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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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15. Convites


Fic: O Mistério de Starta - por Livinha e Pamela Black - Último Capítulo no AR!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 15

Convites



Que Syndia gostava de ouvir som alto quando estava triste, já era certo. Porém, havia outro sentimento que ela também extravasava dessa maneira: alegria. Ela estava alegre, não tinha como dizer o contrário. Ouvir música alta, cantar junto, arriscar alguns passos de dança ensaiados... E por mais que lhe fosse estranho agir dessa maneira naquele momento, era isso que ela queria fazer. Nem se lembrava quando fora a última vez que fizera isso.

Aquelas duas semanas foram as mais excêntricas, mas também as que já faziam parte das suas preferidas.

Syndia pensou que nunca se envolveria com alguém da maneira com que estava se envolvendo com Draco Malfoy. Principalmente depois do que acontecera entre ela e Karl. Contudo, como o próprio Draco gostava de dizer, não havia motivos para dispensar bons momentos como os que eles tinham. O acordo entre eles continuava valendo, aliás: nenhuma pretensão mais séria. Apenas aproveitar o que estava acontecendo, nada mais.

E por mais que não quisesse realmente se deixar levar, a alegria extravasada naquele momento parecia que poderia fazer parte de sua vida para sempre. Era realmente incrível como a ausência de pretensões no relacionamento de ambos a deixava mais segura. Sabia, muito embora, que também deveria tomar cuidado. Estar envolvida com alguém já deixava a situação perigosa por si só. Ela poderia se envolver mais do que já se sentia estar.

Como aquelas duas semanas passaram tão rapidamente, ao mesmo tempo em que foram tão proveitosas quanto perigosas?

Syndia sorriu com esse pensamento enquanto terminava a limpeza de sua casa com um último aceno da varinha. Mas este pensamento também a fez ficar paralisada. Sábado. Hora do almoço! Logo teria que se encontrar com Draco para irem almoçar!

Por todos os santos, como pudera se esquecer disso? Em vez de estar bancando a dona de casa, deveria estar se arrumando!

Subindo rapidamente a escada - não sem antes desligar o aparelho de som com outro aceno da varinha -, Syndia se enfiou debaixo do chuveiro tão logo conseguiu livrar-se de suas roupas. Só esperava que tivesse tempo para se ajeitar como gostaria. Será que Draco estava tão ansioso quanto ela?

Bem, talvez ansioso não fosse a palavra correta, uma vez que, naquele momento, Draco praguejava contra seu elfo doméstico. Não que fosse culpa da pequena criatura que seu senhor estivesse atrasado, vestindo apenas as calças e os sapatos. A questão era que ficara tempo demais pensando em um documento naquela manhã, o qual vira no dia anterior na mesa de um de seus colegas de trabalho, no Departamento de Cooperação em Magia. Ainda praguejava - esquecendo-se temporariamente do elfo doméstico que acabara de entregar sua camisa limpa e perfeita - com o pensamento que tivera aquela manhã.

O documento era um pedido de dois agentes do banco Gringotes, e sua curiosidade em lê-lo só foi ativada por ter conseguido identificar um dos nomes.

O que Syndia faria com o Weasley no Oriente? E por que era tão urgente? Por que ela não falara nada com ele sobre essa possível viagem? Certo que ambos concordaram em não dar satisfações, pressionar ou qualquer tipo de coisa que encaixe num relacionamento estável e, convenhamos, normal, mas... Nem sequer tocar no assunto?

Para Draco, o fato de Syndia não ter dito nada a ele era um descaso que não fazia parte da personalidade dela - pelo que ele conhecia da moça nesse pouco tempo. Não que se importasse realmente dela viajar sozinha com o Weasley. A questão era que não gostava de se sentir menosprezado. Deixado de lado. Querendo ou não, parecendo ou não, admitindo ou não, eles tinham um relacionamento, por mais que fosse algo diferente!

Draco bufou com esse pensamento enquanto descia as escadas da Mansão Malfoy, em Wiltshire. Segundos depois, desaparatou.

O beco em que aparatara estava deserto. E estava prestes a sair dele quando um estalo lhe chamou a atenção.

