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27. Ver e ouvir


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


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CAPITULO 27


Ver e ouvir


Hermione lutou contra a compulsão durante várias horas. Havia conseguido escapar do almoço e jantar em família pois havia passado o dia com Gina em Hogsmead arrumando seu futuro, mas agora, altas horas da noite, sabendo que Harry ainda não havia voltado, que Mary dormia e Rony estava lá embaixo vendo televisão sozinho, ela sentia a compulsão de descer e lhe fazer companhia.
A pouco mais de uma hora havia ouvido os passos dele no corredor, como se estivesse em dúvida sobre bater em sua porta ou não. Claro, era imaginação sua. Provavelmente ele havia subido para seu quarto, mas não custava acreditar em seu coração custava?
Mordeu o lábio, pensando nas palavras de Gina. A vida é curta. No seu caso mais curta que das outras pessoas, pois perdera dez anos de sua juventude. Sentindo que perdia a batalha entre sua razão e seu coração, ela levantou-se da cama e calçou os chinelos.
Vestia um pijama que não era mais que algum pouco de tecido de algodão fino dividido em um short e uma regatinha. Era o mesmo tipo e roupa que sempre usou para dormir e ele gostava disso, ela lembrou-se, ajeitando os cabelos e conferindo se estava bem.
Claro, não pretendia provocá-lo, e talvez nem falasse com ele. Iria descer, apanhar um copo de água e voltar ao seu quarto. Tudo muito inocente. Enquanto pensava isso, ela saia do quarto sorrindo. Inocente ou não, seu coração estava acelerado.
No alto da escada ela avistou o topo da cabeça ruiva, sentado no sofá e a luz que vinha da televisão.
O mais discreta possível desceu os degraus, indo sorrateira em direção a cozinha. Olhou para trás e notou que ele nem notara. Decepcionada, pegou pensando-se que não deveria ser tão silenciosa assim! Propositalmente ela abriu a porta da cozinha com mais força que o necessário. O pequeno ruído fez a cabeça dele se mover e ela entrou correndo.
Seu coração batia tão rápido que ela quase tropeçou no curto caminho entre a porta e a cozinha. Suas mãos estava instáveis, mesmo assim apanhou o copo e a água e colocou sobre a mesa. Sua sobrancelha se ergueu em algo perigoso quando viu novamente aquela taça com seu bilhetinho. Bem, porque não?
Não tinha fome, mas queria ver até onde Mary iria até explodir e se mostrar de verdade. Estava cansada daquelas ironias simpáticas, daqueles olhares mascarados. Queria ver a verdadeira Mary e saber com quem lidava.
Nada discretamente ela jogou seu conteúdo pelo cano da pia, abrindo o registro da água para limpar as marcas de sua conspiração. Recolocou o pote sujo na geladeira, com direito a colherzinha dentro e tudo.
Não iria comer aquilo toda a noite, pois não engordaria por causa daquela mulher e também, porque não era viciada em chocolate.
Distraída ela serviu um copo de água e ficou de pé olhando para a porta esperando.
Quando estava quase convencida que ele não viria a porta se abriu. Ele fechou-a atrás de si e ela se arrepiou.
-Estava te esperando -ele disse direto.
-Desci porque tive sede -ela defendeu-se, apoiando uma das mãos na pia, para se segurar.
-Não minta, Hermione - ele aproximou-se ficando bem perto – Nós dois sabíamos que desceria para ficar comigo.
-Eu não sei do que está falando -ela desconversou sorrindo sem querer entre um gole e outro.
-Estou falando do que sentimos – ele colocou uma em cada parte da pia, deixando-a presa entre ele e o móvel.
-Rony... – perdeu a graça a se ver a centímetro dele.
-Admita que veio atrás de mim – ele exigiu.
-Não admito nada! – ela brigou arrependida de ter descido – Quer me deixar passar?
-Não, eu quero outra coisa – ele distorceu suas palavras, aproximando o rosto de seu pescoço, deixando-a rígida, apavorada.
Se ele a tocasse, ela não resistiria. Seus olhos miraram a mesa com agonia, e sob suas pálpebras semi-abertas ela pode se ver deitada ali, nua, com seu corpo forte e grande moendo-se sobre ela. Tão rápido como a imagem veio, foi embora e Hermione o empurrou.
-Para com isso, Ronald! – afastou-se ficando com raiva.
-Porque desceu então? – ele perguntou ficando com raiva também – Poderia conjurar a água! Não precisava descer a menos que quisesse me ver sozinho!
-Acontece que o mundo não gira ao redor de você e sua presença! –desdenhou – Estava pensando na minha vida, sequer lembrei que estaria aqui embaixo! – mentiu.
