos encaramos, olhos saltados, meu coração deu um pulo. – Pois é... saiu no jornal local aqui de Fleramount. – Ela pegou um exemplar que estava em seu colo e o estendeu à Melissa.
Melissa o pegou, eu me esgueirei para mais perto dela e li a notícia situada na página 4.
Ataque curioso na copa nacional em Rye.
Ontem à noite (21 de agosto de 1996), após o jogo entre Tornados e Vespas de Wimbourne, Senhor Walterpigs, um residente da pequena cidade bruxa Fleramount, sendo também um dos encarregados de guardar o jogo durante a partida, foi atacado. “Todos já haviam saído e se encaminhado à suas confortáveis residências, até mesmo jogadores dos times já haviam aparatado... Mas eu ouvi algo de suspeito vindo da parte mais profunda da floresta... Fui até lá na tentativa de descobrir o que era. Infelizmente não pude saber, fui estuporado pelas costas antes mesmo de poder ver a sombra de quem me atacou.” Ele declarou muito preocupado logo pela manhã, após um companheiro de trabalho o achar caído um pouco mais adiante do campo localizado na pequena floresta de Rye. Autoridades do Ministério já foram avisadas e dizem que nunca é demais suspeitar de comensais da morte. “Os aurores localizados em Fleramount para a segurança de um acampamento de verão anual para meninas estão em alerta, receberão ordens expressas para montar guarda durante todo o dia na entrada do acampamento. Não há motivos para pânico.” Declarou Gawain Robards,o novo chefe do departamento de aurores do Ministério.
- Que ótimo... – Melissa indagou enquanto largava o jornal ao lado do prato, é claro que eu percebi uma nota de sarcasmo em sua voz.
- Então, Senhorita Spencer nos avisou assim que o salão começou a encher que há dois aurores de guarda na entrada do acampamento e que como eu já disse, não é permitido que ninguém saia, exceto nos horários de passeio. – Brigitte suspirou. - Um saco né?
- Completo – disse Melissa.
- Mas não há comensais da morte por aqui, nenhum deles iria querer perder tempo nesse fim de mundo – eu disse com uma voz abafada.
- Mas você viu a matéria Gina... – Brigitte falava com um tom preocupado. – Quem poderia ter estuporado aquele homem então?
- Eu fiz isso – disse Melissa em um sussurro para a prima.
- O que? – ela soltou um grito abafado.
- Ontem esse maldito imundo tentou se aproveitar de Gina – começou Melissa -, nós não conseguimos entrar no estádio por ela ser menor. Resolvemos ficar um pouco afastadas em uma clareira para ouvirmos o jogo ao menos, e logo depois esse cara apareceu e... eu o estuporei. Não dava, ele era um cretino. Tive que o fazer.
Brigitte olhava incrédula.
- Nossa... – ela sussurrou sufocada. – Então não há comensais da morte por ai e teremos de ficar trancafiadas até mesmo durante o dia aqui?
- Como eu disse. Não há... – falei.
- Bom... ao menos podemos sair à noite, vamos aparatando para aquele bar novamente. Já que não há perigo... – Brigitte se pronunciava um pouco nervosa ainda. - O que não podemos é perder nossa diversão, e já que os aurores estarão de guarda até o fim dos dias aqui no acampamento...
- Gina não pode aparatar, Brigitte.
- Ah... é mesmo...
Silêncio.
- Mas posso levá-la de carona Melissa. Eu te levei muitas vezes enquanto você não podia aparatar ainda – Brigitte começou sorrindo. – Até você pode, você aparata perfeitamente bem.
A idéia me assustou imediatamente. Melissa me olhou.
- Mas eu ainda não experimentei levar ninguém de carona comigo, pode ser arriscado.
- Eu duvido um pouco, você já sabia aparatar muito bem antes mesmo de terminar as aulas... e Gina não parece uma pequena menina burra não é mesmo? – Brigitte falou enquanto se levantava.
- É mesmo – Melissa respondeu sorrindo e a olhando.
- Vejo vocês uma hora na porta do acampamento, será uma tarde divertida... e hoje à noite...Sorrateiros e Andantes! Ou podemos visitar outro bar. Até mais! – ela foi saindo e Melissa me olhou novamente.
- O que acha?
- De irmos para o bar aparatando?
- Bom, isso faremos. Mas podemos ir até o restaurante Francês para almoçar aparatando também.... Você arriscaria? – ela indagou um pouco insegura. - Digo, eu ainda não fiz, mas não é uma coisa difícil.
- Melissa, eu realmente não tenho idéia de como seja aparatar...
- Você não precisa fazer nada, basta segurar firme em meu braço. – Ela se levantou e eu também ao perceber o movimento.
- Você só pode estar brincando... – eu resmunguei enquanto nos encaminhávamos de volta à cabana.
- Pensei que você não se incomodava de correr riscos ao meu lado...
- E não me incomodo, você realmente me dá segurança... mas e se metade do meu corpo ficar para trás? George me contou coisas horríveis que ele viu nas aulas para aparatar dele.
- Eu sei aparatar bem, se você não tiver medo, nada de ruim vai acontecer.
Eu já estava convencida, realmente não precisava pensar duas vezes para seguir uma idéia dela.
- À noite você pode ir com Brigitte, ela é muito boa nisso, fizemos mais de vinte vezes – ela falou sorrindo enquanto entravamos na cabana.
Ela se sentou em sua cama e eu na minha, ficamos nos olhando por um tempo.
- Mas sabe, aquilo que eu te falei ontem é sério... eu não tenho muito dinheiro aqui comigo... e nem em casa na verdade... – Esbanjei um meio sorriso sem graça. – Não posso ir nesse restaurante com você.
- Não precisa se preocupar com isso.
- Melissa, eu não quero que você fique pagando coisas para mim, para com isso – disse em um tom de irritação.
- Mas eu realmente não me importo.
Naquele momento fitei o chão, o observei como se fosse a coisa mais interessante do lugar... Ficamos em silêncio por um momento.
- Você não entende...? não faz diferença com tanto que eu esteja com você. – Ouvi sua voz se aproximar e o calor de seu corpo já estava em contato com o meu. Senti a mão de Melissa segurar meu queixo levantando meu rosto.
Ela me forçou encará-la. Seus olhos transpassavam ternura, pareciam penetrar-me toda a alma. Era tão diferente de tudo...
Nos mantivemos naquela troca de olhares por quase um minuto, em seguida me desvencilhei de sua mão e fui caminhando em direção ao banheiro.
- Ok. Nós vamos – disse antes de entrar pela cortina roxa.
- Escuta, você vai segurar firme em meu braço, não precisa se preocupar. Basta concentrar-se – Melissa dizia enquanto me estendia o braço. Estávamos em pé diante das grandes cortinas de entrada da barraca.
- E se não der certo... ? – eu indagava enquanto olhava meu relógio de pulso, 11:30. Não podia negar, havia muito medo em mim, mas eu nunca deixaria de arriscar.
- Não vai dar errado.
- Certo... E se não der tempo de voltarmos para o passeio?
- É claro que vai dar.
- É, vai sim. – Terminei com um amplo sorriso.