A feição emburrada de Draco com os pensamentos que tivera minutos atrás se dissolveu como por encanto ao vislumbrar Syndia lhe sorrindo. Um rosnado, entretanto, ecoou em sua mente logo em seguida. Controle-se, homem! Deixe de ser imbecil, parecendo que nunca viu mulher na frente.

- Vamos? - ela chamou ajeitando o casaco. Draco ofereceu o braço, ao que ambos saíram do beco.

- O que foi? - Draco perguntou depois que começaram a andar na calçada. Ele reparara que Syndia o olhou e que, inutilmente, tentou esconder um risinho em seguida.

- É que, pelo que parece, Draco, você está quebrando as próprias regras que criou.

- Estou? - perguntou indiferente.

- Bom, é o que eu acho. Não parece que você esteja num dia bom...

- E?

- E você mesmo disse que, quando algum de nós não estivesse de bom humor, seria melhor adiar qualquer plano que tivéssemos. Então... Não seria melhor cada um ir para suas respectivas casas?

- Eu não estou de mau humor - Draco quase rosnou, ao que Syndia ergueu as sobrancelhas, divertida. - Não gosto de frio, apenas isso. Então, apresse o passo para que cheguemos logo no restaurante. Não quero que cancelem nossa reserva pelo atraso.

Depois disso, ninguém falou mais nada. Logo entravam num restaurante de uma rua movimentada da Londres trouxa.

- Boa tarde, senhores - cumprimentou o maitre, à porta.

- Boa noite - respondeu Draco, adiantando-se. - Temos uma reserva na mesa... ah, aquela do canto - falou, apontando um lugar vazio ao fundo do restaurante.

- Ah... Sim... sim, senhor - o homem retorquiu com os olhos um pouco desfocados. - Claro, senhor...?

- Malfoy.

- Sim, Sr. Malfoy. Por favor, me acompanhem.

Apenas quando se sentou e o maitre saiu de suas vistas, que Syndia sibilou:

- Você o confundiu! Não tinha reserva alguma aqui!

Draco apenas sorriu, dando de ombros.

- Só espero que quem reservou essa mesa não faça escândalo quando a souber ocupada.

- Não vai ter - retorquiu Draco. - Esse restaurante é o único que compareço na Londres trouxa. O chefe é bruxo - completou como se isso explicasse e o anuísse de qualquer culpa pelo lapso. - E a clientela é boa.

- Você é impossivelmente arrogante, Draco Malfoy. - Syndia rolou os olhos.

Draco, mais uma vez, apenas sorriu. Acenou para o garçom, pronto para fazerem os pedidos.

Depois do primeiro jantar que tiveram juntos e das duas semanas que conviveram (estranhamente), a conversa não precisava mais ser uma obrigação. Eles ficavam confortáveis com o silêncio que às vezes imperava. Contudo, às vezes um ou outro falava algo - de preferência engraçado -, querendo ver os olhos à sua frente brilharem em astúcia, os lábios se repuxarem num sorriso desgostoso ou um riso discreto lhe escapar. Este último era o preferido de Draco. Syndia sorria com mais alegria à medida que o tempo passava. Talvez a garrafa de vinho também fosse uma forte aliada, naquele momento.

Já o motivo do sorriso desgostoso apareceu apenas uma vez quando Syndia lembrou algo que Draco não gostou.

- Eu quero que chegue logo o Natal - ela dissera com um pequeno sorriso.

- Para quê? Esperando os presentes aos pés da árvore? - zombou Draco.

- Não, engraçadinho. Eu gosto do espírito de Natal. Toda aquela alegria, paz... Certo que minha família não é grande, somos apenas mamãe, papai e eu, mas... É tão bom - suspirou Syndia. - Lembro quando meu pai me acordava, quando eu ainda era criança, dizendo que a árvore na sala estava cheia de presentes. Ele parecia mais criança do que eu - riu.

- Humf - resmungou Draco quase imperceptivelmente.

Syndia, entretanto, percebeu.

- O que foi? Não gosta do Natal, Draco?

- Não. Desde que minha mãe morreu - falou diretamente. E embora ele tivesse se mostrado indiferente ao dizer tal coisa, Syndia se constrangeu.

- Oh, sinto muito. Draco, eu não sabia que...

