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5. Capítulo 5


Fic: Uma segunda chance para viver


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Caía uma garoa fininha na capital inglesa na tarde daquela Segunda-feira. Gina e Hermione caminhavam pelo Beco Diagonal à procura de um bom presente de casamento para Rony e Melanie, enquanto a ruiva contava à amiga como andava seu relacionamento com Harry.

- Sabe, às vezes eu me sinto um pouco insegura por ele nunca conversar como vai ser o nosso futuro. Não que eu esteja esperando uma proposta de casamento para tão logo, mas os namorados normais brincam com a possibilidade de ficarem juntos, não é? Se divertem pensando em nomes para os filhos que desejam ter e essas coisas...

Elas haviam parado em frente a uma vitrine que exibia uma linda coleção de caldeirões para uso culinário, que estava em promoção. Hermione examinava o preço sem deixar de dar atenção à amiga, por isso aconselhou:

- Acho que você está se preocupando à toa, Gina. Está na cara que o Harry ama você! Além disso, não existe um "manual oficial do namoro" que diga o que é ou não normal num relacionamento. – brincou ela – O fato é que nós, mulheres, temos uma certa tendência a pensar em casamento, enquanto os homens fazem algo muito mais racional: vivem um dia de cada vez.
- Essa sua teoria parece não se aplicar muito bem ao seu próprio namoro, não é? – provocou a ruiva – Afinal, foi o Krum quem propôs que passassem a vida inteira juntos, e você não me parece muito à vontade diante dessa perspectiva.
- Tem razão, mas acredite em mim quando digo que a sua situação é muito melhor. – sentenciou Hermione enquanto as duas entravam na loja para observar outros artigos à venda – Uma proposta de casamento precipitada só deixa as coisas complicadas... talvez eu e ele pudéssemos resolver aos poucos os problemas do nosso namoro, mas agora a minha decisão tem de ser definitiva: ou termino de uma vez ou aceito o pedido. É muito estranho.
- Imagino... – murmurou Gina, que apreciava um conjunto de pratos de porcelana – mas o Harry não morreria só por me dizer se pretende algum dia se casar comigo! – exclamou aborrecida.
- Não o censure por isso. - disse Hermione conciliadora – Você sabe muito bem porque o Harry não consegue fazer planos para o futuro... Depois de todas as tragédias que já ocorreram na vida dele, não poderíamos esperar outra coisa. Ele tem medo de lhe fazer promessas e depois não estar aqui para cumprí-las.

Gina ponderou as palavras da amiga e foi forçada a admitir que Hermione tinha razão. Emocionada, a ruiva declarou:

- Gostaria tanto que essa guerra acabasse! Quando Voldemort caiu, achei que tudo ficaria bem, mas parece que os Comensais restantes vão lutar até o fim. Quando será que o Harry vai ficar livre para curtir a felicidade?

Hermione abraçou a amiga e disse, confiante:

- Em breve, você vai ver... Devem faltar muito poucos a serem capturados agora.
- Assim espero. Já estou farta de ver o homem que eu amo correndo riscos!
- Todos nós nos sentimos assim, mas não podemos deixar que os problemas nos levem a ter uma vida vazia, dominada pelo medo. Sabe, Gina, essa minha vinda para a Inglaterra tem me ensinado isso. Perdi muita coisa na época de Hogwarts por termos nos envolvido ainda jovens na luta contra as Trevas. Depois passei anos me empenhando tanto em consertar o tenebroso saldo deixado pela guerra que acabei dedicando todo o meu tempo àquele hospital. Talvez até meu relacionamento com Vítor teria sido melhor se eu não estivesse com a mente sempre tão preocupada...

