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4. Capítulo IV


Fic: UA - HH-O Amor... é cego?


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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**RE**: é uma ra msm, mas de repente ela tem lá os motivos dela... dizem que ninguém odeia de graça...

camila de sousa: Brigado... tbém acho q seria óbvio... mas vamos esperar pra ver... pois tudo pode acontecer...

Carina Cruz: Brigadaum... é muito bom saber q vc gosta das minhas adptações... naum vou comentar os seus comentários, pq posso acabar entregando o que vai acontecer e assim perde a graça... mas acho que vc tem razão em um bocado de coisas...

tah ae meninas...

e por favor... eu sei que todas nós queremos esses maravilhosos Harrys dessas fics, mas infelizmente, eles são das Miones das fics...
se eu pudesse, eu juro que cada uma ia ter um... mas como num dá, vamos à leitura...

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Hermione sonhava com Harry. Eles estavam em um pequeno barco, que deslizava por um lago plácido, e Harry recitava poemas para ela. Ao contrário do poema lido por Dursley, esse era lindo, falava de paixões infindas e de amor eterno. Parando de recitar de repente, ele a fitou e estranhamente começou a chamá-la:
— Hermione? Cadê você? Ai! Droga! Hermione?
O chamado parecia tão verdadeiro que ela acordou sobressaltada. Piscando os olhos, franziu a testa ao dar-se conta de que continuava ouvindo a voz de Harry, apesar de não estar mais sonhando.
— Hermione? Diga alguma coisa. Não enxergo nada nessa escuridão...
— Harry? — murmurou ela, sonolenta.
— Hermione? — A voz dele não passava de um sussurro, vindo de algum ponto próximo ao pé de sua cama.
Já desperta, embora ainda confusa, Hermione sacudiu a cabeça. Só poderia ser sonho. Como era possível Harry estar em seu quarto àquela hora da noite?
— Ai.
Deus do céu, não é que ele estava mesmo! Hermione rapidamente sentou-se na cama.
— Harry?
— Sim, sou eu, mas não enxergo nada. Continue falando para que eu siga sua voz. Ai! Que droga, por que tanto móvel no meio do quarto?
A cama sacudiu um pouco quando Harry se chocou contra ela, e Hermione, forçando os olhos na escuridão, sussurrou incrédula:
— O que você está fazendo aqui?
— Preciso falar com você, mas como não conseguimos nos encontrar da maneira convencional, eu... O que é isso?
— Meu pé — disse mexendo os dedos. Em seguida, estendeu os braços para tentar alcançá-lo. Se não era fácil só ver borrões, a escuridão total era muito pior. Finalmente pareceu tocar no peito dele. Então Harry tocou na mão dela e ela pôde puxá-lo em direção à cabeceira da cama.
— Está tão escuro aqui. Onde está a vela?
Hermione não conseguiu segurar a risada, cobrindo a boca com a mão.
— Mas se é noite!
— Eu sei, é que...
— Se acendermos a vela poderá chamar a atenção de algum criado. Sente-se aqui e me diga o que há de tão importante que o tenha feito invadir o meu quarto.
Hermione ajeitou-se, deixando espaço a seu lado para que ele pudesse se sentar.
Harry deu um suspiro e, ao sentar-se, a cama balançou um pouco com seu peso. Limpando a garganta, ele comentou:
— Sei que não é nada apropriado estar aqui.
— Quase tudo o que fazemos parece não ser — Hermione ressaltou, em tom divertido.
— Me parece que não — Harry concordou, sorrindo, mas sua voz tornou-se novamente séria.
— Queria saber mais sobre o recado que você disse que eu lhe mandei.
— Sim, claro. Desculpe por não termos conversado. O que havia de importante nele?
— Não fui eu que enviei o bilhete.
— Não? — Hermione ficou lívida. — Mas estava assinado H.P.
— Mas não fui eu que mandei — Harry repetiu com firmeza. — E, quero que você tenha em mente para o futuro que nunca assino H.P.
Hermione refletiu por um momento. Não sabia o que pensar, nem o que dizer.
— Quem o teria enviado então? E por quê?
— É isso o que me preocupa, Hermione. — O tom de voz era de apreensão. — Fico pensando se o acidente de hoje foi mesmo um acidente. Aliás, todos os seus outros acidentes também me intrigam. Me diga como foi a queda da escada.
Hermione ergueu as sobrancelhas.
— Acho que já lhe disse que o combinado é que sempre tenha uma criada para me acompanhar, mas naquela manhã eu estava muito impaciente. Às vezes me aborrece essa história de precisar ter alguém me acompanhando, então resolvi descer sozinha. Não tive problema algum para deixar o quarto e caminhar pelo corredor. Quando cheguei na escada, porém, tropecei em alguma coisa e rolei escada abaixo.
— Mas em que você tropeçou?
— Não sei dizer. Torci o tornozelo e perdi o equilíbrio. Joan e Foulkes fizeram um estardalhaço. Não me ocorreu na hora pedir a eles que verificassem em que eu havia tropeçado.
— E ninguém mencionou se havia alguma coisa na escada?
Hermione sacudiu a cabeça em negativa.
— E como foi que você quase foi atropelada por uma carruagem?
— Ah — Hermione soltou um suspiro à lembrança, — eu estava entediada e ouvi a cozinheira dizer que ia ao mercado. Resolvi ir com ela para comprar umas frutas. Ela me pegou pelo braço e paramos em uma barraca de verduras na extremidade do mercado. Ela me largou por um minuto somente, não mais do que isso. No mesmo instante, alguém trombou comigo. Como foi inesperado, meu pé dobrou no cascalho e caí para a frente de joelhos. Percebendo uma grande comoção, levantei a cabeça e vi um borrão enorme vindo em minha direção. Era uma carruagem, mas o condutor conseguiu parar a uns passos de mim, aparentemente com os cavalos empinando. Acho que tenho tido sorte.
— Quem trombou em você? — Harry quis saber.
— Não sei. A cozinheira veio correndo me perguntar se eu estava bem, se pôs a gritar com o condutor porque ele estava gritando comigo e, em seguida, me trouxe para casa para que Joan me ajudasse a trocar de roupa.
Harry permaneceu calado por um momento, depois perguntou:
— Hermione, você realmente viu o bilhete que supostamente lhe mandei?
Hermione podia sentir a respiração dele em seu ouvido e estremeceu. Engolindo em seco, respondeu:
— Claro que vi. O menino insistiu em entregá-lo para mim. Joan até teve de me tirar do baile para recebê-lo.
— Você leu o bilhete?
— Não; tentei, mas não consegui. Joan leu para mim.
Harry pensou um pouquinho e perguntou:
— Você guardou o suposto bilhete?
— Suposto? Você fica repetindo isso, Harry, mas eu vi o bilhete.
