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15. Não brinque comigo


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 15


NÃO BRINQUE COMIGO


O fim de semana era um dia muito aguardado naquela casa. E também muito odiado. Era uma contradição que se acentuara naquele momento de sua vida. Metade sua queria passar o dia com as filhas, e outra metade queria ficar bem longe de Mary. Mas ela não lhe dava um segundo de paz, sempre o paparicando, sempre querendo ser notada e agrada-lo.
Até hoje ela não percebera que ele não queria isso de uma mulher. Ele gostava de dividir as coisas, não ganha-las. Queria lavar louça de vez em quando, queria não estar sempre certo, até mesmo quando sabia que estava errado.
Ela nunca fazia perguntas, sempre ofertava as respostas. Não havia mistério, não havia descoberta.
Se havia mais em Mary que um rosto amistoso e uma roupa impecável ele não tinha a menor pista.
Provavelmente era o mesmo que ela sentia sobre ele.
-Papai?
A vozinha de Hermy o tirou do mundo dos sonhos e ele ergueu a cabeça da almofada, olhando para ela.
-O que foi, filha? – perguntou notando-a sorrir daquele jeitinho que queria dizer que elas estavam aprontando.
-A mamãe disse que podemos ir à cidade, se você concordar. –ela disse sem ocultar o sorrisinho de quem apronta.
-A mamãe disse isso mesmo? –ele duvidou. Mary grudada nas filhas, no fim de semana, pois sabia que assim ele ficaria perto dela também. – É feio mentir, Hermy.
-Sara disse que eu devia dizer isso – ela se defendeu imediatamente.
Hermy era a mais sincera e franca, já Sara tinha uma veia dramática muito grande e tendia a ter uma personalidade parecida com a da mãe, manipuladora às vezes. Nada que umas chineladas não concertassem, mas ele sentia-se tão em falta com as meninas que sempre deixava para depois.
-Peça para sua mãe de verdade e se ela concordar nós vamos – ele mandou e ela pareceu querer argumentar antes de sair da sala com passos duros.
Sara e Mary eram mais chegadas, mas Hermy sempre ficava um pouco de lado, pois Mary vivia criticando seu jeito sereno. Aparentemente uma menina preferir ler a cuidar dos cabelos, mesmo aos seis anos de idade, eram um crime imperdoável para sua mulher.
Ouvindo as vozes altas na cozinha, ele não pode mais ignorar e teve que sair do sofá.
Droga, tudo que ele queria era pegar as meninas e sumir dali.
-Porque a briga? -ele perguntou chegando na porta da cozinha e encontrando Mary com o rosto vermelho, e descontrolada.
A única vez que ele a via fora de si era quando as meninas a enfrentavam. Mesmo no sexo ela nunca se descontrolava. Mas diante da ‘indisciplina’ das duas ela perdia a calma e a pose.
-Elas não me obedecem! – ela disse furiosa, virando-se de costas para as meninas e jogando o pano de prato na pia com raiva.
As duas olharam para ele sem entender, e Rony fez um gesto para que elas saíssem. De cabeça baixa elas saíram e ele olhou para Mary sem saber o que dizer.
-O que está acontecendo, Mary? – perguntou – Está nervosa a algum tempo.
-O que esta acontecendo? -ela ironizou, virando-se em sua direção com olhos marejados, e fúria guardada. Percebendo que deixara transparecer, ela respirou fundo escondendo a expressão raivosa atrás de um sorriso – Nada está acontecendo, Rony.