- Ora, já faz vários anos. E não precisa lamentar por algo que não é sua culpa. Você nem a conhecia.

Syndia olhou para o rosto de Draco por alguns segundos, o qual logo perguntou qual boneca ela havia pedido ao pai para aquele Natal. Ela aceitou a brincadeira dele, dizendo que pedira a última boneca da moda, embora percebesse também que os olhos dele não eram os mesmos.

Sentiu-se estranha, naquele momento. Por mais que repetisse para si mesma, dizendo que não gostaria de se envolver com Draco mais seriamente, era difícil não tentar decifrar aqueles olhos cinza, às vezes azulados, que pareciam tão frios quanto acolhedores. Estava cada vez mais difícil não se envolver.

Mesmo não sabendo, entretanto, essa também era uma batalha que Draco travava cada vez mais arduamente dentro de si.

Quando chegou a hora de deixarem o restaurante, eles começaram a andar por um parque que havia do lado de fora. Porém, o frio de dezembro parecia coagir quem quer que se aventurasse a andar pelas ruas no fim da tarde.

Olhando ao redor, Syndia falou:

- Você não está com frio? Eu estou congelando, aqui.

- Eu sei de algo que pode te ajudar a se aquecer - Draco retorquiu com um sorriso e parando de andar.

- Verdade?

- Por que eu mentiria sobre isso?

- Eu não sei - Syndia retorquiu, sorrindo. - Você teria algum motivo para mentir para mim, Draco?

- No momento, não.

Então Draco se inclinou, beijando-a.

Os lábios dele estavam frios por causa do vento gelado, assim como seu rosto. Mas um calor logo subiu pelo baixo ventre em direção ao peito de Syndia, que retribuiu o beijo e o abraçou sem pensar duas vezes. E pensar, realmente, não era o que ambos faziam naqueles últimos dias.

Cada vez que um sentia os lábios do outro, o corpo tão próximo, os braços envolvendo cada vez mais fortemente, a razão os deixavam por completo.

Syndia conseguiu ouvir, embora sem entender, murmúrios de alguns transeuntes corajosos quando Draco aprofundou o beijo. Era como se ele quisesse se aquecer no meio daquele gelo do inverno. Ela não se queixou, pelo contrário, embora agradecesse por estarem no meio de um parque e com pessoas olhando, o que a forçava a manter certo controle de suas ações e reações.

Mas deixou que os braços dele a estreitassem mais, colando seus corpos. Deixou que língua quente explorasse sua boca, que os dentes mordessem levemente seu lábio inferior...

Apenas quando respirar se fez mais de que necessário que eles separaram seus lábios; os corpos ainda juntos demais. Demorou um pouco para que recobrassem o fôlego.

- O frio se foi? - Draco perguntou num murmúrio. Syndia percebeu a presunção na voz dele.

- Mais ou menos. Ainda estou congelando aqui. Preciso de minha casa, honestamente - Syndia murmurou. E diante do olhar de Draco, completou: - Uma deliciosa xícara de chá bem quentinha. Esse frio está acabando comigo.

- Um chá seria realmente bom - retorquiu com um meio sorriso.

- Você está se convidando?

- Eu não posso ir?

Syndia sorriu, embora seu cérebro parecesse queimar em dúvida. Ela fora bem resistente em permitir que Draco adentrasse sua casa novamente. Sabia o que poderia acontecer com ele por lá. Contudo, os pensamentos daquela manhã, a maravilhosa companhia na parte da tarde, aqueles braços ainda a aquecendo... os lábios dele em seu pescoço... Esse conjunto lhe embotava a mente.

- Pode - respondeu. Afastou-se um pouco de Draco, o que fez seu cérebro começar a funcionar novamente. - Voltamos para o beco ou...? - perguntou hesitante. Estava agindo de maneira errada, sabia disso.

- Aqui tem um lugar. Eu acho...

Rapidamente eles alcançaram um banheiro público vazio e desaparataram de lá, aparecendo a uma rua de distância da casa de Syndia. A moça verificou que não havia ninguém na rua quando ficou em frente a sua porta e retirou sua varinha, encostando-a na fechadura.

Ela se livrou da capa assim que entrou, ao que Draco fez o mesmo.