— Sim, você viu, mas não leu.
— Por Deus, o que você está imaginando?
— Não sei — Harry confessou, suspirando. — Foulkes e Joan estavam por perto e foram os primeiros a se aproximar de você quando caiu e a cozinheira estava com você no mercado. Mas ninguém se preocupou de verificar por que você tropeçou ou quem a empurrou na rua.
— Alguém trombou comigo. Não fui empurrada — contestou Hermione. — E ambas as vezes as pessoas estavam ocupadas demais comigo para se preocupar com essas coisas. Eu tampouco me preocupei. E, céus, sei que a criadagem me odeia por todos os acidentes que já causei, mas daí a pensar que todo o pessoal que trabalha com meu pai me queira ver morta?
— Não, claro que não — Harry concluiu mais que depressa. — Dá para você acender a vela e achar o bilhete?
Hermione hesitou e não conteve o riso:
— Como se a luz pudesse me ajudar!
Balançando a cabeça, ela saiu da cama e, com os braços estendidos, se dirigiu com cuidado até a penteadeira. Ainda assim, bateu com o pé em uma das pernas da peça. Dando um passo para trás, praguejou e abaixou as mãos para localizar o tampo. Tinha uma vaga lembrança de Joan ter colocado o bilhete ali quando entraram no quarto.
— Deve estar por aqui — Hermione percorreu as mãos pelo tampo e esbarrou nele. Pegou então o pequeno pedaço de papel e virou-se para voltar para a cama quando, repentinamente, a luz iluminou o quarto.
Hermione congelou a meio caminho da cama, piscando muito por causa da luz repentina.
Harry tinha encontrado a vela ao lado da cama e a acendera. Hermione entregou-lhe o bilhete e aguardou que ele o lesse.
— E então? — perguntou, depois de algum tempo.
— Está escrito o que você disse, mas a letra não é minha.
— Quem mandou então? — ela perguntou com ar apreensivo. — As únicas pessoas que sabem a nosso respeito são seu primo e minha criada e... Dursley.
— Dursley sabe? Você tem certeza?
— Tenho. Ele e Lydia estavam passeando no jardim da casa dele na noite de nosso piquenique, e eles viram quando nos beijamos à porta do salão — Hermione explicou e acrescentou: — Assim, Lydia também sabe.
— Desconfiava que ele soubesse — Harry murmurou, depois levantou a cabeça e Hermione sentiu o olhar dele.
De repente, ela teve plena consciência de estar ali usando somente uma camisola. Podia perceber agora o olhar de Harry percorrendo seu corpo e teve um estremecimento. Instintivamente, cruzou os braços sobre o peito.
Fez-se um longo silêncio entre eles. Então Harry anunciou com voz enrouquecida:
— Hermione, estou louco para beijá-la.
Ela prendeu a respiração, sentindo de imediato a excitação tomar conta de seu corpo, esmorecendo no minuto seguinte quando ele vacilou:
— Não, é melhor não beijá-la.
— Não vai me beijar? — Hermione perguntou tornada de desapontamento.
— Seria inapropriado.
— Mas eu gostaria que você me beijasse — Hermione admitiu com franqueza.
— Oh, por favor, não diga isso — Harry quase gemeu. — Estou tentando ser cavalheiro.
— E cavalheiros não beijam damas? — ela perguntou com um pequeno sorriso, lembrando-o depois: — Você me beijou no baile dos Devereaux.
— Beijei, mas a situação era muito diferente.
— Diferente, por quê?
— Você não estava semi-despida e em seu quarto.
— Posso me vestir.
Uma leve risada escapou dos lábios de Harry e ele se abaixou para beijá-la. Hermione não disse uma palavra, seu coração parou de bater por um momento, entregando-se por completo ao beijo. Agora podia constatar que o calor e excitação que tomara conta dela na noite do baile dos Devereaux nada tinham a ver com o vinho.
O corpo de Hermione parecia saber exatamente o que fazer e se moldou perfeitamente ao de Harry. Suas mãos envolveram o pescoço dele para ficarem ainda mais juntos e então ele introduziu a língua em sua boca, como havia feito no primeiro beijo. Desta vez não ficara nem um pouco surpresa, nem sentira o corpo enrijecer-se. Pelo contrário, sentiu os joelhos enfraquecerem e escorregaria até o chão se não tivesse os braços de Harry envolvendo-a bem firme.
Hermione suspirou e deixou-se beijar, gemendo de prazer às carícias eróticas de Harry. Em dado momento, ela soltou uma pequena exclamação de surpresa. Ele a afastou e sentou-se na beirada da cama.
— Está errado — sussurrou, beijando-a no rosto e escorregando os lábios até o ouvido dela. — Não devíamos estar fazendo isso.
— É, de fato não devíamos — Hermione concordou, afagando os ombros e o peito de Harry, ao mesmo tempo em que jogava a cabeça para trás, permitindo que ele lhe beijasse o pescoço.
— Não estou tendo o devido respeito para com você — ele sussurrou no ouvido de Hermione, que sentiu um arrepio da cabeça aos pés. Podia ser desrespeitoso, mas estava muito bom.
— Me peça para parar — Harry murmurou, descendo os lábios pelo pescoço lânguido.
Hermione abriu a boca e soltou um gemido quando ele enfiou a mão pela abertura da camisola e acariciou-lhe o seio.
— Talvez... — Harry acariciou-lhe a pele macia e ela arqueou o corpo, invadida por sensações estranhas. Seus músculos latejavam de excitação e uma sensação de calor apoderava-se de suas partes íntimas.
— Talvez, o quê? — Harry perguntou ofegante.
—Talvez você deva me beijar de novo — disse Hermione arfando, embora soubesse que não era isso que deveria dizer.
Harry deixou escapar dos lábios um pequeno murmúrio e cobriu os lábios dela com os seus.
Hermione afagou os cabelos macios, retribuindo os beijos com o mesmo ardor e, pela primeira vez, sentiu viva cada uma das partes de seu corpo como nunca havia acontecido antes.
Em virtude de sua inexperiência, no íntimo, tudo o que preocupava Hermione era não estar correspondendo da maneira certa, mas essa preocupação desapareceu quando Harry soltou um som gutural e seus beijos tornaram-se mais ardentes e exigentes. Aquela reação só poderia ser por estar retribuindo à altura. Então ele a recostou na cama.
— Só um pouquinho — murmurou Harry, interrompendo o beijo.
— Está bem — Hermione concordou, só desejando que o prazer que estava sentindo não acabasse.
— Só vou tocar um pouquinho em você e prometo que depois eu paro — disse Harry, e a idéia lhe agradou.
Hermione queria que aqueles momentos durassem uma eternidade. Nunca havia se sentido tão desejada e viva.
