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23. Lar doce lar


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


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CAPITULO 23

Lar doce lar


Hermione tinha o braço enganchado no de Harry enquanto andava pela pequena sala. A poucos minutos haviam saído da lareira do hotel diretamente para a casa que Rony arrumara para eles.
Ele aconselhara que ficassem a vontade e sumira para algum cômodo atrás de alguma coisa que só ele sabia o que era.
Hermione estava encantada com a casinha pequena e adorável. Era uma casa de campo, pequena era verdade, mas com muito jardim e parte do que poderia ser uma fazenda atrás. Era amarela limão por fora, destacando a casa a milhas de distancia. No inicio ela achara exagerado, mas de perto era uma gracinha, com vasinhos nas janelas, cheios de flores do campo. Por dentro, era quentinho e gostoso, com tapetes pelos chãos, quadros divertidos nas paredes e uma lareira grande no meio da sala adornada por um sofá caramelo confortável.
Ela quisera levantar-se e dar uma olhada na estante no fundo da sala onde havia vários livros. Velhos costumes nunca morrem, mas sua saúde ainda estava lhe dando trabalho. Antes de Rony voltar ao hotel, ela tivera algumas ondas de vômito e a febre voltara para seu horror. Agora estava melhor e novamente medicada, mas queria muito poder deitar-se e se livrar do fardo de ser cuidada por Harry e Rony.
-Bem, é essa a casa – ele voltou sorridente do outro cômodo esperando algum comentário.
-É encantador – ela disse sorrindo. Estavam mais sorridentes um com o outro. Mais afáveis. Como namorados em começo de namoro.
-Que bom que gostou – ele disse verdadeiramente surpreso – Sei que vão gostar de ficar aqui. Adivinha quem é o elfo da casa, Harry?
-Dobby? -ele perguntou agradavelmente surpreso.
-O próprio. Bem, ele é seu. Sempre foi, e está novamente a sua disposição -avisou. – Venham, vou mostrar onde dormirão. Hermione, é melhor você se deitar um pouco.
-Estou bem melhor -ela contou, aceitando sua mão e subindo os degraus mais confiante – Tomei outra poção para gripe. O rapaz do hotel garantiu que há um surto em Hogsmead.
-Isso é bom...quero dizer, é bom que não seja nada sério – ele disse olhando para Harry com cumplicidade.
O segundo andar era tão delicado quanto o primeiro, o corredor estreito, pintado em salmão. Haviam quatro portas antes da parede fina. Hermione não notou quando ele fez sumir com um floreio de sua varinha o pequeno quadro pregado em uma das portas com os dizeres: Sara e Hermy.
-Aqui, esses são seus quartos – ele apontou duas portas, lado a lado. – Não tem porta de ligação, mas tem banheiros particulares. – informou abrindo uma das portas e empurrando gentilmente Hermione para dentro.
O quarto cheirava a rosas. E Havia muitas. Em um grande vaso sobre uma penteadeira com espelho. As roupas de cama estavam impecáveis e as cortinhas arrumadinhas. Tanto capricho, pensou, Hermione, tocando as pétalas brancas com encanto.
-Gosta? -ele perguntou olhando-a fixamente, esquecido de Harry.
-São as minhas preferidas – ela disse encantada também. – Rosas brancas, tão delicadas... – suspirou desviando o olhar – Não vai nos contar de quem é a casa, Rony? – mudou de assunto e fugiu a tentação do seu olhar.
Ele sorriu aquele seu melhor olhar matreiro e desconversou:
-O jantar é servido as oito -ele alertou feliz como uma criança que ganha um novo presente – Tem tempo para descansar, Hermione.
-Vai estar aqui? -ela perguntou tem pensar e um lampejo de culpa passou pela face dele, mas ela não notou.
-Vou. Não se preocupe. Vou estar aqui quando descerem.
Ela concordou com a cabeça alisando uma pétala de flor pensativa. Quase nem notou quando os dois saíram e fecharam a porta. Suas malas, que era quase nada, estava recostadas na parede, mas ela não teve animo para mexer em nada. Sentou-se na cama, adorando o sobre e desce o colchão de molas.