Segurei firmemente em seu braço, senti minhas veias pulsarem por um segundo. Olhei a toda volta pensando em como seria doloroso se algo errado acontecesse... ou como seria a sensação de aparatar se desse certo... mas no segundo seguinte senti tudo desaparecer, eu estava girando fortemente, tudo ficou escuro, havia uma pressão incomum, eu senti vontade de largar o braço dela, mas me agarrei mais a ele, pensei por um momento completamente nauseada que tudo ia explodir no meio da escuridão giratória quando finalmente estávamos de volta à terra firme.
Olhei ao nosso redor, as pálpebras tremendo, as duas mãos suadas e braços agarrados com força ao braço direito de Melissa. Estávamos dentro de uma cabine de banheiro, espremidas entre o vaso sanitário e a porta de madeira.
- Então, parece que deu certo – disse Melissa sorrindo. – Talvez agora você possa afrouxar as mãos do meu braço – terminou dando uma leve risada.
- Ah sim... – disse a soltando. – Onde estamos?
- No banheiro do restaurante Todos os sabores – ela disse abrindo a porta. – Vamos.... não tem ninguém. – Saiu e me fitou, eu ainda estava dentro da cabine.
Senti uma vontade imensa de puxá-la para dentro do local novamente, empurrá-la contra a parede e beijá-la, eu queria beijá-la. Naquele momento contemplava seu rosto imaginando o possível gosto de menta que eu experimentaria, meus olhos se perderam em sua boca, todo o contorno fino e bem feito, desenhado por um artista, eu acreditava ter sido. Ela também desviava os olhos até minha boca.
Dei um passo e segurei firmemente seu pulso, mas quando ia puxá-la novamente para dentro alguém abriu a porta do banheiro.
A menta... Todo meu pensamento se esvaiu, minha imaginação perdeu seu doce gosto quando o ruído de porta se fechando penetrou minha cabeça.
Nós olhamos a pessoa que havia naquele momento entrado no banheiro, era uma moça alta de orelhas avantajadas, olhou diretamente minha mão no pulso de Melissa e passou por nós para a última cabine do lugar.
- Melhor nos apressarmos – Melissa disse e no instante seguinte estávamos saindo do banheiro, procurando uma boa mesa para nos acomodarmos. Preferimos um lugar abaixo de uma refrescante e ampla janela.
- Bom dia – um garçom de cabelos compridos e louros amarrados a um rabo de cavalo cumprimentou com um pequeno bloco de anotações e uma pena de repetição rápida pairando perto de seu ombro.
Melissa pegou o cardápio com capa aveludada vermelha que estava sobre a mesa, e o folheou por alguns segundos.
- O que você acha de Coq au Vin? – Melissa me estendeu o olhar perguntando.
Sorri.
- O que eu acho de que?
- Nunca comeu comida francesa né...? – ela indagou sem graça.
- Não... apenas umas sobremesas quando houve o torneio Tri bruxo.
- Hum... bom, Coq au Vin é um prato muito gostoso, um pouco apimentado, feito com frango, bacon, vinho. Muito bem temperado, gosto muito.
- Pode ser, eu gosto de frango, bacon, vinho... – Dei uma leve risada. - Basta ver como fica a combinação de tudo.
- Bom, então ta certo. - Ela lançou um pequeno olhar ao garçom. – Dois Coq au Vin e uma garrafa desse vinho regional também.
- Certo – o garçom confirmou se retirando com seu bloco e sua pena de repetição rápida ainda flutuando sobre seu ombro.
Silêncio. Fiquei a contemplar a paisagem da rua tranqüila através da ampla janela.
- Acho que aquela matéria deve ter saído no Profeta Diário também... ou alguma outra como aquela... – falei lentamente ainda fitando as pessoas caminharem na rua sob o sol.
- Profeta Diário... é o jornal de vocês né?
- Isso. Minha mãe deve estar em pânico.
- Bom, minha tia ficou um pouco insegura quando dissemos a ela que viríamos esse ano para o acampamento... você sabe, com você-sabe-quem e seus seguidores de volta. – Ela suspirou. - Brigitte chegou a me perguntar se iríamos escapar a noite como fizemos na vez anterior... e bom, eu sempre disse a elas, você-sabe-quem não iria se preocupar em aterrorizar uma pequena cidade...
- Minha mãe que me deu a idéia do acampamento... No dia 11 quando fiz aniversário, meus irmãos gêmeos me deram a viajem de presente e ai ela voltou atrás, disse que seria perigoso e arriscado demais, mas todos lá em casa concordaram que não seria bem assim, afinal, o ministério mandou aurores para cá, justamente para proteção da cidade e também do acampamento enquanto ele estivesse sendo realizado.
- Pois é... e agora as pessoas estão preocupadas por causa daquele velho babaca de ontem...
- Será que a gente consegue dar uma escapada até o corujal antes de voltarmos para o acampamento?
- Acho que sim, o corujal é nessa rua aqui.
- Ah, que ótimo, eu preciso mandar uma carta para minha mãe, dizer que está tudo bem, que não há perigo nenhum... e também, quero saber se ela está cuidando bem do Arnold...
- É melhor eu também mandar uma carta para minha tia... – Ela me olhou mais intensamente de repente. - Quem é Arnold?
Eu ri, Melissa fazia uma cara de incompreensão como nenhuma outra que já havia visto.
- É meu Mini-Pufe... o comprei há poucos dias.
- Quem?!
Sua expressão de incompreensão aumentou dez vezes mais e eu ri mais ainda.
- Mini-Pufe... meus irmãos vendem uns desses, são bichinhos muito bonitinhos, com penugens em sombras cor-de-rosa e roxo.
Ela ainda não parecia compreender.
- Tudo bem, estou tentando imaginar e... é, parece bonitinho. Por que não o trouxe?
- Achei melhor não, ainda é tão pequeno...
- Sei... mas gostaria de ver um Mini alguma coisa... – ela disse sorrindo amplamente.
- Pufe – a corrigi.
- Certo – ela disse com olhar convicto. - Pufe.
O garçom que havia se retirado com nossos pedidos retornou com uma bandeja, arrumou nossas mesas com os dois pratos e nos serviu do vinho. Olhando a bebida sendo posta na taça, parecia a coisa mais gostosa que eu viria a tomar até aquele dia. O prato também estava com uma cara excepcional. Pedaços de frango ao meio do prato com legumes e bacon à volta, o vinho fermentado dava uma cor e um cheiro ainda mais agradável à comida e por fim, salsas bem verdinhas enfeitavam o prato.
Após o garçom se retirar depois de se certificar que não necessitávamos de mais nada, observei Melissa.
- Você realmente tem um bom gosto pra comida, pela cara parece ótimo!
- E é, prove!
Era muito gostoso, um sabor apimentado, mas no ponto. O vinho também, como havia previsto, nunca tinha bebido algo tão bom, exceto pelo Whisky Tailandês do outro dia. Mas, o vinho era ainda melhor.
Nos demoramos pouco menos que uma hora no restaurante, conversamos divertidamente enquanto comíamos e ao fim da refeição, Melissa começou a olhar o cardápio de sobremesas.
- Você quer alguma Pequena Gerpet? – perguntou Melissa.
- Ah... acho que não, estou muito satisfeita... – respondi sinceramente.
- Eu também...
Ela ainda olhava o cardápio como se procurasse algo bem leve para poder por um bom fim ao almoço. Eu peguei o segundo cardápio que havia ao canto da mesa. Dei uma rápida olhada e meus olhos bateram em algo que eu gostaria de experimentar.
- Sabe, tem algo aqui...