- Você vai fazer o chá? Vou acender a lareira.

- Ah...Tudo bem - respondeu Syndia.

Draco estava muito à vontade, ela reparou. Isso não era nada bom. Ainda não se sentia pronta para ter um homem dentro de sua casa. Pois Syndia sabia muito bem qual era a intenção de Draco ao acender sua lareira, beber chá, ficar aquecido no sofá...e depois, com certeza, na cama!

- Ah, Deus, no que estou me metendo? - perguntou para si mesma num murmúrio frustrado.

Contudo, a voz de Draco chamou sua atenção.

- O chá está pronto? - ele perguntou.

Há quanto tempo ele estava na cozinha? Syndia não queria nem pensar nisso.

- Não - ela respondeu automaticamente. Virando-se para o armário de sua cozinha, perguntou: - Que tipo de chá você prefere? Tenho dois tipos de ervas, aqui. Essa daqui é...

- Na verdade - Draco a cortou -, não acho que quero uma gota de chá.

Percebendo a aproximação dele, Syndia ainda tentou desconversar.

- Bem, eu ainda estou com um pouco de frio. E acho que um chá vai terminar de me aquecer, sabe?

- Eu tenho outros planos para te aquecer, se não se importa.

As mãos de Syndia pararam de vasculhar seu armário quando os braços de Draco rodearam sua cintura e os lábios dele alcançaram seu pescoço.

- E seu eu disser que me importo? - ela perguntou num sussurro, o que fez Draco rir.

- Eu não vou acreditar.

- Ah, sim... Muito prático.

Draco a virou para si, falando em seguida:

- E inteligente. - E a beijou.

Toda e qualquer preocupação que Syndia sentira até então se dissolveu novamente. Enquanto sentia os lábios de Draco, os braços dele a apertando, uma das mãos em seus cabelos, o receio e a hesitação não existiam mais. Em seu lugar, apenas a vontade de beijar de volta, aproximar mais seus corpos... E não ligava que, para Draco, fosse apenas uma diversão o estranho relacionamento dos dois.

Entretanto, diversão era algo que Draco não pensava mais sobre o que ele sentia por Syndia. Certo que admitir ainda era um grande passo que ele não queria dar, embora saber que mais cedo ou mais tarde ele teria a possibilidade de dar tal passo era-lhe frustrante. Parecia que a mulher em seus braços tinha um poder magnético sobre ele, o qual inibia qualquer pensamento racional, que seus princípios falassem mais alto, fazendo suas concepções desaparecerem.

Suspiros, gemidos, boca macia, pele arrepiada... Syndia sobre o balcão da cozinha, Draco entre as pernas dela. Essa era a realidade de ambos. Nada mais importava.

Ou talvez importasse...

Ouvir Syndia gemer seu nome quando sua mão alcançou as curvas da moça, mesmo sobre a camiseta, fez ambos se olharem. Aquele olhar foi o bastante para perceberem o ponto que chegaram. Continuar naquele momento, portanto, era difícil.

O tempo passou despercebido enquanto se olhavam, avaliando, medindo as conseqüências. Pois eles sabiam que elas viriam. Eles sabiam que, a partir de agora, as pretensões que nenhum deles queriam apareceriam mais fortes, não se trataria apenas de diversão. Porém, conversar agora não seria também uma boa ideia.

O som de batidas rápidas na janela da cozinha foi o que os salvou.

- Eu... A janela - Syndia falou ainda sem conseguir desviar o olhar.

- Claro - Draco retorquiu automaticamente.

As pernas de Syndia afrouxaram, soltando Draco que logo se distanciou dela. Ela respirou fundo enquanto se aproximava da janela, abrindo-a parcialmente e permitindo que uma pequena e ouriçada coruja entrasse por ela.

- Pichitinho?

- Você conhece essa coruja? - Draco perguntou com esgar, uma vez que a ave não queria sossegar. Até quando estava nas mãos de Syndia, ela continuava agitada.

- Sim, ela é a coruja do Ronald Weasley. Mas, por que ele me mandaria... Ah, está explicado - sorriu quando conseguiu abrir o pergaminho, também soltando Pichitinho que, inocentemente, fora até Draco. O rapaz apenas sacudiu a mão, quase acertando-a.

