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25. Dar e receber


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 25


AUTORA: Ops, eu disse que seria Harry e Gina, mas me enganei, saiu um capitulo Gina e Hermione. HxG vem no próximo....Tchau!



Dar e receber


Hermione acordou tarde na manhã seguinte. Também pudera, depois de uma noite em claro, rolando naquela impecável cama de dorsal! Acordou amassada entre os lençóis desarrumados e embora fosse falta de educação, ela não mexeu um dedo para arrumar sua própria cama.
Mary não era a mulher maravilha? Então, ela que arrumasse sua cama!
Ums vozinha chata insistia em avisá-la que a outra não tinha culpa de ser casada com o amor da sua vida, porém Hermione resolveu ignorar seus porquês e parar de inventar desculpas a si mesma. Queria Rony para si. Era fato. Ele também a desejava. E o fato de não fazerem nada sobre isso não mudava a situação em si.
Vestida, penteada – com muito esmero, diga-se de passagem – ela desceu para a cozinha. A casa estava silenciosa e vazia. A mesa estava posta, mas havia apenas uma xícara e talheres para apenas uma pessoa. Havia um bilhete recostado no açucareiro e ela apanhou com descaso. Mary, a rainha dos bilhetes, pensou.
Dizia que ela saíra cedo por causa do trabalho e Harry fora com Rony numa reunião com o ministro londrino. Voltariam só à tarde, para o almoço. Ela recomendava educadamente que ficasse a vontade.
Deixando o bilhete de lado, ela apanhou uma maçã, rejeitando todo o esmero de Mary.
Ela ficaria a vontade sim, como se aquela casa fosse sua. Era errado? Sim, era muito errado, mas poderia ser sua única oportunidade de se martirizar fuçando na vida de Rony com Mary.
Não queria mexer nas coisas da outra, mas se pegou subindo as escadas em direção ao quarto do casal. Em frente a porta ela parou incerta, colocando a mão sobre a maçaneta.
Não tinha direito a fazer isso. Era errado. Tão errado quanto dizer a um homem casado que sente desejo por ele, não é? Bem, eles já cruzaram aquela linha entre o certo e o errado.
-Que coisa feia, Hermione!
Ela ouviu a voz e saltou pega no flagra. No corredor, de onde ela viera ainda a pouco, uma imagem muito sorridente olhava para ela.
-Bisbilhotando o quarto do casal! – havia diversão em sua voz.
-Eu... – ela olhou para Gina sem saber o que dizer.
Era sua melhor amiga. E estava ali na sua frente.
-Não precisa dizer nada, Hermione -ela andou em sua direção o sorriso gigantesco - porque não me procurou?
-Não sabia se devia... – ficou sem palavras.
-É claro que devia – ela deixou a grande bolsa que usava no ombro ficar no chão, e ficou bem próxima – Foi o inferno ficar sem minha melhor amiga. – seus olhos encheram de lágrimas e ela sorriu – Não posso nem acreditar que esteja aqui na minha frente!
-Você... – Hermione olhou para sua barriga e não soube mesmo o que dizer-...está tão bonita!
-Todos vivem me dizendo isso! Estou começando a pensar que era feia antes de engravidar! – Gina era toda sorrisos e graça, enquanto Hermione estava em choque – Vamos, Hermione, não me obrigue a te agarrar a força! – ela abriu os braços esperando pelo abraço.
Para Hermione era como se a tivesse abraçado há poucos dias atrás quando estiveram na Toca escondido de todos, esperando outra pista das Hercrox, mas para Gina havia se passado muitos anos, o que justificava seu choro de alegria.
-é inacreditável que esteja aqui, na minha frente! – ela disse se afastando deixando em Hermione a saudável saudade de seu perfume de flores – eu sei como se sente, Hermione, eu entendi tudo. Não estou pensando nada de errado, nunca pensei! Não precisa ficar na defensiva comigo!
-Gina... – ela começou a entender e seus olhos brilharam intensamente ao fazer uma dedução clara – Você e Harry já se encontraram, não é?
-Sempre a mais brilhante – ela elogiou, sorrindo maliciosa –Combinamos ficar juntos em segredo, por isso ele não te contou ainda. Escondido é mais perigoso e Rony não poderia me afastar de Harry por mais que quisesse!
-Está preocupado com você – olhou para sua barriga e ela olhou também.
-O Rony é muito cheio de neuroses – ela deu de ombros, colocando a mão na maçaneta da porta e abrindo. Hermione reteve o fôlego ao ver o quarto decorado em tons rosa e pastel.
Era decepcionante na verdade. Parecia um quarto de menina, só que mais pomposo.