Quando Harry começou a beijar-lhe o seio, Hermione percebeu que ele estava totalmente descoberto. Harry havia desabotoado vários botões de sua camisola, sem que ela tivesse percebido. O calor da boca brincando com seu mamilo teve o efeito de uma chama acendendo todo o seu corpo.
— Oh — gemeu, passando as mãos dos cabelos para os ombros dele. Tentou então tirar o colete de Harry, puxando-o dos ombros. O colete desceu um pouquinho e acabou interceptando o movimento dos braços de Harry, que acabou fazendo uma pausa para tirá-lo ele mesmo.
Hermione deixou que suas mãos deslizassem pelo tecido fino da camisa de Harry. Não se contendo, levantou o tecido, desejando tocar a pele macia. Harry parou de brincar com seu mamilo e um “não” quase suplicante escapou-lhe dos lábios. Ele tornou a beijá-la e Hermione puxou o resto da camisa para fora das calças, acariciando as costas.
Harry gemeu e seus beijos tornaram-se mais fortes e sua língua mais exigente; quando se sobrepôs ao corpo de Hermione, ela pôde sentir toda a virilidade dele ao entreabrir um pouquinho as pernas. Estremeceu de prazer, cravando as unhas nas costas de Harry.
— Por Deus, Hermione — ele pediu, afastando seus lábios dos dela para beijá-la por todo o rosto. — Precisamos parar.
— Oh, Harry — Hermione gemeu de prazer, enrijecendo o corpo quando a mão dele acariciou suas pernas e Harry deslizou os lábios por seu pescoço.
— Peça-me para parar — Harry implorou, fazendo uma pausa para tirar a camisa, curvando-se depois para beijar e sugar o seio de Hermione.
Hermione ofegante, enterrou as unhas nas costas dele e arqueou o quadril para que ele pudesse acariciar suas partes íntimas.
A mão de Harry deslizou de suas pernas na tentativa de pegar a bainha de sua camisola e a suspender até as coxas. Ela estremeceu antecipando o que estava por vir e colou seu corpo ao dele.
— Oh, Harry... — Hermione arfou, sentindo o corpo pulsar em crescente tensão quando ele tocou suas partes íntimas, agora sem o impedimento de tecido algum.
— Só isso, prometo que não vamos fazer amor — ele sussurrou, beijando-a no cantinho da boca. — Mas preciso tocar em você, sentir o seu gosto.
— Sim... — disse Hermione imediatamente, pronta para concordar com tudo desde que ele não parasse.
Hermione acariciava o corpo de Harry, pendendo a cabeça para o lado quando a boca dele começou a descer por seu corpo, detendo-se por um momento em um seio, depois na altura de seu abdome e... Seu devaneio foi subitamente interrompido; ela retesou todo o corpo quando ele se ajoelhou entre suas pernas, para que a boca tomasse o lugar da mão que a acariciava. Sua primeira reação foi de choque e vergonha. Ela agarrou a cabeça de Harry, tentando levantá-la.
— Não quero... você não deveria... Harry? — murmurou indecisa, desistindo do protesto diante do prazer com que seu corpo respondeu às carícias daquela boca.
Hermione largou a cabeça de Harry e se agarrou na cama e nos lençóis, sentindo tudo à sua volta girar. Teve então uma vaga consciência de que seus quadris agiam naquele momento por conta própria, movimentando-se para cima na ânsia de receber mais beijos e mais carícias.
— Oh... — Hermione vislumbrou as sombras da vela projetada no teto, mas toda a sua concentração estava voltada para as sensações que estava descobrindo.
— Oh... — Entendia agora por que nasciam tantos bebês.
— Oh... — Harry lhe parecia o homem mais inteligente da Inglaterra, talvez do mundo.
— Oh... — De repente o desenho do universo passou a fazer sentido.
— Oh... — Definitivamente Deus existia.
— Oh... — O que seria o cheiro de fumaça que estava sentindo?
Hermione aguçou os sentidos, tentando desprender-se da paixão que lhe toldava a mente naquele momento. Inspirou profundamente e, sem dúvida, havia cheiro de fumaça. Voltou o olhar para a vela que Harry havia acendido, mas, pelo pequeno círculo de luz que conseguia ver, aparentemente não era dela que se desprendia a fumaça.
Talvez fosse imaginação sua, mas era difícil pensar no que quer que fosse quando tudo o que desejava era se deixar levar pelo prazer que sentia, pouco se importando com a causa daquele cheiro. Soltou a mão que apertava os lençóis e enfiou as mãos nos cabelos de Harry, incentivando-o a satisfazer o desejo de seu corpo.
Receosa de machucá-lo em razão de seu estado de excitação e insensatez, soltou novamente os cabelos dele e voltou a agarrar a cama, enquanto seus quadris continuavam a se mover à medida que a tensão de seu corpo aumentava. Suas mãos apertavam os lençóis, sua cabeça girava em um turbilhão, quando os lábios de Harry tocaram o centro de sua excitação. Seu corpo vibrou na cama, sentindo cada um de seus poros latejar. Com a respiração acelerada, ela soltou um suspiro e tossiu ao aspirar a fumaça.
Tentando desesperadamente pensar, passada a excitação que a assaltara, Hermione procurou erguer-se um pouco e olhar ao redor do quarto. Seus olhos detiveram-se na porta. Parecia haver uma claridade no vão próximo ao chão e por ela penetrar uma grossa camada de fumaça.
Instintivamente mexeu na cabeça de Harry, mas ele segurou-lhe as duas mãos e prensou com o peso do corpo as pernas dela para continuar o que estava fazendo.
— Harry! — ela chamou-o arfando, mas determinada. — Fogo... Oh... queimando.
— Estou queimando por você também. — Ele levantou a cabeça por um segundo apenas para responder e continuou a acariciá-la, decidido que estava a enlouquecê-la de prazer.
— Não... Oh... não — Hermione tentou mais uma vez avisá-lo, lutando para conseguir livrar suas mãos, mas Harry continuava a prendê-las. Finalmente, conseguindo liberar uma das mãos, ela o puxou com força pelos cabelos.
Com os olhos fixos na luz sob a porta, Hermione mais uma vez gritou: “Fogo!”, mas sentiu novamente a tensão começar a se apoderar de seu corpo, crescendo em novas ondas intermináveis de prazer até se tornar uma massa trêmula e frágil jogada na cama.
Harry finalmente levantou a cabeça e, embora com a mente entorpecida, Hermione percebeu o movimento dele para deitar-se a seu lado. Ele abraçou seu corpo inerte, beijou sua testa, depois franziu as sobrancelhas, aspirou o ar, levantou a cabeça, aspirou novamente o ar e perguntou:
— Não está cheirando fumaça?