Gina meneou a cabeça ceticamente, pois, embora concordasse que a amiga havia negligenciado um pouco sua vida pessoal, não achava que o problema dela com Krum fosse apenas esse. Porém, não estando disposta a confrontar Hermione, disse apenas:

- Estou feliz em ver que a sua estadia conosco esteja lhe fazendo bem. Pena que seja temporário. Afinal, você vai acabar indo embora daqui, ou para se mudar para a Bulgária ou para voltar à Irlanda...
- Quem sabe o destino não me traz de volta pra cá antes do que imaginamos. Ele nos faz cada surpresa às vezes... – comentou a morena de forma pouco conclusiva, inevitavelmente pensando no homem que há poucos dias invadira sua vida sem aviso prévio. Sirius era mesmo isso para Hermione: uma surpresa do destino.

As duas garotas deixaram de lado as atribulações de seus relacionamentos e voltaram a se concentrar nas compras que tinham de fazer. Horas depois, Hermione acabou encontrando o presente ideal para dar aos noivos: um objeto retangular, semelhante a uma caixa de tamanho médio, enfeitiçado para gelar os mantimentos que se colocasse dentro dele. Uma idéia que provavelmente os bruxos haviam copiado dos refrigeradores trouxas, pensou a morena, mas com a conveniência de dispensar o uso de energia elétrica. Era um presente relativamente caro, mas Hermione gastou esses galeões com prazer. Afinal, não era todo dia que se tinha a oportunidade de ser madrinha de casamento de um de seus melhores amigos.

Após indicar o endereço da Toca para que os entregadores levassem o presente, as duas amigas rumaram diretamente para a loja de Madame Malkim, a fim de escolher um elegante vestido para Hermione. A proprietária do estabelecimento mostrou uma infinidade de modelos para a garota, mas nenhum lhe parecia adequado para a ocasião. Quando já estava pensando em desistir e procurar numa loja trouxa, a mulher lhe apareceu com um vestido esplendoroso. O tecido era em degrade, começando em um roxo escuro na altura do busto, passando por todos os matizes de lilás ao longo do corpo, até chegar ao branco, na barra da saia. Apesar da cor, o vestido era muito discreto, pois havia pouco bordado e os decotes no busto e nas costas eram bem comportados. Hermione o vestiu e Gina aprovou o modelo na mesma hora. Ele parecia ter sido feito sob medida para a garota.

Ao voltar para casa, no início da noite, Hermione deparou-se com Harry, Lupin e Sirius arrumando mochilas com ítens de necessidade básica, como se estivessem se preparando para uma viagem. Harry explicou que eles haviam sido convocados pelo Ministério para investigar a possível existência de um grupo de Comensais numa vila trouxa da Escócia, e que não tinham data certa para regressar. O coração de Hermione ficou apertado de imaginar o risco que correriam seus queridos amigos, mas ela sabia que uma missão como aquela era trivial para o grupo depois de tantos anos combatendo as Trevas.

- Ainda não sabemos a que horas virá o sinal de que podemos partir, mas já estamos deixando tudo pronto, por precaução. – explicou Lupin à garota.
- Eu só não entendi por que não fui convocada também! – disse Tonks, aborrecida.
- Ora, quem você queria que ficasse tomando conta da Sede? O Mundungo? – gracejou Sirius.
- Isso é verdade, mas devo admitir que também não me agrada a idéia de deixar você sozinha... – comentou Lupin com carinho para a esposa – Só fico mais aliviado por Hermione estar aqui para lhe ajudar. Cuidem bem uma da outra, ok?
- Não se preocupe – tranquilizou-o a garota, dando palmadinhas em seu braço – Nós vamos ficar bem. Lembre-se de que a casa ainda está protegida por feitiços que não permitem a sua localização...
- Mas é bom vocês andarem sempre com suas varinhas nos próximos dias – sugeriu Harry – Cautela nunca é demais.

Elas assentiram com serenidade. Depois de tantos anos de guerra, um conselho como aquele nem era mais encarado como mau agouro.

Quando os três homens se convenceram de que tinham tudo de que precisavam nas mochilas, sentaram-se em torno da mesa da cozinha, aguardando o chamado dos aurores com visível expectativa. A tensão que dominava o ambiente, porém, dissipou-se um pouco quando a cabeça de Quim surgiu entre as chamas da lareira, comunicando que iria levar pelo menos mais uma hora até que pudessem partir.