- O que? - perguntou levantando os olhos do livreto vermelho aveludado.
- Mas não é exatamente uma sobremesa para agora, é uma bebida doce, poderíamos beber mais tarde... é só uma idéia – sorri sem graça.
- Claro, qual? – Percebi seu olhar recair sobre a cartela de bebidas.
- Licor de menta. Deve ser bom.
Ela suspirou com olhos um pouco surpresos.
- Realmente – ela disse com um ar sério -, deve ser ótimo, ainda mais sendo vendido aqui nesse restaurante, em toda a França eu não conheço um que chegue aos pés. As bebidas e comidas daqui parecem ser melhores que qualquer uma vendida em qualquer lugar.
- Mas pelo que vejo não são só comidas francesas... – falei enquanto observava a parte extensa de pratos do menu.
- Ah não... como diz o nome, Todos os sabores – ela falou sorrindo enquanto estalava os dedos para o mesmo garçom com rabo de cavalo se aproximar.
- Pois não? – ele indagou.
- Uma garrafa desse licor de menta por favor.
- Ok. Vão beber agora?
- Ah não, vamos levar.
- Certo.
Ele se retirou mais uma vez e logo voltou com uma média saca de papel.
- Aqui está a conta. Doze Galeões, 5 Sicles e 2 Nuques, Senhorita.
- Certo.
Senti um revirar incômodo no estômago, é claro, eu sabia que aquele almoço sairia caro, mas, não estava esperando pelo momento que ouviria quanto havia dado a conta. Me sentia uma inútil.
- Aqui... – Melissa já guardava a pequena bolsa de onde ela tinha tirado o ouro. Em seguida me olhou. – Então, vamos direto ao corujal, 12:40 ainda, podemos chegar bem na hora para a cachoeira.
Fomos andando em direção à saída do restaurante.
- Você não acha que alguém pode reconhecer que somos do acampamento? – perguntei um pouco insegura.
- Vamos rápido, a loja é quase do lado, é um risco que temos de correr – respondeu Melissa prontamente.
Andamos tão rapidamente que por um momento pensei que tivéssemos voado. Logo já estávamos no corujal. A moça que estava atrás do balcão era a mesma que estava na loja no dia que eu havia mandado uma carta para A Toca, mas ela não pareceu lembrar de mim nem de Melissa.
Nós mandamos cada uma sua carta à sua respectiva casa. A moça recomendou à Melissa uma grande coruja de igreja, disse que era uma das melhores em travessias de países. Eu usei uma coruja comum mesmo. No momento em que ela levantava vôo não pude deixar de pensar que apenas Binns era tão atrapalhada para não conseguir percorrer mais de cinqüenta km.
Ri sozinha, mas, fiquei séria por ter sentido uma pontada na altura do peito automaticamente lembrando de Dino.
Saímos da loja e nos infiltramos a seus fundos.
- Aqui podemos desaparatar até a barraca do acampamento novamente, pronta?
- Certo – respondi segurando com força seu braço.
Novamente a sensação nauseante no meio do escuro se apossou de mim, mais uma vez eu também senti uma pressão que me dava vontade de largar seu braço, e mais uma vez invés disso eu o agarrei mais. Apesar de tudo, pareceu mais rápido e quando abri os olhos já estávamos dentro da cabana.
Soltei seu braço, minhas mãos não estavam tão suadas como da outra vez. Melissa foi andando em direção à sua mala ao lado de sua cama falando enquanto olhava o relógio de pulso.
- São 12:50, temos dez minutos para botarmos os biquínis... ainda bem que hoje está um dia quente não é?
Eu ainda estava parada de frente para as grandes cortinas de entrada apenas observando seus movimentos.
- Gina? – ela disse enquanto vasculhava sua mala sentada na cama.
- Oi?
Ela me olhou.
- Tudo bem? Por que está ai ainda? Vá pegar suas coisas!
Sorri sem graça enquanto me encaminhava até minha mala.
- Vou deixar esse licor aqui dentro da minha mala para mais tarde desfrutarmos dele – ela disse em tom maroto.
- Certo, já peguei minhas coisas, vou me trocar no banheiro.
- Ta, eu vou me trocar aqui mesmo enquanto você se troca lá dentro.
Pus meu biquíni e por cima um leve short e camiseta, Melissa também estava vestida da mesma forma, assim como quase todas as meninas a nossa volta. Durante o caminho para a cachoeira Brigitte e Corinne estavam distraídas conversando com um grupo de umas 4 meninas um pouco mais a frente, mas logo se juntaram a nós. Corinne ainda com a imagem carrancuda e Brigitte descontraída como sempre.
Senhorita Spencer não foi a única a nos levar até a cachoeira como da outra vez até a colina. Dessa vez um dos aurores que estavam à vigia do acampamento também nos acompanhou. Era certamente idiota o ver ali.
As cachoeiras que Senhorita Spencer queria nos levar e apresentar ficava exatamente no lado aposto ao das colinas que havíamos visitado dois dias antes. Após andarmos um bom caminho por uma pequena estradinha em direção ao Sul da pequena cidade avistamos um lago calmo e brilhando com o sol ao seu contato.
- Bom, vocês podem ficar por esse lago, se embrenhando um pouco mais além dele há três cachoeiras perfeitas, algumas meninas que estão presentes e já estiveram no acampamento antes com certeza se lembram.
- São fantásticas mesmo... – Melissa murmurou para mim.
- Não se preocupem em trilhar a estrada que leva até a terceira cachoeira, Cornhad está aqui justamente para assegurar que nada de mal vá acontecer. Eu também estarei de olho.
Mal Senhorita Spencer acabara de falar Melissa se adiantou me puxando pela mão até a borda do lago.
- Vamos – ela falou enquanto já tirava a blusa e ficava apenas com a parte de cima do biquíni e o leve short. Também o fiz. – A gente pode atravessar o lago e pegar essa estrada até a terceira cachoeira, teremos de passar pelas duas primeiras, você verá tudo, é lindo. – Ela também retirava a varinha do pequeno bolso do short e a enrolava na blusa, mais uma vez a imitei.
- Ta. Estou pronta.
O lago não era muito fundo, havia muita areia e pequenas pedrinhas em todo o seu chão, algumas meninas ficaram por ali mesmo, outras o atravessaram e seguiram pela estrada que Senhorita Spencer e Melissa mencionaram. Fomos atravessando cuidadosamente o lago, e quando já estávamos quase na outra ponta ouvimos a voz de Brigitte gritar:
- Melissa, Gina! Vocês estão indo para as cachoeiras?
A olhamos, ela e Corinne estavam ainda à entrada do lago conversando com as mesmas meninas do decorrer do caminho. Melissa fez um sinal positivo com a mão.
- Daqui a pouco nós vamos também, nos esperem por lá! – Brigitte gritou mais uma vez.
Melissa se virou e me puxou para sairmos do lago, agora estávamos de frente a uma estradinha bem estreita embrenhada por matos e flores. Fomos andando, até a cintura molhadas, ambas segurando as blusas e varinhas.
Olhei de esguelha para Melissa, ela estava séria. Seu olhar também se desviou um instante para mim.
- Está tudo bem? – perguntei.
- Tudo sim – disse. – Olhe, a primeira cachoeira – paramos abruptamente, era um lugar muito bonito, várias pedras e a água transparente inundavam o local, poderíamos entrar ali, como algumas meninas estavam fazendo, já se divertiam em meio às pedras da cachoeira, jogando água uma nas outras como crianças crescidas, achei engraçado.