— Está, sim. — Hermione suspirou, com um sorriso nervoso no rosto. — Acho que a casa está pegando fogo.
— O quê!? — Harry exclamou, e ela foi subitamente deixada de lado; ele se levantou e correu até a porta. Tentou abri-la uma vez, depois forçou-a com as duas mãos, mas não fez qualquer diferença. Como não conseguisse, colocou a mão em sua superfície, praguejou e retornou rápido até a cama.
— Por que você não me avisou?
— Mas eu tentei — disse Hermione, constrangida. — Disse fogo, que algo estava queimando e tentei empurrar sua cabeça.
— Oh, é verdade. Pensei que você... Deixa isso pra lá. — Harry deu uma olhada para a janela, pegou então a mão dela e puxou-a para fora da cama. — Vamos, temos que sair daqui.
Hermione levantou-se e quase desmontou no chão. Harry segurou-a, preocupando-se:
— O que você tem?
— Estou com as pernas moles. Me dê um minuto.
Ele hesitou por um instante, depois tomou-a nos braços e a carregou até a janela.
— O que você está fazendo? — Hermione perguntou, surpresa.
— A porta está muito quente, sinal de que o fogo está logo ali. Precisamos sair pela janela.
— Meu Deus! — Hermione exclamou assustada quando ele a colocou no chão e debruçou-se na janela a fim de olhar para fora. Ela não tinha boa coordenação. Mesmo com os óculos, já era meio desajeitada. A idéia de tentar sair pela janela não lhe agradava nem um pouco.
— Não se preocupe, vou ajudá-la — Harry procurou tranqüilizá-la, colocando uma perna para fora da janela e sentando-se no peitoril. Em seguida, ele esticou os braços e sumiu de vista. Hermione se aproximou da janela e olhou para fora. O lado positivo é que não conseguia enxergar a altura em que estava. Odiava alturas. O lado negativo é que não conseguia enxergar nada. Sentiu então Harry tocar sua mão.
— Segure minha mão. Vou ajudá-la.
— Está bem. — Hermione respirou fundo e pegou na mão dele. Segurou-a firme, sentando-se de lado no parapeito, tentando tirar uma perna para fora, como ele havia feito, mas achando que a camisola tolhia seu movimento.
Depois de uma pequena hesitação, Hermione ponderou que Harry já tinha visto o que havia sob a camisola e levantou-a até as coxas para conseguir se movimentar melhor. Tentou então ver o que Harry estava fazendo e conseguiu vislumbrar sua silhueta, graças à camisa branca que ele usava e que contrastava com a escuridão do céu e das árvores ao redor.
— Basta dar um impulso para frente e eu a porei neste galho. — A voz de Harry soou calma e confiante. Hermione fez o possível para concentrar-se nisso e ignorou seus medos.
Tirou então a outra perna para fora da janela, respirou fundo, agarrou a mão de Harry e se projetou para frente.
Por alguns segundos, suspensa no ar, pareceu-lhe não conseguir nem sequer respirar. Harry puxou-a para si e ela gemeu ao bater no galho em que ele estava sentado. Começava a escorregar para baixo e, por um momento, teve a impressão de que fosse cair, mas Harry a puxou, segurando-a firme a seu lado. Ela ficou pendurada entre ele e o tronco da árvore e nada além do ar sob seus pés.
Harry hesitou um pouco e depois resolveu:
— Vou abaixá-la até o chão.
— É melhor não — Hermione murmurou, agarrando-se ao braço dele.
— O chão está próximo, Hermione. Não estamos tão alto assim. Depois que você descer, eu pulo e caio a seu lado.
Hermione mordeu o lábio e abaixou a cabeça para avaliar a distância.
— Você tem certeza de que não é muito alto?
— Juro que não. Seu quarto fica apenas no segundo andar, Hermione, e esse galho é ainda um pouco mais baixo. Na hora que eu abaixá-la, seus pés quase tocarão o chão.
— Está bem, mas por favor não me deixe cair — ela implorou, medrosa.
Em vez de abaixá-la, Harry a levantou mais um pouquinho para poder beijá-la no rosto.
— Não posso deixá-la cair, você é preciosa demais para mim.
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Harry curvou-se um pouco para fazê-la começar a descer. Hermione agarrou-se à mão dele e fechou os olhos, certa de que era pesada demais para que ele agüentasse, sem deixá-la cair.
— Você está bem pertinho do chão agora, meu amor. É só se soltar e pular.
— Será que consigo?
— Desconfio que sim.
A segurança da voz de Harry finalmente fez com que ela se decidisse. Armada de coragem, Hermione soltou a mão dele, Mal começou a cair, aterrissou de supetão. Realmente devia estar a menos de um metro do chão.
Hermione suspirou aliviada.
— Ela está aqui!
O alívio esvaiu-se no mesmo instante em que ouviu o débil comentário. Hermione assobiou em direção à voz e teve a impressão de ver a figura de um dos criados em um dos cantos da casa. Mordendo o lábio nervosa, ela olhou para cima onde Harry ainda estava suspenso. Tentou chamá-lo baixinho, mas precisava ser ouvida. Ele fazia barulho chacoalhando os galhos na tentativa de soltar a camisa que se prendera em um deles e, ao mesmo tempo, blasfemava irritado por isso.
— Harry! — insistiu.
— Um minuto, amor. Já, já estarei com você.
Hermione tornou a olhar para o canto da casa e viu o criado que vinha correndo em sua direção. E, atrás dele, vinha todo o pessoal da casa. E, atrás deles, metade dos moradores daquele quarteirão. Todos correndo para ver se ela estava a salvo.
Hermione contemplou aqueles rostos borrados que se aproximavam, sem se dar conta das palavras de alívio que pronunciavam. Então Harry caiu em pé na sua frente, bloqueando-lhe a visão.
— Viu? Até que me saí bem, não foi? — ele perguntou, passando o braço em seus ombros e curvando-se para beijá-la nos lábios.
— Lorde Gryffindor!
Harry ficou petrificado por um instante, depois endireitou o corpo vagarosamente e virou-se para encarar a multidão ao redor deles. Ao voltar-se novamente para ela, Hermione sentiu que ele a mediu com os olhos e teve um súbito arrepio. Deu-se conta então que sua camisola continuava desabotoada, revelando seu colo desnudo aos ali presentes.
Mordendo o lábio, ela desajeitadamente tratou de abotoar a camisola e voltou a olhar para Harry que agora estava absorto em seu próprio estado de seminudez.
Hermione teve consciência de quão comprometedora era toda aquela situação e ficou perplexa quando Harry, endireitando os ombros, disse:
— Lady Granger, tenho a honra de pedir a mão de sua enteada em casamento.
Hermione mastigava a torrada e evitava encarar Lydia. Apesar de não conseguir enxergar a expressão do rosto dela, podia sentir seu olhar toda vez que voltava a cabeça para a direção em que estava sentada.
