CAPITULO 18
ENTRE NÓS DOIS
-Harry! Harry, acorde!
Ele acordou sendo chacoalhado. Resmungou algo como “depois, tia petúnia”, perdido em algum sonho confuso.
Ele ouviu um riso cristalino e uma voz muito doce em seu ouvido, sussurrando baixinho:
-Acorde, meu amor. O dia já raiou
Seus olhos se abriram rapidamente, lembrando-se da noite anterior. Ele estava deitado de lado, e tinha um braço embaixo dela. Haviam deitado naquela posição, e dormido após varias horas de namoro.
Um namoro desajeitado, era verdade, onde eles quase não falaram nada que não fossem palavras de amor. Nada de vida real. Gina deitara com o vestido de algodão, mas tirara os sapatos e o casaco, assim como ele ficara vestido.
Ele entendia que ela não quisesse intimidade, afinal, estava grávida e o reencontrara há pouco menos de um dia, mas lá no fundo, ele sentia um pouco de rejeição.
Talvez ela estivesse presa na memória do marido e ele devesse ir com calma.
-O que está pensando, Harry? – ela perguntou contornando seu rosto com os dedos.
-Que você fica linda embaçada – ele brincou e ela riu, procurando seus óculos no criado mudo ao seu lado.
Com todo carinho do mundo ela colocou-o em seu rosto e beijo-o.
-Agora, está mais linda ainda – ele galanteou e ela riu, olhando para ele com ternura.
-Fale a verdade, Harry, o que estava pensando me olhando tão sério?
-Eu estava pensando porque você se casou. – foi sincero.
-Eu me casei com Greg, por que queria ter um filho -ela respondeu simplesmente
De todas as respostas que esperou ouvir, aquela era a mais surpreendente.
-Quando perdi você, eu achei que nunca mais fosse amar de verdade. Do mesmo jeito. Com a mesma intensidade. Mas eu queria isso, aquele tipo de amor que enlouquece e tira o chão. Um amor que na mesma intensidade, só existe o amor de mãe. Conheci Greg no ministério, trabalhamos juntos como aurores. Ele disse que me amava, eu simpatizava com ele, com o tempo, me apaixonei. Pareceu ser o pai ideal. Foi uma pena ter morrido em serviço. Uma pena mesmo – havia pesar em sua voz – Eu não sofri tanto quanto deveria, admito. Não o amava desse modo. Mas lamentei não ter sabido que estava grávida, porque descobri só depois. Sabe, um filho, merece conhecer o pai. Foi uma tragédia.
-Rony deu a entender que você ficou mal com a morte dele -ele questionou confuso.
-Tive problemas na gravidez. Uma gestação complicada, mas que não tem nada a ver com a morte dele. Rony deduziu na época, erroneamente, como sempre alias, - ela sorriu e ele concordou – que fosse pela perda. Mas não foi. Senti-me culpada por não ser, por isso deixei-o pensar isso.
-Quanto tempo faz que ele se foi? -acariciou seus cabelos, pois ela ficava triste falando disso.
-Vai fazer cinco meses. Descobri a gravidez cedo – apanhou a mão de Harry e colocou sobre sua barriga e ele tentou tira-la – Quieto, Harry, deixa-a conhecê-lo!
Ele ficou quieto olhando para ela, e então sentiu. Embaixo de sua mão, um movimento de trepidação suave, como um pequeno chute.
-Essa é Felicity Ann Wesley -ela apresentou com pompa, sorrindo de sua admiração. – A minha pequena felicidade.
-Vai registrá-la sem o nome do pai? – estranhou.
-Greg e eu não nos casamos legalmente...eu não quis me casar na Igreja e ele não tinha familiares vivos, sendo assim, é melhor que ela tenha o nome dos Wesleys.
Ele sorriu de alguma coisa e ela estranhou.
-O que foi, Harry?
-Ela poderia ter o nome Potter, se você quisesse -ele sugeriu com segundas intenções.
Surpresa, ela se afastou um pouco.
-Há essa hora meus pais devem estar acordados. É melhor ir antes que dêem por minha falta. Não quero que eles saibam dessa forma.