- Vamos seguir por essa estrada, quero que você veja a terceira, é realmente a mais linda.
Andamos mais um pouco.
- Na verdade, não queria que Corinne estivesse aqui – ela disse de uma vez.
- Estava pensando nisso... Você não acha que Brigitte pode ficar chateada? – indaguei insegura. - Afinal, ela deveria esperar que você estivesse junto com ela.
- Ela trouxe a Corinne, o que esperava? Que eu ficasse segurando a vela dela o tempo todo?
- Você ainda gosta dela? Está com ciúmes? – Minha voz ficou repentinamente séria.
- Claro que não – ela falou com a voz mais alterada parando instantaneamente me encarando, também parei.
- Então por que está incomodada?
- Corinne não tira o olhar de nós se você não percebeu. – A voz se acalmou novamente.
- É claro que eu percebi, não sou idiota... ela no mínimo ainda acha que você pertence a ela. Mesmo depois da nojeira que fez! – eu quase gritei.
- É claro que não pensa, ela não se atreveria a ter isso em mente – ela falou voltando a andar, a voz ainda mais calma.
A segui.
- Eu não ligo pro que ela pensa, mesmo que ela tenha algo do tipo na cabeça, está sendo completamente inútil. – ela continuou falando.
Sorri.
- Ela é uma idiota não é mesmo? Não vamos perder tempo falando dela – conclui ao pararmos para observar a segunda cachoeira, tão bonita quanto a primeira, mas sem muitas diferenças, exceto que muito menos meninas estavam ali.
Seguimos a estreita estrada. Eu começava a ouvir o ruído dos pássaros cantando mais nitidamente conforme íamos nos aproximando da última cachoeira. Visivelmente estávamos nos afastando de tudo.
Uns minutos e finalmente chegamos ao fim da estrada, era lindo, indescritível. Havia um fluxo intenso de água nascido de uma enorme pedra, sua queda se dividia em três, deixando mais abaixo um tranqüilo lago rodeado por flores e pedras. Um fino caminho adiante do lago deixava a água cair e seguir seu fluxo até as cachoeiras que já tínhamos percorrido.
Melissa desceu primeiro pelo caminho incerto de terra, folhas e pequenas pedras e adentrou no calmo lago, nem parecia que a dois metros dali havia três violentas quedas. O sussurro e tremor da batida da água em contato com o lago me fez ter arrepios quando o toquei com o corpo, afundei instantaneamente até abaixo dos seios, mas Melissa me segurou firmemente.
- Tenha calma...- ela falou sorrindo. – Vamos para ali – disse apontando para mais distante da estrada.
- Certo – meu corpo ainda estava acostumando com a água extremamente fria apesar do calor. Fomos andando calmamente, havia muitas pedras no chão.
Ao chegarmos no ponto desejado observei que a água ainda estava na mesma altura de quando tinha estrado na cachoeira. Botamos as blusas que enrolavam as varinhas a um canto seco seguro e me recostei à sombra de uma grande pedra. Melissa me encarou.
- Aqui é realmente maravilhoso – disse olhando ao redor e observando a inúmera quantidade de flores e plantas que havia no local. Um cheiro muito familiar começava a entrar em meus pulmões.
- Eu sabia que você ia gostar. É muito tranqüilo, mas daqui a pouco algumas meninas devem estar chegando por ai... normalmente elas param nas primeiras, eu nem perco meu tempo, aqui é muito melhor.
- Concordo – disse sorrindo.
Meu olhar se fixou em um conjunto de flores um pouco mais adiante de onde estávamos, à margem oposta do outro lado que entramos no lago. Fui em direção às flores, Melissa apenas observou.
Orquídeas. Retirei uma da raiz, levei até meu nariz e a inspirei profundamente. Olhei Melissa por cima do ombro, ela me fitava curiosa. Voltei à sombra da pedra e me recostei nela assim como antes, dessa vez com a flor entre os dedos. Melissa estava parada a minha frente, e continuou a me observar.
- A segure um instante para ela não molhar – a estendi para Melissa e esta segurou a flor livre e segura da água.
Afundei meu corpo calmamente, deixando a água recair sobre todas as partes dele, ao submergir novamente observei que Melissa estava apenas com seu olhar terno me encarando. A flor entre os dedos.
- Combina perfeitamente essa cena – eu disse. A água agora escorria do cabelo molhado para o rosto, uma sensação refrescante se apoderava de mim.
- Como? – ela indagou.
- Você segurando esta flor – a retirei de novo das mãos dela, a segurando firmemente. – Orquídea.
- Sim, eu sei que é uma orquídea, como pode saber que gosto de orquídeas? – ela perguntou com olhar curioso.
- Perfume. O seu perfume de orquídeas...
- Eu? – ela perguntou incerta. - Você acha que tenho perfume de orquídeas?
- Tenho certeza - dei um passo sobre as pedras no fundo do lago e encaixei meu rosto em seu pescoço inspirando profundamente o agradável perfume de Melissa. Voltando a me recostar na pedra também inspirei a flor mais uma vez. – É o mesmo cheiro.
Ela sorriu.
- Então é natural... eu não uso perfume.
Também sorri.
- Sempre soube que era natural.
Ela segurou a flor deixando sua mão recostar na minha. Pegou a orquídea e a pôs atrás de minha orelha esquerda.
- Combina com você – ela disse.
Sorri mais ainda. Nos encaramos, parecia profundo, parecia um momento único.
Silêncio.
- Por que você... – ela começou – por que você disse que estávamos juntas?
A olhei surpresa, não esperava a pergunta.
- Ah... eu só pensei que...
- Foi por causa da Corinne? – ela me cortou. – Você quis ver a reação dela?
- Eu já estava vendo a reação dela! – Minha voz se alterou levemente. – Ela está com a cara bem mais fechada que o normal não acha?
- Acho, mas...
- Naquela hora ela já sabia que possivelmente estávamos juntas, elas já tinham entrado na barraca e nos visto dormindo na mesma cama – eu a cortei dessa vez.
- É... mas eu quero que você entenda uma coisa. Não precisa fazer as coisas ou mentir por que Corinne não está gostando, ou está tendo algum tipo de ciúmes...
- Eu não falei que estávamos juntas por causa dela Melissa. Apenas calhou de servir para ela ficar mais enfurecida...
- Ah não...?
- Não – respondi secamente. – Até por que... nós não estamos exatamente separadas... eu acho... Não sou a única a sentir coisas e vontades aqui não é mesmo? – Minha voz se tornou mais doce. Senti uma profunda apreensão e aceleração ao produzir aquela última frase.
Ela me encarou mais fundo, deixou escapar um meio sorriso sem graça, seu olhar transpassava algo além do que eu já tinha visto, brilhos intensos, sorrisos nos olhos.
Ela deu um pequeno passo à frente, eu segurei sua mão por baixo da água, a puxei pra mais perto enquanto mais um pequeno passo ela estendia.
- Hei gente, chegamos! – Brigitte e sua voz animada como sempre ecoou pelo lindo cenário. Olhamos automaticamente.
- Opa, desculpa interromper – ela já vinha caminhando na água em nossa direção com um grande sorriso, Corinne com a mesma cara fechada de mais cedo em seu encalço. – Aqui é ótimo não é mesmo? – perguntou ao parar ao nosso lado, soltei a mão de Melissa por baixo da água e ela se afastou dois pequenos passos novamente.