-É mesmo? E que pensamentos profundos são esses? Posso saber? – ele desafiou, cruzando os braços e fitando seus olhos com rancor.
-Vou começar a trabalhar depois de amanhã. – ela informou certa que o surpreenderia.
Se refazendo do susto ele perguntou:
-E posso saber onde vai trabalhar? Rejeitou o cargo do ministério que o ministro ofereceu!
-Sim, eu recusei. Recusei pois consegui um trabalho me outro lugar – sorriu notando sua curiosidade.
-Onde? – ele perguntou sério, e desconfiado.
-Em um lugar muito interessante... – se fez de desentendida.
Estava quase rindo dele quando Rony agarrou seu braço e a prensou contra ele, furioso:
-Desceu só para me provocar, não é? Sabe o quanto te desejo, o quanto de amo, e vem apenas me mostrar o que nunca terei? É esse seu plano, Hermione? Me enlouquecer?
-Eu... – ela não soube o que responder.
-Me enlouquece, e segue sua vida, e como eu fico? Como posso voltar para minha vida sem graça, com você em meus pensamentos? Me diz! O que espera que eu faça com esse pensamento insistente que me manda jogar tudo pro alto e ficar com ao seu lado?
-Eu... – sentiu o corpo e a raiva amolecerem e as lágrimas vieram aos seus olhos. –Eu vou ser sua amante, Rony -disse antes que pudesse se conter. Ele ficou tão surpreso que afrouxou o punho em volta do seu braço, mas não a soltou – Mas não agora. E não aqui.
-Eu nunca pedi que fosse minha amante, Hermione. Eu te quero além disso – ele afirmou assustado com o rumo que a vida de ambos seguia.
-Sabe melhor que eu que nesse momento não será possível termos mais que isso, Rony – ela havia pensando muito nisso, ele não tinha nem idéia do quanto! – Por hora, quero te ver, foi por isso que desci. Quero te sentir e te ouvir. Só isso.
Ele a soltou embevecido com suas palavras e aproximou-se, tocando seu rosto com todo carinho que tinha guardado dentro de si.
-Enquanto estiver na sua casa, serei sua amiga. Só isso. Depois...quando estiver estabelecida e minha vida tiver um rumo, aí, sim, eu vou aceita-lo como for. Amiga, amante, mulher....o que você quiser de mim.
Ele segurou sua mão, que o acariciava e beijou a palma, com tantos sentimentos no olhar que ela sorriu. Era bom demais se sentir e se ver amada. Seria um amor complicado e com toda certeza sofreria, mas não podia se furtar a pertencer a ele quando seu coração e seu corpo imploravam por isso.
-Eu te amo, Hermione – ele disse finalmente, não diretamente para seus olhos de mel que lhe diziam a mesma coisa.
-É só por isso que vou me ariscar, Rony – ela disse baixo, e próxima.
-Me deixe te beijar -ele pediu cada vez mais próximo.
-Se eu deixar, não vamos parar... –ela avisou tentada.
Os olhos dele a mediram desde as pernas nuas a lisas, até os seios médios nada ocultos pelo algodão fino. Uma das alcinhas estava da blusa estava caída em seu ombro e ele devorou a pele acetinada de seu ombro, devotando os cabelos longos e crespos, a curva da sua orelha, o lóbulo a espera de sua boca. Ele soltou sua mão e os dois ficaram a centímetros, e Hermione não teve a menor dúvida que no momento em que ele a tocasse novamente, ela não poderia se parar. Muito menos a ele!
-Papai? – a vozinha macia quebrou o encanto, e Rony olhou para a intrusa com olhar acusador, até reconhecer sua filha e sua expressão suavizar:
-Hermy, porque está fora da cama, querida?
-Estou com dor de barriga, pai – ela disse sem ligar para a presença de Hermione, e indo até o pai que a abraçou.
-Sua mãe guarda um remédio aqui nas gavetas.... –ele a colocou sentada na beira da mesa e piscou para a menina fazendo –a sorriu.
Hermione sentiu-se uma intrusa.
Seria essa sua vida, pensou. A vida de uma intrusa. Teria algumas noites, alguns momentos de paixão, mas essa sempre seria a vida dele. Notou os olhos de Hermy sobre ela e sorriu para a menina.
-A mamãe disse para não comer salsinha no jantar -ela contou com voz frágil e Hermione sorriu. – A mamãe disse que sempre faz mal!
-Bem, as vezes pode fazer – ela disse sentindo o grande peso que havia nos ombros da menina. – Mas às vezes é bom quebrar as regras de vez em quando não é?
-Hum-hum -a menina concordou e sorriu aliviada.
Parte da sua dor era a culpa, ela pensou.
Amava Rony, e poderia viver com a culpa?


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Autora: esse cap é o de ontem. Estou com gripe, então estou escrevendo bem lentamente....é uma frase e um espiro....uma frase outro espiro....mas o cap de hoje vem daqui a pouquinho...By

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