CAPITULO 19
Apesar dos esforços para aparentar normalidade ambos estavam desconfortáveis com o aglomerado de pessoas que se formara ao redor do hotel. Curiosos, repórteres.
Bem cedo, havia aparatado para as propriedades de Harry procurando uma que estivesse em condições de uso. Mas todas estavam abandonadas e precisavam de pequenas reformas, e limpeza.
Nada que elfos não pudessem dar conta, mas com certeza levariam algumas semanas para tornar os locais habitáveis.
-Algo me diz que não teremos paz – ele opinou irônico, observando-a afastar as cortinas para espiar lá fora.
-Era esperado, Harry -ela disse confirmada – em alguns dias eles nos deixaram em paz.
Passiva, Hermione abandonou seu posto em frente a janela, e sentou-se na poltrona, ao lado da cama do quarto de Harry. Ele estava sentado, olhando para ela com olhos curiosos.
Hermione parecia um pouco depressiva. O que ele antes via como abatimento, se mostrava duas enormes olheiras embaixo dos olhos pouco expressivos e sem brilho. Os ombros sempre altivos, estavam curvos e o rosto baixo. Ela olhava para os dedos dos pés e não dizia mais nada.
Fazia dois dias que a reportagem saíra. Dois dias desde que ele vira Gina. Havia recebido um bilhete dela dizendo que não poderia vê-lo tão cedo, pois Molly Wesleys vigiando seus passos.
Fora um bilhete divertido, pois ela estava se divertindo em ser vigiada como uma adolescente virgem, algo não acontecera nem mesmo quando os dois namoravam no auge da adolescência.
Se ela estava contente com a situação apesar dos pesares, quem era ele para bater de frente?
Tinham um encontro marcado naquela semana, mas primeiro ele teria que melhorar o humor de Hermione se quisesse ter a chance de sair sem ela notar. Não sentia-se bem sabendo que a amiga estava trancada no quarto, se lamentando.
-Rony escreveu para você? – ele testou o terreno para ver se ela estava muito arisca.
-Não, escreveu para você? – ela perguntou num tom indisfarçavelmente acusador.
-Escreveu, está tentando achar um lugar discreto para ficarmos por um tempo.
-Isso explica por que ele está sumido - ela disse sem animo.
-Hermione, porque não se anima um pouco? Podemos comprar alguns livros... – ele sugeriu sem saber exatamente o que dizer.
-Harry, estou bem. Não se preocupe. Só estou desanimada por causa desses repórteres. Quando eles forem embora, eu ficarei bem. – mentiu.
Não conseguia tirar da cabeça a imagem de Rony com as filhas. As filhas que poderiam ser deles e não de outra mulher. Ver como ele conseguia deixa-la, e ir com sua família era torturante.
-Tem certeza? – ele insistiu nada convencido.
-Tenho. E você? Não quer mesmo me contar a razão de toda essa felicidade dos últimos dois dias? – mudou de assunto nada feliz em falar de si mesma.
-Acho que estou me conformando que não podemos mudar o passado. –ele mentiu, não querendo abrir todo o jogo com ela.
-Harry.... – ela ficou tensa quando ele disse isso – Minerva me deu o vira tempo quando estivemos juntas. Disse a ela que não usaria, mas não o consultei sobre isso. Agora, acho que devo faze-lo. O que me diz? Voltamos ou não?
-Porque disse que não votaria? – ele perguntou estreitando os olhos.
-Sabe porque – ela disse certeira e ele fechou os olhos.
-Ele poderia estar de volta quando chegássemos – concluiu no mesmo tom que ela.
-Tenho pensando muito nisso, Harry. Se vale a pena.
-Se ele vivesse seria pior, Hermione – ele suspirou pois confessava já ter pensando nisso também – Talvez as pessoas que lamentamos ter nos afastado, nem estivessem vivas, ou tivessem vidas insanas por causa dele. Para mim é suficiente saber que eles estão bem. Que Gina está feliz. Que Rony tem uma família. Vocês sempre foram minha família e estão todos vivos. Nada poderia ser melhor do que isso.
-Eu sei... – não havia muita convicção em sua voz. Hermione levantou-se e olhou para ele triste – Vou me deitar um pouco, não dormi muito bem essa noite...
-Ok – ele disse olhando preocupado.
Se Hermione ficasse mais um dia naquele estado de letargia e tristeza, ele teria que interferir antes que piorasse.
Entrando em seu quarto, ela fechou a porta e olhou desanimada para a grande cama de casal. Vinha que arrancar aquela sensação horrível de dentro dela. Tinha que esquecer aquele amor estúpido de infância, e mais que tudo, tinha que alegrar-se com o futuro que vislumbrava a sua frente.
Como uma sonâmbula ela apanhou a varinha e conjurou um feitiço para trancar a porta de ligação entre os quartos. Queria privacidade.
Tirou os sapatos e o restante das roupas. Um banho morno ajudaria em seu humor. Vagamente ela percebia que eram duas da tarde, o sol brilhava e ela deveria brilhar também.
Tudo em sua mente se resumia ao que perdera. Supunha ter o direito de sofrer e se lamentar. Em primeiro momento, tomara a frente nas decisões, mas Harry estava forte novamente, e ela cedia. Cedia a pressão que seu coração exercia sobre sua mente.
O banho não levou mais do que poucos minutos. Hermione apenas queria sentir algum calor. Não que o dia estivesse frio, bem pelo contrario. Ela sentia-se gelada e desconfiava que nada tinha a ver com a temperatura.
Sem ligar para os cabelos molhados, ela deixou a toalha cair no chão e entrou embaixo do lençol, descansando a cabeça no travesseiro.