- Legal as três quedas – um quase sussurro saiu da boca de Corinne, sua voz e seu arrastado sotaque francês me deram ânsia de vomito, mas é claro, me contive em não demonstrar nenhum desgosto pela presença dela ali.
Nos distraímos nadando e conversando todo o tempo e mais meninas chegaram até lá depois.
Quando o horário do jantar começou a se aproximar, Senhorita Spencer apareceu e ordenou que todas saíssem da cachoeira, se vestissem e rumassem para o acampamento.
Depois de tudo feito, chegamos ao acampamento, tomamos banho, jantamos.
Eram oito horas da noite quando estávamos de volta à barraca, o estômago cheio e o cansaço pelo dia me fizeram desmontar na cama.
Melissa estava sentada em um dos pufes procurando algo em sua mala enquanto eu fitava concentrada o toldo vermelho da barraca.
- Vou dar uma volta - ela disse de repente.
- Uma volta? Vai aparatar para a cidade? – A mirei curiosa.
- Não... aqui pelo acampamento mesmo. Até as dez é liberado o circular por aqui – ela respondeu. – Quer vir comigo?
- Ah, eu estou um pouco cansada, é melhor ficar aqui mesmo... vamos ao bar afinal não é?
- É, melhor descansar. Brigitte e Corinne vão passar aqui às dez e meia.
- Então não se atrase.
- Não vou me atrasar – ela disse sorrindo e se levantando, já se dirigindo até a saída de grandes cortinas da barraca. Me lançou um último olhar antes de se retirar.
Fiquei ali imóvel, ainda encarando o toldo, pensando. Mas não conseguia juntar muitos pensamentos, estava realmente cansada... antes de perceber, já havia adormecido.
O zumbido da noite se infiltrava na cabana, mas não foi o suficiente para o meu despertar. Como quase sempre quando se acorda, não tive uma certa noção do que realmente estava acontecendo, mas uma coruja bicava bem de leve minha perna ao fim do colchão. Ao entender o que acontecia me levantei imediatamente, a coruja que havia levado minha carta até A Toca estava de volta. Ao mirar a ave ela me estendeu a pequena perna. Peguei prontamente a carta e a desenrolei.
Querida Gina,
Eu e todos aqui ficamos muito aflitos com a noticia do Profeta Diário, fico realmente contente que tenha me escrito avisando que está tudo bem, logo depois de sua carta ter chegado seu pai também mandou um aviso do Ministério, dizendo que os aurores encarregados de proteger a pequena cidade já estavam também se encarregando de vigiar vinte e quatro horas o acampamento.
Ainda continuo um pouco aflita, espero que sexta que vem chegue logo, quero te ver em total segurança e completamente pronta para embarcar domingo no expresso de Hogwarts! Mas ainda assim fico muito feliz que esteja se divertindo e aproveitando. Só por favor, tenha cuidado! Não saia de perto dos encarregados do acampamento e de sua segurança!
Harry, Rony, Hermione, seu pai, Gui e Fleur estão mandando lembranças.
Fred e George estiveram aqui ontem e disseram que o pequeno Arnold está com a penugem muito brilhante, sinal de que estou cuidando muito bem dele, fique tranqüila!
Querida, não hesite em nos mandar uma carta caso aconteça alguma coisa grave, seu pai lhe buscará imediatamente!
Se cuide, beijos de sua mãe.
Pus cuidadosamente a carta sobre a mesinha de cabeceira, peguei um Sicle e depositei na pequena bolsinha da coruja. Assim ela saiu voando para fora da barraca.
Me dirigi novamente à mesinha de cabeceira e olhei a hora no pequeno relógio sobre ela. 21:55. A orquídea recolhida mais cedo também estava sobre a mesa, dentro de um pequeno vasinho com água.
Olhando ao redor notei que Melissa ainda não estava ali, me levantei e fui direto à saída da barraca. Pondo a cabeça para o lado de fora e observando, notei que não havia ninguém pelas proximidades.
Fui andando sorrateiramente, queria chegar até o bloco 7, era possível que Melissa estivesse lá.
Quando já estava em proximidades do bloco 6 ouvi uma voz fria e segura de mulher mais velha.
- Ei menina! Aonde pensa que vai?
Congelei.
- Ei menina eu falei com você!
Madame Jiji já tinha se adiantado e estava à minha frente, me encarava com um olhar quase de fúria.
- Eu... eu estou indo até um dos banheiros ao lado da casa base... deixei minha escova de cabelos lá depois do banho.
- Hum.... – disse arqueando uma das sobrancelhas. – Certo... mas daqui a dois minutos já serão dez horas, não quero lhe ver rodando por ai após esse horário!
- Não, certo, nem haveria por que ver, só pegarei minha escova e voltarei para a barraca.
- Muito bem – ela se virou e foi andando de volta ao bloco 5 de onde havia me visto, após observar ela sumir pela divisa do bloco 4, continuei meu caminho até o sétimo. Por sorte Brigitte aquela tarde tinha citado que elas estavam na última barraca do bloco, a barraca 5. Fui rápida e sorrateiramente até lá adentrando o lugar.
A iluminação era fraca como a da nossa barraca, as cortinhas e toldo também eram vermelhos, e também havia pufes e um sofá de lã onde Corinne se encontrava sentada lendo uma revista. Ela me olhou ao perceber meu movimento entrando no local. A ignorei olhando à toda a volta. Pelo vapor de água quente vindo de trás da cortina roxa do banheiro imediatamente supus que Brigitte estivesse tomando banho.
- O que você quer? – ouvi sua voz perguntar, aquele arrastado sotaque francês mais uma vez invadiu minha cabeça.
- Estou procurando Melissa – disse com um breve tom de desdém.
- Ela não está aqui.
- E esteve nas últimas duas horas?
- Não – ela fechou a revista se levantando. Me encarava como se a distância que houvesse entre as cortinas de entrada da barraca e o sofá não existisse. – Por que... ? Não sabe onde ela foi? – ela perguntou com um pequeno sorriso no meio da boca.
- Certamente sei – respondi o mais séria que consegui.
- É bom você se apressar a encontrá-la, pois vamos passar na barraca de vocês às dez e meia...
- Eu sei disso.
Corinne estendeu naquele momento um completo sorriso.
- Irei até onde ela está e vamos nos arrumar, estaremos lá quando vocês chegarem.
Lhe virei às costas pronta a sair, mas ouvi sua voz me atingir novamente.
- Você não deve criar muitas expectativas sobre Melissa... ela não se envolve sério com alguém faz muito tempo...
A olhei por cima do ombro.
- Não se preocupe Corinne, eu sei cuidar muito bem da minha vida.... e posso te afirmar que já há algo muito sério entre nós! – saí pela cortina deixando sua imagem carrancuda e desagradável para trás.
Olhei o relógio no meu pulso. 22:05, se minha idéia estivesse certa encontraria Melissa. Mas não podia deixar de sentir uma ponta de raiva por ela não ter voltado na hora certa.
O lago do acampamento ficava logo à saída do bloco 8, e o bloco 8 estava ali à minha frente. Olhando para trás não reconheci o vulto de Madame Jiji pela escuridão, e à frente também não havia ninguém. Percorri silenciosamente o caminho até o lago. Chegando à sua beira observei que Melissa também não estava ali.
