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14. O pacto


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 14

O PACTO

O quarto estava coberto de jornais. Desde o chão, a superfície dos moveis, as paredes. Harry havia conjurado um uma fita adesiva, e uma tesoura, e estava colando na parede todas as matérias que mereciam destaque.
Hermione estava calada, lendo atentamente as noticias políticas. Ele por sua vez, havia se atido as noticias mais pessoais, de pessoas e fatos de relevância pessoal.
Deixava para Hermione a enfadonha tarefa de informar-se sobre as leis e acontecimentos criminais mais importantes dos últimos dez anos. Ela gostava disso. De ler coisas chatas e burocráticas. Em alguns momentos ela parecia obter diversão com isso, e ele ficava surpreso com sua voracidade em aprender.
-Hermione – ele chamou depois de várias horas de silêncio.
-O que foi, Harry? – perguntou sem desgrudar os olhos do jornal que tinha em mãos.
-Tem uma foto que vai gostar de ver – ele disse com a sombra de um sorriso.
Hermione deixou o jornal aberto sobre o chão, onde estava sentada e levantou-se, indo olhar sobre o ombro de Harry. A foto preto e branco bruxa exibia a imagem de uma jovem muito bonita vestida de branco, ao lado de um ruivo sorridente, atrás deles Molly Wesley segurava um bebê e Artur segurava outro. Era a foto do casamento de Ronald.
Que falta de sensibilidade de Harry, ela pensou, afastando-se e dizendo um pouco seca:
-Me chame só se for algo importante – avisou, voltando ao seu lugar no chão.
-Desculpe, achei que fosse querer ver – ele encolheu os ombros, olhando para ela, enquanto recortava a fotografia para guardar de lembrança.
-Certo, me chame quando encontrar a foto do casamento de Gina – ela alfinetou, arrependendo-se no instante seguinte e olhando para ele.
Harry estava ferido por sua crueza, e ela levantou-se de novo, sentando a sua frente na cama, e segurando sua mão:
-Me desculpe Harry. Não deveria ter falado isso. Eu...sei que não queria me magoar mostrando a foto, mas não é um assunto que me faça bem. Não tem culpa que eu me sinta assim, por favor, me desculpe.
-Eu deveria ter pensando um pouco antes de mostrar -ele admitiu – Fico tão feliz em pelo menos poder ver as fotos do que perdemos, que me empolguei. Eu desculpo você e você me perdoa o que acha?
-Acho perfeito – ela concordou sorrindo triste – O que acha de pararmos um pouco? – perguntou olhando cansada para as pilhas de jornais. Eles mal haviam chegado à metade do trabalho.
Se atualizarem em dois dias, para estarem preparados para as perguntas de Rita Skeeter. Não queriam ser surpreendidos por nenhuma pergunta ou informação que os assustasse.
-Está com fome? – Harry perguntou apontando a caixa de bolinhos sobre a cama – Rony mandou.
Desde que estivera ali há dois dias atrás, ele vinha mandando algumas coisas e Hermione olhou desgostosa.
-Não como isso nem que me pague. – ela revelou – Foi ela quem fez não foi?
-Não – Harry mostrou a caixa – É de uma doceria de Hogsmead. Rony não é tão burro assim.
-Ainda bem -ela suspirou apanhando um bolinho e mordendo.
Os dois comeram em silêncio por algum tempo, com Harry sempre olhando para ela de uma forma bem conhecida sua. Por fim, ela irritou-se e questionou:
-Harry, o que você quer falar? Vamos, eu sei que quer contar alguma coisa! Tem dois dias que está tentando falar e não cria coragem!
-É que...vai ficar decepcionada comigo – ele revelou melancólico.
-Quer me contar que foi a loja dos gêmeos procurar Gina? – ela perguntou já sabendo a resposta – Eu te vi na rua e vi entrar na loja.