Deitou-se com um profundo suspiro de contentamento.
De um jeito muito estranho, era como estar em casa.


Algum barulho no corredor a fez acordar de seu cochilo. Hermione ainda sentia o corpo dolorido pelo mal estar, mas seus ouvidos estavam em apurados.
Sentando-se na cama, ela olhou para o delicado relógio acima da cabeceira da cama. Faltavam pouco minutos para o horário em que serviriam os jantar. Não que sentisse fome, mas não queria ser indelicada com seus anfitriões, fossem eles quem fossem!
Um pouco anima pelo novo ar que aquele quarto lhe dava, com seu estilo vintage e suave, ela levantou-se, amarrou os cabelos fartos e crespos em um rabo de cavalo alto que lhe conferia um ar perigoso. Tirou o casaco marrom escuro que vestira para se esconder do mundo e do friozinho da noite, e alisou a malha cinza que usava. Um dos ombros ficava nu, pois a gola era muito larga e fazia um decote no ombro.
Tocou a pele de leve, lembrando-se que Rony a vira nua. Não completamente, mas vira mais dela do que deveria. Ele não tocara no assunto, e nem mesmo ela se lembrava se a tocara, mas vindo dele, ela sabia que não haveria nenhum tipo de abuso. Ele não precisava pegar a força o que ela tanto desejava lhe entregar.
Sua mente adula insistia em lhe avisar que era inevitável. Porém lutava bravamente contra essa verdade.
Calçando as botas de salto alto, ela alisou as panturrilhas das calças negras que eram apertadas e modelava seu corpo e gostou do resultado. Não usava maquiagem, além de um rímel nos olhos e perfume. Nunca fora de se maquiar demais. Não gostava. E pior que isso, não sabia como fazer...
Achando-se apresentável, ela saiu do quarto, olhando em volta e notando a porta do quarto de Harry aberta.
-Estava te esperando -ele avisou, olhando-se no espelho uma última vez – Curiosa?
-Muito. E você? – estranhou seu olhar e deduziu – Já sabe onde estamos!
-Hermione, só me promete uma coisa? – pediu segurando suas mãos com afeto demasiado.
-O que? – ficou com o pé atrás.
-Que não vai brigar?
-Porque eu brigaria?
Som de passos na escada os fez calar, e sair do quarto. Quem quer que planejasse subir havia desistido e Harry apertou sua mão com força, soltando a seguir e conduzindo-a para a escada.
A sala estava vazia, mas o cheiro de carne assada invadia o ambiente e fizeram os olhos de Harry brilharem empolgados. Hermione sorriu, notando que ele parecia uma criança. Terem ido para aquela casa havia sido uma boa idéia afinal.
A cozinha era tão agradável quando o resto da casa, porem lembrava muito o cômodo de uma casa de boneca. Em tons claros, a mesa posta para seis pessoas, pratos delicados, copos brilhantes de tão limpos. Os armários impecáveis.
Hermione olhou para a jovem que se virava em direção a eles, tirando algo do forno do fogão:
-Oh, Merlin, são vocês! – ela disse com um sorriso de orelha a orelha.
Hermione sorriu de seu entusiasmo imaginado se ela havia saído de algum conto de Alice no País das maravilhas. Ela colocou a travessa sobre a mesa, e retirou as luvas, deliciada em vê-los.
Usava um vestido azul clarinho, sem mangas, com um decote em V acompanhado pelas lapelas brancas, que combinava com o cintinho branco marcando sua cintura finíssima. O vestido era rodado e caia até seu joelho,seguindo por lindas pernas nuas, adornadas por sapatos de salto. Hermione quis revirar os olhos ao ver um ‘topezinho’ sobre o couro do calçado.
Seus cabelos eram louros, cortados curtos e lisos, sua maquiagem marcada em tons de rosa e azul claro. Era linda. Como ver o sol nascer , pensou Hermione.