É loucura, eu sei.. - disse a mim mesma enquanto mirava a figura de um barco com remos.
Afinal, ela aparata, e eu tenho que usar um barco é claro... - repetia para mim mesma ainda, enquanto dentro do barco remava até a outra margem do lago. Enquanto o fazia tentei me distrair com a breve imagem da lua refletida na água, ou vigiando fixamente o possível aparecimento de alguém na beira do lago.
Quando finalmente fiquei de pé na outra margem do lago repeti mais uma vez pra mim mesma enquanto ia andando por entre a penumbra das árvores: Se ela não estiver aqui, eu a mato depois, estou certa disso.
Mas foi impossível continuar formulando um pensamento depois de andar mais uns passos. A penumbra das árvores foi dissolvida pela imagem de um pico banhado pela lua, o som de ondas batendo nas rochas lá em baixo era completamente audível. Melissa estava deitada sobre a grama, um dos braços dobrado atrás da cabeça e um pequeno pomo de ouro rolava de um lado para outro em sua mão livre. Fui até ela e me deitei ao seu lado.
- Que surpresa você aqui... – ela falou baixinho.
- Imaginei que você estivesse... - A olhei, ela se distraia fixamente com o pomo de ouro. Aquela imagem me fez esquecer qualquer bronca que eu houvesse tido vontade de lhe dar. - Onde o arrumou?
- Ah... - Ela também me olhou, ainda deixando a palma da mão bem aberta, e o pequeno pomo a rodar vagarosamente.
- Não é um pomo, é um passarinho, eu o transfigurei.
- Mesmo? - A mirava curiosa, os olhos percorrendo de seu rosto à sua mão.
- É... na verdade eu amo transfiguração, é minha matéria preferida... estou pensando em me graduar.
- Suas provas são esse ano?
- Sim, são nesse último ano.
Silêncio. Fitei novamente o céu noturno colocando os dois braços sob a cabeça, assim como um dos braços de Melissa estava. Ela apenas brincava com o passarinho-pomo, que debatia levemente as asas.
- Você não tem nenhum sotaque francês não é mesmo?
- É. Não tenho, mas não é difícil, fui criada aqui.
- Mas Brigitte também não tem...
- Bom, eu trabalhei fortemente o inglês com ela nesse ponto.
- Hum... Foi você que a ensinou?
- Não, ela teve aulas em um curso muito bom, mas eu também ajudei.
- Entendi...
- Mas por que isso agora? - Ela continuava atenta ao passarinho-pomo em sua mão.
- Estive na barraca de Brigitte e Corinne procurando por você antes de vir até aqui, não pode negar que me arrisquei muito vindo até aqui, você poderia não estar...
- Você veio no barco né...?
- Vim.
- Me desculpe, mas quando venho aqui me perco completamente do mundo...
- Ok, ainda bem que você estava, se não, teria vindo em vão.
- Vir aqui nunca é em vão, é lindo - ela disse e o passarinho-pomo parou de rodopiar em sua mão. - Sente-se e veja lá em baixo.
O fiz, era muito bonito realmente. A cidade de Rye ao fundo dava para ser observada por completo, mais bonita ainda se vista de cima, as ondas pareciam um desenho artístico em movimento... e o cantar dos pássaros e sibilar de corujas nas árvores atrás de nós, davam ao céu noturno uma repentina visão animadora.
Me deitei novamente.
- É lindo mesmo. Você tem razão...
- Aconteceu alguma coisa, quando você esteve na barraca delas?
Suspirei.
- Nada exatamente... - comecei - sua prima estava no banho e eu perguntei para aquela vaca da Corinne se você tinha estado lá... Bom, ela tem um carregado sotaque, por isso fiquei curiosa, vocês não tem nenhum.
- Ah... deixa ela.
- Me irrita.
- Acho que tudo nela te irrita não é? - ela indagou sorrindo.
- Não é engraçado. Ela é uma vaca.
Melissa me encarou, a olhei me calando instantaneamente. Ficamos naquele impasse por cerca de um minuto até que ao mesmo tempo miramos novamente o bonito céu com estrelas e espessas nuvens.
- Você não namorou ninguém depois da Corinne? - indaguei enquanto lembrava do que Corinne havia me dito em sua barraca e ouvi Melissa suspirar.
- Não... eu até me envolvi com algumas meninas, mas parecia que sempre tinha algo a nos impedir de ficar mais sério, algo que nos separava...
- E olhe só a gente...
- A gente... o que?
- Também há algo que nos separa... há muita distância....
- Além da distância, você tem um namorado....
- Isso não é problema... e nem seria se nós pudéssemos estar em um mesmo país nos próximos anos...
Mais um suspiro seu.
- E é incrível... - ela pareceu interromper a frase, esperei uns segundos, mas ela não continuou. Apenas apontou para o céu com sua mão, o passarinho-pomo fechado nela.
- O que é incrível...? - Eu olhei curiosa para o ponto que ela mostrava no céu, era uma linda estrela cadente.
- Eu poderia pegar aquela estrela para você, eu daria o céu inteiro para estar ao seu lado na verdade.
Ela se virou para mim, largando o passarinho-pomo no chão. Também me virei.
- Isso é incrível - ela concluiu.
Uma súbita felicidade se apoderou de mim. Não me demorei a falar:
- Estou gostando de você...
Melissa corou instantaneamente. Eu sorri.
- Você está...? - ela indagou.
- Estou...
Nossos corpos se aproximaram mais, nossos rostos também, meus olhos vagaram de seus próprios olhos até sua boca. Quando senti seu hálito quente e amentolado tão perto a ponto de absolvê-lo em minha respiração ouvimos um CRACK e a voz alta de Brigitte, parecendo já acostumada a nos interromper.
- Então vocês estão aqui não é mesmo?! - sua voz vinha de trás, da direção das árvores, parecia bem irritada.
Eu vi um revirar nos olhos de Melissa, mútuo ao meu. Nos sentamos na mesma hora, olhando para trás. Lá estavam Brigitte e Corinne paradas nos olhando.
- Já estávamos voltando Brigitte, já estávamos indo para a barraca nos arrumar – disse Melissa.
- Você vai mesmo sempre perder a noção da hora quando vier aqui Melissa? - Brigitte perguntou com o tom de voz ainda alto e irritado andando um pouco mais a frente se aproximando de nós. - Já são dez e cinqüenta! Estivemos esperando vocês por vinte minutos em sua barraca! Mas é claro, não pude deixar de aparatar com Corinne até aqui e lhe dar uma bronca, era óbvio que pra demorar tanto tempo, só podia estar aqui.
- Vai com calma... - Melissa disse a olhando de baixo, o passarinho-pomo rodava a sua volta. - Acho que não vamos mais com vocês.
- O que? Me faz esperar vinte minutos e não vão mais?
- Brigitte é sério, nós queremos ficar sozinhas hoje - Melissa falou e agora, Brigitte revirou os olhos. Fez cara de alguém que entende um recado.
- Podia ter avisado Melissa... - sua voz estava mais calma.
- Ok... eu sei, me desculpe, mas decidimos agora - ela me olhou instintivamente como quem se desculpasse por decidir sozinha e eu apenas sorri. Se voltou à Brigitte e continuou. - Realmente decidimos agora, me desculpe... Mas você me entende?