A madrasta estava furiosa com ela desde a noite do incêndio. Ela não tocara no assunto do ocorrido, nem após voltarem para casa depois do fogo ter sido extinto. O fogo começara no hall perto do quarto de Hermione, impedindo que, pelo lado de dentro da casa, alguém pudesse se aproximar da porta para avisá-la. Aquela parte do hall, seu quarto e os quartos de dois criados haviam sido os únicos cômodos destruídos; o salão sob seu quarto ficara também muito danificado por causa da água. Por sorte, todo o resto da casa estava perfeitamente em ordem, só exalando ainda um pouco o cheiro da fumaça.
Hermione passara a ocupar o quarto de hóspedes desde então e estava praticamente sem roupa. Tudo o que estava guardado no quarto fora queimado. Para remediar a situação, haviam sido encomendados às pressas dois ou três vestidos para ela.
Logo após o pedido de casamento, Harry havia sugerido a Lydia que, durante a reforma que teria de ser feita, Hermione ficasse na casa de sua mãe, mas a madrasta não consentiu, deixando bem claro, com uma atitude de desdém, que não voltaria atrás. Embora tratasse Harry com a maior frieza, ele fingia não perceber o desprezo da mulher e, quando de suas visitas, ambos, Hermione e ele, procuravam ignorar tanto o silêncio dela quanto os olhares glaciais que lhes dirigia. Também não tinham muita alternativa. Desde aquela noite, Lydia não permitira que ficassem sozinhos por um único minuto sequer. Hermione sentia-se inconformada. Os proclamas já haviam sido publicados, o casamento fora marcado para duas semanas depois do incêndio, e tudo estava em ordem. Lydia deveria estar satisfeita. Afinal de contas, havia conseguido um conde para sua enteada. Mas era óbvio que não estava.
Hermione suspirou e mordiscou a torrada, remoendo a mesma preocupação e temor que lhe assaltaram desde a noite do incêndio. Sentia-se dividida. Não poderia deixar de estar mais feliz diante da perspectiva de se casar com o homem que amava, especialmente depois da experiência que tivera com ele na cama, provando que dormir com ele não seria sacrifício algum. Tinha, porém, o receio de que Harry tivesse se sentido obrigado ao casamento depois do que havia acontecido e, portanto, acabasse não sendo feliz ao lado dela.
Não desejava a própria felicidade à custa da dele. Preferia enfrentar mais uma vez o escândalo sozinha, se fosse o caso. Havia sobrevivido ao primeiro, sobreviveria a esse também. Na realidade, era o que esperava ao serem flagrados por todas aquelas pessoas. O pedido de casamento de Harry a surpreendera tanto quanto parecia ter enfurecido Lydia.
A porta da sala de jantar foi aberta, e Hermione voltou os olhos, estreitando-os para enxergar melhor quem entrava. Lá estava um homem alto, de cabelos grisalhos.
— Pai! — exclamou, reconhecendo-o de imediato enquanto começou a caminhar em sua direção.
— Olá, Mione! — John Granger abraçou a filha, envolvendo-a no aroma de fumo de cachimbo.
— Que bons ventos o trazem, meu pai?
— Como eu poderia deixar de vir correndo ao saber da notícia de casamento da minha filhinha? — ele brincou.
Hermione lançou um olhar em direção a Lydia. A madrasta não mencionara que havia escrito ao pai.
— Também lhe trouxe alguma roupa. Sua madrasta me avisou que quase todas as suas coisas foram perdidas no incêndio.
— Que bom, pai. Obrigada.
— Agora vamos precisar também mandar fazer alguns vestidos de festa. — Lorde Granger parou para observá-la. — Onde estão seus óculos, Mione?
— Hermione os quebrou — Lydia mentiu. — Logo após meu primeiro bilhete, mandei outro recado para que você trouxesse o par de reserva para que ela possa ver com quem está se casando, mas deve ter chegado depois de sua partida.
Hermione ficou surpresa com essa notícia, também não mencionada pela madrasta. Pelo tom da voz de Lydia, porém, providenciar os óculos naquele momento parecia mais uma maldade do que um gesto de bondade. Não podia entender por que a madrasta achava que seria um castigo poder ver direito o homem com que estava se casando.
— Bem, acidentes acontecem — o pai admitiu calmamente, fazendo com que Hermione voltasse sua atenção para ele. — Estou muito feliz por você, filha. Sempre gostei de Gryffindor. Ele é uma excelente pessoa.
Hermione notou que Lydia ficou chocada ao ouvir essas palavras e sua própria surpresa foi maior ainda.
— Você conhece Harry?
— Conheço, claro. Fui muito amigo do pai dele e nos correspondemos bastante desde a morte de sua mãe. O pai dele era um grande homem de negócios. Conseguia tirar lucro de onde quer que pusesse as mãos. Quando se aposentou, Harry o substituiu e passei a me corresponder com ele.
— E eu não sabia disso — Hermione murmurou.
— Não havia razão para que soubesse. Nunca havíamos conversado a respeito antes e acredito que nem ele deva ter mencionado para você.
O pai sentou-se à mesa e uma criada apressou-se em servir o chá para ele. Hermione reparou em Lydia. Ela estava com uma expressão amarela no rosto. Foi então que Hermione se deu conta de que o pai não demonstrara afeto para com a madrasta. Ele a tinha abraçado ao chegar, mas nem sequer a cumprimentara. Pela primeira vez se perguntou que tipo de relacionamento os dois teriam. Talvez houvesse uma razão para a amargura e até mesmo para a raiva que Lydia demonstrava.

— Por que você não mostra a galeria para ela?
Harry piscou sem-graça ao ser pego olhando para Hermione enquanto falava com o pai dela e sorriu timidamente à sugestão de John Granger.
— Podem ir. Vocês dois me fazem lembrar de mim mesmo e da mãe de Hermione quando tínhamos a idade de vocês. Não parávamos de seguir um ao outro com os olhos, sempre querendo ter o outro na mira. — Ele sorriu ante a doce reminiscência e acrescentou: — Ainda sinto muita falta dela.
Harry ergueu a sobrancelha.
— E Lydia?
— Lydia. — Lorde Granger soltou um suspiro. — Lydia foi um erro em minha vida. Achei que Hermione precisaria da ajuda de uma mãe até se tornar mais adulta, especialmente depois do escândalo. Também não queria jogar sobre os ombros dela toda a carga de atribuições domésticas sendo ela ainda tão jovem. Foi um casamento de conveniência. Eu sabia que nunca poderia amar outra mulher como amei minha Jane. — Ele suspirou novamente e sacudiu a cabeça. — Pensei que Lydia entendesse isso. Aliás, ela disse que entendia perfeitamente. Mas não entendeu coisa alguma. Achou que eu estava apenas vivendo a fase do luto e, tão logo me recuperasse, viria a me apaixonar por ela, como gostaria. Quando percebeu que isso não ia acontecer... — Ele deu de ombros e seu olhar pousou na filha. — Hermione é igualzinha à mãe. Não é só que se parece com a mãe, é a própria materialização de Jane. Por isso, na cabeça de Lydia, Hermione rivaliza com ela em meu afeto.
