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13. Para não dizer adeus


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


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CAPITULO 13

PARA NÃO DIZER ADEUS

-Porque age assim, Hermione? -ele segurou-a com força, para que não pudesse fugir dele – Eu só preciso conversar com você!
-Mas não tenho nada para falar com você! Ronald, por favor, me solte agora! – praticamente implorou, embora houvesse frieza em sua voz.
-Por quê? Só me diga por quê! -ele exigiu.
-Quer saber o porque? -ela perguntou incrédula – Me solte, e eu digo por quê!
Não era um jogo, mas ele teve que concordar com suas regras e a soltou, frustrando por ela se afastar e ficar longe dele.
-Eu não quero começar algo que não exista – foi clara, olhando bem dentro de seus olhos – Não quero continuar criando expectativas sobre algo que não vai acontecer! Entende isso? Você tem uma família, você tem uma vida! eu não tenho nada! Eu não....mesmo que eventualmente venha a largar tudo por mim, o que sei que não aconteceria, o que seria de nós dois com tanta diferença? Eu estou começando, e nem sei por onde começar. Eu não tenho um trabalho, eu não tenho experiência de vida, eu não tenho um lugar onde me sinta confortável. Eu estou fora de contexto, estou deslocada! Não posso de forma nenhuma ir pelo caminho mais fácil e...deixa-lo se aproximar. É errado. Não quero destruir o que você construiu.
-Eu não tenho um casamento de verdade, Hermione. Não estaria destruindo nada que já tenha acabado. – ele explicou, passando a mão pelos cabelos, nervoso.
-Me responda uma coisa, Ronald – ela perguntou cruzando os braços, agora que estava sem a presença de Harry, sentia-se extremamente exposta e vulnerável com tão pouca roupa – Você me amava? Amava-me de verdade?
-É claro que eu amava! – ele disse exasperado por ela não saber disso.
-Nunca ouvi uma palavra sobre isso vindo de você. Nós namorávamos. Era só isso. Nada mais sério. Não lembro de alguma vez ter me dito o que sentia!
-Eu tinha dezesseis anos, Hermione. Era imaturo e achava que dizer isso seria mostrar fraqueza e que você não iria querer um fraco ao seu lado. Foi por siso que nunca disse o que sentia – ele confessou – Da mesma forma que você nunca me disse!
-Como eu poderia dizer, se você não disse nada? - ela perguntou surpresa – Mesmo agora, eu não diria, porque não tenho certeza.
-E está tão assustada com a minha presença, e não tem certeza do que sente? -ele duvidou, com um meio sorriso – Isso parece racional para você, Hermione?
-Nada me parecesse racional, Ronald – ela confessou.
-Não me chame assim -ele pediu – Sempre fui o Rony para você.
-Mas não é mais -ela disse triste também – Você cresceu e não é mais o Rony que eu conheci. Eu nem posso reconhecê-lo em você.
-Porque diz isso?
Não pareceu que ela estivesse notando sua aproximação então ele continuou cada vez mais próximo.
-Seus olhos não brilham mais como antes. A leveza que havia a sua volta, sumiu. Você está... Tão sério. – desabafou. – Eu sempre fui velha por dentro, sempre fui séria. Você não.
-Não tenho razão para fazer graça – ele confessou, bem perto agora – Minha família não entendeu como me sentia quando vocês sumiram. Eu deveria ter esquecido, afinal eram só amigos. Mas eu não senti dessa forma. Sentia falta das conversas, do apoio que havia entre nos três. Senti falta da certeza de ter com quem dividir as minhas coisas. Eu tinha Harry como irmão, e foi como perder isso, essa ligação. Tão forte como se perdesse um dos meus irmãos de sangue. Não foi fácil, Hermione. Não foi fácil tentar adivinhar onde estaria a minha garota, se estava viva ou morta, se ela ao menos chegou, a saber, como me sentia. Foi um tempo horrível, até voltar e resolver desistir. Aí, então, doeu mais fundo, porque eu estava desistindo de encontrá-los. Desistindo e talvez estivessem em algum lugar precisando de mim, me esperando, mas eu não podia mais. Estava cansado, minha família sofrendo e não pude continuar. – confessou cansado. – Está sofrendo, Hermione, pelo que perdeu, mas fui eu quem viveu cada maldito dia, na expectativa da sua volta! Fui eu quem dormia e acordava esperando ver seu rosto em uma rua qualquer! Fui eu quem ficou para trás!
-O que quer de mim, Rony? -ela perguntou baixo, vendo agora o verdadeiro Rony, e sentindo que não podia conter as lágrimas e nem queria – O que espera de mim?
-Eu não sei – ele estava tão próximo e só agora ela percebia, quando ele erguia uma das mãos e tocava sua bochecha – Eu não sei.
-Eu também não sei – sua voz não era mais que um sussurro.
E não precisavam de vozes, quando os olhos diziam tanto. Tão lento e agoniante foi o movimento de inclinação de Rony em sua direção, aproximando os lábios ávidos dos lábios trêmulos, separados e arfantes de Hermione.
Ele não a tocava propriamente, mas ela sentia o corpo em chamas. Ondas e ondas de expectativa como se aquele pequeno segundo pudesse durar para sempre. Seu peito arfava e seus braços se descruzaram instantaneamente, esperando seu momento de abraçá-lo e grudar-se a seu corpo para todo sempre.
Tão perto, olhos nos olhos, as respirações se misturando os hálitos se inflamando, tão quente, tão certo, tão bom. Hermione tinha o coração acelerado com a lembrança do último beijo entre eles viva em sua mente e o desejo latente por um novo carinho.
Mas o beijo nunca aconteceu. Por maior que fosse a vontade e o desejo, ela deu um passo para trás, sentindo as lágrimas correrem pelas faces.
-Nunca saberemos se é o certo, Hermione –ele disse em tom de suplica.
-Não posso me afastar – ela confessou, olhando para o chão, para longe dos olhos azuis que a desconcertavam. – Saberemos se é o certo, mesmo que não nos toquemos. Se for de verdade, se for amor, nós saberemos não é? – questionou confusa.
-Talvez – ele admitiu, ela sempre tinha razão, e mesmo que não concordasse com ela, já era um começo.
-Vai...Vai voltar para casa agora? -ela perguntou num tom frágil, que dizia mais que mil palavras.
-Você quer que eu fique? – ele perguntou direto, olhando para ela com mais que apenas amizade. Era fogo puro.
-Eu não quero vá. Mas não posso deixá-lo ficar. Harry...despesa-se dele, ele está um pouco perdido com tudo isso.
-Harry sempre foi perdido – ele brincou surpreso por se ver capaz de fazer piadas novamente – Eu vou. Mas volto, Hermione. – ergueu as mãos sorrindo – Sem toques. Mas eu volto.
-Tá bom -ela tentou não sorrir, mas não pode evitar.
Seus olhos estavam fixos, até o último segundo antes dele sair e fechar a porta de ligação entre os quartos.
Podia ser bobo, ou imaturo, mas ela sentiu-se feliz pela primeira vez desde que voltaram, como se um peso enorme houvesse sido tirado de seus ombros.
Claro, havia uma esposa, e possivelmente, depois de ter ficado tão excitado, ele fosse passar a noite em seus braços, mas ela preferia a ilusão adolescente de que não, ele iria dormir sozinho e sonhar com ela.
Quem sabe aos pouquinhos, tudo voltasse a dar certo?