Aproveitando o hiato, Hermione rumou para o quarto a fim de guardar o vestido recém-comprado. Sirius acompanhou seu movimento de saída com os olhos e, quando voltou sua atenção para o grupo que ficara, recebeu um olhar profundo e curto de Lupin. Os dois amigos ainda não haviam conversado especificamente sobre a discussão do dia anterior, mas, sobretudo devido à iminência de partirem para uma missão juntos, haviam abandonado qualquer hostilidade. Sirius gostaria de poder explicar melhor seu ponto de vista ao amigo, principalmente depois da longa reflexão desencadeada pela briga, mas não havia tempo para isso. Sem se importar com o juízo equivocado que Lupin pudesse fazer, ele murmurou alguma desculpa e subiu as escadas, indo ao encontro de Hermione.

Encontrou-a deitada de bruços sobre a cama, abraçada ao travesseiro, com o semblante carregado. Sirius preferia muito mais a Hermione risonha dos últimos dias, mas ainda assim ela parecia bonita.

- Posso entrar? – perguntou o homem gentilmente, ainda parado à porta.
- Claro que pode – disse ela com um esboço de sorriso, virando-se para sentar na cama. Ele fez o mesmo, postando-se bem perto dela.
- Queria pedir uma coisa pra você. – disse ele em tom calmo e baixo – Talvez eu receba mais algumas respostas do Ministério nos próximos dias e... bem... Será que poderia fazer o favor de checar a minha correspondência, sem que...
- A Tonks saiba? – finalizou ela. - Não se preocupe, seu segredo estará a salvo comigo.
- Eu sei. Obrigado. – disse ele enquanto olhava ternamente para o rosto dela, como se quisesse decorar cada um de seus contornos. Hermione ficou encabulada com a intensa observação dele, mas reuniu coragem para comentar:
- Não me olhe como se não fosse me ver nunca mais... me dá calafrios!
- Ei! – chamou Sirius colocando as duas mãos no rosto dela, forçando-a a olhar para ele – Eu vou voltar! Eu, Harry e Lupin. Tenho certeza disso!
- Isso é uma promessa? – perguntou a garota em desafio.
- Sim. Mas você tem que me fazer outra em compensação: não vai deixar de curtir os seus dias de férias preocupando-se conosco, ok?
- Certo... – respondeu ela sem convicção – Vou me esforçar nisso.

Eles permaneceram algum tempo calados, sem saber exatamente o que dizer um para o outro. Até que Hermione fez uma pergunta que lhe estava consumindo:

- Eu lhe falei mesmo uma porção de coisas enquanto estava bêbada ou você disse aquilo só para me provocar?

Sirius sorriu enviesado e respondeu com a ironia de sempre.

- Falou coisas que fariam seu rosto ficar mais vermelho que os cabelos dos Weasley!
- Mas é claro que você não vai me contar o que foi, só pelo prazer de me manter aflita. – afirmou a garota, impaciente.
- Astuta como sempre...

Ela examinou a expressão marota no rosto dele durante algum tempo e sentenciou:

- Você está blefando!
- Acha mesmo?
- Acho!
- Então a que se deve toda essa minha aura de presunção desde aquela noite? – indagou Sirius com um olhar penetrante.

Hermione tentava se convencer de que era mais uma provocação sem fundamento, mas parte dela sabia que, dependendo do que ele ouvira, nada poderia ser mais natural que ele sentir-se presunçoso. Na discussão, porém, ela tinha que manter-se firme.

- Sabe por que eu sei que está mentindo? Porque nada do eu penso é capaz de lhe induzir tamanha euforia. Ainda que você tivesse penetrado a minha mente com Legilimência não encontraria motivo para ficar se gabando desse jeito.
- Sinto muito, Granger - interpôs ele –, mas quem fez ponto agora fui eu. Se de fato você não quisesse esconder nada de mim, não teria se importado com o meu comentário desde o primeiro momento... e pelo tanto que você amassou aquela edição do Profeta, obviamente ficou consternada ao pensar o que poderia ter deixado escapar.

