CAPITULO 21
Esclarecimentos
Harry acordou incomodado com a claridade. Abrindo precariamente os olhos ele notou que os raios de sol vinham da janela e ultrapassavam as cortinas claras. Uma brisa gostosa do campo entrava e enchiam seus pulmões de ar matinal.
Gostaria de acordar todos os dias da sua vida com essa deliciosa sensação de bem estar. De estar em casa, confortavelmente colocado em sua cama, sentindo o perfume adocicado de sua namorada. Sua eterna namorada.
Olhando em volta, deu-se conta que ainda estava no quarto de Gina, na Toca. Mas estava sozinho na cama e o delicioso perfume vinha dos travesseiros embaixo de sua cabeça. Estava estranhando a falta, quando ela apareceu vinda de um cômodo novo, no canto do quarto.
-Bom dia, amor – ela sussurrou, voltando para a cama, e sentado-se, curvando-se e beijando-o.
-Onde estava? – perguntou confuso pelo sono.
-Estava no banheiro – ela sorriu sapeca – Meus pais achavam que merecia alguma privacidade agora que sou dona do meu nariz e serei mãe.
-Está linda essa manhã, sabia? – perguntou embevecido de olhá-la.
-Só essa manhã? Assim você me ofende, Harry -ela brincou, o sorriso maior a cada segundo – eu tentei fugir ontem a noite para te ver, mas minha mãe quase me pegou. – contou.
-Ainda bem, ou nos desencontraríamos – ele riu junto dela, pois era verdade.
-Foi maravilhoso acordar ao seu lado de novo – ela confessou, acariciando seu rosto, e deixando uma das mãos deslizar para o se peito. Quando ergueu os olhos novamente havia desejo em suas pupilas.
-Quando estiver estabelecido, quero que venha morar comigo – ele disse sem rodeios – Como minha mulher. Podemos nos casar se você quiser.
-Harry, Harry, não se apresse – ela desconversou, afastando-se e escondendo dele sua emoção.
-Porque está fugindo de mim? Sabe que eu te amo, não sabe? – indignou-se.
-Eu sei. – disse apressada, ao notar que o magoara – Mas não sei se quero me casar de novo. Ou viver com um homem outra vez.
Surpreso, ele pensou no que diria.
-É por causa do seu marido?
-Não. É porque não fui feliz vivendo com outra pessoa. Não gostei de ter de dar satisfações. Não gostei de ter sempre que pensar em outra pessoa antes de pensar em mim. Sou dona do meu nariz, Harry. E agora preciso me dedicar a minha filha. É ótimo acordar ao seu lado, porque te amo. Mas odiava acordar ao lado de alguém todas as manhãs. Estive conversando com meu irmão, Carlinhos e ele me disse que se sente do mesmo modo. Somos seres individuais, Harry. Não convivemos bem dividindo a liderança das nossas vidas. Eu aprendi isso durante meu casamento com Greg. Não o amava, então não fazia diferença. Mas amo você, e não quero que isso destrua o que temos.
Harry ficou olhado com incredulidade. Chegara a pensar que era um assunto sério de verdade. Gina parecia muito triste, muito culpada por confessar como se sentia.
Ele sempre soubera que ela era independente. Difícil de controlar. Difícil de prever e isso a principio poderia parecer um problema. Mas não para ele.
-Podemos dormir em quartos separados – ele sugeriu, recebendo um olhar desconfiado – Não preciso que divida nada comigo, eu quero acrescentar algo na sua vida, e não tirar nada de você. Algumas pessoas são assim mesmo, e se você acha que é melhor viver dessa forma, podemos achar um modo. Não precisamos casar, ou morar juntos. Eu só preciso que fique comigo.
-Entenda, Harry, preciso de espaço. Tinha muitos planos para depois do nascimento de Felicity, e nenhum deles envolvia me apaixonar e ter um homem na nossa vida. Me parece tão precipitado.
-Porque não voltamos a namorar? – sorriu para ela, querendo que ela não ficasse tão triste - Um namoro mais adulto, claro. Não vou pedir sua mão para seus pais de novo – ele fez graça, levantando da cama, e tomando seu rosto entre as mãos, olhando em seus olhos – será no seu tempo, Ginervra. Será do seu jeito.
-Promete? – ela perguntou emocionada – Promete que não vai me cobrar no futuro?
-Eu não sei os detalhes do seu casamento, e não sei como era esse Greg, mas já percebi que ele te deixou magoada. Sei que vai me contar quando se sentir pronta,mas agora, só quero que esqueça esse tempo, ele não vai se repetir. Eu voltei, mas para ser franco, me sinto como se nunca houvesse saído do seu lado.
