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10. O acordo


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


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CAPITULO 10

O ACORDO


-Por Merlin, será que ninguém é capaz de entender uma ordem? – o grito tremeu as paredes – Uma simples ordem, tão simples que mesmo um trasgo estúpido, cego e surdo poderia entender e obedecer?
Rita bateu furiosamente o pé no chão, encarando sua pequena equipe e respirando fundo antes de dizer com falsa calma:
-As fotos, eu preciso das fotos para esboçar a matéria, Jan. seria possível?
O rapaz saiu praticamente correndo pela redação, entre as mesas, olhando assustado para trás como se ela fosse criar duas cabeças e soltar fogo a qualquer momento.
Ainda era a mesma, pensou, Hermione. O mesmo penteado, as mesmas roupas, a mesma maquiagem. A mesma Rita Skeeter, intrigueira, irritante e prepotente.
Hermione descruzou os braços e aproximou-se de sua mesa, a passos duros. Não gostava dela, não mesmo. Mas não era hora para antigos sentimentos adolescentes.
-Oh, queridinha – ela disse olhando para Hermione com descaso – Onde estão as fotos? – perguntou cínica, sem olhá-la propriamente.
-Não trabalho para você – Hermione afirmou arrogante.
-Não? – Rita riu desagradavelmente – Então, quer por favor sair da minha frente? Tenho um jornal para editar!
-É mesmo? – ela perguntou irônica, erguendo uma sobrancelha acima dos óculos escuros.
Rita não gostou do tom, tão familiar. Parou e estreitou os olhos observando a intrusa. Realmente, não lembrava de tê-la contratado. Era uma moça de estatura mediana, vestia com blusa role negra, jeans escuros, de corte reto, com a cintura fina, moldada por um cinto largo. Os sapatos eram altíssimos e lhe davam alguns centímetros a mais. Os cabelos longos, castanhos claros, emolduravam seu rosto suave com cachos delicados. Mas havia algo na linha rija de seus lábios que a intrigou.
-Eu preciso de um furo de reportagem, queridinha – Rita satirizou, para enxota-la – E a menos que tenha um em mãos, saia da minha frente!
-Não, eu não tenho um furo de reportagem em mãos...- Hermione sentiu uma incontrolável vontade de ir, tirando os óculos e dizendo baixo e rouco - ...eu sou o furo de reportagem.
Levou um segundo para Rita reconhece-la. E passado esse segundo ela caiu sobre sua cadeira, chocada demais para pensar. O que também não durou mais que um minutos para ir embora, e fazer seu cérebro trabalhar a toda velocidade.
-Merlin, Merlin, vamos sair daqui! – ela agarrou o braço de Hermione, olhando para todos os lados – ninguém pode vê-la!
-Solte-me – seu tom duro a fez soltar – Você não me dá ordens, Rita. Vamos a um lugar mais sossegado, sim, mas vou com minhas próprias pernas.
Rita apenas concordou indicando o caminho para uma sala mais reservada. Não poderia se enganar, depois de ver seus olhos. Sempre lhe impressionara o olhar sério e rígido de Hermione Granger, principalmente quando travavam longos duelos verbais, nas raras ocasiões em que se confrontavam.
Agora, fechando as pesadas cortinas de sua sala, mantendo tudo escondido, ela respirou fundo dezenas de vezes antes de virar-se para ela e dizer em tom de suplica:
-Diga-me que sabe onde está Harry Potter. – implorou.
-É tudo que deseja, não é? – Hermione ironizou.
-Um furo desses seria a gloria, não vou negar – ela disse empolgada como nunca em sua vida – e não estaria aqui se não soubesse disso também. – acusou.
-Tem razão, Rita. Vou chamá-la assim, pois não sou mais uma menina que precise tratar os mais velhos com tanta formalidade. – alfinetou e viu a outra conter a resposta acida – Quero algo de você, Rita.
-E o que seria? - ela perguntou quase com adoração.
-O que você acha? -ela sorriu.
Hermione andou pela sala, observando os quadros nas paredes onde havia dezenas de capaz do Profeta Diário emoldurados. Uma delas, bem antiga, havia sua foto e a de Harry, ainda em Hogwarts, com a manchete: “Honra ou covardia? Estarão mortos ou escondidos?”
-Tenho uma história para contar – Hermione disse seca, olhando diretamente para ela – Harry tem uma história para contar.
-Quer...quer que eu escreva sua historia? – ela nem acreditou na sua própria sorte.
-O que estou lhe oferecendo é o maior furo de reportagem da sua vida. em troca, eu quero total veracidade, inclusive, quero que use seu talento em fuçar na vida dos outros para que tente encontrar provas que desmintam nossa historia. Quero que você, a mulher que mais atacou a imagem de Harry Potter tenha que se render e aceitar a verdade. Se você puder fazer, qualquer outra pessoa, também o fará. Se não puder contar com sua palavra eu vou....- deu de ombros.
-Você vai....? – Rita aproximou-se, e Hermione apostava que seu coração batia mais rápido de expectativa.
-Atravessar a rua e oferecer o mesmo ao Pasquim. – foi direta.
-Eu poderia escrever que voltaram de qualquer forma! Posso até saber onde estão! – Rita ameaçou não gostando de ser chantageada.
-É claro que pode, eu mesma lhe daria o endereço – Hermione jogou – Mas me pergunto, o que as pessoas iriam querer ler? Uma matéria de duas linhas, com algumas fotos roubadas, ou varias paginas de uma entrevista exclusiva? Posso estar enganada, mas renderia uma edição especial, quem sabe, mais que uma!
Rita inflou como se fosse negar, mas se rendeu, sentando pesadamente em sua poltrona e apontando a poltrona a frente para que Hermione sentasse tão arrogantemente no controle que ela quis gritar.
-Diga-me, o que tenho que fazer – foi só o que Rita pode dizer.
-Sabia que não tinha mudado – Hermione sorriu e disse bastante séria – Só há uma condição, Rita. A verdade. É só o que queremos.
-A verdade? – Rita repetiu, talvez sequer soubesse o significado dessa palavra.
-Acredite, a verdade será ainda mais inacreditável do que qualquer mentira. – Hermione teve que admitir, rindo por dentro de sua expressão encantada.
Era um porco chamuscando na lama. Isso era o que Rita era.
E foi por isso em primeiro lugar que a fez procura-la.
Sua ambição desmedida a tornava a mais maleável das marionetes. Do jeitinho que Hermione queria!





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