— Entendo — disse Harry pensativo. Isso explicava muito sobre o comportamento da madrasta. Cometia crueldades em nome do que era bom para Hermione.
— Agrada-me ver que você e Hermione se identificaram. Acho que vão ser tão felizes quanto a mãe dela e eu fomos. Agora vá mostrar a ela a galeria — ele insistiu e acrescentou: — Eu ia sugerir um passeio no jardim onde vocês teriam mais privacidade, mas como está chovendo, a galeria é o melhor que posso lhes propor.
— Obrigado — Harry agradeceu e cruzou a sala a fim de dar a mão para Hermione.
Hermione conversava com a mãe de Harry, com Ginny, uma prima dele, e com Lydia. Pela primeira vez desde que conhecera Harry, parecia estar se distraindo em um baile. Parecia até mesmo feliz. No entanto, quem parecia infeliz era Lydia. Ao contrário de Hermione cuja felicidade transparecia no olhar, a fisionomia de Lydia não escondia a tristeza e a depressão. Se não fosse pelo número de vezes que deliberadamente fizera Hermione sofrer, Harry teria até pena dela.
Aquele era o primeiro baile de que participavam desde o incêndio. Lydia se negara a deixar Hermione ir a outros sem a companhia dela e se recusara a ir a qualquer um, alegando que não suportaria o escândalo. Com a chegada de John, porém, tudo havia mudado. Ele havia insistido para que saíssem naquela noite e insistira para que Harry os acompanhasse, fazendo-o ir na carruagem deles. Era notório o esforço de lorde Granger para que Harry se sentisse incluído na família.
— Harry?
Ele sorriu diante da voz segura de Hermione ao aproximar-se. Apesar de sua visão deficiente, ela parecia reconhecê-lo sempre.
— Sim, querida — ele confirmou. — Seu pai sugeriu que eu mostre a você a galeria.
Lydia começou a esboçar um protesto, mas calou-se. Não podia contrariar a vontade do marido. Dando um amplo sorriso, Hermione pegou a mão que ele lhe oferecia e levantou-se, saindo ambos então do salão de baile.
— Não imaginava que você e meu pai fossem tão bons amigos — disse ao caminharem pelo hall em direção à galeria.
— Bem, talvez não sejamos amigos tão íntimos assim, mas nos correspondemos com muita freqüência. Ele é uma ótima pessoa.
Eles entravam na galeria e Harry estava tão encantado observando tudo que não viu uma mulher à sua frente e colidiu com ela.
— Lorde Gryffindor
Harry abaixou os olhos ao ouvir aquela voz rouca e apertou os lábios ao ver de quem se tratava.
Lady Cho Chang.
Seu olhar percorreu os cabelos negros e o corpo exuberante da mulher. Havia dez anos que não se encontravam e teria ficado feliz se a não a visse por mais uns cinqüenta. Essa mulher o magoara muito. Ela era uma víbora. Fora a única pessoa que não virara o rosto ao ver sua cicatriz. Sorrira e flertara com ele. E aceitara suas carícias com prazer.
Somente depois de atraí-lo para a casa dela e seduzi-lo que ele compreendera quem de fato ela era. Logo após fazerem sexo, ainda suados e ofegantes, ela começara a rir às gargalhadas, comentando que sempre achara os tipos bizarros excitantes e ótimos de cama.
Harry congelara no chão do quarto onde tinham sido tomados pelo fogo de uma aparente paixão. Fora ficando com o estômago revoltado à medida que ela ia mencionando alguns de seus “estranhos” amantes. Insinuara que um anão e um corcunda haviam até então sido seus favoritos, mas a experiência com ele havia sido ainda melhor. Completara dizendo que pessoas do tipo deles estavam sempre prontas para agradar.
Harry deixara Londres duas horas mais tarde. Parecera-lhe não haver mais qualquer razão para permanecer ali. A maior parte da cidade achava repugnante olhá-lo e ele não estava interessado em ser bizarro para ninguém.
— Minha nossa, você continua atraente como sempre — Cho elogiou, colocando a mão no peito dele.
Harry tirou a mão de maneira tão ríspida que poderia até tê-la machucado, mas tudo o que viu nos olhos de Cho foi excitação.
— Lady Chang, permita-me lhe apresentar minha noiva, lady Hermione Granger — disse ele, com um frio aviso no olhar.
— Olá. — Cho nem sequer se deu o trabalho de olhar na direção de Hermione. Havia gula em seus olhos acinzentados. Sem desviá-los de Harry, comentou: — Que jovem de sorte você é por conquistar um garanhão como ele.
Harry viu Hermione franzir as sobrancelhas e apertar os lábios. Sentiu a raiva crescer dentro dele. Lady Chang estava se arriscando um jogo perigoso.
— Depois de levar sua amiguinha de volta, passe pela minha casa para tomarmos um drinque, milorde. Ficarei feliz em recebê-lo — Cho murmurou.
O comportamento de Cho era um insulto para Hermione, o que Harry não permitiria.
— Um único drinque com você já é mais que suficiente, Cho — ele revidou secamente, dispensando deliberadamente o título de lady. Dando-lhe as costas, em uma atitude de evidente desprezo, pegou Hermione pelo braço e afastou-a da morena, que ficou plantada à porta.
— Ela parece... interessante — comentou Hermione, insegura, enquanto percorria com Harry o longo salão com pinturas enfileiradas.
— Na verdade, ela não tem nada de interessante — ele assegurou.
— Não sei, não.
Hermione ficou em silêncio por algum tempo. Harry observou que ela mordia os lábios. Parecia que queria lhe dizer alguma coisa, mas se conteve ao passarem por um outro casal.
— Harry, preciso lhe dizer uma coisa... não quero... bem, se você não quiser se casar comigo, não se sinta obrigado.
Harry congelou, sentido-se tomado de ansiedade.
— O quê?! — perguntou atônito, tentando logo esclarecer: — Hermione, Cho não significa nada para mim. Eu não a vejo há dez anos.
— Ah, não precisa se justificar, milorde. Não estou dizendo isso por causa dela. É que... sei que você fez o pedido porque fomos surpreendidos naquela noite. Não quero que se case comigo somente para evitar um novo escândalo.
—Você não quer se casar comigo? — Harry perguntou, em um tom de voz mais áspero do que pretendia.