-E não saiu. Sempre esteve aqui dentro, comigo – tocou o peito, sobre o coração e o beijou.
Um beijo de amantes, de namorados, de duas pessoas ligadas pelo maior laço que possa haver entre duas pessoas, o amor.
Harry abraçou-a forte, envolvendo sua cintura com um braço e enterrando a outra mão em seus cabelos, aprofundando o beijo. Cada vez mais consciente de ambos vestirem poucas roupas, apenas partes de suas roupas, Gina de camisola e ele de jeans, Harry gemeu, ficando frustrado ao encontrar uma barreira para o abraço mais concreto. Essa barreira, ele disse a si mesmo, era um bebê e merecia todo seu respeito.
-Hum, você é deliciosa, mas eu tenho que ir – ele disse se afastando e olhando-a nos olhos. Ela mordeu o lábio e ele quase jogou tudo para o alto e a carregou para a cama. Refreando esse impulso ele abraçou-a apenas com carinho e se afastou novamente.
-Eu desço na frente, para ver se meus pais já acordaram – ela disse decepcionada por terem que se afastar.
Harry começou a vestir a camisa e colocar os sapatos quando fortes batidas na porta os assustaram:
-Gina, o café esta na mesa, você já acordou? – uma nada discreta mexida no trinco e ela arregalou os belos olhos azuis – porque trancou a porta, filha?
-Estou descendo, mãe – ela gritou pela porta, fazendo sinal para Harry se esconder no pequeno banheiro – Eu desço e os distraio; saia pela sala.- sussurrou, e sem resistir roubou-lhe um selinho, tentando não rir ao abrir a porta e olhar para o rosto corado de sua mãe – Bom dia, mãe. Estava no banheiro. O que aconteceu? Alguém morreu para ter tanta presa para que eu desça? – brincou.
-Gina, não brinque, eu fico preocupada com essa historia de portas trancadas. Sua gestação não é a mais simples do mundo, e tenho o dever de me preocupar com você!
-Ah, mãe! -ela protestou rolando os olhos a esse desnecessário e exagerado zelo.
Harry sorriu dentro do banheiro. Se escapasse daquela situação eles ainda dariam muitas risadas sobre isso. Ah, se dariam!
Rony passou pelos repórteres evitando as perguntas e as fotografias. Irritava profundamente passar por toda aquela situação novamente, mas ele precisava vê-los a revelia do seu ódio por jornalistas sangue suga.
No balcão o jovem rapaz anotava algo no livro de entradas e ergueu os olhos em sua direção com enfado.
-Harry Potter está no quarto? – perguntou direto não querendo perder tempo.
-Não. Ontem a noite ele driblou os fotógrafos e saiu e ainda não voltou – disse com rancor,
Intrigado, ele olhou em volta, e voltou a perguntar:
-E Hermione Granger, saiu com ele?
-Não. – ele olhou para Rony com pouco caso – Srta.Granger não saiu do quarto desde ontem, a menos, claro, que tenha me passado a perna e nem notei.
-Foi você quem permitiu que eles fiquem lá fora? – Rony perguntou acido.
-Bem, pode se dizer que sim. – o rapaz deu de ombros.
-Acontece que quando eu sair não quero ver nenhum jornalista lá fora. Se eles ainda estiverem aí, eu chamarei os órgãos pertinentes do ministério e vamos dar uma batida nesse hotel. – avisou – sabe que aurores podem fazer isso, não sabe?
O rapaz não respondeu nada, mas seu olhar enviesado era uma dica que entendera. Hotéis antigos como aquele guardavam muitas irregularidades que o ministério fingia não saber. Antigos porões usados na primeira e segunda guerra, onde comensais se escondiam. Não que os proprietários participassem por vontade própria, mas essa é o tipo de publicidade que pode destruir a reputação de um lugar.
Harry não estava e ele deveria dar a volta e ir embora, uma vez que Hermione pedira que se afastasse. Mas a compulsão era forte demais.
Subindo a escada velha de degraus podres, ele avançou pelo corredor e bateu na porta do quarto. Bateu varias vezes e não ouviu resposta alguma.
Usando a varinha ele descobriu que havia vários feitiços de segurança. Era Hermione, o que ele esperava?
Voltando a recepção o rapaz o fulminou com um olhar, mas ele não se intimidou.
-Preciso da chave do quarto dela – avisou sem rodeios.
-Não posso dar a chave do quarto de um hospede – ele disse convicto.
-Não estou pedindo – alertou sério.
O rapaz mediu sua decisão e resignado apanhou a chave embaixo do balcão e entregou em suas mãos. Satisfeito, Rony voltou ao quarto inserindo a chave a abrindo a porta.