- Tudo bem, nós vamos aparatar até o bar agora, vamos para o Sorrateiros e Andantes hoje... amanhã se vocês quiserem ir, vamos a algum outro.
- Amanhã nós vamos. Combinado? - Melissa indagou.
- Certo - ela deu um pequeno sorriso antes de virar as costas e se dirigir até Corinne que olhava a cena com a mesma careta carrancuda, talvez um pouco mais acentuada.
As duas se deram as mãos e desaparataram.
- Sabe... agora que eu parei para pensar, mas vocês poderiam ter ido aparatando para o bar naquela noite, até mesmo comigo como fizemos hoje mais cedo. Assim como elas acabaram de fazer... – Suspirei. – Podíamos ter ido ontem sem precisar da moto também.
- Certamente. Mas eu e Brigitte gostamos de correr riscos, as coisas ficam muito mais saborosas... não acha?
Sorri.
- Sim, de certa forma ficam.
- Ontem foi muito mais divertido indo de moto... eu amo andar de moto... Além do mais, eu não tinha me tocado ontem que poderia te levar de carona. – Pausa. - E nem naquele dia, nem ontem, tinham dois aurores parados de vigia na frente do acampamento... Tudo bem que eles estavam pela cidade, mas em hotéis... hospedados - ela disse se levantando. - Hoje realmente não tem como, por isso só aparatando mesmo. - Ela desviou o olhar para o passarinho-pomo no chão, retirou a varinha do bolso da calça jeans e com um acenar o pomo virou novamente um lindo passarinho azul com manchas amarelas.
- Uau, você sabe realizar feitiços não verbais! - exclamei enquanto observava o passarinho levantar vôo batendo contente suas asinhas. Parou de frente ao rosto de Melissa, lhe deu uma bicadinha amigável e se foi em direção à imensidão do céu.
- Sei sim... já faz um tempo até - ela disse um pouco baixo enquanto guardava novamente a varinha no bolso, calculei que estivesse um pouco encabulada.
Houve silêncio. Ela me olhava, eu ainda estava sentada no chão.
Eu quis quebrar o tal silêncio de alguma forma.
- Entendi o que você quis dizer. Correr riscos fazem as coisas terem mais prazer, fazem mesmo - disse também me levantando.
Ela sorriu.
- Estava até pensando... podemos voltar no barco que você veio invés de aparatarmos para a barraca...
- Não... Eu quero chegar logo naquela barraca com você.
Ela me olhou surpresa, talvez em meu rosto houvesse um pleno ar de segundas intenções, eu não duvidaria que tivesse, e sinceramente, não havia por que eu esconder nada realmente.
- Ok. Então se segure e estaremos lá em dez segundos Pequena Gerpet - ela disse me estendendo o braço.
Segurei firme. Mais uma vez o escuro sufocante e giratório... Apesar de ter sido mais rápido me senti levemente tonta, as pálpebras tremendo como da primeira vez. Soltei seu braço e olhei à volta, estávamos na barraca.
Fui andando calmamente até perto de sua cama, notei que sua mala ainda estava meio aberta em cima do pufe que ela vasculhara algo antes de sair e eu adormecer. Ela me observava parada ainda à entrada.
- Vem aqui - eu disse bem baixo.
Ela se aproximou de mim, nossos corpos se tocaram, estendi meus dois braços até seu pescoço e o envolvi, seu cabelo negro recaia desfiado sobre os olhos, e os olhos mais brilhantes do que nunca caiam sobre minha boca.
- Você não poderia ser de outro jeito pra me fazer sucumbir a esse momento... - disse aproximando ao máximo meu rosto.
Um beijo. Não fora um somente um beijo, fora o primeiro beijo de muitos que nunca esqueci.
Eu não saberia explicar o quanto sua boca era doce e macia... diferente e mais gostosa de qualquer uma que eu já havia beijado.
Nossas línguas não se contiveram em um explorar máximo de nossas bocas, eu tateava cada parte de seus lábios com os meus calmamente, era uma sensação única, chegava naquele momento a achar que não agüentaria nada além daquilo, pois com aquele beijo eu já parecia desfalecer.
Todas as sensações que se apoderavam de mim eram incríveis e novas, eu sentia cada parte do meu corpo estremecer com o simples toque de seus lábios aos meus. O gosto da menta se infiltrava em mim.
Ela envolveu minha cintura com seus dois braços. Foi me empurrando devagar até sua cama, o beijo se tornando mais ardente... Cai sobre a cama a puxando contra mim. Não paramos de nos beijar, parecia um contato extremamente necessário, parecia o último possível e se fosse o último possível, eu morreria depois.
Meu coração palpitava energeticamente, o cheiro de orquídeas pleno em meus pulmões... Levei minhas duas mãos à suas costas. Rompi o contato da blusa as enfiando por de baixo dela, senti sua pele quente e trêmula.
Nos viramos um pouco de lado. Com o beijo finalmente cessado nos encarávamos. Minhas mãos por dentro de sua blusa à suas costas e as dela também romperam a mesma barreira, tremi levemente.
Ela sorria, e eu também sorri, nossos corpos deitados de lado, colados, fervendo...
Ela retirou uma de suas mãos de minhas costas e a levou até a varinha em seu bolso. A apontou em direção à sua mala.
- Accio Licor de Menta - ela disse firmemente e o Licor voou até sua mão.
Nos levantamos um pouco, ainda totalmente próximas.
- Dá um gole... você já tem gosto de menta naturalmente, quero sentir seu gosto de menta alcoolizado, vai ser melhor ainda - eu disse sorrindo, ela pareceu corar.
Melissa deu um gole, em seguida eu também.
Nos beijamos de novo e calmamente, era simplesmente inexplicável descrever o quanto era delicioso seu sabor, seus movimentos...
Ainda me beijando, pôs a garrafa de Licor e sua varinha sobre a mesinha de cabeceira e estendeu sua mão já desocupada até minha nuca. A segurou fortemente me puxando mais contra si, meu sangue parecia transbordar nas veias.
Levei minhas mãos até sua cintura, enquanto ainda nos beijávamos levantei devagar sua blusa. O beijo cessou mais uma vez. Ela me encarou sorrindo e levantando os braços. Retirei sua blusa de uma vez. Ela também retirou a minha.
Senti com minha boca o seu pescoço, o beijei devagar me contendo em cada pedaço de sua pele, ela estremeceu mais uma vez enquanto levou suas mãos ao feche de meu sutiã às minhas costas. O abriu. Interrompi o contato entre meus lábios e seu pescoço no exato momento que senti a peça cair de meu corpo.
Olhei para baixo fitando meus seios, os bicos rígidos de excitação, e a olhei novamente, me senti um pouco envergonhada ao perceber que ela desviava seus olhos também de meus seios a meu rosto. Me aproximei mais e também retirei seu sutiã.
Ela me deitou na cama, seu corpo quente sobre o meu era indescritível, era tudo indescritível, como um sonho, tudo o que eu sentia parecia fazer parte de uma outra realidade, de um outro lugar.
Enquanto minhas mãos se mantinham firmes em suas costas as suas se perdiam em meu corpo, uma delas se manteve em minha coxa a levantando levemente. Melissa me puxava firmemente, nossos beijos não estavam nem um pouco mais calmos. Ao contrário, eu parecia querer tomá-la de um só gole, antes que tudo aquilo se esvaísse de vez.