Por alguma razão a forma como ela dizia seu apelido sempre o incomodava. Tudo nela o incomodava.
-Eu prefiro que brigue comigo a esse fingimento – ele acabou dizendo ,e ela arregalou os olhos – Está descontando nas meninas a frustração de não falar comigo. Isso tem que acabar. Não aceito que elas paguem por algo que você acha que eu fiz.
-Eu não acho nada – ela revelou, cruzando os braços- Está meio obvio não é?
-O que está obvio? -ele franziu as sobrancelhas.
-Estamos indo para a segunda semana sem intimidade e você some todos os dias. Não precisa ser muito inteligente para imaginar o que você tem feito nesses momentos. – ela disse magoada.
-Eu não tenho uma amante se é o que está pensando -ele revelou, embora admitisse, já pensara nisso um milhão de vezes desde que revira Hermione – Tenho estado ocupado com o trabalho.
-Mas não está no ministério – ela jogou na sua cara.
-E como saberia disso? -ele ficou irritado na mesma hora. Ela andava bisbilhotando sua vida?
-Eu...posso ter ido até lá -ela confessou – O fato é, você está mentindo para mim!
Nisso ela tinha razão, pensou. Não podia contar que estava com Harry Potter, não mesmo. Mary não controlaria a própria língua!
-Meu trabalho não é apenas burocrático, e depois de tanto tempo deveria saber que nem todos os casos são investigados dentro do ministério -ele se defendeu, só para acalma-la.
-Você é instrutor, Rony! – ela esbravejou, ficando ainda mais vermelha de raiva.
-Mas ainda sou auror e vez ou outra sou designado para algum caso. Achei que isso fosse bem claro para você – ele jogou verde, para se safar.
-E a comida que sumiu da mesa do jantar? -ela disse sentindo-se estúpida.
-Estava com fome e não deu tempo para voltar para casa.
Ele se impressionava como era fácil mentir para algum que não se ama.
-Por que...porque não me procura mais, Rony? -ela perguntou frágil – Nunca se passou tanto tempo assim....
Ele não soube o que dizer.
-Eu...ando nervosa com as meninas, e acho que parte disso é porque....estou frustrada com essa distancia entre nós. Eu sinto muito.
Ver Mary tão triste e saber que era sua culpa, lhe fez muito mal. Tentando alegra-la, ele abraçou-a, sentindo como ela o apertava com força. Era tão difícil viver com alguém que precisa tanto de um sentimento que ele não podia lhe dar!
-Vou sair um pouco com as meninas para você ter um tempo para você mesma. O que acha? -ele beijou sua testa, e ela se afastou sorrindo, achando, talvez que ele dizia mais do que ele dizia.
-Vou ficar bem bonita para você – ela disse, e havia um brilho muito intenso em seu olhar – Essa noite, Rony, me prometa, vai ficar comigo essa noite.
Como dizer não? Entendo seu silêncio como um sim, ela abriu seu melhor sorriso, começando a falar sem parar.
Ele nem ouviu, tentando entender porque esse sentimento de culpa estava sufocando-o. Eles eram casados, era natural que fizessem amor. Mas desde que encontrara Hermione ele andava se esquivando de Mary ainda mais.
Tentando não aparentar sua contrariedade aos planos dela, ele apressou as meninas, ou perderiam o sábado ensolarado!