- Não sabia que você se correspondia com o Weasley - falou com desprezo.

- Por que, não? Ele é meu parceiro, não é?

- Como?

- É do Gui. Ele está me convidando, junto dos meus pais, para ir à casa deles, no Natal.

- Que interessante - resmungou Draco num murmúrio. - E você vai?

- Não sei - Syndia retorquiu, estranhando a leve agressividade na voz de Draco. Olhando para ele, continuou: - Tenho que falar com meus pais, não é?

Deixando a carta no balcão, ela pegou no armário dois biscoitos para Pichitinho, que começou a comê-los animadamente. Preferiu ficar olhando para a coruja a encarar Draco mais uma vez. De uma hora para outra, tudo parecia mais confuso do que ela poderia imaginar acontecer.

- Tenho que ir - Draco falou de supetão. - Ahm... Esqueci que tenho um... um relatório, em casa, me esperando.

- Não sabia que você era de levar trabalho para casa.

- Às vezes faço isso.

- Então, tá - Syndia falou, sentindo-se aliviada.

Ela o acompanhou até a porta.

- A gente se vê amanhã? - Draco perguntou enquanto vestia o casaco. Ele se parecia com ele mesmo, novamente.

- Talvez... Eu costumo passar os domingos com meus pais, lembra? - Syndia respondeu sorrindo, como se desculpasse. - Se até à tardezinha você terminou seu relatório...

- Vamos ver, então. Te mando uma coruja.

- Tudo bem.

Syndia adiantou-se para dar um beijo de despedida em Draco, mas ele abriu a porta e saiu, dizendo apenas um “adeus”.

xxx---xxx


Os dias que antecediam o Natal passaram rapidamente. Talvez fosse exatamente por isso, por essa estranha velocidade no tempo, que deixara Gina mais irritada.

- Eu simplesmente não acredito nisso.

Harry ergueu as sobrancelhas, olhando para ela.

- O que foi?

- Olhe só para esses convites. Eu simplesmente não acredito nisso - ecoou a garota, balançando um dos convites na frente do noivo.

- O que há de errado com eles? - Harry perguntou olhando para o papel em suas mãos sem entender.

- Eu não pedi essa cor horrorosa de amarelo para o convite. Eles só devem estar de perseguição. Eu pedi um amarelo bem leve, e eles me mandam essa cor de canário!

- Gina... Esse amarelo não é de canário. De jeito algum. Amarelo-canário é bem mais forte e...

- Não é o amarelo que eu pedi. Eles fizeram errado - ela o cortou num sibilo.

Harry achou melhor não contrariar. Ainda tinha muito amor à vida.

- A questão - ela continuou - é que já estamos a menos de dois meses para o casamento. E a não ser que eles façam milagre, não vão conseguir nos entregar os convites a tempo. Como vou convidar nossos amigos tão em cima da hora? E ainda tem a tia Muriel, que não quer emprestar a tiara dela de maneira alguma. O que eu fiz a ela?

- Gina, calma! - pediu Harry, sentando-se ao lado da moça no sofá. - Desde quando você é tão descontrolada assim?

- Eu não estou descontrolada, estou estressada! Não posso me estressar de vez em quando?

- É que o que você está fazendo é mais a cara do Rony, se que saber.

Gina bufou, exasperada. Respirou fundo duas vezes em seguida.

- Tem razão - falou mais calma. - Desculpe. Acho que perdi o controle. É que eu pedi a cor dos convites direitinho, Harry, e o casamento está tão perto para ter erros assim...

- É só pedirmos pressa. E aposto que se você chegar nervosa assim lá, as pessoas vão ficar com tanto medo, que farão o serviço em tempo recorde - ele riu.

- É bom fazerem mesmo, se quer saber - ela sorriu, olhando-o.

- Era para você ficar feliz com o casamento, não estressada.

- Mas estou feliz! - Gina retorquiu parecendo ultrajada. - Eu quero que tudo saia perfeito, Harry. O casamento do Rony e da Mione foi tão bonito. E eu ouço a Fleur conversando com minha mãe sobre o casamento dela com o Gui. E agora as coisas começam a dar errado no nosso casamento, eu começo a pensar que tudo vai ser uma tragédia, no dia.