-É um prazer conhecê-los, ouvi tanto sobre vocês! – ela esticou a mão para Harry – Harry Potter! Hermione Granger! -ela disse os nomes quase com adoração – São tão bem vindos a minha casa que não tenho palavras para expressar minha alegria!
-Obrigada – ele disse um pouco sem jeito.
Hermione teve a mão liberada de seu forte aperto com alivio.
-É claro que não me conhecem, e não sabem como sou grata a tudo que fizeram! – ela continuou falando sem parar – Meu avô foi liberto por comensais no dia em que aquele que não devemos nomear foi morto! Foram meses de seqüestro e não imagina a alegria que foi para nós tê-lo de volta em segurança!
-Bem, não fizemos nada propriamente – ele justificou um pouco incomodado.
-Quanta modéstia! Mas vamos, sentem-se! O cordeiro vai esfriar!
Hermione e Harry se entreolharam. Harry parecia prestes a rir a qualquer momento.
-Rony não deve demorar – ela aviou apanhando outra travessa de sobre o fogão. Abriu a panela e um cheiro delicioso invadiu a cozinha – é sopa de mariscos. Rony contou da sua indisposição -ela disse doce e Hermione sorriu agradecida.
Não se sentia segura para devorar a carne diante de si, mas a tentação era grande. Por uma questão de delicadeza achou melhor aceitar que ela a servisse de sopa, mas em outras situações teria batido o pé para não ter esse tipo de regalia.
A moça era simpática, mas era a típica “Amélia”. Nada contra, mas Hermione nunca se enquadraria naquele clichê.
Harry olhava para ela como se esperasse que ela descobrisse logo o segredo que escondia. Hermione optou por degustar a deliciosa sopa, e não prestar atenção nem a Harry nem a moça. Aliás, qual o nome dela mesmo?
Estava prestes a perguntar quando foi interrompida pelo som de um grito:
-Mamãe! Mamãe! – uma menina surgiu correndo na cozinha. Era ruiva e adorável e veio seguida de outra sua copia fiel.
-Hum, vocês demoraram na casa da vovó! -ela beijando cada uma delas na bochecha – lavem as mãos e desçam para o jantar – ela mandou docemente, olhando para a figura que entrava com um grande sorriso.
Hermione nem precisou se virar para deduzir o obvio. Sentiu o estomago revirar e a náusea voltar, por isso colocou a colher dentro do prato antes que a derrubasse.
-Querido, chegou atrasado! Estávamos começando sem você!
Mary fez questão de beijá-lo na face antes de se virar animada para servir um novo prato.
Harry sabia de tudo, claro, pensou, Hermione. Ele estava ansioso para ter seu amigo de volta! E sobrava a ela o gosto amargo na boca.
Então era isso. Estava ali, diante da vida perfeita de Rony. Sempre soube que ele era do tipo de homem que viveria bem ao lado de uma mulher dedicada e caseira como Mary. Sempre soube, mas se enganara por muito tempo achando que teriam um futuro.
Eles eram felizes, por mais que ele se esforçasse para convencê-la ao contrario! Como alguém não seria feliz vivendo em uma casa de porcelana ao lado de uma boneca de luxo?
Sentindo-se uma intrusa, ela desviou o olhar para longe de Mary. Eles estavam loucos se achavam que ela ficaria dentro daquela casa assistindo de camarote a vida perfeitinha de Rony! Ou pior que isso, que ficara sob o mesmo teto que outra mulher, desejando seu marido! Nem que fosse hipócrita!
-Hermione, a comida não está a seu agrado? – Mary perguntou ansiosa sentando-se na sua frente, como se nada estivesse acontecendo.
-Está delicioso -ela garantiu sentindo a voz presa.
Mary pretendia dizer algo quando as meninas voltaram conversando animadamente sobre a visita a avó.
-Queridas, temos visita – Mary alertou, pedindo em silêncio que fossem educadas.
-Quem são, mamãe? – Sara perguntou curiosa, olhando para eles com espanto.
-São amigos do papai -ela respondeu olhando para o marido com adoração.