-Acha que isso vai dar certo mesmo? – Harry perguntou se olhando no espelho - Rita Skeeter nunca foi de confiança. Ela vai remexer nossa vida do avesso atrás dos nossos pobres.
-É isso que eu quero, Harry -ela avisou – Se ela não puder encontrar nada contra nós, então todos terão que acreditar. Ou ao menos, nossa parte nós fizemos, aqueles que não quiserem crer, bem, se danem -ela disse petulante.
-Hermione, acho que o tempo te fez cruel -ele brincou.
-Prefere que eu figa que estou com medo? -ela perguntou e ele fingiu pensar.
-Não, não mesmo - admitiu. – Chega eu fraquejando o tempo todo... –ele lastimou.
-Não está fraquejando, Harry. É mais sensível que eu, sempre foi. É normal que esteja mais abalado. Sou mais pratica, mais racional. Só isso.
-Eu ouço quando chora a noite – ele disse e a viu ficar calada pega de surpresa – a as paredes são finas.
-Pois esqueça o que ouviu – ela levantou-se e agiu como se ele nada houvesse dito. – O que acha? Primeiro iremos almoçar no Três vassouras e depois vamos direto para a casa de Rita.
-Porque na casa dela? -ele estranhou.
-Porque ela é precavida e não quer correr o risco de algum funcionário vender a informação para a concorrência antes dela publicar. Acredite, Harry, ela sabe o que faz.
-E você, também sabe?
-Claro. Não quero correr o risco de aparecer em um folhetim que espalhe mais mentiras sobre nós. Já chega as que foram publicadas.
Desabafou. Harry não se importava tanto assim com a opinião dos outros, mas entendia que ele era rico e conhecido, sendo assim, muito teriam dívidas e outros tantos o idolatrariam. Mas para Hermione era diferente. Ela não queria viver a sua sombra.
-Pronta? -ele perguntou notando que ela estava arrumada a esperando-o.
-Prontinha e morrendo de fome – avisou, enganchando o braço no seu.
Harry aparatou diretamente para Hogsmead.
Por uma meia hora eles andaram pela cidade relembrando fatos antigos e rindo de lembranças gostosas. Em dado momento, Harry segurou sua mão e a conduziu para uma loja em especial.
Hermione tentou argumentar, mas não conseguiu. Então, os dois entraram na velha e conhecida Dedos de Mel.
Hermione apenas meneou a cabeça ou revirou os olhos em momentos de criancice dele. Até colaborou quando ele quis que provasse um gigantesco pirulito vermelho sangue.
Ela até ria quando a porta se abriu e mais pessoas entraram. Rony parou na porta, barrando a passagem e sendo empurrado, quando os viu.
Hermione ria muito, mordendo um doce, que manchava sua boca e queixo de melado. Ele assistiu seus olhos brilhando intensamente, como no passado, e a viu reclamar suavemente tentando livrar-se do melado. E viu o quanto seu sorriso era cativante e sedutor. Viu também como seu corpo o atraia e o quanto ela era bonita.
Tendo olhando brevemente na direção das filhas que estava em outra parte qualquer da loja, ele avançou, sem nem perceber o que fazia. Harry olhou para ele e afastou-se um pouco, e Hermione olhou para trás, depois de perceber que algo afastara Harry.
Seus olhos não acreditaram no que viam. Sem toques, ela pensou, notando o quanto ele parecia maior que no passado, tão mais alto e mais corpulento. Tão masculino, que a fez buscar ar em um longo suspiro.
Ele era no passado um garoto tornando-se homem rapidamente, mas agora, tudo nele cheirava a masculinidade e de repente ela tinha muita consciência do quanto ela também crescera e do quanto era mulher.
Também tomou consciência do quão ridícula parecia com o rosto sujo e um pirulito nas mãos. Como uma criança boba. Pretendia limpar-se quando ele ficou bem pertinho na sua frente e ergueu a mão, tocando seu queixo.
Ela não lutou, não mesmo. Nem lembrava porque deveria. Ficou ali, quieta esperando pelo beijo que viria, que queria que viesse.
Ele sorriu e ela ficou hipnotizada pelos lábios cheios e convidativos, os dentes brancos e retos, as bochechas sardentas. Seu sorriso se alargou quando os seus dedos limparam seu queixo e roçaram sobre seus lábios entreabertos, usando o indicador para tirar o doce que estava ali.
Terminado a tarefa, ele abriu a boca para falar, mas desistiu, olhando para ela e se afastando.
Hermione quis gritar, sentindo as pernas bambas. Como ele podia fazer isso com ela e se afastar? Olhando em volta, ela notou que ele estava ao lado de duas meninas idênticas.
Uma delas olhava em sua direção e então para ele, perguntando algo que o fez olhar em sua direção. Ele sorriu para Hermione e respondeu algo para a menina antes de pegar dinheiro na carteira e pagar as compras das meninas e saírem de lá.
Não sem que ele olhasse para trás até a porta estar fechada a não haver mais nada a olhar.
Ela não ouviu, ou poderia ouvir as palavras de Sara quando perguntou ao pai:
-Pai, quem é a moça que estava falando com você? – ela perguntou olhando desconfiada para a imagem desconcertada.
-É uma velha amiga do papai – ele disse sem prestar muita atenção.
Hermione ficou um bom tempo parada no mesmo lugar, olhando para o chão, com pesar e dor. Deveriam ser suas filhas. Deveriam ser uma família.
De repente seus braços pareciam muito vazios. Seu coração tão apertado que ela afastou-se dos doces e das brincadeiras dos clientes com seus filhos e conhecidos e se refugiou em uma parte mais afastada, abraçando a si mesma e sentindo um súbito frio.
Um frio profundo, que vinha de sua alma.
A dor do que perdera e a certeza só que jamais voltaria a ter.

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AUTORA:
Fique tranqüila, Daniele Potter, porque eu jamais escreveria H/Hr para valer! É só uma pitadinha de veneno na fic. Tem que ter, né? Para quem lê minhas fics, sabe que sou doente por Rony e Hermione. Já deixei de ler fics por separem o casal, então, imagina eu escrever isso? Nem em sonho!!!!
Como eu disse, é só um pouco de pimenta nos olhos do Rony. Mas ainda nem começou a arder ainda...vamos com calma, a gente chaga lá...



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