- Se você quiser, a gente foge e se casa numa cidadezinha qualquer com um padre trouxa. O casamento é legal e você não se estressa.

- Sabe que é bem tentador? - ela riu.

- Fica de costas para mim.

- O quê?

- De costas - Harry falou prático. - Você está tensa, então, vou acabar com essa tensão.

- E eu posso saber como você vai efetuar tal milagre? - Gina perguntou risonha, mas obedecendo.

- Vou fazer massagem em você, bobinha.

Gina olhou para ele mais uma vez, mas Harry a fez girar e puxou um pouco o leve casaco de Gina juntamente com as alças da blusa que ela usava, desnudando os ombros da moça. Como se soubesse o que estava fazendo, Harry começou a efetuar movimentos circulares com os dedos, pressionando-os um pouco forte.

- Você sabe mesmo o que está fazendo? - indagou Gina, suspeitando.

- Relaxa, tá legal? - ele falou, ajeitando-se melhor no sofá de modo que ficasse um pouco mais perto dela.

Respirando fundo, Gina procurou fazer o que ele mandara. Pouco a pouco ela foi conseguindo acompanhar os movimentos dele, também mostrando quando os apertos eram doloridos demais. Quando sentia Harry pressionar um pouco mais forte, soltava um lamento leve, mas quando sentia a massagem surtindo efeito, inclinava a cabeça e soltava um leve gemido apreciativo.

Os dedos dele alcançaram a base do pescoço e Gina jogou um pouco a cabeça para frente.

- Hmm... Assim está gostoso.

- Eu disse a você.

- Não precisa ficar tão cheio de si, Potter.

- Claro que posso! - ele riu. - Sou um homem que sabe fazer massagens, ou seja, sou um homem completo.

- Nossa! Você já foi mais humilde.

- É que ganhei certas coisas na vida que mandaram minha humildade para os confins. Desculpe - falou por Gina ter soltado um leve “ai” quando ele apertou um pouco mais forte o ombro da moça.

- Tudo bem. E você por acaso pode me dizer o que o tornou tão arrogante?

- Primeiro, ser o melhor jogador de quadribol que Hogwarts já teve. - Harry riu quando Gina bufou. - Depois, passar a melhor época da minha vida em Hogwarts fugindo de um irmão ciumento. E depois, enfrentar mais outro exército de ruivos ciumentos. E, finalmente... - ele fez suspense.

- Finalmente o quê, Sr. Humildade nos Confins?

- E então eu ganhei você.

- Não creio que você tenha me ganhado, Harry - riu Gina.

- Não? Então, por qual motivo você está agora vendo convites de casamento comigo? Não foi porque eu ganhei você?

- Pergunto-me o que fiz para merecer tal coisa. Se minha mãe o visse agora, retiraria grande parte dos adjetivos que ela vive colocando em você.

- Se sua mãe me visse agora, ela teria certeza que não sou bem um bom moço.

- Hum... E não creio que isso faça parte da massagem - ela falou quando os lábios dele alcançaram seu pescoço.

- Da massagem, não. Mas também relaxa.

- Ah, isso eu não posso negar.

Harry continuou com a massagem até que percebeu que Gina relaxara completamente.

- Tem certeza que você tem que ir embora hoje? - ele perguntou quando ela se recostou em seu peito.

- Harry...

- Não pode dormir aqui?

- Você sabe que não. Amanhã cedo vou ajudar a mamãe. Ela quer um jantar de Natal maravilhoso.

- Hum...

Ele ficou alguns minutos concentrando-se em brincar com os cabelos dela. Falou, então:

- Sabe que eu não precisaria de presente de Natal se você ficasse aqui, não sabe?

Gina riu, virando-se para ele e beijando-lhe os lábios.

- Claro que sei. Por isso mesmo comprei um presente. Para não cair em suas chantagens.

- É... Suspeitei disso mesmo.

Ainda rindo, a ruiva se levantou do sofá.

- Aonde vai?

- Na gráfica. Quero resolver o problema dos convites ainda hoje.

- Gina, é véspera de feriado!

- Eu sei - ela retorquiu, vestindo seu casaco. - Vamos?