Fechou-a atrás de si, e olhou em volta. Estava uma bagunça de roupas espalhadas pelo chão, toalhas molhadas esquecidas sobre uma cadeira. A cama estava um verdadeiro ninho de gatos, o lençol totalmente embolado e havia alguém no meio disso tudo.
Aproximando-se ele notou que Hermione tinha se coberto até a cabeça, o lençol a protegendo do sol que entrava pela janela aberta e também da brisa fria. Seu corpo tremia suavemente ele estranhou.
-Hermione? – chamou baixo para não assustá-la.
Talvez houvesse tomado alguma poção do sono e estivesse profundamente adormecida e não o ouvisse. Aproximando-se ele sentou na beira da cama e passou a mão em suas costas, para acordá-la.
-Hermione, acorde. –ele chamou com mais insistência.
Ouviu um suave gemido e puxou o lençol, descobrindo seu rosto. Ela estava acordada, e não olhou para ele.
-Vá embora - ela disse com voz rouca e pastosa, os olhos muito turvos.
-O que você tem? – ele puxou mais o lençol, até sua cintura, constatando que ela estava nua. Deitada de lado, seus braços cobriam seus seios, mas havia muita pele tentadora e ele puxou o lençol para cima, para poupar-se do desejo de ver mais.
Não parecia que ela estivesse consciente do quão exposta estava.
-Hermione, você está doente? – ele perguntou, girando-a suavemente na cama, para ver melhor seu rosto. Precisou de todo cuidado, pois ela parecia uma flor despedaçada, mole e sem vida – Tomou alguma coisa poção? Hermione, me responda!
Seus olhos desfocados se abriram e ela pareceu conseguir pensar.
-Não...
-Não tomou nada? Poção para o sono? Poção para indisposição? Nada mesmo?
Ela apenas maneou a cabeça negando.
Preocupado ele passou a mão por seu rosto, em sua testa e ela fechou os olhos saboreando o toque.
-Está com febre – ele avisou, levantando-se e fechando a janela com presa – Quando foi à última vez que comeu? – perguntou voltando para ela. – Hermione, eu preciso saber a quanto tempo não se alimenta!
-Tomei café...ontem... –ela disse grogue, virando de lado novamente.
O bendito lençol acompanhou seu movimento e ele fechou os olhos, para não se permitir devorar as curvas tão calidamente ofertadas ao seu olhar. Parte do quadril estava nu e ele olhou. Não podia evitar.
Sentindo-se um calhorda ao notar que enquanto olhava seu corpo desprotegido, ela tremia de frio e febre, ele tomou uma atitude.
Buscou nas gavetas uma camisola, um cobertor e uma colcha limpa. Voltando a cama ele a puxou delicadamente para sentar-se.
-Não... –ela protestou, e ele percebeu que delirava -...vá embora!
-Está sempre me mandando embora, Hermione – ele falou para distraí-la – Quer mesmo que eu vá?
-Não...mas você quer ir – ela respondeu, oferecendo resistência quando ele tentou deixa-a sentada, com seus movimentos descobrindo-se totalmente. Seu tronco era claro, seios médios e empinados. Tão macios e roliços que o deixou inquieto. não teve presa para cobri-la, apreciando o contorno do umbigo e os ombros suaves.
Vira Hermione sem sutiã uma vez, quando namoravam, em uma noite mais quente, quando Harry dormia e os dois passaram para a segunda base, quase consumando o ato em si. Mas eles haviam parado e as pálidas lembranças de seu corpo magrelo e sem curvas já não lhe faziam justiça.
Tentando ignorar que era homem, e amava aquela mulher, ele ergueu seus braços e colocou a camisola através de sua cabeça, cobrindo-a. A camisola tinha mangas longas e ela parou de tremer um pouco.
Seu cabelo estava amassado e despenteado, e por um segundo ele acariciou as mexas, sorrindo quando ela aconchegou o rosto em seu ombro e ficou quieta.
Ainda era o mesmo perfume, pensou. Ela ainda cheirava igual.
Usando de toda sua força de vontade, ele a deitou e a cobriu com a colcha e o cobertor. Ela estava doente e não havia ninguém para cuidar dela. Era isso. Era isso o que se resumia a vida de Hermione e Harry naquele momento. Solidão.
-Hermione, eu volto logo. Está me ouvindo? – falou baixo, para não incomodá-la. – Preciso buscar algo para você. Posso ir tranqüilo?
-Rony...vá embora - ela repetiu em seu delírio e ele sentiu como uma facada em seu coração.
-Eu volto – sussurrou em seu ouvido, beijando sua testa e arrumado seus cabelos fora do rosto. – eu volto.
Hermione não respondeu nada, tinha fechado novamente os olhos.
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