Ela ficou muda, incapaz de articular um comentário sensato. A bruxa mais inteligente de sua época havia sido encurralada com uma facilidade espantosa.

- Sabe qual é a maravilha nisso tudo? – questionou Sirius ao mesmo tempo em que habilmente pegou os pulsos da garota e a forçou a se deitar na cama, sob o corpo dele - É que mesmo que não tenha me dito nada, você acabou de se entregar.

Além da óbvia raiva pela sagacidade dele, Hermione sentia um ligeiro tremor que lhe subia pela espinha, devido à proximidade angustiante dos corpos sobre a cama. Sirius tinha esse maldito poder de retirar-lhe a razão, de fazer seus batimentos cardíacos acelerarem e seu estômago formigar... Ter o corpo dele sobre si, prendendo suas mãos contra a cama, era ainda pior de resistir. Mas ela tinha que fazer isso.

- Sirius, o que você pensa que está fazendo? – protestou a garota num fio de voz, as pontas de seus narizes quase se tocando.
- Não vou fazer nada que você não queira, pode ficar tranqüila – respondeu com uma cara de moleque travesso – Se quiser que eu lhe solte, basta pedir.

Para total decepção de Sirius, no mesmo segundo ela exclamou “Me solte!”. Ele atendeu ao pedido fazendo um grande esforço contra seus instintos, mas não era homem de demonstrar sua frustração.

- Achou mesmo que eu iria fazer alguma coisa? – perguntou ele, rindo, como se a hipótese fosse um tanto absurda.
- Eu nunca sei o que esperar de você. – rebateu a garota na defensiva – Não posso prever o seu grau de insanidade...

O homem riu debochado e se levantou da cama.

- Parece então que esses dias não foram suficientes para você conhecer meu humor sarcástico... Eu só queria ver se você iria ficar assustada – mentiu.
- Ótimo, pode rir. – disse ela um pouco chateada – Da próxima vez não vou cair na sua esparrela.
- Isso é o que nós vamos ver – desafiou-a, ainda sorrindo.
- Não me subestime, Sirius Black! – devolveu Hermione com uma sobrancelha erguida.

Abandonando o tom irônico para reassumir sua postura terna inicial, o homem admitiu:

- Não sou louco de fazer isso...

Hermione desarmou-se por conta do comentário dele e resolveu deixar as provocações para outra hora. Afinal, a qualquer momento ele iria partir e não era assim que queria despedir-se dele.

Ela então se pôs de pé, caminhou até ele e pegou em uma de suas mãos, num claro desejo de boa sorte. Sirius levou a mão dela gentilmente até seus lábios e lhe beijou as pontas dos dedos. Sem dizer mais nada, lhe deu as costas e saiu do quarto, para se reunir aos outros na cozinha.

Sentindo-se confusa, Hermione jogou-se de volta na cama e ficou a contemplar o teto. Seus poucos dias de férias eram, entre outras coisas, para se decidir em relação à proposta que Vítor lhe fizera, mas desde que chegara àquela casa não conseguia pensar em outra pessoa que não fosse o padrinho de Harry. Isto lhe parecia totalmente inadequado... uma coisa era admirar a beleza de Sirius com a certeza de que nunca aconteceria nada entre eles, como fazia em sua adolescência. Outra, bem diferente, era ter aquele homem lindo emitindo-lhe sinais confusos dia e noite... às vezes parecia que ele a desejava tanto que iria beijá-la sem nem pedir licença, mas depois ele lhe jogava um balde de água fria, como fizera a poucos instantes, ao rir dessa possibilidade. Hermione ponderou se o clima de flerte que identificava no ar em algumas situações não seria invenção da sua cabeça, como se subconscientemente ela estivesse procurando uma desculpa para não se casar com Vítor. Mas isso não explicaria o comportamento de Sirius ao deitar-se sobre ela na cama, explicaria? Ou será que ele tinha feito aquilo só por diversão, para rir às suas custas depois de ela ter lhe deixado escapar alguma coisa enquanto estava bêbada?