- Sair nesse frio?

- Harry!

E sem ter como retorquir, Harry se levantou, vestiu seu casaco e saiu com Gina naquele fim de tarde congelante.

xxx---xxx


Assim que visualizou a casa retorcida à sua frente, Lyx suspirou.

- Achei que você já tivesse parado com essa infantilidade, querida. - Embora tivesse falado carinhosamente, Lyx percebeu a censura na voz do marido.

- Estou lembrando a primeira festa de Natal que eu fui - ela retorquiu vendo a filha adiantar-se para cumprimentar uma mulher ruiva. Com certeza a mãe de Gui Weasley. - Foi na casa do Ministro da Magia, tudo tão maravilhoso. Agora, cá estou eu, prestes a entrar numa casa que parece que vai desabar a qualquer momento e pisando em barro congelado.

- Nós vamos dar meia volta, você vai decepcionar sua filha, ser deseducada com essas pessoas que nos convidaram tão alegremente, caso continue desse jeito, Lyx.

Lyx olhou constrangida para Oren.

- Me desculpe. É que tem certas mudanças que...

- Senhor e Sra. Vechten! - chamou Molly.

Syndia olhou para os pais quando a mãe de seu amigo os chamou. Ficou feliz em ver o sorriso verdadeiro do pai, assim como também ficou satisfeita ao perceber que a mãe estava fazendo de tudo para ser educada e cordial.

A princípio foi difícil convencer a mãe à ir na casa dos Weasley. Ela fizera perguntas insistentes sobre não poder fazer um almoço para a família Vechten e convidar Draco. Syndia não se lembrava de quantas vezes tivera que repetir que Draco não gostava de Natais.

- Todos gostam de Natal! - Lyx dissera pela enésima vez.

- Eu não vou repetir o que eu disse.

Pelo menos agora ela estava junto de seus amigos. Nem se lembrara qual fora a última vez em que tivera um Natal tão completo. Os risos soltos, o sentimento de união, de desejo de que tudo na vida seja abençoado...

O sol pareceu pôr-se cedo naquele dia. Syndia nem sequer conseguiu aproveitar totalmente a companhia de Gui ou dos irmãos dele - assim como o que veio da Romênia, para as festas. Ao menos assim ela pensou, uma vez que, para ela, o tempo parecera curto demais.

Mas o que também tomava sua cabeça era o fato de parecer que faltava algo para que a alegria daquele dia fosse completa. Entretanto, não demorou muito para que ela descobrisse o que estava faltando. Assim como também não demorou muito para que Gui percebesse a situação da amiga e perguntado na primeira oportunidade o que estava acontecendo. Essa oportunidade surgiu quando Syndia foi buscar mais chá na cozinha.

- Deixe que busco, querida - Molly ainda falou.

- Não precisa, Sra. Weasley - retorquiu Syndia. - Sei o caminho.

- Eu a ajudo - prontificou-se Gui. E embora Fleur não tivesse feito uma boca cara após isso, ele não aceitou recusa.

- Se a sua noiva não te matar, ela vai matar a mim - Syndia falou quando eles alcançaram a cozinha e fugiram de possíveis ouvidos curiosos.

- Então espero que você seja tão resistente quanto eu.

- Engraçadinho. Mas, desembucha.

- Como?

- Coloca para fora, Weasley. O que você quer?

Gui deu um meio sorriso e depois deu de ombros.

- Não sabia que você me conhecia tão bem, Syn.

- Convivência, amor. Agora, diga.

- Bom... Não é que eu estivesse reparando em você, mas...

- Mas?

- Eu percebi que você estava um pouco fora de órbita. Em alguns momentos. É isso.

- Oh...

- Você ficou corada. Já nem precisa mais dizer o que é - falou Gui com uma careta. - Sei em quem você estava pensando.

- Não sabia que você me conhecia tão bem - Syndia falou, ao que Gui retorquiu o mesmo:

- Convivência, querida.

Syndia suspirou, encostando-se à pia e segurando a xícara com as duas mãos. Olhando para a louça para que não precisasse encarar Gui, falou:

- Ele está sozinho na casa dele. Draco disse que não gosta do Natal, principalmente depois que a mãe morreu. Mas não acho que ele esteja totalmente indiferente, hoje. A casa dele é imensa e parece tão fria.