— Claro que quero! — apressou-se Hermione a responder e soou tão sincera que ele relaxou de imediato. Ela então acrescentou: — Mas não ponho a minha felicidade acima da sua. Prefiro sofrer um escândalo do que...
As palavras ficaram suspensas no ar porque Harry agarrou-a pelo braço e a arrastou dali, voltando ao hall. Lá ele abriu uma porta, mas ao ver que naquela sala havia gente, fechou-a de maneira abrupta. Tudo o que ele desejava era provar a Hermione que ele queria, sim, e muito, se casar com ela, não tendo nada a ver com os escândalos. Era evidente que os acontecimentos daquela noite haviam precipitado as coisas, entretanto, mais cedo ou mais tarde ele teria pedido a mão dela. Ela precisava acreditar nisso e só havia uma maneira de provar-lhe. Mas era preciso que tivessem privacidade para que pudesse fazê-lo a seu modo.
Harry olhou de um lado para outro do hall e puxou Hermione até a porta seguinte, abriu-a e constatou que essa sala também estava ocupada. Ao abrir uma terceira porta e verificar que a sala também estava ocupada, ele olhou desanimado ao redor. Notou então uma porta diferente das demais. Ao abri-la descobriu que dava para uma minúscula despensa. Ele imaginou que o hall não estaria vazio por muito tempo, então empurrou Hermione despensa adentro.
— O que viemos fazer aqui? — ela perguntou confusa, ao vê-lo afastar algumas peças para abrir um pouco de espaço para os dois.
Em vez de responder, Harry espiou para fora, para se certificar de que o hall estava mesmo vazio, e fechou a porta.
— Harry? — Hermione insistiu e foi calada com um beijo. Havia nele um fogo acumulado nos vários dias em que não pôde fazer outra coisa senão observá-la rir, falar e sorrir.
Visivelmente confusa e assustada, no primeiro momento Hermione permaneceu imóvel nos braços dele, mas esse momento durou muito pouco, pois logo seu corpo se derreteu em contato ao de Harry e seus braços o envolveram.
Harry gemeu quando ela começou a ronronar de prazer, agarrando-se a ele feito uma gata manhosa. A maciez daquele corpo movendo-se contra o dele e aqueles mesmos gemidos o haviam enlouquecido nas duas vezes anteriores.
Na primeira vez, consciente da presença da mãe do outro lado das portas francesas, encontrara forças para se conter e parar de beijá-la, fazendo-a voltar ao salão de baile.
Na segunda vez, no quarto dela, não havia ninguém do outro lado da porta, nada que o forçasse a se controlar. Apesar de tentar resistir, ele deixou os escrúpulos de lado e se entregou a todo tipo de carícia que desejava que ela conhecesse. E teria feito mais se o fogo não o tivesse interrompido.
Naquela despensa agora, precisaria de um grande autocontrole ou acabaria fazendo amor com ela encostada na parede. Certamente não era a melhor iniciação para uma virgem. Mas seu corpo não parecia se importar. Como Hermione continuasse a suspirar e ronronar e roçar seu corpo ao dele, seu corpo respondia com ereção, não conseguindo deixar de corresponder aos movimentos dela. Harry dizia a si mesmo que aquilo era tudo o que lhes era permitido, mas suas mãos ignoravam a razão: uma desceu até abaixo da cintura, pressionando o corpo delgado contra o seu, enquanto a outra foi buscar a maciez do seio, acariciando-o e apalpando-o.
— Oh, Harry... — Hermione murmurou, arfando quando Harry interrompeu o beijo e seus lábios deslizaram por seu pescoço. Ela soltou um novo gemido que só fez a ereção dele aumentar.
Nesse momento Harry desejou que estivessem casados. Ele a levaria direto para casa e para a cama. Não conseguia pensar em mais nada, todo o seu corpo reagindo à mão de Hermione que, curiosa, tocou em sua ereção.
— O que tem em suas calças, milorde, que fica me cutucando? — murmurou ela quase sem ar, obtendo apenas um choramingo como resposta.
Harry queria implorar para que ela o tocasse com maior pressão, que descobrisse por conta própria o que era, que simplesmente enfiasse a mão sob as calças para poder sentir desnuda a força de seu desejo.
— Quanto falta para o casamento agora? — ele perguntou aflito.
Hermione fez uma pausa, respirando pesadamente e tentou calcular. Levou uns minutos para que respondesse dado ao estado em que se encontrava.
— Uma semana, milorde.
— Tudo isso?
— Parece muito, mas não é.
Harry ficou paralisado ao ouvir o comentário vindo de fora da despensa. Por um breve momento, teve a sensação de que havia outra pessoa lá dentro com eles. Estava escuro ali e não dava para enxergar coisa alguma, mas percebeu que Hermione estava muito assustada, pois seu corpo se enrijecera junto ao dele.
Harry hesitou e finalmente perguntou a Hermione:
— Não é a voz de seu pai?
Antes que ela pudesse responder, a voz do outro lado da porta riu:
— Sou eu, sim.
Blasfemando, Harry procurou se afastar de Hermione o máximo possível dentro daquele cubículo, endireitou os ombros e abriu a porta para saírem. Estava até meio preparado para levar um soco ou receber uma proposta de duelo ao amanhecer. Deparou-se, porém, com um John Granger risonho, encostado na parede oposta à despensa, com uma expressão das mais divertidas.
Harry esboçou um sorriso amarelo.
— Me desculpe, senhor — tentou justificar-se. — Hermione pensou que eu queria me casar com ela apenas para poupá-la do escândalo e eu estava tentando provar que a quero por ela mesma.
— Era isso o que você estava fazendo? — Hermione perguntou surpresa, saindo da despensa.
Harry ia responder, mas ao ver o estado dela, tentou imediatamente desamassar sua roupa antes que alguém a visse. John Granger também se aproximou para ajudar, levantando os cachos de cabelo desmanchados por Harry.
— Sim, era o que eu estava fazendo — respondeu ele, procurando endireitar o outro lado do vestido. — Que outro motivo teria para enfiá-la em uma despensa?
— Me beijar — disse Hermione com simplicidade.
Harry voltou os olhos para o rosto divertido de John Granger e suspirou.
— Tem razão, Hermione, mas quis beijá-la para provar o quanto a quero, que meu pedido não foi um mero gesto de cavalheirismo da minha parte.
Ela pareceu perplexa ao ouvir o comentário.
— Mas por que simplesmente não me disse, milorde?
— Santa ingenuidade! — John Granger disse, rindo, e explicou: — Porque os homens não pensam da mesma maneira que as mulheres, Mione. As mulheres falam, os homens agem. É por isso que foi criada a expressão “homem de ação”
— Entendi — retrucou Hermione, não parecendo ter entendido coisa alguma.