Ela levou sua boca ao meu pescoço Quando começou a senti-lo não consegui segurar um gemido, a ouvi gemer também, apertava demais suas costas enquanto sentia sua língua descer por meu colo... Ela chegou ao meu seio, um tremor independente se formou no meio das minhas pernas, que era pressionado por uma de suas coxas, eu não agüentava mais aquilo, eu precisava de mais...
Eu vi sua boca se encaixar em meu seio direito, gemi alto, minhas entranhas se retorceram, meu estomago se revirou...
Ela fazia movimentos precisos e contidos com a língua, minha pele toda parecia tremer sem parar, minhas mãos apertaram ainda mais suas costas, minhas unhas se cravando automaticamente com o prazer que ela me proporcionava, sua língua e sua boca, eram simplesmente incríveis...
Pensei não agüentar mais tal contato, com uma de minhas mãos segurei seu queixo e puxei novamente seu rosto até a altura do meu. Fiz menção de levantar e ela me ajudou. Nos sentamos, as pernas cruzadas, ela um pouco por cima de mim.
Nos encaramos por segundos.
Dei um leve beijo em seus lábios e logo em seguida levei os meus até seu pescoço, fui descendo como ela havia feito, eu queria experimentar, eu tinha toda a vontade de experimentar tudo com ela, eu tinha vontade dela.
Comecei a chupar seus seios e ela se contorceu assim como eu... era tão diferente... mas, tão gostoso vê-la sentir prazer... Enquanto o fazia, enquanto me detia em aproveitar aquele momento, senti sua mão tocar o meio de minhas pernas por cima da calça de pano que eu estava vestindo. Como estávamos sentadas entrelaçadas não pude reprimir o balançar de meus joelhos...
Ela começou a massagear a parte mais íntima de meu corpo, eu conseguia sentir o quanto estava úmida, o quanto era impossível continuar me controlando.
Em um movimento rápido deitei e a puxei novamente contra mim, levei minhas mãos até o fecho de sua calça jeans e o abri. Ela ofegou, retirei sua calça. Ela também retirou a minha, respirávamos rápido, beijávamos com força, mas nossos toques eram delicados e contidos.
Estávamos de calcinha apenas, Melissa sobre mim, corpos juntos, seios juntos, peles quentes e ansiosas por mais.
Melissa se ergueu um pouco e retirou sua calcinha, enquanto ela o fazia, eu também retirei a minha. Ela ainda mais erguida se encaixou em mim, era como uma loucura o que se seguiu, esfregava nossos sexos, respirava em meu ouvido, eu a sentia tão molhada quanto eu com o que também estava encharcado em mim...
Arfei fortemente quando senti sua mão tocar meu sexo, agora completamente nu. Ela me masturbava quase gentilmente, era a primeira vez que recebia tal contato provocado por outra pessoa, mas, já nem me lembrava disso, eu parecia saber exatamente o que queria e o que fazia, o que queria fazer.
Toquei sua mão por cima de seu toque, me senti completamente úmida enquanto ela me tocava. Me beijou mais uma vez, seu leve gosto de menta me atingiu e naquele momento fechei minha mão sobre a sua a forçando a aprofundar mais seu toque. Assim ela o fez, seguiu me masturbando enquanto me beijava, eu não conseguia mais, me contorcia demais, comecei a gemer de forma que ela não pôde mais me beijar... Ela me penetrou, não soube como, não soube quanto, apenas senti o movimento de seus dedos dentro de mim, eu parecia ver estrelas, parecia não saber mais onde estava, só sabia que estava com ela.
Eu não conseguia mais me controlar, o movimento de sua mão em mim, o movimento de seu corpo indo e vindo com seus dedos, forçando seu corpo contra o meu parecia implodir em meu íntimo, parecia não caber mais tanto prazer...
Eu queria gritar, só assim eu poderia agüentar tudo o que se seguia, com certeza já havia marcado todas as suas costas e em um momento tudo parou, eu senti como se um espasmo gigantesco se formasse no meio de minhas pernas, latejava, tudo latejava.
Ela me olhou sorrindo, eu arfava como nunca, mas minha respiração foi finalmente se acalmando, meu coração desacelerando um pouco...
- Você é tão linda... – ela disse enquanto estendia uma mão até meu rosto afastando uma mecha de cabelo ruivo para longe de meus olhos. - E fica mais ainda toda suada - e levou sua boca até meu pescoço, ainda trêmulo pela palpitação de meus batimentos.
Ela se deitou ao meu lado estendendo o braço atrás de minha cabeça, recostei em seu ombro. Ficamos encarando o toldo vermelho por minutos, ouvindo a respiração mais calma uma da outra.
Tendo uma idéia repentina prontamente perguntei:
- Me deixa fazer uma coisa?
- O que você quiser... - ela disse quase sussurrando.
Estendi meu braço até a garrafa de Licor no móvel de cabeceira, o levei até nós já derramando um pouco sobre a barriga de Melissa. Ela me olhou curiosa... Olhos atrevidos vidrados em mim... mas agora eu também estava sendo atrevida... não me preocupava com pudores, eu queria ser dela, e que ela fosse minha...
Repus a garrafa na mesa de cabeceira e levei minha boca até sua barriga. Com a língua fui lambendo cada pedaço em que havia o doce Licor... Ela suspirava à medida que eu contornava sua pele... eu tremia por dentro enquanto sentia com minha língua sua pele macia...
Ainda um pouco inclinada sobre ela voltei com meu rosto até o seu a beijando. Ela retribuiu o beijo enquanto minha mão ainda parada em sua barriga desceu.
Ela deu um profundo suspiro e parou de me beijar na hora em que comecei a masturbá-la. A fitei compenetradamente, e ela fechou os olhos, aparentemente se deliciando... Conforme fui aumentando o ritmo ela arfava rapidamente. Ela estava tão molhada quanto eu estava um pouco anteriormente, senti um pequeno medo, mas em seguida encaixei um dedo dentro dela, comecei a movimentar meu dedo, indo e vindo. Quando mais um eu pus, ela arfou mais. Se agarrou à mim como eu havia me agarrado a ela instantes antes... Eu sabia o que ela estava sentindo... eu sabia que seus sentidos estavam desordenados naquele momento...
Enquanto explorava todo o íntimo dela beijava seu pescoço, seu colo, ela se agarrava mais a mim, suspirando, gemendo, era maravilhoso vê-la daquela forma.
Um minuto e ela levou sua mão até meu pulso sentindo todo o meu movimento, sentindo tudo igualmente a mim anteriormente...
Alguns instantes mais tarde estávamos novamente deitadas respirando mais calmamente...
Parecíamos absortas, totalmente ligadas à sentimentos e sensações... Eu estava recostada em seu ombro mais uma vez, pensando que realmente não havia sido um sonho afinal.
- Essa foi a melhor noite que eu já tive... – eu disse calmamente.
Apenas senti os músculos de sua face se estenderem em um delicado sorriso, e através da tímida luz de uma lamparina acesa eu observei a sombra da pequena orquídea no toldo vermelho... com um absoluto aroma de menta no ar...
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N/A: É isso ai gente, sei que dessa vez eu demorei mais ainda a postar o capítulo, mas eu não tive muito tempo para prepará-lo. Obrigada mais uma vez a todos que leram e comentaram. Ah, pra uma leitora em especial:
Trinity: Eu não quero te matar! rs, Bjo galera! Continuem lendo e comentando!