Cansada de perguntas sem resposta, Hermione voltou para a cozinha, ainda em tempo de se despedir adequadamente de Harry e Lupin. Quando os três partiram, a garota consolou uma Tonks aflita dando-lhe palavras de conforto, embora ela mesma se sentisse um pouco inquieta.

- Não fique nervosa... Logo eles estarão de volta. Não é uma missão muito complicada.
- Eu sei que já deveria estar acostumada com esse tipo de situação – admitiu Tonks – e que, no fundo, todos nós corremos riscos todos os dias, independente de qualquer missão pela Ordem... mas sempre fico mal quando o Remo vai e eu não posso ir junto. Me dá medo de ter sido a última vez em que o vi, sabe?
- Não perca o seu tempo pensando nisso. – aconselhou Hermione – Vamos nos concentrar nas coisas que temos de fazer por aqui e o tempo passará mais depressa, ok?

A mulher assentiu, resignada. Afinal, sua preocupação não teria influência no destino de seu marido.






Hermione acordou cedo na Terça-feira, depois de uma noite pontuada por pesadelos que envolviam seus três amigos que haviam partido para a Escócia. Ela ainda não se sentia perfeitamente descansada, mas achou melhor levantar que insistir naquele sono tumultuado.

Depois de um banho revigorante, desceu para a cozinha e teve o prazer de encontrar Dobby também acordado. O elfo se entretinha dando pedaços de carne para Bichento ao mesmo tempo em que coçava atrás das orelhas do felino, que parecia extremamente satisfeito com aquele tratamento vip.

- Bom dia, Dobby!
- Bom dia, senhora! – respondeu o elfo fazendo sua reverência habitual.
- Pelo visto você já conseguiu conquistar a amizade do meu gatinho. Nada deixa Bichento mais feliz que carinho e barriga cheia!
- Dobby gosta muito do bichinho da senhora. Ele faz companhia para mim quase o dia todo.
- Não será porque você detém a chave da despensa? – questionou Hermione com ironia, enquanto se sentava à mesa.
- Pode ser, mas Dobby fica feliz mesmo assim, porque nunca teve um animal para dar e receber carinho.

Hermione se emocionou com as palavras do elfo. Era nessas horas que seu desejo de levar o F.A.L.E. adiante voltava a preencher sua cabeça. Os elfos domésticos eram tão sofridos que um pouco de afeto demonstrado por um bicho de estimação já lhes fazia sorrir.

- Você é especial, Dobby. Se eu não fosse tão apegada a Bichento, deixaria ele aqui com você antes de voltar para a Irlanda.

O gato pareceu compreender o que a garota dissera, porque lhe dirigiu um olhar aborrecido e foi se esconder embaixo do armário. Ela passou vários minutos agachada tentando persuadí-lo a sair, mas Bichento parecia determinado a mostrar que estava se sentindo insultado.

- Mas eu não disse que o abandonaria! – exasperou-se Hermione.

Mundungo chegou na cozinha bem em tempo de presenciar aquela cena ridícula e riu com escárnio.

- Falando sozinha, Granger?

A garota se sentiu constrangida por ele a ter visto conversando com o gato, mas, no fundo, ninguém lhe tirava da cabeça que Bichento podia entender tudo o que ela falava. As reações do felino diante dos comentários dela eram quase humanas.

- Estava só tentando convencer meu gatinho a sair de baixo do armário... – murmurou envergonhada.
- Um animal não se convence com palavras – rosnou o vigarista -, mas com comida.
- Dobby já deu a ele vários pedaços de carne. – explicou a garota – Acho que ele não vai querer sair dali tão cedo.