-Esse é Harry Potter – ele apresentou notando o espanto das meninas – e está é Hermione Granger. Somos amigos desde Hogwarts. – ele explicou. – Essas são Sara e Hermy – ele apresentou orgulhoso das filhas.
-Vocês podem nos identificar pelo olhos – uma elas apressou-se a dizer, um pouco arrogante – Eu sou a Sara, e tenho os olhos do papai – corrigindo, pensou Hermione, ela falava com MUITA arrogância! – E esta é Hermy, que não tem os olhos azuis do papai!
A outra menina olhou para o próprio prato envergonhada e Hermione sentiu pena.
-Olhos claros são uma droga mesmo! – ela disse piscando para as meninas – Parece que o mundo inteiro tem, menos nós! – ela disse arregalando os olhos castanhos para a menina que riu.
-Hermy puxou pela avó que tem olhos escuros – Mary explicou um pouco incomodada com o rumo da conversa -Ora, vamos, nos contem sobre suas aventuras fora de Londres! -ela disse mudando o assunto drasticamente.
-Como? – Harry franziu as sobrancelhas incrédulo.
-Ora, vamos, não sejam egoístas! Nunca saiu da cidade e adoro ouvir relatos de outro países! – ela tornou a repetir servindo as filhas sem tirar os olhos dos dois hospedes.
Harry olhou para Hermione esperando que ela pudesse se conter. Era uma provocação velada, mas não parecia que Hermione pudesse entender assim.
-Mary não tem lido os jornais ultimamente -Rony disse fazendo graça e desviando o assunto – O que acharam dos quartos? Aconchegantes?
-Muito – Harry adorou falar de outra coisa. – vocês tem uma casa perfeita.
-Foi presente do meu pai de casamento – Mary disse docemente e Rony engoliu em seco.
-E eu já a paguei a ele – fez questão de esclarecer.
-Rony, que é isso, amor? Rony é muito orgulhoso! – ela falou como se fosse um grande defeito – quem sabe um amigo tão querido possa coloca alguma coisa nessa cabeça teimosa, hã? Tem um cargo no ministério que Rony vive negando ao meu pai!
-Um cargo de puxa saco -ele disse entre dentes – Harry não está interessado nesse assunto, Mary. Porque não falamos sobre o assado? Tenho certeza que Hermione vai gostar de um pedaço – ele sorriu, mas não obteve retorno.
-Obrigada, mas estou satisfeita – rejeitou – Se não se importarem vou me deitar mais um pouco – levantou-se sem olhar para Rony, mas sim para Mary – Estava realmente fantástico. Parabéns.
-Imagine, logo vai se acostumar com minha comida! Hermy, ajude a amiga do papai nas escadas, sim? Não queremos um acidente não é?
Seu sorriso não a enganou. Por Mary, ela cairia da escada e quebraria o pescoço em mil pedacinhos!
Com o coração apertado, ela acompanhou a menina nas escadas, notando que ela olhava para ela todo instante. Na frente do quarto, ela sorriu triste e agradeceu.
-Você está triste? – Hermy perguntou.
-Não...estou apenas pensando -ela respondeu não podendo de jeito nenhum falar a verdade para a menina.
-Pensando em que?
O rosto de Hermy era tão adoravelmente parecido com o de Rony que ela sentiu vontade de chorar. Com aqueles olhos castanhos, ela podia facilmente imaginar que era sua filha. Emocionada tocou a face branquinha de Hermy e sorriu triste demais:
-Pensando em algo que perdi – explicou – Pode descer agora e terminar seu jantar.
Hermy não precisou de um segundo mandato. Correu pelos corredores e Hermione entrou fechando a porta.
Isso estava errado. Muito errado! Rony não podia ter feito isso com ela! Não podia! Trazê-la para dentro de seu mundinho de conto de fadas enquanto sua vida estava aos pedaços ao seu redor!
Precisava ir embora dali, sentia-se sufocada.
Zonza ela sentiu-se na cama, antes que pudesse cair.
Amanhã, pensou, quando o sol nascesse, ela iria embora!
E nunca, nunca mais em sua vida o deixaria se aproximar novamente!
Jamais!

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