-Sei que não devia – ele desculpou-se surpreso por ela saber - entendi porque não deveria ter ido.
-Você a viu?
-Não, mas foi o suficiente para saber que não estou pronto para vê-la e deixa-la ir. Eu não tenho sua força, Hermione. Não conseguiria estar com ela, e não implorar para que ficasse comigo.
-E acha que eu não quero fazer isso? – ela debochou – Eu não posso fazer isso, o que é diferente de não querer, Harry. Você pode não a ter visto, mas eu vi. – admitiu.
Harry deixou a comida dentro da caixa e encarou-a como se ela estivesse louca.
-Entrei atrás de você, e ela esbarrou em mim. Não nos falamos, eu saí antes que ela pudesse me reconhecer – contou notando sua palidez se acentuar.
-Como...como ela parecia?
-Ela estava feliz. Sorridente, corada. Linda. Harry, ela está linda. A maternidade a fez ainda mais bonita. Talvez não devesse te dizer isso – concluiu.
-Não. É bom saber. Rony não quer me contar nada sobre ela. Eu achei que estivesse sofrendo muito com a perca do marido e talvez doente. É bom saber que não é assim. Eu...fico pensando em como será quando a matéria sobre nós sair no jornal. Como ela vai receber essa noticia.
-Acredito que Rony vai prepará-la para isso, mas será sem duvida um choque.
Hermione olhou em volta e acabou sorrindo.
-Quer saber, Harry? Chega de ficarmos trancados aqui dentro! Está quente, tem um sol lindo lá fora, e temos muito a reconhecer! O que acha? Quer dar um passeio?
-Merlin, Hermione sorridente? Feliz? O que aconteceu?
-Foi o açúcar -ela brincou referindo-se ao doce açucarado – Não quero comer doce embrulhado, quero comer em uma doceria, na mesa da rua, olhando o movimento. Chega de bares duvidosos e de se esgueirar pelos cantos! Ninguém vai nos reconhecer e se acontecer, paciência!
-Tudo isso porque decidiu não se afastar Rony? -ele deixou escapar vendo-a corada.
-Ele contou? – corou ainda mais.
-Antes de ir embora ele disse algo sobre isso – foi vago, não querendo constrangê-la.
-Ele é casado – disse numa vã tentativa de apagar o próprio ar feliz da face.
-Rony me contou que não transa com a mulher – ele revelou e riu quando ela ficou surpresa – quero dizer, não sempre. Ele contou que acontece só quando ela já está com raiva dele. Sabe, por obrigação.
-Sei – ela desacreditou – E aposto que ele disse também que ela é uma megera, que o faz muito infeliz! – duvidou – Harry, essa é a clássica historia que todos os homens casados contam. Além disso, não quero me envolver com ninguém.
-Hum... melhor repensar isso, Hermione – ele brincou levantando-se e calçando os sapatos – Porque no dia em que eu puder me aproximar de Gina, se ela me rejeitar, bem, nesse dia, você será minha última opção.
-Espero sinceramente que isso seja uma brincadeira – ela disse séria, sem saber se ficava ofendida ou não.
-Gostaria que fosse. –ele sorriu – O que acha? Temos um pacto? Se Gina e Rony não se resolverem, nós nos resolveremos?
Harry havia estendido a mão em sua direção e ela pensou em dizer não. Mas ele estava sensível, e era o seu melhor amigo. Usava essa história de ficarem juntos para justificar a si mesmo que nada era como no passado, e embora isso fosse assustador, ele pelo menos não ficaria só.
Imaginava que ele estivesse em choque, depois de tudo, e tinha receio do que aconteceria no dia em que a realidade o batesse como acontecera a ela desde o primeiro segundo.
-Vamos ver, Harry. – ela soltou sua mão, procurando pelos sapatos e afastando-se para seu quarto. – Vamos ver!