- E você vai fazer o quê, quanto a isso?

- Eu não sei... Eu pensei em comprar um presente para ele, só que não acho que seja uma boa ideia. O que vou comprar? Sou horrível para isso.

- Pois é, eu percebi pela gravata que você me deu.

O rosto de Syndia ganhou tons absurdos de vermelho.

- Ah, Gui, desculpe mesmo. Devolva-me a gravata que eu te dou um presente melhor. O que você quer?

- Estou brincando, Syn. Ao menos a Fleur gostou da gravata. Posso usar em algo formal, não? Sei lá... Talvez quando formos nos encontrar com os pais dela de novo. Ao menos assim eles tiram a atenção para os meus cabelos e o brinco.

Syndia riu.

- Mas o que você pretende fazer? Afinal, vocês estão namorando, não é?

- Bom... Namorar não é bem a palavra certa - Syndia disse um pouco encabulada. - A gente está apenas curtindo um ao outro e o que tem de bom nisso.

- O dia que eu descobrir o que tem para “curtir” no Malfoy, acho que vou para o céu sem pagar pedágio.

- Engraçadinho - resmungou Syndia. Suspirou novamente. - Acho que vou à casa dele. Fazer uma visita, ver como ele está.

- O namorado...ou rolo é seu mesmo. Fique à vontade.

- Obrigada.

- Syndia?

Tanto a moça quanto Gui olharam para a entrada da cozinha, onde Oren estava.

- Sim, papai?

- Vamos, querida? Acho que sua mãe já venceu a cota dela em ficar fora de casa - ele sorriu.

- Claro.

Os Vechten então se despediram e logo foram embora, porém Syndia, em vez de aparatar em sua casa, foi para outra: uma mansão em Wiltishire.

Ela sabia que, agora, estava praticamente tirando toda e qualquer barreira que existia entre o que quer que Draco e ela tinham e um namoro comum. Porém, respirando fundo, aproximou-se do portão de entrada. Independente do que pudesse acontecer naquela casa após tal constatação não a mataria, mataria?




N/B: Não. Não mataria a Syn... – MAS VOCÊ, BETINHA, VAI ACABAR ME MATANDO, ISSO SIM! – Tem idéia de quantas vezes eu segurei a respiração neste capítulo, do tipo: “Agora vai!” – E aí você me vem com corujinhas hiperativas e visitas a gráficas atrás de convites amarelo-canário??????????????? >( – É bom esse presente, que a Syndia está prestes a entregar, ser bom, mas bom meeeesmoooo no próximo capítulo! Estou aqui me segurando, sem dar piti, única e exclusivamente porque confio em você na escrita, e reparei no fato de que a Syn está mais próxima dos lençóis de seda emaranhados de um certo loiro que nunca! ;D – Outro capítulo supimpa, Betinha! (apesar dos solavancos no meu coração!) – Fico aqui, torcendo por um próximo capítulo em breve! (Ouviu? BREVE!) – rsrsrsrsrsrsrs... - Beijo enorme, Lív! TDoro! Até breve!
P.s.: BREVE!!!!!!!!!!


N/A: (dando sorrisão para minha Beta) Sim, quando a situação parecia caminhar calorosamente, lá ia a bonitona da Livinha e apagava o fogo..hehe.. Mas o que é da Syndia está guardado, Beta! Espero que todos tenham gostado do capítulo, que mostrou um pouco mais da família da Syn e a quantas anda a relação (ou o que quer que nomeie aquilo..hihi) dela com o Draco.

Bernardo Cardoso: rapaz sumido! Só perdoo você, pois sei como é essa vida real. Que bom que gostou, Be, e sim, estamos humanizando o Draco! =D Beijos, querido.

Paty Black: manaa!!!! Sim, curtir o melhor da vida é o melhor.. =D E cá está o capítulo, mas ainda não chegamos aos finalmente..hihi.. Pois é, a Pam está apenas como colaboradora, e confiando em minha pessoa (pobrezinha dela.. - *risada malvada) Beijos, Índia Loura! TAmo! Liv

Sem mais...

Beijos a todos,

Livinha e Pamela Black

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