Resignada, ela sentou-se novamente à mesa, para acompanhar Mundungo no café da manhã. Os elfos tinham servido uma variedade de torradas, sucos, pães e geléias, mas a única coisa que apeteceu a Hermione foi o café forte que Whinky preparara.

- Noite mal dormida, heh? – cutucou o homem.
- Mais ou menos... – respondeu a garota evasivamente – Você não fica preocupado, Mundungo?
- Com o que? – perguntou ele distraído, enquanto abocanhava uma torrada.
- Com isso tudo! Essa guerra maldita que não acaba nunca, o risco que corremos todos os dias...
- Não. Afinal, que diferença faz a forma como iremos morrer? – retrucou o homem com tranqüilidade, para espanto da garota. Vendo a expressão chocada no rosto dela, ele explicou: - Ora, imagine que o país estivesse em paz – Hermione assentiu – Então você decide fazer um lindo passeio com seu gatinho e, ao atravessar uma rua, “Bum”!
- “Bum”? – questionou a garota confusa
- Você é atropelada pelo nôitibus. Ou cai um vaso sobre a sua cabeça! Ou você tem um ataque cardíaco! – disse ele gesticulando para o próprio peito dramaticamente - Quero dizer, a morte pode bater à nossa porta amanhã sem necessariamente estar fantasiada de Comensal. Por que diabos então eu iria me preocupar com a guerra? – finalizou ele, para a seguir tomar um grande gole de suco.

Hermione balançou a cabeça de um lado para outro em sinal de descrença, porém dando risada. Mundungo Fletcher era mesmo uma peça rara! E havia alguma verdade no argumento dele.

- Só o que me chateia – retomou ele – é que os negócios não vão tão bem nesses tempos... Claro que a coisa melhorou desde a derrota de Você-Sabe-Quem, mas ainda tem gente com medo de sair às ruas, de forma que acabei perdendo parte da clientela.

A garota ficou algum tempo pensando se teria coragem de perguntar a Mundungo que tipo de coisas ele comercializava, mas achou melhor não enveredar por esse caminho arriscado. Do jeito que ele era, só sossegaria depois de ter conseguido vender algum artigo a ela. Decidiu, então, desviar para outro assunto.

- Posso lhe perguntar uma coisa, Mundungo?
- Diga, Granger.
- Você ainda tem prestado serviços à Ordem da Fênix? Isto é, eu me lembro que no início da guerra você fornecia informações sobre como andava a captação de pessoas do submundo para o lado das Trevas, mas isso, felizmente, não é mais necessário...
- Sim, porém meu trabalho atual talvez seja até mais importante do que era naquela época. Como os seguidores do tal Lorde se acovardaram e estão escondidos por aí, inclusive às vezes no meio dos trouxas, as informações conseguidas com os vigaristas de plantão são muito úteis. – respondeu o homem, com visível orgulho de si mesmo – Já ajudei a localizar uma meia dúzia daqueles desgraçados.

Hermione deu um meio sorriso, admirada. Mundungo podia ter os defeitos dele, mas era leal à Ordem até o último fio de seus cabelos. A insistência de Sirius para que ele fosse aceito pelos demais tinha se mostrado uma decisão acertada.

- Cuidado! Aí vem o correio! – exclamou o homem olhando para a janela.

Segundos depois, uma revoada de corujas encheu a cozinha, trazendo a edição mais recente do Profeta Diário e várias cartas endereçadas aos moradores da casa.

- Corujas burras! – rosnou Mundungo – Esses bichos vão acabar denunciando o paradeiro da Sede qualquer dia desses. Será que elas não poderiam trazer as cartas individualmente, para não fazer alarde?
- Elas não têm culpa! – defendeu a garota – Só estão fazendo o trabalho delas.

Na verdade, a solidariedade da garota com as aves tinha um outro motivo. Com a confusão que causaram sobre a mesa, Hermione pôde pegar a correspondência de Sirius sem ser notada. Ela dobrou os pergaminhos e os guardou discretamente nas vestes enquanto Mundungo se encarregava de depositar um nuque na bolsinha de couro presa à pata da coruja que trouxera o jornal.

