APITULO 22
Indo para qualquer lugar
Na pressa de voltar ao hotel, diretamente para junto de Hermione, Rony não se lembrou de apanhar o troco. Saindo praticamente correndo para a rua onde teria liberdade para aparatar. A loja de poções em Hogsmead havia sido de muita ajuda assim como o restaurante ali perto. Não gastara mais de vinte minutos na rua, mas estava preocupado.
Deixar alguém sozinho e febril não era uma boa idéia. Claro, seu exacerbado zelo provinha de um profundo egoísmo e do medo de perder aquilo que mais desejava. Aquilo que não poderia ter.
De volta ao hotel não se deu ao trabalho de falar com o rapaz da recepção, mas notou que os repórteres haviam sumido. Isso era bom. Muito bom mesmo.
Dentro do quarto, ele trancou a porta e selou a porta de ligação. Harry que o perdoasse, mas se ela estava naquele estado era tudo culpa de Harry! Primeiro, se apoiava nela como numa tabua de salvação, então, ao recuperar-se, vira as costas e a deixa sozinha quando mais precisa!
Lá no fundo, seu ciúme falava mais alto.
-Hermione – ele chamou indo sentar-se pertinho dela na cama, tomando todo cuidado para não machucá-la. Ela ainda dormia do mesmo modo, e Rony mediu sua febre, apanhando no bolso a poção contra febre, ao notar sua testa mais quente que se lembrava. – Hermione, acorde, você precisa beber isso – ele a puxou com delicadeza, para erguer seu corpo o suficiente para engolir a poção.
-Rony... – ela entreabriu os olhos, a cabeça encostada em seu ombro, o corpo mole contra o dele – você voltou.... – ela estava grogue.
-Eu sempre estive aqui, Hermione – ele disse num duplo sentindo inegável. –beba, vai se sentir melhor – encostou o vidrinho em seus lábios e automaticamente, ela tentou afastá-lo. – Sou eu, Hermione, o seu Rony, eu nunca te daria nada de ruim. – ele disse em seu ouvido, beijando o alto de sua cabeça para acalmá-la. – isso, beba tudo...
Ela teve dificuldade para engolir e cortou seu coração a forma como se amoleceu em seus braços. Tão desprotegida. Tão frágil.
Deitando-a novamente, ele a cobriu e sentou-se na cadeira ao lado da cama, esperando a poção agir. Não demoraria mais que poucos minutos, mas ela precisava descansar o quanto seu corpo achasse necessário.
Para Rony não havia nenhum problema em ficar ali, sentando, esperando, para o resto de sua vida, desde que pudesse olhá-la livremente.
Esperou calado por um bom tempo, enquanto ela dormia calmamente. Uma vez ele levantou-se e abriu suas gavetas curioso. Ele sempre tivera curiosidade sobre o estranho mundo de Hermione. Um mundo de palavras, páginas e pergaminhos.
Quando namoravam ele sempre mexia em suas coisas, por onde quer que andassem, quando ela não notava, ele mexia em suas bolsas, malas e gavetas. Tudo para conhecê-la melhor.
E foi o que fez. A primeira gaveta era de roupas e ele notou o numero escasso de peças. Somente Hermione para comprar apenas o necessário, quando tinha um milionário ao seu lado disposto a pagar!
Esta era a Hermione que ele aprendeu a amar. A pessoa que nunca tirava proveito dos outros. Nunca usava de artifícios para ter aquilo que deseja. A mesma garota que tendo voltado a menos de uma semana, tinha uma gaveta infinita de livros. A ultima gaveta da cômoda, era na verdade um fundo mágico aumentado por ela, e ele pode ver um numero infinito de jornais, revistas, e alguns livros.
Bem típico dela não jogar nada que possua palavras no lixo.
Uma das gavetas chamou sua atenção e por mais que se esforçasse para fechá-la, não pode ignorar. Eram suas peças intimas. Calcinhas minúsculas e sutiãs delicados. No passado, nas raras vezes em que chegaram mais longe e ele pode tocar sob sua saia, ou olhá-la se trocando em momento de correria nos acampamentos, ou mesmo ver quando ela arrumava suas roupas em mochilas, ele sempre notara que suas calcinhas eram de algodão. Simples e lisas, sem artifícios. E assim eram as atuais, porém menores, e muito, mas muito sexy.
Repreendendo-se por fazer isso, ele tocou uma delas, erguendo entre os dedos as alças finíssimas. Mary usava calcinhas de seda e renda, por mais que fossem caras e o deixassem no vermelho por meses, e secretamente, ele guardava magoa por isso.
Quantos e quantos meses não economizava para comprar algo para as meninas e quando via, Mary gastava com perfumes, roupas e supérfluos. As meninas não reclamavam, mas ele se ressentia.
No fundo, seu maior ressentimento era por Mary não ser como Hermione. Mas disso Mary não tinha culpa.