Muito distante, povoou sua mente o pensamento de que molhava os lençóis e a fronha e precisaria trocá-los a noite para dormir. Fechou os olhos sem ligar.
Não sentia vontade de fazer nada. Não ligava para mais nada. Manteve os olhos bem fechados, tentando assim, apagar as lembranças do passado que insistiam em aparecer diante dos seus olhos.
Rony observava a leitura de Hermy com atenção. Ela estava tão concentrada que despertava nele boas lembranças. Lembranças de outra menina dentuça lendo avidamente seus empoeirados livros.
-O que foi papai? – ela perguntou notando seu olhar insistente.
-Nada, querida – ele respondeu, desviando a atenção para o jogo que passava na televisão trouxa.
Ele não gostava muito dessa tecnologia, mas desde que se casara com Mary, que era filha a de trouxa com um bruxo, ele aprendera a se habituar. Era sem duvidas uma fonte de fugas. Sempre que ela pedia sua atenção ele inventava um jogo qualquer para desviá-la.
Aquela noite era algo sobre beisebol. E ele nem sabia o que era isso, mas terminaria depois das onze e Mary estaria dormindo.
Ele vinha fugindo da noite que ela lhe exigia com algum sucesso. Mas não escaparia para sempre. Não mesmo!
-Papai – Hermy chamou docemente, largando seu livro e andou pela sala indo sentar-se ao seu lado.
-O que foi? – ele perguntou abraçando-a e rindo quando ela sentiu cócegas.
-A mamãe anda bem nervosa, papai – ela disse inocentemente – a vovó disse que vocês estão brigados de novo.
-A vovó disse isso? – ele estranhou, afinal, Molly Wesley sempre evitava esse tipo de assunto na frente dos netos!
-Bem... –ela corou um pouco – eu ouvi ela falando com tia Ginny. Elas não me viram. Papai, porque você e mamãe brigam tanto?
-Nos não brigamos, querida -ele respondeu depois de pensar um pouco.
Era verdade, nem brigar eles brigavam. E isso o matava por dentro.
-Sua mãe e eu temos obrigações e as vezes ficamos nervosos. Mas isso não tem nada a ver com você e sua irmã.
-Algum dia vocês vão se separar, papai? – ela perguntou de supetão e ele ficou surpreso.
-Porque quer saber isso? – desviou o assunto. Não desejava fazer promessas a filha, ainda mais promessas que não sabia ser capaz de cumprir.
-Tia Ginny disse que era melhor que se separassem... – baixou o rostinho e ele ergueu seu queixo para ver seus olhos castanhos, tristes -...tenho uma amiga que tem os pais separados. Ela sempre chora, papai.
-Não vou me separar da sua mãe, Hermy. – resolveu ser sincero – temos nossas diferenças, e se um dia isso acontecer, você e sua irmã continuaram sendo nossas filhas, e nada mudará o que sentimos e a forma como lidamos com isso. Entendeu?
-Papai? – ela chamou baixinho, depois de algum tempo quieta, fitando a tela colorida da televisão.
-Pergunte, meu anjo – ele sorriu, notando que ela ainda estava tristonha.
-Se um dia você e a mamãe se separarem...eu posso morar com você?
Rony não estava preparado para esse tipo de pergunta.
-Não prefere morar com sua mãe? - estranhou.
-A mamãe não gosta muito de mim... – ela disse sem jeito, sem olhar para o pai.
-Imagine, Hermy! – ele apressou-se a negar – Mary ama você do mesmo modo como ama Sara. Alias, no coração de um pai e de uma mãe os filhos são iguais!
-Talvez a mamãe não ame a Sara também – ela ergueu os olhos e a sua seriedade o preocupou.
-Porque diz isso? – fitou a filha muito sério.
-A mamãe trata a gente diferente, quando não está em casa, pai.
-Diferente como? – moveu-se no sofá, entre susto e nervoso.
-Ela grita muito. – confessou – Hoje ela puxou o cabelo da Sara. Outro dia, ela...- sua voz baixou cada vez mais - ...colocou a minha Mao na água fervente....
As palavras de Hermy demoraram a entrar na sua mente. Mary era uma esposa perfeita. Ele não a amava, mas não podia negar, ela era perfeita.
-Tem certeza do que está dizendo, Hermy? Não tem marcas nas suas mãos- segurou as mãos da filha, que evitava encará-lo.
-Ela nos levou a um curandeiro – explicou – Não vai contar a mamãe que eu contei, não é, pai?
Havia suplica em sua voz e ele se comoveu.
-Não, eu não vou. – passou a mão em seus cabelos ruivos, e tentou aliviar a situação, abraçando-a – Que tal assistirmos um pouco do canal de desenhos? Heim, o que acha?
-Posso ficar acordada até mais tarde hoje? – seus olhos brilhavam de empolgação.
-Porque não? Amanhã é sábado e não tem aula. – concordou só para vê-la sorrir.
-Vou chamar a Sara! – ela disse empolgada, saindo correndo da sala.
Rony ficou sozinho. Incrédulo e confuso, ele cobriu o rosto com as mãos, desolado e sem rumo.
Aquilo não podia ser verdade. Não podia!
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Autora: Meu computador chegou antes do previsto e estou dando pulos de alegria! Parece que o sol voltou a bilhar, o céu está mais azul e eu estou mais feliz!!!
(que exagero, né?)
Bem, já comecei a escrever, e pude postar um cap hoje. A fic ADI ainda vai demorar um pouquinho, pois os cap são maiores, mas estou tentando postar amanhã.
Espero que não tenham sentindo muita falta da fic ;-)
Beijos a todos que comentaram
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