- Onde vocês costumam deixar as cartas? – perguntou Hermione ao homem apontando os demais pergaminhos, destinados aos outros moradores.
- Dobby as coloca sobre a mesinha da sala – respondeu ele enquanto relanceava os olhos sobre as manchetes da primeira página – Deixe por aqui que ele logo virá buscá-las.

A garota assentiu e pediu licença para voltar ao quarto. Ela estava ansiosa para ver se o Ministério havia respondido a algum dos pedidos que Sirius fizera.






Cerca de uma hora depois, Hermione ouviu um rangido metálico que indicava que a porta do quarto de Tonks tinha sido aberta. Satisfeita que a amiga tivesse finalmente acordado, Hermione se levantou da cama, guardou a correspondência de Sirius em seu malão e foi encontrá-la. Afinal, ela gostaria de fazer companhia à auror antes de se refugiar na Toca para ajudar a Sra. Weasley.

As duas passaram o resto da manhã entretidas com assuntos femininos. Hermione mostrou a Tonks o vestido que comprara para o casamento e prontamente recebeu sua aprovação. Elas trocaram idéias sobre os penteados que usariam na festa e a auror divertiu a garota metamorfoseando os cabelos nas várias possibilidades que mencionavam.

Assim o tempo passou depressa e logo o relógio marcou meio-dia. Alguns aurores começaram a chegar para o almoço, entre eles Rony, que havia sido dispensado da missão na Escócia por conta da proximidade de seu casamento. Uma vez que Tonks tinha bastante companhia, Hermione sentiu que estava liberada para ir à Toca.

Ao chegar lá, a garota foi recebida por Gina, que estranhamente trazia as duas sobrancelhas em tom azulado. Antes que Hermione pudesse indagar o que havia acontecido, a ruiva explicou:

- Fred e Jorge estão aqui. Você pode imaginar...
- Mais um artigo de sucesso da “Gemialidades Weasley”, suponho? – disse a morena, sem conseguir reprimir o riso.
- Com certeza! – respondeu Fred, que acabara de chegar na sala – São nossas balas de goma arco-íris. Você come a bala e uma parte do seu corpo adquire o tom de uma das sete cores...
- Você precisa ver os pés da Fleur! – exclamou Jorge animado, juntando-se ao grupo – Eu disse a ela que o verde combinava com o tom de seus olhos, mas mesmo assim ela não parecia muito satisfeita...
- Vocês são terríveis! – exclamou Hermione com uma careta divertida – Espero que as meninas voltem à coloração normal antes da festa de casamento, hein?
- Isso só depende delas – explicou Fred – O efeito da bala passa assim que a pessoa pára de se preocupar com ele.
- Então acho melhor o Gui comprar um sapato fechado para a Fleur usar na cerimônia – debochou Gina – porque ela não vai sossegar tão cedo!

Os gêmeos riram da espirituosidade da irmã e se despediram das duas garotas, pois precisavam voltar à loja de logros, no Beco Diagonal. Gina e Hermione então almoçaram e foram se recostar à sombra de uma árvore, no quintal, onde ficaram batendo papo enquanto faziam a digestão.

- Achei que não a encontraria aqui hoje. – comentou Hermione - Afinal, você já tirou o dia de folga ontem para me acompanhar nas compras...
- Adiantei minhas férias para poder ajudar a mamãe aqui em casa. – explicou a ruiva - Em compensação, vou ter que trabalhar entre o Natal e o Ano Novo... mas eu não reclamo. A casa está provavelmente mais cheia agora do que estará na época dos feriados.
- É verdade. Pena que o Harry teve de partir na missão, não é?
- Nem me fale... – murmurou a outra, com o olhar perdido em algum ponto além.
- Como você está? – indagou Hermione, solidária à situação da amiga.
- Eu tento não pensar nisso para não ficar preocupada. – resumiu Gina, encolhendo os ombros – Não vou ganhar nada ficando desesperada.
- Tenho tentado fazer o mesmo. Até porque eu já tenho muito sobre o que pensar...
- A proposta de Krum, você quer dizer?
- Sim. Estou cada vez mais confusa sobre o que devo fazer. – admitiu a morena.