Porém era culpada de muitas outras coisas. Culpada de ter usado sua experiência em sedução para atrair e abusar de um cara bêbado e virgem, tornando aquela lembrança uma das piores da sua vida.
Era um homem, e sendo totalmente sincero, ele gostava muito de sexo. Era instintivo. Só não gostava de Mary. Olhando para Hermione ele lembrou-se das outras mulheres que tivera entre conhecer Mary e casar-se com ela. Não fora muitas, mas o suficiente para saber que nunca mais amaria do mesmo modo.
Era uma pena um amor tão bonito terminar assim, mas Hermione tinha razão ao dizer que ele queria ir embora. Parte sua precisava ir. Voltar para a família que construirá. E parte sua desejava ficar.
Por hora, Rony ouviu apenas o lado que desejava ficar. Relutante guardou a peça perfumada, que despertava seus instintos mais básicos, e voltou para perto dela, pois Hermione se mexia muito.
-Rony... – ela chamou baixo, a voz muito rouca, começando a acordar.
Ele segurou sua mão esperando que ela o visse. Depois de algum tempo olhando para ele através dos olhos semi serrados, ela olhou para as mãos unidas e puxou a sua, se afastando.
-Eu estou bem agora – ela disse frágil, mas tentando não sentir-se assim.
-Você não se alimenta a quase dois dias, Hermione – ele disse sério – Só vou embora, quando tiver comido alguma coisa. – convicto, ele apanhou o embrulho do restaurante e abriu. A sopa estava quentinha, conservada com magia e ela olhou para o outro lado, sentindo um enjôo ao sentir o cheiro da comida – Depois da primeira colherada o enjôo passa – ele piscou para descontraí-la.
- O que foi que me deu para beber? -ela perguntou amarga, sentando-se contra os travesseiros –Tem um gosto estranho na minha boca. – reclamou.
-Poção para a febre. Não tem o melhor sabor, mas é rápida e eficaz – colocou o prato sobre um bandeja recém conjurada e colocou em seu colo. – Não seja reclamona, Hermione. É sopa de ervilhas. Faz bem.
- Desde quando é especialista em sopas? -perguntou desconfiada.
-Tenho duas crianças pequenas em casa, esqueceu? - tentou sorrir, mas os olhos fixos de Hermione sobre ele eram duas lanças perfurando-o.
-Não, eu não esqueci – ela disse baixando o rosto e erguendo a colher.
-Quer ajuda? – ele perguntou ansioso por ficar mais próximo.
-Minhas mãos estão tremendo – ela admitiu baixando a colher.
-Esteve dormindo por causa da febre durante muito tempo. É normal que sinta-se assim – ele sentou-se bem perto apanhando a colher e erguendo-a com sopa – Me avise se estiver quente demais.
-Eu nunca fico doente – ela disse, depois de engolir a primeira colherada, sentindo-se estúpida por estar ali sentada, sendo alimentada como uma criança de cinco anos de idade. – Não precisa cuidar de mim, Rony.
-Eu sei que não. Você pode se cuidar muito bem sozinha, Hermione. Alias pode cuidar de si mesma, cuidar de Harry. Cuidar do mundo inteiro se quiser.
-O que quer dizer com isso? -ela perguntou afastando os lábios, e fugindo da colherada seguinte.
-Estou dizendo, Hermione, que você e Harry não estão sozinhos. Nunca estiveram. É ridículo que se exponham a qualquer privação.
-Não estamos passando por privações – ela ficou indignada na mesma hora – Estamos...
-...bem? – ele completou sua frase, irônico. – Estou procurando um lugar para ficarem. Reformas demoram muito tempo, e precisam sair desse hotel se quiserem ter alguma paz e conforto. Tenho pensando muito nisso, Hermione. Nesse local.
Ela recebeu uma colherada e engoliu com vagar. Sua garganta doía e era uma pena ele não ter trazido uma poção para resfriado também. Não queria pensar onde Rony pretendia chegar com essa conversa.
Já era suficientemente difícil estar ali, sendo cuidada, mimada e paparicada por um homem que tanto amava e não poderia ter.
Amor, talvez aquilo nem fosse amor. Talvez fosse apenas dor pelo que não se tem. Egoísmo. Obsessão. Fosse o que fosse, ela queria acabar logo com aquele sentimento de negação e beijá-lo.
Talvez nem fosse tão bom quanto no passado. Talvez, apenas, talvez, ele houvesse se tornado um chato que beija mal.
-Em que está pensando? – ele perguntou parando com as colheradas em alerta por causa do seu olhar.
-Estou pensando se você ainda beija bem – respondeu sem pensar.
-Eu não sei se ainda beijo bem, faz tempo que perdi a parceira certa para os meus beijos – flertou.