-Gina – ele segurou seu pulso sentindo que ela fugia dele – Foi uma sugestão verdadeira. Eu assumo sua filha como se fosse minha, porque ela será, se você deixar.
-Eu sei disso, Harry. – ela disse séria – Eu amo você e estou pronta para me entregar ao que eu sinto. Alias, sempre estive pronta. Desde a primeira vez que o vi. Eu posso me jogar nessa relação, pois os pros me parecem maiores que os contras. Mas quanto ao bebê, eu tenho que ser prudente. Só o tempo dirá o caminho da nossa relação, Harry. – sua mão desenhou um caminho pelo peito de Harry parando sobre o coração – Diga que me entende, por favor.
-Eu não entendo – ele disse sincero – mas respeito sua opinião, e farei o que for para ter mostrar que estou sendo sincero. Não é fogo de palha, não é empolgação. Eu tinha dezesseis anos quando tudo aconteceu e agora, tecnicamente, continuo tendo dezesseis, mas sempre fui mais maduro que os outros garotos da minha idade. Eu criaria sua filha naquela época e criarei agora. Da mesma forma. Com o mesmo carinho. Mas não vou te pressionar. Eu nem sei ao certo o que vou fazer nos próximos dias, mas sei que quero passá-los com você.
Emocionada, ela beijou-o por longos minutos, antes de se afastar.
-Rony não pode saber de nós por enquanto. Nem meus pais – ela avisou - Eles estão paranóicos com a idéia de me proteger a todo custo. Odiaria que tentassem nos separar, pois eu os amo, e não quero brigar com eles. Não agora. O que acha? Quer namorar comigo em segredo? – havia divertimento em sua voz e a paquera o deixou queimando por mais.
-Quero, mas só se escondermos de Hermione também -ele provocou – Dizem que escondido é mais gostoso.
-ela não precisa saber de nós –ela concordou, sorrindo empolgada, assim como ele – Mas estou louca para vê-la!
-Tacanha do jeito que ela é, logo vai estar invadindo o quarto. Ela não me deixa dormir – desabafou – Acha que todo o mundo precisa madrugar, mesmo que não tenha nada para fazer o dia todo! – lastimou.
-Por enquanto, Harry -ela disse em tom ameaçador – Se quer ter uma família comigo, precisa arrumar algo para fazer. Um homem precisa de uma ocupação. Não quero um preguiçoso do meu lado! Mesmo que ele tenha dinheiro para ser preguiçoso!
Era uma brincadeira, mas ele entendeu o recado subentendido. Ela era adulta, ele também precisaria ser. Não se incomodou, pois ela tinha razão. Era quem ele queria ser. O homem da vida dela.
-Vou sair e bater na porta dela – ela disse em tom de segredo, rindo – Quero ver a cara dela quando abrir a porta!
-Não será pior que a minha, aposto –ele brincou puxando-a para outro beijo.
Gina não protestou e nem se lembrou que precisava ir. Deixou-se ficar em seus braços, correspondendo aos seus beijos com a mesma intensidade e desejo. Sentia-se beijando pela primeira vez.
Beijos que em nada lembravam os beijos mecânicos trocados com Greg. Não queria lembrar dele, não quando estava nos braços de outro homem, mas era inevitável. Tivera quatro anos de intimidade forçada com um homem que pouco lhe despertava, tudo para ter o filho que tanto sonhava. E agora, redescobrir a verdadeira paixão, e isso, tinha o poder de apagar todas as lembranças de sua mente.
Os dois só se separaram arfantes, e sorridentes, quando Hermione bateu na porta de ligação, e Gina disfarçou o riso, catando seus sapatos, e o casaco, juntamente com a bolsa e saindo de fininho pela porta do corredor, antes que ela entrasse.
Harry ainda conservava um sorriso imenso na face quando Hermione entrou, e ergueu uma sobrancelha curiosa, olhando em volta:
-Seu quarto cheira a flores, Harry.
Ele apenas deu de ombros, rindo por dentro. Manteria o segredo. Por enquanto manteria o segredo.
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