Do outro lado da cidade, sentada num sofazinho colocado na varanda, Gina acariciava o ventre com todo seu carinho, apesar de sua mente estar longe.
Seu pensamento estava em outro lugar, em outra época. Ela se lembrava do único homem, na época rapaz, que ela amara. Era uma lembrança doce, que se tornava triste ao lembra-se do quanto sofrera com sua perca.
E havia também a lembrança de Greg seu marido morto há tão pouco tempo. Um amor mais calmo, menos apaixonado. Um amor que não deixara dor na partida, apenas saudade.
Um amor que deixara um filho. O filho que ela tanto desejava, a razão por ter aceito casar-se e unir sua vida a outro homem que não fosse Harry.
Sua vontade de amar incondicionalmente novamente. Amar sem medo, sem fronteira. Um amor que não poderia ser de mais nenhum homem. Mas que ainda poderia acontecer, caso fosse mãe.
Dar a um filho todo amor que guardava em seu coração.
Lágrimas vieram aos seus olhos, mas ela na permitiu que corressem. Não podia ficar triste, ela fugia dos tempos de dor e escuridão.
Olhava para o futuro, com a avidez de quem não suporta mais pensar no passado.
Suspirou, ouvindo a voz de seus pais na cozinha. O jantar estava pronto, e ela tinha fome.
Levantando-se com dificuldade, ela afastou os cabelos dos ombros e olhou para as estrelas que começavam a despontar no céu. Havia uma oração em seu coração, a mesma que rezava todas as noites, olhando as estrelas.
Pedia que Deus protegesse Harry, que o conservasse onde quer que estivesse e que ele pudesse saber, vivo ou morto, que seu amor por ele jamais morreria. Jamais se acabaria.
Mais calma, ela entrou em casa.

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