Harry deu um passo para trás para examiná-la. O vestido estava em ordem, mas aparentemente o pai estava tendo dificuldade em arrumar o cabelo dela. Na verdade, ela estava bastante despenteada.
Lorde Granger olhou para a cabeça da filha, franziu a testa e se voltou para Harry.
— Você saberia arrumar?
— Não — Harry confessou, sem-graça, — mas talvez minha mãe saiba. Aguardem aqui que vou buscá-la.
John aquiesceu com a cabeça e Harry se apressou a ir procurar a mãe. Encontrou-a ainda sentada no mesmo lugar com lady Lydia e Ginny. Cochichando, ele explicou o problema. Ela imediatamente se levantou e saiu do salão de baile, mas, no momento em que Harry se voltou para segui-la, Lydia disse:
— Logo ela terá os óculos novamente.
Harry gelou e retrocedeu:
— O que disse?
— Enviei um recado a Granger para que mandassem os óculos de reserva aqui para Londres. Logo deverão chegar. — Ela sorriu. — Assim, Hermione conseguirá enxergar direito e verá com quem está se casando. Ela parece feliz agora. Mas me pergunto se continuará assim quando estiver de óculos.
— Claro que ela continuará feliz — aparteou Ginny com firmeza. Levantando-se ela passou seu braço no de Harry. — Venha, vamos nos juntar a Hermione e a sua mãe.
Harry permitiu que a prima o conduzisse para fora do salão, sua cabeça girava em um turbilhão. Hermione logo teria os óculos de volta e conseguiria vê-lo. Sua mente entrou em pânico. Ela o enxergaria.
— Você está bem? — Ginny perguntou preocupada assim que chegaram ao hall. — Você ficou tão pálido quando Lydia disse que os óculos de Hermione logo chegariam.
Harry não respondeu, não sabia o que dizer. Não estava se sentindo bem mesmo. De fato, sentia-se nauseado, mas não comentaria nada com Ginny.
— Hermione vai amá-lo assim como você é, Harry.
Ele queria poder acreditar nisso, mas sentia o peito oprimido de medo e dor.
— Onde Ronald está? — perguntou.
— Creio que foi jogar cartas com os homens. Por quê?
— Preciso falar com ele — Harry respondeu, dando um tapinha na mão da prima. — Obrigado, Ginny. Minha mãe e Hermione estão ali. Vou falar com Ronald e depois encontro com vocês.
Ginny aquiesceu distraída e perguntou:
— O que houve com o cabelo de Hermione?
— Ficou meio desalinhado, e minha mãe está dando um jeito nele — Harry explicou, visivelmente preocupado ao ver que o cabelo de Hermione estava ainda pior do que antes.
Balançando a cabeça, Harry tratou de ir para a sala onde os homens e umas poucas mulheres jogavam cartas. Logo avistou Ronald. O primo estava vibrando quando se aproximou. Devia ter ganhado aquela rodada.
— Ronald, preciso falar com você — disse Harry, parando atrás da cadeira dele.
— Pode falar.
— Tem de ser em particular.
— Não dá para você esperar eu terminar de jogar?
Harry hesitou, ponderando a respeito.
— Não — disse afinal.
Ronald deu um suspiro e levantou-se.
— Senhores, me deixem fora desta jogada. Volto em seguida.
— Obrigado, primo — Harry murmurou ao atravessarem a sala para falar.
— Tudo bem. O que há de tão importante?
— Lydia mandou buscar os óculos de reserva de Hermione.
Ronald o encarou, não entendendo.
— E daí?
— Ela conseguirá enxergar.
Ronald levantou uma sobrancelha e repetiu:
— E daí?
— Ora, não posso deixar que ela me veja...
— Harry, pense um pouco — Ronald o interrompeu. — Ela vai ser sua mulher e, mais dia menos dia, acabará enxergando. Você não pretende dar continuidade a essa tolice de Lydia e mantê-la cega indefinidamente, não é?
— Não, claro que não, mas...
— Mas o quê? — Ronald exasperou-se.
— Preciso de mais tempo.
— Para quê?
Harry desviou os olhos, hesitou e disse:
— Talvez se ela vier a me amar antes de conseguir me enxergar...
Vendo o olhar de piedade do primo, Harry virou o rosto. Engoliu em seco. Parecia que tinha um bolo na garganta. Era um adulto, mas sentia-se como um menino de seis anos ameaçado de perder seu melhor amigo.
— Harry — Ronald colocou a mão no ombro do primo, encarando-o com firmeza, — em primeiro lugar, seu rosto não é tão feio assim. Em segundo, tenho certeza de que Hermione não se importaria mesmo que fosse. E, em terceiro, se isso afetar os sentimentos dela por você, não é melhor ficar sabendo agora?
Harry deu de ombros, derrotado.
— Talvez.
— Tudo ficará bem — Ronald assegurou-lhe, dando um tapinha no ombro dele. — Vá usufruir da companhia de sua noiva. Finalmente você pode estar com ela sem ter que fazer planos mirabolantes e fica aí se preocupando. Vá beijá-la, homem.
Harry observou Ronald voltar ao jogo e virou-se para retornar ao hall. Ficou surpreso ao ver que não havia mais ninguém lá, nem Hermione, nem seu pai, nem sua mãe. Ocorreu-lhe que talvez tivessem conseguido ajeitar o cabelo de Hermione e voltado à festa. Começava a se dirigir ao salão quando ouviu a voz da mãe e depois a de Hermione. Ele parou no hall e olhou ao redor. A porta da sala que ficava ao lado da despensa e que antes estava fechada, agora estava aberta. Ele se aproximou e espiou para dentro da sala. Seus olhos custaram a acreditar no que viam.
— Céus, o que vocês fizeram no cabelo dela? — perguntou entrando na sala. Pegando Hermione pela mão, ele a tirou das garras das duas pessoas que haviam acabado de estragar o penteado dela.
— Está tão mau assim? — Hermione perguntou aborrecida, passando a mão pelo cabelo.
— Não está não — lady Gryffindor apressou-se em responder, sem olhar para o filho.
O cabelo de Hermione, amontoado daquele jeito, mais parecia um ninho de ratos, em nada lembrando o lindo penteado com que chegara à festa.
Harry balançou a cabeça.
—Mãe...
— Não me venha com repreensão, Harry. Não fui eu que o desmanchei. Ter coragem de enfiar a pobre Hermione em uma despensa, pelo amor de Deus. Ela só poderia acabar despenteada!
— Bem, está ficando tarde. Talvez seja melhor você levar Hermione para casa de carruagem, filho — John Granger sugeriu. — Peça ao cocheiro que depois volte para buscar a mim e a Lydia.
— Sim, claro. — Harry olhou para Hermione, ficando aliviado de que ela não parecia aborrecida com esse desfecho.

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