-Uma cama, uma penteadeira, um roupeiro. É só um quarto, Hermione – Gina disse madura notando seu olhar – além disso, eles não transam sempre – ela confidenciou, como se isso quisesse dizer muita coisa. – Venha, me ajude a descer essas escadas, pois não consigo ver os degraus! – ela contornou a barriga e Hermione sorriu encantada por estar ao seu lado.
Ajudando-a com a bolsa, ela segurou seu braço e as duas desceram as escadas cuidadosamente. Não era brincadeira, ela não via seus pés a um bom tempo!
Na sala, Gina caiu no sofá cansada, olhando para ela com algo malicioso no olhar:
-Me diga, você e Rony já voltaram?
-Acabei de cair de pára-quedas na vida dele – defendeu-se.
-Sim, sei disso. Eu perguntei, se vocês dois já se acertaram?
-Notou que seu irmão é casado? – perguntou irônica.
-Acho que só você pensa isso – ela disse no mesmo tom – Mary é uma...parasita. se não fosse as meninas, que cá entre nós, eu nem sei se são de Rony mesmo, eles não estariam juntos! Não mesmo!
-Porque diz...Rony tem duvidas sobre as filhas? – isso resolveria tudo, pensou.
-Ele não tem, se casou apesar dos meus apelos! – contou com raiva daqueles tempos voltando com carga total – ela namorava um cara na época, e obviamente eles tinham intimidade. Sendo assim, ao menos a confirmação ele deveria ter pedido! Mas papai e mamãe fizeram pressão para o casamento sair, achando que isso o tiraria da fossa. E olha só onde ele veio parar? Essa casa me dá arrepios, Hermione! Ouça – ela pediu e Hermione não ouviu nada – parece que até as moscas tem medo de entrar aqui! – segredou.
-Mary é perfeccionista -ela disse em tom de justificativa, talvez tentando se convencer disso.
-Eu sou perfeccionista. Ela é doente! – suspirou – resumindo, a vida do meu irmão se resumi a evitá-la e cuidar das meninas. Fico feliz que esteja aqui, Hermione, pois já que não pode evitar essa tragédia, ao menos pode chacoalhá-lo e tirara-lo dessa vida de encostamento!
-Não vou fazer isso, Gina – ela disse notando seu olhar de surpresa – Não é justo me meter na vida agora.
-E é justo terem perdido a vida que teriam juntos? -ela disse vibrante – Hermione! Abra os olhos, olhe em volta! Essa vida não é a de Rony! É a vida de Mary! Ela se saíra bem com ele ou sem ele! As meninas também! Para ser franca, Sara nem sentira falta do pai, pois é igualzinha a mãe. A pobrezinha da Hermy...bem, nada poderia desgrudá-la de Rony! Sabia que ela tem esse nome por sua causa? – perguntou sorrindo.
-Suspeitei -ela confirmou deliciada com a confirmação.
-Hermy nasceu com olhos iguais aos seus e Rony iria colocar seu nome. Mas Mary não aceitou. Por isso, Hermione, não se sinta mal. Mary não está alheia. Ela está na guerra, lutando ativamente por Rony. Você é a inimiga.
-E se no fim de tudo, ele quiser ficar com a família, Gina? – era doloroso mas era uma possibilidade em que vinha pensando muito.
-Então, ao menos terá vivido um grande amor –ela disse com seu entusiasmo de sempre. Gina era uma apaixonada pela vida – eu perdi Harry muito cedo, achei que nunca mais fosse amar, mas a lembrança daquele amor me consolou por todos esses anos, e me deu animo para procurar outro companheiro. – uma pontinha de tristeza permeou seu olhar – Sabe que me casei, não sabe?
-Sei – concordou esperando que ela falasse algo.
-Não conte a Harry, mas não fui feliz com meu marido. Não é uma lembrança que goste, e minha família não sabe. Se Greg não houvesse morrido, eu teria me separado. Aliás, falávamos muito em divorcio antes do acidente que o levou.
-Rony me disse que eram muito únicos, que ficou doente pela falta dele! – ficou surpresa.
-Greg leu meu diário depois que nos casamos, eu não sabia que ele lia escondido. Então, quando engravidei eu escrevi que estava feliz pois foi só por isso que me casei. Para ser mãe. Para amar novamente, ao menos um filho, se não poderia amar um homem como amei Harry. Ele ficou arrasado. Estava no seu direito, não é? Não fui justa com ele!
-Gina, eu não sei o que lhe dizer. –era uma revelação e tanto.
-O que a minha família não sabe, Hermione e eu só revelaria a uma amiga como você – tocou sua mão e as duas entrelaçaram os dedos como faziam no passado, altas horas da noite, no dormitório feminino em meio a revelações de seus inocentes corações apaixonados – é que Greg passou a me punir por não amá-lo. Ele...me batia as vezes – antes que Hermione pudesse falar ela continuou – não eram agressões grandes, eram empurrões, eram tapas...eu iria esperar um tempo e ir embora, mas um dia ele me bateu sério, foi quando passei mal a primeira vez. Quase perdi o bebê. Por vergonha não contei a ninguém e avisei que o deixaria. Ele pediu perdão e concordou. Daquele dia em diante, não encostou mais em mim. Greg não era um homem ruim, fui eu quem fiz mal a vida dele. Só não posso contar isso a Harry.