A cidade estava bem tranqüila, com poucos pedestres, pois era o meio da tarde, e a maioria das pessoas estava trabalhando ou comprando dentro das lojas.
Harry e Hermione, no entanto, estavam sentados em uma mesa, dentro de uma doceria bem equipada, e tradicional, saboreando deliciosas fatias de bolos e chá gelado. Harry chegara a falar algo sobre refrigerantes trouxas, mas bastou um olhar de Hermione para desistir dessa possibilidade.
Eles haviam olhando o mundo, como ela dissera, e não lhes apareceu tão diferente afinal.
Nada de novo, as pessoas eram as mesmas, com as mesmas atitudes. O mundo não para, diria os poetas. O mundo não evolui, diria os pessimistas.
O mundo não nos surpreende, diria Hermione.
E entre tantas opiniões, ele só pensava em ver as coisas como elas eram, e que se danassem os outros e o mundo. Ele estava vivo. Tinha sua vida e saúde. Era bem mais do que esperava ter quando a guerra acabasse!
A conversa entre eles havia se limitado a algumas palavras, pois estavam sem assunto e em um gostoso silêncio, quando aconteceu.
A porta do estabelecimento abriu-se e duas mulheres entraram. Uma delas era mais velha e sua fisionomia era inesquecível. A outra era seu retrato, mais jovial.
-Ora, mamãe! – Hermione aguçou os ouvidos, sem afastar os olhos de Harry que estava colado na cadeira, imóvel – É só um doce!
-Só um doce! Ginervra, você não sabe o sacrifício que será voltar ao seu antigo corpo depois de todos esses doces! – Molly alertou – Olhe para mim, não dei ouvidos a minha mãe nas seis vezes, e olhe o que sobrou do meu belo corpo! – ela olhou para as próprias formas roliças.
Gina revirou os olhos, não lhe dando ouvidos. Elas estavam de pé, em frente ao balcão e Hermione notou que ele não erguia os olhos do próprio prato. Pegando sua mão ela sussurrou:
-Olhe para ela antes de irmos.
Harry não olhou. Ficou olhando para suas mãos e apertou seus dedos antes de levantar-se e tencionar sair.
Hermione o seguiu e gelou quando ouviu uma voz aguda atrás de si:
-Hei!
Virou-se lentamente, olhando para a velha Molly.
-Esqueceu seu casaco, querida – ela disse simpática, apontando o casaco que Hermione deixara sobre a mesa.
A mesma Molly simpática, atenciosa e bondosa. Aquilo rachou seu coração.
Olhando para Gina, ela notou que estava distraída demais olhando os doces para notá-los. Olhando então, para Molly, ela apanhou o tricô e procurou por Harry. Ele havia saído da loja e olhava pela vitrine.
Pouco a pouco, Hermione notou a expressão de Molly demonstrar reconhecimento e antes que ela dissesse algo, ela maneou a cabeça, olhando em direção a Gina, alheia a elas. Seus olhos imploravam para que não dissesse nada.
E antes que Molly se decidisse, ela também saiu.
Condoída, segurou no braço de Harry, para fazê-lo sair dali.
Ele olhava para Gina, que estava de costas para eles, e via seus cabelos, suas costas, suas pernas, seus braços. Daria tudo para ter coragem de entrar e dizer que estava ali, olhar em sua face e dizer que voltara.
Mas todos tinham razão, ela não precisava dele. Não agora.
Mais alguns dias, pensou Harry, segurando a mão de Hermione, só mais alguns dias e todo mundo bruxo saberia que estava de volta. Então, nada nem ninguém poderia impedi-lo de procurá-la!


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AUTORA:
As atualizações serão sempre à noite, depois das dez, por causa do meu tempo escasso. Mas serão diárias (ao menos espero conseguir que sejam).
Então, se não tiver no dia, é porque atualizei de madrugada. Quem acompanha minhas fics sabe quanto sofro com o meu provedor....
Bem, beijinhos e espero que curtam!!!!

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