-Eu também não sei se ainda sei beijar –ela não resistiu a flertar, molhando os lábios secos com a língua e atraindo seu olhar – Mas prometo, Rony, que te conto quando descobrir.
Era uma provocação.
-Pretende descobrir com Harry? -ele sentiu a fisgada do ciúme e colocou o prato sobre a mesa ao lado da cama.
-Quem sabe? -ela deu de ombros – Não precisa ficar aqui cuidando de mim, Rony. Também não estou te mandando embora. Sou agradecida por ter me ajudado, mas não precisa deixar sua vida de lado por minha causa.
-Acho que não fiz isso por sua causa, Hermione -ele disse em tom cansado.
-Não? – duvidou.
-Não. – mesmo sabendo que poderia ser repelido, ele ergueu o braço e tocou seu rosto, acariciando a pele macia. – Eu não poderia te perder pela segunda vez.
-O que eu faço, Rony? -ela perguntou colocando a mão sobre a dele, que acariciava seu rosto. – O que eu faço para te esquecer?
Havia tanta carência em sua voz, tanta tristeza que Rony esqueceu o resto do mundo, e pensou apenas neles dois. Curvando o corpo ele ficou a centímetros, sussurrando muito gentil, para não assustá-la.
-Não me esqueça, Hermione, não me esqueça nunca. Por favor, me deixe sonhar ao menos com o seu amor.
-Eu... – não havia palavras para impedi-lo de se aproximar mais.
Mais tarde Hermione culparia a fraqueza imposta pela indisposição, ou a confusão gerada pela forte poção contra febre. Mais tarde, ela arrumaria qualquer desculpa que pudesse encontrar para justificar sua inconseqüência.
Naquele momento, porém, apenas fechou os olhos esperando.
Sentia a respiração quente e forte contra seu rosto, e a presença marcante de Rony sobre seu corpo. Calor fazia seu sangue ferver em suas veias, e ela entreabriu os lábios esperando pelo beijo que viria.
O toque do nariz dele contra o dela, o toque de suas mãos em volta de seu rosto, o peso dele inclinado sobre seu corpo, sentiu cada fibra de seu corpo implorar por um maior contado, tornando seus seios mais rijos, seus quadris inquietos, sua intimidade úmida, deixando-a consciente que estava completamente nua sob aquela camisola e que a tiraria em breve, muito breve, tão logo sentisse o gosto de seus lábios novamente!
-ALOMORRA! – o grito ecoou pelos quartos e a porta sendo derrubado causou o maior susto que ambos já levaram na vida.
De pé, através da fumaça que vinha da porta de ligação dos quartos, Harry estava com a varinha nas mãos olhando-os surpreso. Entendimento passou rapidamente por seu rosto e ele não soube o que dizer.
-Harry... – Hermione olhou para Rony assim tão perto e tentou se afastar, caindo em si finalmente.
-Eu pensei que algo estivesse errado quando a porta não abriu – ele desculpou-se adentrando o quarto olhando desgostoso para a porta derrubada.
Entendendo que o clima acabara ali, Rony levantou-se olhando com desconforto para Harry.
-Hermione está doente. – ele avisou – Possivelmente uma forte gripe. Tomou poção para febre, mas seria bom monitorá-la por um tempo para ver se a febre não volta – avisou olhando para ela com olhos tristes.
-Eu não sabia – Harry sentiu-se culpado – Fiquei assustado quando não atendeu aos meus chamados. Ontem não parecia estar bem...e não estava mesmo – ele aproximou-se beijando sua testa, num mudo pedido de desculpas.
-Precisam sair desse hotel – Ronald desviou o olhar para não vê-los tão próximos, e continuou – Não há segurança suficiente para pessoas que estão tão expostas na mídia. Precisam de elfos e de espaço.
-Ainda não achou nenhum lugar para nós? – Harry perguntou um pouco ansioso.
-Achei o lugar perfeito. Mas não sei se aceitarão. É um lugar pequeno, mas terão uma casa bem cuidada, elfo, amigos próximos.
-Parece o lugar dos sonhos – Hermione sorriu maravilhada com essa possibilidade.
-Então vocês concordam? – ele perguntou sorrindo de algo que tramava.
-Só nos diga quando podemos nos mudar – Harry sorriu concordando.
-Hoje a noite eu os busco. – ele disse empolgado – Arrume suas coisas, Harry e faça as malas de Hermione. Não a deixe fazer esforços por enquanto.
-Claro – concordou – Não vai nos dizer onde é esse lugar tão perfeito para nós?
-Não – ele disse fazendo mistério – é surpresa. – piscou para Harry, mas seu olhar era de Hermione.
Sorrindo uma última vez, um para o outro, como se ainda fossem aqueles namorados do passado, Rony se despediu e foi embora.
Harry ficou falando empolgado sobre o fato novo, mas ela nem ouviu. Estava perdida em seus pensamentos maliciosos e deliciosamente proibidos...
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