-Ele entenderia. Harry é a pessoa mais aberta que já conheci! – Hermione disse indignada – Esse Greg não te merecia! Se estava magoado pedisse um tempo! Mas ferir uma mulher grávida? Não há desculpas, Gina! De forma alguma!
-Eu não penso mais nisso, Hermione, por isso não queria contar a Harry. Sinto até vergonha de não sentir mais a morte do meu marido, ou ter sofrido mais pela sua agressão. Mas a bem da verdade, é que eu só o usei para ter minha filha – sorriu, colocando a mão de Hermione sobre sua barriga – Hoje ela está quietinha. Mas chama-se Felicity. Vai nascer em um mês e doze dias.
-É maravilhoso... – ela disse encantada com o milagre da vida.
-Ela ia nascer sem madrinha e agora, tem madrinha e um futuro padrasto – disse com segundas intenções – o mundo é perfeito. E funciona a revelia da nossa vontade! Se eu houvesse esperado, hoje não teria essa filha, e estaria totalmente livre para Harry e se Rony nunca houvesse bebido naquela noite, talvez estivesse livre para você.- havia uma ponta de tristeza que ela tentava mascarar com alegria.
-Ou apenas estaríamos todos mortos – Hermione disse e ela parecia chocada – me desculpe falar assim, mas estou começando a achar que foi melhor assim. Você viva e saudável para se entender com Harry. E eu...viva e saudável para ver Rony casado com a Miss Londres.
-Vai lutar por ele não vai? – perguntou ansiosa.
-Eu quero, mas não sei se devo.
-Tem razão, só você pode saber a hora certa para tomar essa decisão. Eu vim até aqui, na esperança de te ver sozinha, e poder me dependurar em você até enjoarmos uma da outra! - elas riram – mas agora, eu penso se não devíamos fazer mais que isso!
-Como assim?
-Em um mês e poucos dias irei voltar para minha casa com minha filha nos braços e não quero morar sozinha, muito menos morar com Harry ainda. Nós já falamos sobre isso, então ele está avisado. Por outro lado, preciso de uma amiga ao meu lado. E você precisa, de uma amiga ao seu lado. O que acha? Quer morar comigo até acertar sua vida?
-Me pegou de surpresa – ela disse, sorrindo por antecipação.
-Claro, haverá o choro constante de uma bebezinha e pode acabar sendo babá algumas vezes... – elas riram novamente – mas seria maravilhoso ficar ao seu lado, Hermione. Então, me diga que aceita?
Hermione apertou sua mão com força maneando a cabeça sem conseguir falar.
-Eu não tenho mais família – ela disse emocionada – não sabe como significa para mim seu convite...
-Eu sei, porque significa o mesmo para mim. – Gina sentia-se do mesmo modo – Na minha casa você e Rony podem se encontrar e terem o caso de vocês sossegadamente... –ela tornou a insinuar e Hermione riu entre lágrimas.
-Não diga isso a ele, Gina, é difícil ficar dizendo não o tempo todo. Eu amo muito o seu irmão.
-Por isso mesmo, faça do meu apartamento o ninho de amor de vocês dois! – ela riu da expressão de Hermione, parando ao lembrar-se de algo – Espera aí! Vocês nunca chegaram a....! Hermione! - ela parecia prestes a explodir de empolgação – se você está exatamente como a dez anos atrás... –ela começou a rir -...Rony deve estar subindo pelas paredes! ele sabe que você ainda é...? – fez um gesto com as mãos para ilustrar a finalização da frase não realizada.
-Eu contei a ele ontem a noite.
-Ontem a noite? O que aconteceu ontem a noite?
-Nada, ele só me contou dos problemas dele. Eu disse que ele me deixava muito excitada.
-E ainda me diz que não é certo ficar com ele!
-Gina! – protestou.
-Tudo bem, não vou insistir. Temos muito o que falar antes que volte a insistir nesse assunto! Só pense uma coisa, Hermione – disse séria – a vida é muito curta para se dar ao luxo de pensar demais. Os momentos passam e ficamos para trás. Não deixe de viver esse amor, mesmo que sofra depois.
-Como posso ter pensando que viveria minha vida sem você do meu lado, Gina? -ela perguntou sentindo-se novamente leve e feliz.
-eu não sei. Não sei como alguém pode viver sem mim! – ela disse falsamente prepotente e as duas riram.
Gina saltou ao sentir Felicity chutar dentro de sua barriga e correu a colocar sua mão no local certo, vendo Hermione ficar maravilhada com esse pequeno milagre da natureza.
E assim elas ficaram a amanhã toda, conversando como se dez anos se resumissem há apenas um dia sem se verem...

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