Gina demorou-se algum tempo olhando para um dos gnomos do jardim e então perguntou:

- O que seus pais disseram a respeito?
- Nada. – informou Hermione - Eu não contei a eles que Vítor me pediu em casamento.
- Como não? – indagou Gina com ar de incredulidade - E se você decidir aceitar? Eles vão ser pegos de surpresa!
- Paciência. Seria muito pior eu ter que explicar a eles porque penso em não aceitar o pedido.
- Isso é verdade... – a ruiva hesitou alguns segundos, como se estivesse reunindo coragem, e então disse: - Mione, posso te fazer uma pergunta... hã... pessoal?
- Diga. – incentivou a outra.
- Quando você diz que falta paixão no relacionamento de vocês... Isso quer dizer que... bem... vocês não fazem... você sabe...?
- Gina! Que pergunta é essa?!
- Ora, nós não somos mais crianças!

Hermione olhou levemente irritada para a amiga mas respondeu.

- Eu namoro com ele há três anos, moro sozinha e ele passa várias noites no meu apartamento. Isso responde a sua pergunta? – disse ela com uma sobrancelha erguida.
- E nem nessa hora o incompetente do Krum não lhe desperta algum fogo que seja?
- Gina! Essa conversa está indo longe demais! – protestou a morena, colocando-se em pé.
- Me desculpe, eu não quero me meter na sua vida. – disse a ruiva, também ficando em pé para poder olhar a outra nos olhos - Mas sou sua amiga! Quero evitar que você faça uma grande besteira...
- Uma besteira? Há poucos dias você disse que compreendia a minha indecisão e agora já tomou partido?
- Tomei partido porque você não me parece feliz, Mione! É só falar na proposta de casamento que a sua expressão endurece. Que noiva tem esse tipo de reação ao falar do homem que ama?

Hermione iria responder para Gina que aquele assunto não lhe dizia respeito, mas, no fundo, sabia que a amiga falava aquilo porque queria o seu bem. Mais calma, porém firme, a morena disse:

- Escute, eu agradeço a sua preocupação, mas essa decisão é só minha.
- Eu sei e vou respeitá-la, seja ela qual for. Mas se posso lhe pedir uma coisa, é que não se acomode nessa situação, amiga. Todo mundo merece uma paixão de verdade, com todos os predicados a ela inerentes. Não ache que o seu relacionamento com o Krum é o único possível. A vida é muito maior que isso...

Hermione ficou algum tempo com o olhar perdido na grama, meditando sobre os conselhos de Gina. Será que ela estava dando às outras pessoas sinais claros de que não amava Vítor quando ela mesma não conseguia chegar a uma conclusão a respeito? O fato era que sempre que ela cogitava a hipótese de responder “não” ao pedido dele, um medo de perdê-lo para sempre se apoderava dela. Isso seria apego? Seria simples costume? Ou um amor que ela ainda não compreendia?

Por outro lado, havia o impacto causado pela chegada de Sirius em sua vida. Ele sim era capaz de fazê-la suar frio, perder a linha de raciocínio, tremer involuntariamente... isso sem nem mesmo tê-la beijado. “Por que, Merlim, eu não posso sentir todas essas coisas por Vítor, que é quem me ama de verdade?”. Ela foi interrompida em seus devaneios pela amiga, que decidira não mais pressioná-la com aquele assunto.

- Vamos entrar. – convidou Gina – Mamãe deve estar nos esperando para ajudá-la na cozinha.

Hermione se limitou a acompanhar a ruiva, sem fazer qualquer comentário. Ela tinha tantas coisas lhe passando pela cabeça que, se tentasse falar, temia que seu cérebro entrasse em colapso.

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